Gimme More

29 Capítulo 25


Notas iniciais
Primeiro preciso me desculpar por esse pequeno atraso; não foi (nunca será) algo proposital u.u MAS já vou deixar avisado: minha semana de provas está para começar e o horário das provas ficou péssimo. Como pretendo ir melhor no 1º semestre e não me estressar no 2º preciso mesmo me dedicar um pouco mais. Então vou ficar no mínimo duas semanas sem voltar com um cap novo. ... Mas não quer dizer que não vou parar de "criar", hehehehe. Enfim, este é o cap mais dramático desta fanfic; sinceramente fiquei chocada comigo mesma:

Capítulo vinte e cinco –

Passei pelos quartos de Hefesto e Ares sabendo que os dois estavam novamente disputando o amor de uma modelo chamada Afrodite. Outra mais puta do que eu. Meu uniforme estava inacreditavelmente arrumado (sobrevivendo a inúmeros amassos desde Perseu ao capitão do iate), mas me desfiz dele mais uma vez. Estava relaxando na minha banheira cheia de água quente quando Teresa avisou com sua voz gentil:

–Seu pai vai levá-la para jantar hoje em algum lugar chique. Só vocês dois – estava tão concentrada no calor da água que poderia ter ignorado as palavras. Eu sabia que Zeus ia tentar algum tipo de aproximação. Depois de envolver minha nudez em um roupão macio, minha amiga e companheira me ajudou a passar óleos perfumados sobre minha pele e depois escolher uma roupa boa o suficiente. Eu queria algo inocente, mas também ousado o bastante para lembrá-lo da minha condição de não virgem. O vestido que escolhi tinha mangas compridas (eu não mostraria a ninguém importante aquele corte que muito provavelmente me traria uma cicatriz), busto justo e saia rodada. Bem romântico e angelical se não fossem as costas nuas. Era de um tom azul marinho, Teresa me passou uma tiara feita de diamantes que poderia perfeitamente ser a coroa de uma princesa, para por sobre meus recém cachos feitos. Anéis de diamante também, mas não tão delicados, inclusive um deles tinha spikes. Saltos e uma produção básica com carinha de saudável e “angelical” e sai do quarto.

Na sala encontrei-o sentado no sofá de couro a minha espera, ou não já que tinha o celular em mãos.

–Ela não vai atender – cortei suas esperanças; ele olhou para mim com dor; não apenas por Hera, mas porque eu conseguira satisfazer minha vontade em relação às roupas.

–Você está muito bonita. – sua voz não passava de um fio.

–Eu sei.

–Claro que sabe. Todos devem dizer isso o tempo todo.

–Não sou bonita pelo que dizem ou deixam de dizer. Sou bonita por que eu acho isso. Beleza além de tudo é um conceito bastante amplo e diversificado, mas visto erroneamente.

Minha voz soou um pouco mais dura do que eu realmente pretendia; minha intenção não era feri-lo muito, eu queria deixar esse gostinho a Hera, pois, eu realmente falara a verdade para meu paizinho: minha madrasta nunca merecera aquilo. Posso não acreditar nesse tal “amor”, mas não é porque outros acreditam que eu vou desdenhar. É uma crença como todas as outras. E eu as respeito.

Por reflexo lembrei-me de Katie e de toda a depressão que ela ainda enfrentava. Claro que de vez em quando batia um sentimento de culpa, talvez porque ela era o ser mais puro naquela família ambiciosa. De qualquer forma ainda acredito que o que eu fiz foi para o bem dela e do de Travies, e não apenas do meu. Afinal... Travies já mostrara que trairia Katie; ele era um mafioso, tinha seus desejos mais selvagens que um anjo celestial não poderia satisfazer!

Zeus não disse mais nada durante o caminho; ele dirigia seu lindo e caro carrinho. Mais uma vez não consegui deixar de comparar com os pilotos da Máfia. Era automático demais. Reconheci o restaurante como sendo um de ponta, um daqueles que só quem tem muita grana para queimar vai. Eu o conhecia bem... De vista. Desde nova eu sabia que meu pai trazia minha madrasta aqui enquanto me largava esquecida em casa. Tentei não demonstrar meus sentimentos para ele, mas a verdade é que eu havia ficado um tanto quanto perturbada.

Fomos atendidos e bem recepcionados depois de meu pai entregar as chaves do carro para o manobrista; o coitado tinha os olhos extremamente brilhantes postos em mim. Devia ser a aparência de princesa. Notei alguns fotógrafos que, não perderam tempo, tiraram fotos nossas.

Já lá dentro um garçom encantado comigo fez a gentileza de puxar a cadeira para mim. Zeus parecia notar apenas agora o efeito que eu tinha nos homens fossem eles jovens ou velhos.

–Parece que... – ele quase bufou, mas ele também sabia atuar perante multidões – Parece que nenhum homem deste recinto consegue tirar os olhos de você.

–Não banque o bom pai agora Zeus. Você e eu sabemos que isso é apenas publicidade.

–Você tem sido muito dura comigo.

–E você tem sido muito indiferente não apenas comigo, mas com todos os seus filhos. Não, não apenas conosco, mas com todos os que moram e trabalham naquela casa.

–Thalia, veja bem...

–Eu veja tudo com clareza – meu tom foi suave pontuado com um sorriso delicadamente tristonho; estávamos num restaurante requintado: não podíamos sair gritando e jogando comida uns nos outros como se fosse um filme – É o senhor quem não vê. – o garçom se aproximou e se afastou rapidamente quando informamos nossos pedidos. Enquanto ajeitava a manga da blusa sobre a ferida que o homem a minha frente causara inclinei a cabeça pensando, lembrando de um tempo atrás – Se lembra quando discutimos a mesa na frente de todos?

–Fazemos isso com frequência, não peça que me lembre de todas elas!

–Mas aposto que se lembra desse dia. Foi quando lhe disse que queria minha mãe. Você lembra, não é?

–Lembro. – disse depois de hesitar, travando um suspiro e quase soltando uma lágrima.

–Eu chamei a mansão de inferno. Será que agora você compreende o que quis dizer? – olhei para ele profundamente. Eu sabia que não amava o homem sentado a minha frente; eu amava Marcos. Ele sim era meu pai... Mas parte de mim não podia deixar de se iludir que Zeus mudaria, que ele poderia me amar tanto ou mais do que Marcos. – O que diferencia o inferno do paraíso? Não é o fundo vermelho ou o fundo azulado que costumam imaginar, eles são diferentes apenas pelo tipo de sentimento que transmitem. Você nunca demonstrou sua alegria perante nós, talvez nunca tenha sentido. O que nos deu? Bens materiais, comida, um teto. Parou alguma vez para pensar que todos nós gostaríamos que você viesse em nossos quartos apenas para nos dar um beijo de boa noite? Já parou para pensar que seu filho mais novo, embora seja um brilhante médico, também gostaria de se dedicar a artes em seu tempo livre? Parou para pensar que naquela casa enorme deveria haver música? Afinal, por que temos um piano na sala se você nos proibiu de tocá-lo?

–Thalia, quero que me entenda... Sempre fui muito ocupado...

–Com suas amáveis putinhas? – dei um meio sorriso desdenhoso; precisava me conter – Você sabe o quanto Abelle sofreu por sua causa? Porque ela sabia de cada uma das suas traições e mesmo assim quando te via sorria – seu semblante estava bem diferente: ele já não tinha aquela postura tão régia nem o brilho nos olhos era firme; eu estava destruindo por dentro do mesmo modo que ele fizera comigo e com meus irmãos; senti meus olhos umedecerem – Sabe quantas lágrimas ela derramou por você?

–E você sabe? – de repente sua expressão endureceu e a minha suavizou-se; o garçom retornara com aqueles pratos frescos, e decorados e que raramente enchem a barriga.

–Tenho uma ideia. – cutuquei a comida com o garfo e levei-o delicadamente aos lábios – Eu achei os diários dela, papai. Graças à “bondade” de Hera para com a minha pessoa, descobri muito mais sobre a minha mãe e sobre você.

–Por que tanto desprezo e ironia na palavra “bondade”, menina? Hera é uma pessoa muito boa.

–Não, não é. Mas você é cego para tudo, como poderia notar isso nela? Notou apenas hoje o quanto a filha é bonita e chama a atenção do sexo oposto. Isso apenas porque lhe fiz o favor de dizer que não sou mais uma vir...

–Não diga! – seu tom foi duro e quase alto demais; os olhos bem fechados, o rosto inclinado para baixo, o garfo sendo apertado com força... Soltei um risinho delicadamente sensual que não apenas fez com que ele olhasse, mas muitos homens, desde garçons até os clientes acompanhados.

Papai, não precisa se exaltar. Sua filha cresceu há muito tempo e muito antes da hora por culpa sua. Se hoje eu não sei sonhar ou acreditar em contos de fadas, se hoje sou desconfiada do mundo a culpa é sua. A culpa por eu não saber o que é amor, o que é amar e ser amado é completamente e inegavelmente sua!

–Você não está sendo favorável comigo!

–E quando você foi a mim?

–Esse jantar era para nós dois nos acertarmos.

–E você pretende me fazer mudar de ideia, mudar meus sentimentos por culpa de um mísero jantar? – meus olhos se encheram de lágrimas. Como eu era tonta. Estava sendo ingênua a ponto de acreditar que poderia viver com dois pais maravilhosos, começava a pensar que as coisas poderiam melhorar.

–Thalia – ele tentou pôr sua mão sobre a minha, mas a tirei de cima da mesa e virei o rosto. Engole esse choro, menininha estúpida! Engole, engole, engole! Esqueci a boa educação e simplesmente me levantei seguindo para o banheiro. De frente para o espelho apoiando as mãos sobre a pia de mármore claro respirei fundo diversas vezes, os olhos bem fechados e mesmo assim duas lágrimas saíram.

–Ingênua – sussurrei – Depois de tudo você não aprende, não é mesmo? – abri os olhos devagar limpando delicadamente as lágrimas que ousaram cair. Sorte não havia acontecido nada com a maquiagem. Um soluço escapou, mas foi só, lavei as mãos apenas para me acalmar e quando ergui os olhos para meu reflexo no espelho tive um sobressalto. Virei-me apressada, apoiando as mãos contra o mármore frio e molhado – O que pensa que está fazendo?

–Te olhando, não posso? – Kelli sorriu maldosamente – Quero saber seus pontos fracos... Principalmente o que foi capaz de te fazer chorar, essa sua, como foi que disse? Ah é, sua ingenuidade... Eu quero acabar com você Grace, de todas as formas possíveis.

–Eu não te fiz nada sua louca. Procure outro para descontar sua raiva.

Kelli estava bonita, afinal ela assim o era: a blusa justa e branca, a saia florida de cintura alta florida em tons rosa e verde e um blazer, saltos, brincos, anéis. Ela se aproximou perigosamente como se fosse me beijar, mas obviamente aquilo era uma ameaça em claro e bom tom.

–Fique bem longe do Luke, ele é meu. Acha que não sei que você o obrigou a dormir com você naquela floresta?

–Então ele não te contou? – ergui a sobrancelha e sorri com ainda mais maldade que ela – Foi ele que quis ficar comigo. Eu o mandei embora diversas vezes, ele não foi, disse que nunca iria. – dei um passo em sua direção tornando o espaço mínimo ainda menor, mas aquela menina que entrara segurando as lágrimas não era a que falava com Kelli; a que falava com a vadia era uma Mafiosa, era A Princesa da Máfia – O seu namoradinho deixou bem claro que não dá a mínima para você.

–Sua puta! – aquilo era para ter sido um berro; ela ergueu o punho e tentou acertar meu rosto, mas seu movimento foi tão previsível quanto devagar aos meus olhos: segurei-a e joguei-a para trás com o mínimo de força possível. Abracei meus próprios braços e desfiz minha raiva; falando sério continuei:

–Kelli, quero ser bem sincera com você. Luke me assusta. Ele realmente disse que nunca me deixaria. – ela estava quase espumando pela boca, mas parecia ver que eu falava sério – Mantenha-o longe de mim.

–Para você mesma correr atrás dele, cachorra?

–Eu não o quero. Faça um bom proveito dele, só... Só o deixe longe de mim. Não quero maiores contatos – e passei por ela olhando para baixo. A vontade de chorar havia voltado quando falara que não o queria mais por perto. Eu realmente não queria. Detestava a hipótese de sentir todo aquele furacão de novo. Pensar em reviver aquilo era tão fantástico quanto desesperador. Eu não podia deixá-lo mais perto de mim, eu não o queria perto de mim.

–Está mais calma? – Zeus perguntou limpando a boca com um guardanapo.

–Mais nervosa do que antes. – respirei fundo – Será que podemos apenas terminar de comer em paz? Não sei se aguento mais algo esta noite.

Ele apenas concordou com a cabeça, enquanto voltávamos a comer. Depois da entrada, o prato principal e quando a sobremesa foi pedida eu não sabia se podia suportar mais todo aquele peso... Virei para trás e o vi: Luke e Kelli estavam tendo uma boa discussão, mas por um breve instante nossos olhares se cruzaram. Virei para frente respirando com dificuldade, peguei a taça de vinho e virei seu conteúdo em minha boca.

–Não faz bem você beber rápido desse jeito. – Zeus disse me analisando, mas não suportaria erguer os olhos para encarar seus olhos idênticos aos meus. Eu tinha uma leve noção do que encontraria ali: o mesmo olhar estranho que eu recebera de Marcos quando me recusara a matar Luke na boate.

–Não me importo.

Aquele maldito doce pareceu levar uma vida para chegar, fiz com que meu pai comesse tão rápido quanto eu. Queria ir embora, precisava ir embora. Eu sentia os olhos dele sobre mim a todo o instante, quase sentia o ar vibrar por culpa da raiva de Kelli. Eu estava nervosa como nunca antes.

–Pai, vamos embora? – tinha tanta angustia na minha voz que ele pediu a conta. Ele pareceu parar para conversar com um amigo e foi quando eu vi Luke se levantar e vir até mim sendo seguido por Kelli que quase não disfarçava sua raiva – Zeus! – o desespero na minha voz era demais, o sussurro angustiado fez com que acordasse. Entrelaçou seu braço ao meu e fomos para a saída.

–Thalia – parei ainda de costas para ele já na calçada esperando que o manobrista trouxesse de volta o carro para que eu fugisse. Meus lábios estavam entreabertos para que eu conseguisse controlar a respiração, mas não estava funcionando. Eu podia sentir meu paizinho me olhando esperando uma reação minha. Virei devagar.

Seus cabelos cor de areia voavam delicadamente e de um jeito típico do cinema com a brisa “fresca” de outono; estava frio na realidade do lado de fora daquele restaurante, mas meu corpo estava tão quente que eu não percebia o frio em sua totalidade.

–Luke. – não consegui corresponder ao seu sorriso – Kelli. É estranho para eu vê-los longe da escola. – sussurrei apenas para não ficarmos no silencio constrangedor. Olhei para o meu lado e suspirei – Papai, esta é Kelli – apontei para aquela menina bonita apenas por fora – Ela é do terceiro ano. E... – respirei fundo – E este é Luke. Vocês já se viram antes...

–É o rapaz que vai estudar em casa – a voz dele foi dura como se pensasse que havia sido Luke quem roubara minha virgindade. – Você parece mais velho que Thalia.

–Eu sou senhor. Mas sua filha é bastante adiantada, seus estudos são mais profundos que os da maioria, por isso faz todas as aulas avançadas.

Luke sorria de um jeito que me deixava novamente com aquela sensação incomoda, estranha em meu estomago. Aquela reviravolta desagradável que me deixava com vontade de vomitar. Luke estava abrindo a boca para falar novamente quando o funcionário chegou trazendo o carro de meu pai. Tentei disfarçar meu alivio, não sei bem se consegui. De qualquer forma eu me sentia desamparada, tão insignificante quanto uma folha de papel... Kelli entrelaçou seus dedos nos de Luke e isso, de algum modo, me causou uma estranha dor no peito... O que eu estou dizendo? Claro que não! Estava me sentindo apenas um pouco claustrofóbica; isso acontecia com frequência desde que Hera me jogava no porão, mas Marcos e os outros me ajudaram a superar.

–Então tchau – murmurei olhando uma última vez naqueles olhos azuis claros antes de sorrir delicadamente para o homem que segurava a porta aberta para mim. O brilho no olhar daquele empregado foi tamanha felicidade que eu me senti melhor por segundos. Logo aqueles dois estudantes sumiam enquanto Zeus dirigia para casa.

A sensação de desconforto aumentou. Afastei um cacho de cabelo do meu rosto e fechei os olhos respirando com dificuldade. Estava sendo tomada pela tontura quando ouvi apenas o que julgava ser a voz de Zeus. Quase não senti meu rosto úmido de lágrimas claras e salgadas. Totalmente imersa naquela estranheza em forma de dor, quando dei por mim estava correndo na rua, quase cega e parcialmente surda; as coisas só começaram a fazer sentido quando me vi de pé em uma praça vazia. Cai de joelhos sobre a grama, soluçando e apertando as mãos no peito... Sentia tanta raiva daquela fraqueza absurda e inesperada...

–Por deus! Filha! – Zeus chegou tão rápido já envolvendo seu braço por meu ombro que me sobressaltei –Acalme-se – eu sabia ter os olhos arregalados e agoniados, os lábios entreabertos tentando recuperar o fôlego – Respire fundo e devagar você solta o ar. Isso mesmo; faça de novo. Repita até conseguir respirar com normalidade. – pude sentir meu coração acelerado ir diminuindo o ritmo. Agarrei o homem agachado ao meu lado fechando os olhos com força, mas ainda tentando repetir os movimentos.

–Eu não gosto disso, Zeus, não gosto, nem sei o que é... Seja meu pai apenas uma vez! Faça isso parar! – ele me olhava de maneira impotente, mas não desisti – Faça, faça parar papai, por favor!

Resumindo bem os fatos, acabamos no meu quarto onde ele me ajudou a tirar cada uma das jóias, os sapatos, o vestido e pegou um dos meus pijamas mais confortáveis feitos de algodão lilás. Com muita paciência pegou um dos lenços demaquilantes e removeu a maquiagem do meu rosto. Ele ficou comigo, ficou ali deitado ao meu lado acariciando meus cabelos, meu rosto, me abraçando. Era tudo de uma forma desajeitada, mas eu sentia que era verdadeiro.

[...]

Estava a mais de uma hora vendo-o socar com violência o saco de pancadas. Seu rosto estava vermelho, os punhos começavam a ficar arroxeados, mas eram os olhos que chocavam: estavam estreitos, as pupilas em fendas como as de um predador. De sua pele emanava ódio, um ódio tão grande que ninguém se atrevera a chegar perto dele... Claro que eu era uma exceção.

–Marcos... Marcos... – chamava-o, mas ou ele não ouvia ou me ignorava completamente; eu podia aguentar a indiferença de Zeus, de Hera, dos meus irmãos, mas não dele, não do homem que para todos os efeitos era o meu verdadeiro pai – Por que está me ignorando? Posso saber o que diabos aconteceu?

–Acha que eu não sei o que aconteceu? – seu tom foi o suficiente para eu recuar assustada; ele falava como se fosse um dos homens que traiam sua confiança – Achou mesmo que eu não iria me importar? – seu olhar de maníaco, a voz tão fria... Voltei a sentir vontade de chorar, mas não demonstrei, não faria isso com ele, eu não demonstraria.

–Do que está falando?

–Que você chegou em casa nos braços do seu pai, chegou chorando agarrada a ele como se o maldito fosse protegê-la de tudo e...

–Para de gritar comigo! Eu não tive culpa!

–Como não se você...

–Eu estou confusa! Eu não sei explicar essa dor que eu sinto e... E... Eu só precisava de ajuda! Eu precisava de um pai... Você não estava lá por mim! Você nunca está comigo! – as lágrimas rolavam e eu gritava para disfarçar a dor e a raiva; aquilo tinha que passar – Sou sempre eu que tenho que correr para os seus braços, você nunca veio atrás de mim e... Zeus foi! Ele foi! Se foi pela imagem que nós temos, não importa: ele estava lá. E por pior que seja Zeus é tudo o que eu tenho!

–Thalia – ele diminuiu o tom de voz e voltou a soar como o homem que eu adorava; tentou se aproximar, encostar em mim; não permiti, dei meus passos para trás apressadamente, abraçando a mim mesma, sentindo como se fosse um animalzinho indefeso e tolo.

–Não!

–Eu só...

Virei e sai correndo. Não estava suportando aquele redemoinho, aquela desgraça de sentimento desconhecido e... Porra! Maldito clichê!... No passar de vinte minutos eu me encontrava isolada no meu quarto na mansão Grace, chorando horrores na minha cama, a porta bem trancada e meus irmãos gritando por mim do lado de fora.

Eu não suportaria vê-los, não suportaria ver minha imagem no espelho.

Notas finais
Decepcionadas?