Gimme More

50 Capítulo 40


Notas iniciais
Feliz ano novo, mafiosas e mafiosos!

Capítulo quarenta –

O objetivo da missão era simples e bem óbvio: salvar as meninas. Não é segredo que muitas jovens entrem no ramo da prostituição por necessidade e depois não conseguem sair, outras como as da Máfia estavam lá por puro prazer. Não era o caso. Todas as moças daquele lugar haviam sido sequestradas, vendidas, compradas.

Tráfico humano.

Essas duas palavras coçavam em minha garganta. Polifemo era apenas um peão entre muitos outros que lidavam com isso. Naquele aparelhinho que Luke roubara havia muitas informações, mas concentrei-me na primeira menina que havia aparecido – menor de idade, 15 anos, indiana – havia toda uma ficha dela, os nomes que haviam comprado e para quem ela fora vendida e o porquê. Estava enojada.

Luke entrou na casa de três andares com uma segurança invejável e atípica de rapazes da idade dele. O homem que o escoltava era russo, mas se esforçava bem para falar em inglês.

–Puxa a planta do local – pedi a Toupeira; logo a imagem estava na tela, inclinei-me sobre ele e aproximei um canto específico – Tem uma passagem pelo subterrâneo e um porão bem escondido.

Falei para ninguém em especial. Clarisse respondeu:

–Chris está no outro lado do túnel. Tem quatro vigias bem disfarçados – ela completou.

A recepcionista deveria ter 30 anos, mas o meio quilo de maquiagem que usava fazia com que parecesse um palhaço de 50; não que isso tenha impedido de jogar o cabelo por sobre o ombro numa tentativa de seduzir o rapaz. Aquilo me enojou na mesma medida que me deu vontade de rir.

–Não é típico recebermos jovens como você – um homem da idade de Marcos saiu das sombras. Luke não se abalou, deu seu sorriso metidinho e respondeu:

–Poucos são espertos o suficiente para encontrarem um lugar agradável como este. Sinto falta de bons aperitivos – ele sorriu de forma quase perversa, o que agradou muito o “dono” do local.

–No último contato, você deixou claro o seu interesse no nosso aperitivo indiano. Seus gostos continuam exóticos?

–Sim. Ela me pareceu... Maravilhosa. Tenho muito interesse em novinhas – e tom que Luke usou e o sorriso que deu e o leve passar de dedos sobre o fone escondido com perfeição me fez entender: ele não estava falando da indiana.

–Idiota – sussurrei e o sorriso dele se iluminou um pouco mais; ele ouvira minha voz.

–Quanto ao pagamento...

–Metade agora, metade depois que ela acabar – Luke foi firme à resposta, se quer parecia um adolescente – E se ela for tão espetacular quanto me disse, pagarei bem mais que o combinado.

Antes que mais palavras fossem ditas, no alto da escada a esquerda dos dois surgiu um rosto adorável, um sári vermelho e dourado tal como as jóias que a cobriam. A menina estava linda e mal aparentava ter 15 anos, parecia mais velha, a expressão em seu rosto era neutra, mas se eu me concentrasse em seus olhos escuros veria uma faísca bem camuflada de medo. Naquele instante queria estar ao lado de Luke e balear o homem na frente dele por manter aquela menina e muitas outras naquela situação.

–Nossa – Luke suspirou. Quando a menina chegou ao mesmo andar, o dono dela se afastou e Luke rodeou devagar como um caçador admirando sua presa, acariciou o pescoço bem exposto e vi a jovem estremecer, não em prazer, em medo e repulsa – Parece melhor ao vivo. Onde fica o melhor quarto?

–Perfeito – o homem bateu palmas e um mordomo apareceu, curvou-se perante Luke e seguiu em silêncio pelas escadas à direita. Castellan pousou a mão na base das costas dela e pude vê-la enrijecer e relaxar muito rápido, como se ela estivesse corrigindo um erro. Isso me fez pensar que as garotas deveriam ser punidas caso algo de estranho acontecesse, caso houvesse uma fuga ou rebelião.

–Quando estiverem no quarto, veja se ela está machucada – comuniquei a Luke e me virei rapidamente para Toupeira – Puxa o telhado.

Eu pude ver pela linguagem corporal dele que não havia entendido o porquê do pedido, mas expliquei rapidamente e mandei que prestasse atenção na garota. Enquanto ele conduzia a mocinha, virei para o outro monitor. Nico estava com munição pesada no telhado do prédio vizinho. No outro eu via Chris disfarçado, com mais alguns mafiosos, do outro lado do túnel de fuga. Perseu estava na frente, iria abrir caminho junto com os gêmeos assim que Annabeth enviasse o sinal.

Nós sabíamos onde ficava o melhor quarto. Tínhamos as plantas desde o roubo do dispositivo e havíamos infiltrado um pessoal extra lá dentro. Polifemo era um tolo e nem notara, mas segundo os rumores estava furioso devido ao sumiço/roubo de todo a sua obra. Era uma pena ele não estar ali.

Entraram no quarto e Luke trancou a porta, indicou a moça que se sentasse na cama, mas ele continuou na porta ouvindo os passos se distanciarem no corredor. Conferi as câmeras do quarto e fora dele. Virei para Bianca.

–Nico está virado para o leste?

–Não, está no norte – ela levou a mão ao ouvido – Lia, ele está vendo alguém se aproximar em um carro branco.

Toupeira puxou as imagens e logo colocou uma foto no canto direito do monitor: reconhecimento facial. 97% compatível. Aquele entrando era Polifemo. O tolo iria morrer e nem se dava conta.

–Deus! – exclamei feliz – É melhor do que eu pensava. Diga a Nico para não perdê-lo de vista. Annie, Clarisse, alertem os meninos. Isso é incrível – sussurrei para mim mesma pasma com a sorte que estávamos tendo aquela noite.

Voltei a me concentrar na câmera do quarto. Luke desabotoava sua camisa salmão e vi os primeiros sinais de choro nos olhos escuros da menina. Ele se aproximou e virou o rosto dela gentilmente até que ela pudesse ler um pedaço de papel minúsculo que dizia que ele a ajudaria a sair dali.

–Você não precisa ter medo – ele soltou os cabelos dela e sussurrou em seu ouvido – Não vou machucar você, tem câmeras aqui, vamos apenas fingir, tudo bem?

A expressão continuava neutra, talvez fosse o choque, mas vi uma fagulha de esperança em seu olhar. Eu precisava que Luke desse o sinal, que ele confirmasse que a menina estava segura para podermos agir.

–Rachel, o que há nos outros quartos?

–Apenas mais um está sendo usado. – a expressão no rosto da ruiva era de repulsa – Nossos terapeutas têm que ser muito bons.

–Também acho. – Luke continuava acalmando a menina; ofereceu a ela uma taça de champanhe. – E as outras meninas? Achou as outras?

–Estão trancadas no porão. Não tem câmeras por lá, Lia – ela estava revoltada.

–Annie, informe ao Jackson a localização das meninas. É tarefa dele e dos gêmeos trazerem todas de volta e em segurança. Toupeira, como é a entrado do porão? Eu não vi essas imagens hoje.

–Estamos pronto, Lia – Luke disse com segurança. Estava sentado ao lado da menina, segurando a mão dela para transmitir segurança. A despeito de tudo o que achei que ia sentir, não estava odiando ver Luke com outra, estava orgulhosa da capacidade dele de reconfortar quem precisava, tal como inúmeras vezes ele fizera comigo, prestei atenção em cada detalhe que fazia dele um mafioso...

–Senhorita – Toupeira chamou – o porão está escondido atrás de uma parede falsa, ao que tudo indica a entrada mais parece um cofre ou talvez um carro forte. É praticamente impossível arrombar isso. – ele parecia chateado.

–Ah querido – quando coloquei a mão em seu ombro o homem estremeceu consideravelmente, não era sempre que a princesa-herdeira era tão atenciosa com os novatos – É por isso que você é um novato. Estamos nisso há anos. Mas não se preocupe; você vai aprender como lidar com esses tipos de sistemas. – pressionei o fone em meu ouvido – Vamos começar, Luke. Proteja a menina.

Foi tão incrível e fascinante! Tudo acontecia ao mesmo tempo, tudo me impressionava, era como cenas de filmes de ação, as melhores reunidas mesclando-se uma a outra, intercalando-se como os fios que compõem um tecido. Jackson não me decepcionou em nada: não perdoou ninguém, desceu bala até precisar recarregar a arma e foi assim até chegar ao porão. O menino dos olhos verde-mar ficou na cobertura dos gêmeos que estudavam um meio básico e prático de arrombar a fechadura do porão. Chris, nos fundos da propriedade, barrava a fuga dos ousados o suficiente para fugir e Nico, lá de cima, cobria a todos e não errou nenhum tiro – não desperdiçou bala com os inimigos e nem acertou um aliado – o garoto tinha uma mira espetacular. Luke me preocupou: Polifemo e mais dois homens invadiram o quarto e, não me levem a mal, eu gosto do loiro, mas minha preocupação era aquela menina que chorava de medo.

–Sabia que havia algo de errado naquele hotel – Polifemo falava devagar saboreando poder pegar Luke ali, impotente – Você não foi tão esperto assim, garoto.

O sorriso de Castellan lembrou o meu próprio sorriso: quase sádico. Aquela semelhança me fez sorrir de forma inconsciente. Meu aprendiz estava seguro de si, confiante e despreocupado.

–Não teria tanta certeza, Polifemo.

–Atraia os dois seguranças para a janela – comuniquei com pressa – Nico vai cuidar deles e você se entende com Polifemo.

–Como pode estar tão calmo? – o criminoso reagiu destravando a arma e mirando ela para o peito de Luke – Vou matar você e talvez mate a garota por me dar tantos problemas.

–Não pode deixar que ele a machuque! – exclamei.

–Entendi – aquilo provavelmente foi mais para mim do que para Polifemo. O que importa é que Luke com um chute certeiro desarmou o delinquente e se pôs na frente da menina – Quero esses dois na janela e virados para mim, bem devagar.

–Ou o que?

–Atiro em você antes que eles atirem em mim. – Polifemo aquiesceu com raiva, o pescoço adquirindo a cor de amoras – Garota, é melhor você fechar os olhos.

Nico foi rápido, os dois caíram. O grito da jovem foi bem abafado. Polifemo estava de joelhos no chão, estático.

–O que faço com ele, Thalia? – perguntou com raiva; era visível que desejava descarregar a arma.

Olhei para trás e encontrei o olhar de Marcos. Era um olhar que dizia muito a mim e nada para os outros. Eu sabia que ele estava pensando que poderia ser eu, a filha dele, a ser raptada e vendida como se não valesse mais que um objeto, como se não tivesse vida ou vontade. Sabia com toda certeza o que ele queria. Porque, na verdade, era o que eu queria. Seu ódio por aquele homem que cometera tantas atrocidades contra jovens meninas só seria aplacado por suas mãos. Quando Jackson e os gêmeos apareceram nos monitores com as garotas encolhidas de medo esperando um destino ainda pior eu pude ver mais fundo em seus olhos: Marcos via suas princesas, via nossos rostos no meio delas. Lembrei ainda que devido seu sobrinho ele não podia mais sair em missões. Eu era sua filha compreendia suas vontades tal como ele entendia as minhas.

–Traga-o para a sede. Ele será o nosso novo brinquedinho – vi o sorriso frio de meu pai e o de Luke. A noite estava tão linda...

[...]

Em menos de quarenta minutos as meninas chegaram sendo escoltadas pela Elite. Nesse meio período, Apolo me bombardeou com mensagens preocupadas – queria saber onde estava, com estava, quando voltava, insistia que precisava de mim, perguntou inclusive se eu já tinha comido e o que; acho que ele não vai superar tão cedo as loucuras de Zeus.

Elas chegaram com medo, provavelmente pensavam que haviam sido vendidas de novo, trocadas, roubadas, mas de certo, pelos olhos eu sabia que nenhuma ali acreditava que estavam sendo resgatadas. Fiz um gesto e todos os homens saíram da sala deixando apenas as Princesas, Katie e mais algumas mulheres mafiosas.

–Todas vocês me entendem? – três delas agitaram a cabeça em negativa; três tradutoras se aproximaram das moças e esperei até que elas soubessem que idiomas falavam, então comecei meu discurso – Alguma de vocês está ferida? – cinco delas, timidamente, ergueram as mãos. Rachel se adiantou junto com Annabeth e enfermeiras – Nós não vamos mantê-las aqui a menos que seja o desejo de vocês.

–O que vai acontecer conosco? – perguntou uma delas.

–O que você quiser que te aconteça – respondi devagar – Nós não somos da polícia, mas lutamos contra as pessoas que lhes privaram da vontade própria.

–Se tiverem família ou amigos disposto a recebê-las temos a intenção de mandá-las de volta a eles, com o único pedido de que confirmem a segurança de vocês – Bianca falou.

–Mas se não quiserem, podem encontrar aqui como um novo lar – Clarisse disse em tom firme.

–Como saberemos que aqui é mesmo seguro? Se não tivermos aonde ir, o que será de nós aqui? – ela tinha lágrimas nos olhos castanhos – Não quero... Não quero...

Eu sabia o que ela não queria. Nada de homens.

–É como eu disse, vocês são livres aqui. – meu tom foi gentil – Não precisam mais ter medo. Posso manter todos os homens desse edifício longe de vocês se assim desejarem.

A maioria assentiu sem nem pensar.

–Você é a Thalia? – a menina indiana, aquela que Luke protegera me perguntou, ainda tinha o rosto manchado de lágrimas, mas havia algo em sua expressão.

–Sim.

–Então eu confio em você.

Aquilo me surpreendeu.

–Posso perguntar o porquê?

–Porque foi você que impediu aquele homem no quarto de matar aquele bandido. Tenho certeza que foi você que mandou eles nos salvarem.

Fiquei emocionada com tamanha gratidão e percepção.

–Fomos todas nós. Inclusive aqueles homens lá fora. – depois de lágrimas e de abraçarmos uma a uma, cada garota carente e necessitada, conseguimos levar as 20 meninas para suas novas acomodações, pediram para dormirem juntas então deixamos quatro meninas por quarto.

–Meu nome é Mahati – disse ela – Muito obrigada.

[...]

Fui embora sem me despedir dos homens. Cheguei à mansão dando passos silenciosos e graciosos como os de um gato, mas não passei despercebida por Apolo. Claro que antes dele me ver, eu o vi. Nunca tinha visto meu irmão naquele estado. Seus cabelos sempre luminosos e charmosos, Caim escorridos por sua testa, completamente opaco. Os olhos tinham um desejo tão febril e ardente... Ele parecia um louco, desesperado, parecia sofrer...

–Tem mais alguém em casa? – perguntei baixinho; ele negou – Ártemis? – perguntei em voz baixa, depois de permitir que ele me encarasse.

–Ela não me quer. Nunca vai querer – sua voz tremeu assim como as mãos – Não posso viver com isso...

–A rejeição?

–Saber que eu nunca poderei chamá-la de minha... E me chamar de seu.

Levou um tempo até eu entender a profundidade daquelas palavras. Era a primeira, e eu poderia jurar que seria a última vez, que Apolo se apaixonava. Ficamos em silêncio. Estava dando as costas a ele, saindo, indo direto para meu quarto quando ele falou de novo.

–Aquele garoto... O da moto. Ele é seu namorado? – sua voz era quase inexistente.

–Não.

Não pensei para responder, não hesitei. Luke não era. Era uma resposta honesta... Então por que doeu dizê-la? Como se estivesse entalada em meu peito, transformando-se em nó.

–Não foi o que pareceu. Não parece, aliás. – a amargura gritou em sua voz.

–Nada é o que parece. Luke é... Ele é um amigo.

–Amigo? – desdenhou.

–Melhor amigo... Colorido.

–Então foi ele quem tirou a sua vir...

–Não! Será que isso é tudo o que importa para os homens dessa casa? Não, eu não sou virgem desde os 13 anos, não foi com ninguém que vocês conheçam. Tenho transado com garotos, com garotas, com mais de um cara de uma única vez – o choque era palpável; graças a Deus, estávamos só nós dois ali – E isso não é nada demais. Vocês fazem pior! Olhe só para o papai. Aquele porco de meia idade que vai se casar de novo para manter as aparências.

–Você disse que odeia a todos nós... – ele ignorou o que disse com tanta facilidade que compreendi na hora: Apolo estava parcialmente drogado. Em condições normais ele já estaria gritando comigo, passando uma mensagem para Zeus, me sacudindo e me chamando de louca desvairada, me prenderia em meu quarto para nunca mais ver o sol.

–E odeio.

–Não. Você não me odeia, Lia. – ele parecia um maníaco. Eu deveria sentir medo dele, porque, bom, ele realmente estava assustador. Mas não pude sentir nada além de pena – Não de verdade. – ele se aproximou sem errar o passo – Não me negue, Lia. Eu preciso de você essa noite. Eu sempre precisei de você.

E me tascou um beijou violentamente carente. Ele estava certo, sempre dependera de mim para muitas coisas: fui eu que o convenci a escrever poemas e que levava flautas e violinos escondidos até seu quarto e que distraía Zeus para que ele pudesse tocar. Era eu quem subia nos galhos mais altos do pomar nos fundos da casa de alguém importante para pegar a maçã mais bonita para dividirmos. E foi numa noite de tédio que, acidentalmente, o apresentei para Ártemis mostrando seus vídeos com o arco e as fotos para revistas famosas. Eu causara sua dor. E não o abandonaria. Porque eu era diferente dos Grace. Eu ainda quero ser mais que uma Grace... Por isso correspondi.

Deus sabe que Apolo é muito tentador. Eu agarrava seus cabelos puxando-os quando tinha vontade ao passo que ele apertava meu corpo deslizando sua mão em minhas curvas com possessividade. Sem aviso prévio e sem que eu esperasse, ultrapassou o short e calcinha beliscando o clitóris me fazendo gemer em sua boca, ele aproveitou para morder meu lábio. Não mordiscar, morder. Com força. Apolo sofria para movimentar seus dedos dentro de mim enquanto eu me contorcia em seu abraço beijando sua boca furiosamente. Arranquei sua camiseta e me deliciei sentindo seus músculos firmes se tencionarem ao meu toque, senti sua pele se arrepiando em contato com a minha.

–Droga de short! – resmungou contra meus lábios, teimando em não soltá-los. De repente parou, tirou sua mão de dentro das minhas roupas e perguntou com seriedade – No seu quarto ou no meu?

–No seu.

Pegou-me em seus braços jogando meu corpo sobre seu ombro, aproveitei para apertar bem aquela bundinha linda. Mal passamos da porta, ele me jogou sobre a cama já desabotoando e retirando as duas peças que me cobriam em baixo, separando minhas pernas e colocando o rosto entre elas. Puxava o lençol e me contorcia, empurrava sua nuca de encontro a mim completamente hipnotizada com o que seus lábios e sua língua faziam comigo. Ele me chupava com força, me penetrava o mais fundo que sua língua alcançava, murmurava frases, palavras que não faziam sentindo. Afastou-se, tirou o cindo e as calças. Olhava para mim com um desejo doentio. Rasgou minha blusa deixando apenas dois pedaços de tecido; por isso eu tirei o sutiã sem ajuda. A questão é que enquanto eu o fazia, ele meteu dentro de mim dura e cruelmente, sem esperar por nada: consentimento, a dor e o desconforto diminuírem; ficou difícil remover aquela última peça. Meu irmão parecia um animal. Levando a mão às minhas costas arrastou-me até o meio da cama, sempre transformando os movimentos acidentais em ondas e ondas de prazer e agonia. Eu gemia alto. Tipo, alto mesmo. Apolo nunca havia feito algo comigo assim, ardia como se eu estivesse sendo violada, ele ia e vinha, ia e vinha e meu corpo apenas o recebia.

–Artie! Linda e pequena Artie... – ele gemeu; a voz rouca e arrastada. Sua paixão misturada à bebida ou qualquer outra droga me deram vertigem. Naquele instante, quando me chamou pelo nome dela, compreendi muito. Ele a amava. Ele não via sua irmãzinha ali; via sua paixão, sua outra metade porque era com ela que queria estar e sua mente enevoada pelas drogas registrava assim.

Da mesma forma, aquela brutalidade toda me doía porque não era Apolo que eu queria sobre mim, ele era muito lindo, gostoso e bom de cama. Mas para mim, naquela altura da minha vida curta, sexo não era mais um acontecimento físico. Não era mais. E eu cedi, cedi porque não vira meu irmão mais velho, mas vira o rosto que seus traços lembravam. Eu vi Luke Castellan. Conseguia ver o rosto dele da mesma forma que Apolo via Ártemis em mim. Para ele era muito mais fácil: não conhecia o toque da ruiva, mas eu conhecia o toque que desejava. Razão essa pela qual meu corpo não reagia intensamente ao prazer e sim a dor.

Meu irmão distribuiu chupões por meu pescoço e seios e eu sabia que pela manhã estaria com a aparência de alguém que apanhou em um ringue. Entretanto, não o afastei, incentivei, motivei, apertei minhas pernas em sua cintura e movi meu quadril com tanta força e brutalidade quanto ele, puxava seus cabelos, e enterrava seu rosto em meus seios deixando seus ofegos e gemidos loucos serem abafados em minha pele tão sensível e machucada. Quando enfim gozou desabou sobre mim, já apagado em um sono profundamente pesado. Não o empurrei para o lado, não a princípio. Abracei seu corpo. Aquilo era o mais próximo que eu jamais estive de alguém da minha família.

Compreendi Apolo. Mais que isso, compreendi a mim.

Havia uma possibilidade, quase certeza, mas não confessaria. Não, não confessaria jamais! Mas eu... Eu poderia, havia uma parte de mim que estava caindo, cedendo, se apaixonando por Luke. Uma parte mínima. E que seria domada. Tinha que ser...

Durante a madrugada esses pensamentos me rondavam enquanto eu fitava a vista da sacada pelas portas de vidro fechadas. Deus! Eu não podia me apaixonar... Eu não enxergava segurança algum rondando aquela parte da casa, mas mesmo que tivesse algum eu não me incomodaria por estar nua.

–Lia. – meu irmão havia acordado e, igualmente nu, fitava a vista ao meu lado – Eu não sei o que fazer com isso... Acho que te chamei pelo nome dela, não? – ele sorriu amargurado – Como posso lidar com o fato de... – ele não conseguiu completar a frase.

–De amá-la? – sussurrei de volta.

–É.

–Nunca tivemos um bom exemplo disso, não? – ele quase riu.

–Você sente o mesmo? Digo, por esse menino? Acha que...

Apolo descia suas mãos quentes por meu ombro e me senti tentada a virar e fodê-lo como nunca antes somente para esquecer aqueles sentimentos ridículos... Mas...

–Apolo... Eu acho que sou capaz de amá-lo. Quer dizer, eu não tenho certeza e não quero isso de forma alguma, mas... Mas é possível, sim.

O silêncio ficou insuportável, ficou pesado. Não havia uma lua lá fora ou estrelas, as folhas das árvores se quer se mexiam. Aquele assunto era tão incomodo naquela família... foi então que meu irmão deslizou sua mão por minhas costas, uma parou agarrando um seio, a outra me apertava a bunda.

–Por favor, Lia... Essa conversa foi exaustiva. Vamos brincar e descontrair. – ele sorria pervertidamente feliz.

–Brincar e descontrair – concordei.

Apolo me virou jogando meu corpo contra o vidro frio e levando minhas pernas a sua cintura. Não vi o sol nascer aquela manhã.