Girls in Black

8 I'll never forgive you.


Notas iniciais
oii ^^ mais um capítulo fresquinho! aproveitem.
Lucas olhou perplexo para a morena que o encarava sem expressão alguma. Ele não esperava por isso. Achava que ela esqueceria, afinal, é isso o que acontecia quando aquela substância era injetado em alguém. Ele sabia que não adiantaria mais mentir; Mari era inteligente.

— Como você sabe? — ele quis saber. — Como lembrou?

Então era verdade. Ele era um traidor. Ela colocou uma mecha do seu cabelo atrás da orelha.

— Não sou idiota, Lucas. Não lembrei do momento em que você fez isso, mas desconfiei. E você acaba de confirmar. — ela disse, com raiva nos olhos.

Ele apenas ficou em silêncio e baixou a cabeça.

— Mas por quê, Lucas? — ela aumentou o tom de voz.

Ele não disse nada, apenas olhava para o nada.

— Isso explica você saber onde aquele psicopata MORA! — ela berrou, incrédula.

Ele apenas abaixou a cabeça, se sentindo culpado de repente. Mas ele não deveria ficar assim. Sabia que isso ia acontecer, cedo ou tarde.

— Céus, como não percebi antes? — ela perguntou lutando para não chorar.

— Você é o parceiro dele! — ela praticamente gritou nessa frase. Uma lágrima rebelde caiu do canto do olho de Mari, que rapidamente enxugou.

— Não se pode confiar em ninguém mesmo! — ela disse enquanto se levantava. Não conseguiria mais ficar no mesmo lugar que ele.

— Mari... — ele sussurrou, sem saber o que dizer.

— Como você pôde? Sabe quantas pessoas ele matou? Deus, Lucas! Ele quase matou a Denise! Podia ter me matado! — ela berrava como uma louca.

Lucas sabia que a coisa certa a se fazer agora era matá-la. Ela sabia demais e provavelmente iria à polícia. Mas ele simplesmente não conseguia. Ele olhava para o rosto dela, vermelho de raiva e com os olhos cheios de lágrimas e só conseguia pensar de o quanto era bonita. Não reunia coragem. Thomas pediu para que ele vigiasse elas, mas com o tempo passou a nutrir sentimentos, especialmente pela Mari.

— Não tive escolha. — Foi apenas o que ele disse.

Mari, que estava de costas, parou de andar e sentiu o sangue esquentar. Virou com os olhos repletos de raiva e lágrimas e caminhou rapidamente até o Lucas, desferindo um tapa em seu rosto. Foi tão forte que ficou a marca de seus dedos.

Ela virou-se novamente para ir embora e disse antes de sumir:

— Nunca vou te perdoar por isso.

♤

Denise estava sentada na cadeira, pensando em como sairia dali. Ela acabou comendo a refeição que Thomas tinha trago, afinal, ela estava praticamente um dia sem comer.

Ela conseguiu convencer Thomas de deixar a sua cela aberta para que ela conseguisse ir pelo menos ao banheiro. Thomas não queria que aquele lugar fedesse mais do que o normal. Mas o real objetivo dela era ir naquele túnel, que parecia ser uma esperança para ela naquele momento. Ela começou a perceber como Thomas era burro. Qualquer idiota conseguiria ver aquele botão vermelho no banheiro. Então como ele conseguia fugir da polícia? Talvez tivesse ajudantes.

Ela iria para o túnel quando Thomas estivesse dormindo, para não arriscar. Ela levantou lentamente da cadeira, sentindo fraqueza nas pernas. Andou até uma porta que era próxima do banheiro e encostou a orelha nela. Precisa saber se ele estava dormindo. Para sua alegria, ouviu um ronco alto e longo de Thomas.

Ela rapidamente andou até o banheiro e procurou o botão. Ela achou depois de um tempo, porque estava escuro. O túnel apareceu novamente e ela, hesitante, entrou nele.

Sua visão estava de acostumando com a escuridão aos poucos. Ela já conseguia enxergar as paredes claras e lisas. Estava andando sem parar há minutos, e não tinha achado nada. Que diabos é esse lugar?, ela pensava constantemente. Até que ela ouviu uma voz. Uma voz choramingando. Ela começou a andar mais depressa, ouvindo cada vez mais nitidamente.

— Sei disso, senhor Pimpa. Eu simplesmente tenho medo dele. Aqueles olhos... me aterrorizam. — a voz feminina disse, suspirando.

Mari avistou na frente uma porta entreaberta. Receosa, abriu ela com cuidado e devagar.

Uma garota estava sentada de costas, usando roupas rasgadas e o cabelo loiro até a cintura. Mari percebeu que ela segurava um bichinho de pelúcia.

— Queria matá-lo. — ela disse de repente com a voz carregada de ódio.

— Senhor Pimpa, me ajude. — ela continuava falando com o boneco.

Mari apenas olhava para ela, horrorizada com o que ela dizia naquela idade.

— Garotinha? — Mari perguntou.

A loirinha pulou de susto e olhou rapidamente para Mari. A analisando de cima para baixo.

A garotinha tinha quase o rosto branco como neve e os olhos cinzas, vazios.

— O que está fazendo aqui? — ela perguntou, engolindo em seco.

Ela apenas a olhava, decidindo se devia fazer algo ou não.

Denise suspirou e se aproximou dela, que recuou.

— Não precisa ter medo de mim. Também estou aqui contra minha vontade. — ela disse, se ajoelhando em frente á ela.

— Por favor, não aguento mais passar por isso sozinha. — ela disse, sentindo as lágrimas rolaram.

A garotinha suavizou o olhar e se aproximou.

— Meu nome é Denise. — ela disse, recompondo-se. Qual é o seu?

— Milan. — ela disse abrindo um micro sorriso.

♤Mari não conseguiu segurar as lágrimas por muito tempo. Elas começaram a rolar naturalmente e ela não queria impedir isso agora. Ela estava indo á polícia, estava cansada disso tudo. Começou a chover, mas ela não ligou. A única coisa que ela conseguia pensar era em Lucas. Ela confiava tanto nele que nunca teria imaginado isso. Eles eram amigos há tanto tempo que nem se lembrava de como o conhecera. Como ele conheceu o Thomas? Como viraram parceiros? Ele o ajudou a matar alguém? Mari respirou fundo, tentando esquecer daquilo. Até que sentiu o celular tocando. Com as mãos tremendo, tirou o celular do bolso e viu que sua mãe estava ligando. Foi aí que ela lembrou. Ficou dois dias fora, sem avisar. Aquela cabana provavelmente não tinha sinal. Ela pensou em uma desculpa rapidamente a atendeu, tentando controlar as lágrimas.

— Oi, mãe... — ela começou, mas foi interrompida por um grito dela:

— MARI! ONDE VOCÊ ESTÁ?

Ela respirou fundo e falou lentamente:

— Mãe, por favor, calma. Estou na casa de Sofia. Esqueci de avisar, foi mal.

— ESQUECEU? — ela perguntou, furiosa. — DURANTE PRATICAMENTE DOIS DIAS? — ela disse quase caindo no choro.

— Mãe! Não achei que você fosse se importar, eu sempre fiz isso, mas fiquei mais tempo que o normal sem falar com você. Tá tudo bem. Eu estou bem. — ela disse com uma voz tranquilizadora.

Sua mãe começou a respirar fundo, mais calma agora.

— Mãe da Denise está no hospital. — ela disse com a voz mais triste ainda.

O coração de Mari palpitou.

— Por que? — ela perguntou, aflita.

— Não sei direito, querida. Ejetaram algo no sangue dela que a fez dormir. Mas está assim há muitas horas. Queria saber como a Denise está.

Mari sentiu o estômago embrulhar e as lágrimas voltarem novamente.

— Depois vou falar com ela. — ela murmurou.

— Está vindo para casa? — A mãe perguntou chorosa.

—Mãe, eu planejava passar a semana toda aqui. — ela disse com convicção.

Sua mãe ficou um tempo pensando, ela sempre deixou Mari fazer tudo o que ela quisesse, mas sempre a educando, dizendo o que era certo e o que era errado.

— Mas passa aqui, filhinha. Eu sinto sua falta. — ela respondeu.

— Okay, mãe. Agora vou desligar, mais tarde passo aí. — ela desligou o telefone quando percebeu que estava perto da delegacia.

Notas finais
dois capítulos em um dia só ^^ yaay