Girls Meets The New World
1 Capítulo 1- Tons de Laranja
Notas iniciais
Estar rodeada de tons pastéis faz com que a mente viaje um pouco, e estar em apuros também. Poderia dizer que o laranja fosco da estante de livros me acalma, porque não parece uma cor que diga muita coisa, ´Oi, eu sou o laranja fosco meio sem graça e não mudo o rumo da história ́. Descendo os olhos mais um pouco pra mesa da frente, vejo que ela é laranja escura, puxada mais pro marrom, talvez venha daí a minha aflição, ‘Oi, eu sou o laranja escuro, e falo sério quando digo que você se meteu em problemas’. Estar calma ou aflita não ficou bem resolvido na minha cabeça ainda, mas me fez pensar na frase mais dita na aula de artes passada, ‘As cores e os sentimentos têm tons iguais e diferentes’. E por mais que eu relute em pensar em deveres de casa, não podia ignorar o tom da cor mais gritante daquela sala, o vermelho flamejante no rosto do diretor Ford, que num silêncio compassado, permanecia a me encarar, e eu só torcendo na esperança para que algum tom laranja me salvasse, não o de uma estante ou mesa, mas um reluzente e brilhante como a luz do sol no meio da tarde.
— Senhorita Hart, eu vou perguntar mais uma vez. Como você entrou na escola fora do horário?
Respiro fundo antes falar.
— Eu já disse ao senhor, foi pela quadra, eu dei a volta e entrei pela porta lateral.
— A porta que estava devidamente trancada, que não possui um sequer sinal de arrombamento. Essa foi a porta que você entrou?
—Foi … (Em um tom de insegurança)
— Sabe Maya não é a primeira vez que você me causa problemas (Levanta da cadeira e se coloca na minha direção) Mas pode ter certeza que só piora quando você mente.
Desvio nossos olhares.
— Depois que o sinal tocou, eu desci e me escondi na sala de artes até tudo fechar, quando percebi que estava sozinha, saí.
É aí que o diretor Ford retoma o silêncio só que dessa vez isso acontece em meio segundo.
— Maya! (O meu nome soa alto e irritado mais do que todo o resto da frase, e agora é a vez dele respirar fundo) O senhor Jackson lhe cedeu a chave da sala pra lhe ajudar com os estudos e é isso que você faz com a confiança dele?
— Diretor, eu sei que falando assim parece horrível, mas eu juro que não tive a intenção de quebrar nada, não foi pra isso que entrei na escola, foi pra…
— Foi pra que?
A lembrança do motivo interrompe a minha fala, como se eu sentisse na garganta o gosto dos dois tipos de laranjas da sala, calmaria e aflição, estante e mesa.
— Eu não posso contar diretor, é complicado…
— Maya, eu quero que você entenda a consequência dos seus atos, você invadiu a escola, traiu a confiança do seu professor, mexeu no material de limpeza, e trouxe um prejuízo de R$ 530,00 dólares quebrando a tv. Será que tudo isso, tudo isso mesmo, vale um ‘é complicado'.
Ele anda por toda sala enquanto fala. E eu sem mexer um músculo, não consigo sequer dizer uma palavra. Já notaram que tudo de errado que você faz, fica mil vezes pior quando falado em voz alta?
— Você não vai realmente dizer a verdade?
— A verdade não vai mudar nada, diretor
— Mudaria minha visão sobre você
Levanto a cabeça no mesmo instante, sentindo mais uma vez o gosto dos tons laranjas.
— Eu não tenho escolha dessa vez senhorita Hart, vou ter que expulsá-la (Diz ele voltando a se sentar, e eu me levanto num salto veloz)
— Não! Pera! Por favor não me expulsa, eu não sou um caso perdido, eu tenho jeito, pergunta pro Matthews ele vai te dizer isso, inclusive seria uma boa hora pra ele aparecer magicamente e vir me defender.
— Eu sei muito bem do apreço que senhor Matthews tem por você, é o mesmo apreço que o senhor Jackson também tem, e é por isso que os dois foram proibidos de vir à minha sala enquanto nós estivéssemos conversando. Não seria um julgamento imparcial.
— Mas não precisava da opinião de um professor pra decidir ou não sobre a minha expulsão?
— Em teoria precisa, mas não desses dois, qualquer um outro, mas não esses dois.
— Diretor Ford, eles são os únicos que gostam de mim
— Sendo assim, já sabendo disso que a minha decisão…
Antes que a sentença enfim fosse dita, fomos interrompidos por uma batida na porta, e foi só quando me virei que percebi que não notei a hora passar, e bem na direção dos meus olhos uma luz laranja atravessava a janela, mostrando que o fim de tarde tinha chegado.
—Pode entrar.
—Com licença senhor Ford.
E lá estava ela, a luz reluzente e brilhante, que por mais que machucasse levemente os meus olhos na tentativa de enxergá-la, era capaz de invadir a sala inteira, e impossível de não ser reconhecida.
—Senhorita Burgess?
Fale com o autor