Girassóis

1 Novo Vizinho


Notas iniciais
Gente, espero que gostem, este capitulo é mais para apresentar os personagens.

Já fazia quase dois meses que havia começado minhas aulas. E lá estava eu novamente trancada no quarto estudando para minha ultima prova do bimestre, era Geografia. Normalmente pessoas não gostam de estudar por muito tempo, mas isto estranhamente acontecia comigo, gostava de saber coisas novas e não me importo com a solidão, ela ás vezes é uma amiga muita boa e tranquila, o que é ótimo com a família que eu tenho. Amo minha família, mas sempre temos visitas e bagunça, quase nunca ficamos em silencio nesta casa.

Me chamo Olivia, tenho 17 anos e estou no meu último ano da escola pretendendo me formar com louvor, e com certeza me formarei, como sempre, sendo a primeira da classe.

Moro numa cidadezinha bem pequena no sul do país. Existem as partes boas e ruins de viver numa cidade pequena como a minha, a parte boa é que tudo é bem pertinho, o povo é mais unido e claro é bem mais fácil confiar nas pessoas, mas a parte ruim é que uma cidade deste tamanho normalmente é um tédio graças ao fato de que não há nada a fazer e nem muitos lugares para sair, e também por causa de não haver nada de interessante, quando qualquer coisinha acontece de novo, em instantes todo mundo da cidade esta sabendo, como o que vai acontecer amanhã. Amanhã chegará uma nova família para morar na casa aqui ao lado e toda a cidade esta curiosa para saber quem são eles, como eles são, essas coisas. Estranho, estou a quase 2 anos aqui e acho que sou muito diferente do pessoal. Bem... como sei que amanhã eles chegaram cedo é bom dormir logo mesmo sendo sexta-feira. Com certeza terei que fazer sala.

Acordei no dia seguinte com um furacão chamado Cristina invadindo o meu quarto. Cristina era 2 anos mais nova que eu, mas éramos muito parecidas em alguns sentidos. Ambos tínhamos cabelos até a altura do meio das costas, eram castanhos com algumas mechas louras, tínhamos um corpo esguio e eu era 3 centímetros mais alta que ela com meus 1,67. Mas nossa maior diferença era a cor dos olhos, os olhos da minha irmã eram muito azuis, como os de vovô, e os meus castanhos, os de mamãe, tirando claro, a nossa personalidade. Minha irmã era líder de torcida e se importava muito com a aparência, não que eu não me importasse, mas ela era demais. Ela era muito popular e sempre vivia rodeada de pessoas, ainda bem que nisso não somos iguais, tenho os meus amigos, mas não gosto de muita gente me cercando e invadindo minha privacidade, não gosto nem quando meus pais fazem isso e quanto a ser popular vamos dizer que inteligência e notas boas não fazem ninguém ser popular, ainda bem. Mas voltando, ela entrou no quarto de pijama e gritando.

— Chegaram, chegaram!

— Ham?

— Eles chegaram, os vizinhos! Acorda mana.

— Ah os vizinhos. “por um momento tinha me esquecido”

— Anda se arruma e desce.

— OK.

— E me empresta aquele vestidinho vermelho seu?

— Lógico, pode pega! “apesar de todas as nossas diferenças nos dávamos muito bem e gostava muito da minha irmã, nunca faria nada que a magoasse”

Ela saiu e eu fiquei mais uns cinco minutos na cama antes de levantar. Não estava a fim de me arruma em pleno sábado de manhã, sábado é dia de acorda tarde eu acho que devia existir uma lei dizendo isto. Bem, depois de jogar uma água na cara e escovar os dentes estava praticamente desperta. Desci a escada já gritando.

— Bom dia família!

— Bom dia meu amor “disse mamãe” quero que conheça nossos novos vizinhos os Martiones.

Foi então neste momento que reparei que havia mais quatro pessoas na mesa, um casal que tinha dois filhos, uma menina de aparentemente 10 anos e um menino que parecia ter a minha idade e que estava me encarando, ou melhor, encarando meu corpo, foi ai que lembrei que ainda estava de pijama. E era o pijama, eu devia ter ele a uns 3 anos, e ele estava bem curto em mim, era verão e sou muito calorenta, continuando, ele era de alcinha, o tecido grudava ao corpo, e pra me ajudar ainda mais estava sem sutiã. Comecei a corar e corri para o meu quarto, aff... minha mãe tinha cada uma as vezes. E bem que alguém podia me avisar que estávamos com visita em casa, tudo bem, como tinha que arrumar aquela má impressão, coloquei um short curto, uma camiseta da Greenpeace, amarrei o cabelo e desci destinada a fazerem esquecer aquela cena.

Eles estavam conversando e comendo, mas quando me viram ficaram quietos, escondi minha vergonha e falei.

— Desculpe o incidente, não sabia que tínhamos visitas em casa.

— Não foi nada meu amor, já esquecemos. “disse a mulher e me sorriu.” Sou Jasmine, este é meu marido Cristofer, essa minha filha Jéssica, “a garotinha sorriu e acenou para mim” e este meu filho Pietro. “ele me olhou e sorriu”

— Meu nome é Olívia e sejam bem vindos.

— Que legal é o mesmo nome da vovó! “falou Jéssica, me peguei sorrindo para ela” Vem comer Olívia.

Fui e me sentei no único lugar vago ao lado de Pietro. Peguei suco e torradas com geléia. E quando finalmente comecei a comer ele veio falar comigo.

— Eu gostava mais da outra roupa. “ele sussurrou para mim sorrindo”

Olhei para ele com cara de poucos amigos! Tinha que admitir ele era muito bonito, era alto, tinha cabelos curtos bem pretos, pele bronzeada, e era forte, dava para ver pelos músculos bem definidos que se escondia atrás da camiseta, mas não era nada muito escandaloso que nem aqueles lutadores da TV que nem conseguem fechar os braços, e tinha olhos verdes marcantes e que pareciam ver através de sua alma, e que agora me olhavam divertidos. Foi então que percebi que o estava encarando assim como ele fez comigo antes. Virei meu rosto e disse baixinho.

— Desculpa.

— Relaxa agora estamos quites.

Comecei a comer minha torrada ainda um pouco envergonhada.

— Ainda está com vergonha?

— Não é que...

— Quantos anos você tem? “disse me cortando”

— 17.

— Hum.

Fui olhar ele para perguntar o que foi e me deparei com dois olhos me fitando. Acho que corei um pouco.

— Quer parar de me encarar.

— Não. “já estava começando a me irritar aquilo” E se quiser me encarar também eu não me importo.

— Eu não quero te encarar.

— Até parece que não.

— Você se acha sabia?

— Eu não me acho só sei do que estou falando.

— Você não sabe nada sobre mim. Me conheceu hoje.

Ele intensificou mais seu olhar.

— Hum tem razão. Ainda não sei, mas vou ter muito tempo para conhecer.

— Então comece com isso. Não gosto de ninguém xeretando a minha vida.

— Que pena “então sorriu”. Pois vou xeretar do mesmo jeito.

— Olha aqui. Não gosto de pessoas intrometidas. E vamos parar por ai. OK

— Não, adoro ver você nervosa.

— Não estou nervosa. “estou sim, mas não vou admitir”

— Então vai ficar agora. “dizendo isto ele falou em voz alta” Nossa seria muito bom mesmo. Mãe, Olívia e eu estávamos conversando sobre a mudança e ela me perguntou se poderia nós ajudar a arrumar a casa.

— Claro, obrigada querida.

— Que ótima idéia “disse papai” vamos todos.

— Obrigada doutor Rodolfo.

Olhei para ele e vi que estava rindo. Meu sangue começou a subir. Não queria passar a tarde inteira tirando coisas de caixas. E pra piorar ele tava rindo. Me olhou.

— Viu, agora você ficou nervosa.

Só não voei na garganta dele porque havia testemunhas. Como ele consegue me tirar do serio tão rápido. Idiota. E mais idiota ainda porque estragou meu sábado.

Depois que terminamos o café, fomos para a casa deles com a frase incrível de minha mãe “Vamos logo, quanto mais rápido começarmos mais rápido terminamos.” Eu tinha certeza de que não terminaríamos isso hoje e que iria ser um tédio. Quando entramos na casa me surpreendi. Era muito bonita e tinha um aspecto de casa medieval, com uma lareira bem no meio de uma sala enorme. Achei estranho ninguém ter comprado a casa antes, ela era linda.

— Acho melhor nos separarmos em duplas! “disse Cristofer”.

— OK então, “disse Jasmine” amor, você e Rodolfo poderiam cuidar dos moveis e porão, eu e Clarice da cozinha e da sala, e os meninos do quarto. “Clarice era o nome da minha mãe”

Nós 4 então subimos para o andar de cima, lá havia somente 4 quartos mas todos bem espaçosos e com suítes. Fiquei pasma. Se soubesse que a casa ao lado era assim teria pedido para meus pais se mudarem. Ouvimos o barulho de alguém subindo a escada, era Jasmine.

— Então pessoal, o quarto do fim do corredor é meu e de Cristofer, vocês “disse olhando para os filhos” podem escolher seus quartos, mas SEM BRIGAS, fui clara?

— Sim mamãe. – falaram Pietro e Jéssica em coro, achei estranho um garoto como Pietro falando “mamãe”, mas okay né...

— Então e o próximo será o de hospedes. Olha podem deixar o meu por minha conta, mas o de hospedes é de vocês. OK

Todos concordaram e ela desceu a escada. Quando isso aconteceu, Jéssica virou e do nada saiu correndo pelo corredor. Ela então parava na porta de cada um dos quartos até que gritou: “Esse aqui é o meu! E nem adianta Pietro, eu vi primeiro.” Disse sorrindo e entrando. Fomos ver o seu quarto e ele era realmente muito lindo, era provavelmente o segundo maior sendo que o primeiro era o do casal. As paredes eram brancas e era muito espaçoso. Percebi então que Pietro não estava lá. Fui ao corredor e o vi olhando para um quarto. As meninas saíram e fomos ao mesmo quarto que o dele. Quando estávamos quase chegando ele rapidamente saiu e fechou a porta.

— O que foi mano?

— Este é o meu quarto e só irão vê-lo depois “sorriu com minha cara de frustração, o que é? sou curiosa mesmo e daí?” Agora a minha idéia é. Vamos primeiro arrumar o quarto de hospedes os quatro juntos, e depois nos dividiremos em duplas para arrumar os nossos quartos eu ficarei com a Olívia e Jéssica com Cristina.

Todos concordaram e eu só olhei para ele o fulminando. O que custava me deixar ir com a Jéssica? Só não falei nada porque era o que ele queria. Ele sustentou meu olhar e depois sorriu.

— Bom gente é melhor começarmos.

Descemos, pegamos os materiais que precisávamos para a faxina e fomos para o quarto. Ele era retangular e muito fácil de limpar. Ainda bem. E para minha surpresa me diverti muito, Jéssica era um amor ajudava em tudo e sempre me fazia rir. Nos duas ficamos com o banheiro enquanto eles varriam o quarto e tirava o pó dos poucos móveis embutidos que havia. Descobri que Jéssica era muito inteligente e perceptiva e que também não parava um minuto de falar, ficamos muito amigas. Enfim mais ou menos depois de uma hora o quarto estava pronto. E só faltava o encarregado dos moveis trazerem as coisas para cá. Ainda bem que isso ficou por conta deles.

— Acabou aqui Ufa! “disse Cris, secando suor da sua testa realmente limpeza e organização não eram o forte da minha irmã.”

— OK agora são os nossos quartos. Vamos Olívia!

— Mano, posso ir com a Olívia? Gostei muito dela. “Jéssica disse, e me fez sorrir aliviada, não tinha como ele negar, ou tinha?”

— Hum, acho que não em maninha.

— Por que? “falamos eu e ela juntas”

— Porque eu já havia combinado com você isso, e agora é melhor trocamos de duplas para nos conhecermos melhor, afinal agora praticamente eu só conversei com a Cris! “Cris? Uau já viraram amiguinhos, haha minha irmã é rápida mesmo e se bem a conheço ouvirei muito sobre certo alguém hoje.”

— É tem razão mano. Mas acho melhor irmos logo, pois ainda tem muita coisa para fazer. Afinal meu quarto será o mais liiiiiiiiiiiiiiiinndo de todos. Vamos Cristina?

Ela segurou minha irmã pela mão e a arrastou para seu quarto. Então fomos para o quarto do Pietro, quando ele abriu a porta não consegui conter um Uau! O quarto dele era simplesmente demais, ele era o menor, mas o mais charmoso, no canto da parede havia uma escada circular com grades de ferros fazendo desenhos abstratos em volta, que dava para um tipo de segundo andar menor, que ia até a metade do quarto, mais ainda assim espaçoso. O mais legal era que tipo não dava para ver como era nada lá em cima, mas quando eu subi fui até a grade de ferro que havia lá percebi que dava para ver metade do quarto de baixo. Era fascinante, o chão de cima era de madeira, enquanto o de baixo era um azulejo meio acinzentado, a paredes eram brancas, mas a que dava para o banheiro tinha pedras pretas incrustadas umas nas outras e reparando melhor percebi que estas pedras formavam o desenho de um dragão. Havia um guarda roupa branco embutido dentro da parede ele era bem grande. O quarto era simplesmente, a meu ver, perfeito. Vendo a minha admiração Pietro disse:

— Vamos logo, eu sei que tenho bom gosto, mas temos que terminar isto hoje.

— Você se acha moleque! Você só escolheu o quarto não deu a idéia e não ajudou em nada, por falar nisto porque me escolheu? Sabe que te odeio e to a fim de te esganar por acabar com o meu sábado.

— Já disse, “sorriu” te escolhi para te conhecer melhor, e você não me odeia só não quer admitir a si mesmo que ta ficando afim de mim e que causo um grande efeito sobre você.

— Vai sonhando!

— Não preciso. “nessa hora não aguentei”

— Olha aqui moleque...

— Olha aqui você! “disse me cortando e ficando bem próximo de mim, mas bem próximo mesmo, inconsciente dei um pequeno passo para trás” é melhor começarmos a arrumação logo, e se eu fosse você parava de gritar comigo. “ele chegou mais perto” Isto me excita!...

Ele se virou e pegou uma vassoura que já havia trazido do quarto de hóspedes. Ainda meio abalada com a cara de pau dele comecei a ajudá-lo dizendo que iria limpar o banheiro. Fui para o local e me concentrei na limpeza para esquecer a cena de momentos atrás. Era bem espaçoso mais simples, piso frio escuro, um boxe de vidro, chuveiro com queda forte, sim eu liguei, afinal lavei o banheiro inteiro néh! Tinha uma pia quadrada com um armário de espelho em cima. Quando terminei de jogar a água esfreguei tudo e sequei, limpei os moveis e o boxe também, fiquei até com orgulho de mim mesmo, estava dando os toques finais quando senti que havia alguém me olhando. Então vi Pietro na porta, credo, esse moleque até parece um fantasma.

— Sabia que você está muito sexy? “vi então que estava bem molhada e a roupa estava grudando no meu corpo”

— Ah! Vá á merda Pietro!

Ele começou a chegar mais perto de novo e instintivamente fui indo para trás até que o boxe bloqueou o caminho, ele então diminuiu muito a distância entre nós novamente, e colocou as duas mãos uma de cada lado do meu corpo impedindo que eu me esquivasse, ele praticamente me comia com os olhos.

— Dá para parar?

— Não!

— A quanto tempo esta me olhando?

— Desde de que o povo saiu.

— Hã?

— É eles foram num restaurante aqui perto comer alguma coisa.

— E não nos chamaram? “não acredito nisso!!”

— Chamaram sim, mas falei que era para trazer uma marmita para nós, porque decidimos ficar aqui para terminar logo, a idéia foi sua, mas eu acatei.

— Você nem me disse nada!

— Eu menti. “ai que ódio desse moleque, incrível, mas parece que cada vez mais a distancia fica menor entre nós, isso não vai acabar bem”

— Como você pode.

— Foi fácil. E eu só precisava de incentivo, e digamos que ver você assim foi um grande incentivo. E olha “ele falou na minha orelha” chega até ser sacanagem você ficar assim deste jeito, tão linda e vulnerável. “pois as mãos na minha cintura, arrepiou, a mão dele estava quente, suspirei, poxa sou nerd não santa, e ele era realmente forte, ele então colou seu corpo ao meu e me beijou, eu correspondi, a boca acariciava a minha me fazendo ter uma sensação muito boa, coloquei meus braços em volta do seu pescoço, a língua dele começou a pedir passagem e eu deixei, inebriada pela sensação, nossas línguas se tocaram e começaram uma dança dentro de nossas bocas mas sempre uma exigindo mais da outra, só nos separamos quando nos faltou ar, ele então foi para o meu pescoço e começou a beijá-lo causando arrepios, suas mãos fortes passaram por debaixo da minha blusa segurando minha cintura e me puxando mais contra ele, gemi, ele então me beijou de novo. Só fui acordar quando ouvi os gritos e risadas de Jéssica, o empurrei e como ele não estava preparado para isso consegui tirá-lo de meu caminho. Corri até o outro lado do banheiro.

— Você tem problema? “perguntei e ele sorriu”

— Você retribuiu o beijo “falou, com o mesmo sorriso cínico, eu sabia que tinha correspondido, mas não vou admitir nem que a vaca tussa”

— Não.

— Não só retribuiu como gostou e faria de novo.

— Nem vem hein! “Falei. Vai que ele tinha razão.”

— Você só me faz te querer mais assim. Sabia. “Disse ele. Eu provavelmente corei” e você beija muito bem, alem de ser muito tentadora!

— Olha!... “minha frase morreu quando ouvi o barulho da porta abrindo, momentos depois Jasmine entrou no quarto com duas marmitas e nos entregou. Tome para vocês. Nossa o banheiro ficou limpo mesmo heim. Parabéns Olivia e muito obrigada novamente. Esta é a sua, sua mãe disse que ia gostar!

— Obrigada!

— Vocês fizeram mesmo um bom trabalho aqui. Parabéns!

Ela deu nossas comidas e saiu. Sentei no chão ao lado da janela e comecei a comer. Ele se sentou ao meu lado, mas não abriu a sua marmita, nossa como eu tava com fome. Ele tava me olhando... isso é constrangedor.

— E ai, não vai comer não é?

— Não to com muita fome! Mas já que insiste. “ele abriu a lata de coca e a marmita, começou a comer também. Mas não parava de me encarar.”

— Dá para parar! Isto é constrangedor.

— Já disse que a culpa não é minha. E pode me encarar também eu não ligo.

Olhei bem nos olhos deles.

— E quem disse que eu quero te encarar.

— Eu sei ué.

— Idiota. “Com isso, ele deu um sorriso com o canto da boca, serio qual era a graça de me constranger ou me deixar irritada? Ele me conheceu só hoje me viu só uma vez e já me marcou. AFF.”

Terminamos de comer e depois de um tempo brisando, ouvindo umas musicas que ele colocou no seu Ipod voltamos as nossas tarefas. Tive que subir com um monte de caixas. Pois a maioria das suas coisas estava encaixotada, acho que para falar a verdade ele só tinha duas malas e eram com suas roupas.

— AFE, pra que te tanta coisa! Já pensou em fazer uma limpeza em suas coisas?

— Lógico que não. Todas as coisas que estão nessas caixas me fariam falta e algumas são objetos de inestimáveis valores.

— Ta falando serio?

— Porque não falaria? Já percebeu, falo o que sei, não minto nem omito.

Virei de costas para ele e comecei a desencaixotar as coisas, como ele viu que desta vez não discutiria começou a fazer o mesmo. Tinha muitas coisas entre livros, CDs, DVDs, e por mais estranho que pareça uma incrível coleção miniatura de dragões, todos pequenos e feitos de metal, muito bem fabricado por sinal. Estavam embrulhados e dentro de uma caixa feita de metal e forrada de veludo azul por dentro. Quando Pietro viu para onde estava minha atenção comentou.

— E ai gostou?

— Detesto admitir, mas é lindo Pietro. Muito lindo mesmo.

— Era do meu avô. “ele falava meio que para si agora” Ele amava dragões e comecei a gostar por causa dele, ele que colecionava essas miniaturas, e quando morreu as deixou de herança para mim, falava que era para nunca desistir de sonhar e ser forte. Acho que escolhi este quarto porque me lembra muito ele. “pela primeira vez percebi que ele falava como que se estivesse desabafando, foi estranho porque quis confortá-lo”

— Hum... Pietro...

— Relaxa, não estou triste. Lógico amava meu avô e foi um choque muito grande para mim perde-lo, mas como ele me ensinou: o certo é deixar as boas memórias com a pessoa em sua mente no lugar da ruim e sempre agradecer por ter tido este tempo para desfrutar com ela. Mas chega de papo se não só sairemos daqui amanha “ele então olhou para mim e sorriu” tudo bem que eu não ligo nem um pouco se ficar a noite inteira preso aqui com você.

Virei meus olhos e continuei a desencaixotar as caixas. Quando metades das coisas estavam desencaixotadas combinamos de que eu arrumaria as roupas enquanto ele arrumaria os seus objetos pessoais. Foi mais ou menos uma hora nisso. Quando terminei estava exausta e ele também e o resultado foi: Um quarto e banheiro limpo e arrumado, guarda roupa organizado e escrivaninha também. Sim, durante a arrumação o pai de Pietro, junto com o meu, veio e montou uma escrivaninha na parte de cima, e uma bicama, ambos os moveis pretos, dando um contraste muito legal nos quarto. Jasmine também trouxe uns pufs de couro, dois brancos e dois pretos e um tapete mesclado muito lindo e felpudo que foi colocado lá em cima no canto, encostado com a parede. Enfim só faltou para arrumar três caixas fechadas, que nem eu sabia o que havia e a cama já com colchões.

— To morto.

— Eu também to exausta.

Ele olhou então para cama e falou.

— Que tal se a gente dormir um pouquinho. Vão pensar que estamos arrumando o quarto e não viram nos importunar, se descermos vão nos ficar pedindo para fazer mais coisas, fato, sinceramente não to afim. E ai topa?

— Humm...

— Ah fala sério! Tá com medo que eu faça algo com você?

— Se toca moleque! “idiota, mas a verdade é que a cama parecia tão convidativa. Enquanto olhava para a cama ele jogou um travesseiro em mim.”

— E ai topa?

— Tá bom. “Foi ai me toquei!” Pietro minha roupa ainda está molhada se eu deitar na cama vai molhar todo o colchão.

— Relaxa “ele foi até o guarda roupa e me jogou uma camiseta.” Coloca isso.

Não tinha como argumentar, dormir com a roupa molhada não dava e se descesse acabava com o plano, fui ao banheiro trocar de roupa e acabei tomando uma ducha rápida. Ainda bem que ele já tinha colocado as coisas no banheiro, então facilitou para mim. Quando sai do banho ele já estava deitado na cama sem camiseta. A fala sério é para me tentar isso, não da para negar que ele é gostoso.

— Que foi? Virou estatua agora? “Falou ele. Virei os olhos e continuei indo em direção a cama.” Eu fico na de cima, afinal à de hospedes é a de baixo. “Ele me deu então um lençol e um travesseiro. Tava tão cansada e com sono que nem argumentei. Somente abri a cama, me cobri e dormi.”

Acordei e já era da noite. Sabia disso por causa da luz da lua que vinha da janela, nossa dormi pra caramba, a cama de cima estava vazia. Estranho, porque será que ninguém me acordou. Ouvi um barulho vindo chuveiro, Pietro. Fiquei sentada na cama pensando no dia de hoje, que foi totalmente modificado, estava no mundo da lua quando a porta do banheiro abre e aquele moleque sai, somente com uma boxer preta, por mais que eu deteste admitir isto estava uma tentação, o cabelo estava molhado e brilhante escorria água pela sua nuca e seu corpo, detendo-se um pouco na corrente de prata, seus olhos pareciam ainda mais verdes.

— Acordou bela adormecida! Pensei que teria que te acordar “ele disse sorrindo”

— E pretendia como? Jogando um balde de água em mim?

— Não, isso seria perda de tempo. Molharia meu quarto, eu tenho uma ideia muito melhor.

— Ela não me interessa.

— Hum, tem certeza? “disse se aproximando”

— Lógico que sim. “não gosto desta proximidade, melhor mudar de assunto” Que horas são?

— Meia noite. “Disse calmamente. Hã? Como assim?”

— E porque ninguém veio me acordar? Cadê todo mundo? “comecei a perceber que a casa estava muito silenciosa”

— Os que estão na casa estão dormindo, exceto nós dois obvio e sua família foi embora. Por que esta tão nervosa?

— Eles me deixaram aqui?

— Sim, incrível como eles confiam rápido nas pessoas, nossos pais já parecem amigos de infância! Quando eles te viram dormindo ficaram com dó de você e eu disse que não haveria problema você ficar aqui e que estava realmente muito cansada por ter me ajudado, tirando que minha mãe falou que ficaria de olho em nós dois para evitar problemas ou besteiras “a ultima parte ele falou rindo, ok tenho que manter a calma”

— OK então, muito obrigada pela hospitalidade, mas acho que já vou. “falei me levantando e indo para a porta”

— Hum, eu acho que não. “ele parou na minha frente, entre mim e a porta, tava tão perto” Não posso deixar você andar pela rua tão tarde!

— Sou sua vizinha!

— Mesmo assim. “Chegou mais perto”

— Preciso de um banho e escovar os dentes, por favor me deixa ir para casa antes de perder totalmente a pouca paciência que eu tenho com você!

— Suas coisas estão no banheiro se este é o problema.

— Hã?

— Quando percebi que não ia acordar tão cedo fui lá e falei com sua mãe que separou suas coisas.

— Ela não fez isso!

— Lógico que fez, agora banho. “ e nisto ele trancou a porta do quarto” Pode desistir de fugir esta noite.

— Pietro.

— Menina “perigosamente perto” você esta me fazendo perder a paciência, é melhor você me obedecer e se quiser a chave “nisto ele tirou a corrente que usava e prendeu a chave nela, tornando a colocar a mesma.” vai ter que tirar de mim . “ele então saiu da minha frente e foi para a cama, eu achei melhor ir para o banheiro tomar um banho e relaxar um pouco, senão cometeria um assassinato hoje.”

O banheiro ainda estava com vapor, eu fui pegar minhas coisas no nécessaire que estava em cima da pia e infelizmente, ou não, estava tudo lá, até meu xampu. Então desisti de achar uma brecha e fui para o Box. Demorei no banho, a água quente relaxava meus músculos, quando comecei a ficar com os dedos enrugados, eu sai. Enrolei a toalha no meu corpo, escovei os dentes e penteei meus cabelos, foi então na hora em que peguei meu pijama que me toquei qual era, simplesmente o mesmo que eu estava usando esta manhã, e agora uso ou não? Olhei para a roupa que estava vestindo. Quer saber, dane-se, ele já deve estar dormindo, coloquei o pijama, passei meu creme, depois guardei tudo e destinada sai do banheiro. Ele estava na cama e quando cheguei mais perto percebi que estava dormindo. Foi ai que encontrei minha chance, cheguei perto dele devagar, sem fazer barulho e me inclinei para pegar a chave, mas quando relei na corrente senti meu corpo ser abraçado e fui jogada na cama, entre ele e a parede, com o outro braço ele então apoiou a cabeça e riu olhando para mim.

— Você achou mesmo que iria ser assim tão fácil?

— Você é tão criança!

Ele então começou a me olhar de forma diferente, sua mão ainda estava na minha cintura.

— Então você quer que eu cresça mais?

— Isso mesmo, amadureça. “a mão dele continuava na minha cintura, porque ele não a tirou ela de lá, seus olhos pareciam saber o que eu pensava, minha respiração começou a acelerar.”

— Sabe, me lembrei de algo agora, hoje de manhã eu fui interrompido em algo. “ele tateava lentamente minha cintura, como se estivesse tocando um teclado, o caminho deixado por seus dedos queimavam em minha pele, é hora de reagir, porque não estou reagindo? Sinto-me encurralada!” Você foi esperta e esperou um momento de distração da minha parte. “não to gostando do rumo desta coversa” Me empurrou e acabou com a minha graça, mas adivinha. “colocou sua boca próxima do meu ouvido, podia sentir sua respiração, me arrepiei, metade do seu corpo estava sobre mim, e ele ainda estava só de CUECA, me pressionando” Nada vai me distrair agora. “ele então mordiscou minha orelha e começou a descer para o meu pescoço, a temperatura do quarto começou a subir.”

— Pietro, para... “minha voz era apenas um sussurro, me traindo.”

— Shhh, você também quer isso que eu sei. “sua respiração alterada, sua voz rouca, tudo nele estava mais quente, alimentando o fogo que estava correndo pelo meu corpo” Seu corpo te denuncia, chega até ser maldade isso, ter um corpo tão tentador como o seu, seu cheiro, sua pele, seu gosto. “nisto ele parou de falar, e passou o nariz pelo lado do meu rosto, quase sem sentir seu toque, inalando meu cheiro, indo até o pescoço e mordendo ali, como não esperava por isso, meu corpo reagiu pulando o que me fez grudar ainda mais nele, sua mão desceu para a minha perna, apertando a minha coxa” Tudo isso em você me provoca.

Então ele me beijou novamente, eu retribui, não tinha como negar, aquele corpo me fazia reagir involuntariamente. A boca dele pediu exigia a minha, nossas línguas então duelaram por espaço e as mãos dele começaram deslizar sobre minha pele, a velocidade em que o calor tomou conta do meu corpo foi surpreendente. Pensei que não iria sentir mais nada além daquele calor, mas sentia as mãos hábeis em mim, me levando a um delírio ainda maior. Então finalmente nossas bocas se separaram quando o ar se fez necessário.

— Não tem ideia do quanto te quero Olívia, “ele sussurrou no meu ouvido, logo após de uma mordida, aquilo já havia ido muito longe, precisava novamente pegar o controle da situação, mas não tinha o controle nem sobre mim mesma, respirei fundo, tentando tirar da cabeça a presença dele em meu corpo, sua boca devorando meu pescoço, suas mãos passeando pela minha perna. Me segurei ao pouco de sanidade que tinha e falei arfando.”

— Para Pietro, não quero... isso ta errado.... “ele levantou a cabeça para me olhar, seus olhos me desarmavam.”

— Tem certeza que não quer?

— Não, sim... quer dizer, te conheci hoje, não posso fazer isso, to confusa.

— Você não está confusa Olívia, ta com medo o que é algo totalmente diferente, você me deseja, mas não quer perder sua pose.

— Não é isso. “ou será que era? Só sei que não gostei de ouvir aquilo, minha raiva facilmente ‘inflamável’ apareceu.” E quer saber, não tenho que ficar dando conclusões da minha vida para você, se acha o dono da verdade, mas não sabe nada sobre mim, você me conheceu hoje, então da para sair da minha vida? Deste jeito fica melhor para mim e para você, me esquece e para de me torturar Pietro. “ele olhou para mim e depois sorriu.”

— Tudo bem então, por hoje não tentarei mais nada, mas não pense que acabou, ainda te terei implorando por mim. Você me pertence e para deixar isso bem claro... “ele me beijou novamente, um beijo voraz e possessivo, marcante, depois quando o ar se fez necessário novamente ele foi até meu pescoço e o chupou, merda isso vai demorar a sair.” Pronto não se esqueça, e isso vai ajudar a lembrar, agora que te encontrei sei que me pertence e não tolero outro em meu lugar.

— Eu não te pertenço, não sou objeto e não sou sua, esquece.

Ele se levantou, senti falta do calor do seu corpo. Foi para o banheiro.

— Isso é o que veremos Olívia!

Ele então tirou a chave do pescoço, jogou para mim e fechou a porta não me dando chances de responder, a raiva era tanta que a minha vontade era entrar naquele banheiro e bater nele, mas como ainda estava na casa dele resolvi me acalmar, consegui.

Fiquei sentada na cama olhando fixamente para a porta, estava tão desorientada e com receio do que poderia acontecer se continuasse ali que decidi ir embora, com pijama mesmo sai do quarto, corri pelas escadas e fui para a porta, na rua estava frio, mas uma pequena parte do meu cérebro registrou este fato, corri para a casa e usei a chave reserva que fica embaixo do vaso. Deitada em minha cama pensei em como tinha sido o dia de hoje e como fazer, pelo bem da minha sanidade, Pietro ficar o mais longe de mim possível.

No dia seguinte disse para a minha mãe que estava cansada e não me sentindo muito bem para continuar ajudando na mudança, e claro uma desculpa esfarrapada do porque voltei para casa de madrugada sem avisar ninguém. Ela engoliu e fiquei o dia inteiro em casa não fazendo nada de útil, a noite dormi com o feliz pensamento de que amanhã minha rotina voltaria e isso não iria passar de um final de semana desagradável.

Notas finais
Obrigada a quem leu! ♥