Gimme More

62 Capítulo 52


Notas iniciais
Hey mafiosos! Voltei mais cedo, viram só? Ficou bem dramático, mas adivinhem? Eu trouxe uma confissão ou quase isso hehehehe até lá embaixo ;)

Capítulo cinquenta e dois –

Venci Luke pelo cansaço. Consegui fugir de sua presença – e de Will e Kelli – o restante da tarde e noite. O pessoal foi entrando conforme escurecia e o jantar já era servido para os jovens esfomeados. Eu fiquei na piscina. Fui a última, conseguindo me livrar inclusive do peixinho Jackson.

Não posso mentir: estava cansada e com fome, mas havia qualquer coisa de muito fascinante e atraente em ficar ali, a luz da lua e estrelas, nadando sozinha. Era tão relaxante... Sem música, sem bebidas, sem conversas e risos, sem pessoas, sem problemas... O frio, o cansaço e a fome eram irrelevantes; eu podia suportar.

Permiti que meu corpo afundasse e me mantive ali, no fundo, por algum tempo apenas observando meus cabelos flutuarem com delicadeza e tentando não pensar em Castellan, em sua voz urgente chamando meu nome, no peito exposto tão perfeitamente bronzeado, os músculos definidamente fortes, os olhos azuis tão límpidos... Sim, ele mexia comigo. Sim, eu odiava isso. Sabia que gostava dele, mas não era um gostar simples, cotidiano, comum. Era um gostar especial. E, meus queridos, eu odiava gostar dele.

Nadei até a borda da piscina e apoiei meu rosto nos braços. Claro, eu tinha outros problemas além de ignorar os três formandos. Havia escolhido ignorar a correria do casamento do meu pai e da escolha do meu internato e tinha evitado pensar no sonho com o menininho desde que as outras princesas haviam acordado. Estava começando a desenterrar os sonhos antigos relacionados aquela criança tão gentil e companheira comigo quando sentia necessidade de sair da água.

Não fui até a escada, sustentei meu corpo até me sentar na margem, ainda deixando os pés brincarem, Uma brisa me fez tremer, mas não me movi. Era óbvio que eu estava me torturando, o problema é que eu não sabia o motivo. E se existe uma coisa que eu detesto é não saber.

Levantei-me e fiquei parada, imóvel, admirando a vista bonita do hotel – as janelas acesas em contraste com a escuridão que a noite prometia – enquanto a água escoria lentamente por meu corpo. Não havia trago nenhuma toalha, roupão ou saída de banho; teria de voltar daquele jeitinho mesmo: de biquíni e regata, esta bem justa ao meu corpo, igualmente ensopada. Não podia me lamentar muito; tinha que decidir o que fazer: resolver se continuava com o jogo ou se me rendia a ele.

Fui caminhando devagar pela recepção indo em direção aos elevadores. Sorri para dois funcionários com meiguice para disfarçar minha parcial nudez e segui meu caminho tentando ignorar os poucos olhares fixos na minha bunda. Analisei minhas opções: eu podia ir à festa ou podia ficar no quarto. O elevador estava demorando e mesmo quando ele chegou, decidi ir pelas escadas; ganhar tempo para pensar.

Indo na festa eu tinha a chance – grande chance – de espairecer, beber, dançar e talvez encontrar aquele lindo caribenho de novo. Ele era bonito e fora muito gentil, ganhara pontos comigo quando não forçara a barra, aceitara dançar sem mendigar ou exigir um beijo ou uns amassos. Claro, eu podia apenas dançar com as meninas, mas eu tinha dúvidas se elas não iriam correr para os meninos – as que tinham boys, claro – e ficar de vela não era opção.

—Nossa! Você foi a última a sair da piscina, né? – uma estranha me parou no meio das escadarias; eu subia e ela estava descendo junto a uma amiga.

—É, a água tava uma delícia – sorri, mentindo sobre eu achar a água gelada e cheia de álcool derramado por adolescentes suados e porcos.

Eu conseguia sentir os filetes de água escorrendo por meu corpo muito exposto, quase uma carícia, mas uma carícia asquerosa e não bem vinda.

—Então quer dizer que você ainda não foi jantar – ela não perguntou, continuou animada – Ta rolando uma bela discussão no terraço entre dois homens lindos!

—Jura?

—Estavam quase se batendo; acho que por uma garota que estava entre eles. Se você se trocar rápido talvez dê tempo de assistir.

—Como eles eram? Só me falta serem conhecidos; vou ficar extremamente constrangida se for o caso.

—Dois loiros. Um parecia mais esnobe, sabe? Mais riquinho, filinho de papai. O outro tinha alguma coisa mais... Rústica, talvez. Muito lindo e charmoso, mas parecia mais humilde em questão de roupas e tudo mais. Conhece?

Caralho!Por que eles insistiam em me fazer passar vergonha? E por que ela sempre que tinha que estar ali no meio?

—Não tenho certeza – menti de novo – Tomara que não – ri.

Começamos a nos afastar; eu subi um degrau e as meninas desceram dois. Até que elas pararam e me olharam com olhos grandes, curiosos.

—Sabe, acho que você é uma delas.

—Delas? – me apoiei no corrimão, voltando a olhá-las.

—É. Um grupo de cinco gostosonas que está causando entre os meninos. Um amigo disse que a líder, abelha rainha ou sei lá o que, tinha olhos muito azuis. Acho que é você.

—Ah... – eu não consegui responder aquilo.

—Ah, não me leve a mal. Temos que admitir que a concorrência é de excelente qualidade – elas riram e continuaram seu caminho me deixando extremamente sem graça. Uma coisa é ser cantada por meninos, outra é ser elogiada por uma garota/concorrente.

[...]

Bianca abriu a porta para mim e relatei o encontro esquisito com as meninas na escadaria enquanto pegava minhas coisas para o meu banho longo e quente. Bianca no caso estava, ainda, somente com a toalha de coraçãozinhos coloridos.

—Eu te espero, assim nós vamos juntas jantar – ela disse, logo afirmando que as outras já tinham ido para o terraço.

—Não estou com fome, Bia – disse entrando no banheiro.

—“Atá” que eu acredito nisso! – ela só voltou bufar – Você quase não comeu nada no almoço e passou a tarde toda dentro d’água. Sei que está morrendo de fome – foi como se ela ouvisse meu estomago roncar – Lia? O que está acontecendo?

—Nada, anjo – desconversei – Só estou meio enjoada.

—Se for só enjôo, eu não me incomodo – ela sorriu sugestivamente; apoiei meu corpo no batente.

—Sabe, isso sempre me incomodou.

—Isso o que?

—Já reparou que sempre que uma garota fala que está enjoada geral já associa a gravidez?

—Já – ela riu – É um inferno! Mas você tem certeza, não?

—Tenho – ri e fechei a porta.

Um banho longo e quente para tirar o cloro e o gelo de mim – mas, verdade seja dita, foi muito rápido. Tratei meus cabelos com todo o amor e carinho, utilizando produtos com partículas de ouro. Tinha decidido ir, sim, na festa. Os contras de ficar no quarto eram maiores do que os prós, então... Resolvi arriscar tudo numa noite. Queria estar impecável. Chegar acabada. Desmaiar na minha cama fofinha. E sonhar com o garotinho de novo.

—Então, amore, o que quer fazer? – Bia perguntou.

—Você já jantou?

—Não. Vou ficar e passar fome com minha amiga desmiolada. Se eu chegar a ter um coma alcoólico à culpa é toda sua.

—Entendi – sorri.

Assaltamos o frigobar: comemos um pacote de amendoins e barrinhas de chocolate, tudo isso regado a água de coco. Já íamos separando nossas roupas e maquiagens e discutindo como queríamos fazer o cabelo. Íamos levar um longo tempo já que optamos pelo não natural: eu queria os cabelos lisos e Bia queria os dela cacheados. Sequei os fios já fazendo uma bela escova, mas ainda estava decidida a passar a chapinha. Com os cabelos parcialmente feitos – ainda apenas de roupão/toalha – Annie retornou com a expressão chocada, lívida.

—Eles estavam brigando... Foi feio! – ela praticamente ofegava – Se chegar aos ouvidos da dona Adelaide...

—Chegar o que? – Bianca forçou, eu já imaginava sobre o que era.

—Solace e Castellan... Depois a Kelli apareceu no meio – ela estava meio ofegante, como se tivesse descido as escadas correndo apenas para contar as novidades – Parecia só uma discussão, então eu nem tinha levado a sério. Garotos são garotos – disse erguendo o ombro – mas depois ficou feio, sabe, muito feio mesmo com socos e copos e pratos quebrados. Estavam bem dispostos a se matar! Parece que chamaram os seguranças e tudo mais.

—Ta, mas e o motivo? Você sabe?

Annie não respondeu Bianca. Olhou direta e profundamente para mim. Não suportei nem sustentei o olhar.

—Meu Deus! – exclamaram as duas juntas.

—Por que homens dão tanto trabalho? – joguei meu corpo na cama.

—Mulheres dão muito trabalho também. Acredite, eu já tentei – disse Bianca.

—Annie, o que aconteceu depois? – perguntei a meia voz.

—Parece que vão ficar confinados no quarto esta noite. – ela mudou o tom de voz – Veja bem, agora você vai curtir a noite todinha sem preocupações.

—Não se Kelli resolver me encher a paciência.

—Seja positiva.

Elas sabiam que eu não estava pronta para ouvir nada sobre meus sentimentos sobre o assunto, então focaram exclusivamente na festa. Eu precisava de um esquenta e Rachel organizou um rapidinho, porque, como Bianca dissera, era uma emergência dramática da Thalia Grace.

[...]

Levamos um tempinho para chegar até o local da festa. Foi necessário um barco para chegar à próxima ilha e um ônibus para nos levar até o ambiente com luzes coloridas e música alta. Claro que nós cinco estávamos arrasando como sempre – tive de contar de novo as palavras das meninas da escada e fazer justiça as palavras delas.

Sinceramente, a festa não estava tudo isso, não estava à altura da minha produção, das minhas expectativas, mas não quis estragar a noite das meninas: elas estavam se divertindo e eu não pude deixar de fingir. Por isso me alegrei tanto quando senti mãos grandes em minha cintura e uma boca em minha orelha:

—Ainda se lembra de mim?

—Pablo – disse me virando para ele; Pablo estava lindo.

—Thalia – disse meu nome com muita malicia – Que pernas, amor – disse olhando descaradamente para mim. Não nego: o vestido era justo e era curto – Fiquei tentado – disse de forma sedutora.

—Lamento – sorri com maldade, deixando bem claro que ele só passaria vontade: não conseguiria nada mais.

—Você parece bem mais desanimada hoje.

—A festa não está correspondendo com as minhas expectativas.

—Vamos – ele apontou para um aglomerado de gente; só podia ser o bar – Eu te pago uma bebida e você me dá o prazer de sua companhia.

Pablo parecia conhecer bem o local, já que me conduziu a uma área um tanto mais nobre, sem tanta confusão. Bebia o Martini e ouvia suas palavras com alguma dificuldade devido o barulho, mas não prestava muita atenção. Minha cabeça estava cheia e meu coração estava distante. Mesmo assim sequei dois copos mantendo uma conversa agradável, sempre o surpreendendo; afinal, ele esperava uma menininha oca, fútil, vida feita... E eu era muito mais que isso.

—Seu pretendente...

—Ah – sorri com desgosto brincando com a terceira taça – ele não veio hoje.

—Noto certa rudez em sua voz, moça. Lamento que o relacionamento não esteja indo bem – levou o copo a boca para disfarçar a própria satisfação. Não consegui não sorrir ou não estapeá-lo levemente, enquanto o mesmo ria:

—Lamenta nada.

—Então – começou ele interrompendo o “silêncio” – que diversão te agradaria nesta linda noite?

Pensei um pouco sobre o que eu queria. Na verdade, estava sentindo falta da Máfia, das emoções intensas, da adrenalina e do risco... Fechei os olhos por meio segundo ouvindo, não aquela música horrorosa, mas um som macio, o ronco de um motor e o cantar de pneus.

—Racha – ele me olhou de uma forma estranha – O que?

—Racha? Corrida? Tipo, carros e motos velozes...

—Garotas também gostam de maquinas, Pablo – sequei meu copo – É disso que eu preciso. Correr, sentir a adrenalina nas veias. Fazer algo ousado. – estava falando mais para mim do que para ele, mas quem se importa? Ninguém leva adolescentes à sério mesmo.

—Tem monitores vigiando essa turma da viagem? – ele olhava para os lados.

—Uns dois ou três.

—Vem – ele me puxou pela mão indo para os fundos da boate – Vamos despistá-los.

—Para onde vamos?

—Vou realizar seus desejos, Thalia – ele disse com um puta sorriso incrível; era algo quase mafioso e foi nesse instante que eu senti que poderia viver durante aquela noite – Espero que reconheça meu esforço.

Foi bem fácil sair pelos fundos. Pablo buscou seu carro e retornou para me buscar. Para minha total surpresa, não fomos longe da boate, apenas umas quatro ou cinco ruas paralelas. Havia um pequeno aglomerado de gente e alguns carros lindíssimos.

—A manutenção é pesada – ia dizendo meu acompanhante apontando para as máquinas e acenando para os amigos/colegas/parceiros – O clima não ajuda muito, mas é um gosto ter um desses na garagem. Já dirigiu uma dessas máquinas?

—Você me ofende dessa forma, Pablo – sorri desdenhosamente olhando para os lados encantada com o que eu via.

—Sabia que eu tinha olhos só para o melhor, mas não pensei que alguém como você existiria.

—Essa cantada foi horrorosa.

—Eu sei – desculpou-se ele enlaçando minha cintura e caminhando mais devagar – Tive que tentar.

As garotas presentes me olhavam com inveja latente. Afinal, Pablo não era somente lindo como parecia ser um dos maiorais por ali.

Olhei alguns motores, fui cantada por vários homens – e algumas poucas mulheres – mas graças a Deus, Pablo não permitia que ninguém tocasse em mim, nem mesmo um aperto de mão. Ele apresentou-me um carro e percebi que muitos me olhavam torto. Claro, tinha aquele preconceito básico de que as mulheres eram fáceis e serviam apenas para satisfazer os caras, quase prostitutas, mas com algumas regalias a mais. Francamente, eu não estava vestida como uma mocinha de contos de fadas, mesmo assim ainda tinha mais classe que todas as outras; modéstia à parte, claro!

—Vamos correr só nós dois, amor – disse ele – Prometo pegar leve...

—É melhor não me subestimar, Pablo. Fez isso à noite inteiro e olha só aonde chegamos.

Ele riu.

Vamos ser honestos? Ganhei todas as vezes, dirigi algumas, outras fui carona junto ao Pablo, mas isso não era o mais importante. O ponto fora a energia que correra em minhas veias, o vento que bagunçou meus cabelos, a velocidade, a adrenalina, a emoção, o perigo... Eu havia nascido para viver intensamente e tudo aquilo junto mais as risadas e os aplausos, tudo havia feito com que Luke/Will não fossem mais do que nomes.

Voltamos para a boate no meio de uma fuga, embalados pelo som de sirenes; foi inexplicavelmente mais difícil voltar para dentro, mas demos nosso jeito. Não conseguia deixar de sorrir.

—Salvou minha noite – disse aproximando meu corpo do seu, no meio da pista de dança.

—Você podia agradecer de uma forma especial, não acha?

Grudei meu peito ao seu e levei minha mão a sua nuca, arranhando-a assim como fazia com o braço. Suspirei de encontro a seus lábios deixando que sentisse meu hálito então... Beijei sua bochecha murmurando um agradecimento e dei as costas.

Fui encontrar Annabeth, sozinha, a minha espera no bar. Tomamos uma última dose e seguimos para o ônibus.

[...]

A loira ia dizendo que as três princesas haviam voltado logo pois já se encontravam alteradas o suficiente – também confessaram que a festa não fora das melhores – e que Annie tinha ficado para me procurar/esperar. Já no elevador, contei que havia ido a um racha junto com o cara da noite passada (retrasada?). Vi nos olhos dela que alguma coisa a incomodara.

—Lia – ela começou com cuidado – Você ficou com ele?

—Não.

—Porque se for o caso, eu não acho que...

—Não! Não fiquei com ele – disse firmemente – Nem um selinho.

—Nem nada mais?

—Nem nada mais.

Andamos até nossa porta e chamamos, batemos, socamos horrores. Foi aí que a compreensão atingiu Annabeth. Ela contou afobadamente que Rachel e Clarisse haviam esquecido as chaves dentro do quarto fechado. Meu Deus! Elas estavam apagadas, tipo, muito bêbadas e exaustas... E nós não tínhamos o cartão do outro quarto!

—E agora? – disse a loira.

—Nós podemos dormir no corredor – eu disse em tom de desculpas, ela me fuzilou com os olhos – Ok! Perdão! – olhei de uma porta para outra; perguntei se tinha certeza de que as três estavam no nosso quarto e ela confirmou – Vamos fazer assim: uma de nós desce até a recepção e usa a carinha de anjo para conseguir a chave do quarto.

—Do nosso ou do delas?

—Do delas.

—Ah! – suspirou – Eu vou. Foi a minha distração que nos fez subir desnecessariamente – e sumiu no elevador.

Fiquei alguns segundos decidindo, remoendo... Talvez fosse o álcool, mas não me vi caminhar, não ouvi meus passos, nem tinha consciência do que estava fazendo... Eu me encontrava enfrente a porta de Luke. Sinceramente, eu não sabia o que eu esperava dele. Inclinei meu corpo grudando a orelha na porta; consegui ouvir algo, parecia uma discussão... Sim! Era a voz de Luke. A outra era de Kelli.

Afastei-me com o coração na mão, os olhos úmidos. Voltei para frente do quarto em que eu deveria estar e esperei por Annie em um silêncio melancólico. O recepcionista viera com a chave mestra pessoalmente e ficou observando as duas beldades entrarem no cômodo. Procuramos por um demaquilante enquanto conversávamos, ou melhor, enquanto Annie tentava desabafar.

—Desde quando sabe? Quero dizer, sobre mim e Percy.

—Já tem uns meses. Não que fosse uma surpresa, claro.

—Mas... Eu tomei tanto cuidado e...

—Está com vergonha? Jackson não é tão ruim assim, Annie. Ele é uma graça, na verdade – começamos a tirar o excesso de roupas, ficando apenas com as lingeries.

—Eu sei! É que... Eu só... Nunca consegui ver nossa vida como um palco para romance, entende? Somos mafiosas, treinadas para sermos frias e direcionar nosso ódio. Fomos educadas a amar armas e um ideal quase utópico – ela ficou sem fôlego – Não sei mais como conciliar as coisas. Não sei qual é a Annabeth que se mostra para o mundo e qual é a Annabeth da Máfia. Não tenho mais isso claro.

Deitamo-nos deixando somente a luz do abajur acessa.

—Eu também não sei mais qual é a minha máscara e qual é a verdadeira Thalia – disse devagar, a voz baixinha – Eu me vejo nas menores coisas, sabe? Venho aprendendo isso durante esse ano tão maluco. Sabe o que eu descobri? – ela me olhava profundamente, com uma angustia tão clara, uma expectativa tão intensa... Foi aí que eu me recordei que eu sempre fora como irmã mais velha para Annabeth; lembrar daquilo me fez bem – Que eu não preciso de uma máscara definitiva, de um rótulo. Não sou a pequena Grace e não sou a queridinha da Máfia. Sou mais do que as duas. Você também é.

Ela estendeu a mão e ficamos assim, de mãos dadas, ligadas uma a outra, uma corrente de braços entre as camas. Lembrei que costumávamos dormir de mãos dadas quando éramos mais jovens, nos consolando pelas dificuldades da vida.

—Acha que devo assumir esse namoro? Não acha que isso pode interferir em quem eu sou, no que eu faço?

—Jackson não interfere em nada em quem você é. Ele te acrescenta, mas não interfere, não se você não deixar.

Ela fechou os olhos.

—Isso é ridículo. Antes esse medo fazia sentido, ele não era um mafioso não sabia de nada e agora eu só...

—Desde quando medos tem sentido?

—O que aconteceu hoje entre você e Luke? Estavam tão lindos no café da manhã e então tudo simplesmente desandou.

—Eu nem sei direito.

—Tente falar. Comece do princípio.

Comecei, então, pela chegada de Grover e sua namorada e o que a garota dissera. Disse para Annie exatamente o que eu dissera para Castellan; que depois dele, eu não precisava de mais ninguém. Contei que Will me interceptara no fim da manhã me deixando com a imagem de Luke e Kelli na cabeça além de dizer que me amava. Confessei que ficara inquieta com aquilo e que não queria contato com nenhum dos dois garotos por isso não fora jantar.

—O homem com quem você saiu hoje – começou ela – era o mesmo do que o da festa passada?

—Era.

Ficamos um tempo em silêncio, sabia que Annabeth remoeria cada uma das minhas palavras, contudo o silêncio foi tão longo e intenso que cheguei a acreditar que ela dormira, mas não. Ela falou e falou exatamente o que eu não queria ouvir.

—Você está gostando do Castellan.

—É... – admiti com a voz pesada.

—Sabe que está apaixonada por ele, não sabe? – Annie olhou fundo em meus olhos e os viu cheios d’água – Ah, Lia! Por que é tão difícil admitir?

Eu somente neguei com a cabeça, forçando o choro a retroceder. Eu não precisava dizer as palavras; Annie já sabia a resposta. Sabia muito mais do que eu. Mas sabia também que eu precisava de tempo para me acostumar com a ideia de sentimentos. Nós dormimos bem rápido depois de nossas confissões, dormimos de mãos dadas, uma confortando a outra como costumávamos fazer.

Notas finais
Perdoem qualquer errinho, sim? Meu Deus! Ela admitiu em voz alta *O* O que acharam de Luke? E da Thals? Até breve '3'