Girassóis

2 A proposta


Notas iniciais
Oiiii. Voltei postando mais um cap em clima Natalino Espero que gostem!! :)

Chegou a segunda e de manhã cedinho já estava de pé, pois queria ter bastante tempo para me arrumar, afinal sou uma lerda de manhã.

A minha irmã acordou meia hora depois e começou também a se aprontar para ir à escola, tudo normal como sempre.

Fomos para a escola de ônibus escolar e no caminho fiquei ouvindo música. A minha primeira aula era de geografia, dobradinha, na minha opinião a prova foi muito fácil.

Quando estávamos terminando a terceira aula, quem entra na sala acompanhado da diretora? EXATO o dito cujo, fantasma, traste do Pietro, não pode ser isso que estou pensando, não na minha sala...

— Bom dia alunos, quero apresentar a vocês o Pietro, a partir de agora ele será o novo colega de classes de vocês. “nãoooo, mas parecia que somente eu não tinha gostado, o resto de meninas estavam babando e ele percebeu isso, mas fingiu que não aconteceu nada, até que ele me viu e ficou me encarando por um tempo para depois sorrir o que fez duas garotas suspirarem, ótimo ele vai ser popular.” Bem espero que tratem ele bem. Pietro qualquer dúvida pode ir me perguntar e se tratando de matéria... alguém se propõe ajudar? “muitas mãos se levantaram nesta hora e eu estava me escondendo debaixo da mesa já, quando ele decidiu abrir aquela boca.”

— Bem diretora, se me permite, gostaria que a Olivia me ajudasse, afinal somos vizinhos, seria mais fácil. Lógico, se ela quiser. “não eu não quero.”

— Ótima escolha “meu professor falou” ela é uma ótima aluna e tenha certeza que vai te ajudar bastante “droga”. E então Olívia. “não acredito que estou dizendo isso.”

— Claro professor, sem problemas. “nisto aquela peste quase começou a gargalhar, se segurou e para isso fingiu que estava coçando a garganta, típico.”

— Obrigada pela atenção Olívia.

— Nada vizinho “sorri falsamente para ele e o mesmo percebeu, otário, como eu o odeio”

— Então estamos combinados. Olívia, mostre a escola para ele por mim, por favor. “disse a diretora, e saiu.”

Nisto o sinal tocou e ele se encostou na parede de frente para mim. Comecei a arrumar as coisas bem lentamente, algumas meninas já fizeram o contrário para ir conversar com o novo aluno, alguns meninos foram o cumprimentar também. Aproveitei esta chance peguei minha bolsa e sai. Afinal falaram para eu mostrar a escola, mas não quando. A próxima aula era vaga, então decidi descansar embaixo de uma árvore nos fundos da escola, onde ninguém vai, coloquei meu celular para despertar e meu uma música lenta, acho que dormi, porque tenho flashes de sonho, Pietro, beijo... AFF, esse moleque tá até em meus sonhos agora. Levantei com tudo, minha cabeça rodou.

— Afê! Ta até em meus sonhos agora? Sai da minha vida.

— Pensou tanto em mim que tá até sonhando comigo agora?

Me virei na hora em que ouvi aquela voz, que bosta será que ele colocou um rastreador em mim?

— Meu! Pietro, você não tem o que fazer não?

— Eu estava velando pelo seu sono, não precisa agradecer. Sabia que ficar assim tão vulnerável dormindo, algum moleque poderia ter se aproveitado de você. E depois eu teria que bater nele e isso daria muito trabalho então preferi ficar por aqui e evitar tudo isso.

— E porque você teria que bater nele?

— Bem não sei se lembra da nossa conversa, mas repito se quiser. Olivia você é minha e não quero nem admito ninguém em meu lugar. Entendeu agora? Não vou deixar ninguém ter a mínima chance de ficar com você. “conforme ele foi dizendo isso ele chegou mais perto e ficou de joelhos atrás de mim, que estava sentada de pernas cruzadas, sentia o hálito dele em meu pescoço.”

— Pietro, quem disse que aceitei isso, eu não sou de ninguém “a forma como ele falava, aquela posse, me lembrava de coisas que queria esquecer” e outra quem foi que falou que eu não tenho namorado?

— Hum, bem... “ele estava com a cabeça bem na base do meu pescoço, e a mão no meu ombro” você pode dizer que não, mas seu corpo diz que sim e isso nem você pode negar, você me deseja só não admite isso, outra coisa você não tem namorado. Não tem aliança e nem nada que mostre isso, tirando que se tivesse teria terminado hoje, por causa da minha lembrança deixada ontem, nisto ele afastou meu colar que estava tampando a marca e você está me evitando, ou acha que acreditei que estava doente? “eu queria sair dali, mas meu corpo não se mexia, então respondi”

— Isso não quer dizer nada, só porque sinto atração por você, não quer dizer que sou sua. “não fez sentido o que disse, AFF o que está acontecendo comigo, tenho que ficar longe dele” Pensando bem, vai irritar outro, pelo que vi tem um monte de menina querendo te mostrar a escola.

— Ciúmes?

— Não!

— Relaxa, sou fiel também.

— Afê, se toca Pietro, não estamos namorando.

— Shhh, olha em vez de discutirmos, porque não curtimos o momento? Senti sua falta ontem sabia? Digamos que você é marcante. “ele começou a morder de leve meu pescoço, arrepiei.”

— Acho que o termo certo é marcada, por você.

— Você é tão... exagerada. Duvido que não pensou em mim ontem.

— Não da forma como está pensando. Estava pensando em como fazer para tirar você da minha vida.

— Pode desistir, isso é perda de tempo.

— Porque eu? “ele demorou um pouco para responder, acho que pensando na loucura que estava fazendo.”

— Hum, porque você é diferente, tem algo em você que me atrai.

— Pietro, sério. Estou pedindo, me deixa em paz... Não sou a mais bonita da escola, nem a mais popular e tipo convenhamos, você é gato demais, tem um monte de menina louca para ficar com você.

— Hum, você me acha gato...

— Foi só isso que prestou atenção de tudo que falei?

— Foi só o que me interessou.

— Pietro.

— Tá gastando saliva à toa, como diz a minha mãe, sou cabeça dura, dificilmente mudo de opinião e nunca desisto do que eu quero.

— O que eu faço para você me deixar em paz? Não quero confusão na minha vida. “estava implorando, minha voz saia baixa, aquilo já estava me cansando, só a hipótese de passar mais tempo como aqueles três dias me agoniava, não gosto de mudanças estava feliz assim, e pior sentia meu corpo pedir pelo dele.”

— Me prove que estou errado. “nisto virei para ele, estava sorrindo, isso não é bom”

— Como?

— Me beije.

— O quê!?

— Me deixe te beijar e corresponda, eu que paro o beijo, nada de fingir que não sabe beijar, saberei que está mentindo, enfim de o seu melhor para me seduzir. “ele não deve estar falando sério”

— Por quê?

— Porque se tem tanta certeza que não estou afim de você, assim que eu conseguir te beijar sem você relutar acabará toda a graça. E verei tudo isso de ruim que você diz que tem.

— Ou seja, se eu te beijar você vai me deixar em paz?

— Se estiver errado sobre o que sinto, sim.

— Tudo bem eu topo “disse levantando, acho que estou ficando louca.”

— Sério? “ele me olhou interrogativo, estiquei a mão para ele”

— Vai logo antes que eu mude de ideia.

Ele então segurou minha mão e levantou, mas não a soltou, a outra mão dele foi parar em minha cintura, e então sem parar de me olhar, me beijou. Começou um beijo lento, um roçar de lábios, coloquei meus braços em volta do seu pescoço e ao soltar sua mão ela foi para minha nuca, minha mente gritava para eu sair daqui, mas meu corpo nunca ficou tão quente, era uma sensação que fazia tempo que não sentia. Ele então puxou os fios da minha nuca e eu abri a boca em um gemido o que fez ele aprofundar o beijo o tornando mais rápido, exigente, parei de pensar e o acompanhei. Naquela luta onde um exigia mais do outro, o ar finalmente se fez necessário e então o beijo foi parado, mas nossas testas ainda estavam coladas. Estávamos arfando.

— Bem... Eu... Fiz... Minha parte... “ele me olhou sério”

— E quem falou que acabou? Lembra, eu termino o beijo.

Ele então me puxou, me colando mais a ele e iniciou outro beijo, possessivo, ele queria deixar sua marca, lembrança em mim, e estava conseguindo, afinal aquilo seria difícil de esquecer. Ele finalmente terminou o beijo, me soltou o jogou-se para trás sentando no chão e encostando na árvore, senti falta do seu calor.

— É você realmente me provou Olívia.

— Então vai me deixar em paz?

— Não, você me provou que eu tinha razão e agora tenho mais determinação do que nunca em te conquistar. “não creio”

— Mas... Você... PIETRO!

— Disse que pararia se estivesse errado, mas tu beija muito bem, uma delicia, e com certeza quero sentir este gosto de novo, tirando que fica muito sexy quando está dando uma de durona. “Falou ele com um sorriso malicioso. Ai que ódio.”

— Canalha

— Linda “comecei a pegar minhas coisas”

— Acho que já vou indo, porque EU tenho aula de educação física agora.

— Não tem não.

— Porque não teria?

— Porque ela já deve estar acabando pelo horário.

Foi ai que olhei no meu celular e vi o horário.

— Aff, não acredito que o celular não tocou.

— Lógico que não tocou, eu desprogramei ele.

— Por que fez isso seu idiota? E quem te deu autorização para mexer nas minhas coisas? Perdi minha aula por culpa sua.

— AFF! Senhorita dramática. Relaxa, é educação física. Você estava dormindo tão bonitinho.

— Olha presta muita atenção, me irritar com suas asneiras e estragar meu final de semana eu ate suporto, mas interferir nas minhas aulas já é demais. Nunca mais ouse fazer isso.

— Então você é uma nerd?

— Ache o que quiser, o que você pensa não me interessa!

Sai dali sem nem ao menos dar a chance dele falar, moleque intrometido, onde já se viu? Acho que to vermelha de tanta raiva. Cheguei no pátio pisando duro, foi ai que eu vi o Charles, sentado embaixo de uma árvore. Fui até ele, afinal conversar com o Charles sempre me acalmava.

— E ai moço? “ele olhou para mim bem rápido e depois voltou sua atenção para o seu inseparável game-boy.”

— Eu to bem, mas e você? Ta doente? Matando aula.

— É que houve um imprevisto. “suspirei”

— E deixa eu ver... Hum e esse imprevisto tem nome? “ele parou de jogar e começou a olhar para mim”

Como ele sabia? Tudo bem que já deveria ter me acostumado com isso. Charles me conhece desde quando cheguei aqui, desde então somos muitos amigos e nos damos muito bem, nunca brigamos e ele bem... Ele é meu confidente, sabe literalmente todos os meus podres, me fazendo achar as vezes, que ele me conhece mais do que eu mesma. Bem ele sabe de tudo que acontece aqui na cidade, mesmo sendo bem na dele, sem sair muito, poucos privilegiados como eu, tem a chance de ele ser amigo e conversar assim. Ah e esqueci algo muito importante sobre ele, o mesmo é um mágico dos computadores, consegue fazer qualquer coisa em um PC, no seu ou ate mesmo no dos outros, hacker. E conhece o interior de cada um, o amigo de todas as horas, já perdi as contas de quantas vezes me ajudou. Tirando que ele é muito lindo por dentro e por fora, pele branca, dentes perfeitos que estão atrás daquele aparelho móvel, loiro com cabelos bagunçados e sem corte, mas que deixava ele incrível e um lindo par de olhos verdes atrás de grossos óculos, fazendo a pessoa chegar perto para perceber, seu corpo era bonito, mas escondido atrás de roupas largas, enfim Charles poderia ser o cara mais desejado da escola, porém parece se esforçar pra não ser notado.

— Bem, sim. Quer dizer não, não sei “confessei”, mas por que você está matando aula?

— Digamos que educação física não é minha aula favorita, mas é de você que estamos tratando agora. O que tem o Pietro?

— Ham? Como assim? Como você sabe que é ele? “véio ele lê mentes só pode”

— Bem vi a forma como ele te olhou na sala de aula, e principalmente vi como você reagiu a ele. Depois é só juntar isso ao fato de que ambos faltaram na aula e que você não mexe no computador desde sábado, justo o dia que ele chegou. “ele disse isso de boa, sério, agora assustei”

— Como!? Você!? “ele riu”

— Cuido de quem eu gosto.

— Aff não acredito! Você hackeou meu PC? E admitiu na cara de pau? “porque não imaginei isso antes, já devia saber, suspirei” Mas sim Charles, você tem razão.

— Não era essa a minha pergunta, “ele riu de novo” sempre tenho razão. A questão é como, ou o que aconteceu.

— Convencido. “me sentei ao seu lado” Bem foi mais ou menos assim... “resumi então para ele meu final de semana até agora.”

— E você esta afim dele.

— Não! Ta louco?! “ele me olhou sério”

— Isso também não foi uma pergunta Olívia.

— Meu Charles, escuta, a única coisa que sinto por ele é raiva. Ta admito que ele é bonito, gostoso e as vezes me atrai um pouco... Mas não estou afim dele!

— Percebeu o que acabou de falar?

— Desculpa Charles, mas pela primeira vez você ta errado. “cruzei os braços”

— Veremos. E só não aposto com você porque não é uma boa perdedora.

— Eu o que?! “nossa não creio”

— Não. É. Uma. Boa. Perdedora!

Empurrei ele, que caiu pro lado com game-boy e tudo, ele depois começou a brigar comigo falando coisas como “meu game-boy, sua louca” até que ele então olhou para mim com cara de vingança e começou a fazer cosquinha em mim e eu, que não quis ficar por menos, comecei a fazer o mesmo. Ficamos nesta brincadeira até que percebi que tinha alguém nos olhando.

— Que lindo heim! Matando aula para ficar brincando. “ao mesmo tempo em que queria rir, parecia bravo”

— Qual a graça disso?

— Vamos listar, primeiro você fica fofa rindo e segundo porque tem folhas no seu cabelo. “foi ai que me toquei e rapidamente me levantei e ajeitei” O sem educação. Não vai me apresentar seu amigo não? Sou novo aqui sabia? “Nisto Charles se levantou também”.

— Deixa eu me apresentar. Sou o Charles, namorado da Olivia.

Pietro olhou para ele incrédulo, depois com raiva, não conseguiu nem responder a mão que o Charles estendia sério. Até que o mesmo parou olhou para mim e para ele de novo e caiu na gargalhada, até voltou a se sentar no chão.

— Zueira cara. Sou o melhor amigo dela só. “olhou então para mim” Agora é mais certeza ainda que ganharia aquela aposta Lih. “Voltou a olhar para ele e estendeu a mão fechada novamente para um toque” É um prazer te conhecer Pietro.

— Como você? “viu todos se assustam com o Charles, tudo bem que a recepção dele foi demais. Amo esse moleque”

— Bem sou da sua sala e você está em uma cidade pequena. Bem vindo ao local onde todos sabem de todos. “ele então finalmente riu e respondeu ao toque de Charles”

— Gostei de você cara, tem atitude. E não é o namorado dela. “acrescentou” Bem... e o que você pode me dizer sobre a esquentadinha ali? “apontou para mim, que filho da mãe!”

— Bem ela é legal e super amiga, só que não gosta de ser contrariada. E para pessoas, como você, que estão tentando algo a mais, até domar a fera dá trabalho. Bem e ela não sabe perder.

— Bom saber disso “caras de pau to aqui sabia, cruzei meus braços e fiquei olhando.”

— Há e ela detesta que falem dela, ama ser certinha, por isso cara você perdeu ponto ao estragar a aula dela, porem curti a iniciativa e consegue recuperar isso depois, e se eu gostar de você posso até te ajudar, porém se não gostar desiste dela, não sou o namorado dela mas sou super protetor com meus amigos e to de olho em você. Deixa eu ver... hum... e me ama mais do que ela, sempre me diz isso. “exibido, os dois se olharam e riram”

— Ou mano, me passa seu celular ai. “disse Pietro”

— Opaa... Meu numero é...

Eles começaram a trocar números e fazer piadas sobre mim até que não aguentei.

— Pô to aqui sabia?! Da pra pararem ou serem pelo menos mais discretos? Que raiva.

— Relaxa só estou te conhecendo melhor. E gostei do seu amigo.

— Ahh, esse traíra! “fuzilei Charles, ele só virou os olhos e riu” Bem agora que são tão “amigos” ele te mostra a escola, EU vou para a sala “já estava saindo quando virei para o Charles e disse” E você cuidado com o que fala ta?

— Sim senhora! “E pôs a mão na testa, os dois riram” Mas relaxa Olivia, você não confia em mim atoa.

Ele tinha razão, sai dali antes que batesse em um. Fui para a sala, era aula de português e após um tempo Charles entrou e sentou atrás de mim.

— Ele até que é legal.

— Não te peço para ficar longe dele, mas não fale nada sobre mim para ele.

— Ele ta mesmo afim de você.

— Não estou interessada no que ele te disse.

— Ele não me falou isso. Eu percebi.

— E você nunca erra certo?

— Exatamente

— Ta, ta. E como você sabe se ele não te falou? “virei para olhar para ele”

— Bem a forma como ele te olha e fala de você, e também como ele reagiu a minha primeira apresentação. E eu sou eu né? Percebo as coisas fácil, já devia ter percebido isso.

— Você só esqueceu um detalhe, nos conhecemos a apenas três dias, é impossível ele estar apaixonado por mim assim como você diz em tão pouco tempo.

— Nunca ouviu falar em amor a primeira vista? Ta tudo bem você pode ter um pouco de razão em relação a apaixonado!

— Sabe que não acredito em amor Charles! “ele abaixou a cabeça e suspirou”

— Desculpa Lih, mas você precisa seguir em frente.

— Tudo bem, mas não quero saber relacionamentos.

— Bom ele quer.

— Problema é dele!

— Bom mas você não está nem um pouquinho afim?

— Hum, talvez só um pouquinho.

— E o que vai fazer em relação a isso?

— Nada “virei para a frente de novo”

— Não pode fazer isso!

— Isso o que?

— Ficar fugindo.

— Eu não to fugindo “ou será que estou?”

— Bem de qualquer forma vou amar ver isso como terceira pessoa.

— AFF!

— Os dois ai! Se a conversa está tão importante porque vocês não saem e terminam ela lá fora? Ou se decidirem ficar, convido os dois a prestar atenção. “a professora falou, ai que vergonha”

— Sim professora. Perdão “ela sorriu e voltou a escrever no quadro”

Comecei então a prestar atenção na aula, ela era a última do dia. Quando acabou arrumei minhas coisas e fui para o ônibus, no caminho encontrei minha irmã com as amigas dela, rindo muito.

— Oi Cris!

— Oi mana, hoje não vou almoçar em casa ta? Já avisei a mamãe. Vou na casa da Patrícia. “Patrícia era a melhor amiga de Cristina”

— Ok, se mamãe sabe. “nisto chegamos no ônibus”

— Beleza “e foi para o fundo do ônibus.”

Sentei na segunda cadeira do ônibus do lado direito e comecei a ler um livro, até que vi Anna sentando do meu lado.

— E ai garota? Tudo bem contigo? Matou aula.

— Não foi nada é que acabei dormindo no intervalo e perdi a aula “ela me olhou cética” sei, hilário né. “coloquei a mão na cabeça como se também não acreditasse naquilo, bom não estava mentindo, estava omitindo”

— Se você está dizendo quem sou eu para discordar “ela olhou para meu livro”

— O que você esta lendo agora?

— Estou lendo Orgulho e Preconceito.

— De novo?

— Fazer o que, é meu livro favorito.

Fechei o livro e começamos a conversar, obvio que ela me perguntou do Pietro, mas já esperava isso, falei um pouco dele e da família do mesmo e logo mudamos de assunto, assunto para a gente era o que não faltava. Anna era uma das minhas amigas inseparáveis, gostava muito dela, sempre rindo de tudo e meio louca, digamos que uma festa sem ela não era uma festa. Era mais baixa do que eu, bem magrinha de cabelo Chanel preto e que atualmente estava com mechas roxas, sim atualmente porque cada dia inventada uma cor diferente para elas, seus olhos eram bem pretos e redondos. Um verdadeiro duende que não parava quieto.

— Mas menina, voltando ao assunto “ela continuou batendo a mão a perna e olhando para mim” seu vizinho é um gato heim! Nossa que sorte a sua.

— Não acho tanto não, normal.

— Bem, se pensa assim ta cega, um deus grego, moreno de olhos verdes e penetrantes, só de lembrar me arrepia, e aquela boca? Nem pequena, nem grande... delícia, será que beija bem? Há aposto que sim, e deve ter uma pegada “coloquei inconscientemente meus dedos em meus lábios lembrando-me do beijo, mas assim que percebi tirei, ela estava tão concentrada no que estava falando que nem percebeu” E então o que você acha?

— Hã?

— Acorda menina, Pietro, pegada? Não dormiu o suficiente não? “e riu novamente”

— Se você esta dizendo. “ela se ajeitou no banco”

— Sabia que tem um monte de menina afim dele? Incluindo a piriguete mor?

— Paola? “bem, não é que me espante, mas se ela descobrir que ele me marcou isso pode ser um problema para mim”

— Sim a própria. Tenho dó dele, provavelmente ela quer que ele vire seu brinquedinho novo, tadinho.

Paola era a patricinha maior, era a capitã das líderes de torcida, pai rico e influente dentro e fora da cidade, uma mimada que passa por cima de qualquer um para ter o que quer, e é ai que provavelmente está meu problema. A maioria dos alunos tem medo dela, corpo esguio, cabelos loiros que vão até o meio das costas, olhos azuis, muito bonita não nego. Acha que por causa do fato de ser bonita e ter dinheiro pode tudo. Anna desde que a viu a chama assim.

— Mas Anna, como você sabe disso?

— Bem na aula e educação física que você matou eu fui escala, infelizmente, para ser do grupo dela de vôlei e enquanto esperávamos nossa vez ouvi ela falando dele e que, palavras dela “abriu uma aspas com a mão” aquele gato grego seria dela.

— Aff, ela se acha demais. “eu ri”

— Né, o pior é que do jeito que ela é doida, vai acabar aprontando alguma. Coitadinho do Pietro “ela balançou a cabeça em negação”

— Relaxa, o Pietro é esperto pelo que percebi, posso te garantir que pelo menos ela vai ter trabalho com ele. “senti ao mesmo tempo felicidade por Pietro também estar marcado por alguém, talvez seja bom ele sentir do próprio veneno, e infelizmente ciúme dele... isso não é bom”

— Bom isso se ele não for um galinha, potencial físico pra isso ele tem. “ela pôs a mão no coração como se tivesse tendo um infarto”

— Mas ai um estaria usando o outro e chumbo trocado não dói. “ela então ficou reta na cadeira e me olhou como se fosse me falar algo muito importante”

— E você toma cuidado tá. Ela ta de olho em você por ter sido escolhida para mostrar a escola a ele e orienta-lo.

— Viu “olhei para ela e falei com um desanimo falso” mesmo sem querer me meto em encrenca.

— Mas amor! Essa é a parte legal da vida “rimos”

A conversa fluiu e o ônibus começou a encher até que quem entra? Sim ele o próprio. Olhou para mim rapidamente e sorriu enquanto subia as escadas para depois sentar mais ao fundo, não sei onde, não quis olhar para saber. Até que recebo uma mensagem do Charles.

“ele ta pedindo seu número”

“não dá!”

“tem ctz?”

“uhum”

“ele disse que se não der, ele vai perguntar agora, aqui no ônibus e bem alto pra quem quiser ouvir”

“comoéqueé???”

“ele que ta falando, e bem... já deve ta sabendo da Paola”

“sim, como você sabe? Também matou aula”

“quer mesmo discutir sobre isso agora?”

“AFF — -“, tudo bem. Ele ia acabar descobrindo depois mesmo”

“ok”

Não deu 2 minutos recebo uma mensagem de um número desconhecido.

“oi meu amor! Obrigado pelo número”

“e por acaso tive alguma opção?”

“não! sabia que não iria querer chamar atenção”

“me esquece”

“nope”

“idiota”

“amo quando me xinga, não me sinto ofendido”

“deveria”

“não ta falando de vdd, é uma forma que usa para negar a verdade”

“e qual seria essa verdade?”

“que me ama”

Desliguei o celular desorientada e engoli minha raiva, respirei fundo.

— Ta tudo bem Lih? “perguntou a Anna, foi ai que me lembrei dela”

— Esta sim, pode voltar a falar. “e sorri”

Dei minha atenção para ela, durante todo o resto do tempo que fiquei no ônibus, funcionou, fiquei mais calma. Quando cheguei em casa, coloquei minha bolsa em cima da cama e fui comer. A tarde passou normal e quando o sol começou a se por eu estava sentada em frente ao computador, mas logo me cansei. Tomei um banho coloquei o meu pijama e decidi ler um pouco na poltrona que tinha na varanda do meu quarto.

Meu quarto era meu recanto onde podia ficar em paz, ficava no segundo andar da casa, tinha paredes creme uma pequena varanda com grades brancas. Grudada a grade tinha um suporte de madeira pintado de branco onde cresciam videiras, meu pai amava vinhos e isso foi uma forma de ele mostrar a sua paixão em casa, particularmente eu amava, deixava um aspecto bonito e diferente, a varanda possuía uma poltrona e uma mesinha de centro. Já o quarto tinha uma cama encostada na parede do fundo, bem no centro, não era enorme, mas também não era uma cama de solteiro e em volta da cama tinha um fino e transparente voal que era preso ao teto. Meus móveis eram cor de caramelo, tinha um armário gigante na parede ao lado da porta, um criado mudo ao lado da cama e uma poltrona do outro lado, havia também uma escrivaninha grudada no centro da outra parede contendo meu notebook entre outras coisas da escola e meu abajur que foi um presente da minha vó, em cima da escrivaninha havia prateleiras de vidro onde ficavam meus livros e alguns bibelôs de animais que gostava, como corujas e tigres.

Fiquei tão envolvida na leitura que não percebi as horas passarem até que vi algo que me fez parar tudo que estava fazendo e olhar para aquilo. Pietro chegava no quarto dele vestido de social, estava lindo. A sim, esqueci de falar que a janela do quarto dele dava para o meu, se isso é sorte ou azar ainda não decidi. Ele não tinha me visto, foi até o rádio que ele instalou no quarto e colocou uma música, era calma, ele então tirou os sapatos, as meias e começou a tirar a camisa, provavelmente se arrumando para dormir, à questão é que ele a tirava de uma forma bem devagar e até mesmo sensual, botão por botão... Caramba será que ele é sensual até pra por pijama? Ele depois tirou a calça, ele estava de costas para mim, usando uma Boxer azul marinho, seu corpo mesmo vendo de longe era incrível. Estava me sentindo um pouco mal por estar invadindo a privacidade dele, mas não consegui resistir. Então ele sumiu e meu celular tocou. Atendi sem nem ao menos olhar quem era.

— Alô?

— Sabia que isso é considerado invasão de privacidade? Mas para você abro uma exceção. “não precisava dizer quem era, conhecia aquela voz”

— Como conseguiu o meu número de telefone?

— Hoje à tarde você me deu. Sério você tem problema com memória? ”ignorei sua pergunta”

— O que você quer?

— Dizer que de perto você pode aproveitar melhor.

— Quem disse que eu quero ver?

— Bem a cara que você estava. Tirando que amei saber da outra qualidade do meu quarto, bem em frente ao seu. Poderia ser melhor?

— Não vai desistir né?

— Não mesmo! “ele apareceu de cueca na janela e se apoiou lá olhando para mim, divertindo-se, demorei um pouco para falar com aquilo”

— Fez de propósito né? “minha ficha caiu”

— Sim, gostou do que viu?

— ...

— Eu sei que sim. “ele me olhou e sorriu” Gatinha você sabe que eu amo esse seu pijama né? Fica provocante nele, mas quando te vejo com ele fico te imaginando sem ele, deve ser uma cena linda. “fiquei vermelha, vou jogar esse pijama fora”

— Não tem vergonha de dizer isso não?

— Não

— Pois devia

— Acho que você deveria parar de ficar brigando comigo. Sabe não é legal ter um vizinho de inimigo.

— Não tenho culpa se ele me da motivo.

— Você gosta disso, tava louca pra me ver tirar a cueca que eu sei.

— Não “ai, porque eu fui cair nesta”

— Se pedir com carinho posso tirar “eleentão colocou a mão na Boxer e fez menção de tirar” mas só se me pedir “ele me olhava e apesar da distância podia sentir o poder daqueles olhos sobre mim, olhos que me hipnotizavam, minha boca ficou seca”

— Eu...

— Hm? “num momento de realidade levantei com tudo da poltrona e entrei no quarto”

— Pietro, faz um favor. Sai da minha vida

Falei da porta da varanda olhando para ele, antes de fechar a porta com tudo, a mesma fez barulho em resposta. A última coisa que ouvi antes de desligar o celular foi sua risada pelo telefone. Demorei para dormir aquela noite pensando na bagunça que estava meus últimos dias, e a causa dela, aquele moleque não saia da minha cabeça.

Notas finais
É isso galera! Beijos e Feliz Natal a todos!