Notas iniciais
Em plena semana de provas eu voltei! Meus mafiosos, sinto muito, muito mesmo por toda essa demora: meu note quebrou e demorou muito para concertar e recuperar meus textos. Também devo desculpas pela demora em responder os coments que enviaram; acredito que não seja só a minha net que esteja dando chiliques u.u mas de qualquer forma lamento muito toda essa demora. Espero que gostem desse cap e que perdoem qualquer errinho por ausência de uma revisão.

Hidden 6 – Luke Castellan

Ele ainda a via em seus braços, inconsciente, pálida. Ainda recordava a raiva que sentira quando vira os dois responsáveis de Thalia. Tudo voltava rápido demais na mente do rapaz, deixando seus sonhos perturbados; o medo por Thalia, o alívio ao vê-la acordar, a sensação de triunfo quando ela o escolheu... Abriu os olhos, espantado. Era a primeira vez que acordava sem o auxilio do despertador. Levou a mão a bochecha, quase aos lábios, inconscientemente e sorriu. Thalia Grace não fazia ideia do que causava em Luke Castellan: o rapaz ainda conseguia sentir a textura suave e mimosa de seus lábios vermelhos.

Levantou-se ainda sonso pelos sonhos confusos e influenciados por uma linda mulher e tomou uma ducha. Quando saiu, já vestido, olhou para o relógio; não eram nem 06h30min. Passou pelo quarto da mãe ainda adormecida e saiu de casa. Passou na padaria com poucos trocados e voltou com três pãezinhos. Em casa pensou em fazer café, mas o pó havia acabado então pegou a caixa de suco de laranja e comeu dois dos três pães que trouxera, o último encontrava-se em um prato sob a bandeja ao lado de um copo de suco. Não era grande coisa, mas esse pequeno gesto de carinho á cada manhã conseguia amenizar as crises de May Castellan. Deixou a bandeja sobre o criado mudo.

–Mãe? – chamou incerto; May não acordou. Na noite passada Luke havia dado a ela um comprimido de tarja preta talvez fosse esse o motivo. Luke gostava de vê-la dormindo, pois assim era o único modo de ela se acalmar verdadeiramente. Sua mãe tinha depressão desde que ele conseguia se lembrar e a depressão abria as portas para doenças. Agora a saúde de sua mãe era bem instável.

Saiu de casa antes que ela acordasse; não gostava de vê-la acordada. Ele se virava bem com a aposentadoria da mãe, por invalidez, e todo mês caia na sua conta uma quantia generosa para se sobreviver. Ele desconfiava que aquilo tivesse algo a ver com o pai ou com os parentes deste, mas não se importava; dinheiro era dinheiro.

Já no estacionamento da escola, mal havia deixado sua moto quando reconheceu o carro de Annabeth Chase; ela não vinha só. Não conseguiu controlar o coração: ele reparava no movimento espontâneo de seus cabelos à medida que andava, aquela postura de rainha justa e inabalável, mesmo de longe enxergava seus olhos, ou o brilho deles ao menos, ele sabia que no fundo daquele azul havia um sentimento, uma sensação, um estado de espírito que ele não sabia nominar. Poderia ser malícia ou sagacidade. Luke não tinha como saber que era a felicidade de Mafiosa. Ele estava abobado com sua visão celestial. No instante em que Thalia virou a face e seus olhos se encontraram ele se surpreendeu com o sorriso lindo, que só ela tinha, que se abriu quando o viu; aquele sorriso todo e somente dele. Mais que isso; Luke não era bobo e conhecia Thalia o suficiente para diferenciar seus muitos sorrisos: aquele era espontâneo e sincero e continha um calor que ele nunca antes vira a moça direcionar a mais ninguém.

Sentia-se único. Mas ela entrou, rindo com a amiga, sem cumprimentá-lo. Não importava. Ao menos não tanto. Ele sabia que Thalia se importava, que ela tinha sentimentos intensos por ele. E, ao que tudo indicava, a própria Thalia não sabia a dimensão de suas emoções... Não quando isso envolvia Luke Castellan. Mas ele se considerava paciente. E era na realidade. Não mentira para Thalia naquela noite que despedaçara seus sonhos de um futuro melhor: ele esperaria a vida inteira.

[...]

Aula de História. Era um “Deus nos acuda!” toda manhã de quarta-feira. O professor estava enumerando os acontecimentos que ocorreram na Europa Ocidental durante a Segunda Guerra Mundial. Invasão alemã da Polônia; fim do fascismo na Itália; criação da OTAN então Luke Castellan deixou de ler. Estava brincando distraidamente com um lápis quando o professor abandonou o giz e se voltou para a turma.

–... Então o senhor Castellan vai nos contar o que aconteceu com a namorada na segunda-feira? – e perguntou com um ar brincalhão.

–De que jeito? – rebateu meio rindo – Nem tenho namorada, professor! – protestou agora rindo sendo acompanhado por uns poucos da turma; agradecia a Deus por Kelli não frequentar com ele as aulas de história: o professor era bem ligado nos boatos e os comentava com a turma.

Aquele era um bom exemplo.

Os alunos batiam os punhos na mesa pedindo que o professor contasse o que sabia, o que tinha ouvido... Valia tudo para fugir de duas longas aulas de história. O professor sorria; ergueu a mão pedindo silêncio.

–Na sala dos professores o treinador comentou que salvou a menina do primeiro ano; não comentou como, mas disse que você de alguma forma tinha matado o treino para ajudar Thalia Grace – o docente estava bem curioso, assim como o restante da turma, mantinha um tom suave e malicioso, um sorriso de tigre.

–Que exagero! – no fundo, Castellan gostou de se ver como um herói; o herói dela – Fui ajudar uma amiga – comentou rindo, bem à vontade com a meia mentira.

O professor olhava de forma intensa o aluno. A classe ainda ria, o professor mantinha o sorriso, mas Castellan percebia, sentia que o professor tentava lê-lo como um de seus enormes e velhos livros em busca da verdade.

–Ninguém consegue ocultar bem uma paixão, Luke – lá estava o tigre de novo – De alguma forma, ela sempre transparece.

O jovem ficou confuso pelo restante das aulas. No intervalo era fácil se misturar com o grupinho dos atletas mesmo tendo que conviver com o insuportável e abusivo Will Solace; Luke ainda não se esquecera das tentativas e investidas em Thalia. Apenas pensando nela seus olhos se desviaram para a mesa distante dele. Sua menina estava de costas, a loira estava na frente e por um breve instante Annabeth olhou fixamente para ele. Os olhos de ladrão treinados por anos vislumbraram o tapa na mão que Annie levara de Thalia... Aquilo apenas por olhá-lo? As meninas eram estranhas, ele sabia, mas gostava de imaginar que aquilo era ciúme.

Como segunda-feira, quarta era dia de treino; já que o treinador não o expulsara tinha que ir como um bom menino. Luke, assim com Perseu, Will e os outros atletas, ficaria lá para o almoço e só iriam para casa entre 15 e 16h00min. Na saída, como o tempo era curto naquele dia, puxou Thalia para longe da multidão que fugia da escola. Em momento algum ela resistiu; continuava com um sorriso no rosto, um sorriso que chegava a seus olhos e a deixava quase resplandecente.

–Pensei que não ia me puxar hoje – brincou ela. Luke desceu a mão por seu braço até encontrar aquela mão macia e entrelaçar os dedos. Já estava mais que habituado ao calor do corpo dela.

–Ficou esperando por mim? – o sorriso tornou-se carregado de mistério, a expressão dela dizia que teria de descobrir por si só. Aproximou mais os corpos e com a mão livre acariciou-lhe o rosto com devoção – Você podia assistir ao treino hoje de novo.

–Garotos musculosos, suados, correndo atrás de uma bola; o sonho de qualquer adolescente – ela riu e inclinou o rosto em direção a mão dele, em direção as carícias em sua bochecha – Mas eu não posso.

–É uma pena – ele suspirou chateado; sabia que o dia seria corrido demais e, embora gratificante, Thalia não fazia parte dele.

–Te vejo de noite – ela disse em tom firme e suave como que para disfarçar uma ordem. Luke abriu a boca para retrucar dizer que não podia, que não sabia que horas poderia, quando estaria livre; Thalia interrompeu-o – Não é um pedido ou uma ordem, Luke. É uma promessa.

–Eu não sei que horas vou poder te encontrar, Lia...

–Não precisa se preocupar com isso – seu sorriso era um mar de calma e confiança que tranquilizou Castellan, mas eram os olhos que o interessavam: havia um sentimento novo por trás deles que Luke não sabia identificar, não sabia nomear... – Eu vou encontrar você.

–Lia...

–Duvida da minha capacidade? – ela ergueu uma sobrancelha; ele sorriu e puxou-a um pouquinho mais – Eu sei de tudo, posso estar em todo o lugar se eu quiser, então não se surpreenda se no fim da noite eu aparecer na sua frente.

–Não preciso esperá-la?

–Não – ela se aproximou até grudar seu peito no peito dele, apoiou-se no ombro do rapaz e marcou sua bochecha com um selinho – Até de noite. – sussurrou em seu ouvido, a voz terna e charmosa. Nenhum dos dois se importou com um ou dois professores que passavam e viam aquela demonstração de carinho, não se importavam mais com os boatos que seriam espalhados. Luke ficou até o último segundo possível observando o andar gracioso da moça até que ela sumiu no horizonte.

[...]

Era fim de tarde quando ele acabara de repassar os planos com os comparsas: Agrios e Oreios (os mesmos do parque) e mais alguns outros “iniciados” como eram chamados. Na teoria, os irmãos-urso não passavam de guarda-costas, serviriam para despistá-los do rastro dos outros; havia três camaleões: dois rapazes e uma garota, eles se infiltrariam e cobririam os detalhes repassando-os para o Toupeira, o mais velhos entre eles: um homem de 27 anos, profundamente inteligente e bom com eletrônicos, era ele quem administrava as câmeras, os microfones e as escutas que todos usavam. E tinham ainda Luke Castellan: o coringa como fora chamado. Cabia a ele a liderança do grupo, era ele quem comandava, quem mandava ir e que mandava voltar.

Os postos não foram escolhidos nem sorteados, foram enviados da base a qual conheceriam se fossem bem sucedidos na missão. Luke ficara honrado com o lugar que recebera e mais do que nunca estava ansioso e se sentia preparado.

Na Toca do Toupeira (um quarto do hotel), Luke e o gênio observavam enquanto os camaleões se infiltravam no salão do hotel. O homem que esperavam estava lá cercado de seguranças igualmente disfarçados. Castellan absorveu cada detalhe, cada câmera, cada um dos civis, cada um dos seguranças do hotel e do homem que seria roubado. Havia se arrumado um pouco, mas manteve-se ligeiramente desarrumado; aquilo já fazia parte do seu charme habitual. Quando o relógio marcou exatamente 18h00min ele saiu do quarto no 2º andar e desceu as escadas piscando para cada mulher bonita que passava, cumprimentando os homens com acenos de cabeça; tinha um encanto pessoal invejável, algo que fundia o formal com o saído das ruas.

O salão de jogos era o lugar. O combinado era que Luke aparecesse no bar, lá Luke encontrou o homem que procurava... Polifemo tinha apenas um olho em perfeito estado, o esquerdo estava completamente opaco e naquele lado de seu rosto descia uma enorme cicatriz; não um corte, mas uma enorme queimadura. Luke adoraria saber o que causara aquilo.

–Suponho que seja você o menino dos recados que mandaram para mim – ele disse a voz grossa e ligeiramente infantil; Castellan teve que lutar contra o impulso de repulsa e nojo que sentiu. Luke sorriu e logo estavam pedindo as bebidas – Falaram muito de você rapaz.

–Mesmo? – fingiu modéstia – Aposto que não foram coisas boas – riu levando o corpo à boca.

–Disseram que eu poderia me interessar em você, que era um excelente aprendiz e que tinha muito interesse no Submundo.

Submundo... Submundo nada mais era do que o mundo do crime, tudo aquilo que passava debaixo do nariz de policiais e políticos e qualquer indivíduo certinho. Luke representou bem seu papel. Não era tolo. Polifemo era um rival da poderosa Máfia, se ainda estava vivo era porque tinha uma força considerável, ou porque possuía informações valiosas... Ou meramente por respeito. Castellan sabia que uma coisa valorizada demais naquele ramo era a lealdade, a integridade, a cortesia. Uma série de qualidades eram cobradas e exigidas e um homem/mulher sozinho não sobrevivia sem um grupo, uma sociedade maior. Luke era ambicioso: queria a Máfia. Sabia ser capaz e merecedor daquele mundo utópico e não aceitaria nenhuma das propostas de sujeitos como Polifemo. Não. Havia algo no mistério da Máfia, algo em seu coração que dizia que era aquele o seu lugar.

Um dos “amigos” do bandido despejou um líquido incolor na bebida do jovem. Luke e os comparsas esperavam por isso; Toupeira avisou-o no mesmo instante e então a noite definitivamente começou. Castellan e os outros sabiam que o interesse de Polifemo era apagá-lo, drogá-lo e levá-lo para sua base onde seria definitivamente testado ou/e torturado. A moça tida como camaleão, num vestido bonito e colorido, passava com um andar provocativo na direção deles, embora o olhar não estivesse fixo em nenhum deles.

–... Sabemos, claro, que é um negócio difícil, mas temos nossos meios para converter o dinheiro – dizia Luke com um sorriso sagaz; ele ergueu o copo ainda enquanto falava como se na primeira pausa fosse tomar um gole. Luke não sabia se eram seus olhos de ladrão ou se o criminoso não sabia disfarçar, de qualquer forma seu único olho cintilou quando o copo chegou mais perto da boca, então...

–Ai meu Deus! – a moça falava enquanto tentava não pisar nos cacos de vidro do copo quebrado – Eu sinto muito! Não está ferido, está?

–Não, não moça. Sem problemas – disse forçando um sorriso; Polifemo parecia irritadiço. Luke fingiu não notar. O plano consistia em deixar tudo o mais natural e espontâneo possível. Luke olhou bem para ela, com sua maior cara de safado e perguntou se ele podia lhe pagar uma bebida, chamando-a de “gostosa”, ela fingiu-se de ofendida e saiu.

O rapaz continuou conversando, enrolando o criminoso notando que, durante todo o período da conversa, Polifemo tocava discretamente o paletó. Luke sabia bem o que deveria fazer: precisava tirar o que o homem ali escondia. A moeda mais valiosa e preciosa que o mundo já viu; conhecimento. O homem não era inteligente o suficiente, e segundo suas fontes, inegavelmente seguras, toda a informação de seus trabalhos estava no aparelho que imitava um celular; naquele “celular” no bolso interno do paletó.

–Localizou o dispositivo? – ele ouviu a voz do Toupeira em seu ouvido. Tinham lá seus códigos para se comunicarem sem tornar nada suspeito para o líder; os camaleões rondavam o lugar, atentos, também se comunicavam com Toupeira. Estava chegando a hora mais tensa...

–Então sugiro que marquemos uma nova reunião – disse com seu melhor sorriso digno de um ladrão experiente; não aquele ladrão de objetos: um ladrão de conhecimentos, sentimentos. Experiente como um todo, Castellan prosseguiu. Sabia que Toupeira deveria estar dando ordens aos camaleões – Será um prazer revê-lo.

–Claro. Espero que me traga mais informações – disse ele levantando-se e estendendo a mão. Luke fazia o mesmo quando o primeiro estrondo foi ouvido. Agrios e Oreios, talvez com mais alguns amigos, encapuzados começaram o arrastão. O tumulto e o medo foram gerais e, antes que percebessem e sem conseguir evitar, Luke e Polifemo estavam próximo demais. Aquela distância era perigosíssima. As pessoas se empurravam, gritavam, notou pelo canto dos olhos um dos seguranças tentar puxar a arma.

Luke sabia que tinha que sair dali o mais depressa possível. Era questão de sobrevivência. Ser pego pela policia para um interrogatório não seria legal. Era assim que Polifemo pensaria... Jamais imaginaria que aquele jovem de 18 anos acabara de roubar tudo o que ele tinha de mais precioso, todas as suas obras, seus feitos e projetos, seus lucros e gastos.

–Conseguiu o objeto? – Toupeira perguntava apressadamente.

–Mas é claro que sim – Luke respondeu. Já havia escapado da confusão, inclusive estava na área restrita aos empregados, trocou de roupa e seguiu para a saída dos fundos destinada aos serventes.

–Aonde vai? – ele sabia que o gerente falava com ele – Já foi dispensado?

–Pedi as contas – comunicou – Depois do que ouvi no salão dos jogos não vou ficar aqui para lavar a louça – disse despistando qualquer suspeita e saiu. Na rua, os sons da cidade, do trânsito, o cheiro carregado da atmosfera poluída, a adrenalina ainda pulsava em suas veias. Delicada e discretamente tocou o bolso da calça. Gargalhou perante seu sucesso. Estava tudo perfeito naquela noite... Faltava apenas ela.

Ele ainda se surpreendia com a intensidade, com a frequência com que pensava em Thalia. Queria vê-la sorrir mais uma vez naquele dia, um sorriso tão verdadeiro e radiante quanto aquele no estacionamento da escola. Só isso. Só um sorriso. Não precisava de sexo selvagem e frases apimentadas para encerrar seu dia. Precisava saber que ela estava bem, que a família e a madrasta não a perturbariam naquela noite. Só queria uma garantia da felicidade dela... Pois a felicidade dela era, indiretamente, a felicidade dele.

–Hey! Otário! – chamou a menina camaleão – Vamos!

A Máfia nos espera – pensou satisfeito consigo mesmo. No caminho até o ponto de encontro com outro representante daquele mundo quase utópico, Luke ficou observando a janela – é uma promessa, Luke. Te vejo a noite. Eu vou encontrar você. – Como, Lia? Como você vai me encontrar? O pensamento persistiu durante todo o caminho.

[...]

Era faixa das onze da noite e no acostamento da estrada, eles fingiam trocar o pneu. Logo apareceram os homens que esperavam. Guiaram os aprendizes até um ponto isolado e de lá os vendaram – procedimento padrão – mas não reclamaram. Andaram em silêncio, em expectativa. Estavam indo para a base da Máfia. Depois de alguns minutos andando as cegas entraram em um veiculo e seguiram ainda privados da visão. Não era como se Luke não estivesse fazendo o mapa em sua mente bem estruturada.

As vendas foram retiradas quando o grupo se encontrava em uma sala ampla com decoração simples, mas suficientemente confortável para vinte pessoas.

–Outros iniciados virão para esta sala e quando todos tiverem chegado receberão sua majestade e máxima autoridade da Máfia.

Em vinte minutos a sala começava a se encher e a ansiedade deles enchia o ar tornando difícil para Luke respirar. A surpresa foi espontânea e irrefreável, mas foi mútua. Lá estava Perseu Jackson entrando pela mesma porta pela qual ele entrara. Então lá viram Chris Rodrigues, da turma de Castellan, mas quase não trocavam palavras. E fechando o grupo de conhecidos, lá estava Nico.

Reuniram-se num canto e se cumprimentaram com espanto e entusiasmo. Mas não tiveram tempo nem audácia para perguntar o que queriam perguntar. Um oficial da idade deles ou pouco mais velho entrou e então seu gêmeo. Luke os reconhecera de algum lugar... Sabia que tinha visto um deles, mas onde? Com quem? Estavam ali quase como seguranças.

As portas duplas se abriram por ela atravessou um homem de meia idade. O homem tinha cabelos loiros, parcialmente apagados, os olhos castanhos eram gelados, e por alguma razão Luke sentiu o olhar do mafioso fixo nele por longos segundos; sabia ainda que por trás da camisa existiam músculos fortes devido a anos de treino intensivo. Sabia que aquele homem, com uma fina cicatriz na testa, deveria ser temido e respeitado... Isso lhe lembrava muito alguém...

–Vocês estão aqui nesta noite porque se mostraram valiosos. Cada um à seu modo – a voz era gélida, quase áspera – Receberam missões e as cumpriram com sucesso. Foram vigiados durante semanas, alguns durante meses, e temos hoje o prazer de recebê-los. – ele virou o rosto para as portas esperando ver alguém – Peço desculpas pela ausência de minha filha que deveria nos acompanhar esta noite. Logo ela virá se juntar a nós.

Ele continuou falando sobre as normas de conduta que se espera de um mafioso, falou sobre o sigilo absoluto e as formas de segurança. Falou sobre a hierarquia e sobre a linha de sucessão. Cinco meninas. Um Império nas mãos de jovens mulheres era algo fascinante aos olhos do ladrão. Aparentemente ele escutara um som que os outros não, e sorriu de forma sinistra.

–Eu sou Marcos, o rei da Máfia de Nova York – o som de saltos contra o piso invadiu seus ouvidos; antes que notasse, seu coração estava disparado. Seu peito doía em respeito, em admiração. As portas duplas se abriram e ela entrou em passos lentos, firmes, seguros. Senhora de tudo e de todos. As botas acima do joelho, a saia rodada e a jaqueta de couro eram pretas, a camiseta vermelho sangue parecia brilhar, mas era o sorriso, era aquele sorriso carregado em mistério, em desafio, em poder que balançaram o coração de Luke – E esta é Thalia, a princesa herdeira deste Império e minha filha.

Logo atrás dela vinham as outras quatro. Igualmente intimidantes, igualmente poderosas, igualmente mafiosas. Mas Luke só tinha olhos para ela. Thalia só tinha olhos para ele.

–Willkommen in Mafia.

–Bienvenue à la máfia.

–Welkom bij Mafia.

–Benvenuti a Mafia.

Ele ouvia as vozes das meninas em idiomas diferentes, mas ele tinha certeza de que era a mesma frase... Mas foi muito mais impactante na voz dela:

–Bem vindos a Máfia.

Luke Castellan estava extasiado. Entrara para a tão sonhada Máfia e passara o dia tendo na mais pura adrenalina... E aquele sorriso, aquele brilho no olhar dela dizia tudo o que ele queria saber há anos. Aquele era o melhor dia de toda a sua vida.

Notas finais
O que devemos esperar agora com esse bando todo reunido? o.O