Gimme More
63 Capítulo 53
Capítulo cinquenta e três –
Uma rodinha de crianças. Lá estava a pequena eu com seu vestidinho de gala, impecavelmente arrumada, no meio do playground do parquinho. Estávamos todos decidindo do que brincar quando um menino gritou:
—Faz de conta! Vamos brincar de faz de conta! – como todos concordaram ele já foi dizendo – Eu sou um mago disfarçado de dragão e – girou olhando para todas as outras criança,s então apontou para mim, para a pequena Thalia – você é a princesa indefesa que eu quero sequestrar!
—Não sou indefesa – disse com um ímpeto extraordinário para aquela idade.
—Ela é a princesa guerreira de um reino distante – disse meu amigo, aquele que eu nunca conseguia ver o rosto; era como se ele soubesse exatamente quem eu queria ser, como se soubesse meus pensamentos – Eu sou o cavaleiro dela.
As outras crianças – a maioria meninos – iam gritando suas personagens, escolhendo entre ser parte do time da princesa e seu cavaleiro ou do time do mago/dragão.
—Vamos invadir o reino da princesa e assumir o controle das artes mágicas! – gritou um.
—Nós não vamos permitir! – gritou outro.
As crianças corriam, era praticamente pega-pega, mas com muita imaginação e emoção a mais. As poucas meninas que estavam brincando não pareciam felizes por não serem princesas, com exceção de uma fada que concedera três desejos para mim e para meu melhor amigo; era engraçado ver a inveja delas pelo meu vestido e esse mesmo fato era triste porque já mostrava a forma como crianças eram educadas a sentimentos mais baixos.
As lutas de espadas eram feitas com galhos. As fortalezas eram as árvores baixas e de grandes galhos que cercavam a área. Meu castelo era a parte mais alta do playground.
—Não! – gritei de susto, raiva.
—Eu consegui a jóia mágica! – gritou o garoto correndo para longe com meu colar na mão: o colar de Abelle; o mesmo que eu levara na viagem – Se a princesa quiser de volta terá de se submeter ao meu poder, a minha vontade! – e riu forçadamente como os vilões faziam.
—Lia! – meu amigo chegou correndo, preocupado com meu tom de voz; ele sabia que não era parte da brincadeira. Segurou-me os braços olhando para mim a procura de machucados, quando não encontrou nada perguntou – O que há de errado?
—Ele pegou o colar da minha mãe – sussurrei.
Família era um assunto complicado para nós dois.
—Vamos pegar de volta – ele disse baixinho e então sorrimos e corremos lutando com pedaços de graveto contra a turma do mal.
Queria escrever no diário a continuação do sonho, mas não estava no meu quarto. Nem com meu celular eu estava; a pedido do Jackson ele ficara desligado e debaixo do meu travesseiro. Virei para o lado e só vi um emaranhado de cabelos loiros. Nós havíamos dormido de mãos dadas depois de confessarmos...
Meu Deus!
Tudo voltou com força e as imagens castigavam minha mente em marteladas; a última delas foi uma marretada indescritivelmente violenta: Kelli estivera no quarto dele depois de tudo... Minha cabeça latejava e eu não sabia se aquilo era ressaca ou se era uma reação do meu corpo ao meu emocional desestabilizado.
Olhei para o relógio buscando esquecer tudo aquilo... Caralho! – joguei as cobertas para o lado e me joguei em cima da loira.
—Annie – chamei – Vamos, vadia! Nós vamos perder o café!
—O que? – ela acordou no susto já levantando e procurando as próprias roupas... – Não estamos no nosso quarto, né?
—Pega qualquer roupa delas e vamos. Se eu não comer nada vou ter um colapso!
Rimos as duas enquanto pegávamos roupas aleatórias de Rachel e Clarisse; era bom que elas soubessem o que era de quem depois. Lembramos de pegar o cartão e subimos correndo aos risos e descalças. As outras três estavam lá na maior mesa local também com as nossas roupas nos esperando e rindo de nossa entrada triunfal – quase caindo uma sobre outra; ainda aos risos.
—Que noite maravilhosa!
—Claro, não foram vocês que quase dormiram no corredor – atacou Annabeth.
—Não! – espantou-se Clarisse.
—Sim! – retruquei.
—Por que não chamaram?
—Uma pedra escuta mais do que vocês.
—Quase derrubamos a porta!
As risadas foram empolgadas. Começamos a conversar sobre os passeios e sobre as festas que teríamos naquele dia, possíveis roupas e maquiagens e Rachel mencionou dois caras com quem ficara noite passada; nenhum do hotel, mas isso lembrou as meninas que eu desaparecera na festa...
—... Você foi com alguém? As coisas ficaram quentes? – Bianca não disfarçava nenhum um pouco seu interesse no lado malicioso das coisas.
—Saí com o mesmo cara da primeira noite – elas se entreolharam – Eu disse que queria ir num racha e ele me levou em um.
—Miga – riu Clarisse – Deixou o caribenho gamado.
Não dava para retrucar.
—Mas vocês ficaram?
—Rachel!
—Mas todas querem saber, quer dizer, acho que Annie já sabe, mas...
—Não, nós não ficamos.
Fazia parte do nosso código: ocultar sim, mentir jamais. Elas trocaram um olhar significativo e eu baixei os olhos; sabia o rumo da conversa: iria para em Luke Castellan e nos meus sentimentos por ele.
—Nós não precisamos falar disso agora se não quiser – murmurou Bianca.
—Ninguém quer te forçar a nada – disse Clarisse.
—Quando você estiver pronta, Lia, nós vamos estar aqui – sorriu Rachel.
Engoli em seco.
—Eu adoro vocês.
[...]
Passamos a amanhã arrumando nossas coisas, voltando para nossos respectivos quartos e discutindo os prós e contras do passeio a tarde. Enquanto as meninas jogavam roupas e discutiam maquiagens a prova d’água eu consegui escrever o suficiente no diário: meu dia e o sonho. Encontrei o celular...
—Você ficou um dia inteiro sem celular? – Bia olhava para mim incrédula.
—Jackson me fez prometer – sorri – Meu deus – murmurei e graças ao universo, ninguém me ouviu. Havia dezenas, centenas, milhares de mensagens e ligações de Luke. “Preciso te ver, onde você está?” “Precisamos conversar” “Lia, por favor...” era angustiante e eu não lera nem metade. Mas eu tirara uma satisfação: algumas mensagens foram enviadas no mesmo horário em que eu estivera em frente a sua porta. Ele chamara por mim de madrugada... Kelli talvez tenha se aproveitado daquela confusão toda, mas ele não a queria!
—Thals – Annie me olhava de forma esquisita – Você está pálida.
Joguei o celular no ar sem me importar se ele poderia ou não cair no chão. Os reflexos da loira eram excelentes; Bianca se juntou a ela.
—Acho que vocês precisam conversar – Annie devolveu o celular.
—Eu também. Não é de hoje que vocês discutem e depois acabam grudados.
—Nós não discutimos... Ainda.
—Lia! – disseram as duas ao mesmo tempo.
—Tudo bem, tudo bem – ri – Vamos conversar hoje de qualquer forma. Não dá para fugir dele para sempre.
—Como se você quisesse.
O desdém de Bianca me fez sorrir. Mas é claro que eu atirei o travesseiro nela e nisso fizemos uma guerrinha básica, só nós três: sem garotos, sem problemas.
[...]
O ônibus que nos levaria ao nosso destino estava atrasado 15 minutos, não que eu me importasse tanto. Não tinha, também, como não comentar o vestuário da maioria das meninas: tecidos caros e jóias até pesadas para não dizer nada do reboco na cara delas. Gente! Estávamos indo em um parque aquático, a balada era só de noite!
Primeiro senti sua mão segurar a minha com uma suavidade que eu não esperava; não depois do desespero que ele me passara pelas mensagens de texto. Apertei sua mão de volta, mas não me virei. Estava discutindo com Rodrigues se a dona Adelaide iria ou não vir conosco, então encaixei meu corpo no de Luke: minhas costas contra seu peito e suas mãos nas minhas; ali eu me sentia completamente à vontade. Acabou que o assunto nem era mais tão empolgante assim. Claro que Clarisse também apareceu e roubou o namorado propositalmente.
Conforme as pessoas começavam a entrar Luke me abraçou com mais intensidade. Suspirei me aconchegando em seus braços; não queríamos ouvir palavras, justificativas ou perguntas. A presença já bastava. Sentamos lado a lado, as mãos ainda juntas, os dedos entrelaçados. Dava para ver os nós dos dedos arroxeados, acariciei-o com cuidado e leveza e só então ergui meus olhos para os seus. O azul sempre firme como aço estava melancólico; eu odiava vê-lo fragilizado, odiava fazer parte do motivo.
—O que aconteceu? – perguntei baixinho; tinha muita gente falando em voz alta, mas não queria que ninguém ouvisse meus dramas pessoais.
—Eu vi Will te agarrar na praia – disse aproximando seu rosto do meu para evitar que alguém nos ouvisse – Sabia que ele tentaria me difamar, que falaria do quase beijo com Kelli...
—Quase? – acusei.
—Ela roubou um selinho – admitiu com desgosto – Não deixei que continuasse, claro. Mas eu sabia que ele jogaria isso na sua cara e... – ele parecia nervoso – E você não me deu chance de chegar perto, era como se não me visse durante o restante do dia. Eu te chamei, liguei, mandei mensagem...
—Jackson me viu conversando com meus irmãos e ajeitando uns probleminhas com o nosso trabalho – ele entendeu – e me fez desligar o celular o restante do dia. Só fui ver suas mensagens uns 20 minutos atrás.
—Menos mal – ele encostou sua testa na minha e suspirou – Não queria que me castigasse por algo que não tive culpa – não comentei que também fizera algo assim, que o evitara de propósito; ele não precisava saber disso.
—Por isso brigou com Will? Porque ele mencionou Kelli?
—Por estar sempre entre nós dois. Já devia ter parado de insistir e talvez até tenha parado de correr atrás de você, mas não parou de empurrar Kelli para cima de mim e jogar isso na sua cara. Ele não cansa de tentar estragar o que temos – ele fechou o punho com força, tal qual os olhos; levei a outra mão que não estava na sua e deslizei-a por sua coxa, acalmando-o: foi o suficiente – Talvez ele esteja certo e eu não seja digno de você, mas...
—Quem decide isso sou eu – disse firmemente – Já te disse para não subestimar seu valor, a importância que tem para mim.
—Ele me deixa louco – rosnou pertinho dos meus lábios.
—Fique longe dele – disse como se fosse simples, mas não tive condições de pensar em nada mais elaborado.
—Nem sempre eu controlo isso, Lia.
—Então pense em algo que te acalme – ele sorriu; um sorriso lindo.
—Você.
O sussurro foi muito gostoso, fez subir um arrepio pela minha espinha e um sorriso involuntário surgir. Eu sabia que aquele dia era nosso, completamente nosso. Eu não queria estar em outro lugar que não fosse ali ao lado dele.
—Então hoje você vai ficar longe dele e perto de mim.
—Parece perfeito.
[...]
O parque era incrível. Toboáguas, diversas piscinas, cabanas privativas... Ele me ajudou a tirar a roupa assim como eu fiz com ele, nos demorando propositalmente sentindo na pele o efeito que causávamos um no outro. Não me lembro de ver os outros mafiosos nem mesmo outros colegas. Éramos nós dois. Seguimos de mãos dadas até o riozinho e lá, com um olhar tão maroto quanto carinhoso, Luke me pegou no colo e pulou sem me dar tempo de pensar em voltar atrás.
Não me lembrava de momentos tão divertidos assim, sem preocupações futuras. Trocamos de piscina diversas vezes. Mergulhávamos juntos e nos encontrávamos debaixo d’água, depois emergíamos aos risos. A simples presença dele já era alegre e eu percebia ser o mesmo para ele.
A cada duas horas, mais ou menos, conforme havíamos combinado, Castellan me tirava da água e acariciava meu corpo conforme passava o protetor solar. E eu fazia o mesmo com ele. Era uma troca tão gostosa de favores... Aproveitamos uma dessas pausas para fazermos um lanche e nessa topamos com uns coleguinhas, entre eles Silena e Beckendorf. Senti o desconforto inicial de Luke então tratei de mostrar com atitude que eu não me importava mais com aquele passado. Focamos nos hambúrgueres e nos milk-shakes, ignorando os olhares atravessados da soi-disant modelo.
—Já foram em todos os toboáguas? – Beckendorf perguntou a Luke.
—Não – riu – Não sei se vamos a todos – olhou de esguelha para mim – Depende dela também.
—Que fofo – disse Silena; havia uma nota estranha em sua voz, um olhar esquisito – mas até ai é só se separarem – disse levando o seu copo à boca.
—Não – ele desdenhou automaticamente; eu disfarcei meu sorriso – Não tenho intenção de sair de perto dela.
—Isso soou doentio – ri roubando uma batata dele.
—Verdade – ele fechou os olhos em negação; não consegui não rir.
Caminhamos por alguns minutos para fazer digestão antes de voltarmos às águas. Sempre que possível de mãos dadas. Chegamos num cantinho mais isolado, onde Luke segurou minha cintura me trazendo até junto de seu corpo. Sua mão na base das minhas costas me causava arrepios.
—Você não me contou como foi sua noite – ele sorriu.
—Ah, você vai adorar essa história – sorri segurando em seus braços – Encontrei o mesmo cara da primeira noite e ele me levou num racha.
Senti-o colar seu corpo no meu: seu peito no meu, as testas coladas, os narizes; eu só conseguia olhar sua boca tão próxima da minha.
—Está tentando me deixar com ciúmes?
—Talvez.
—Então está funcionando. – suas mãos subiram por minhas costas e afastando os cabelos úmidos; por um instante pensei que ele tivesse a intenção de soltar meu biquíni, mas logo voltou a descer por minha pele.
—Que bom – sorri, sentindo seus lábios próximos dos meus, quase um selinho...
Uma confusão de gritos fez com que nos separássemos, assustados. Lá estavam Will e Kelli tentando disfarçar que armaram aquilo para que nos afastássemos. Trocamos um olhar. Eles se aproximavam falando besteiras sobre os melhores toboáguas ou algo assim. Eu segui em direção a piscina mais próxima e Luke vinha logo atrás; eles, é claro, pareciam nos seguir.
—É só ignorar – ele sussurra para mim.
Mas ele não conseguiu ignorar por muito tempo. Garotos são garotos e aqueles dois sempre foram competitivos. Naquele instante estavam se desafiando para ver quem conseguiria subir o templo maia e descer por um toboágua submerso numa lagoa repleta de tubarões.
—Ótimo – gritou Will – Vou te dar um refresco: vou levar Kelli comigo – a garota começou a expressar sua falsa indignação; ela estava adorando fazer parte do desafio.
Antes que eu percebesse, eles nadavam em disparada na direção do tal brinquedo; Kelli ia mais devagar sem tanto desespero, mas eu fiquei no mesmo lugar sem qualquer intenção de segui-los. Luke percebeu e conseguiu voltar sem ser percebido por Solace – este estava concentradíssimo em chegar primeiro.
—Lia? – chamou. Comecei a me afastar para perto de uma das “rochas”, num canto onde não seria vista por Will ou Kelli caso eles resolvessem virar para trás – Hey! – ele me olhava confuso já perto de mim – Não íamos ao toboágua juntos?
—Não. Naquele eu não vou.
—Por quê? Não, já sei: é companhia dos dois? Damos meia volta e voltamos mais tarde ou...
—Não – sorri.
—Foi por que aceitei o desafio?
—Não – ele ficava tão lindo quando confuso.
—Lia, o que...
—Eu não vou porque é fechado.
Castellan precisou de uns minutinhos para entender que meu problema era pessoal. Pareceu rever o passeio todo: nós só havíamos ido nos toboáguas abertos; nenhum tubo de acrílico fechado. Meu problema tinha nome: Claustrofobia. Eu não entrava nesses tubos fechados e cercados por água de jeito nenhum.
—Então vamos à outra piscina ou...
—Mas você quer ir! Luke...
—E ir sem você? Não, acho que não – a firmeza em sua voz me fazia tremer. Segurei seu rosto, acariciando-o. Por que ele tinha que me atrair tanto?
—Não quero te limitar, ser um peso. É sua formatura, Luke! – olhei fundo em seus olhos, tentando fazer com que compreendesse meu lado – Eu não me importo de te esperar. Aliás, você está perdendo a corrida.
—Não me importo!
—Sim, se importa!
—Lia...
—Se não quer ir por você, então vá e se divirta por mim – pedi; ele não dava sinais de que sairia dali então apelei – Por favor!
—Vai me esperar aqui? – disse depois de segundos penosamente silenciosos.
—É – e beijei sua bochecha, sentindo seu sorriso.
Luke se afastou um pouco e bem devagar, como se me dando tempo para decidir, mudar meu pensamento, mas voltou-se para mim a poucos metros de distância. Sua voz evidenciava seu sorriso e me deixou aérea:
—Estou indo por você, princesa.
Eu não tive dúvidas da veracidade das palavras.
Uns minutos depois; não os contei, mas senti-os: senti a falta dele durante poucos minutos! Aquilo parecia tão absurdo e... Depois enxerguei seus cabelos na outra ponta da piscina e não pensei duas vezes: eu nadava para seus braços assim como ele nadava para os meus. Castellan me segurou, erguendo meu corpo momentaneamente para fora d’água provocando risos – nossos e de algumas outras pessoas próximas e sensíveis o bastante ao carinho juvenil.
Voltei para dentro da piscina ainda sorrindo e abraçada aos seus ombros.
—Não ganhei a corrida – ele sussurrou; seus olhos reluzentes só para mim diziam que ele realmente não se importava de ter perdido, contavam que havia ganhado muito mais com meu abraço, com meus carinhos...
Sentia meus olhos brilharem para ele. Bom, parte disso era o cansaço e o sol. Naquele instante, não me importei em admitir e aceitar os sentimentos dele por mim, na verdade, internamente, admiti que estava apaixonada por ele... E nem mesmo com aqueles dois insuportáveis que continuavam nos seguindo, se corroendo de ciúmes, me deixei abater.
[...]
Dormimos durante a volta, o caminho inteiro, e só acordamos com os cutucões de Rachel; a ruiva saiu rindo, murmurando coisas como “definitivamente arrumem um quarto”. Eu só consegui sorrir, sem forças iniciais para nada mais.
—O que vai fazer agora? – Luke perguntou se espreguiçando, conforme caminhávamos para o elevador.
—Tomar um banho – bocejei – Talvez tirar um cochilo.
—Mas vai à festa de hoje, não?
—Claro. Não trouxe uma fantasia na minha mala a toa.
Ele riu.
—E daria tempo de tirar um cochilo?
—Três meninas com cabelos compridos, Luke – olhei para ele incrédula – A fila do banho demora pra andar.
Ele me olhou de forma maliciosa. Aproveitando-se da distração do abrir e fechar de portas.
—Podíamos tomar banho no meu quarto – cheirou meu pescoço e sussurrou discretamente; quem ouviria no meio de todas aquelas conversas.
—E os outros dois?
—Estão morrendo de fome.
—Você não?
—Minha fome é outra – sua mão desceu discretamente até minha bunda; sorte que ninguém estava olhando para nós. Chegamos ao nosso andar e Luke continuou argumentando, me apertando... – Vai me dizer que não quer?
—Não vou dizer.
—Eu me comportei o dia todo, agora...
—Você não presta. – sussurrei lhe dando as costas seguindo para meu quarto. Bianca abriu a porta e eu peguei o necessário rapidinho. Ela estava tão cansada que nem percebeu que eu saí. Castellan segurou minha mão disponível e me levou até seu quarto; ignoramos os olhos de Silena que nos seguiam pelo corredor.
[...]
Sexo no chuveiro era bom. Sexo com Luke no chuveiro de um hotel nas Bahamas era excelente. Castellan fora bem mais gentil do que no primeiro dia, com direito a massagem entre outros carinhos. O ponto foi que me surpreendi com a delicadeza com a qual ele lavou meus cabelos e a suavidade com a qual eu ensaboei seu corpo. Sim, havia muita malícia e perversão. E sim, havia muito carinho ali no meio.
Secamo-nos e nos vestimos no banheiro – pelo perigo de Chris ou Beckendorf entrarem – Castellan me levou nos braços, ainda cheio de sorrisos naquela felicidade pós-sexo, até sua cama próxima a janela, me entregou uma escova de cabelo e se afastou quando a porta voltou a abrir. De qualquer forma iria rolar aquela troca de olhares e sons esquisitos quando eles entraram no quarto e me viram com os cabelos molhados e embaraçados. Continuei o processo de pentear os fios ignorando a intensidade dos olhares.
—Sinto muito, cavalheiros – brincou Luke depois de ouvir muitas piadinhas e muitas perguntas que nenhum de nós dois respondia com palavras – Tenho que levar minha dama para jantar.
Sai do quarto rindo e já o abraçando pela cintura.
Fale com o autor