Gimme More

55 Capítulo 45


Capítulo quarenta e cinco –

Despertei lentamente com carinhos em minha bochecha e uma voz chamando baixinho meu nome. Sabia que havia um peso a mais no colchão, mas não conseguia abrir os olhos para enxergar.

—Lia? – chamava baixinho.

—O que foi? – disse a voz grogue de sono – Não conseguiu dormir? – disse suspirando, ainda sem abrir os olhos.

Senti a pontinha de seu nariz percorrendo minha bochecha, sua mão apertando-me suavemente o ombro. Não resisti a esses carinhos e abri os olhos vagarosamente. Luke tinha os olhos bem despertos e uma expressão meio sonhadora, meio tristonha.

—O que aconteceu? – preocupei-me ao ver sua expressão. Levei minha mão ao seu rosto e ele segurou-a, prendendo-me a ele. Assim como eu, Luke encontrava-se completamente nu. Estava deitado ao meu lado e cobrira-se com o mesmo lençol que me cobria. – Luke? – chamei prolongando o sussurro e amansando a voz.

—Não consegui dormir – confessou de olhos fechados – Fiquei pensando por que nós dois brigamos. Por que eu perdi um fim de semana com você e... – fechou os olhos com mais força – E no telefone você foi tão fria, tão distante... E cedeu para ele. Depois de beijá-lo... – suas mãos tremiam consideravelmente. Aproximei-me até que o calor de seu corpo chegasse ao meu: centímetros nos separavam do verdadeiro contato físico, mas eu já o sentia perto.

—Eu roubei seu sono? – perguntei chateada; não queria de forma alguma importuná-lo assim – Eu...

—Você tem roubado meu sono há muito tempo, Lia... – ele suspirou e brincou por algum tempo com uma mecha do meu cabelo. Pela parede de vidro, eu via a madrugada em NY linda e esplendorosa – Precisamos conversar. Sei que ficou chateada com Silena e eu não gosto dessa atenção que você tem dado ao Solace.

—Eu já expliquei para você o significado daquele beijo – continuei acariciando seu rosto; agora completamente desperta.

—Ver você beijando ele...

—Não volte nisso – falávamos baixinho já que Will dormia no sofá – Não significou nada para mim.

—Sei. Mas Silena mandou a foto e disse que estavam muito românticos e gentis um com o outro...

—Como pode acreditar nela e não em mim?

Luke aproximou mais e, quando eu menos esperava, senti seus dedos forçando a entrar em minha intimidade. Ofeguei surpresa.

—Silena é uma vadia oportunista – ele sussurrou quase encostando seu nariz ao meu – Ela me influenciou, provavelmente por um pedido de alguém, sabia que eu enlouqueceria – estava completamente molhada, seus dedos beliscavam e se afundavam cada vez mais – Não raciocinaria bem ao ver você com ele, ele que eu odeio tanto... Desculpe-me. Desculpe-me por magoá-la...

—Luke... – deslizei a mão por seu peito – Não era assim que devíamos conversar.

—Por que não? – fechei os olhos – Não diga que não gosta mais dos meus carinhos, não vou acreditar se for esse o caso. – sentia seu sorriso pertinho do meu rosto. Seus dedos não paravam de se mexer, embora lentos, de uma forma tão gostosa... – Eu adoro isso – sussurrou – Te dar prazer. Acho que não existe nada que eu goste mais. – abri os olhos para vê-lo; na penumbra ele estava tão misterioso, tão mafioso – Não vou dividir seu carinho, não quero dividir.

—Eu não quero dividir sua atenção – confessei e ofeguei quando ele forçou seus dedos, indo cada vez mais fundo. Luke chegou mais perto.

—Você a tem por inteiro, nunca...

—Não parece – apontei para seu celular que piscava no sofá; ele entendeu. Usando da outra mão, puxou minha perna até sua cintura sem parar de me acariciar.

—Thalia... – Luke ofegou, parando o que tinha para dizer. Havia resolvido por acariciá-lo também: segurava seu pau em minha mão e deslizava meus dedos devagar e com firmeza por sua extensão, sentindo-o enrijecer em minha mão.

—Will é um garotinho mimado acostumado a ter tudo o que quer, que não suporta ouvir “não” como resposta – Luke tinha a respiração mais pesada, fechando os olhos para curtir melhor as ondas de prazer que aquele ato proporcionava – Nunca mais vou tocá-lo como toquei hoje, nem deixar que me toque assim novamente.

—Você não devia estar fazendo isso... – ele murmurou esfregando seus dedos no mesmo ritmo suave com que eu alisava seu membro.

— Não gosta mais dos meus carinhos? – sussurrei sorrindo.

—Muito pelo contrário – gemeu em seguida, segurando minha cintura; seus olhos tinham escurecidos, o desejo gritava neles e eu podia sentir que pulsava em minhas mãos – Lia... Não vou conseguir parar.

—Nós não... – tentei resistir e voltei meus olhos para um Will ainda adormecido.

—Não precisa se preocupar – Luke chamou minha atenção – Normalmente o sono dele já pesado, mas hoje eu dei uma ajudinha.

O sorriso mafioso de Luke me fez sorrir. Em algum momento Luke colocara boa noite cinderela no champanhe ou em qualquer outra coisa que Will bebera. Estava muito orgulhosa, mas, acima disso, satisfeita por ceder ao meu desejo por Luke.

Coloquei meu corpo sobre o dele, suas mãos deslizando por minhas nádegas com leveza. Acariciei seu rosto com a ponta dos dedos, olhando-o com intensidade e beijei sua bochecha seguindo lentamente em direção a sua orelha.

—Acredite – sussurrei – que eu nunca fiz isso com mais ninguém.

Deixei minha confissão ali, mordisquei sua orelha e desci beijando seu pescoço me deliciando com o sabor da sua pele quente, descendo por seu peito apenas ouvindo e sentindo seu respirar profundo, sentindo sua mão em minhas costas... Eu nunca me importara em acariciar algum ficante dessa forma, nunca me atrevi a isso. De certa forma, era algo que Luke me pedia com pequenos gestos; não conseguia me ver ali, naquela posição, com mais ninguém.

Ele soltava suspiros tão gostosos. Ofegamos juntos quando, com muita lentidão, ele entrou em mim. Não me lembro de já ter transado assim antes: da cintura para baixo, coberta pelos lençóis, os seios pressionados contra o peito dele. Ficamos assim por alguns instantes, eu respirando em seu pescoço e Luke brincando com meus cabelos. Quando resolvi me mexer, não o fiz com desespero, nem com pressa. Queria apenas aproveitar aquele instante... E provocá-lo o suficiente.

Apertava- dentro de mim enquanto suspirava ao pé do seu ouvido; Luke firmou ainda mais as mãos em minha cintura, não para me mover, mas para me impedir de sair de cima, sair daquela posição. Luke encaixou seu rosto, tal como eu fizera, na curva do meu pescoço e pressionou minhas costas de modo que meus seios ficassem ainda mais apertados contra seu peito. Doeu, mas foi uma dor ligeira, um gemido baixinho escapou ido direto para sua orelha.

—Princesa... – o sussurro rouco ao pé do ouvido me deixou extasiada.

Firmei minhas mãos em seus ombros e me movi. Deslizando o corpo para baixo, deixando que seu membro saísse quase totalmente. Subia com lentidão, dificultando sua entrada apertando-o dentro de mim, deixando que os mamilos enrijecidos tocassem seu corpo. Luke estava tão louco quanto eu. Continuamos assim, deitados, meu corpo sobre o dele, nesse descer e subir sofregamente prazeroso por um longo tempo. Contendo os gemidos, diminuindo-os a suspiros e ofegos, evitando ao máximo qualquer barulho.

Castellan sentou-se ainda mantendo-me em seu colo. Ficamos por um tempo parados, controlando a respiração, até que ele firmasse os pés no colchão e levasse as mãos a minha cintura dando o apoio necessário para que eu continuasse me mexendo, enquanto eu me agarrava ao seu pescoço. Subia e descia cinco vezes então rebolava por um tempo; sentido horário, sentido anti-horário. Beijava seu pescoço e chupava sua pele evitando gemer, Luke já não se continha tanto, soltava mais gemidos, embora baixinho; sua mão em minha coxa, a outra na base da coluna como que me conduzindo.

Estava me cansando, e ele notara. Aquela noite e madrugada vinham sendo muito exaustiva. Luke segurou-me com firmeza e deitou-me com suavidade.

—Estou te machucando? – perguntou baixinho, olhando em meus olhos – Não é... Demais por hoje?

—Não – acariciei seu rosto, confortando-o – Por favor, Luke...

Deitando a cabeça em meu ombro, respirando em minha clavícula, Luke passou a mover-se com mais força, nunca rápido, nunca machucando. Foram inúmeras ondas de prazer, entrelacei meus dedos em seus cabelos e com a outra mão arranhava suas costas. Pareceram horas quando chegamos, com diferença de segundos, ao clímax.

Estávamos suados e ofegantes, Luke ainda deitado sobre mim, sua mão me acariciando um seio, enquanto eu abraçava-o impedindo-o de me deixar.

—Não vai me deixar ir? – perguntou, ainda um pouco ofegante. Beijei sua testa.

—Não. – viramos de lado, mas continuamos abraçados; Luke transferiu seus carinhos para meu pescoço – Só se lembre de não estar ao meu lado quando Will acordar.

Ele beijou a pontinha do meu nariz e adormecemos.

Pela manhã, acordei sozinha, tendo o corpo completamente coberto como se fosse uma jovenzinha recatada e tímida; longe da verdade. Os meninos já estavam com o uniforme e Luke estendeu-me uma toalha e as minhas peças íntimas. O brilho em seus olhos indicava que ele não conseguia parar de pensar que transamos, no que fizemos, nos gemidos baixinhos...

Segui para o banheiro e abusei da água quente, havia algumas marcas, sim, mas estavam em lugares pouco visíveis. Sequei meu corpo e enrolei o cabelo na toalha, vesti a calcinha e o corpete e observei minha imagem no espelho, assim que colocasse o uniforme elas não apareceriam. Desenrolei a toalha e passei a pressionar os fios com mais delicadeza contra ela. Assim que saí, Will estendeu um uniforme dobrado.

—É da minha irmã, acho que te serve.

A irmã de Will era três ou quatro anos mais nova. Sim, o uniforme ficou curto, por sorte não ficou escandaloso; ainda dava para usar. Sentei no sofá próximo as minhas botas enquanto penteava os cabelos; Castellan teve a iniciativa gentil de me auxiliar com o calçado.

—Lia, e suas maias? – Solace as tinha em mãos.

—Guarde – pisquei para ele – Uma recordação da noite passada.

Will ficou contente; disse que ia buscar na recepção um estojo de maquiagem para mim. Quando saiu, Luke perguntou, quase, sentido:

—E eu não ganho recordação?

—Por que precisaria de uma? Will me teve por uma noite e só. Você ainda me tem. – disse tocando seu rosto com a ponta dos dedos; ele ainda ajoelhado em minha frente.

—Ainda?

—É só não me decepcionar.

Emocionado, profundamente feliz, ele beijou minha mão em sinal de respeito.

—Não vou.

Will voltou trazendo uma maleta com diversos produtos. Eu sabia que Luke usara da Máfia para acertar cada cosmético que eu gostava, o tom de pele e outros detalhes mais. Peguei a maleta e deixei-a aberta sobre a pia, em frente ao espelho. Um pouco de base, blush de leve, rímel incolor e um gloss de tom rosado. Carinha de saudável e inocente. O cabelo iria úmido mesmo.

Assim que chegamos os três a recepção do hotel senti o quanto estava frio. A camisa era justa e a saia bem curta; arrepiei-me inteira. Luke então cedeu sua jaqueta do time da escola. Como ele era maior, a blusa quase cobria a sai, mas ainda ficava bonito.

Cada um seguiu para seu veículo, mas antes Castellan me confidenciou que pegara minha mochila e a deixara no banco do carona. Agradeci a ele por ser atencioso a tal ponto.

[...]

Cheguei alguns minutos depois dos meninos, porque sou um ser humano e depois daquela madrugada pervertida e poucas horas de sono eu precisava de cafeína, então não os vi na entrada. Encontrei outro formando, Chris Rodriguez, que passou por mim deixando apenas um papel em minha mão e um olhar suplicante. Guardei o bilhete e assenti demonstrando que fosse qual fosse o problema eu iria ajudar.

A mochila estava pendurada em meu ombro e eu fiquei alguns minutos escorada no meu carro. Estava entretida mandando e recebendo mensagens. Aquelas eram essenciais para o meu dia. Estava investigando fazia cerca de 2-3 dias e estava mais do que satisfeita. Agora só faltava que...

—Olha só. Não sei qual é o seu joguinho, mas é melhor parar – Kelli parou na minha frente. Ainda não estava parecendo um demônio, tinha o rosto controlado, escondendo emoções.

—Suponho que isso seja sobre Castellan? – perguntei desinteressada. A conversa pelo celular ainda na ativa.

—Não me canse, menina. Você se acha perfeita só porque tem dois gatos mais velhos correndo atrás do seu rabo, mas isso não é tão fantástico assim. Aqueles dois te vêem como uma puta, como todos aqui também te vêem. E sabe o que mais? Nenhum garoto vai querer algo sério com você...

—Graças a Deus! A seriedade me cansa – desdenhei – Prefiro noites pervertidas e insanas madrugadas.

—Você não sabe nada sobre Luke. Eu o conheço. Gostos, fetiches e...

—Por favor, Kelli. Conhecer não é o suficiente ou necessário, dependendo do caso. Nós duas sabemos que transar loucamente com um estranho num banheiro de bar é uma delícia. O problema é que ele não te quer mais. Em minuto algum fiz a cabeça de Luke contra você, até porque eu não me importo. – sorri com desdém – Você nunca representou perigo algum.

Aquilo acabou com ela. O rosto ficou sério, os olhos escuros brilhavam de um jeito que eu cheguei a achar bonito tamanha a frieza daquele olhar. Adoro despertar o pior das pessoas.

—Você não sabe com quem está se metendo, Grace.

—Vai fazer o que? Cortar meu cabelo durante a viagem? Kelli, não somos mais crianças; se o quer tanto de volta, conquiste-o. Eu não vou fazer nada nem em seu favor nem contra.

—Isso é ridículo! Você tem que se afastar e...

—Se eu tenho que me afastar significa que sou uma concorrente altíssima, não? Se quiser mesmo se impor, querida, vai ter que fazer melhor – me afastei e coloquei o telefone na orelha – Sei que nunca nos falamos antes, mas eu fiquei muito impressionada com seu trabalho. Existe a possibilidade de conversarmos?

Segui em direção ao meu armário. Na teoria não devemos usar o celular na escola, mas continuei conversando com o homem durante o intervalo, ignorando os olhares curiosos dos outros mafiosos.

[...]

Havia passado em casa e colocado uma roupa minha. Como só havia Dionísio em casa comuniquei a ele mesmo que iria almoçar com uns amigos e que mais tarde voltaria para casa.

Era um plano infalível. Ela já havia deixado claro que queria me ver mais vezes, então marcamos de almoçar juntas. Quanto ao homem perguntei se eu poderia levar uma amiga que não via há algum tempo; os dois nem faziam ideia do que eu estava aprontando.

Ela chegou junto a mim. Salto alto, blazer, o cabelo preso em um rabo bonito e despojado, pouquíssimas jóias.

—Meu Deus, Artie! Como você está linda!

—São seus olhos, flor – rimos e fomos em direção a nossa reserva. Já havia um homem ali a nossa espera. Era um moreno muito charmoso, cabelos compridos e ondulados, olhos profundos meio esverdeados...

—Qual das duas seria Thalia? – a voz era profunda e quase fez com que eu me arrepiasse.

—Sou eu. Você é Orion, não? – ele deu um sorriso galante – Essa é uma amiga, Ártemis.

Orion era uma pessoa incrível. Era formado em design e artes visuais e estava estudando artes plásticas, falava três idiomas, era um ativo feminista e no tempo livre praticava tiro com arco. Fui conduzindo o assunto, colocando os dois para conversar, induzindo joguinhos, perguntas com duplo sentido. No fim precisei ir embora mais cedo, tinha que ajudar um amigo. Pedi desculpas e saí deixando os dois juntos, não sem antes notar os olhares e sorrisos trocados entre os dois.

Apolo estava perdido. Ele não tinha qualquer condição de competir contra Orion. Conforme andava meu cabelos iam voando com o vento, me dava a sensação de liberdade; com o celular descartável e rodei uma gravação com voz modificada; em cinco minutos ou menos apareceriam jornalistas. Não pude conter um sorriso.

Um Grace já foi; faltam cinco.

[...]

Estava sentada na cama de solteiro, as costas encostadas na cabeceira. O colchão de molas não era tão ruim quanto ela imaginara, mas não tinha o conforto de seus quartos. Sobre meus joelhos, o diário. Estava relatando minhas experiências nas últimas 24 horas; eram muitas.

Faltavam alguns minutos para as onze da noite quando Clarisse entrou no próprio quarto e surpreendeu-se com a visão do meu corpo em sua cama.

—Thals? – o sussurro revelava o choque, seus olhos umedeceram.

—Surpresa! – sorri e fechei o diário deixando-o sobre o criado-mudo ao lado do abajur.

—Como...? Eu não...

—Chris disse que você estava cada vez pior, no quesito família – levantei parando em frente a ela.

—Foi ele? – vi de relance um brilho de raiva naqueles olhos escuros.

—Não fique chateada. Por que nunca nos contou que vivia num orfanato?

—Vocês têm tudo! Cada uma tem um palácio diferente e...

—E? Meu Deus! Clari, esse quarto representa tudo o que eu sou – realmente era verdade: a tinta descascando nas paredes eram minhas máscaras caindo, minha defesa se desfazendo, o mofo nas quinas da parede eram as feridas não tratadas causadas pela minha família e que continuariam daquele modo, a cama de solteiro só evidenciava ainda mais a solidão; também tinha lágrimas nos olhos – Você sabe o quanto nossas famílias são uma merda e acho que você deu a maior sorte.

—Sorte?

—Não tem pais falsos no seu pé ou... Não importa – sorri – Estamos no mesmo barco, com as mesmas condições de se afogar.

Ela riu.

Ficamos acordadas comendo doces que eu havia trago e conversando sobre assuntos mais leves; nada que nos deixasse sensíveis ou algo do gênero, podíamos deixar o assunto pesado para amanhã. Dormimos abraçadas na cama de solteiro e não, eu não me importei com o espaço ou qualquer outro detalhe. Até porque, minha irmã precisava de mim, precisava de consolo e se fosse necessário, pra ver Clarisse bem eu não me incomodaria de dormir debaixo de uma ponte.