Girassóis
3 O acordo
Notas iniciais
No dia seguinte acordei com sono por causa da hora em que fui dormir. Me arrumei, comi e fui para a escola, cheguei na minha primeira aula, era física, quase não tinha ninguém na sala então me sentei em uma carteira no canto e comecei a refazer alguns dos exercícios que estava em dúvida. Tinha que manter minha mente ocupada e não estava afim de falar com ninguém.
A sala começou a encher e o barulho aumentar, estava tão distraída que nem vi quando Anna sentou atrás de mim. Só quando a mesma começou a falar comigo.
— E ai garota?
— Oi Anna.
— Olá “ela me olhou e virou a cabeça” Que foi? Passou a noite acordada ou viu um fantasma?
— Os dois, mas deixa quieto. “ela ria, meu como essa menina se diverte”
Ficamos conversando, Anna tem o dom de distrair as pessoas. Quando faltava uns três minutos, entra o Charles com Pietro do lado.
— Nossa será que cansa?
— O que?
— Ser tão gostoso assim, como pode? Chega até ser errado ter tudo isso de beleza. “comecei a rir”
— Tu é louca menina
— Eu sei “ela ria”
Ele olhou para mim, mas só por um breve instante e depois sentou atrás do Charles, no fundo, do outro lado da sala, e quando Charles lhe disse alguma coisa ele novamente olhou para mim rindo. Ficamos nos encarando até eu ouvir Anna me chamar rindo, voltei minha atenção para ela.
— Hm. Oi? “virei para ela, chacoalhando a cabeça.”
— Que foi isso Olivia?
— Isso o que?
— Isso! “e ficou apontando para ele e para mim.”
— Não aconteceu nada.
— Nada!! Até parece. Se isso fosse um desenho teria saído faísca dos seus olhos.
— Nada a ver garota.
— Hum, finjo que acredito ok?
O professor chegou e começou a fazer uma revisão rápida para Pietro e os atrasados se situarem e depois passou a matéria nova. Foi normal o dia na escola, sem novos incidentes, de diferente só teve a notícia da festa que Paola iria dar. Mas isso foi tão notável que vou contar.
Estávamos sentados na mesa, eu, Pietro, Anna e Charles. Numa conversa normal até, Pietro no final da aula chegou para mim na porta e falou que tínhamos que parecer amigos, senão iam desconfiar que estávamos namorando escondido, e acredita que ele disse isso rindo? Só que nem deu tempo de responder porque o Charles e a Anna chegaram onde estava e o meu querido melhor amigo, que quero esganar as vezes, o chamou para sentar conosco. Voltando, ela chegou no refeitório com suas fieis escudeiras, as mesmas estavam cheias de papeis na mão que distribuíam para todo mundo, ela então quando chegou no meio do refeitório começou a falar “Gente! Vai ter festa sábado em casa, daqui a um mês, estão todos convidados!” Ai quando ela passou pela mesa em que estávamos, quase sentou no colo de Pietro, que só olhava e sorria, e disse para ele. “Pietro sei que é novo na cidade, mas é meu convidado especial ta? Logo, logo ira saber com quem deve andar” e olhou para mim com raiva, olhou para a mesa e então disse saindo “Te espero lá, querido!” e o idiota ainda falou “Lógico, será um prazer” ele sorriu e então olhou para o Charles que riu muito, porém contido. Não sei porque, mas não gostei desta proximidade da Paola com ele.
Bem de novidade foi só. Agora já era final de tarde e estávamos Rodrigo e eu sentados na minha mesa da sala de jantar estudando. Ultimamente estava dando aulas particulares para ganhar uma graninha extra.
Rodrigo era um cara bem legal, longe das pessoas ditas suas amigas, muito galinha, mas legal. Era do time de futebol. Mas estava com notas ruins e precisava melhorar se não, por regras da escola, era expulso do time. Ele então pediu meus serviços como professora, já que me conhecia por sermos do mesmo ano.
— Então Rodrigo entendeu?
— Lógico, com uma professora como você.
— Rodrigo, sério! “olhei para ele”
— Ta desculpa. “ele disse erguendo o braço como se tivesse apontado uma arma para ele” Na verdade Livinha, num entendi muita coisa não. “ele disse coçando a cabeça, não aguentei e ri”
— Tudo bem, vamos tentar de novo.
— Meu, valeu pela paciência “e me abraçou”
— Tudo bem. Só não entendo porque não é assim, legal, na escola, sempre dando uma de bonzão.
— Bem, não sei se entenderia, mas muitos não me respeitariam e meus amigos não gostariam “ele ficou quieto, pensativo, quis mudar o clima que começou a ficar tenso, então disse”
— Bem vamos parar de enrolar e voltar a estudar.
— É isso ai! “ele disse em tom alegre.”
Já estava esquecendo de falar, Rodrigo era alto, tinha cabelos curtos e repicados de cor marrom e olhos da mesma cor, sua pele era morena e seu corpo malhado, um atleta.
Ficamos mais uma hora estudando até que ele entendeu a matéria. Acompanhei ele até o portão e ele me deu um abraço que me levantou do chão e depois me deu um beijo na bochecha.
— Tchau Livinha! E valeu de novo gatinha. “ele então olhou pra mim e sorriu” há e se cuida por que se ficar dando mole eu pego. “riu e foi embora”
Entrei, mas quando ia sentar no sofá a campainha tocou, achei que era o Rodrigo que tinha esquecido algo, mas quando abri a porta me dou de cara com Pietro.
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— O que você quer aqui?
— Quem faz perguntas aqui sou eu! “Ele me olhava nervoso.”
— E desde quando tem esse direito?
— Quem era aquele cara? “hum entendi tudo, além de louco era possessivo o cara, resolvi então brincar um pouco”
— Que cara? “me fiz de ingênua”
— Não brinca comigo Olívia. Vou perguntar de novo, quem era aquele cara? “ele então pressionou a base do nariz com o polegar e o indicador e fechou os olhos”
— Ahhhh ta falando do Rodrigo. “confesso que estava me divertindo com isso”
— O que esse Rodrigo tava fazendo aqui?
— Não te interessa! “o encarei e nesse momento percebi que ele estava se segurando para manter a calma e razão, sabe aquela expressão brincando com fogo? Então me sentia assim, e estava amando”
— Olívia
— O que foi?
— O que esse Rodrigo é seu?
— Quer mesmo saber? “ele abriu os olhos e me fulminou” Ta bom, eu conto. Ele e eu estamos ficando.
— O que?!
— Exatamente isso que você ouviu! “ele então respirou profundamente e parece que recobrando o bom senso me falou”
— Entendi então você o chamou aqui para terminar com ele
— Ao contrário, estamos super bem juntos. Hoje a tarde aqui em casa foi ótimo, ele tem uma pegada... “ele chegou mais perto”
— E ele sabe de nós?
— Não existe nós. E se está falando do beijo, é claro que não contei. Ele iria querer quebrar a tua cara. E ele é capitão do time de futebol.
O que aconteceu em seguida nem eu mesma esperava, como que perdendo totalmente a compostura e noção de onde estava, ele prendeu meu corpo entre ele e a batente da porta com uma mão de cada lado, suas mãos estavam fechadas com tanta força que podia ver a veia saltando no pulso, confesso que nesse momento fiquei com um pouco de medo, tamanha era a raiva dele, colocou seu rosto na base do meu pescoço e inspirou profundamente antes de falar baixo no meu ouvido, sua voz saiu rouca.
— Você não ficou com ele. “disse convicto”
— E como você pode ter tanta certeza disso? “como ele sabia?”
— Seu cheiro!
— Hã?
— Se tivesse ficado com ele da forma como me falou teria o cheiro dele em você agora. “touche”
— Tudo bem, nós não ficamos admiti. “mas depois olhei nos olhos deles em desafio e disse” Mas só porque eu não quis.
— Presta atenção no que vou dizer. Sou um cara calmo, mas odeio que mexam naquilo que é meu sem minha autorização. E VOCÊ é minha. E se preciso for eu luto por aquilo que é meu, não importa se é capitão do time de futebol ou de luta livre, ou seja, se ele continuar te rondando vou ter que quebrar a cara dele. Então larga desse menino para o bem dele, porque você ainda não me viu com raiva e não sabe do que eu sou capaz! É só um aviso.
Ele então respirou fundo mais uma vez, sentia seu hálito na base do meu pescoço, não conseguia me mover nem sequer falar, sua autoridade sobre mim era tanto naquele momento que fiquei impotente ali, somente esperando sua próxima reação. Ele então foi acalmando sua respiração até que suas mãos se abriram e ele se desencostou de mim e foi embora dizendo.
— Boa noite e amanhã nos vemos de novo.
Fiquei olhando ainda parada na porta até ele sair do portão, e então, ainda meio desnorteada com aquilo que havia acabado de acontecer, eu entrei em casa e fui para o meu quarto, minha cabeça estava a mil. O que foi a cena que tinha acabado de acontecer? Ou melhor? Porque gostei daquele desejo dele sobre mim? Olhei pela janela no momento em que o vi entrando no seu quarto, sua janela estava aberta, ele fechou a porta e deu um murro na parede ao lado dela, encostando depois a cabeça na mesma. Parei de olhar e fui tomar banho pra ver se a água tirava aquilo que eu estava sentindo. Entrei de cabeça na água gelada, mas meu coração parecia que não ia se acalmar nunca, depois de um tempo que não sei descrever quanto me acalmei, terminei meu banho e fui deitar porque dormir foi impossível, somente de madrugada peguei no sono, vencida pelo cansaço, não sonhei naquela noite.
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A quarta feira passou tranquila. Tudo normal exceto pelo jogo de ‘gato e rato’ que fiquei fazendo com Pietro durante a manhã inteira. Quando foi a noite recebo uma mensagem dele “Se ficar correndo de mim assim vai ser pior, admite logo que me ama e aproveita.” Não respondi. E fui dormir.
O dia seguinte chegou rápido demais, ainda não estava descansada, e depois de três noites mal dormidas estava péssima. Em dias como esse tento pensar o menos possível, tipo deixar o cérebro no modo automático, e foi o que eu fiz. Era quinta feira e as duas primeiras aulas eram de Inglês sentei ao lado de Charles que assim que me viu falou.
— Nossa você está com uma cara péssima.
— To morrendo de sono.
— Que foi? Passou a noite inteira dando uns catas no Pietro é?! “ele então olhou para o Pietro que estava do outro lado da sala” veja o lado bom, parece que você deu uma canseira nele também.
— Não foi nada disso seu idiota.
— Então o que foi? “Charles me olhou com uma curiosidade quase palpável”
Contei para ele o que tinha acontecido na terça e ontem, como me senti e no final falei.
— Estou muito confusa “e completei com sarcasmo na voz” e ficar com sono não me ajuda em nada.
— Te entendo “ele então olhou para mim com um carinho que me aqueceu” faz assim, dorme nesta aula que eu te dou cobertura, e fica tranquila ela meio que não vai dar nada de importante hoje.
Simplesmente aceitei seu conselho e capotei. Sem sonhos. Quando fui acordada delicadamente por Charles o povo já estava se arrumando para sair.
— E ai como se sente? “pisquei algumas vezes para me acostumar com a claridade”
— Estou me sentindo bem melhor “e aquilo não era mentira”
— Ótimo porque agora você não terá como dormir.
Gemi. Entendi o que ele queria dizer. A próxima aula era de educação física. E o professor era linha dura. Não gostava de alunos fazendo corpo mole na sua aula. Então se não queria fazer exercícios melhor nem ir para a aula dele, porém graças a um certo idiota eu já tinha faltado na aula anterior.
Chegamos na aula e deixamos nossas bolsas em um armário na parede depois que nos trocamos. Depois fomos nos sentar no chão juntos com os outros alunos que formavam um círculo ao redor do professor.
— Hoje “ele disse em sua voz forte” vamos treinar defesa pessoal.
Ao final de sua frase foram ouvidos cochichos, a maioria dos ‘alunos’ estavam felizes e as ‘alunas’ já se diziam ofendidas. E isso tinha uma explicação muito simples, como a aula era mista e fazíamos sempre este exercício em dupla sempre tinha duplas de sexos diferentes, e alguns meninos se aproveitavam disso para tirar ‘uma casquinha’ por assim dizer das meninas. Logico que poderíamos evitar isso só chamando o professor, mas algumas simplesmente gostavam e só se faziam de difíceis. Enfim também tinha como evitar isso escolhendo o parceiro certo, que era o que eu fazia sempre indo com o Charles ou a Anna.
O professor Angus era um cara sério e alto, bem musculoso e com um corte militar nos cabelos negros. Não tolerava atrasos e nem corpo mole. Como antes era do exército agia como se fossemos uma tropa que foi designada a ele. O que sempre fazia as aulas de educação física serem bem cansativas. Ao soar o apito que sempre carregava em um cordão no seu pescoço todo mundo começou a andar na procura de seu par. Estávamos indo pegar um colchonete Charles, Anna e eu. ‘A nossa sala era em número impar então sempre quando vinham todos dava para fazermos um trio. O que era bom porque sempre no meio da aula precisamos trocar de ‘parceiro’ o que não acontecia conosco. ’ Quando Lucas veio ao nosso encontro.
— Posso fazer par com você Olívia?
— Já ia fazer trio com eles Lucas.
Disse em resposta, Lucas era loiro e um pouco mais alto que eu, seu cabelo descia liso até seu pescoço e seus olhos eram cor de mel e na sua testa tinha uma cicatriz, provavelmente de um corte feito a muito tempo, seu corpo era bonito mas nada exagerado, seus lábios eram finos e digamos que ele sabia fazer muito bom uso deles quando queria. Sim eu e o Lucas nos pegávamos as vezes, nada de compromisso, quando os dois estavam afim e não tínhamos compromissos com ninguém. Ele já tentou uma vez algo mais sério comigo, mas então recuei, ele então percebeu que o melhor era deixar as coisas como estavam.
— Acho que hoje não poderão fazer isso, estamos em par.
Foi ai que lembrei. Pietro. Ele alterou o número de alunos da sala. Que saco, ele atrapalhava minha vida até mesmo sem saber. Olhei para Charles que falou.
— Sem problemas, faremos eu e a Anna depois um de nós fica com você. “ele então piscou e foi para o fundo da sala com Anna”
— Vou pegar nosso colchonete
E dizendo isso saiu, em pouco tempo já estava do meu lado de novo e fomos para um espaço vazio no chão do ginásio, quando sentamos em nosso colchonete olhei para traz e vi Pietro ao nosso lado. Simplesmente o ignorei prestando atenção em Lucas.
— Então Liv o que anda fazendo de bom?
— Ah, o de sempre e você com a Gabi? “Gabi era o apelido da namorada dele”
— Ah, terminamos, ela não era pra mim, muito pegajosa. “ele disse fazendo uma careta, eu não aguentei e ri”
— Você nunca vai parar quieto com alguém?
— Se você me quisesse quem sabe? “ele disse e piscou o olho para mim provocativo, sentia o olhar de Pietro queimando nas minhas costas.”
— Até parece Lucas, você não sossegaria nem comigo “eu ri, gostava de Lucas era um cara legal, só galinha demais, porém era discreto, nunca ouvi ninguém falar sobre nós.”
— Quer fazer o teste? “ele provocou”
— Não, prefiro as coisas do jeito como estão. “ele suspirou e então sorriu de novo”
— Bom pelo menos assim ainda posso pegar você de vez em quando. “eu ri e o empurrei”
Começamos então a fazer as posições de defesa, ficamos uns 15 minutos defendendo e atacando. O professor gritava com todo mundo e as vezes ia em algumas duplas dar dicas sobre como melhorar ou brigar por estarem enrolando. Lucas de vez em quando vinha com uma mão boba, bem rápida, nada ofensiva, nem dava para perceber se não estivessem encarando, o que não era o caso de Pietro. Sentia o olhar dele sobre mim quase o tempo todo, mesmo sem olhar para ele. Ele parecia com muita raiva, que interessante, não sou a única explosiva aqui.
Quando o professor apitou, ele deixou seu parceiro com um toque rápido de mãos e veio na minha direção.
— Você vai fazer dupla comigo.
— Já tenho um parceiro.
— Não foi um pedido “ele sibilou baixo só para mim”
— Não obedeço você. “Charles veio na nossa direção”
— Charles ela vai fazer dupla comigo.
— É... não vou não.
— Que quê está rolando aqui? “indagou Charles olhando de mim para Pietro para Lucas”
— Charles, por favor. “Charles olhou para ele e então para mim e disse”
— Beleza. Lucas quer ser meu parceiro?
— Pode ser. Tudo bem Liv? “queria dizer que não, mas em vez disso respondi”
— Tudo, sem problemas Lucas.
Dei um sorrisinho, ele então me beijou no rosto e saiu, o professor apitou de novo. E Pietro e eu ficamos na posição de defesa, os dentes dele estavam cerrados e ele parecia nervoso. Depois de um tempo defendendo e atacando ele me deu uma rasteira que me fez cair. Só não bati a cabeça porque sua mão estava embaixo dela, não sei como, me dando apoio.
— Qual é o seu problema? “ele me olhou com uma fúria nos olhos e repetiu a pergunta agora a direcionando a mim”
— Qual é o meu problema? Qual é o seu problema? “ergui a sobrancelha”
— Hã?
— Você tem que ter algum tipo de relação com todos os garotos da escola?
— Oi?
— Não se faça de idiota Olivia. O que acha que esta fazendo deixando aquele cara passar a mão em você na minha frente? “me levantei”
— Bom o que eu faço não é da sua conta! “ele bufou, e voltamos com nossos movimentos”
— Quero você longe dele.
— E por que eu faria isso?
— Porque ele está afim de você.
— E daí?
— Vocês já ficaram antes?
— Porque você acha que te devo explicação da minha vida pessoal?
— Você gosta de ficar com ele ou é algo mais carnal?
— E o que você tem a ver com isso? “ele então da mesma forma que na primeira vez me derrubou no colchonete”
— Quer parar com isso?
— Responde.
— Aff. Sim já fiquei com ele, curti bastante, mas até então nunca tivemos algo muito sério, só nos pegamos de vez em quando. Feliz agora?
— Não me provoque Olivia. Não quero ver você perto deste cara fui claro?
Nisto o apito soou falando que aquela parte do treino tinha acabado, e sai de la sem responde-lo, Angus ainda nos fez dar umas voltas correndo pela quadra antes de nos dispensar. Quando a aula finalmente acabou fui direto para o banheiro, tomei uma ducha rápida para tirar o suor e me troquei, penteei os cabelos e sai. Quando estava na porta do ginásio encontrei Lucas, ele sorriu ao me ver.
— Oi de novo. “disse”
— Olá. Estava te esperando. “ele então me deu um bombom, aceitei com prazer”.
— Pelo jeito o gosto por chocolates não mudou.
— E nem vai mudar. Meu grande amor platônico. “ele riu”
— E ai quer dar uma volta comigo?
Sabia no que isso ia dar, já havia ficado com Lucas algumas vezes para saber que sempre que ele começava agir deste jeito tinha um interesse extra. Pensei em como dar uma resposta educada como das outras vezes. Mas então pela minha visão panorâmica vi Pietro me olhando e o que saiu da minha boca foi.
— Claro, porque não?
Pequei o braço dele e fomos conversando e rindo, ele era engraçado e suas histórias me faziam rir, era um bom colega. Quando percebi estava no final de um corredor que dava para o fundo da escola, estávamos sozinhos, tudo mundo já devia ter ido para cantina ou para o centro da escola onde tinha muitas mesinhas de pedra que normalmente lanchamos quando queremos ficar ao ar livre. Ele virou pra mim.
— Você ta linda Liv. Sabia disso?
— A para com isso Lucas “retruquei” não precisa disso comigo, sei muito bem o que você quer. “ele olhou para mim e sorriu, depois olhou para o céu e disse”
— Deveriam existir mais Livs, sabia? Mas, e você e o Pietro? Ta rolando alguma coisa? “deveria esperar que ele perguntasse isso depois da cena de hoje”
— Se existissem mais de mim eu não seria tão interessante. E não ta rolando nada.
— Não é o que parecia. “sabia que só aquela resposta não bastaria”
— Ele ta querendo me pegar, só isso.
— Não o culpo por isso “e riu” bom podemos dizer que ele tem bom gosto.
— Pena que não é o seu dia de sorte. “olhei desafiadoramente ele então respondeu o meu olhar”
— Não posso dizer que estou triste por ele, afinal esse é o meu dia de sorte.
— Não teria tanta certeza disso se fosse você!
Olhamos para a direção de onde vinha a voz e lá estava Pietro virando o corredor e vindo na nossa direção. Falei com ele mal escondendo minha raiva por ele estar ali, isso era constrangedor.
— O que você está fazendo aqui?!
— O quê você achou que eu faria? Achou que eu ia deixar esta palhaçada chegar até o final? Eu te falei pra ficar longe dele.
— Você não manda em mim!
— O quê está rolando aqui? “desta vez foi a vez de Lucas”
— Ela estava usando você para me provocar, infelizmente para você deu certo, eu estou aqui. “Lucas olhou para mim interrogativo”
— Mentira, ele que é obsessivo. Não temos nada.
— Qualé Lucas você viu como ela reagiu a mim hoje na aula. Agora eu vou te pedir para ir embora porque eu preciso conversar pessoalmente com a Olivia.
— Não vou sair até que a Olivia peça isso.
— Olivia “Pietro me olhou sério” se ele não sair daqui vou começar a usar os meus métodos, e como você sabe, eles não são tão discretos quanto os seus. Você quer que aconteça uma cena aqui que chame a atenção de outras pessoas? “ele não faria isso, faria? Olhei para ele e percebi que faria sim, com toda a certeza”
— Tudo bem Lucas pode ir, preciso mesmo conversar com esse idiota. Alguém aqui precisa aprender o significado da palavra não. “ele me olhou e concordou”
— Beleza, nos vemos depois?
— Claro! “E lhe dei um selinho”
— Não contaria com isso se fosse você!
Pietro disse sem tirar os olhos dele, a veia do seu pescoço estava saltada. Ele parecia estar se controlando bastante para manter a compostura. Lucas então parece que para provocá-lo foi até mim e me deu um selinho mais demorado antes de ir embora, quando ele saiu da nossa vista Pietro me pegou pelo braço e começou a me puxar. Ele me puxou até um muro no fundo da escola onde eu sabia que ninguém ia, perto da onde eu dormia. Quando chegamos lá falei.
— O que você estava fazendo lá?
— Você por acaso é surda? Ou só acontece quando sou eu que estou falando com você? “ele estava de olhos fechados”
— Você não respondeu minha pergunta. “ele então me prensou contra uma árvore, seus olhos pareciam vasculhar a minha mente”
— E você não respondeu a minha.
— Não Pietro, eu não sou surda.
— Então porque fez aquilo?
— Eu não fiz nada de errado, o bizarro pra mim não foi querer ficar com um cara e sim saber que tínhamos um telespectador.
— Porque você decidiu ficar com ele logo depois de eu dizer para manter distância.
— Quer saber por quê? Porque eu quis! Porque tava afim! Graças a você ando muito tensa e isso é uma boa forma de relaxar. E você não manda em mim, como bizarramente acha que manda. “ele me olhou cético”
— Então você ia ficar com um cara só pra me provocar. Se queria ficar com alguém por ficar, ficasse comigo cassete!
— Não sou só eu a surda aqui pelo jeito, disse que ia ficar com ele porque isso me relaxa!
— Te relaxa também ver uma briga desnecessária, sabendo que ela seria totalmente causada por você?
Sustentei o seu olhar, mas não disse nada, fiquei com medo de ao falar minha voz denunciar que eu não estava tão tranquila como aparentava estar. Ele me olhava com uma mistura de raiva, ciúmes, e confusão. Depois ele fechou os olhos e quando abriu vi um brilho neles que não consegui identificar.
— Você tem noção das coisas que me faz querer fazer? “seu olhar agora se transformou naquele em que eu tinha visto no quarto a noite”
— Tipo o que? “indaguei”
— Bom primeiro, estou com uma vontade gigante de arrebentar a cara deste tal de Lucas por ter tocado em você. “ele então colocou o cabelo para traz da minha orelha, revelando a marca de chupão que ele estava escondendo”
— Você... “ele me calou pondo dois dedos na frente da minha boca”
— Shhhh... Segundo e mais interessante, estou com vontade de ficar com você até a raiva que estou sentindo passar sendo substituída por seu cheiro em mim. “meu coração se acelerou e ele pareceu perceber” Quero te tocar de forma que você derretesse em minhas mãos e gemesse meu nome.
Fechei meus olhos sentindo meu corpo corresponder ao dele até demais. Ele então desceu suas mãos até minha coxa e apertou. Minha boca estava entreaberta e minha respiração cortada, ele enfiou as mãos nos meus cabelos da nuca e enterrou seu rosto no meu cabelo respirando fundo.
— Nunca mais quero saber que você ficou com esse moleque de novo Olivia. Foi por muito pouco que eu não o arranquei de perto de você a força hoje. E se eu estivesse feito isso nós dois estaríamos até agora lá no corredor brigando, e a culpa ia ser sua. Você quer isso? “fiz que não com a cabeça” Ótimo. Não estava brincando quando disse que luto por aquilo que é meu. “então ele olhou para mim” Quero você hoje a tarde lá em casa, se não vier até mim eu vou até você.
Ele então me beijou possessivamente, sua boca sugava meus lábios, ele aproveitou quando eu gemi para entrar com sua língua pela minha boca, correspondi aquele beijo, não aguentei, sua mão me segurava com força e ele me colocou contra o muro, segurando minha cintura, comecei a passar a mão pela sua nuca, quando ele me soltou me deixando sem ar então virou as costas e foi embora. Fiquei chocada com aquela cena que se desenrolara na minha frente. Porque um garoto que conhecia não fazia nem uma semana exercia tanto poder sobre mim? Fui para aula andando bem devagar ainda tentando entender o que havia acontecido. Minha cabeça estava tão confusa. Quando cheguei na aula já tinha alguns alunos sentados fui na carteira mais ao fundo e fiquei lá olhando pela janela. Alguma parte do meu cérebro percebeu que Charles havia sentado do meu lado, mas ignorou isso. Ele pareceu entender o que eu estava passando e me deixou quieta. Percebi quando Pietro entrou rindo com mais dois caras, ele olhou pra mim por uns instantes quase imperceptíveis e depois disso me ignorou as próximas duas aulas inteiras. Quando chegamos no ônibus Charles sentou ao meu lado de novo. Ele então me olhou e perguntou.
— Vai me contar o que aconteceu? “olhei para ele”
— O quanto você sabe?
— O quanto as câmeras de vigilância mostraram, e isso bem... se resume a cena no corredor.
Olhei para ele confusa.
— Você entendeu aquilo?
— Não é nada tão difícil, você estava querendo dar uns amassos no Lucas e Pietro não deixou.
— E porque ele fez isso?
— Ciúmes?
— Como assim?
— Ué você queria provar para si mesma que não estava a fim dele a ponto de ficar com outro cara só para isso, o que foi um completo desespero da sua parte, você não é assim. E queria que ele soubesse, afinal você esfregou na cara dele o que pretendia fazer com Lucas ao sair do ginásio. Conhecendo o Pietro era obvio que ele não ia deixar. “ele olhou para mim e parecia ver minha confusão interior” Mas não pensa nisso agora, vem cá.
Ele abriu os braços e eu aceitei sei questionar, ele então os colocou em volta de mim e eu deitei a cabeça no seu peito, fechei os olhos e me deixei ficar lá até acabar a viajem. Quando desci no meu ponto já estava mais calma, nem olhei para Pietro que desceu conversando com Cristina. Almocei com muita fome, pois não tinha lanchado e decidi subir para o meu quarto. Tomei outra ducha rápida, e coloquei um vestido meu de renda creme que ficava um palmo acima dos joelhos. Era bem simples mas muito bonito, ganhei da minha avó.
Estava assistindo The Big Bang Theory quando meu celular vibrou, mensagem.
— “Já é tarde” com meu animo recobrado. Eu conseguia pensar melhor, e isso me fez perceber que eu vacilei com Pietro naquela manhã, não podia me abalar tanto por causa dele, e por isso tinha que o deixar longe.
— “Não vou até a sua casa”
— “Blz, estou indo até a sua”
— “O q vc quer?”
— “Conversar com vc!”
— “Não temos nada para conversar”
— “Isso é o que você acha”
— “Pra mim já serve”
— “Da pra vc parar de ser cabeça dura?”
— “Não estou sendo cabeça dura, só estou sendo objetiva”
— “Por favor”
— “Por favor digo eu. Me esquece ta bom? EU NÃO QUERO CONVERSAR COM VOCÊ”
— “Já entendi que não resolveremos nada por mensagem”
— “Que ótimo. Adeus”
Voltei a assistir minha série até que minutos depois minha irmã me chamou. Fui até a escada e gritei.
— O que é?
— Visita pra você!
Desci as escadas e dei de cara com Pietro na porta, estava de bermuda azul marinho e uma camiseta branca em gola V, nos pés usava chinelos. Mesmo tão simples ele estava lindo. Embaixo do braço ele estava segurando um caderno.
— Obrigada Cris... “fui até ele” O que está fazendo aqui? “disse ríspida, mas baixo”
— Desculpe se atrasei, sei que você não gosta. Mas podemos ainda fazer aquela revisão de conteúdo que combinamos? “ele disse alto o suficiente para as garotas que estavam nos encarando ouvirem”
Olhei para ele e disse baixinho.
— Nós não combinamos nada.
— Olha “ele disse também baixinho” esse teatro é seu, não me importo de conversar com você aqui mesmo na frente dessas pessoas. E ai qual vai ser? “Olhei para a sala, minha irmã estava lá com mais duas amigas, Tifanny e Patrícia. Olhando para nós.”
— Não vai rolar, tem muita gente aqui.
— Então vamos pra minha casa, não tem ninguém lá. E só pra constar foi meu primeiro plano.
— Não vou pra sua armadilha.
— Tá com medinho?
— Ah, vai-te catar.
— E ai? Não podemos ficar aqui parados pra sempre.
Olhei para minha irmã e falei mais alto.
— Já volto vou buscar minhas coisas.
Subi até o quarto e peguei minha bolsa. Depois desci e falei.
— Se a Mãe perguntar fala que estou na casa da Jasmine dando aula particular pro Pietro.
— Ok “respondeu Cristina”
Quando estava fechando a porta ouvimos Patrícia dizendo.
— Sua irmã tem tanta sorte, dar aula pra um gato daquele.
— Sim “respondeu Cristina” mas do jeito que é nerd não vai passar disso, aulas.
— Eu tiraria proveito da situação, nem que fosse uma casquinha. “disse Tifanny”
— Mas e a Paola? “falou Cristina”
— Miga, o que os olhos não veem o coração não sente. “e riu”
Fechei a porta com cuidado para não fazer barulho, quando olhei para ele vi aquele sorriso cínico. Fui em direção a sua casa.
— Não diga uma palavra.
— Há qualé? Você não acha isso nem um pouco irônico?
— Isso o que? “Minha voz estava estridente”
— Isso. Todo mundo achar que você é uma nerd sem graça e casta, quando na verdade você é uma pessoa bem quente?
— E como você sabe disso?
— Experimentei o suficiente para saber. “ele então olhou para mim” Mas não para me sentir satisfeito.
Chegamos na sua casa, ele abriu a porta e disse.
— Damas primeiro.
Entrei e estava me dirigindo a sala quando ele começou a subir as escadas e disse.
— Vem, nós vamos para o meu quarto, me sinto mais a vontade lá.
E subiu sem nem me esperar, quando cheguei uma voz vinda do andar de cima disse.
— Fecha a porta.
Fechei, já estava na casa com ele sozinha mesmo, que diferença isso fazia. Subi até o segundo andar
Quando subi deixei minha bolsa no canto da escada, sabia que não iria precisar dela. Depois fui até os puffs e sentei.
— O que você quer?
— Conversar.
— Não temos o que conversar.
— Há temos sim. Porque você está aqui então. “olhei para ele”
— Pra te pedir de novo que saia da minha vida. Olha se quer ser meu amigo vamos tentar. Mas não assim, dessa forma.
— Não quero ser só seu amigo! Eu quero....
— PARA!!! “meu grito o fez olhar para mim” chega, você não quer nada!!! Você acha que quer, mas assim só vai nos magoar.
— Eu sei o que eu quero. Você!
— Você nem me conhece.
— Conheço o suficiente para saber que quero mais.
— Não sou quem você pensa “ele chegou perto de mim”
— Então me mostre quem você é.
— Eu... “lembrei das coisas que aconteceram a dois anos atrás, as coisas que fui obrigada a fazer”
Coloquei a mão no meu rosto, mas ele as tirou e me puxou para ele, estávamos de joelhos, mas ele começou a me beijar de uma forma tão doce. O empurrei. Ele então olhou para mim e disse nervoso.
— Por quê?
— O quê?
— Por quê você se fecha comigo quando sabe que me deseja e se solta totalmente com um cara que nem está afim?
— Você não sabe o que está falando.
Ele então em um movimento rápido, me deitou, seu corpo estava parcialmente em cima do meu, senti minha pulsação se acelerar.
— Será que não sei mesmo? Olivia, é somente eu chegar perto sem nem relar que você já reage, e não tem como negar isso é perceptível.
— Já te disse que estou tensa. Isso é normal. Puberdade.
Ele então colocou umas das mãos na minha nuca, e me puxou em um beijo. Se antes o beijo dele era doce, agora era possessivo e tomava conta de mim. Correspondia ao beijo sem nem mesmo pensar, meu corpo respondia a ele. Minha perna subiu um pouco ao sentir sua outra mão por baixo da minha coxa. Ela subiu contornando meu corpo, apertando minha cintura e depois descendo de novo, fazendo caricias na parte interna da minha coxa. Eu não consegui conter um gemido que saiu da minha boca. Ele então foi para o meu pescoço e beijou ele até chegar no meu ombro onde mordeu. Suas mãos subiram para a altura dos meus peitos. E mesmo através do pano das roupas seu toque era quente. Eu estava toda quente. Quando ele voltou ao meu pescoço o chupou ali. Minha respiração parou por alguns segundos. Minhas mãos como se tivessem vida própria corriam por suas costas, braços e depois paravam na sua nuca para puxar os cabelos sedosos. Ele se colou mais a mim e pude sentir a sua ereção contra meu corpo, ele era grande. Ouvi seu gemido rouco quando desgrudou sua boca de meu pescoço.
— Você é incrível, não consigo me contentar, quero mais de você.
Nisso ele voltou a me beijar com uma volúpia e desejo que me fizeram arrepiar. Estávamos de lado no tapete agora e sentia sua mão puxando minha perna para cima dele. Quando o ar se fez necessário depois de um longo beijo que não sei dizer quanto, soltamos nossas bocas eu gemi diante da separação e ele também.
— Ah, Olivia. É tão bom ter você para mim. Você é minha!
Ao ouvir aquilo meu corpo travou. Flashbacks vieram...
“Eu estava na sua cama com ele em cima de mim, minha camisola fina já havia subido, meu coração estava acelerado e ele beijava minha barriga, suas mãos passeando pelo corpo me causavam arrepios, e por mais que já conhecesse aqueles toques eram sempre novidades pra mim, ele então me olhou, seus olhos castanhos pareciam me invadir, ele então subiu seu rosto até meu pescoço e após deixar sua marca ali disse com a voz rouca. Nunca se esqueça que você é minha e de mais ninguém.”
Eu então o empurrei e me levantei. Indo para a escada.
— O que foi agora?! “ele estava deitado olhando para o teto, depois olhou para mim, frustrado”
— Eu não sou sua. Não sou de ninguém, e não é assim que as coisas funcionam. Você não pode simplesmente chegar e achar que já tem posse sobre mim. Você nem tentou me conquistar e já esta se dizendo meu dono?
— Mas você não entende é uma via de mão dupla. Se sou seu dono, você também é minha. Se tenho posse de você, o reverso também vale. Mas se é isso que você quer, ser conquistada nos parâmetros normais da sociedade, ok, posso fazer isso. O que prefere? Bombons ou rosas? Receber em casa ou na escola?
— Não quero nada disso “exclamei” você não percebe a encrenca que me arrumou com isso?
— Não. “suspirei, e falei o primeiro obstáculo que me veio a mente”
— Só pra começar, você está me colocando em uma encrenca na escola. A Paola já ta querendo me matar, sem saber metade da história, imagina se você começar a mandar rosas para mim.
— Achei que não tinha medo dela.
— Não tenho, só não quero me ver cercada de gente curiosa querendo saber da minha vida!
— Então admite que gosta de mim?
— Eu não gosto de ninguém.
— Não foi o que pareceu a pouco tempo atrás.
— Só estava tirando uma casquinha “Lembrei das palavras da Tifanny, a amiga de minha irmã”
— Então quer dizer que não ficaria com ciúmes se eu ficasse com alguém?
— De novo esta história? Não eu não ficaria com ciúmes de você, pode ficar com quem bem lhe interessar. “disse e comecei a descer as escadas”
— Duvido
— Então veremos.
— Olivia, se quiser retirar seu estresse dessa maneira estou a disposição, porém se não quiser fazer isso comigo arranje outra forma se não ficará ainda mais estressada. “olhei para ele”
— Vamos fazer um combinado então. “ele desceu as escadas”
— Estou todo ouvidos!
— Você não quer que eu fique com ninguém certo? Exceto você.
— Certo
— E eu quero que você perceba que isso que você esta fazendo é loucura. Então proponho um acordo.
— Continua “ele me olhava interrogativo”
— A ideia é, eu prometo não ficar com ninguém, por mais que isso seja loucura. Por um tempo a determinar.
— E?
— E em troca você me deixa em paz.
— Não vai rolar.
— Calma, deixa eu terminar, o que eu quis dizer é, você vai parar de ficar me monitorando 24 horas por dia, e me assediando, ainda conversaremos e nos trataremos como amigos e durante esse período, como terá mais tempo livre, você se dará a chance de conhecer as outras garotas da escola, até agora você só conversou mesmo comigo e com a minha irmã, isso não é saudável, se até lá você ainda achar que eu sou a escolhida pode continuar com a sua loucura. E EU NÃO TO FALANDO QUE VOU FICAR COM VOCÊ DEPOIS DISSO. O que acha?
— Porque eu faria isso?
— Porque mesmo querendo você não pode me prender aqui no seu quarto, e sendo assim esse acordo é a sua melhor chance de me fazer não ficar com ninguém. E como você é obsessivo isso lhe atrai!
— Touche, e por quanto tempo seria isso? “sei lá o resto da vida?”
— Você escolhe, mas seja razoável.
— Uma semana.
— É pouco Pietro.
— Tá. Um mês. Até a festa da Paola, não quero te ver livre em uma festa. “acho que isso é o máximo que vou conseguir dele”
— Tudo bem, combinado então. “estendi minha mão, ele não apertou”
— Eu tenho mais uma condição.
— Que foi? Já tínhamos combinado.
— Não dói, eu quero te ver uma vez por semana no mínimo, somente eu e você.
— Por que?
— Porque preciso também argumentar meu ponto de que eu estou certo.
— Ah não...
— Então nada feito. “não!!”
— Vamos fazer assim. Primeiro testamos o meu ponto. Você vai tentar conhecer outras garotas e parar com essa obsessão. Se eu estiver errada após o aniversário dela tentaremos do seu jeito e me proponho a esses encontros uma vez por semana. O que acha?
— Duas vezes!
— Ah?
— Já que terei que esperar um mês quero o dobro de dias.
— Tá tudo bem. “minha ideia tem que dar certo” Combinado?
— Combinado “ele então com um sorriso triunfante estendeu a mão. E eu apertei.”
— Agora estou indo.
— Você não pode ficar? “ele olhou então para o meu rosto” como amiga?
— Não hoje. Quem sabe outro dia? “pisquei”
Sai dali sem olhar para trás. Ele não foi atrás de mim. Quando cheguei em casa corri para o quarto e me tranquei lá. Dormi cedo na esperança de que amanhã fosse um dia mais calmo e com menos Pietro.
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