Gimme More

49 Capítulo 39


Notas iniciais
Hey mafiosas e mafiosos! Preciso pedir desculpas pela demora em responder os comentários e inclusive esse atraso com a postagem. A net não andava bem e essa semana estavam sendo trocados os cabos do bairro ou da cidade, não sei ao certo, então eu realmente lamento ter demorado mais do que o planejado. Boa leitura:

Capítulo trinta e nove –

A semana que se passou foi a mais incrível de toda a minha vida. A escola nunca me parecera mais convidativa. Enquanto em casa as coisas iam de mal a pior com os meus familiares, minha vida lá fora estava nas alturas. As fofocas seguiram soltas e com estranha força, até professores cochichavam pelos cantos sobre aquele grupinho tão estranho: os mafiosos. Era gostoso ter mais gente com quem partilhar o segredo.

Para Nico, andar com os mais velhos e com as mais lindas meninas do colégio era sinônimo de popularidade entre os seus, até entre os mais velhos ele já chamava mais atenção; desde que entrara estava bem mais confiante, um pouco menos dependente das sombras. Chris e Clarisse haviam assumido o namoro naquela quinta-feira e estavam muitíssimo felizes. Era quase cômico ver Clarisse apaixonada, mas era tão lindo e gratificante vê-la bem... Rachel a cada dia me parecia mais mafiosa, mais ousadamente perigosa; eu gostava daquilo. Perseu estava indo bem tendo Annabeth para colocá-lo na coleira. Luke continuava sendo minha base de saúde e demência; Deus sabe o que aquele homem causava em mim porque eu não sei explicar. De qualquer forma ainda não havíamos brincado como ele prometera quando dissera que me queria.

Marcos havia nos ajudado a planejar e logo estaríamos prontos para ação novamente. Havíamos passado as tardes juntos discutindo os prós e contras de cada plano, reformulando e reformulando até tudo estar perfeito ou o mais próximo possível disso. De volta à escola, as discussões para a viagem estavam super em alta e a comissão – Perseu e eu representando o 1º colegial – reunida estava contando o dinheiro e decidindo o destino.

Agora, noite de sexta feira eu ria ao telefone celular junto a Luke. Como estava na sala de estar e minha família se reunia na sala de jantar, eu sabia que meus homens prestavam muita atenção.

–Eu posso te ver hoje? – ele pediu do outro lado da linha.

–Mais tarde – agora eu me dirigia à sala de jantar; tinha fechado um acordo com Zeus: eu comeria junto deles, mas não precisaria se quer me dirigir a sua pessoa – Você podia vir aqui...

–Seria...

Luke ainda falava com a voz mansa e suave do outro lado da linha, mas o chamado repentino de Zeus me distraiu. Ele tentava desfazer a carranca e não olhar para meu celular, mas era visível e muito evidente que ele não gostou da parte da conversa que ouviu.

–Vamos jantar fora hoje – anunciou depois de um pigarro.

–Espera um pouco, Luke – comentei com a voz um pouco mais dura do que deveria ao me dirigir a ele; era inevitável não me consumir em fúria com Zeus. Dirigi-me a meu pai – Não está um pouco tarde para me avisar sobre isso?

–Não precisa se arrumar tanto. Pegue um casaco e vamos todos.

Deixei toda a minha irritação transparecer em meus olhos e retornei a sala de estar, pedi a Teresa que me trouxesse uma jaqueta e um salto enquanto me despedia de Luke. Olhando para mim mesma, estava bonita. A blusa rosa que usava tinha um decote razoável e os jeans se moldavam bem as minhas pernas, os saltos pretos e a jaqueta de couro fechavam a produção. Nada chamativo demais. Fiz questão de ir no carro de Hefesto, o mais longe possível do casalzinho hipócrita e nojento.

O restaurante não era chique, também não era qualquer lugar. Era como um ponto de encontro de ricos que não queriam se vestir como ricos, ou algo do gênero. Havia já uma mesa reservada a nossa família humildemente pequena e dois garçons a nossa espera, um deles gentilmente me ajudou a tirar a jaqueta e puxou a cadeira para mim com um sorriso bonito e discreto, mas admirado. Zeus não gostou. Ele puxou a cadeira para Hera e depois se sentou. Os dois estavam, desconfortadamente, sentados de frente para mim.

Enquanto fazíamos nossos pedidos as bebidas chegaram. Fui servida antes de todos por outro garçom igualmente gentil que me sorria satisfeito ao ver meu sorriso para ele. Gostava disso: gostava de tratar bem os que me serviam e de vê-los me tratar bem em retorno. Isso incomodava muito os outros presentes.

–É uma ocasião especial, Thalia – Zeus falou – Você deveria parar de sorrir para os empregados e demonstrar essa cortesia para sua família.

–A minha família acabou de estragar o que poderia ter sido uma noite espetacular com Luke – disse de forme ligeiramente dura temperada com um sorriso afiado, nem me toquei que havia algo sexualmente implícito na frase – Perdoe-me se não compartilho a alegria de pela primeira vez sermos todos incluídos na sua vidinha.

–Não sei o que esse rapaz pode dar a você...

–Ele me dá tudo o que eu quero. – confessei – Luke cuida de mim como ninguém antes cuidou. Ele me faz rir, ele me consola, ele me entende. Só o fato de ele estar ao meu lado muda tudo. Por favor, não piore a noite falando mal de alguém que gosto.

Zeus abriu a boca no mínimo três vezes antes de decidir não dizer mais nada. Eu não sabia qual era a minha expressão ao dizer tudo aquilo e nem sei como descrever minha voz, contudo eu não mentira. Luke significava muito para mim; significava demais para eu suportar Zeus difamando-o. O olhar de Hera era o mesmo de muitas noites atrás; ainda conseguia ouvir suas palavras e ainda tentava decifrá-las “você está entrando em um campo minado, princesa”. Minha madrasta arqueou a sobrancelha como se pensasse o mesmo que eu. Meus irmãos estavam desconfortáveis com minhas palavras: Ares ficou mais carrancudo, Hefesto abaixou os olhos, Apolo era o mais incomodado.

Levei a taça de champanhe aos lábios e desviei o olhar para as outras mesas vendo se reconhecia alguém. Reconheci. Iris sempre amou peças coloridas, acho que a faziam se sentir mais jovem, de qualquer forma, era uma jornalista que não perdia um furo, mas não se incomodava de esperar para a matéria sair. Ela era um perigo. E se aproximava de mim sorrindo.

–Thalia Grace – sorriu ela se aproximando. Virei o corpo, mas não levantei. Ela abaixou-se e trocamos beijinhos à moda francesa – Quanto tempo que não nos vemos!

–Faz tempo, não, Iris? – disse sorrindo de volta.

–Sim. Deus! Você era tão pequenininha – ela sorriu. Iris se referia aos meus seis anos de idade, o casamento de Zeus e Hera e que ela fotografara junto a outros profissionais. Naquela época ela não devia ter mais de 18, agora estava pertinho dos trinta – Está tão bonita! Você me lembra muito sua mãe – ela disse e pude sentir a tensão no ar, tão palpável quanto uma viga de aço frio – Zeus! Hera! – cumprimentou e passou aos meus irmãos e comentou um pouco mais sobre aquela ocasião passada.

Quando ela foi para a própria mesa a tensão diminuiu, contudo não desapareceu. Abelle ainda era uma presença forte demais mesmo depois de morta. Nossos pratos foram colocados a nossa frente e antes mesmo que eu pensasse em pegar o talher Zeus soltou o que eu sabia que era o motivo de estarmos todos os filhos ali:

–Devido o ano difícil para nós, Hera e eu decidimos renovar nossos votos – meu estômago embrulhou – Vamos nos casar novamente.

Senti como se tivesse síndrome de Parkinson. Apoiei meus cotovelos sobre a mesa e tentei fazer minhas mãos pararem de tremer ao esconder meu rosto nelas. Deus! Sabia que lá vinha uma enxaqueca das grandes.

Bruscamente encarei meus irmãos.

–Vocês já sabiam? – minha voz era baixa, mas tão ríspida que ninguém ousou falar com medo da minha reação – Respondam – sibilei, a voz não passando de um sussurro. Sentia meus olhos queimarem e sabia que estava assumindo a pose impiedosa de mafiosa e isso era um risco enorme. Precisava controlar minha respiração para não me entregar.

–Soubemos semana passada – Hermes murmurou.

–Semana passada? – ainda baixa, ainda fria. Um servente vinha se aproximando, mas ao olhar para mim sentiu o perigo e retornou. Dedilhei os dedos sobre a mesa, as unhas batendo sobre a superfície lisa da madeira...

–Vocês estarão como testemunhas e Thalia entregará novas alianças... – Zeus tinha retomado a fala, mas interrompi-o com uma risada baixa e muito cruel; meus dedos ainda faziam barulho deixando-os mais apreensivos. Minha família nunca havia me visto tão alterada.

–Achou que contando em público eu não iria reagir? Sua ingenuidade me cansa. – eu não gritava, contudo não me importava com quem poderia ouvir – Eu não vou mais participar da sua vida, não importa o quanto tente.

–Thalia, por favor...

A entrada havia sido colocada a nossa frente. Eu pedia por socorro na mensagem rapidamente trocada. Comi aquele prato quase vazio antes de declarar o que mudaria a minha vida para sempre:

–Eu te odeio, Zeus. Odeio todos vocês – e levantei. Segui para a porta de saída e ligava já pedindo por socorro mais uma vez, a voz ligeiramente chorosa. Vesti a jaqueta com pressa, pois estava frio do lado de fora e segui andando com o coração na mão e raiva líquida pulsando nas veias. Estava profundamente chateada. Quando aquele pesadelo ia acabar? Quando eu poderia voltar a ter sonhos tranquilos?

Alguém me chamava as minhas costas; um deles devia ter levantado, mas Luke chegou primeiro, parou a moto ao meu lado e estendeu o capacete extra. Em menos de três segundos estávamos longe dali.

[...]

Meus movimentos eram mecânicos: descer da moto, devolver o capacete, um passo, depois o outro... Luke me conduziu até o interior de uma casa, mas não conseguia enxergar bem, não visualizava nada.

Estava com a respiração tão irregular, estava tão carente... E o mundo simplesmente desvaneceu quando Luke me puxou para seus braços, quando me envolveu. Enterrei o rosto em seu peito e pude ouvir as batidas de seu coração, sentia as batidas pesadas devido a minha dor. Segurei as lágrimas e me encolhi junto a seu corpo respirando o aroma de segurança que vinha de sua pele. Castellan me pegou no colo e sentou-se comigo no sofá. Mordi o lábio; teimava em não chorar, não queria, não podia chorar por culpa daquela família ridícula.

–Você não precisa segurar as lágrimas – ele sussurrou para mim, a voz suave e carrega de dor – Elas são a prova de que você vale muito mais do que todos eles.

–Não consigo... – confidenciei. Minha voz soava pesada devido o choro prendido – Não consigo chorar... Não por eles.

–Tudo bem, tudo bem – ele sussurrava em meu ouvido enquanto esfregava minhas costas com ternura e suavidade espalhando calor pelo meu corpo frio.

–Eu os odeio – murmurei mais para mim do que para ele.

–Ah, minha Lia... Eu sei, eu sei. Se me pedir, se quiser eu mato todos. Não vou deixar que eles a machuquem. Não vou! – ele me apertou com mais força como que para provar a intensidade, a veracidade de suas palavras.

Os minutos passaram devagar e até que a calma me atingisse, Luke confortou-me provando ser verdade as palavras que eu atirara a Zeus no início daquele ridículo jantar. Afastei-me com certa relutância para olhar em seus olhos; havia ali uma pergunta muda, um traço ligeiro de curiosidade. Luke não me faltaria com o respeito, tampouco queria invadir minha privacidade: ele não perguntaria nada. Mas contei o resultado do jantar mesmo assim. Eu confiava em Luke.

–E agora? O que vai acontecer? – ele perguntou.

–Iris com certeza estava prestando atenção em nossa mesa desde que nos viu; eu dizer em alta voz que os odeio deve gerar uma boa matéria em qualquer revista de fofoca, se não vai gerar o combustível para uma possível matéria.

–Vai ter gente te perseguindo – ele quase rosnou ao compreender.

–Não importa – olhei ao meu redor, o ambiente acolhedor na penumbra – Para onde me trouxe? – perguntei com um sorriso na voz.

–Bom – ele pareceu constrangido – Você não veio então eu a trouxe – virei e verdadeiramente sorri para suas bochechas rosadas – Não tem o luxo de nenhum dos seus quartos, e sinto muito por isso, mas... Bem vinda a minha casa.

Deixei meus olhos distinguirem os móveis, a decoração, Luke estava certo: era tudo humilde, simples, havia peças de artesanato e muitas fotos.

–Não é muita coisa – ele murmurou encabulado com a intensidade do meu olhar sobre as imagens que a escuridão não me permitia enxergar com clareza.

Voltei meus olhos para seu rosto e gentilmente acariciei sua bochecha até que Luke criasse coragem para me olhar nos olhos.

–Tudo o que vem de você até mim é muito. – vi o choque em seus olhos e deixei meus dedos traçarem suas feições – Não subestime o valor que você e sua vida e tudo o que te envolve tem para mim.

Luke ficou pasmo, mudo por incontáveis minutos nos quais passei acariciando seu rosto e olhando-o com suavidade. Senti-o puxando-me para mais perto, até que seu quadril estivesse colado ao meu, desviei minhas mãos para seus ombros me apoiando e tentando diferenciar a sua respiração da minha.

–Diga outra vez – sussurrou quase extasiado – Diga que sou importante para você, que sou especial. – não era um pedido, era uma súplica.

Tive que controlar todo o meu corpo para não estremecer. Fechei os olhos tentando acalmar minha pulsação e respirei fundo. Por que Luke Castellan tinha que ser tão desejável? Por que ele conseguia me fazer sentir tanto com tão pouco? Mas eu ainda era Thalia. Ainda era uma Grace. Ainda era a Princesa da Máfia. Eu não cederia a Luke... Tão fácil.

–Eu não disse essas palavras – na minha cabeça as palavras saíram com firmeza e um “que” de sarcasmo. Mas até eu pude me sentir ofegar, sentir o sorriso em minha voz.

–Não – ele sorriu de volta – Mas elas estavam implícitas, não estavam?

–Eu... Eu não sei do que você está falando – minha voz falhou e mesmo assim o sorriso sincero e discreto continuava em meus lábios.

–Eu posso fazer você entender – ele sussurrou em meu ouvido, mordiscando minha orelha e afastou minha jaqueta para ir descendo com lentidão beijos quentes em meu pescoço. Devagar, me vi deitada no sofá tendo seu corpo sobre o meu pressionando-me gentilmente, seus lábios moviam-se com delicadeza e ternura, sem pressa, com calma. A cada vez que sua respiração batia em minha pele, na pele queimada por seus beijos, eu me arrepiava – Diga. Diga, minha Lia – havia tanta possessividade em “minha Lia” e tanto carinho e mesmo assim não fez com que ele parecesse um maluco; Luke parecia um cara apaixonado.

Apaixonado. Apaixonado por mim!

O pensamento me assustou a ponto de sentir necessidade de afastá-lo, mas não consegui afastá-lo de mim. Não queria afastá-lo. Ele continuava pedindo que eu dissesse palavras perigosas e eu me ouvia chamar por ele em sussurros tão baixinhos... Luke beijou meu queixo e minha bochecha, parou olhando-me nos olhos. Eu não precisava desviar seu olhar do meu para saber o óbvio: seus lábios estavam exatamente acima dos meus, no máximo cinco centímetros nos separavam.

–Luke – suspirei uma última vez brincando com seu cabelo – Você é insubstituível para mim. Não sei desde quando e também não sei por que, mas ainda assim você é. – confessei uma verdade que, antes de ser dita, quase não me era aceita nem em pensamentos. Ele acariciou minha bochecha com tanta afeição que me senti etérea.

Um barulho no andar de cima chamou a atenção de Luke. Senti-o tenso sobre mim, rígido e nervoso. Era quase uma estátua viva. Sintonizei meus ouvidos e distinguia frases, palavras, embora elas não fizessem sentindo, a voz era falha, gutural, inegavelmente feminina, mas o que me incomodava era o desespero dela.

Luke deu pulo e bagunçava – praticamente arrancava – os fios de seu cabelo e resmungava consigo mesmo. O tempo que levei para me sentar foi o tempo para a mulher – para a mãe dele – aparecer no alto das escadas. May Castellan, era esse seu nome, lembrava-me de lê-lo na ficha roubada da diretoria, era uma mulher pequena, frágil, tinha o aspecto de quem fora destruída. May contorcia as mãos freneticamente e murmurava palavras estranhas, seus olhos por um instante me assustaram: eram grandes e muito verdes, ela tinha o olhar de uma presa, alguém que estava sendo caçada.

–Luke? – chamei por ele para que ele acordasse; parecia tão perto de um colapso quanto à mãe – Respire, Castellan, respire fundo e devagar – minha voz era baixa e profunda, estava segura de minha suavidade e gentileza, portanto, não apenas vi Luke seguir minhas ordens como vi a mulher no alto da escada copiá-las.

Ele recuperou o controle e olhou para mim com medo e admiração, então soltou:

–Ela deveria estar dormindo. O remédio já não está funcionando bem. Não sei o que fazer com ela e com suas crises... – sua voz foi morrendo e ele desviou os olhos dos meus. Pelo visto eu não era a única com dramas familiares.

–Ela não precisa de remédios para dormir, Luke. Ela precisa de atenção, de conforto – ele olhou para mim com confusão. Tirei a jaqueta e levantei para encaixar minha mão em seu ombro. Confortava-o com o toque e explicava o que ele havia me contado muito antes em conversas triviais – O homem que ela amava a deixou, seu filho vive nas ruas. Ela tem medo da solidão, está depressiva e doente. Você não pode achar que dar um calmante vai resolver as coisas, para ela ou para você. Porque não vai.

Juntos, eu e ele acalmamos May. Tudo bem, eu acalmei e cuidei dos dois. Consegui fazer com que o filho me apresentasse a sua mãe como se ela não estivesse ruindo, ele abriu as janelas e saiu – ainda a pedido meu – para comprar o jantar. Enquanto isso eu tranquilizava May, contava como sentia falta da minha mãe e como jamais tive em meu pai a figura paterna, deixei que as palavras saíssem de mim para confortá-la, mas, na realidade, estava confortando a nós duas. Tirei suas roupas e as minhas e dei-lhe um banho para tirar o suor de seu corpo magro, vesti-a com sua melhor e mais confortável camisola e penteava seus cabelos quando Luke voltou.

Sentamos os três na cama da mulher para saborear o jantar mais simples, mais honesto e mais afetuoso de toda a minha vida. Mal recordo do instante exato em que acabo vestida com uma camiseta de Luke, mas sei que sou embalada pelas palavras de uma senhora, de uma mãe, bem mais tranquila; ela me conta sobre seu filho como se o rapaz não estivesse sentado ao seu lado segurando sua mão – e a imagem da infância dele me parece familiar, conhecida de alguma forma, como se Luke me pertencesse desde muito cedo – quando ela adormece deixamos o quarto e ele toma minha mão na sua.

–Obrigado – sussurra emocionado.

Sei que ele quer dizer mais, embora não encontre palavras. Sei que eu poderia dar uma resposta fria e dignamente mafiosa pelo meu auxilio, mas não quero dar. Às vezes não precisamos de palavras, nem recorrer a máscaras frias. O seu olhar bastava. O meu sorriso bastou.

[...]

Na noite seguinte a Máfia estava nos preparativos finais, últimos posicionamentos. Havia muita correria, mas as princesas estavam calmas. Na sala de comando, que me lembrava mais ou menos a caverna do Batman, estávamos as cinco mais os nerds de cada um dos cinco grupos promissores. Toupeira bem ao meu lado era útil e confiável, gostei muito do homem que acima de tudo tinha muitos valores.

Enquanto eles terminavam de revisar mais uma vez, eu relembrava como havia convencido Luke a ir sozinho para a escola, disse que assim não teria suspeita alguma sobre ele sobre o meu “sumiço” para meu pai e irmãos, voltei para casa peguei o necessário, deixei um bilhete escrito a mão e mandei uma mensagem para Hefesto – só para saberem que eu ainda estava viva e para pararem de encher meu correio de voz. Assim passei o dia com meu verdadeiro pai, com minha verdadeira família.

–Então, princesa? Já se livrou da sua família? – a voz de Luke ecoava em meus ouvidos.

–Você não deveria estar pensando nisso – retruquei.

Luke era o “astro” na missão, muito dependeria dele, mas estaria muito exposto. Era uma missão de resgate e mesmo sendo muito importante, ela estava nas mãos dos iniciados; dos nossos iniciados mais próximos: Percy e Chris estavam igualmente envolvidos, mas Nico era muito novo para se envolver diretamente. Não que o Di Angelo não estivesse ajudando. Eu me comunicava com Luke através dos dispositivos em nossas orelhas: estávamos um ligado ao outro, da mesma forma que as outras princesas. Ele estava a posto e eu na sede da Máfia monitorando seus movimentos.

–Como não pensar? Sei que seu pai e seus irmãos estão irritados comigo e com o seu sumiço. Não posso culpá-los – senti e vi o sorriso malicioso pela tela do monitor; graças a Deus só eu podia ouvi-lo – Eu também me incomodaria caso minha belíssima fugisse.

O tom de voz confirmava, mas perguntei:

–Você ta flertando comigo? Agora?

Ele riu.

–Por quê? Funcionou?

Sorri, mas não fiz mais que isso. Sabia que atraia olhares curiosos dos outros, Toupeira em especial estava devidamente chocado com a ousadia do parceiro.

–Você tem dois minutos antes dele aparecer. – disse soando como a princesa que era e deixando de responder de propósito.

–Certo – ele voltou a passar seriedade – Não devo falar com você, embora a senhorita vá saber tudo o que eu dizer e fizer.

–Isso. – as meninas ao meu lado também davam instruções – Você tem um minuto.

–Aposto que você não vai gostar de ver isso – ele voltou a ser o garoto que eu conhecia como abusado.

–Acredite em mim, Castellan – eu mesma pude sentir o prazer e a frieza e a malícia em minha voz descendo e escorrendo por meu queixo como um doce e perigoso veneno; ao fundo senti Marcos prender o riso devido aos olhares desejosos e submissos que eu recebia dos nerds – Eu vou adorar!

Então o jogo da noite começara... E por mais que eu tivesse falado a verdade, que eu adoraria ver o que ia acontecer, parte de mim também concordava com Luke: eu não ia gostar... Luke Castellan agora seguia com uma escolta de luxo em direção a um bordel... E eu assistiria a tudo.

Notas finais
Hehehehehe até mais ;D