Gimme More

20 Capítulo 19


Notas iniciais
Hey mafiosas! =D

Capítulo dezenove –

Pude voltar logo para a escola e, como fiz muito drama, ganhei um “cachorrinho”; parecia bem mais com um lobo, mas era lindo. Voltando para a escola, o prédio estava tão cercado de seguranças quanto de fotógrafos e jornalistas. Passar por todos eles, mais os alunos, fora suportar os olhares de pena, foi sufocante. Graças aos céus, as meninas não saíram do meu lado. Mas não precisou passar nem duas semanas para tudo voltar ao normal: Zeus, Hera, as vadias da escola... Desgraça é desgraça; duvido algum deus conseguir mudá-las!

Sentadas na área verde da escola, conversávamos sobre o progresso dos túneis a base de códigos. Mas ao nosso lado e a frente havia as vadias e os atletas; era complicado conversar. Silena Beauregard nem tentava disfarçar que queria foder ali mesmo seu namorado, Charles alguma coisa, na frente de todos. As vadias pareciam falar sobre nós, mas não nos importamos, queríamos falar com outro.

–Grover! Hey, Grover... Vem cá! – o chamávamos. Era um amor de moleque; maconheiro que só, eu não sabia como ele ainda não tinha “contaminado” sua namorada ainda. O cara sentou a nossa frente e começamos uma conversa de maconheiro. Era hilário!

–Grover como é fumar? – Clarisse perguntou travando o riso; o garoto tinha um baseado em mãos.

–Isso aqui não existe, cara – ele tragou com força – Tipo assim, só escutando o pessoal metendo ali, sabe? Metendo pra caralho – e apontou para o casal se agarrando nem tão longe de nós. A explosão de gargalhadas foi tão imediata e escandalosa que todos viraram para nós. Grover era incrível drogado. – Nossa! Eu viajo cara. Vo pra outro planeta – ele deitou a cabeça no ombro de Annabeth – Os óios fica meio pesado, os córpo fica meio leve – nessa linguagem difícil de compreender; explodimos de novo. – É massa, cara! Vocês têm que experimentar, vocês... – tragou de novo – Mas é um caralho! – virou para o casal – SEUS BANDO DE FILHO DA PUTA, VÃO FODER NA SALA DO DIRETOR E ME POUPA DE TER OUTRA AULA DE RELAÇÕES SEXUAIS!

Não teve um ser que não gargalhou. Não tinha como não rir! Era... Ah, sei lá.

–Está socializando com maconheiros, Thalia? O que seu pai diria? – Kelli se aproximava com Tammi em seu encalço.

–Diria que antes um maconheiro do que uma prostituta.

Ela travou o maxilar.

–Will! Venha cá. – o garoto lindinho me olhou cheio de desejo, mas virou para Kelli, ela enlaçou o pescoço do menino de uma forma a parecer uma cobra; virei encarando minhas amigas e percebi que não era a única com aspecto de nojo.

–QUE CARALHO! –Grover gritou – essa porra ta... PORRA! VÃO SE ENGOLI PRA LONGE DE NÓS! VÊ SE DEIXA NOIS FUMA EM PAZZZZ...

Não me aguentei: estávamos rindo demais todas as cinco atraindo ainda mais olhares. Grover começou a rir do nada, sozinho olhando o além. Rimos mais.

–Ai! Eu vou fazer xixi, vou fazer xixi – uma Rachel tão vermelha quanto seus cabelos exclamava sem parar. Bianca parecia chorar tamanha sua falta de ar... Solace estava sem graça a ponto de empurrar Kelli e sair de perto.

–Eita Kelli, ninguém te quer, né fofa? – falei com maldade, a voz carregada de veneno. Ela bufou.

–Isso não vai ficar assim, Grace. Não vai! – fiz uma careta ao ouvir Grace; odiava esse nome.

–Hey, Lia! Posso falar com você em particular? – a voz vinha de trás de mim; Jackson me olhava com expectativa. Levantei e segui-o até um ponto “isolado” da escola: um encontro de paredes e uma grande sombra de uma árvore tornavam o lugar perfeito para segredos.

–Quer falar sobre...?

–Sinto sua falta – ele segurou minha mão e me empurrou quase gentilmente contra uma parede. Se vocês conseguirem se lembrar, eu já havia dito que passava alguns dias da minha infância na casa dos Jacksons. Suponho que vocês consigam imaginar o quanto Perseu e eu nos, hã, divertíamos.

–Pensei que Annabeth tinha compensado bem esses anos...

–Shii – ele acariciou a curva do meu pescoço – Vim te avisar. Meu pai convidou Zeus e você para um jantar lá em casa. Você sabe, comemorar sua liberdade.

–Depois de semanas? – perguntei sorrindo.

–Esperamos a poeira abaixar.

–Hoje à noite?

–É. E não se esqueça – ele me beijou com força; um beijo bom e intenso, lento, mas profundo – Vou estar te esperando.

–Claro que vai.

[...]

No meu quarto, estava deitada sobre a cama apenas de peças intimas. Analisava o computador com interesse: uma nova turma de formandos de uma das nossas escolas estava pronta e interessada em entrar verdadeiramente para a Máfia. Eu teria que programar um pequeno tour e suas respectivas provas. Ninguém podia entrar para uma “comunidade” como a nossa sem ser devidamente testado.

O som de batidas na porta só me avisou que havia alguém ali, mas o individuo não se incomodou em pedir licença para entrar. Logo Zeus fechou a porta. Desliguei o Macbook rápido demais.

–E isso é jeito de uma garota se vestir?

–Por favor, paizinho. Estou na solidão do meu quarto; aqui eu tenho todo e qualquer direito de ficar nua. – sentei-me dando a ele um vislumbre ainda maior das minhas coxas e dos seios – O senhor deveria ter pedido licença.

–Esta é minha casa.

–Este é o meu quarto.

–Continua sendo minha casa.

–Se quer deixar nestes termos; então não fique tão chocado quando me encontrar nua ou seminua já que gosta de entrar sem ser anunciado – ergui uma sobrancelha – Mas não veio discutir comigo, veio?

–Não. Poseidon convidou a nós dois para um jantar simples em sua casa.

–Simples? Então não preciso me preocupar tanto com minhas roupas...

–Não vá desleixada!

–E envergonhar meu paizinho? Nunca! – disse em tom de escárnio.

Entrei no closet tendo consciência de que meu pai me aguardava do lado de fora. Ainda bem que havia tido tempo de fechar meus trabalhos. Encontrei um vestido simples (acinturado e sem mangas, com golas, sendo que o busto era fechado por três botões) de cor azul clara, peguei um par de saltos azuis e saí quase pronta. Meu pai me olhava com atenção procurando por erros em minha aparência. Fui em direção a penteadeira e prendi meus longos fios escuros em um rabo alto e bem feito. Coloquei duas pedrinhas de diamante pequenas e discretas como brincos e um colar igualmente discreto do mesmo material; uma pedrinha singela e sem cor. Os olhos foram escurecidos, mas tentei deixá-los apenas misteriosos sem sobrecarregá-los. Nos lábios apenas um tom saudável de rosa.

–Está bom assim? – virei para ele sorrindo.

–Falta algo – Zeus se aproximou o colou uma pulseira em minha mão direita: uma corrente de prata delicadamente trançada com pedrinhas de diamante. Simples e bem carinha. Ele havia mexido em minhas coisas... Interessante.

–Vamos? – perguntei pegando uma bolsa Michael Kors preta. Lógico que eu guardava uma arma ali. Eu duvidava precisar dela, mas nunca se sabe.

Devo confessar que era bastante estranho sair a sós com meu pai. Isso nunca havia acontecido sem segundas intenções e eu sabia que isso estava acontecendo agora por culpa do convite dos Jacksons; era óbvio que queriam ver a mim, mas sabiam que não me deixariam ir só. O caminho foi silencioso com Zeus ao volante. Era cômico o quanto ele respeitava as leis de trânsito e sua calma na estrada; ele nunca poderia dirigir os mesmos carros que eu. Coitado.

Fomos anunciados e entramos na mansão em que meses atrás uma festa havia deixado muitas coisas ocultas. Sally foi a primeira a nos ver. Era uma mulher de beleza simples e comum, olhos e cabelos castanhos e de pele suavemente bronzeada. Usava um vestido tão simples quanto ela, mas conseguia manter a classe e a postura que seu casamento impunha. Ela abraçou-me como uma mãe abraça um filho e eu compreendia que ela pensava em algumas tardes nas quais Percy e eu brincávamos juntos. Sally era um doce.

–Minha querida, ficamos tão aflitos! Ainda bem que está bem. – seu sorriso era puro e me aquecia o coração; isso era raro considerando que já fui apelidada de rainha do gelo por alguns da Máfia.

Apenas sorri.

Poseidon veio depois e até mesmo o abraço dele era mais caloroso do que o do meu pai. Mas nenhum abraço conseguia superar a segurança que eu sentia com Marcos. Ele era tudo o que os homens da minha vida não eram. Percy veio logo depois, vestia uma camisa e jeans, mas estava bonito; de um jeito desleixado e descontraído. Sorria de uma maneira na qual não permitia suspeitas quanto a suas intenções: era um sorriso pequeno e caloroso como o da mãe. Seu abraço era igualmente acolhedor embora viesse carregado de malícia.

Durante o jantar o Jackson mais novo se sentou a meu lado. Primeiro fui mantida como o centro da conversa: ressaltaram minha coragem e força para lidar com tudo o que passei desde o sequestro até o assédio dos jornalistas. Fiz meus comentários agradecendo pelos elogios e contando em detalhes vagos o que eu me lembrava do meu cativeiro; quando insistiam, eu lembrava-lhes de que havia sido sedada a maior parte do tempo. Também afirmei não contar outros detalhes por ser uma grande falta de respeito enquanto todos comíamos.

Logo veio a sobremesa: um doce de coco e doce de leite feito por Sally. Era maravilhoso; para mim o que tornava aquela mulher quase perfeita era o fato de o dinheiro não mudá-la. De longe se percebia que seu casamento com Poseidon era por amor não por interesse. Sally educadamente se retirou e os dois homens travavam uma conversa “de gente grande” na qual Percy e eu não estávamos autorizados a fazermos comentários. Ele não prestava atenção, mas eu sim.

–Ouvi dizer que a Máfia ainda não chegou a LA – Poseidon falava enquanto prestava atenção em mim; fingia-me de inocente e aérea. Ingênuo. – No Texas os comentários sobre esse bando são notáveis. Estive lá semana passada; muitos não quiseram nem comentar tamanho o medo.

–Ares e seu pessoal estão bastante empenhados. – Zeus garantia tentando manter a voz um tanto baixa para que não escutássemos – Desde que Thalia foi levada por eles sua fúria cresceu.

–Sem dúvida. Ele é um irmão bastante protetor; nada mais natural do que...

–Desejo por sangue. Sim. O que o corrói é a genialidade dos chefes. Não há quem pense como eles e ninguém consegue desmascará-los.

–São pessoas espertas.

–Mas não são invencíveis – É o que veremos, seu velho!

Percy colocou sua mão esquerda sobre meu joelho. Foi o suficiente para que eu me acalmasse, ou pelo menos que voltasse a minha situação presente. Aqui não podia fazer nada. Seus olhos verdes demonstravam apenas uma lerdeza típica e apática; perfeito para esconder o que ele fazia e desejava.

Aparentemente os dois palhaços acharam por melhor mudar de assunto e nos envolver na conversa. Só porque estava começando a ficar bom... Mas um bom risco apenas aumenta o desejo.

–Já sabem como andam os preparativos para a viagem? – Poseidon perguntou com um sorriso interessado. Percy sem duvida acreditava nele, mas eu... Ah, eu sabia que ele queria esconder o que falara segundos atrás, queria ainda disfarçar que depois levaria meu paizinho para seu escritório (onde eu chupara Castellan) para conversarem mais seriamente e em privacidade enquanto apreciavam uma boa taça de vinho.

Percebi em um breve e curto olhar. Era tudo tão pateticamente previsível...

–A comissão vai se reunir de novo sexta à tarde – Percy tomou um gole pequeno de água. Sua mão firme fazendo pressão sobre meu joelho de uma maneira carinhosa.

–Nosso principal objetivo e definir o destino – completei – Estamos seriamente divididos entre Miami e Califórnia. Sendo mais específicos, Malibu ou Miami Beach.

–A questão do valor da mensalidade...

–Ela vai subir um pouco mais agora que chegamos mais perto do dia da viagem – Percy falava com normalidade; sua mão subia muito delicadamente sobre minha perna chagando a barra do vestido.

– Como a viagem é para todo o ensino médio vai demorar em conseguirmos um local definido. – comentei enquanto levava a colher a boca.

–Normalmente a opinião do 1º seria desconsiderada já que visa ser uma viajem de formatura, mas ainda bem que temos a Thalia na comissão. – ele sorriu para mim; sua mão subiu um pouco mais, os dedos fazendo uma massagem pela minha pele. Virou-se para Zeus e na maior cara de pau soltou – Ela tem muito do senhor, senhor Grace. Uma líder e nem mesmo percebe.

Zeus sorriu. Sorri de volta.

O calor de sua mão subiu bem mais. Eu sabia não estar mostrando nenhuma reação especifica, mas por dentro eu me sentia “aquecida”. Acabamos nosso bolinho e Percy e eu saímos da mesa. Ele me disse que Sally estava no telefone com uma amiga e que era importante a ponto de ela nos “abandonar”. Ele me levou para um lado mais vazio de sua casa. Eu gostava de lá: era uma sala com paredes de vidro de frente para uma das diversas piscinas da casa e diversos sofás.

Percy fechou a porta e me beijou como estava ansioso para fazer. Não podia admitir, mas também sentia falta dos carinhos de Jackson. Eram simples carinhos, mas eram sinceros, não mentíamos um para o outro durante esses momentos nossos. Já havíamos transado anos atrás; Nico não era o primeiro garoto de quem eu me orgulhava de tirar a virgindade.

Percy tinha um beijo suave e isso era o que eu gostava nele. Tínhamos uma linda amizade colorida. Não era em nada comparada ao meu relacionamento com os gêmeos: com eles era apenas desejo, um fogo intenso que precisava ser apagado. Perseu não. Ele me amava como Apolo, Hermes e meus irmãos diziam me amar. Mas sempre percebi uma diferença... Perseu conseguia me amar mais; do mesmo modo que Marcos me amava mais do que Zeus.

Empurrei-o para o sofá delicadamente como pedia nosso momento e sentei-me em seu colo. Colei seus lábios nos meus mais uma vez e puxei seus cabelos para logo soltá-los, arranhando seu pescoço. Sua mão subiu pela minha perna mais uma vez, dessa vez passando da coxa para a cintura e desta para os pequenos botões que escondiam meu sutiã.

[...]

–... Na faixa do Sahel. Nossos cofres já foram abertos e nossas despesas com os mantimentos já foram anotadas. O dinheiro usado em sua grande maioria foi o do grande roubo ao banco...

Era uma reunião da Máfia. Sendo bem mais detalhista, era uma reunião da parte das ONGs que mantínhamos, via chat. Não fazia nem dez minutos desde que eu voltara com Zeus da casa dos Jacksons e ligara o computador.

–As nossas escolas...? – tentei perguntar.

–Sinto muitíssimo em informar que o Sahel não tem muitas condições de portar escolas. Não deferia ser um lugar habitado.

–Também não deveria ter sido invadido por europeus. Hitler também não devia ter acreditado em uma “raça superior”. O mundo não é justo, caro senhor. – meu tom foi próximo ao frio – Olhe só aonde viemos parar. – ele me olhou constrangido; eu não era única ausente nessa reunião, mas deu para ver o remorso que todos ali presentes e ausentes sentiram – Continue com os mantimentos. Quero saber no fim do ano, quero escutar do meu querido professor de geografia ou sabe deus qual outro, que o número de africanos mortos por fome e desnutrição diminuiu consideravelmente. – levantei a mão vendo que ele começaria a falar – Não quero saber sobre os riscos de doenças como Ebola ou AIDS. Ebola sempre existiu e só se preocupam com ele agora porque alguns europeus andaram morrendo; enquanto eram apenas os africanos não havia qualquer problema. Quanto a AIDS, suponho que os nossos nobres homens e mulheres que forem podem resistir a algumas semanas sem sexo.

–C-claro... Claro que sim senhorita... Sim. Vou mandar que se preparem um grupo e...

–Para amanhã à noite. Saíram por volta das 22h30min, não percam tempo.

Desliguei o computador e comecei meu processo lento de retirar minhas roupas e jóias. Retirei a maquiagem e escovei os cabelos, prendi-os em um coque e fui tomar uma ducha rápida. Não conseguiria dormir pensando no quanto a ONU deveria estar corrompida ou no quanto as pessoas em sua grande maioria não se importavam com o sofrimento alheio. A cada dia eu via o quanto o ser humano deveria ser um animal de sangue frio; todos portadores de veneno, mas que não temiam usá-lo fosse com quem fosse.

Talvez eu mesma devesse ir junto... Afinal que se foda a opinião de Zeus. E isso poderia colaborar ainda mais com a minha imagem de santinha e esconder minha áurea negra. Joguei-me nua sobre o colchão, peguei o celular em cima do criado-mudo e meu lobinho ainda muito filhote choramingou para se deitar comigo. Puxei-o para o meu travesseiro enquanto ligava.

–Alô? – a voz de Clarisse estava muito embargada pelo sono.

–Cancele todos os seus planos. Vamos viajar!

Notas finais
O Niquinho não foi o primeiro... E tinha que ter um motivo para o Jackosn ser quase um sucesso u.u Enfim, teremos duas viagens muito em breve... ;)