Gimme More
31 Hidden
Notas iniciais
Hidden 1 – Travies Stoll
A depressão parecia consumi-lo. Estava tão frio, tão feroz nas últimas atividades da Máfia que havia chamado a atenção do próprio chefe. Marcos já havia falado com ele, já havia explicado que ali não deveria haver motivos pessoais. Mas parecia impossível. Ver Thalia era quase insuportável. Conseguia ver sua princesa, sua amiga, sua amante, mas via além de tudo isso sua prima.
Precisava esclarecer as coisas com Katie.
–Travies – seu irmão chamou com o olhar sério – Marcos quer falar com você no escritório.
–Perguntou sobre o que era?
–Não sou a Thalia, mano. Não cabe a nós fazer perguntas tolas. Ele não disse nada além de que era um assunto urgente e sério.
Largou seus pensamentos e tentou endireitar a coluna sem muito sucesso. O escritório de Marcos era perfeitamente projetado, era rico em detalhes e significados mesmo a decoração sendo simples. De qualquer forma Travies não conseguiu enxergar nada.
–Sabe por que chamei você? – depois de negar com um aceno, a voz do chefe, do rei se fez ouvir de novo – Vim explicar o que você ainda se nega ver. Será que compreende que o que Thalia fez também lhe causou dor?
–Ela disse claramente o quanto estava feliz depois de terminarmos – foi rancoroso ao falar.
–Thalia confidencia á mim muito mais do que confidencia a você ou as outras princesas. Acha mesmo que a infelicidade de um amigo agrada minha menina? Thalia além de tudo fez o que fez para proteger não apenas ela como deve estar pensando, mas a você e a tão inconveniente menina por quem você tanto chora.
–As lágrimas só valem à pena se forem por Katie.
–Claro, claro...
–Mas Thalia não se importa...
–Meça bem suas palavras. Você é um mafioso. Katie é quase uma santa. Você já traiu essa menina, não compreendo por que chora agora. Seu segredo e o de Thalia ficam bem melhor guardados longe da sua amada. – ergueu a mão impedindo-o de falar – Você corria o risco de ser revelado, Thalia corria o risco de ser revelada e, na remota hipótese da menina aceitar fazer parte deste mundo, vocês três teriam problemas inimagináveis.
Não era mentira, Travies sabia bem, mas se negava a acreditar. Seu coração partido precisava de um culpado, alguém em que pudesse descarregar sua raiva, ódio e frustração. Thalia era a única envolvida nisso capaz de levar a culpa... Mas amava Thalia, amava como sua princesa da Máfia, sua amiga, talvez como um ídolo, não importava. Não conseguia manter essa raiva por muito tempo.
Suspirou e disse:
–O que eu posso fazer? Quero Katie de volta e não é uma questão de capricho...
–Vou te dizer, rapaz. Mas que fique claro: você vai assumir todas as consequências disto.
[...]
Estava esperando por ela fazia trinta minutos contados no relógio, se fossemos contar pelo tempo do coração, o número exato seria equivalente há dias. Katie estudava em um colégio particular diferente das princesas, no da mocinha era permitido à ida sem o uniforme escolar. Travies lembrava que ela só não estudava com Thalia e as outras por conta do colégio não admitir entradas do meio do semestre; algo pensado no rendimento escolar do aluno ou algo assim.
Era o horário da saída. A multidão que passava com pressa, todos desesperados para chegar a suas devidas casas.
Ele estava ansioso. Passara semanas observando Katie e seus movimentos: aonde ia, com quem ia, quando ia, quando voltava, como se comportava e outras coisas do tipo que maníacos obsessivos costumam fazer.
Quando a viu perdeu minutos observando-a cuidadosamente: a saia longa esvoaçando delicadamente com o vento de outono, a blusa de tecido claro e leve, as sandálias de salto alto, quase não usava acessórios e maquiagem, ela era perfeitamente bonita daquele seu jeito simples. Não era uma beleza digna de parar o transito como a das Princesas da Máfia, era aquela que você apenas percebe com o passar do tempo, olhando atentamente.
Tinha que agir rápido. Puxou o capuz sobre os cabelos e se misturou aos estudantes. Para qualquer um que observasse, ele era só mais um aluno daquela escolinha. Seguiu andando atrás dela sem que a mesma notasse e agarrou tapando-lhe a boca, abafando o grito de medo dela, tomando-a nos braços levou-a até seu carro onde amarrou suas mãos, seus tornozelos além de vendá-la. Ela não havia visto-o ainda, não sabia mais quem ele era... Katie não gritou outra vez, não gemeu, não chorou, não falou, simplesmente respirava pela boca enquanto tentava acalmar o coração errante. Thalia passou pelo mesmo, devo isso a minha família, devo ser forte como ela.
Travies parou na frente de uma casa tão comum quanto às outras, com um jardim bem cuidado e quintal nos fundos para onde ele seguia. A casa estava vazia, mas isso não duraria muito. No fundo do quintal uma arvore alta e uma cabana no meio desta. Foi complicado subir as escadas para entrar na casinha, mas teve sucesso. Katie não falou absolutamente nada. O único som que Travies ouvia dela era seu coração disparado pulsando contra seu ombro. Deixou-a deitada sobre as diversas almofadas que tinha, fechou a porta com a chave e logo as janelas. O lugar era pequeno, apertado, os dois quase não cabiam lá dentro.
Quase hesitando se debruçou sobre ela e lhe tirou a venda. Os olhos oliva geralmente suaves o olharam com surpresa depois com ódio. Não havia dor ali, apenas a raiva, o ódio por ser traída, ser enganada de forma tão grotesca.
–O que quer de mim, Travies?
–Eu preciso explicar muitas coisas...
–Não quero ouvir qualquer explicação sua. – seu tom foi firme e frio; ele estava pasmo, desconcertado. Afinal, Katie não era mais tão inocente, era por sinal um pouco parecida com a prima.
–Katie...
Ela apenas virou o rosto e lambeu os lábios. Deus sabe o quanto aquilo atiçou as chamas do fogo do desejo que percorria o rapaz, estava louco para possuí-la, estava pensando se valeria apena consumar aquele amor a força. Estava decidido pelo sim quando ela voltou a falar:
–Solte-me e me deixe em paz. Não quero saber mais nada de você.
–Quer saber sim. Quer tanto que seu sangue chega ferve. – ele estava agachado ao seu lado, sussurrando as palavras com agressividade, seus dedos hábeis beliscaram-lhe o seio ainda bem escondido dentro da blusa; Katie suspirou. Aquele suspiro, aquele pequeno intervalo de tempo em que ela soltou o ar que prendia, foi a chave para Travies mordiscar-lhe a orelha. A menina sussurrava o nome de seu raptor em uma suplica agoniada – Eu não aguento nem mais um segundo sem você Katie. Será que não percebe? Eu acho que te amo.
Lentamente ela virou o rosto encontrando a expressão tristonha dele. Estava muito perto, e a tentação era muita. Seus lábios se encontraram, apenas o toque casto e singelo, o mover lento e suave. Enquanto os lábios se tocavam nesse ritmo Travies desamarrava as cordas que a prendiam; já solta, as mãos dela o puxavam delicadamente pelos cabelos, forçando-o a deitar sobre ela e sair daquela antiga posição desconfortável. Claro que antes a maior das intenções dele era trepar, mas aquele beijo por si só era satisfatório. Suas mãos não iam tão além, seus beijos correspondiam aos dela, lentos suaves. Foi Katie quem tomou a iniciativa: tirou a jaqueta e a blusa que Travies usava.
–Tem certeza?
–Acha mesmo que não percebi que você estava louco para me estuprar?
–Katie, eu só...
Ela deslizou o indicador pela bochecha vermelha do garoto, tentou sorrir, mas ainda não se sentia em paz para isso.
–Eu não sou virgem se é essa a sua preocupação.
–Você... Não é? – a confusão foi dando lugar a raiva; era ele quem deveria ser o primeiro e não outro...
–Não. Vai ficar falando ou vai me beijar?
Ele queria falar sobre aquilo, mas beijá-la era um desejo mais urgente. Sua mão primeiramente retirou o cinto e logo a blusa fina que ela usava. Katie apertou o corpo dele contra o seu sentindo um arrepio quando as peles expostas se encontraram. Sua mão percorria toda a extensão musculosa e bem trabalhada do garoto que estava sobre si, chegando ao fim das costas, contornou a cintura e subiu os dedos pelo peito enlaçando-o pelo pescoço. Quando o ar se fez necessário, um caminho de beijos foi vagarosamente distribuído pelo pescoço, ombro e colo exposto, esfregou ligeiramente o nariz contra a curva dos seios delicados sentindo o cheiro doce e leve de sua pele, depois continuou a depositar beijo por vez até chegar à barra da saia e tirá-la devagar. Logo em seguida estavam com os lábios colados de novo, dessa vez lado a lado, as mãos finas dela descendo até o cós da calça, soltando o botão e abrindo o zíper. Travies gemeu quando aquela mesma mão fina desceu ainda mais o apertando sobre a cueca que usava.
Gemeu seu nome quando aquela mesma mão, quando a mão de Katie ultrapassou a última camada de pano. Ele puxou-lhe as pernas para poder tirar-lhe os sapatos enquanto ele se desfazia dos próprios, depois os dois se livraram da calça que ele ainda usava. Os beijos eram ardentes, mas lentos, tão profundos quanto podiam, cada pedaço de pele exposto que colidia com outra pele igualmente quente só fazia com que se desejassem ainda mais. As mãos calejadas e ásperas dele passeavam pela pele lisa e fina da barriga da moça, rodeando a cintura e subindo pelas costas, forçando-a a suspirar pelo contraste entre o macio e o áspero, até que aqueles dedos chegaram ao fecho, soltando-o e dedilhando a tira de pele que se escondera atrás do tecido. Katie chupou-lhe os lábios com uma doçura típica de si mesma, impedindo o próprio gemido satisfeito de sair; ele levou as mãos aos ombros dela abaixando as alças finas do elástico. Inverteram as posições, Katie por cima e Travies por baixo, o sutiã ainda entre os dois. Travies impulsionou-se para cima, sentando-se com sua amada em seu colo, quebrou o beijo para olhar em seus olhos enquanto retirava aquela peça de roupa tão pequena e jogá-la para o lado. Levou alguns segundos admirando-a: os seios eram firmes e redondos, não tão cheios quanto os que ele estava acostumado a ter, também não pode deixar de comparar os mamilos: Thalia tinha-os rosados, e Katie os tinha em tom dourado. Talvez a vida dela no campo junto à mãe não fosse assim tão correta...
Puxou-a pela cintura até que seus seios estivessem “esmagados” contra seu peito, provocando uma enorme onda de calor. Os lábios voltaram a colidir gentilmente, de forma agradável, suave, voltaram a deitar invertendo novamente as posições. Mordiscando-lhe o pescoço para evitar gemer, Katie sentia o próprio sexo arder em chamas mesmo estando tão úmido, era um calor enorme ao qual ela precisava apagar, mas da maneira certa.
–Travies... – o suspiro escapou quando uma de suas mãos escorregou por dentro da última peça que ainda cobria aquele corpo pequeno. Os dedos acariciando os lábios e o clitóris, dando suaves e ligeiros apertões fazendo com que Katie ofegasse, gemesse entre seus lábios, puxava-o pelo pescoço, trazendo-o para mais próximo, grudando-o a ela. Travies sentiu as unhas dela se enterrando em seu ombro quando colocou o primeiro dedo na abertura da vagina. Não conseguiu conter o sorriso. Movimentou o dedo indicador para a direita e para a esquerda “abrindo-a”, preparando-a para mais. Colocou o segundo dedo, dessa vez fazendo movimentos circulares e esfregando o clitóris com o dedão; Katie quase não suportava manter os gemidos abafados, os suspiros e ofegos contidos.
–Você gosta? – ele sussurrou ao pé do ouvido, enquanto ela entrelaçava seus dedos naqueles cabelos castanhos ondulados.
–Gosto... – sua voz quase não saiu. Travies beijou-lhe o pescoço e foi descendo até chegar ali naqueles lindos e pequenos seios. Não deixou de brincar com a intimidade da menina enquanto beijava um seio e rodeava o mamilo com a ponta da língua, chupou-o devagar, com cuidado então levou a mão disponível para o outro, contornou-o com a ponta dos dedos e beliscou o mamilo esfregando-o logo em seguida contra seus dedos – Travies... Não aguento mais – suspirou impulsionando-o contra seu seio.
–Diga. – o murmúrio rouco e sexy foi dito contra a pele já sensível dos seios dela – Diga Katie, diga o que eu mais quero ouvir. – mordiscou com mais força o mamilo, forçou os dedos a irem mais fundo enquanto o dedão esfregava o clitóris; Katie gemeu alto, seu interior se contraindo contra os dedos do amado, o rapaz ficou louco – Vamos, Katie... Diga para mim. Diga!
–Eu te quero, Travies. Preciso de você, preciso já!
O corpo dela tremia de excitação, de necessidade. Primeiro a calcinha e depois a cueca foram se juntar as outras roupas já esquecidas. Posicionou-se sobre sua entrada, apenas a cabecinha e indo aos poucos até estar por inteiro dentro da mocinha que arfava em busca de ar. Os movimentos foram se intensificando, e os minutos viraram horas enquanto gemiam alto. A mocinha podia sentir aquele membro duro pulsando dentro de si... Os lábios colados, não se soltavam mais, as línguas dançando sem disputas, sem erros, os corpos suados e unidos por algo muito além do físico. Travies mal podia acreditar que aquilo se desenrolava com calma, com lentidão; suas relações eram sempre brutas, selvagens, rápidas e com Katie tudo era diferente... Talvez porque ela fosse diferente.
Do lado de fora há muito tempo uma forte chuva de granizo caia sem piedade. Mesmo o som das pedras colidindo contra a madeira da casinha sendo alto nada era capaz de distraí-los.
–Eu te amo Travies – disse assim que o ápice foi atingido por ambos. Uma lágrima escorreu pelo conto de seus olhos.
–Katie – ele tratou de limpar aquela linda e sofrida gotinha – Eu te machuquei?
–Não – seus olhos reluziam por lágrimas que caiam com delicadeza – Hoje não.
–Não, não chore, por favor, não suporto vê-la assim. Eu sou inocente! Juro que não fui capaz de traí-la.
–Por que mente? Como ainda tem coragem de mentir para mim? – as lágrimas não cessavam, caiam molhando aquele rosto magro e belo. Katie não aguentava mais mentiras; fez a menção de levantar, mas foi detida pelo peso do corpo dele.
–Eu... Eu não sei do que está falando!
–Não? E quanto a Thalia Grace? Minha prima Travies – as lágrimas vinham em uma torrente que desconcertava a mente do garoto e despedaçava seu coração – Vai negar que transou com ela quando saia comigo?
–Como...?
–A própria Thalia me contou não faz tanto tempo. Claro que ela me garantiu que não sabia que você na ocasião estava saindo comigo...
–Katie, eu...
–Por que escondeu seu irmão de mim? Por que dentre tantas meninas você escolheu a mim para destruir?
–Katie! Eu... Tem tanta coisa para te falar e... Não consigo explicar tudo isso desse jeito.
Ela empurrou com o ombro e foi à procura das próprias roupas; foi detida de novo dessa fez de uma forma um pouco mais prazerosa: Travies esfregou seu corpo no dela reacendendo a chama apagada há minutos atrás.
–Eu vou te contar tudo o que você pode saber sobre mim, Katie, tudo, absolutamente tudo. Mas vou precisar que me jure que prometa guardar segredo. Isso pode comprometer muitas pessoas, por isso não citarei nomes.
Com os olhos cerrados ela assentiu, estava ficando assustada com a reação dele, com aquele nervosismo estranho.
–Então nesse caso, você já ouviu falar da Máfia?
[...]
A tarde já estava por ser encerrada, mas as pedras de gelo ainda caiam com força; estavam deitados lado a lado ainda nus, agora cobertos por uma manta de lã. Katie ouvia os relatos com interesse, com medo. Travies era um dos homens aos quais seu primo nunca chegara a prender, a se quer descobrir o paradeiro.
–Meu deus – sua voz falhou, ela tremia de frio e de nervoso... Aquilo significava muita coisa, mas sua curiosidade era maior que seu medo; Katie tinha lá suas semelhanças com a prima Thalia – Uma hierarquia você diz? Como ela seria?
–Nós temos um rei, ele tem uma filha, a verdadeira princesa e herdeira e ela tem suas quatro amigas, irmãs de alma como realmente são. Então temos um rei e cinco princesas.
–Isso parece confuso.
–Você foi convidada pelo rei a conhecê-lo e a sua filha. Devo levá-la até nossa central. Claro que não poderei deixar que você enxergue o caminho uma questão de segurança apenas.
–Claro.
–E como seu namorado...
–Travies, eu não disse que era sua namorada.
Aquilo foi um choque.
–Você disse que me ama. Por algum acaso isso foi uma mentira?
–Não – disse séria – Eu amo você de um jeito que me faz querer explodir – ele sorriu – Mas isso não muda nada.
–Eu te amo... E... E... Bom, você me ama, Katie! O que mais é preciso?
–Muito mais, Travies. Eu não confio mais em você, não me sinto mais segura como me sentia antes, não sinto mais aquele mesmo calor quando te olho... – agora quem derramava lágrimas era ele, lágrimas silenciosas – Se ainda quer que eu fique terá de fazer mais, muito mais por mim.
–O que você quer que eu faça?
–Me dê mais porque isso nunca será o suficiente!
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