Gimme More

46 Capítulo 37


Notas iniciais
Me desculpem a demora não intencional. Tive uma semana desagradável e com o ENEM tão pertinho... Bom, a vida não ta fácil pra ninguém. Espero que me perdoem e que curtam o cap ;)

Capítulo trinta e sete –

O ambiente era claro, muito claro e mesmo assim parecia com a sede da Máfia, talvez uma das muitas salas vazias... Porém com exceção de mim havia uma única pessoa lá, uma mulher. Aproximei-me devagar um tanto receosa de encontrá-la. Suas feições eram bem delineadas: os olhos castanho-amendoados, os cílios curtos, porém volumosos, as maçãs do rosto coradas, os lábios rosados e, emoldurando aquele lindo rosto de boneca, os cabelos dourados em suaves ondas. Ela estendeu o braço em minha direção.

–Minha pequenina – a voz melódica me lembrava a de Apolo e a minha quando eu desejava ser “doce” – Você sempre foi tão forte... Tão diferente de todos nós...

–Mãe? – chamei incerta e o sorriso tristonho dela me abalou.

–Pedir perdão não vale de nada agora, meu amor. – ela colocou uma mecha de cabelo atrás de minha orelha – Você não é como Zeus, Thalia. Você sabe amar.

–Não sei não. – teimei como uma criancinha – Não posso saber.

–Meu bem – seu sorriso era radiante – Você já ama alguém.

–Mas...

–Lembre-se disso: não escolhemos quem amamos ou quem nos ama; o amor vem em diferentes formas. Você é muito mais esperta que eu para não cometer meus erros e muito mais forte do que seu pai imagina. Sempre foi especial Thalia.

–Está me dizendo que... Eu não sou vocês, não sou como vocês.

O sorriso dela era minha confirmação. Era um medo meu: ser estupidamente apaixonada como minha mãe e ser tão fria e cruelmente insensível como meu pai. E lá estava aquela mulher estranhamente conhecida me dizendo que eu era melhor que os dois...

–Aceite isso, pequenina – ela sussurrou abrando-me; a voz melódica parecia ser até cantada – Você nasceu para isso. Você nasceu para ser amada...

Os sons eram difusos, abafados, não faziam sentido. Não me incomodei. Respirei fundo e tentei perceber as coisas com o tato, como algo ligeiramente incomodo em meu braço e uma mão firme na minha. Meus cílios tremularam e o pouco que abri os olhos me permitiu ser cegada por segundos. Ouvi exclamações de alívio. O aperto estreitou-se de minha parte e da parte dele. Virei o rosto naquela direção e abri os olhos de novo encontrando um rosto tão preocupado quanto feliz.

–Olá anjo – sua voz foi baixa, embora não tenha sido um sussurro. Luke beijou minha mão como já se habituara a fazer, forçando um sorriso surgir em meu rosto. Ele estava ajoelhado no chão ao lado do divã sobre o qual me encontrava; no outro braço eu recebia soro na veia e só então reconheci o lugar ao qual me encontrava: era o consultório de Apolo. Não o consultório em si, mas a sala luxuosa destinada ao seu descanso.

–O que aconteceu? – perguntei a Luke, seu rosto perto do meu, sua mão na minha...

–Sua pressão caiu – Apolo respondeu; não o procurei, fechei os olhos apenas ouvindo a explicação – Seu amigo chegou trazendo você nos braços. Era meu horário de almoço, Lia. Você me deve um lanche. – sorri – Fiz um exame de sangue e deu anemia; nós dois sabemos bem o porquê. A falta de vitamina b2 e ácido fólico foram os principais precursores da sua fraqueza.

–Uau – soltei sem animação. Depois de dois minutos e meio de silêncio o soro acabou e meu irmãozinho tirou aquele tubinho do meu braço. Notei que na mesma mão, no dedo indicador havia um pequeno band-aid, foi só então que me lembrei de Hera...

–Ela já pode ir para casa? – a voz era forte e me deixou desconfortavelmente tensa. Então o filho da puta também estava ali?

–Não – a voz de Apolo foi firme e até dura – Ela precisa comer alguma coisa.

–Eu não vou comer – fui firme. Sentei-me e foquei os olhos em Zeus. Eu não abriria mão do meu orgulho, não desse modo. Apolo provavelmente me ignorou e voltou com um pratinho cheio de bolachas. Voltei a dizer – Eu não quero comer.

Apolo e Zeus falavam ao mesmo tempo discutindo, brigando comigo e com minha teimosia ferrenha que não notaram Luke, não a princípio pelo menos. O rapaz sentou ao meu lado e falou baixinho com dor e preocupação na voz:

–Eu sei que é uma questão de orgulho, eu te entendo Lia... Mas coma. Coma, por favor.

–Não posso – e sentia mesmo que não podia, seria entregar o jogo, seria demonstrar que eu não levara a sério aquela ameaça dele e que ele não precisaria encarar as minhas com seriedade...

–Então eu também não vou comer mais nada – se antes a firmeza de Apolo surpreendeu, não sei explicar o que senti, o verdadeiro impacto das palavras de Luke; ele pronunciou cada palavra com total dicção, lenta e perfeitamente num volume baixo, não o suficiente para ser um sussurro, o sentimento por trás de seus olhos era tão intenso, tão genuíno... Senti-me mal. Aquela sensação de que a comida me faria mal e... Se antes eu retrucaria que pouco me importava o que ele fazia da vida agora era diferente. Eu definitivamente não queria que ele sentisse aquele desconforto que eu sentia. Fechei os olhos e balancei a cabeça de forma negativa.

–Eu não consigo Luke.

Luke pegou um dos biscoitos e olhou nos meus olhos suplicando que eu tentasse, desviou seus olhos dos meus e focou-os em minha boca e foi para lá que ele guiou o doce. Faltando um centímetro para que chegasse ao seu destino, segurei sua mão impedindo-o.

–Por favor – suplicou; não soltei sua mão, mas permiti que chegasse aos meus lábios. Só percebi o silêncio quando ele sorria para mim enquanto eu mastigava. Pelo canto dos olhos percebia o rancor nos olhos da minha família.

Alguns minutos se passaram para que Apolo confirmasse e reafirmasse minha saúde; não que aqueles biscoitinhos fossem o suficiente, eu deveria fazer uma refeição leve, porém balanceada para recuperar meu bem estar. Fora isso, ainda havia uma cartelinha de comprimidos na minha mão. Seguíamos pelos corredores até a porta de saída, lá havia dois carros conhecidos: o de Zeus e o de Percy. Luke se dirigiu para o carro do filho de Poseidon e Zeus para o dele enquanto eu olhava para a cidade do alto das escadas. Era meio de tarde e o sol brilhava por entre prédios... E eu sabia que por mais insignificante que aquele momento fosse, eu precisava escolher.

–Vamos filha – Zeus chamou-me forçando-me a sair dos devaneios e voltar para a realidade. Luke apenas olhava-me com olhos doces, um convite mudo e carinhoso. Sei que a maioria das meninas, talvez meninos também, quando buscam um relacionamento, seja ele romântico, amigo ou familiar, procuram por segurança. E isso eu sentia vazar de cada um dos poros daquele menino... Enquanto era completamente ausente nos sistemas de Zeus.

Desci caminhando devagar na direção de Luke; o sorriso dele era tão radiante e sereno que soube que havia escolhido o certo. Para Luke eu não era um fardo, um peso, uma consequência infeliz de atos impensados, o fim de uma simples e insignificante noite de sexo. Eu era, não apenas uma, mas várias escolhas. Afinal, quantas vezes Luke já havia escolhido a mim naquele ano?

–Thalia! – o tom de Zeus era ameaçador, mas nem se quer olhei para o lado. Luke abriu a porta do carona para mim e então antes que percebesse, Zeus já havia sumido.

[...]

Luke estacionou na frente da escola. Não estava surpresa com o lugar o que me incomodava era outra coisa.

–Você perdeu o treino por minha causa? – perguntei sem olhar para ele; nós caminhávamos para o ginásio.

–Não, só cheguei bem atrasado – ele riu – Vou ter que repor essas horas de atraso em muito esforço no próximo jogo. – quando ele voltou a olhar para mim viu que eu ainda não estava satisfeita – Não me importo com jogos de basquete. Você é muito mais importante Thalia. Você vale mais que tudo – ele sussurrou; talvez aquela última frase nem fosse para meus ouvidos, e mesmo assim ouvi-a. Era aquela sensação ainda sem nome de êxtase e algo mais, agora não mais desconhecida, já familiar, entretanto ainda sem um nome.

Passamos por um corredor estratégico onde havia uma máquina de lanches, Luke comprou Doritos para mim com aquela mesma expressão carente de cachorrinho abandonado; eu sempre fora imparcial, nunca me deixara levar e mesmo assim Luke mudara tudo... Mudanças pequenas que só foram percebidas tardiamente. Elas já não me incomodavam, era só...

O ginásio estava cheio de meninos suados de bermudões e camiseta regata. Luke apenas acenou para o treinador e os colegas e me levou até a piscina olímpica que ficava distante da quadra. Nossa escolhinha tinha um programa de esportes completos: basquete, futebol, tênis, natação e mais qualquer outro esporte que você imaginar. Perseu estava na água como de costume junto a mais três outros estudantes, e parou quando viu Luke, nadou até a borda, tirou a toca e os óculos agitando os cabelos molhados como se fosse um cachorro.

–Quando você pediu o carro emprestado, não imaginei que fosse trazer nossa querida Thalia. – Perseu sorriu de forma galante e piscou de forma sedutora; eu ri e Luke fingiu uma careta – Mais alguma menina bonita o acompanha? – ele perguntou em tom divertido.

–Ruiva ou loira? – perguntei erguendo a sobrancelha para o rosto pálido e logo em seguida corado de Percy. Não era exatamente um segredo o caso dele com Rachel no ensino fundamental. Ele tentou gaguejar uma resposta, mas a gargalhada de Luke o impediu.

–Thalia é a única que veio comigo.

Percy disse para deixar a chave no seu armário e logo Castellan seguia para o vestiário aproveitar o restante do treino, pedi que me emprestasse seu celular para que pudesse conversar com Annie já que Zeus confiscara meu celular. Ele entregou-o a mim e antes de seguir a quadra prendeu minha cintura com um braço mantendo nossos quadris grudados, respirava seu hálito assim como ele respirava o meu. Fez-me prometer que comeria o salgadinho e que não desmaiaria até ele estar ao meu lado para me segurar, sorri antes de prometer.

Sentei-me na última fileira da arquibancada, vi Luke sorrir uma última vez para mim antes de se concentrar no jogo e então disquei o numero da loira.

–Luke! Ela está bem? Acordou?

–Não sabia que você sabia sobre o meu desmaio.

–Thals! Ah meu amor, eu sabia que seu orgulho ia fazer isso com você.

–Como você está envolvida nisso? – perguntei mastigando o salgadinho. Poderia ter até tentado me fazer de irritada, mas não era esse o caso.

–Fiquei preocupada com você, então no intervalo liguei para Marcos pedindo ajuda, um conselho, qualquer coisa. Contei a ele o que me contou e ele me disse para falar com Luke – então de repente senti o tom de Annabeth passar a malicioso – Ele não errou, não foi?

–Não, não errou. Continua. – Então meu pai também estava envolvido nos acontecimentos de hoje?

–Claro. Eu fiquei confusa quando ele mencionou Luke, mas ele não me explicou, pediu que eu confiasse nele e em Luke. Depois do intervalo, quando estávamos voltando para a sala tentei falar com ele, mas não tivemos tempo; na verdade um inspetor nos pegou fora da sala e ficou furioso. Eu só tinha conseguido dizer que estava preocupada com você, que você não estava bem, que estava em perigo. Ah Lia! – ela suspirou emocionada – Foi aí que o inspetor nos pegou. Você tinha que ter visto a expressão dele. A preocupação nos olhos, o rosto subitamente pálido... Era... Bom, era como se ele fosse passar por cima de tudo e todos para te ajudar. Foi quando minha preocupação diminuiu e eu entendi o que Marcos queria dizer.

Eu tive que pegar fôlego. Não era como se eu não soubesse disso, bom, eu não sabia mesmo, mas era como se uma parte de mim já esperasse, já soubesse disso. Annie continuou:

–Tivemos que nos comunicar na saída; fomos juntos procurar você antes de qualquer coisa, mas claro que você já tinha ido. Então contei o que você me contou e que eu contei a Marcos, ele ficou louco quando soube que você não comia nada há cinco dias, pediu as chaves de Perseu e saiu correndo. Depois de um bom tempo, Luke ligou avisando que você estava com Apolo tomando soro. Vai ter que me contar tudo migs.

–Conto, claro. – e relatei o que me lembrava desde a discussão até acordar, mas deixei de fora o sonho com Abelle e a brincadeira com Perseu. O apito soou lá embaixo, vindo da quadra. O treino acabara.

–Lia, Marcos quer muito ver você. Acha que consegue escapar? Ele disse que tentou ligar, mas a ligação caiu.

–Porque estou sem o celular, está com Zeus ou com Hera, não sei o que é pior. Avise a ele sobre o celular e diga que farei o possível, mas não posso prometer.

Eu queria quase que desesperadamente ver meu pai mafioso. Estava cansada de Zeus e sua família de cachorros adestrados. Eu precisava da emoção de um roubo ou a adrenalina de um racha, o que fosse mais conveniente. Antes de tudo: eu precisava de Marcos. Tanto ou mais do que vinha precisando de Luke nesses últimos dias. O rapaz lá embaixo estava acompanhado somente pelo treinador e conversavam de forma empolgada, encerrei a ligação quando Luke entrou no vestiário.

–Senhorita Grace.

O treinador me chamava; desci indo em sua direção. Sorri gentilmente e ele recebeu-me com cortesia.

–Luke não explicou o porque do atraso, disse que isso a envolvia e que ele não iria expor você dessa forma – ele virou o rosto na direção dos vestiários, acho que para garantir que Luke não apareceria para interromper a explicação – Não sei se a senhorita sabe, mas atrasos não justificáveis podem banir um jogador. Castellan é um excelente competidor, um bom atleta e mesmo assim as regras me mandam suspendê-lo. Você pode esclarecer o que aconteceu para que eu possa poupá-lo?

Mais uma escolha: escancarar minha relação conturbada com Zeus ou ferrar a vida de Luke? A última opção era injusta e me doía no coração.

–Se não se importar não vou entrar em detalhes. É algo muito pessoal – coloquei o cabelo atrás da orelha – Eu precisei muito de ajuda hoje e Luke estava lá por mim, não pedi que viesse, mesmo assim ele estava lá.

–Esse problema...

–Foram mais de um na verdade, um deles era referente à minha saúde.

–Está melhor espero – ele se preocupou.

–Estou melhor graças a Luke. Isso foi o suficiente? Pode ainda mantê-lo no time?

–Farei o possível.

Mas eu via que era sim o suficiente, ou se não fosse o treinador daria seu jeitinho ilegal de fazer ser possível... Ou eu mesma daria. Não seria a responsável por tirar algo dele.

[...]

–Ainda não entendi como conseguiu entrar na minha casa – comentei.

Estávamos passeando pelo Central Park. Estávamos perto o suficiente para que a lateral do meu corpo encostasse nele e visse versa. Estávamos agora andando em direção ao playground onde havia poucas crianças com seus pais.

–Os funcionários da sua casa te amam, Lia – ele sorriu no que eu pensava na verdade daquelas palavras – Estavam preocupados com você há dias; o porteiro me disse que a maioria estava tentando uma rebelião contra Zeus ou algo assim. Eles se preocupam com você.

–E deixaram você entrar no castelo para salvar a princesa do grande e feroz dragão – eu ri enquanto Luke gargalhava. Demos mais alguns passos e eu foquei meus olhos num pai que empurrava sua filhinha no balanço; Zeus nunca fizera aquilo comigo ou com meus irmãos – Eu não suporto essa imagem. – resmunguei com amargura.

–Como? Não gosta do termo princesa?

–Não. Princesa é uma forma de tratamento, um status importante e respeitado... Não suporto a imagem de menininha indefesa que acompanha a palavra. Eu não sou assim.

–Claro que não é. Não conheço ninguém mais forte que você.

–Falso – ri dele.

–Não sou não – resmungou rindo; sentamos num balanço distante das crianças, só nós dois isolados dos outros – Sabe, acredito que todos têm um pouco de realeza dentro de si, também acredito que estamos fadados a ter um momento princesa, como vítima, e um momento príncipe, como o herói – ele olhava para frente para as crianças; eu me perdi nas suas feições, flutuando em suas palavras, seu rosto calmo, a alma afastada daquele momento contemplando algum pensamento agradável a ponto de fazê-lo sorrir.

–Faz sentido – perdi-me também naquelas palavras deixando que minha mente divagasse – Mas você se esqueceu de mencionar os vilões.

–Como se esquecer do melhor das histórias? – ele sorriu – Não tenho muito que pensar deles; vilões são vilões, não?

–Já parou para pensar que os vilões são os mocinhos no ponto de vista deles? Esse é um assunto complicado, por isso gosto do símbolo Yin Yang, representa muito bem. – para a sociedade a Máfia era a vilã quando para meus olhos era a justiceira.

Andamos mais, conversamos mais, rimos mais. A companhia dele me tranquilizava... Mas em algum momento Luke ficou rígido, talvez até receoso. O parque estava vazio com exceção de nós dois e dois rapazes grandes e fortes como ursos que vinham caminhando em nossa direção. Eu fiquei tensa; conhecia os dois e não eram inteligentes... Não tanto.

–Luke... – chamei apertando sua mão na minha, ele apertou de volta e me puxou para perto dele – são seus amigos?

–Quase isso – ele demorou a responder – Não são o tipo de gente que deixam chegar perto de você.

Eu me encolhi junto ao corpo de Luke, não com medo daqueles dois como provavelmente meu acompanhante pensou, mas sim com medo de que deixassem claro que me conheciam. Marcos raramente permitia que os irmãos-urso (como eram chamados) saíssem da Máfia, com exceção de missões específicas. Quando o momento tenso passou, virei o rosto para trás e um dos irmãos fez o mesmo me reconhecendo, levei o dedo indicador aos lábios pedindo silêncio.

–Vou te levar para casa – Luke voltou a apertar minha mão e a sorrir; bem mais tranquilo agora que os dois imbecis sumiram.

–Eu não vou para casa – comentei olhando para frente.

–Então para onde vai? – eu percebi a esperança em sua voz, a esperança de que eu seguisse com ele o restante da noite e pela manhã seguinte, afinal amanhã ainda era terça-feira.

–Vou passar a noite com Annabeth, pode me deixar lá? – perguntei docemente.

Ele não respondeu, até chegarmos de volta a sua moto eu só pensava nos nossos dedos entrelaçados. Luke deixou-me na porta da linda mansão de Atena e suavemente perguntou se eu ficaria bem. Agradeci por tudo enquanto ele me abraçava. E mudando o já hábito, eu beijei-lhe a bochecha dessa vez: uma de minhas mãos em seu braço forte e a outra em seu rosto, quase não fazia pressão deixando o toque suave e quase ausente por assim dizer, então lhe marquei a bochecha, bem perto da boca na verdade e sussurrei em seu ouvido uma boa noite. E entrei na casa sendo saudada por Atena e por uma Annabeth aliviada.

A noite estava apenas começando.

[...]

Havia acabado de sair do banho, ainda estava enrolada no roupão, as cabelos caindo ao meu redor em desordem bem molhados, quando o encontrei ali a minha espera. Ele sorria para mim e logo me encontrava perdida em seu abraço.

Seja bem vinda, minha filha – ele disse em alemão, a voz assumindo um tom ainda mais grave.

É bom vê-lo de novo papai, senti saudades – respondi na mesma língua; o alemão era um idioma complicado, mas eu persisti até aprendê-lo, até ter a famosa fluência. Marcos colocou-me sentada em minha cama e empurrou uma bandeja com sopa de cogumelos em minha direção.

–E de manhã, antes de sair vai ter um bom café da manhã – ele sorriu para mim. Decidi soltar o que me incomodava desde que havia falado com Annabeth.

–Por que pediu para Annie falar com Luke?

Ele suspirou.

–Você se lembra de seu falso sequestro? Recorda que na noite na boate ele reconheceu você, não?

–Sim, mas...

–E você não conseguiu matá-lo, Thalia. Isso significa muito no nosso ramo. Zeus indiretamente educou-a para ser fria e insensível e eu posso ter contribuído para isso, afinal, a Máfia não é para qualquer um, meu bem. – eu ouvia tentando buscar uma conexão em tudo aquilo – Sei que se necessário, e lhe custaria muito, você mataria a mim ou a uma de suas amigas, nossas outras princesas. Então por que receou matá-lo? Compreendi a causa na hora. Não precisei de muito. Desde aquele dia, Luke Castellan foi dura e severamente observado por mim, e acredite, ele tem minha confiança, minha aprovação.

–Disse que eu não precisava me preocupar.

–Agora chegou o momento, Lia. E não é só para você.

–Como?

–Três das cinco princesas vão enfrentar problemas a partir de já. Uma já está enfrentando e manteve o segredo esperando o recrutamento avançado para comunicar e Deus abençoe Rachel por ser tão fria – ele riu.

–Então isso quer dizer que... – respirei fundo, pois sabia o que estava acontecendo e não sabia bem o que deveria sentir.

–Esse ano foi intenso, meu bem, mas nós dois sempre gostamos de emoção. Chegou à hora de olharmos mais de perto nossos aprendizes mais avançados e mais influentes, aqueles que têm muito para ser da nossa elite... E planejar a recepção.

Notas finais
Acho que ficou bem óbvio o que acontecerá no próximo cap, não? #Hidden