Gimme More
35 Hidden
Notas iniciais
Hidden 3 – Percy Jackson
Era o terceiro fim de semana que Perseu recorria ao campo. Gostava do cheiro da grama e da terra, gostava mais ainda do cheiro dos cavalos. Blackjack, um perfeito exemplo de Frísio: de pelo extraordinariamente negro, temperamento dócil e bastante robusto, estava sendo usado como modelo para um comercial de alguma marca famosa. Surpreendeu-o saber que a modelo, uma delas, lhe era conhecida: Silena Beauregard, uma das beldades de seu caríssimo colégio. Naquela manhã ela usava um vestido longo de alguma marca que ele não conhecia, mas que soava como um miado de gato. O menino observava enquanto ela conduzia seu melhor cavalo pelo trecho mais atraente.
Na verdade o rapaz era contra usarem animais para esse tipo de comercial; fez a madrugada do pai virar dia quando descobriu o que Poseidon planejava fazer com o seu cavalo. Não que ele estivesse sendo maltratado, mas Percy não queria. Claro que as coisas se acalmaram quando o pai prometeu-lhe mais da metade do cachê. Afinal, o cavalo era dele.
–Percy – chamou Silena; ele segurou as rédeas e auxiliou-a a descer. Não que ela não soubesse, Percy ficou pasmo quando notou a excelente amazona escondida sobre uma menininha fútil, mas aquele vestido parecia dificultar muitas coisas para ela – Obrigada. Sabe se minha mãe ligou? Ela disse que telefonaria...
Perseu sempre julgava que a mãe fosse parecida com a filha: as maçãs do rosto bem definidas, os lábios como delicados e rosados botões de rosa, os cabelos em longas e sedutoras ondas da cor de chocolate derretido e os olhos de um tom pálido de violeta. Havia diversas especulações a respeito de Silena ser uma meio-irmã da famosíssima Afrodite. A mãe da sua colega, não se lembrava do nome no momento, estava em Milão aposentada das passarelas, mas dona e dirigente de alguma marca bombada, nunca fora tão afetiva com a filha.
–Não. Ninguém ligou, Si. Podemos tentar entrar em conta...
–Ela não atenderia. Muito obrigada mesmo assim, Perseu. – beijou-lhe a bochecha demoradamente e seguiu para onde outras modelos estavam indo.
–Vamos rapaz? – perguntou ele acariciando a crina negra do animal – Vou te dar de presente alguns torrões de açúcar – o cavalo relinchou feliz enquanto o cavaleiro ria do próprio animal.
Uma hora mais tarde quando aquele povo esnobe foi embora, montou no cavalo e saiu a galope pela campina indo muito além das terras pertencentes a seu pai. A mente fixa em Silena, no relacionamento dela com Charles. Para os dois era fácil, era bonito e verdadeiro. Por que a menina que ele queria tanto o torturava? Sabia que era algo próximo ao amor, tinha certeza. Então por que ela teimava em não ceder a ele? Fazia tanto tempo desde que sentira o calor dela entre seus braços...
Precisava dela. Precisava esclarecer as coisas. Não aguentava mais sofrer como um cachorro nas mãos daquela que se fazia inalcançável.
Virou as rédeas e levou Blackjack de volta a fazenda.
[...]
A tarde estava fria; o céu nublado parecia refletir na cidade todo aquele tom de cinza. Ele andava distraído por um jardim que não era o seu. As mãos suavam denunciando seu nervosismo, mesmo assim tratou de disfarçar e colocar um sorriso sem vergonha na face. Esperou até que ela viesse abrir a porta.
–O que você está fazendo aqui? – vestia uma blusa de tricô branca, calças legging com estampa tribal em tons de rosa claro e botas ugg. Os cachos loiros caiam displicentemente sobre um dos ombros; a menina conteve um bocejo.
–Combinamos de estudar. As provas chegam daqui menos de um mês, Sabidinha. Você me convidou.
–Deuses! – sussurrou – Desculpe Percy! Esqueci-me. Entre.
Ele gostava muito da mansão de Atena, sabia bem que mesmo não compreendendo, cada detalhe tinha significado, era tudo detalhes e perfeição. Percy não era bobo, percebeu logo de cara o silencio que emanava das paredes.
–Como está quieto aqui...
–Estou sozinha em casa. – respondeu Annabeth indicando que ele se sentasse no sofá; subiu as escadas e retornou com a mochila – Atena não vai voltar até as 23h00min e eu dispensei a empregada por hoje.
–Você não gosta dela, não é? – ele se lembrava bem da mulher fria e feia que era Aracne; se lembrava ainda mais de como a mãe da loira o detestava. Ele chegou a suspeitar que ela namorara com seu pai na juventude, mas logo descartou a hipótese: era absurda demais.
–Ela é assustadora! – o menino riu; não percebia que quando ria duas covinhas bastante adoráveis surgiam em seu rosto quase infantil. Annie ficou perdida na risada e concentrada nas feições amistosas do garoto. Percy percebeu o olhar dela com atraso; ficaram ali se encarando até que Annie quebrou o silencio constrangedor – Quer começar estudando o que? Lembro que estávamos estudando a 2ª Guerra Mundial... – ela abria um livro bastante grosso sobre a mesinha de centro.
–Annie – a voz soou tão baixa aos próprios ouvidos que tentou novamente – Por que fez aquilo?
–Fiz o que, Jackson?
–Até quando vai manter esse joguinho de indiferença? – ele se lembrava bem da tarde no iate com Thalia, na selvageria com que brincaram juntos. O motivo para aquilo era aquela loira. Annabeth parecia fazer questão de aparecer com um menino novo toda semana e sempre Perseu os flagrava aos beijos. Naquela tarde havia sido um tanto quanto pior para o apaixonado: o rapaz junto dela beliscava um dos seios enquanto a mão subia por debaixo da saia.
–Eu não faço... – Derrubando-a sobre o tapete felpudo e se colocando sobre ela, calou-a. Pegando um cacho entre os dedos e analisando a cor quase dourada – Percy!
–Você está me matando de ciúmes. – a voz rouca fez com que ela estremecesse; Perseu sentiu e pressionou seu corpo contra o dela. Podia sentir o coração acelerado da moça, os seios redondos contra seu peito, queria desesperadamente tocá-la, livrá-la de todos os outros que se atreveram a encostar-se a ela – Não suporto mais esse joguinho.
–Eu não...
–Vai dizer que não era isso que queria? Negue Annabeth. Negue que me queria assim. Negue me querer morrendo por suas mãos.
Aqueles olhos ricos em prata cintilaram, os lábios rosados se abriram, mas nenhum som saiu. Abaixando o rosto, percorrendo a curva do pescoço ao ombro com a ponta do nariz, fazendo-a suspirar, concluiu:
–Você me quer, não? Diga que não me quer. – beijou suavemente o pescoço, lentamente, para que ela se sentisse sendo torturada; apertou a curva da cintura – Diga quando eu devo parar... – beijou a bochecha, a mão subindo sobre a blusa, mas já mais próxima dos seios, beijou o queixo, então estavam se olhando nos olhos. Verde e cinza. Esmeralda e prata. Uma cor perfurando a outra, uma alma tentando desvendar a outra... Annabeth puxou-o pela nuca, não com força, não com rapidez, tão pouco agressivamente. A leveza, o carinho naquele gesto foi refletido no beijo. Perseu sugava aqueles lábios úmidos e doces enquanto a segurava pela cintura e costas. Suspirou quando ela prendeu seu lábio inferior por longos segundos com os dela própria. Arrepiava-se quando ela deslizava as unhas pela nuca antes de entrelaçar os dedos nos cabelos pretos e rebeldes. Aquela boca, aquela língua esguia, tinha gosto de café, forte, marcante, viciante. Inclinou a cabeça para o lado para melhor explorar os cantos de sua boca, enquanto Annie puxava delicadamente sua orelha.
Afastaram-se, respirando profundamente, os olhos de ambos reluzindo em um desejo passional, os olhos verdes escureceram, os acinzentados se aprofundaram mais.
Não havia palavras que Annabeth dissesse que pudessem afastá-lo, ela tão pouco queria que ele se afastasse.
–Se... Se eu te pedisse algo, você faria? – perguntou em um sussurro fechando os olhos e ao abri-los, tê-los quase reluzindo.
–Claro – respondeu Percy ainda admirando aquela boca tão desejável.
–Me abraça bem forte – o pedido o surpreendeu; deitou-se ao lado dela no tapete e a puxou para junto de si em um abraço apertado. Ficaram ali por longos vinte minutos apreciando o calor que ofereciam um ao outro – Por que veio, Perseu? – ela sussurrou com a voz agoniada.
–Eu só queria que você se importasse comigo metade do que eu me importo com você. Mas, sabe, a gente sempre gosta do que não pode ter.
–Você está certo. Você não pode me ter. – ela levantou-se e correu para o quarto. Pensava na Máfia, em Travies e na prima de Thalia, sabia que não podia ter uma relação fixa e duradoura com ninguém, conformara-se com isso há anos, mesmo sempre tendo sonhado com um grande amor eterno como menininhas ingênuas, mas conformara-se, pois gostava da vida que levava; ter um homem diferente a cada semana não era ruim como pensara no inicio. Maldito seja Jackson por lembrá-la e fazer com que sentisse novamente a ingenuidade e a pureza da inocência. Sentir-se-ia eternamente pequena e indefesa naqueles braços. Bateu a porta do quarto, mas não conseguiu trancá-la: Perseu havia entrado e a tomava nos braços mais uma vez levando sua boca a dela com mais agressividade, jogou-a na cama colocando-se em cima e foi esfregando seu corpo no dela até que ambos clamavam pela nudez. Primeiro os sapatos, depois a calça dela, a blusa dele, a blusa dela, a calça dele... Pararam. Em silencio Annie se livrou de Jackson, caminhou em direção a suíte e deixou a banheira enchendo, voltou para os braços daquele moreno tão amável e retomaram os beijos longos, lentos e profundos.
Perseu delicadamente deixou-a de bruços sobre o colchão, afastou os cachos dourados e a partir do pescoço desceu um caminho de beijos e chupões nas costas, quando chegou à barra da calcinha parou tirando primeiro a sua boxer depois aquela delicada peça de renda. Quando se posicionou dentro dela ofegaram os dois; deitou-se sobre ela, abraçando-a com carinho e suspirando em sua orelha. Annabeth não conseguia pensar de forma racional; seus pensamentos estavam todos naquele menino tão lindo, tão lerdo, tão dela... Ele apoiou uma mão sobre o colchão e começou os movimentos lentos, porém fortes. Annie sussurrava o nome do amante com tamanho desejo que Percy não resistia. Pensando nela, envolveu-a com os braços e virou deixando sentada. Ainda admirando as costas dela e deixando que ela se mexesse, ele soltou o fecho do sutiã e deixou que caísse no chão. Quando em meio a um gemido Annabeth inclinou a cabeça para o lado, ele chupou-lhe o pescoço para deixá-la marcada, levou logo em seguida a mão para um seio contornando o mamilo, depois beliscando, apertando. A outra mão que se encontrava na cintura auxiliando-a a manter o ritmo escorregou pela coxa e logo encontrou o destino desejado. Annie gemeu mais alto quando Percy introduziu um único dedo, virou o rosto e encontrou desejo e dor naqueles lindos olhos verdes. Os lábios voltaram a se encontrar... Outro dedo, ela contorceu-se suspirando nos lábios dele. Enquanto se movia tanto aquele pau quanto aqueles dedos satisfaziam-na a ponto de sua visão escurecer em prazer. O beijo mais intenso, mais profundo, mais forte, nunca agressivo, nunca rápido. Ela pressionava a mão que lhe acariciava o seio enquanto utilizava a outra para se apoiar no colchão.
Mais dois minutos e gozaram: ela primeiro, Perseu depois. Soltando-a, lambendo os dedos úmidos e sentindo o sabor dela, sorriu satisfeito. Observou-a em seu estado: os cabelos grudando no rosto, os lábios entreabertos, os olhos fulgentes em... Carinho. Apoiou-a com uma mão nas costas, roubou-lhe um beijo suave e caminharam de mãos dadas até a banheira já cheia onde se amaram mais uma vez. Abraçados ainda debaixo d’água conversavam:
–Você não negou – ele sussurrou – Por que não diz que me ama? Por que não admite que seus sentimentos por mim sejam únicos?
–Eu não posso, Perseu. Simplesmente não posso – a Máfia vinha em primeiro lugar e ela compreendia bem que um relacionamento com alguém de fora seria doloroso e curto. Revia toda a dor de Travies em seus pensamentos. Annie não suportaria.
–Você me ama?
–Percy, por favor! – choramingou ela.
–Só diga então que não me ama. Que jamais iria ficar comigo. Diga e irei embora da sua vida para sempre! – ela afastou-se o olhando nos olhos. Os verdes olhos dele estavam marejados, tristes. Perseu não soube como agir de imediato, ficou em choque apenas admirando a força, a determinação, a segurança nos olhos dela.
–Isso nunca! – a felicidade não conseguiu desfazer a surpresa, o choque de vê-la como a menina realmente era. Sabia que não estava vendo a doce e meiga Annabeth da escola, aquela menina era outra bem diferente. Era mafiosa, embora ele não soubesse.
Apertou-a contra si em um abraço reconfortante.
–Então o que nos impede de ficar juntos?
–Seria arriscar minha vida inteira! Não posso colocar você acima de coisas as quais não compreende, Percy. Você nunca estaria apenas comigo... Existem muito mais peças envolvidas neste tabuleiro!
O silencio predominou por longos minutos. Percy apoiou o queixo na cabeça da moça que descansava o rosto no peito dele ouvindo as batidas daquele coração que por direito era dela. Quando pensou ter encontrado a solução, pelo menos temporária, voltou a falar:
–Então – respirou fundo e soltando o ar continuou – Annabeth, você aceita ser minha namorada em segredo? Ninguém saberá sobre nós, nem os melhores amigos, nem os pais, seremos fiéis um ou outro sem jogos de ciúmes... Aceita ser minha assim? Aceita ser meu refúgio como espero ser o seu?
Passaram longos três minutos até que ela se recostasse ainda mais nele.
–Aceito, Perseu. Eu aceito.
[...]
Quando entrou em casa, ainda estava com a cabeça leve. Atena tinha chegado e encontrado os dois estudando história geral na sala, delicadamente expulsou-o afirmando que não era saudável estudar até tão tarde e prejudicar uma noite de sono. Annabeth beijara demoradamente sua bochecha e assim ele fora. Agora, quando passava por sua sala, já retirando a jaqueta ouviu passos firmes e fortes. Poseidon. Droga! Estou ferrado!
–Pensei que tínhamos um acordo, Perseu Jackson. – a voz soou tão imponente e agressiva que os encantos que sua Annabeth deixara nele desapareceram instantaneamente – Você não perde um único treino de natação e eu não me importo com as besteiras que você faz ou deixa de fazer.
–Pensei que essas besteiras poderiam enquadrar um único treino. – respondeu secamente. Não queria estragar a noite daquele jeito.
–Não me provoque! – Poseidon já era bastante alto, mas parecia crescer conforme sua raiva – Não existe desculpa para o que você fez – Percy bufou; idaí que tinha matado o treino de natação? Seu coração mandara-o de encontro a Annabeth e nada mais importava a partir de agora – Essa falta de compromisso tem acabar! Campeões não têm esse tipo de comportamento. Está cada vez mais irresponsável!
–Quem disse isso? – perguntou, a voz engrossando devido sua própria raiva.
–Acha que seu treinador não me comunica seu desempenho? Como espera competir estando tão...
–Eu não quero competir. Nunca quis. Isso é o que você quer de mim.
–Não pense que vai escolher seu destino, menino. – desdenhou o pai – Você nasceu para viver na água.
–Talvez. Mas posso ser um biólogo marinho.
Poseidon gargalhou.
–Você não tem condições para seguir esse tipo de carreira, meu filho. Você não é muito esperto, suas notas...
–Minhas notas baixas são culpa da sua negligencia. O que esperava do meu boletim quando eu não tenho tempo para estudar, pois passo a maior parte da tarde e da noite aprendendo a ser um peixe?
Não era a primeira vez que discutiam, mas fora sem dúvida a mais agressiva, pois a conversa continuou até que Sally viesse interferir. Poseidon deixou o aposento e tentou começar uma conversa com a esposa sobre a Máfia e... A Máfia... De repente a Máfia parecia um paraíso, parecia um refúgio. Se ele pudesse entrar... Se pudesse ajudar aquelas pessoas tão extraordinárias... O simples prazer de fazer algo grande nas costas de Poseidon... Precisava saber mais. Necessitava abandonar aquele mundinho fútil no qual vivia e encontrar um rumo... Precisava da Máfia... Talvez a Máfia também precisasse dele.
Mas ele já colaborava. Talvez não diretamente, mas era ele quem permitia o envio de muitas drogas pelo mar...
–Carlos? – falava ao telefone – Libera dois navios hoje. Poseidon não vai prestar atenção ao movimento hoje.
–É assim que se fala, rapaz! – riu o outro do outro lado da linha – Daqui a duas semanas no máximo uma carga de excelente qualidade chega, chefia...
Perseu riu consigo mesmo enquanto jogava-se na cama. Precisava de mais... Aquela vidinha ridícula na qual o pai queria que vivesse jamais seria suficiente.
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