Gimme More

32 Capítulo 27


Notas iniciais
Gente o início do cap foi inspirado numa música que meu tio cantava para mim: "O Quinto Vigia" dos Racionais. Xeretando no fundo do bau percebi o quanto curto a letra e quanto tem de semelhante com esta fanfic; se encontrarem trechos similares ou até iguais, não estranhem ;) * a pedido de uma leitora em caps passados, deixei mais ou menos especificado a quantia do roubo.

Capítulo vinte e sete –

Os preparativos sempre são os melhores. Não passamos mais de três dias nos planejamentos: Nakamura nos papéis, os gêmeos disciplinando os recrutas, Clarisse escolhendo as melhores armas, Bianca vendo as melhores roupas, máscaras e apetrechos, Annabeth, Rachel e eu mantínhamos contato com o pessoal da segurança, gerente e outros nomes importantes. Não ia sobrar nada! A Máfia trabalha na correria, o adianto...

Na manhã seguinte, antes do esquema, sonhos embaçados e muito vívidos, estava agitada de um jeito magnífico, a adrenalina pulsando nas veias, podia ver meu corpo irradiando energia. Quando pulei da cama. O celular apitava ao meu lado sobre o travesseiro. Mensagens. Todas em códigos para não atrapalhar. Nós cinco precisávamos de um álibi, nada difícil de conseguir: nós teríamos aula de italiano. Nada da escola, estudos independentes. De acordo com a ligação que a “professora” fizera para o meu paizinho estudávamos a teoria pela manhã e praticaríamos depois fazendo ligações para o irmão dela que morava na Itália, outro professor. Zeus caiu. Hades, Atena e os outros também.

Sai sem chamar a atenção com Paola, a mafiosa que se passara por professora, em seu lindo carrinho branco, depois de beijar a bochecha de cada um dos meus homens. Seguimos realmente para o lugar, a casinha bonitinha na qual ela morava: bem afastada das nossas casas, num bairro desconhecido pelos nossos pais. No porão da casa um excelente esconderijo escondia os Túneis. Annie gostava de dizer que lembravam o Labirinto de Dédalo, das lendas da Grécia, e eu gostava disso. Seguimos apenas nós cinco já que Paola deveria ficar de vigia no telefone caso algum dos pais ligasse; não era uma possibilidade fora de cogitação. Andamos por no mínimo uma hora até chegar a Máfia. Adrian e Ramiro estavam lá para nos receber enquanto Marcos estava resolvendo os últimos detalhes, seguido por Nakamura a pedido meu. Ainda eram 08h40min.

Um bom café da manhã, um descanso de uma hora e seguimos para a sala de roupas. Calções, coletes a prova de bala, camisetas, blusões, coturnos, cabelos bem presos em coques no alto da cabeça. Passamos pelo gás que nos livrava dos nossos habituais odores, pegamos luvas de couro, colocamos lentes de contato amarelas e seguimos para o salão das vigias: uma sala enorme com diversos monitores, coisa que poderia muito bem ser um estúdio de TV do primeiro mundo, mas era muito melhor. Por três TVs víamos nosso pessoal, os “figurantes” do nosso show: estavam lá como clientes comuns, alguns na fila, outros pedindo informações ao segurança e uma falava com o gerente. Só filmavam o movimento.

–Tem um vigia no norte, atrás do pilar. – Bianca apontou para uma das TVs.

–Deve ter uma salinha logo ali atrás; a sala de descanso ou algo assim – relatou Annabeth.

–Já esteve lá meu bem? – Marcos perguntou olhando para mim; apoiei meus cotovelos sobre os joelhos, analisava as imagens com um olhar profundamente analista.

–Não pessoalmente. Mas tenho meus contatos. Nakamura – chamei e o garoto trouxe consigo a planta do local –Aqui e aqui – indiquei no papel e na televisão – Vão ter vigias, por este lado sempre tem a ronda. Na frente do cofre e no interior tem um guarda 24h...

Não demoramos muito. Pegamos nossas armas e apetrechos e com mais alguns homens seguimos para os Túneis. Não andamos muito, saímos em um galpão, entramos em uma van e seguimos já de máscaras que mudavam nossos contornos faciais antes de colocarmos aquela famosa toca preta.

11h17min tudo no esquema, a gente entra em cena!
Quatro homens desceram, rendendo e impedindo a passagem de civis pela calçada enquanto nós cinco mais os gêmeos entrávamos no banco propriamente dito. Porta automática, detector de metal, poderiam ter sido um problema: armados até os dentes destruímos tudo em questão de segundos. Circuito interno de segurança? Desligado.

Bianca e Clarisse atiraram nos primeiros vigias, Annabeth e Rachel renderam os clientes, os gêmeos seguiram para o gerente: a abertura do cofre tem abertura programada, mas o gerente vacilou, eu me encarreguei de matar ou pelo menos ferir os vigias escondidos.

Meu coração estava disparado. Cada um dos reféns de joelhos, mãos na cabeça, rosto abaixado. Era a imagem da submissão. Deus! Estava excitada apenas vendo-os daquele jeito vulnerável. O cheiro de pânico no ar invadia meu nariz de tal forma que me sentia embriagada. Assumi o controle do banco: desliguei os telefones, e acessei o computador, peguei uma média de quanto teríamos nos nossos bolsos e o quanto deveria sair e entrar: tínhamos adquirido três toneladas em notas de cem. Em termos de mil, milhões, bilhões, trilhões, eu nem sabia em que patamar aquela quantia valia; fuçando mais, acessando lugares que o gerente não deveria ter acesso. Ah! Quantos nomes comprometedores... Mais uma arma em minhas mãos.

O som de pneus cantando do lado de fora somado a sirenes me deu a conclusão de que a policia chegara... Um sorriso enorme brotou em meu rosto. Não que alguém pudesse vê-lo. Meu bem existe dez viaturas do lado de fora – a voz de Marcos soou no pequeno aparelhinho em minha orelha – Negocie um bom resgate. Você sabe o resto. – e a voz sumiu.

Peguei um homem de joelhos e ordenei – com a voz bem grossa e irreconhecível – que transmitisse minhas palavras ao primeiro policial que visse do lado de fora. Com uma arma apontada para sua cabeça expliquei-lhe que ele estaria no meio do fogo cruzado, então não deveria correr. Assim que ele atravessou a avenida – com o trafego já interrompido – bem devagar mesmo e transmitiu meu recado voltei para dentro. Acenei para dois dos nossos homens ficarem de vigia nas portas.

O telefone tocou. Eu sorri.

–Aqui é James da policia de NY...

–Poupe apresentações – respondi a voz soando tão rouca e tão grossa – Só falarei com você e com ninguém mais até lá.

–Diga seus termos.

–Quero que traga o oficial Ares Grace.

–Isso...

–Você tem dez minutos para que ele chegue aqui... Ou um refém morre. – desliguei antes que algo pudesse ser dito pelo oficial; para os nossos reféns, disse bem forte para que todos ouvissem, incluindo dois vigias ainda vivo – Acho bom que rezem; se o que eu quero não chegar, um de vocês vai para a casa do caralho.

Sentei e esperei. As princesas ficavam na vigia dos reféns, os homens da confiança de Marcos na proteção, os gêmeos e o gerente tinham sumido. Eu amava ser mafiosa!

Faltavam ainda dois minutos quando o telefone soou novamente.

–Aqui é Ares Grace. – a voz ríspida de meu irmão soou do outro lado da linha – O que quer marginal?

–Não deveria ameaçar os outros seu cusão – éramos instruídas a falar “errado” e usar palavreados mais empobrecidos – Sou eu quem tem em poder diversos civis.

–Acha que...

–Você não se importa com a vida deles, não? Nesse ponto somos iguais.

–Não, não somos.

–Somos – disse em tom risonho – Você só não imagina o quanto. O que eu quero de você oficial para libertar a todos esses pobres inocentes é simples. Não vai lhe custar nada, uma ninharia.

–O que quer?

–O que eu quero – ri – Quero sua pequena e adorável irmãzinha.

Eu gargalhava por dentro, podia sentir e até visualizar cada um dos músculos daquele corpo extremamente forte de meu irmão enrijecer, o maxilar travado o impedindo de falar, a raiva impossibilitando seu raciocínio...

–Você...

–Aqui é Máfia falando, Grace. Você tem dez minutos para se decidir; ligue antes e um refém morre, não ligue morrem dois, esconda a garota do mundo e descobrirá o poder de um verdadeiro mafioso – e desliguei e segui para o fundo onde deveria ficar o cofre, agora vazio, e encontrei o que queria... Voltei e dei o sinal para as meninas. Assoviei e nossos mafiosos vieram para o meu lado; comuniquei que uma bomba iria explodir ao soar do telefone em dez minutos.

Nós demos as costas para eles e seguimos para os fundos. Havia uma saída por ali e um Túnel escondido. Descemos todos deixando um gerente apagado e amarrado. Por que estava vivo? Fácil: ele era um dos nossos... Mas morreria por ter falhado: tentara roubar dos gêmeos. E a Máfia não admite ser roubada principalmente por internos.

[...]

O dinheiro tinha chegado muito antes que todos nós, mas a correria foi total principalmente para mim: tirar cada peça de roupa, tomar uma ducha rápida, vestir minhas roupas normais e passar meu perfume. Beijei Marcos e segui para os Túneis onde eu e as princesas corremos até a casa da mafiosa italiana, havia motos nos túneis a nossa espera. Graças a Deus, os corredores eram largos! Paola nos esperava na entrada, tinha o telefone em mãos e um sorriso enorme.

Saímos no porão, ela já me passando o telefone.

–Alô?

–Filha, onde está? O que está fazendo?

–Calma papai. Estou estudando com as meninas. Paola é uma excelente professora, ainda não começamos a dialogar com o irmão dela, mas estamos prontas...

–Thalia tem alguém suspeito rondando a casa? Alguma coisa...?

–Não tem nada fora do normal. Por quê? O que houve? – me fiz de inocente, as meninas prendendo o riso enquanto subíamos as escadas de volta para casa. Elas riram e começaram a falar sobre moda em italiano. Zeus relaxou por dois segundos.

–Ares vai buscar vocês cinco.

–Zeus! – se eu não soasse nem um pouco revoltada seria enormemente suspeito – Como ousa? Estou no meio de uma aula!

–Sem “mas”. As cinco. Já avisei os pais delas.

E desligou.

–Como foi? – perguntou Paola.

–E 'stato eccellente!

E gargalhamos.

–Claro, tirando o fato de que você vai voltar à prisão domiciliar.

–Nem me digam! Contem-me depois se tivemos total sucesso.

–Claro.

[...]

Depois de deixar cada uma delas em suas casas (Clarisse ficou com Rachel para estudar para as provas) na mansão, Katie tentou sorrir para mim, mas ainda não conseguia por completo; eu não a culpava. Ela aceitara que eu não tivera intenção, que não sabia que ele estava namorando, mas ainda assim deveria doer. De qualquer forma me sentia bem mais leve. No meu quarto decidi por começar uma busca por meus antigos diários. Sim, eu os tinha enumerados guardados em um baú roxo debaixo da minha cama, mas aqueles correspondiam aos meus anos na Máfia e eu queria os antigos. Sendo exata queria meus desenhos de dez anos atrás. Dei uma boa olhada e não encontrei o que procurava, sabia que não encontraria no meu quarto, mas a teimosia e a minúcia de mafiosa me faziam conferir cada detalhe.

Sai do meu quarto e encontrei Teresa, comuniquei o que procurava e seguimos juntas para o porão. Seguimos pela direita passando em frente ao barzinho e ao corredor escondidinho, viramos à direita e atravessamos uma porta. Diversas e longas prateleiras cobriam todas as paredes do cômodo amplo, nela havia divisórias indicando o que tínhamos e a quem pertenciam, como, por exemplo, a primeira espada de brinquedo de Ares ou a primeira de muitas flautas de Apolo. Teresa conduziu-me até a minha área, encontrou uma caixa colorida de formato retangular listrada em cores quentes, havia alguns cadernos e muitas folhas soltas. De acordo com a etiqueta eram minhas tralhas dos meus seis aninhos. Agradeci a ajuda e retornei ao meu quarto, não sem antes notar meu irmão falando vigorosamente com meu pai sobre medidas de segurança.

O clima estava fechado e prometia uma boa geada, por isso fechei minhas janelas. Levai a caixa comigo até o closet, dei uma rápida olhada nas minhas roupas, voltei para o quarto liguei o som bem alto (Nirvana – The Man Who Sold The World) sabendo que meu paizinho não gostava. Bom, era dois em um, pois eu amava! Livrei-me daquela calça e das meias ficando apenas com a calcinha tipo caleçon (com a lateral bem mais larga) e a blusa de moletom, ambos azuis. Deitei sobre o tapete felpudo e comecei a retirar as coisas da caixa: havia álbuns de fotos, fotos soltas, cadernos e livros de escola, desenhos em folhas avulsas e meus primeiros modelos de diário. Olhei primeiro os desenhos: eram coisinhas que me faziam sorrir pensando na minha adorável inocência, desenhos típicos de crianças como casas, árvores e um sol com sorriso. Fiquei segurando o que mais me chamou a atenção: era duas mãos, dois contornos sendo mais clara, a minha mão pequenina e a que eu sabia ser de Apolo. Consegui “acessar” minhas memórias, as lembranças daquele dia em que o fiz e revi também o sonho. Eu sabia que embora a mão fosse de meu irmão, no instante em que fiz o desenho, pensava em meu amigo, aquele sem rosto, que segurou minha mão, beijou minha bochecha e prometeu nunca me deixar...

Antes que eu pudesse pensar em reagir, ou reagir “a que”, fui bruscamente virada de barriga para cima, no meio deste movimento célere demais até para mim, minha calcinha já tinha sido brutalmente retirada e só notei o que de fato acontecia quando outro corpo caiu sobre meu, quando senti as estocadas fundas e lentas e grosseiramente prazerosas que só ele tinha. O prazer nos olhos de Luke era o mesmo que se refletia em meus olhos, mordi os lábios para não gemer e levei minha perna a sua cintura forçando sobre mim de uma forma que delatava muita experiência; ele ofegou em meu pescoço escondendo o rosto ali, as mãos ao lado da minha cabeça, sobre o tapete, faziam força, sustentando seu corpo para não me machucar, para manter o ritmo dos movimentos. Arqueei as costas e uma de suas mãos escorregou até lá, me sustentando, me levando a me mover junto dele. Só deus pode saber o tempo que levamos, sentia o suor se formar em minha testa e o sentia na base da coluna dele onde eu tão delicadamente arranhava, vez ou outra descendo e pressionando aquela linda bundinha, era quando ele mordia meu pescoço demonstrando seu deleite. Esfregava meu corpo no dele, me contorcia sobre seu corpo e apertava seu pau a todo o instante; ainda doía como se fosse a nossa primeira vez, mas era inexplicavelmente prazeroso. Seus gemidos, baixos e roucos, colidiam com meus cabelos e invadiam meus ouvidos de modo a me enlouquecer. Somente quando seus olhos encontraram os meus e nossas bocas estavam a milímetros de se encontrarem, meus gemidos se misturando aos deles, seu hálito descobrindo o meu, minhas costas novamente arqueadas, nossos corpos bem próximos, desabamos os dois já sem forças depois de um excelente orgasmo.

O peso do seu corpo me forçava mais sobre o tapete felpudo, não que ele me impedisse de sentir o chão. Meu corpo tremia assim como o dele e não era de frio; depois de minutos enquanto o entorpecimento ia passando minha completa sanidade voltava: o que eu vinha lutando durante longas semanas era por distância. Se eu não havia chamado e minha família estava histérica com a Máfia atrás de mim como Castellan chegara...?

–O que você está fazendo aqui? – minha voz foi tão ríspida e fria que o senti tenso sobre mim.

–O que você acha, princesa? – ele mordiscou meu pescoço já sensível, empurrei-o forçando-o a olhar em meus olhos gélidos e mortais como o iceberg que afundou o Titanic.

–Não se faça de tonto. Como diabos você chegou aqui?

Levantei-me sem esperar uma resposta vesti a calcinha e peguei um short cinza de pijama já que não tinha qualquer intenção de sair. Agora notei que o som de Lithium me embalava. Enquanto pegava minhas bagunças e as colocava de volta na caixa Luke arrumava suas calças.

–Acredite ou não foi seu pai quem me ligou – o diário que eu segurava caiu com um beque surdo; fiquei pasma e ele sorriu igualmente incrédulo – Pegou o numero com Ares. Disse que tinha interrompido seus estudos e que sabia que você estava irritada e...

–Que ter você como aluno me faria esquecer a raiva que sinto dele? – completei com os braços cruzados; suspirei e guardei o álbum na caixa – Será possível que não exista um único ingênuo nesta casa? – murmurei exclusivamente para mim.

–Você não é ingênua – por isso me surpreendi quando falou. Sorri com descrença.

–Você não imaginaria o quanto é difícil eu concordar com você.

Ele riu.

–Sua língua continua afiada.

–Como se eu fosse deixar de amolá-la – ele riu mais – Não acredito que meu pai te convidou e que você se aproveitou para me estuprar – balancei a cabeça pensando na ousadia dele e tentando manter distancia. Luke pareceu indignado.

–Claro que não! – se aproximou por trás e sussurrou em meu ouvido – Negue que gostou. Negue querer rolar naquele tapete, dessa vez sem a interferência de roupas.

Virei-me encarando-o em desafio. A confiança dele e a malicia desmancharam-se quando em meus lábios o deboche se fez claro, nos olhos eu sabia ter uma dureza cômica.

–Eu. Nego. – disse devagar, cada palavra pronunciada perfeitamente, separadamente, para que não houvesse erro; meu sorriso aumentou – Você não é tudo isso que pensa que é.

Sai do closet calçando minhas meias igualmente azuis e quentinhas. Deus sabia o quão pesado meu peito estava por mentir: a possibilidade de deitar e rolar no meu tapete junto dele era tentadora, inclusive um inicio de tempestade se formava em meu interior, aquele indício de que um vendaval ou um redemoinho se formava no meu estômago e se espalhava com agilidade até que eu me visse descontrolada como naquela noite com Zeus.

–Se não sou assim tão desejável por que então você me afasta?

–Se te afasto é porque você é repulsivo. Por que eu iria querer ter você por perto? O que você pode oferecer a mim?

–Muito, pequena. – ele estava novamente a centímetros de mim, seu rosto bem próximo do meu – Aliás, seu pai teve que voltar ao trabalho, seu irmão também, mas a casa está...

–Vazia e cercada por seguranças. – suspirei e olhei pela janela – Presa de novo.

Fiquei olhando os homens de terno preto e armados circulando pelos limites da casa, alguns andavam mais perto da residência, mas a maioria se encontrava nos muros e portões. Nem percebi Luke se afastar e voltar.

–Hei – ele falou chamando minha atenção; virei e encontrei-o com o desenho da minha mão e da de Apolo – O que isso?

–É bem óbvio.

–Quero dizer, de quem são as mãos?

–A minha é a menor, a outra é de Apolo. Por que a pergunta?

Ele havia sentado em uma poltrona e olhava fixamente para o desenho, tinha uma expressão difícil de decifrar, os olhos reluziam com um brilho que eu nunca antes vira e os lábios pareciam tentar sorrir, quando ele resistia... E lá estava o redemoinho. Deuses! Como eu faço isso parar? Desviei meus olhos dele e procurei algo que pudesse fazer, pegar, qualquer coisa que me distraísse dele.

–Quando você fez esse desenho?

–Com 5, 6 anos, deve ter minha idade no verso. Teresa adorava marcar a data nos versos dos desenhos. Por quê? – ele não respondia, só fazia olhar aquele desenho; claro que ele era diferente, mas somente eu (por culpa do sonho) poderia desconfiar de algo a mais naquele desenho; o brilho naqueles olhos azuis claro era intenso demais – Você ta me assustando, Luke!

–Desculpe – demorou o olhar mais um pouco antes de erguê-lo de volta a mim – Achei bonitinho. Deve definir bem sua relação com seu irmão.

–É, define.

–Então... Sabe, por que você estava revirando aquela caixa com velharia? Você não parece o tipo de menina que vive no passado.

Pensei aonde ele queria chegar e não vi nenhuma maldade na pergunta, claro que o porte dele havia mudado e que o sorriso parecia maior, ainda não conseguia encontrar um motivo para tudo aquilo...

–Tive um sonho bem estranho e quis ter certeza de que ele não era tão fantasioso assim.

–E conseguiu provar?

Levei um tempo para responder. Ainda queria olhar aquele caderninho do Stitch e ver se eu escrevera algo sobre o assunto. Claro que uma menininha de seis anos dificilmente saberia escrever bem. Vendo o desenho ainda na mão de Luke e lembrando aquele sonho estranho eu sabia que tinha fundamento e que uma parte do meu passado fora colorida por um menino cujo nome eu não sabia, cujo rosto me era negado lembrar.

–Acho que sim.

O sorriso dele aumentou.

–Que bom. – pegou sua mochila caída no chão – Vamos estudar? Falta pouco mais de um mês para as provas. – meia hora depois estávamos nós dois discutindo geometria e dividindo uma manta, eu fazendo o possível para ignorar nossa proximidade e ele... – Lia – ele suspirou baixinho com os olhos fechados; quando os abriu cintilavam – Não me afaste mais. Não suporto te ver tão distante. Não me afaste!

Não consegui responder. Quando abri a boca para dizer nada em especial, meu celular vibrou. Uma mensagem. De Clarisse. Duas palavras. E uma enorme emoção.

Deu certo!

Ficar trancada em casa não seria tão ruim assim. E com Luke eu podia lidar.

Notas finais
Se houverem duvidas provavelmente serão respondidas no próximo cap. Sugestões? Ideias? Pedidos? ... Que tal mais um Hidden na linha de postagem? rsrsrsrs, me digam!