Gimme More
51 Capítulo 41
Notas iniciais
Capítulo quarenta e um –
Levei quase uma hora no banho e tive que passar uma boa camada de maquiagem no pescoço e um pouquinho no contorno dos seios para encobrir tudo aquilo que Apolo causara. Vesti a camisa jeans, a saia justa preta e os saltos mais finos e discretos que tinha. A verdade era que eu queria muito prender meu cabelo, mas não era uma possibilidade.
—Katie – chamei na porta do quarto dela – Vamos, flor!
Katie saiu igualmente bela e maquiada. A vida na cidade, principalmente na Máfia, faziam muito bem a ela que agora tinha uma confiança espetacular. Estava com uma blusa estilo cigana mostrando seus ombros e um short mais curtinho.
—Deus sabe o que você fez de madrugada, Lia – ela disse sorrindo enquanto eu ajeitava os cabelos sobre as marcas.
—Cala a boca!
Rimos o caminho todo até a garagem onde pegamos meu carro. Não devia ser mais de 10 da manhã e seguíamos para a Starbucks mais distante de casa. A mansão Grace mal encontrara a luz do dia e já era “o casamento isso... o casamento aquilo” eu não suportava aquele ar tenso e os olhares atravessados. De qualquer forma, nós duas tínhamos assuntos a tratar.
Pegamos uma mesa afastada dos poucos clientes e fizemos nossos pedidos. Katie já havia colocado um caderno sobre a mesa.
—O que vamos fazer agora? Digo, as meninas estão bem de saúde, algumas muito traumatizadas, mas é só. Às oito e meia estavam tomando café e...
—Você é um anjo – disse agradecida. Enquanto eu dormia, apagada pelas brincadeiras indecentes com meu irmão, Katie havia assumido seu posto de mafiosa e entrado em contato com a nossa maravilhosa organização. Minha prima era a salvação da família – Deus! E ainda cora com elogios – ri de suas bochechas vermelhas – Pensei que isso já tivesse passado.
—Ainda sou tímida. Mais confiante, ainda tímida. – um jovem chegou trazendo nossos doces de leite latte e um prato com pães de queijo – De qualquer forma, fiquei encantada ontem à noite. Aquela menina, a indiana, a confiança que ela depositou em você apenas por ouvir seu nome uma única vez, foi tão emocionante!
—Também fiquei surpresa – disse segurando o copo perto dos lábios – Elas passaram por muita coisa... Temos que fazer as fichas delas, se ninguém ainda tiver feito.
—Acho que a Rachel pediu para ser feito.
—Quero mais que nomes e datas. Quero que me contem suas histórias, primeiro gravamos um áudio, depois passamos para o papel. O sofrimento delas não pode ser ignorado; é um tipo de cicatriz que elas vão levar para a vida toda. É uma forma de me marcar também.
—Adoro os seus ideais.
—Fiquei sabendo que vamos receber visitas – disse olhando do celular para Katie – Visitas interessantes.
Antes que Katie ousasse responder o sininho irritante da porta anunciou novos clientes: Silena e Charles. Só desgraças. Fico me perguntando o porquê desse tipo de coincidência acontecer: você está num local afastado e então as pessoas que não deveriam estar lá simplesmente brotam do chão. Silena definitivamente andava com as pessoas erradas, embora uma vez a cada oito ou nove meses, ela fosse legal, já seu namorado cujo sobrenome eu não recordo nem sou obrigada, era um sonso que se ela pedisse se jogaria de um edifício.
Silena falou algo para o namorado que se afastou e então seguiu até a nossa mesa. Observei-a se aproximar; ela sempre parecia saída de uma loja caríssima, seus traços eram bem marcados, os olhos quase violeta, os cabelos da cor de chocolate, não havia segredo algum: ela era linda. Mas era uma beleza fútil, sem muito conteúdo.
—Thalia querida – ela sorriu mostrando seus dentes brancos; estava me preparando para um possível ataque. Katie, muito esperta e discreta, escondeu o caderno – Ninguém te avisou sobre a mudança?
—Que mudança, Sil?
—A reunião da semana que vem será amanhã. Sabe, a da viagem. – ela jogou o cabelo para trás; às vezes eu esquecia que Silena era na verdade apenas um ano mais velha do que eu – Fiquei pensando que não deviam ter te avisado já que a Kelli como veterana tem espalhado que você roubou o namorado dela e muitos acreditam nisso.
Que vadias!
—E por que você sendo amiga dela veio me contar?
Ela me lançou um olhar de profundo desprezo. Seus olhos lilases escureceram, mas os meus magníficos e elétricos olhos azuis faiscaram; Katie prendia o sorriso.
—Não gosto de você ou das suas amiguinhas metidas a perfeitas. Mas você é uma das vozes mais fortes na comissão e tem as melhores idéias. – ela começou a se afastar, mas decidiu voltar – Eu gostava do Luke muito antes de gostar do Charles, só para você saber.
—Ah... Muito obrigada? – o que diabos eu poderia fazer com aquela informação?
—Nós tivemos um caso curto como você deve saber – ela jogou o cabelo e ajeitou o decote se sentindo a última latinha gelada de coca-cola em pleno Saara.
—Não faço ideia do que está dizendo. Nunca me importei com comentários de colegiais metidas a apaixonadas cuja paixão nunca passou de dois meses – tomei um gole do meu doce de leite e Katie mordeu o lábio para não rir alto.
—Ah, esqueço o quanto você é insípida – insípida? E ela lá sabe o significado da palavra! – A questão é que ele é muito incrível para querer você. Não vai dar certo. Assim como não deu para a Kelli.
—Claro, até porque Luke só pode correr atrás de você, não é Silena? – desdenhei – Você já tem um cachorro para chamar de namorado, meu bem. É melhor parar antes que a situação fique ainda mais ridícula para você.
—Vocês não entendem. Kelli não quis ouvir quando eu disse que Luke jamais daria muita atenção a ela. Tonta. E veja só no que deu. Luke não me queria e também não vai te querer. Desde sempre eu enxergo isso nele: ela já tem uma menina a sua espera.
—Ah é?
—Ele não fala sobre isso, mas é claro: ele sonha com alguém que provavelmente não pode ter e nós do colégio somos apenas distrações. Não se iluda com ele, Thalia.
E foi embora.
—Uau – Katie soltou um risinho – isso foi tenso.
—Foi esquisito.
Então ouvi o primeiro de muitos “cliks”. Eu sabia que o inferno agora era aqui.
[...]
Foi muito difícil chegar até a Máfia. Havia tantos fotógrafos e jornalistas disfarçados que até Katie se assustou. Expliquei enquanto dirigia o fracassado jantar e minha fuga junto à presença de Iris. Na sede pude sentir quatro ou cinco olhares masculinos sobre o decote, os dois ou três botões abertos que deixavam bem claro os chupões de Apolo. Alguns novatos inclusive se chocaram com aquilo. Tive que conter meu riso.
Eu fui pessoalmente falar com Mahati; não havia me esquecido dela nem ela de mim. Ela ficou com medo das minhas marcas, mas assegurei-lhe que ninguém me machucara. Cheguei inclusive explicar que, quando o sexo era feito com consentimento e com alguém de quem gostamos sentimos um prazer inexplicável. Acho que ela não acreditou naquilo, mas não posso culpá-la. Ela me contou sua história e eu ouvi. Ouvi com muita atenção e sofri junto a ela, choramos juntas quando ela contou que tinha apenas uma irmã viva – Shaline – que havia sofrido sendo vendida a um prostíbulo onde foi violada antes mesmo de venderem a jovem Mahati. Ela sofreu muito com a separação.
—Ela ainda está em Mumbai?
—Eu não sei – fungou – Passaram-se meses e tenho medo de não vê-la de novo.
—Mahati – chamei, pois ela recomeçara a chorar, um choro tremendamente comovente com direito a nariz entupido e vermelho – Eu tenho muitos amigos ao redor do mundo. Eu prometo a você que colocarei pessoas atrás da sua irmã.
—E o que isso vai custar para mim?
—Como? É um presente, não vai lhe custar nada.
—Mas devo pagar-lhe! Salvou minha vida e vai devolver minha irmã a mim! Preciso agradecer de alguma forma essa dívida enorme...
—Talvez então, você possa me ensinar a falar híndi – ela abriu um sorriso lindo – Eu conheço algumas palavras e expressões, mas não sou assim tão boa.
—Será um prazer.
Uma hora depois eu almoçava sozinha no meu quarto, o prato parcialmente esquecido enquanto eu passava a história sofrida de Mahati para o papel – claro que com o seu consentimento – e estava profundamente entretida para sequer ouvir as batidas na porta ou os passos adentrando o cômodo.
—Ouvi dizer que teve uma festa de madrugada – sua voz foi dura e quase ríspida. Senti um arrepio na base da espinha; definitivamente não havia cogitado falar com ele sobre isso.
—Não fiquei sabendo – disse de forma seca e continuei a escrever sem me virar para encará-lo. Ouvi-o se aproximar e senti suas mãos em meus ombros. Parei de escrever. Sua mão calejada afastou meu cabelo expondo o pescoço, desceu um pouco mais pegando a gola da camisa e afastando-a deixando o sutiã de renda bem a mostra. O toque dele era como gelo: queimava em frieza.
—Nossa – o sarcasmo gritava em sua voz – Parece que foi divertido. – virei para encontrar seus olhos azuis; eu não sabia se aquele brilho era de raiva ou se era dor ou se poderia ser uma mistura ainda mais complexa de sentimentos – Então quem foi o sortudo? Will?
—Will? – esbocei um sorriso; aquela hipótese era ridícula. Luke cerrou os punhos e deu meia volta, sabia que ele sairia do quarto se eu não o impedisse. Levantei e segurei seu punho – O que quer que eu diga? – sussurrei.
—Um nome.
—E para que?
—Para eu odiar essa pessoa com todas as minhas forças – ele rosnou virando-se com os olhos flamejantes e... Lacrimejantes? Deus! Eu havia causado aquilo?
—Apolo – minha voz não passou de um fiapo, mas ele ouviu bem. O choque em seus olhos arregalados era ao suficiente.
—Você dormiu com seu irmão?
—Se te conforta, não foi a primeira vez. – fiquei incomodada com o tom de voz que ele usou então deixei minha rudez falar mais alto; contra-ataquei com frieza e sarcasmo.
—Meu Deus! – ele soltou seu pulso do meu aperto e levou as mãos aos cabelos para bagunçá-los ainda mais; aquele era um hábito nervoso que eu achava adorável – Então agora eu tenho que me preocupar com o seu irmão? Já era ruim disputar sua atenção com um colega de escola que vive mais comigo do que com você, agora tenho que me preocupar com quem anda na sua casa? – fiquei estática por longos segundos enquanto Castellan andava de um lado para outro. Era cômico e fofo ao mesmo tempo – Por favor, não me diga que você gosta dele. Não diga que ele gosta de você. – era uma súplica e não um pedido.
Eu acredito que Luke não tenha se dado conta das palavras que usou, das perguntas que me fez. Eu conseguia sentir sua paixão, seu ciúme. Estava lisonjeada. Estava assustada; muito assustada. Mais do que tudo, eu queria confortá-lo.
—Ele ama uma mulher que não o ama – disse abraçando-me e desviando meus olhos dos dele – Estava carente e eu estava disposta. Só aconteceu, Luke.
—Mas não foi a primeira vez! Com quantos você já dormiu?
—Dormir? No sentido de sexo e dormir, apenas dois homens. – disse de forma bem seca e bem direta.
—Só dois? – ele ficou surpreso e sussurrou; provavelmente entendeu.
—Quero que compreenda: eu não sei ser de outro jeito – estava irritada, mas tentei controlar a rispidez – Se eu estiver com vontade vou transar com o primeiro cara que se apresentar disposto. Nunca tive um exemplo de fidelidade, então não espere isso de mim quando não somos mais do que amigos coloridos. Transei com mais caras do que sou capaz de lembrar, mas nunca dormi com nenhum deles. – fiz uma pausa e voltei a olhar em seus olhos – Você foi o primeiro. O primeiro que entrou no meu quarto e me fodeu em minha cama. Você foi o primeiro que dormiu ao meu lado. E ontem – virei o rosto a balancei a cabeça – Apolo queria alguém, eu queria alguém, então aconteceu. Se dormimos juntos foi porque, de alguma forma estranha, nos entendemos e precisávamos um do outro.Ele é meu irmão. Nada mais. – senti minhas mãos tremerem de raiva – Agora se você for ficar tentando controlar a minha vida...
Ele se aproximou rápido e tomou minhas mãos nas suas até que parassem de tremer. Lentamente levou-as até seu peito e pressionou-as impedindo-me de soltá-lo. Então estávamos perigosamente perto, eu sentindo os batimentos de seu coração e ele olhando-me com tanta intensidade que seus olhos lacrimejavam.
—Eu... Eu fui o primeiro? – sua voz falhou.
—E ainda tem dúvidas? – sussurrei – Eu disse que você era especial.
Luke soltou minhas mãos, mas eu não as tirei de seu peito, ele prendeu-me pela cintura, me puxando para mais próximo dele. Com os olhos bem fechados, deslizou a pontinha do nariz sobre minha testa, uma carícia tão suave...
—Por que não me chamou? – sussurrou agoniado; se é que era possível, fechou ainda mais os olhos, contorcendo o rosto em uma careta – Eu teria largado o mundo inteiro só para estar ao seu lado...
—Não sei – não queria mentir, realmente não sabia bem porque eu não chamara Luke. Não me arrependia por Apolo, acho que foram poucas as coisas as quais me arrependo e transar com meu irmão como se o fim tivesse chegado não era uma delas. A questão era que eu não calculara o quanto isso poderia doer em Luke. Parte de mim, a maior parte, queria que as coisas voltassem a ser como antes: um Luke bem disposto as minhas vontades, mas distante, um simples colega de escola e mais nada. Mas não éramos colegas, nem amigos éramos mais. Havíamos transpassado muitas barreiras para isso. E independentemente do que eu estava começando a sentir, eu tinha medo; medo por mim e por ele, afinal, Mafiosos não nascem para sentir— Posso te contar um segredo? – sussurrei de volta, fechando meus olhos também. Ainda queria ser honesta, se não por mim, faria por ele.
—Me sentiria honrado.
—Não foi.
—O que?
Abri os olhos lentamente. Seus olhos mais uma vez me lembravam aço e expressavam confusão. Acariciei seu rosto devagar e tentei trazer as palavras a minha boca. Teria que ser cuidadosa, saber escolher as palavras. Não queria me machucar. Não queria machucar ele.
—Você disse que deve ter sido divertido – eu disse tocando suavemente uma mancha sobre o seio, embora mantivesse meus olhos nos seus – Mas não foi.
—Como pode não ter sido? – senti o rancor no sussurro.
—Porque da mesma forma que Apolo queria outra eu também queria outro alguém. – a compreensão chegou devagar; amansei minha voz e tentei passar gentileza – Para ele pode ter sido divertido. Não conhece os carinhos ou o gosto de Ártemis, provavelmente conseguiu vê-la em mim. Não aconteceu o mesmo comigo.
—Então foi ruim? – ela quase sorriu.
—Não. – confessei e por uma fração de segundos vi uma rachadura em seu olhar, como se sua alma fosse despedaçar – Mas não foi tão prazeroso.
—Porque você desejava outro.
—Porque eu queria você! – o choque dele era o mesmo que o meu – Eu não faço ideia do quanto eu te quero, mas é muito mais do que já quis alguém, isso eu garanto.
Luke tinha uma sutileza que eu nunca esperaria dele, de alguém grande e forte como ele. Antes que eu esperasse, estava deitada em minha cama, seu corpo cuidadosamente sobre o meu, porém sem de fato me tocar.
—Eu te assusto?
—Já vi tantos olhares... E nenhum chega perto da intensidade dos seus quando olham para mim – sussurrei me sentindo indefesa por confessar – Isso me assusta.
—Não quero assustá-la. – ele abaixou-se até poder sussurrar em meu ouvido, suas palavras e seus lábios me provocando cócegas – Quero que seja minha. E quero que sinta prazer com isso.
—Eu já sinto, Luke – o murmúrio escapou.
Então era seus olhos nos meus e os meus olhos nos dele. Vi neles o desejo insano de marcar minha pele, de beijar onde Apolo beijara e limpar o toque daquele que nunca devia ter me tocado. Suavemente assenti e lentamente ele desabotoou cada um dos botões da camisa jeans expondo assim a delicada peça de renda. Luke enterrou o rosto em meus seios, respirando fundo, absorvendo o perfume... Segurou minha cintura com firmeza, então chupou minha pele com vontade, soltei o ar devagar para não gemer. Minha tremia mesmo quando entrelacei meus dedos em seu cabelo para delicadamente incentivá-lo. Aquilo definitivamente ia além do físico. Luke ofegou em minha pele. Senti seus dedos afundando em minha cintura, se ele quisesse e colocasse mais força era provável que acabasse marcada ali também.
—Tão linda – ele gemeu em minha orelha; senti-me estremecer e me esforcei para encaixar ainda mais meu corpo no seu – Tão linda...
Eu não sabia bem como lidar com a devoção de Luke. Eu havia acabado de partir seu coração por ter transado com um homem que tinha o mesmo sangue que eu e... Como ele ainda conseguia me tratar assim? Eu merecia todo aquele carinho? Chamei seu nome baixinho e senti seus lábios em meu queixo então seus olhos nos meus...
E Nakamura entrou no quarto. Seu olho escuro brilhava em surpresa, vergonha, medo... Ciúme. Deus... Lidar com homens é um saco!
[...]
Ethan Nakamura deveria ter sofrido uma punição por entrar sem mais nem menos nos aposentos da princesa. Mas a questão era que eu havia chamado o menino para me ajudar com a questão da transferência de um mafioso e Luke deixara a porta aberta, então nem se quer fui fria com ele. Fingi que a situação era a mais comum possível, e também não era como se ninguém nunca tivesse me pego no meio de um amasso...
O real problema para mim era a constante e insistente troca de olhares gelados e possessivos entre os dois homens. Ao Diabo, esses dois! Era um inferno, e pior era que uma parte minha gostava. Muito repulsivo da minha parte, mas o que posso fazer? Meu melhor lacaio, incrivelmente puxa-saco e meu melhor amante, perfeitamente mafioso em todos os aspectos. Era adorável ser o ponto de fascinação, o repulsivo mesmo era ser, por milésimos de segundos naquela troca de olhares, um objeto. Dois cachorros brigando por um osso. Comparação ridícula, mas servia bem.
Agora, Luke andava ao meu lado sua mão esbarrando na minha ocasionalmente. Em algum ponto decidi que não passaria a noite na Máfia. NY era um lugar bonito à noite, acredito que qualquer lugar tenha sua magia durante a noite. Eu não havia impedido Luke de me acompanhar a dar voltas pelas praças, curtindo o vento frio de primavera, na verdade sua presença afastava as 13 ligações dos meus irmãos e pedidos e alertas desesperados por minha ausência.
—Amanhã é a última reunião da comissão? – ele perguntou puxando assunto.
—Fiquei sabendo por Silena. Ao que parece, alguns alunos estão chateados comigo.
-E ela não? – ele desdenhou no que me limitei a rir.
—Minha voz no conselho é mais forte do que imaginava. Ela acredita que sei dos melhores lugares, das melhores festas, hotéis, bares, praias...
—E você de fato sabe.
—Como se eu fosse me gabar por isso – ele gargalhou. Um som tão maravilhoso que me aqueceu por dentro.
Em frente à praça onde estávamos, havia um barzinho. Não sei bem se poderia definir assim, bom, a questão é havia música tocando e bem alta por sinal. Um ritmo contagiante, uma batida forte, uma dança sedutora. Kizomba. Peguei-me sorrindo.
—Você dança? – ele me perguntou observando-me reconhecer o estilo musical. Ergui a sobrancelha lembrando-lhe que eu era muito mais que a filha de Zeus. Eu era a menina de Abelle, filha da artista e amava aquele ritmo.
—A pergunta é: você sabe dançar, Castellan?
O sorriso dele me lembrava uma faca de lâmina bem afiada. Era limpo, reluzente e poderia destruir meu coração com um movimento simples e certeiro. Em instantes, estávamos abraçados, dançando sob a luz da lua a musica lenta e bem cadenciada, encaixando nossos corpos, rebolando junto ao ritmo, afastando e aproximando nossos corpos... Eu podia lidar com meus problemas na manhã seguinte. Não eram poucos, mas perto dele tudo era insignificante... Ate mesmo os “cliks” que me feriam os ouvidos.
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