Gimme More
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Capítulo quatro —
O carro parado em frente à porta continha quatro garotas em seu interior, todas risonhas e bem arrumadas. Entrei no banco do carona.
–Ai meu deus! — Bianca exclamou — Esses sapatos são Louboutin?
–São.
–Então pra onde vamos? Eu não faço a menor idéia de onde fica a nossa parada — Bia confessou.
–Só saia dessa propriedade. Não suporto mais um segundo dentro dessa prisão — ela não ousou me contrariar momento algum. Quando estávamos a 2 km de distância daquela casa, consegui finalmente respirar; peguei meu celular.
–Fale princesa — a voz fria de Marcos me arrepiou não de medo, mas de excitação; não a sexual como devem estar pensando.
–Nós estamos procurando o melhor racha. Você tem alguma informação ou nós vamos rodar a cidade inteira?
– Sempre consegue estar um passo a minha frente, não é Thalia? — ele riu — Tenho dois endereços; anote... — ditei os dois endereços para Bia — Já sabe o que deve procurar?
–Sei. Vamos passar pela manhã.
–Ótimo.
Encerrei a ligação enquanto Bianca acelerava ao som de Britney Spears. As ruas da cidade nunca estão realmente vazias, mas durante as noites o fluxo diminui bastante. Passamos em alta velocidade (sempre dentro do limite; ainda éramos as meninas ricas de pais importantes, não as garotas de Máfia) por avenidas quase vazias e com pouca iluminação. Paramos em um "bairro" afastado da parte mais movimentada da cidade e estrategicamente longe de todas as delegacias. Paramos um pouco longe para não levantar suspeitas; todo cuidado é pouco.
Seguimos os carros de luxo até pararmos na multidão de vadias se esfregando nos carros e homens, já os homens estavam exibindo suas maquinas sempre orgulhosos de suas modificações e de suas manobras ousadas nas corridas. Admito que gostei do que vi: os carros eram obviamente ótimos desde que estivessem em mãos habilidosas. Aproximei-me de um carro com o capô levantado, expondo o motor. Observei cada detalhe memorizando-os e comparando-os com os detalhes dos antigos carros da Máfia.
–Gosta do que vê? — um cara grande e moreno se aproximou de mim, ficando as minhas costas e me prendendo entre seu peito e o carro; não reclamei.
–Gosto. É um motor potente, suponho que você tenha envenenado essa beleza ainda mais, não?
–Mas é claro, boneca — senti o sorriso em sua voz e não o culpo. Não é todo o dia que aparece uma garota que entende de carros e com um bom corpo (sim, eu sou uma daquelas garotas que sabem que são bonitas). Livrei-me do "aperto" e dei a volta no carro sempre sendo seguida por ele.
–Tem vários arranhões na lataria, no para choque também; isso indica que você é um péssimo motorista; um desperdício de bom carro com você — senti primeiro o choque exalando do seu corpo e logo em seguida o vi crescer sobre mim com uma raiva eminente. O sorriso sumiu.
–Quem você está pensando que é, putinha? Ninguém aqui dirige melhor do que eu. Esse pedaço de crime é meu! — ele rosnou e todos os olhos se voltaram para nós dois. Não consegui prender o riso; se aquele otário era o melhor motorista desse lugar estava realmente fudido. O mais ridículo de tudo era ele achar que mandava ali. Pobre iludido, não sabia quem eu era.
–Desculpa, menininha — alguns riram da minha resposta- Não posso fazer nada se você dirige mal e não se da bem com a verdade.
–Ora sua... — ele tentou ma dar uma bofetada no rosto, mas não conseguiu. Sou treinada há anos para reagir a um ataque pior do que esses; segurei seu pulso nos dois ossinhos e os apertei com força, em seguida, o girei torcendo seu braço para trás e o fiz ficar de joelhos. Só havia o silencio naquele lugar onde antes só se ouvia motores potentes.
–Sabe quem eu sou? — perguntei com a voz mansa, ainda segurando seu pulso; com a mão livre pequei uma pequena faca escondida entre meus seios e presa pelo sutiã. Deslizei a arma pelo rosto orgulhoso do homem aos meus pés; vi as gotas vermelhas escorrerem até o chão — Sou Thalia — meu nome ecoou no silencio e senti pessoas prendendo o fôlego. Todos sabiam que eu era a escolhida para assumir os negócios de Marcos — A queridinha da Máfia.
Soltei seu braço e ele caiu deitado no chão, mas se recompôs e ficou de joelhos em sinal de respeito.
–Desculpe, senhorita — sua voz saiu mais suave e temerosa — Não vou voltar a tratá-la desse modo.
–Certamente não vai — ele levantou os olhos, confuso — Clarisse — a morena de corpo forte e inocentemente sexy passou a arma para as minhas mãos.
–Não! Por favor... — ele implorou segurando meu tornozelo — Não me mate!
–Não, querido — coloquei a mão no peito dramaticamente, mas ainda sendo fria — Não vou matá-lo, mas você precisa aprender uma lição — ele pareceu ficar mais assustado; senti-me excitada por tê-lo rendido, submisso as minhas ordens; estava extasiada por sentir o gosto do seu medo pairando no ar — Levante-se.
Ele levantou a contra gosto, as pernas tremendo demais para ficar em um perfeito equilíbrio. Bianca e Rachel prendiam o riso; elas percebiam o quanto eu estava me divertindo, enquanto Clarisse e Annabeth ainda buscavam grandes potencias.
–Por favor...
–Sabe que não adianta implorar; alem disso está conseguindo me deixar ainda mais excitada — ele esboçou um sorriso e foi nesse momento de distração que atirei. A bala perfurou seu joelho esquerdo e ele tornou a cair no chão, dessa vez aos berros de dor — Peguem os carros — cada garota entrou no carro escolhido, inclusive Bianca escolheu um. Depois mandaríamos alguém buscar seu carro. Saímos daquele bairro clandestino e seguimos para as grandes avenidas. Paramos em um sinal vermelho e todas abriram os vidros.
–Prontas? — Annie gritou a minha direita.
–Vocês vão comer poeira! — Clarisse retrucou.
–Sonhe Clari! — Bianca riu.
–Por favor! Todas nós sabemos que eu vou vencer, então chega de conversa fiada! — Rachel comentou e eu apenas ri.
Sabe como naqueles filmes em que o foco é mostrar corridas clandestinas? Os motores já ligados, os pés no acelerador e o vento batendo no rosto. Assim que o sinal abriu arrancamos. Há quase todo o instante ficamos empatadas, mas eu resolvi me divertir mais. Desviei-me da avenida e segui pelas ruas menores, mais sinuosas e com mais chances de encontrar pedestres. Não me importei com o risco, era aquilo que deixava tudo melhor do que já era. Virei à direita. Acelerei ainda mais como se eu desconhecesse o freio. Uma lombada apareceu no meio do meu campo de visão; diminui em quase nada e passei pelo obstáculo. Uma curva perigosa para a direita, de novo. Um casal de idosos estava sentado na guia da calçada e quase foi levado tamanha a minha velocidade. Virei à esquerda e sai na avenida na frente das meninas.
–CHATA! — Clarisse gritou ao vento e eu ri verdadeiramente como sentia falta de fazer.
[...]
Estacionamos em frente a um prédio luxuoso, mas até ai, comum. O prédio era na verdade os fundos de uma boate bem movimentada e "famosa". Assim que os cinco carros apareceram, os seguranças chegaram para nos receber e levar essas maquinas para o estacionamento e, depois, para a oficina no andar abaixo da terra.
–Senhoritas. — fomos cumprimentadas e eles liberaram a passagem enquanto iam assumir os volantes. Entramos e Bianca comunicou o primeiro que viu sobre seu carro, não passou nem um segundo e já foram buscar o automóvel da menina. O interior era repleto de homens fortes vestidos de preto em posição de sentido, com armas presas a cintura, os escritórios, na parte da administração dos lucros e despesas, ficava no andar mais alto, o planejamento de assaltos, mortes e afins ficava no meio do prédio. Por enquanto, no térreo, eram apenas vários salões vazios, sem contar pelos seguranças. As portas prateadas dos elevadores se abriram e me deram a visão privilegiada do meu verdadeiro "pai".
–Meninas! — Marcos abriu os braços em uma saudação calorosa; isso não era do seu feitio, muito menos algo que saísse de um modo natural, mas tudo mudava quando o assunto éramos nós cinco — Trouxeram coisa boa, eu espero.
–Bons motores envenenados, mas péssimas latarias. — Rachel relatou.
–Cuidaremos disso.
–Como vai a boate? — Annabeth amava o que fazia, mas gostava de dançar nos intervalos.
–Estão agitadas; as novas garotas estão se saindo muito bem e as bebidas estão sendo cada vez mais vendidas.
–É agora que você nos agradece pelas nossas mudanças ou vamos esperar um tratamento privilegiado durante essa semana? — perguntei ironicamente. Sempre fui a única de quem Marcos tolerava ironias e brincadeiras; tinha algo em mim que o atraia assim como algo nele e em seu mundo que mexiam com meu interior.
–Estão de parabéns; mais uma vez. Suponho que vão dormir por aqui, certo?
–Certo — Clarisse foi primeira a responder.
–Não volto para casa hoje; se voltar eu mato minha família inteira do jeito mais brutal possível — despejei com raiva e passei reto por Marcos. Evitei o elevador e desci pelas escadas mesmo até chegar ao nível da mecânica. Pendurei minha bolsa em um cabide exclusivo na parede, tirei o colete vermelho e o pendurei também.
–Lia! — era Connor.
–Tha! — e seu gêmeo, Travis.
–Se transferiram para a parte da mecânica agora? — não neguei um sorriso aos dois.
–Não. — um deles respondeu com desdém. – Acabamos de sair do desmanche de carros roubados do outro lado da cidade.
–E soubemos que você iria chegar logo...
–Então resolvemos te esperar.
Na Máfia é essencial que todos saibam fazer de tudo um pouco, mas mesmo assim tenham sua área especificada. Os gêmeos eram as pessoas de mão mais leve possível; mestres em roubos até a luz do dia; sem disfarces, sem armas, os dois mantinham uma aparência natural, normal e isso era o que fazia tudo fluir com perfeição.
–Você parece muito excitada, sabia? — um dele se aproximou de mim, enquanto o outro sumia atrás dos vários carros para a manutenção.
–Sabia — respondi mantendo um sorriso no rosto. O menino me empurrou para a parede, mas não senti o impacto com a superfície lisa e fria: senti o corpo bem trabalhado do outro gêmeo me prendendo pela cintura de uma forma firme e me descendo beijos quentes pelo pescoço e ombro descobertos. O menino a minha frente também pressionou seu corpo contra meu e eu pude senti-los arfar com a aproximação.
–Sempre quis sentir o gosto da sua pele alva... — o murmúrio tão carregado de desejo pareceu me trazer a realidade. Livrei-me dos dois gêmeos.
–Mas não vai conseguir hoje — os mecânicos haviam chegado. Conversamos durante meia hora sobre o melhor trabalho a se fazer para usarmos todos os recursos que tínhamos sem deixar marcas. Notei o cuidado quase exagerado deles para não marcarem meu corpo e roupas com graxa. Passei por corredores ainda no subsolo até chegar à área deserta de treino. Havia colchonetes empilhados em um canto, sacos de pancada, pesos, cordas, tudo arrumado em seu canto e um vestiário ao fundo. Entrei e retirei as roupas para vestir algo mais confortável para um treino, prendi os cabelos. Sai do vestiário enrolando as fachas de boxe nas mãos e assim comecei descontar minha raiva em pancadas cada vez mais rápidas.
–São quase quatro da manhã — a voz penetrante e gélida me fez parar no meio de outro soco — Você tem aula pela manhã e deveria descascar.
–Você sabe que não consigo dormir enquanto não liberar parte da minha raiva — disse no mesmo tom de Marcos. Voltei a dar socos no objeto a minha frente, sentia o suor escorrendo do pescoço, passando pelos ombros e sumindo em minha blusa. Sabia que Marcos continuava na sala ampla, mas não me importava o que fazia desde que me deixasse descontar toda a minha raiva.
Ele apareceu a minha frente do outro lado do saco suspenso pela corrente presa ao teto. As faixas como as minhas envoltas nas mãos. Ele não iria me impedir, ao contrário, ficaria ali comigo. Ah, como eu queria que ele fosse meu pai; ele com certeza viu isso em meus olhos e com a ponta dos dedos não envoltos pela faixa, me acariciou o rosto.
–Sempre serei seu pai, pequena. Não importa os laços de sangue, sempre estarei aqui para você.
Os jardins tinham a grama seca pelo frio inverno que se aproximava. Os tons dourados e marrons das folhas eram hipnotizantes e faziam minha mente vagar para um mundo oposto a aquele. O macacão jeans sobre a camiseta amarela estava sujo de terra e com folhas mortas presas nos bolsos. Não tinha percebido, mas agora, de joelhos sobre a grama, eu via o galpão onde minha mãe costumava ficar. Estava em frente ao lugar onde fui proibida de chegar perto. Senti a tentação de entrar correndo pelas minhas veias pequeninas.
–Thalia? O que está fazendo ai, filha? — Zeus se aproximava quase correndo para me pegar nos braços e me levar para longe dali.
–Eu não sei — a voz aguda de uma criança ingênua saiu dos lábios finos e já rosados; senti os olhos arderem em lágrimas pensando na possibilidade horrível da perda — Você não vai deixar de ser meu pai, vai? — Zeus me apertou contra seu corpo e afagou meus cabelos, voltando para casa.
–Querida, nunca vou deixar de ser seu pai.
–Sempre será meu amigo? — a voz embargada de criança o comoveu.
–Sempre vou estar aqui para você, minha filha, sempre seremos amigos inseparáveis. — abracei seu pescoço fortemente e deixei que me levasse para longe das lembranças de minha mãe.
Não esperava ouvir aquelas palavras de Marcos, ele também não sabia que as mesmas palavras haviam sido proferidas pelo meu "amigo inseparável", mas ele me conhecia; era óbvio que uma lembrança me castigou a mente e ele se apressou a me fazer entrar na luta. Por vinte minutos, Marcos me distraiu lutando boxe comigo sempre com um sorriso assustador no rosto. Assim que paramos e tiramos as faixas ele envolveu meus ombros de lado e ficamos assim, sentados no chão com ele me envolvendo em seus braços em um gesto tão significativo e que eu não me lembrava de ter tido com Zeus.
–Sabe menina, você merece mais. Merece muito mais dessa família.
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