Gimme More

34 Capítulo 28


Notas iniciais
Então já vou deixar avisado que minhas provas estão para começar e eu já me ferrei em uma matéria. Tradução: a fic vai ficar algum tempinho sem a devida atenção. Mas quando eu voltar compenso vocês por tudo, okay? Perdoem já essa minha demora:

Capítulo vinte e oito –

Foi complicado encontrar uma roupa apropriada. Quase todos os meus agasalhos eram de marcas famosas ou muito caras ou ambas e isso eu não queria. Vesti os jeans, calcei as botas e encontrei um suéter sem marca, simples e de cor neutra. Não levaria nada que não fosse meu celular no bolso da calça. Sai do quarto prendendo duas mechas finas de cabelo e deixando que os cachos caíssem por minhas costas.

–Querida, aonde vai? – a voz de Teresa me fez virar.

–Vou ajudar uma ONG a distribuir agasalhos e comida quente aos necessitados. Amanhã devo passar à tarde em um asilo.

–Nunca vi tão nobre coração – suspirou – Não é melhor pegar luvas? Está bem frio lá fora...

–Não há necessidade.

–Vem vindo uma nevasca por ai, talvez...

–Bom, não vou de carro, vou caminhar. Estou com o celular antes que pergunte e não sei que horas devo retornar, mas, por favor, não se preocupe.

–Seu pai e seu irmão colocaram você sobre alerta e... – abracei-a, nutria um carinho muito forte para com aquela mulher que verdadeiramente se preocupava comigo.

–Nada me acontecerá.

Saí pela porta da frente e senti o frio pesar no ar. Passei pelos portões com dificuldade então senti o gosto da liberdade, deus! Estava tensa sem um motivo aparente: o plano com Ares havia corrido perfeitamente; agora sabia cada um dos passos dele e de seus homens e dos subalternos e qualquer um que tivesse passado pela carreira militar. Claro que poderíamos simplesmente ter invadido seu escritório, mas francamente! Somos a Máfia! Não nos contentamos com pouco. Mal havia saído do bairro quando encontrei o carro preto a minha espera.

–Princesa – o cumprimento em si já era respeitoso, mas na voz daquele homem cujo nome mal lembrava me fazia sorrir – Vai mesmo nesse evento?

–Vou, mas logo te encontro na esquina em frente à livraria. Não saia de lá – dei o comando enquanto ele ainda dirigia pelas ruas escorregadias. Deixou-me e sumiu dos meus olhos. Fui bem recebida pelo pessoal responsável pela organização e servi como voluntária distribuindo agasalhos, pratos com sopa quentinha e um sorriso, no que sempre recebia outro sorriso de volta. Não havia passado nem uma hora ajudando aqueles que precisavam quando ouvi o primeiro clique. Deveria ter muitos fotógrafos e jornalistas escondidos naquela cena; conseguia até imaginar os títulos e os discursos que passariam na TV na manhã seguinte: Grace auxiliando ONG ou sabe deus o que mais conseguiriam inventar para a “menina perfeita”. Passadas duas horas e meia despedi-me e despistei o tolo fotografo que achou que eu não o havia notado. Meu motorista me esperava.

Ele deixou-me na Garagem, um lugar como um estacionamento vazio e fechado, totalmente abandonado no qual as cinco princesas ensaiam e discutiam o futuro da boate desde sempre.

–Pensamos que não chegaria nunca! – resmungou a ruiva.

–Deus sabe a confusão que foi sair despercebida – devolvi.

–Bom, vamos começar – Bianca deu três pulinhos – Pensei em temas.

–Eles já entraram em vigor. – Annie falou enrolando um cacho nos dedos – Já foram duas apresentações temáticas: uma no estilo carnaval brasileiro e outra estilo... Qual foi mesmo? – perguntou olhando na direção de Clarisse.

–Estilo maloqueiro, sabe? Ai droga! Esqueci o nome. – afastou a franja; estalou os dedos – Street Dance.

–Hoje a noite é especial do Japão. – comentei.

–Hum, gueixas... – a ruiva suspirou e se insinuou nos fazendo rir.

–O que vai ser dessa vez? – perguntei vendo a ansiedade nos olhos de Bianca. – Nossa apresentação é semana que vem.

–Que tal bancarmos as indianas? O véu translúcido cobrindo o rosto e parte dos cabelos e lingeries minúsculas, saltos poderosos, tatuagens, jóias...

–Gostei. Vamos votar. Alguém discorda? – ninguém se manifestou fazendo Bianca rir em entusiasmo – Vamos coreografar?

As coreografias geralmente eram iguais para todos nós quando envolvia algum tema, sempre tinha uma mudança ou outra, mas a maior parte era igual. Ainda naquele dia conversamos com as costureiras e estilistas, alertamos as meninas da dança e resolvemos o problema. Claro ainda teríamos mais a resolver durante a semana, mas o grosso já estava encaminhado. De lá seguimos para o “quartel-general” da Máfia, aquele edifício que eu tanto admirava, estava bastante frio, mas nem isso era capaz de abalar nossos espíritos livres; Bianca em especial parecia quase voar, o sorriso mais maldoso, os olhos mais brilhantes, a expressão inegavelmente feliz. Antes de tudo me encaminhei ao vestiário trocando as roupas de frio por legging e camiseta preta, as botas substituídas por tênis, os cabelos presos de forma displicente no alto da cabeça.

–O que tem para mim hoje, Quíron? – aquele homem era o nosso, ah, mestre de armas. Tão brilhante, tão genial que os próprios deuses deveriam invejá-lo por tanta sabedoria e conhecimento; Ares e sua escolta de cachorros mal alimentados por melhor que fossem nunca chegariam naquele nível. Era tão chegado a Marcos que eram irmãos inseparáveis, em uma fuga algo havia dado errado e meu pai acabou em perigo, Quíron foi baleado naquele dia. A política da Máfia não falha e não admite desculpas: nosso mestre não foi deixado para trás apesar dos pedidos constantes. O ferimento era sério e deixou sequelas: Quíron não pode mais andar.

Meu instrutor jogou uma espada longa.

–Armas chinesas, princesa. As outras virão?

–Acredito que não.

–Então comecemos com o nome e a história.

–Depois treino? – ele sorriu calorosamente.

–Mas é claro. – ele se moveu na cadeira de rodas sem olhar diretamente para mim, como um professor desinteressado faria – Isso na sua mão é um sabre, também conhecido como dao é uma das quatro armas essenciais. Na China é conhecido como “a coragem de todos os soldados”. A lâmina é levemente curva e... – e assim prosseguiu minha aula. Quíron parecia ter o dom de ser o melhor professor de todos os tempos: havia gentileza em sua voz, calma, mas não monótona, rigidez sem faltar flexibilidade, havia nítida paixão pelo que fazia e carinho incondicional para com seus alunos. – Princesa, não tenho mais tanta habilidade como tinha antigamente, por tal razão lhe peço perdão, pois convidei alguém que tem tanto conhecendo quanto eu, talvez mais se tratando de armas asiáticas.

–E quem seria esse? – meu instrutor fez um gesto e ele apareceu saído das sombras. Estava vestido com as roupas de treino, os cabelos escuros por cortar caiam na testa, o tapa-olho dava-lhe um ar de mistério e o sorriso não era nem tímido nem atirado como o dos gêmeos, era algo entre o respeitoso e o divertido.

–Nakamura – ronronei como um felino, de repente a tarde ficara ainda melhor. Notei o rubor em suas faces; Quíron não se importou. – Não me contou que conhecia as armas. – fiz soar como uma acusação, não que o tom sensual tivesse desaparecido: era aquela combinação de perigo e sensualidade que Marcos e muitos outros mafiosos diziam ser fatal.

–Não chegou a perguntar, também não vi oportunidade de contar que minha família tem um gosto bastante tradicional.

–Então foi treinado?

–Com rigor. – pegou a espada semelhante a minha, mas que estava nas mãos do professor, girou-a e segurou-a como se fosse parte de seu braço, sem que notasse – E a senhorita? O quanto conhece essas armas?

–Não conheço muito. Também não conheço pouco – percebia seu olho escuro brilhando em interesse, em fascínio – Não me são estranhas, mas posso confessar que prefiro as armas gregas às chinesas.

–Questão de gosto e origem. Não me surpreende.

Quíron orientou a nós dois durante vinte minutos iniciais, depois deixou-nos a sós sob o tatame e sumiu indo para longe de nossos olhos. Nakamura era muito bom, mas temia tocar em mim, mesmo sendo algo didático. Tentava mostrar-me os movimentos, descrevê-los e sempre que algo exigia o nosso toque direto ele receava. Depois do que me pareceram longas horas (duas no total) desarmei-o e joguei-o sobre o tatame “caindo” logo acima dele. Se antes nossas respirações eram aceleradas, agora ainda eram irregulares e insuficientes.

–Senhorita... – gemeu ele; havia tantos sentimentos, tantas sensações embaralhadas naqueles olhos escuros, aquela submissão...

–Algo errado, Ethan? – delicadamente forcei meu corpo sobre o dele; os seios pressionados contra um peito razoavelmente forte, logo senti algo crescer entre as pernas dele bem pertinho da minha intimidade. Meu tom de voz não entregava nada: de forma lenta deslizei um pouco para baixo, sem nunca deixar de tocá-lo, voltei subindo com a mesma lentidão deixando que sua evidente ereção roçasse em minha barriga e logo em seguida no lugar onde ela poderia se encaixar. Ele gemeu. – Você está pálido – disse sorrindo e arranhando seu pescoço, sabia que estava usando mais força do que devia e que ele ficaria bem marcado, mas e daí? Não era como se eu me importasse. Rocei meus lábios nos dele e suspirei misturando nossos hálitos, escutando o suave gemido. – Quer alguma coisa?

–Eu... Eu – gaguejou e perdeu a voz; era tão fofo quanto Nico, mas naquele caso eu duvidava da virgindade. Muito pelo contrario, algo em minha essência dizia que ele era bem experiente. Peguei suas mãos tremulas e as conduzi até minha bunda, deixei que ele deslizasse os dedos e desse suaves apertos. O brilho no olho se intensificou deixando o desejo bem mais evidente – Por que está... – suspirou quando pressionei seu membro outra vez com minha intimidade – Está fazendo isso comigo?

–Tem sido um bom menino, Ethan, e bons meninos são premiados – subi meu corpo e beijei-lhe brevemente o pescoço, então voltei a olhar em seu rosto – Acha que nunca notei o quando me quer? Isso não é algo que eu permita com frequência, apenas dois nesse edifício já me tiveram. Então, meu querido submisso – com força o suficiente para o gemido dele ser alto sentei-me sobre seu pau duro e “esfreguei-me” dando maior liberdade ao toque; ele sentou-se para ficar mais próximo de mim – Você quer ser premiado ou não quer?

Sua boca chegou à minha ferozmente, havia muita intensidade naqueles toques, ele não lutava contra ser dominado, era sem nenhuma contestação submisso; parecia só aumentar a força com a qual nos pressionávamos um ao outro. Sua mão encontrou a barra da camiseta e por ela subiu soltando o sutiã e apertando o seio esquerdo, os dedos calejados beliscando o mamilo enquanto minha mão por cima da blusa o estimulava a apertar mais. Queria força e dor, não delicadeza. Em algum momento levantamos e corremos para o banheiro do vestiário: minhas costas contra a porta, minhas pernas envolvendo sua cintura e o vai e vem dos corpos com violência.

[...]

–... Então eu estou organizando uma festinha junto aos meus “pais”, sabe? Nico vai ficar maravilhadamente acanhado com a festinha de aniversário – Bianca falava enquanto caminhávamos para nossos respectivos quartos ainda na Máfia; ela puxou-me para dentro do seu e continuou a conversa animada que travávamos – Deuses! Já te agradeci?

–Pelo que?

–Nico é simplesmente divino no sexo – minha cara de safada a fez rir – Ai, pensei que nunca teria um homem com capacidade de fazer o que ele faz e ainda é mais novo!

–Tirar a virgindade de um garoto tem que ser de certa forma um marco, precisamos fazer o serviço bem feito para que recebamos em troca um serviço divino, não acha?

Gargalhamos e nos jogamos no colchão, onde a cara de pervertida de Bianca sugeria um pouco mais:

–Pensei em darmos um presente em conjunto e especial para ele – compreendi na hora e amei a ideia.

–Você tem uma mente safada, querida – ela riu – e eu adoro isso!

Ainda naquele dia, antes de voltar para casa, Marcos encarregou-me de organizar o transporte e a passagem de algumas toneladas de drogas, nem me importei em saber quais eram elas; cuidaria disso depois. Em casa voltei a me vestir com roupas quentinhas e confortáveis, não tinha mais intenção de sair. Em função do tédio minha audição parecia ainda mais apurada... As vozes vinham da sala. Conhecia uma delas a outra me era estranha. Ótimo! Resolvi bancar a espiã. Calcei as botas ugg e segui até a escada: Hermes e uma garota ruiva conversavam. Mas como eu faria para descer? Voltei pelo corredor dos quartos e desci pela outra escada que dava para o fundo da casa, de lá segui para o galpão de minha mãe e para meus túneis. Havia uma parte daqueles “buracos” que apenas Marcos tinha conhecimento pleno: era como aquelas coisas de filmes: uma base operação e espionagem, tão completa quanto à da nossa sede. Microfones e câmeras tinham sido estrategicamente espalhados por toda a minha mansão inclusive meus túneis; eu não brincara quando dissera que conhecia cada detalhe do que acontecia em minha casa.

Coloquei os fones, dei zoom na imagem da sala de estar onde eu podia ver os dois por diferentes ângulos nas diversas televisões. A menina não tinha o ruivo impressionante de Ártemis, era um alaranjado liso talvez sem graça, as roupas eram as mais básicas: jeans e um casaco sem qualquer marca; gostei dela apenas pela simplicidade. Hermes por outro lado tinha a expressão quase maliciosa, porém devidamente contida.

–... Querida, não sei se te entendo.

–Claro que não entende. Continua o mesmo presunçoso que me lembro. Simplesmente odeio isso em você.

–Eu não me lembro disso – chegava mais perto dela sussurrando na orelha e a mordiscando em seguida – Você sempre se derreteu por mim.

–Não era eu que enviava cartinhas de amor – ela desdenhou; gargalhei alto. Aquilo era demais. Cartinhas de amor? Hermes estava perdido na minha mão. Meu irmão se retorceu e derrubou-a no sofá, pude ver claramente a força que ele fazia sobre ela; a moça ofegou, não sei dizer se de prazer, dor, susto ou uma mistura disso.

–Hestia, Hestia... – que nome adorável... Eu a conhecia? – Você precisa ter cuidado como fala. Não sou qualquer um. – ele rosnou. Senti vontade de subir e estapeá-lo por tratar uma mulher de maneira tão grosseira: ele não era superior! Mas não precisei. Eu conhecia Hestia... E ela a mim.

A moça de corpo pequeno e de caráter simples jogou meu irmãozinho no chão invertendo as posições, mordeu o lábio dele e rosnou deslizando os lábios sobre os de Hermes.

–Acho que é o contrário. Não sou uma das putas ou desesperadas por dinheiro que vai fazer o que você bem quiser. Você me convidou, eu vim então me trate com a devida cortesia se quiser mesmo me levar para sua cama.

Gargalhei. Uma resposta a altura... Uma resposta mafiosa. Hestia era uma mafiosa, uma daquelas que não fica muito na sede, mas em uma das filiais mais afastadas. Foi um prazer conhecê-la no auge dos meus 13 anos. A menina fora colega de classe de Hermes e, ao que tudo me indica, rolava um climão entre os dois.

Rolava um beijo que me deixou com inveja, era forte e bem violento de um modo que eu não esperava de Hermes. Deuses! Eu estava em chamas mesmo já tendo me divertido com Nakamura que não era nenhuma decepção.

–Alguém pode nos ver assim – disse ela.

–Não.

–Sua irmã...

–Não se preocupe. Ela está no quarto, mas quer saber? – ele se levantou levando-a com ele de forma brusca – Prefiro você no meu quarto.

Deixei de me importar com os dois; não eram mais úteis, mas rabisquei uma anotação sobre as cartinhas de amor, me seriam úteis depois. No meu quarto, sobre a escrivaninha abri dois mapas, peguei meu caderno e um lápis, abri no MacBook a tela na qual eu via cada uma e todas as rondas de militares em maior ou menor escalão. Dali sairia um plano perfeitamente executado no transporte das drogas para o porto e dali para o restante do mundo.

Comecei a fazer o inventario quando percebi que não havia visto Zeus em momento nenhum desde que ele tão delicadamente me arrastara para casa e convidara Luke uma semana atrás. Talvez ele estivesse trabalhando mais... Ou correndo atrás da vaca. O que será que tinha acontecido com ela?

Moonbean pulou em meu colo e me confortou. Era um demônio a menos na minha vida; finalmente meus pesadelos com aquela mulher terrível teriam fim... Agora era fazer parar os sonhos com o menininho.

Notas finais
Como ficou????