Girls in Black

7 There's someone else here


Notas iniciais
Mil desculpas pela demora para postar, tava sem inspiração ;( Enfim, boa leitura.

Denise olhava fixamente para o teto, onde via um pequeno foco de luz vindo do telhado cheio de rachaduras. Já estava assim há bastante tempo, como se tivesse sido hipnotizada pela luz do sol que insistia em entrar em um lugar tão escuro e insano.

Suas mãos ardiam muito e ainda era possível ver e sentir as marcas causadas pela maldita corda que prendia-a há algumas horas. Horas que pareciam durar meses.

Não aguentava mais ficar naquele inferno. Queria apenas sair deste pesadelo e esquecer esse dia.

"Se eu quisesse te matar, já teria te matado.Você será útil, vou te manter viva por enquanto" — Essas frases surgiam mais uma vez em sua mente, a despertando de seus desvaneios.

— Se não pode vencer o inimigo, junte-se a ele. — Ela murmurou para as paredes e deu um sorriso orgulhoso como se elas a entendesse.

Ω

— Ah, merda! — Mari sentia uma forte dor na cabeça e tinha certeza que tinha um calo crescendo ali.

Ela havia acabado de acordar, não sabia a quanto tempo estava inconsciente, mas sabia que fazia muito tempo. O dia estava amanhecendo e o sol ainda estava tímido, escondido entre as nuvens. Olhando em volta viu os restos da fogueira, e seu celular jogado proximo de seu pé.

Ela apenas o tomou rapidamente e ligou para Lucas.

— Onde você se meteu? — Ela perguntou.

— Relaxa, eu não estou muito longe. — Ele disse com uma irônica ternura.

— Responda minha pergunta. — Ela revirou os olhos e respirou fundo em seguida, numa tentativa de se acalmar — Espera, oque aconteceu ontem a noite? Porquê não consigo me lembrar de nada?

— Eu estou voltando praí. Depois te explico tudo. — Ele desligou a ligação.

—Ok — Ela respondeu, mas bufou ao perceber que foi em vão.

Ela pôs o celular no bolso e entrou na cabana, se sentando em uma poltrona velha e empoeirada, apoiando a cabeça nas mãos.

Entediada, começou a observar o local. As paredes eram de madeira muito velha e podiam desabar a qualquer momento, sem contar os inúmeros buracos de ratos. Aparentemente não vinha ninguém ali há anos.

Logo ouviu um barulho da porta se fechando, e sentiu suas pernas estremecerem. Lucas não chegaria tão rápido assim, e não ventava muito naquele dia. Levantou-se e pegou um taco de golfe encostado na parede. Ela o segurou firme e andou lentamente até a porta, a abrindo em seguida.

Não havia ninguém ali,mas Mari ainda tremia muito e respirava ofegante.

— Mari? — Ela ouviu a voz conhecida e só então percebeu que estava chorando. Lucas colocou sua mochila no chão e a indagou com o olhar.

— Tem mais alguem aqui. — Ela disse num sussurro.

Ω

Thomas entrou no quarto colocando de forma brusca uma bandeja com comida dentro da cela.

— Thomas.. — Ela falou num tom baixo, mas firme. Ele lançou um olhar ameaçador para a garota de olhar submisso, como se cometesse um crime ao lhe dirigir uma palavra. — Eu preciso ir ao banheiro...

Era clichê, ela sabia, mas era uma chance única. Ele a encarou por um momento, ela apenas manteve uma expressão convincente.

— Você já sabe oque vai acontecer caso se atreva a fazer algo, não é? — Ela imediatamente sentiu seu coração disparar, mas apenas assentiu séria.

Ele retirou um molho de chaves do seu bolso, e abriu a cela com uma chave vermelha.

No segundo em que ela saiu da cela, Thomas segurou seu braço de forma bruta, para impedi-la de fugir, e a puxou ate um corredor. Denise nunca tinha estado naquele lugar antes, e pelo visto era bem maior do que imaginava. A garota admirava cada detalhe, tentando se lembrar de tudo para uma possível fuga. Havia varias portas fechadas, algumas sujas de sangue. Denise agora suava frio. Thomas pegou novamente o molho de chaves e abriu uma das portas.

Denise entrou no banheiro rapidamente e fechou a porta, sentindo um grande alívio.

Observava com atenção cada detalhe no banheiro. Era um banheiro normal, tirando o fato do mal-cheiro e do sangue espalhado pelo piso. Com certeza alguém teria morrido ali.

Percebeu a presença de um espelho que ficava grudado na parede e começou a olhar para si mesma no espelho. Seu rosto estava vermelho e não tinha nenhuma expressão. Sem contar os machucados por todo o rosto. Sentiu seus olhos se encherem de lagrimas ao vê-la naquele estado.

Ela percebeu algo estranho no espelho. Na moldura que cobria o espelho, havia um botão camuflado. Ela hesitou, mas acabou apertando por curiosidade.

O espelho se abriu dando lugar a um tunel.

— Vai passar o dia todo aí? — Era a voz do Thomas, oque a fez levar um susto.

— Já estou indo. — Ela respondeu, tentando se recompor.

Nitidamente, aquilo era uma passagem secreta. Não sabia pra onde ela dava, mas queria tentar fugir por ela. Seria difícil com Thomas na sua cola, ganharia a confiança dele primeiro pra depois tentar algo. Ela fechou o "espelho" e abriu a porta, tentando disfarçar o nervosismo.

Ω

Mari estava sentada no chão, debruçada em suas pernas, com o rosto pensativo. Lucas lhe entregou um copo d'água, se sentando ao seu lado.

— Agora me diga com calma. Oque você viu?

Mari tomou um gole da água e respirou fundo, tentando se acalmar.

— Eu não vi nada — Ela afirmou — Mas tenho certeza que tinha mais alguém aqui, eu ouvi passos de alguém correndo, como se estivesse fugindo.

— Você tem certeza? — Ela apenas assentiu — Talvez você esteja ouvindo coisas.

— Eu não estou doida! — Ela falou num tom mais alto.

— Não estou dizendo que está. — Ele retrucou — Só estou querendo dizer que você deve está meio traumatizada com oque aconteceu com a Denise, e por instinto acaba aumentando as coisas. Você deve ter ouvido um rato ou algo assim.

Embora a ideia de ter ratos naquele lugar não lhe agradasse em nada, Mari apenas ficou calada. Eles ficaram quietos assim por longos minutos.

— Posso te perguntar uma coisa? — A garota apoiou o queixo na mão e o encarou. Lucas assentiu. — Por que você me deixou inconsciente na noite passada?

Notas finais
Obrigada por acompanhar a fic!