Gimme More

9 Capítulo 9


Notas iniciais
Esse é simplesmente um dos meus caps preferidos... *-----*

Capitulo nove —

A casa era comum o suficiente para ninguém suspeitar de nada, mesmo sendo muito afastada do centro. Com roupas largas e pretas, luvas e sem qualquer salto (para desespero de Bianca) vasculhamos o local com a plaquinha de vendese na frente. Pequena, vazia, branca. Os vizinhos eram poucos e costumavam sair bastante de acordo com nossas fontes. Não havia nenhum quintal, mas o muro dos fundos dava para uma mata fechada e inexplorada.

Era perfeito.

Anotamos o endereço para podermos ir embora, mas a curiosidade foi mais alta: pulamos o muro para explorar a mata. O luar fraco não nos permitia enxergar muito além da vegetação densa. Caminhamos um pouco mais e encontramos um espaço pouco mais aberto.

–Poderíamos fazer o aterro aqui — a voz de Clarisse soou abafada.

–É perfeito.

–Vamos embora — os sussurros terminaram. Corremos de volta para o carro e para um dos cartórios da cidade. Os seguranças desta ronda eram todos "corrompidos" pela Máfia; temos homens e mulheres em todos os cantos, em todas as profissões e idades possíveis: nós não conhecíamos a palavra limite.

–Chegaram bem na hora — fomos saudadas por um deles. Para não ficar algo suspeito, a luz do bairro foi cortada no instante em que chegávamos. Sem sensores, sem alarmes, sem câmeras. Estava tudo seguro. Encontramos as plantas da cidade, dos bairros e de algumas propriedades especificas; passamos cada uma para um pendrive... E saímos.

[...]

–Está tudo aqui — Clarisse colocou o pendrive e um bloquinho de anotações sobre a ampla mesa do salão de reuniões. Os grandes nomes estavam ali: grandes sócios, grandes ladrões, engenheiros, arquitetos, pedreiros... A cada metro havia um segurança fortemente armado.

–Ótimo.

–Vamos precisar de pessoal para o trabalho pesado.

–Isso é algo que não nos falta — comentei enquanto retirava o casaco largo ficando apenas com uma camiseta — Vamos precisar de cautela e paciência. O lugar não é abandonado mesmo tendo condições tão perfeitas.

–A menina está coberta de razão.

–Mas ainda faltam os esquemas do próprio banco.

–Terei uma pequena conversa com o gerente — informei pegando um copo de água e tomando um generoso gole — Não duvido que logo ainda me encontrarei com algumas figuras importantes da política dessa cidade.

Marcos se levantou quando minhas palavras terminaram de ecoar pela sala ampla e silenciosa. Respeitosamente, todos lhe dirigiram o olhar e pela primeira vez naquela noite sua voz soou como um líder da Máfia; fazia muito tempo que eu não o ouvia falando de um modo tão sério e frio:

–Arquitetos, engenheiros e pedreiros, quero todos os representantes lá embaixo, no atelier da ala leste. Annabeth, querida — Marcos suavizou a voz — você chefiará todo esse processo; quero que mostre a estes velhos o quanto você é brilhante — ele apontou para os homens de meia idade que não reclamaram das palavras ásperas; um grupo de dez pessoas, incluindo a loira, saiu da sala.

–Senhor, temos algum prazo para este projeto?

–Quero que dure no máximo três meses. Temos um pessoal magnífico, portanto espero um resultado a essa altura.

–E quanto às despesas?

–Duvida da quantia que temos aqui? — Rachel zombou.

–Não! De forma alguma...

–De qualquer forma, nossa Rachel irá transferir um dinheiro extra para a nossa causa — Marcos sorriu para uma ruiva extasiada — Clarisse, recebemos agora alguns novos recrutas. Eles são muitos verdes, então quero que os treine a partir de agora.

Clarisse deixou a sala bastante animada, estralando os dedos enquanto passava pela porta.

–Rachel e Bianca, vocês vão me trazer as últimas novidades das boates — elas deram os braços e saíram da sala.

–Acha mesmo que podemos confiar em simples menininhas mimadas? — eu estava a ponto de me atracar no pescoço daquele velho por se referir a nós como mimadas... Mas não precisei. Tirando um calibre 32 de dentro da blusa, Marcos deu exatos cinco disparos: um para cada "menina mimada".

–Que isto sirva de lição — sua voz soou dura a ponto de eu querer me encolher — Estas garotas são melhores do que qualquer um de vocês, estúpidos. Elas têm influência. Tem ódio. Cautela. Inocência. Conseguem pensar em uma combinação melhor do que essa?

O silencio foi tenso para todos os que sobraram; o sangue manchava parte da mesa e principalmente o chão de uma forma bem lenta. Senti-me em paz por ter Marcos para nos defender; nossos pais não valiam de nada.

–Não ousem questioná-las. Elas têm mais autoridade do que vocês. Se houver uma próxima vez, não terei a misericórdia de dar-lhes um fim rápido e limpo. Fora.

A voz de aço cortou o ar enquanto eles se levantavam. Encaminhei-me até a porta para abri-la como um mordomo e dar o meu melhor sorriso cínico para cada velho ou jovem que passasse. A cada pessoa que se encolhia de medo era mais uma vontade crescente de rir. Quando todos saíram, Marcos me impediu de continuar.

–Encoste a porta, Lia – encostei a porta à prova de som e voltei meus olhos para ele – Ramiro está em mais uma das suas missões?

–Sim. Por que a pergunta? Isso não é nada incomum.

–Eu tenho meus próprios olhos naquela casa além de você, minha querida – se havia qualquer sinal de surpresa em meu rosto, Marcos não comentou – Não duvido que Zeus vá tentar reconquistar sua confiança e seu carinho muito em breve.

Fiquei pensando em qualquer resposta para aquilo, mas nada chegava.

–Ainda não chegou o momento, mas ele se aproxima... Permita essa aproximação...

–Mas...

–Contenha a sua indignação e espere eu terminar de falar – respirei fundo e assenti mesmo sentindo meu corpo tremer – Não quero que seu disfarce se comprometa de forma alguma e Ares já comentou no trabalho que sua situação com seu pai não está nada boa. Volte a jogar o jogo, querida! Não pode se colocar para fora dele e sabe disso.

–Marcos... – meus olhos estavam lacrimejados; eu não queria mentir mais, me enganar mais; porque no fundo se resumia a isso: era eu que estava enganando a mim mesma por anos, já que Zeus nunca se importou real e profundamente comigo. Ele veio até mim e me abraçou fortemente.

–Sei que será difícil, mas eu sempre vou estar aqui para você, certo?

–Certo.

–Annabeth vai receber o mesmo aviso. Acho melhor você voltar para casa. Veremos-nos amanhã, minha pequena mafiosa – ele beijou minha testa e eu voltei para casa.

[...]

Quinta era de longe o pior dia da semana: éramos obrigados a ficar das sete da manhã até as seis da tarde na escola. A escola era conhecida por ser puxada e rigorosa, mas eu não achava necessário tanto estudo assim... Bom, eu e as meninas não precisávamos.

No intervalo do período da tarde, me sentei à sombra de uma árvore nos fundos da escola. Sentia-me observada, mas não incomodada. Annabeth estava tendo aulas de natação com o atleta prodígio do colégio: Percy Jackson. Clarisse estava tendo aulas de mecânica com algum menino chamado Chris. Eu acreditava que as duas citadas anteriormente estavam fodendo os professores, mas... Bianca e Rachel deveriam estar no refeitório...

O som de risadas me distraía mais do que eu conseguiria descrever. Levantei e segui, contrariada, para o centro do refeitório. Em algum canto, Bianca tentava não chamar atenção, mas não era ela o centro daquilo. Seu irmão estava tão pálido quanto à pele dele permitia. Muitos além de rir, apontavam para o garoto magro de cabelos compridos e olhos negros.

–Mas o que aconteceu? — minha pergunta ecoou pelo ar e muitos pararam de rir para me olhar.

–Acontece que o Nico aqui nunca beijou nenhuma garota — Tammi respondeu; uma cadela de olhos azuis gélidos e cabelos loiros claros. A menina era maldosa assim como Kelli só que mais nova; da minha idade.

Ergui uma sobrancelha para Nico que escondeu o rosto nos braços enquanto os risos e gozações recomeçavam. Bianca balançou a cabeça negativamente sem saber o que fazer pelo irmão e pela imagem dos dois. Ao fundo Will Solace e Luke Castellan riam do menino mais novo... No fundo eu não acreditava muito naquilo: Nico era inegavelmente lindo, mas parando bem para analisar, era isolado o suficiente pra nunca ter beijado.

–Esse é um erro fácil de corrigir, não é Nico? — perguntei me aproximando do menino. Nico ergueu os olhos para mim, confuso e envergonhado. Como na noite que passei em sua casa, encaixei meu joelho sobre suas pernas me apoiando totalmente nele; conduzi sua mão para a minha coxa e reparei no silencio que estava o refeitório, mas Nico parecia ter esquecido o mundo. Sorrindo, quebrei a distancia e o beijei forte e rapidamente.

–Puta merda! — algum garoto exclamou enquanto eu ainda mantinha meus lábios sobre os de Nico. Sorri ainda naquele beijo.

–Agora o moleque conseguiu o que nenhum de nós conseguiu em anos... — enquanto o objetivo de qualquer aluno era passar de ano e conseguir uma bolsa na faculdade por algum esporte, o objetivo dos meninos daqui era conseguir um beijo de qualquer uma das meninas "difíceis". Nico e Will já haviam conseguido e outros poucos que chamaram a atenção de Bianca, Annabeth e Rachel.

Não foi difícil conduzi-lo; ele além de aprender rápido, conseguia corresponder de uma forma autentica e doce. Assim que me afastei de Nico, Rachel se aproximou e o beijou por alguns segundos. Os "Oh!" exclamados foram vários. Não sei de onde saíram, mas logo Clarisse e Annabeth estavam beijando o irmão mais novo de Bianca.

–Agora Nico, você pode jogar na cara desses otários que você conseguiu um beijo das meninas mais desejadas e que esses otários não conseguiram nem um olhar! — Bianca disse alegremente e deu um beijinho na bochecha rosada do irmão.

Saímos do tumulto de braços dados e rindo das caras de bobos dos diversos garotos. Assim que estávamos longe o suficiente Annabeth soltou:

–E não é que ele beija bem!

Nós rimos. Lógico! Porque eu fui a primeira a beijá-lo...

[...]

Chegar em casa foi um tormento. Soube que o jantar seria atrasado e que minha presença era importante. Estava cansada, mas ainda tinha um assunto para resolver antes de me encaminhar para o meu tão maravilhoso quarto. Não encontrei Tereza, mas soube que estava em casa esperando o final de semana para retornar e que, graças a uma intervenção divina, Hera não havia arrumado problemas com nenhum funcionário.

As horas voaram enquanto eu supervisionava a chegada de heroína e o envio de cocaína para regiões ao sul, principalmente o Brasil, por meio apenas do computador. É impressionante o quanto se consegue quando câmeras são raqueadas e se tem o interesse e os programas certos.

Já sentados na mesa eu sentia que era o alvo dos olhares, o motivo de todos estarem ali. Encolhi um pouco os ombros e esperei que a bomba fosse lançada... E foi:

– A tia de vocês vem fazer uma visita — Zeus comunicou com normalidade. Soltei os talheres de forma repentina. Fiquei surpresa ao saber que não fui a única. Olhei incrédula para os meus irmãos: todos em estado de choque com os olhos arregalados e as bocas abertas.

–Pai, ela...

–A tia...

–Não quer dizer que...

Nenhum conseguiu formular uma frase inteira e Zeus mal os olhava. Hera esboçou um sorriso maligno e eu soube que ela é quem tinha influenciado essa visita repentina. Cerrei os punhos, mas senti os olhares desesperados dos meus irmãos que tentavam ainda argumentar com Zeus.

–Ela não pode... Ela é... Ela é...

–Ela é o que exatamente? — Zeus perguntou de forma ríspida.

–Ela é um pesadelo, papai! — exclamei olhando para ele de forma assustada não acreditando que a tia Deméter passaria um tempo aqui conosco. Zeus olhou para mim espantado; nos últimos meses eu o chamava sempre pelo nome, de pai no máximo, mas eu nunca mais havia me referido a ele como papai.

Ele me olhou profundamente estudando ainda o susto em meus olhos. Meus irmãos me encaravam e agora era Hera com os punhos cerrados sobre a mesa.

–Não quero que se refira...

–Mas ela é! — exclamei me sentindo surpresa e assustada — Você sabe que ela não nos permite nem resp... — a compreensão me atingiu como um carro que se choca violentamente com uma carreta; trinquei os dentes antes de continuar — Chamou Deméter aqui por minha causa. Acha mesmo que a velha psicótica da sua irmã vai mesmo mudar meu comportamento e minha opinião a seu respeito? — perguntei com escárnio; um sorriso tão maldoso direcionado a ele que a casa mergulhou em silencio. Minha bipolaridade causava essa reação em todos.

–Ela é firme e...

–Não vai mudar o que penso de você.

–Ela virá com a filha. Ela tem uma boa conduta, é obediente...

–Katie é submissa! A garota não tem opinião própria, nem uma vida tem! Deméter estragou a menina, você sabe bem disso e não vou permitir que estrague a mim!

–Você precisa de uma boa lição, mocinha! — Zeus já estava de pé, as mãos fixas na mesa, o olhar penetrante em mim. Levantei-me e imitei-o.

–É tarde demais para você mudar o meu jeito de ser! Deveria ter se preocupado muito antes. Deveria ter me notado muito antes!

Sai da sala sem me importar em ter comido algo ou não. Zeus gritava descontroladamente exigindo a minha volta. Marcos teria de me perdoar, de me entender. Peguei o celular no bolso e as chaves do carro. Annabeth me entenderia... E eu precisava dela.

Notas finais
Nico sambou na cara desse otários, vai? Não foi? Novos personagens apareceram depois dessa ceninha com a nossa diva Zeusa...