Gimme More
54 Capítulo 44
Notas iniciais
Capítulo quarenta e quatro –
Aquele estava sendo o fim de semana mais chato da minha vida! O tédio me consumiu por inteiro na mansão Grace onde meu pai ainda insistia em me repreender por ter dançado com Luke. Apolo tentou apenas uma vez concertar sua situação comigo, mas lhe dei um gelo do tamanho do Everest. Quanto a Luke, bom, tivemos uma discussão sobre eu ter beijado o inútil Will Solace; aparentemente, e com um pouquinho de mafiosidade, descobri que Silena havia mandado uma foto para Luke onde mostrava bem os dois segundos iniciais em que eu o beijei. Isso me levou a duas questões sérias: por que Luke estava dando bola para a nojentinha metida à modelo? E por que a vagabunda se incomodara em mandar uma foto?
Claro, a vida estava uma droga! Como a primavera é uma estação de transição, estava razoavelmente frio e eu não aguentaria ficar em casa um segundo a mais naquela tarde de domingo. Estava me sentindo muito puta com todos ao meu redor, queria que todos se explodissem e depois revivessem só para cheirar as próprias cinzas. Meu nível de irritação estava alto. Entrei em meu closet já a procura do que vestir com o celular preso entre o ombro e a orelha.
—Oi.
—Tem algum plano para agora? –perguntei procurando uma lingerie. Peguei um corpete preto sem alças de um tecido delicado e uma calcinha da mesma cor.
—Não. Tem algo em mente?
—Me encontra no Central Park? Tenho muito planos para agora – sorri sozinha e desliguei. Peguei a camisa xadrez e abotoei botão por botão sem pressa, ela não era tão comprida para se fazer de vestido, mas cobria o essencial. Puxei as meias ¾ suavemente e calcei as botas de salto finíssimo e cano curto.
Sai do quarto levando apenas o celular, desci as escadas tendo noção de que um Apolo e um Hermes chocados notavam que por baixo da camisa só havia peças íntimas. Passei por eles ignorando seus chamados e as tentativas falhas de me fazer subir e trocar de roupa. Acho fantástico o modo como os homens amam mulheres com roupas curtas ao extremo, mas se incomodam quando vêem suas irmãs e/ou mães vestidas dessa forma. Estava já do lado de fora quando Apolo segurou meu pulso forçando-me a virar.
—O que quer? – rosnei.
—Eu já pedi desculpas, Lia! Agora, sair vestida desse jeito... – virei-me novamente comecei a andar ignorando-o mais uma vez, mas ele puxou-me para trás até minhas costas colidirem com seu tronco. Discreta e silenciosamente, ele deslizou a mão sobre minha coxa e pude sentir a ereção em minha bunda. Sorri maldosamente já que ele não podia ver – é mais tortura do que sou obrigado a suportar.
—Caso você não saiba, Apolo – disse de forma desdenhosa – Você é meu irmão mais velho. E os mais novos têm por obrigação torturar os mais velhos. De qualquer forma, nossos momentos de sexo irrestrito acabaram. Você é muito mais covarde do que eu pensava que fosse e ser bom de cama não muda o nojo que sinto por covardes.
Livrei meu pulso, entrei no carro e me apressei até o local combinado. Demorei 20 minutos apenas para achá-lo, mas assim que ele me viu se apressou a sentar no banco do carona.
—O que vamos fazer? – Nico perguntou com as faces meio ruborizadas.
—Você já aprendeu a dirigir? – disse virando a esquerda em um farol.
—É claro que não! Tenho 14 anos, Thalia! – disse ficando mais vermelho.
—Isso não significa nada. Com 13 anos eu e sua irmã já sabíamos dirigir. – disse rindo do coitadinho de braços cruzados – De qualquer forma, vamos correr hoje.
—Correr?
—Antes vou te deixar dirigir alguma coisa. Vamos ver se você é rápido o bastante para a Máfia.
Depois de falar com Marcos sobre meus planos e nos vestir apropriadamente (o que incluía um macacão, botas, óculos), Nico e eu seguimos pelos Túneis até uma área considerada centro de treinamento automobilístico. Era enorme: quilômetros de terra e nada mais além do céu.
—Lia – ele murmurou espantado – Eu posso mesmo? – havia uma moto em sua frente e as chaves estavam na minha mão – Quer dizer, bom, eu... Eu não sei se... – eu podia ver o desejo desesperado do menino: ele queria pilotar a moto.
Joguei a chave. Nico pegou-a no susto.
—Vai – disse em tom autoritário. Ele forçou um sorriso mal-humorado para não confessar seu desejo, como que para provar que era apenas um menino depressivo e foi. Teve que tentar três vezes, mas conseguiu arrancar, tinha um bom equilíbrio e logo ia dosando a velocidade. Ele tinha um talento, poderia ter aprendido muito antes.
Quando dei por mim estava rindo e correndo em meio à poeira levantada; Nico já devia estar a 200 km/h e mesmo assim eu conseguia ouvi-lo rir. Peguei outra moto igualmente sofisticada e aperfeiçoada por nossos melhores profissionais e seguimos correndo, dando voltas, levei Nico ao limite, chegamos ao ponto de eu fechá-lo e o menino quase cair da moto, mas apenas recuperar o equilíbrio aos risos. Depois de uma hora e meia ele parou ofegante.
—ISSO FOI INCRÍVEL! – ele gritou me arrancando um riso. Acho que eu nunca havia visto Nico tão feliz e satisfeito, nem depois do sexo.
—Quem sabe não fazemos isso mais vezes – propus com um tom falsamente indiferente e um sorriso de canto. Seus olhos se arregalaram.
—Isso seria... – ele não encontrou palavras. Ignorei-o e me pus a pensar.
—O que fazer agora? – perguntei para mim mesma – Podíamos ir comer alguma coisa, mas não pensei em nenhum lugar legal.
Voltamos à sede e limpamos a poeira em nossos corpos enquanto o menino sugeria um local. Nico ditou o caminho, agora com meu carro pela NY, até uma lanchonete bacana e discreta e por lá conversamos sobre a escola e o que ele iria aprontar sozinho depois que o ensino médio fosse para a viagem, ele contou-me a última pegadinha que armara para Perséfone e eu contei o que planejava fazer com Apolo. Acabou que Nico foi a melhor companhia para mim durante aquela tarde. Nada de falar de garotos, nada de fofocas típicas de meninas, nada de situações de ciúmes, era apenas... Ele era meu amigo, talvez o único.
—É meu pai – disse ele olhando para o celular – Quer saber onde estou, acho melhor eu voltar.
—Eu te levo.
Até a casa do juiz seguíamos cantando Make Me Wanna Die; sabe deus quem cantava aquilo, mas o momento foi divertido. O porteiro nos deu passagem e parei em frente à porta. Hades estava lá, perplexo ao ver o filho rindo, e ao lado de uma garota, afinal Nico era do tipo depressivo e só andava ao meu lado por conta da irmã... E Bianca não estava presente. Compreensivo, mas hilário.
—Oi tio – acenei para Hades e dei tchau a Nico e segui meu caminho ignorando a cara irresoluta de Hades. Quando estava quase em casa meu celular começou e não parou de tocar, insistiu tanto que parei para atender; estava a duas quadras de casa. Para minha surpresa, eu esperava por meu pai e irmãos, era Luke – Alô?
—Por que não atendeu antes?
—Estava dirigindo, idiota. Eu tenho mais o que fazer para ficar todo segundo checando meu telefone.
—Ah, está muito ocupada? – senti sua cautela de longe. Luke provavelmente estava pensando nas palavras agressivas que jogara em minha cara e tinha medo da minha reação. Francamente eu não sabia como reagir à pergunta.
—Depende – disso olhando as unhas pintadas de um vermelho vinho – Eu tenho planos.
—Talvez eu lhe proponha algo melhor – de algum modo senti sua voz engrossar; antes que me desse conta estava arrepiada apenas pelo tom de voz.
—E o que seria?
—Não vou contar. Preciso que venha...
—Não vou correr atrás de você por um motivo desconhecido – fui firme – Ainda estou chateada com você.
—Lia... – seu tom amansou muito.
—E, como eu já disse, tenho planos para essa noite. – não era bem um plano, mas um planejamento, como se eu fosse contar a diferença para ele ou simplesmente correr para os braços do imbecil... Deus! O que eu estou pensando?
—Preciso da sua ajuda, Lia – ouvi um barulho ao fundo da ligação e percebi que Castellan afastara o telefone para discutir rapidamente com alguém – Preciso que escolha. Eu... Nós precisamos que você...
Fiquei estática. De repente eu já sabia bem o que ele esperava de mim e quem deveria estar ao seu lado. Senti-me suja, usada, não acredito que estava quase cedendo...
—Não. Eu não vou – mantive o tom frio, indiferente, mas estava irrevogavelmente chateada. Como ele tinha a coragem de me pedir aquilo? – Não acredito no que está me propondo.
—Thalia, não é assim tão preto no branco... – ele tentou amansar a voz; consegui ouvir o outro rindo ao fundo, como se soubesse que eu estava rejeitando Luke. Estava furiosa! Deus sabia que se eles estivessem na minha frente já estariam mortos, com a jugular aberta e espirrando sangue e minhas mãos tingidas de carmim.
—Eu não sou um prêmio a ser disputado! – rosnei – Se é assim que me vêem, se é assim que ambos vão me tratar é bom que não respirem o mesmo ar que eu.
De repente senti que o telefone era disputado. Bufei sozinha e reprimi a vontade de chorar. Por que Luke tinha que agir de forma tão babaca e infantil? Por que ele tinha que me fazer sentir essa confusão de sentimentos contraditórios? Estava para encerrar a ligação quando outra voz me chamou.
—Thalia, espere! – sua voz estava temerosa, lembrei-me de como ela soava ríspida minutos antes de beijá-lo no corredor nem tão deserto da escola – Sei que isso parece idiota, talvez seja insignificante para você... Você entende como nós somos, sabe que não vamos parar. Precisamos encerrar isso... Eu preciso acabar com isso de uma vez.
—Will... – suspirei quase impotente – Você entende que eu não sinto nada...
—Entendo – ele me cortou bem rápido; talvez seus sentimentos fossem muito mais profundos do que eu imaginava, pois consegui sentir uma pontinha de dor ali naquele tom – Preciso colocar um fim nisso. Preciso que você encerre isso para mim, porque já não posso mais lidar com isso sozinho.
—Will...
—Thalia, venha – tranquei a respiração em raiva e em receio – Não é uma ordem ou um pedido. Isso é uma súplica. Nós três temos que por um fim nesse joguinho que começamos sem nem saber. Não venha por Luke. Não venha por mim. Venha por si mesma.
Fiquei um minuto e meio em silêncio. Conseguia ouvir as respirações dos dois pelo telefone. Sabia que estava torturando ambos, mas eu precisava refletir pensar. Desde seu sétimo ano escolar Will me notava, de alguma forma me queria. Considero isso estranho porque, mesmo estando naquela idade em que meninos e meninas começam a pensar em namorar, o mais comum era que ele quisesse meninas mais velhas. Nunca compreendi o que o levava a notar uma criança ainda “inocente”. E Luke... Desde quando Luke me notava? Não confiava em sonhos ou pesadelos, era apenas impressão que eu sentisse seu olhar, era apenas a carência no instante em que me encontrava, só isso. Então Castellan me notara apenas esse ano? Era o mais provável. Os dois loiros sempre disputavam tudo e ao que parece eu era a última disputa de colegial. Luke me causava reações que surpreendiam a mim mesma e Will era apenas um rosto bonito e um corpo gostoso, não me chamava atenção em nada. Eu odiava estar no meio deles. Odiava ser tratada como prêmio, como objeto. Era assim que Abelle se colocara perante Zeus, como um objeto; era assim que Hera via meu pai, como um prêmio. Não suportaria ser como essas duas, ser como ele... Então...
—Onde vocês estão?
—Park Avenue, meu pai inaugurou um novo hotel. Suíte presidencial, último andar. – estava para desligar, então – Thalia, muito obrigado.
Não respondi. Desliguei e manobrei o carro. Quase podia imaginar a vitória nos olhos azul-esverdeados e a dor nos olhos azul-aço. De certo modo, me sentia culpada.
[...]
Deixei o carro com o manobrista e fingi ignorar que ele olhava descaradamente para minhas coxas. Não me incomodei, afinal, estavam bem amostras mesmo. Na recepção encontrei o gerente de poucos cabelos que sorria com falsidade como convinha o trabalho. Prendia meu cabelo em nó no alto da cabeça fazendo, acidental e consequentemente, que a camisa subisse um pouquinho mais. Os dois empresários que estavam discutindo ofegaram. Fingi não ver, mas internamente sorria de forma maldosa. Deus! Eu estava realmente muito puta... Nem sei mais o que posso culpar.
—A Senhorita... A s-senhorita... – o gerente mudou rapidamente sua postura quando lhe disse meu nome.
—A suíte presidencial fica para que lado? – perguntei em tom inocente e gentil, apenas para vê-los (sim, o gerente e os dois babões atrás de mim) se derreterem.
—Com licença – uma mão tocou meu ombro com suavidade, a voz grossa de um homem; virei-me – Posso levá-la até lá. Meu andar é logo abaixo, mas não me incomodo de acompanhá-la.
O homem não era assim tão velho, devia ter 30 e poucos, barba por fazer e estava muito bem vestido. Seu amigo de cabelos grisalhos tentava não olhar veio para mim. Aquele com certeza era conservador.
—Tem certeza? Não lhe seria incomodo?
—De forma alguma – discretamente o vi lamber os lábios com desejo.
—Senhorita Grace! Senhorita Grace – o recepcionista falava; ao som do meu nome os olhos do homem a minha frente aumentaram, subitamente nervoso, assustado e mais excitado; afinal, Thalia Grace consegue arrancar duas coisas de um homem: o prazer e o medo – Não seria melhor se eu...
—Poderia fazer a gentileza de avisar ao Solace que cheguei? – disse com doçura e vi o gerente se derreter. Ficou óbvio para mim que o empresário queria se dar bem, o trabalhador também por isso interveio tão rapidamente. Segurei a vontade de rir.
—Vamos? – segui o homem de barba que acenou para o homem que discutia com ele instantes atrás. Após as portas do elevador fecharem, ele fez exatamente o que eu esperava que fizesse: avançou. Sua mão apertava fortemente minha cintura e sua boca quase dominava a minha. Correspondi apenas aos beijos, pois quando senti sua mão em minha coxa subindo descaradamente, afastei-o sorrindo de sua cara decepcionada.
—Acredite em mim quando digo que você tem pegada. – ele sorriu maliciosamente e então cortei suas esperanças – Mas eu já tenho companhia esta noite.
As portas se abriram e no corredor estavam meus garotos.
—Algum problema, Lia? – Will desconfiou do empresário.
—Nada que lhe roube o sonho – passei reto por Will e sequer olhei em direção a Luke, segui direto para a suíte, ignorando até mesmo o coitado que achou que me teria.
O quarto era realmente espaçoso: havia dois sofás fora outros móveis de luxo na decoração, uma cama de casal enorme, mas o que me prendeu mesmo foi a vista. Toda a parede, de frente para a porta, feita de vidro, de cima a baixo e estávamos tão alto que eu tinha uma visão espetacular da cidade a noite. Quase me senti tonta.
—Lindo, não? – aquela voz mansa sussurrou em meu ouvido; lutei contra o reflexo de me aconchegar em seu peito. Assenti ignorando o fato de que estava de costas para Luke. Ouvi o som suave da porta sendo trancada. Solace falou:
—Thalia... – virei-me – Você está muito gata – Will me olhava satisfeito e chocado ao mesmo tempo. Virei os olhos na direção de Castellan e pude ver toda a devoção, idolatria e respeito que qualquer mafioso tinha para com sua princesa, mas vi algo mais, um orgulho escondido no fundo dos olhos, um orgulho por... Deus! Desviei os olhos antes que eu pensasse ou fizesse alguma besteira. – Espero que não tenha causado muito...
Ri.
—Acabei de virar seu gerente contra aquele empresário. Os dois disputando silenciosamente para ver quem acompanharia a jovenzinha até seu andar – disse de forma afetada. E vi os dois sorrirem – Foi hilário.
—Não que eu possa culpá-los, mas...
—O empresário venceu sob quais critérios? – Luke esfregava o queixo e me olhava com divertimento nos olhos
—Ah! – suspirei e joguei o corpo sobre o sofá – Ele não venceu. Interferi em favor dele.
—Por quê? – Will aproximou-se cheio de sorrisos.
—Eu prefiro homens com cabelo. – disse de forma enfática e debochada. Estávamos os três rindo e isso era quase surpreendente. Nunca consegui imaginar os dois rapazes num mesmo cômodo rindo da mesma piada. Ajeitei minha postura e soltei – O que vocês pretendem?
Eles trocaram um olhar e se afastaram. Will ligou o som – Britney Spears – Luke voltou trazendo taças de cristal e champanhe. Ajoelhou-se a minha frente e me ofereceu uma taça; deixei que a enchesse enquanto o observava. A calça clara, a camiseta listrada em preto e vermelho, a jaqueta jeans... Inspirei seu perfume amadeirado e me lembrei da tarde em que resolvi por aceitá-lo ao meu lado e não mais fugir da sua presença.
—Nós vamos mimá-la, minha querida – Will abriu os braços. Usava calça caqui e camisa pólo, o exemplo de bom menino de família tradicional. Então subiu na mesa quadrada que mais parecia um palco e que ficava entre os sofás. Meu coração disparou. Sabia que eles iam brincar muito.
As luzes diminuíram de intensidade. No ritmo, embora meio desajeitado, Will foi se livrando do seu vestuário pouco a pouco: a camisa pólo foi para o chão, os sapatos. Virou sua taça de champanhe de uma vez e abriu o botão da calça.
—Devo continuar, senhorita? – brincou ele. Meus olhos com toda certeza brilhavam. Apenas devido aos meus anos de treinamento minha respiração estava inalterada, mas coração batia mais rápido que o normal. O sorriso satisfeito e safado logo dominaria meu rosto sem dúvidas.
Antes que eu respondesse, Luke tomou seu lugar. Ambos notaram que eu estava surpresa, sem falas. Luke tinha um pouco mais de jeito para Streep; não que ele soubesse, mas... Os tênis eu nem vi sumirem. Olhando em meus olhos como que me desafiando a olhá-lo se despir, Castellan tirou a jaqueta. Seu sorriso era sacana, e com agressividade ele arrancou a blusa, soltou o botão da calça e... Desceu da mesa. Will e Luke dançavam e eu simplesmente não consegui conter o riso. Batia palmas enquanto os dois ora me seduziam, ora me alegravam. Ao mesmo tempo tiraram as calças.
Ter dois rapazes lindos apenas de cueca dançando na minha frente... Caralho! Como se explica isso? Será que era dessa forma que Luke e todos os outros que me viram dançar ficaram? É assim que eles se sentiam? Essa falta de fôlego, o peito disparado... Mas ainda assim...
—Francamente – disse rindo – Eu adorei! – a música tinha parado e eles tinham os olhos brilhantes e o rosto radiante – Mas foi um serviço muito meia-boca – desdenhei. Até porque eu ainda era uma Grace e não me contento com pouco, não tenho problemas em expelir uma verdade ácida.
Os dois trocaram um olhar cúmplice, como se já esperassem uma resposta assim vinda de mim. O modo como Castellan lambeu os lábios e Will coçou o queixo os denunciou.
—Então...
—Por que você não mostra como é que se faz?
Disseram de modo quase ensaiado. Eu já esperava por isso. Lancei um olhar significativo ao mafioso: percebi que aquela noite havia sido bem programada, até os menores detalhes, Luke havia usado de seus talentos mafiosos bolou um jeito de me atingir. E ele percebeu que eu sabia. Vi que ele se assustou por dois segundos, como se eu descobrir não fizesse parte do plano, mas ele se acalmou quando sorri. Desviei os olhos sorrindo para a parede a minha frente. Virei minha terceira taça de champanhe e levantei.
O jogo finalmente teria início.
—É melhor você ligar o som, Will. – avisei – Vocês deveriam sentar.
Gimme More.
Subi na mesa ouvindo a Britney soltar um risinho... Mexia os quadris suavemente, no ritmo. Isso já era o suficiente para instigar, somado a um sorriso parcialmente inocente e um olhar marotamente pervertido. Vi os dois caírem sentados no sofá. Deslizei as postas dos dedos da mão esquerda pela coxa, subindo um pouquinho da camisa, mas logo a deixando cair, continuei com delicadeza percorrendo a lateral do meu corpo, alisei suavemente o pescoço bem a mostra e soltei os cabelos devagar. As madeixas escuras caíram em ondas emoldurando meu rosto, sentia o peso do cabelo nas costas, quase na cintura. Sabia que os fios estavam bagunçados, mas de um jeito sedutor, podia ver que agrava aos meninos que me assistiam.
Soltei um botão de cima, e então mais um... E virei de costas. Dois botões apenas; consegui ouvi-los meio bufar, meio suspirar. Travei o riso. Com os dedos suaves e delicados afastei o tecido do ombro esquerdo, não muito, intercalando com esse movimento tentador, dedilhei meus cabelos e os afastei das costas, jogando-os sobre o ombro direito. Agora eles tinham a visão de uma faixa do pescoço ao ombro. Deslizei um dedo sobre minha pele branca em uma carícia singela. Um deles murmurou um palavrão.
Novamente de frente para os dois. Estava inocentemente mexendo o quadril e desabotoando lentamente os botões, mas desabotoava de um modo a não mostrar o que havia por baixo. Segurei a camisa e sorri de forma a parecer uma mocinha envergonhada.
—Continuo, Solace? – perguntei baixinho – Ou devo parar?
Will babava.
Deixei um risinho sair. Aos poucos fui abrindo a blusa, primeiro mostrando os ombros como eu fizera de costas então, simplesmente e sem demoras, deixei a camisa cair. Vi os olhos de Luke crescerem e suas mãos tremerem. O sorriso sumira dos meus lábios. Abaixei-me e deslizei os dedos pela meia fina, acariciando-me até as coxas... Simplesmente me esqueci deles. Gostava demais daquela música para me importar com algo mais. Comedidamente, continuei mexendo os quadris de olhos fechados deslizando as mãos por minhas curvas...
Desci do palco e tomei a taça que tremulava nas mãos de Will. Encaixei minha perna do lado do seu corpo e enquanto eu bebia permiti que levasse sua mão a minha coxa. Sua mão era pesada e Solace gostava de apertar minha pele macia que muito provavelmente ficaria sensível. Deixei que cheirasse meu pescoço e acariciasse meus cabelos. Solace sussurrava perversões em meu ouvido, baixarias que conseguiram me deixar excitada... Mas aquilo era um jogo a três.
Levantei e fui até Luke estendendo minha mão. Segurando-a, levantou-se e deixou-me sentar. De joelhos no chão, Luke desceu sua mão por minha perna até chegar ao fecho da bota; tirou-a. Deslizou novamente sua mão pesada e áspera sobre a meia até encontrar minha coxa, então desceu retirando-a. Isso me lembrava outra brincadeira, de outra noite, em meu quarto...
Continuamos os três a brincadeira de tirar as peças. As cuecas foram as próximas a sumirem; enquanto eu masturbava Will, Luke soltava as fitas que prendiam o corpete e apertava meus seios. Solace beijava meus lábios e Castellan o pescoço. Juntos e com uma lentidão angustiante retiraram a última peça preta que ainda nos impedia: minha calcinha ficou jogada no chão.
—Isso vai ser insano – Will confidenciou em meu ouvido. Puxou-me para cima, para prender minhas pernas em sua cintura, seu pau dentro de mim latejava de forma a me fazer ofegar. Segurava seu pescoço em busca de apoio, equilíbrio. Solace continuava a falar baixarias, frases quentes...
—Relaxe, princesa – a voz suave de Luke veio por trás; o respeito ali era gritante, seu desejo era comedido – Eu vou devagar –sua mão pesada em meu ombro massageava os músculos tensos e sua voz grave em meu ouvido me fez revirar os olhos de paixão... Ofeguei com muita força, jogando todo o ar dos meus pulmões para fora quando Luke penetrou por trás. Era a segunda vez que eu brincava dessa forma; dois membros dentro de mim. E já era complicadíssimo lidar com o membro de Luke.
Não demorou para que eles se mexessem, o vai e vem constante e ritmado, meus gemidos crescentes e o suor escorrendo, ardia e doía horrores, mas o prazer era incontestavelmente maior. Eu mal tinha forças para fazer mais que gemer e acompanhar os dois que entravam e saiam juntos fazendo-me gritar e arranhar as costas do loiro com selvageria. Solace apertava seu corpo contra o meu para sentir meus seios em seu peito e puxava minha cintura para que eu o acompanhasse; estava embriagado de luxuria e deixei que bebesse mais ainda de mim. Chegou ao ponto em que eu já havia gozado pelo menos duas vezes e mal tinha forças para gemer; mantinha-me agarrada ao pescoço de Will, concentrando-me apenas no som dos corpos colidindo, sentindo o prazer extremo e exaustivo ao qual estava sendo forçada...
—Isso! Mexe mais, vadia. Rebola forte, bem gostoso... Isso, aperta meu pau – Solace não conseguia deixar de falar; estava quase aflita com seus comandos, mas havia algo que me dava prazer tanto quanto dava calma.
—Minha princesa – Luke chamava baixinho sussurrando em meu ouvido, suspirava e mordiscava minha orelha – Você é tão linda... – eram palavras doces e carinhosas que me fizeram jogar a cabeça para trás até a curva de seu ombro. Luke ficou ali se mexendo devagar e selando seus lábios em minha bochecha. Seus olhos brilhavam, sua pele estava febril... – Você não sabe o quanto eu te adoro... Sabe o quanto eu te desejo, princesa? Sabe o quanto eu te quero?
Quando estavam os dois satisfeitos – Solace gritando e Castellan gemendo meu nome – Minhas pernas cederam rápido, soltando o corpo de Will, teria chegado ao chão se Luke não me segurasse. Permiti que Luke me carregasse até a cama e me deitasse com carinho.
—Então Lia – ofegava Will – Quem ganhou a brincadeira?
Era bem óbvio. Aquele que me olhava doçura, cujos olhos brilhavam, que me sussurrava palavras gostosas e bonitas. Era o rapaz que vira meu mundo secreto, era aquele que tinha visto Zeus ser rude, que enfrentou-o por mim, aquele que, mesmo eu não chamando-o, veio em meu auxílio. Era aquele loiro de lindos olhos de aço que vinha, aos pouquinhos, roubando-me algo que eu pensei não possuir.
Mas não diria nada disso.
Dei um sorriso desdenhoso enquanto me enroscava nos lençóis macios e fechava os olhos, exausta.
—Nenhum dois, babaca. E é bom que gostem de dormir no sofá – avisei com a voz enrolada de sono – Não vou dividir a cama com ninguém.
Não ouvi mais nada.
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