Gimme More
42 Capítulo 34
Capítulo trinta e quatro –
Vestido preto curtinho bem feminino e rodado, meia calça e botas sem salto, fechando o look uma jaqueta. Tudo preto, a sombra em seus olhos era delicadamente misteriosa, bem fraquinha, mas deixava-a misteriosa. Katie estava pronta. Eu vestia legging, regata justa, jaqueta de couro, coturnos, tudo preto. Travies também estava vestido em trajes negros. Era o início da nossa Caçada. A estréia de Katie.
Apenas nós três seguimos pela fazendinha ridícula daquele homem que atormentara minha priminha por anos. Connor tinha ido como motorista e nos esperava pronto para a fuga perfeita. Katie nos guiava, os passos firmes, pouco graciosos, mas decididos. Tínhamos treinado por meia hora sua mira e ela não era tão ruim quanto eu pensava. Faltava muito para ser uma autêntica mafiosa, mas era inegável reconhecer um talento bruto naquele corpo magro; ela só precisava de um polimento.
A porta foi aberta com força pela menina. O homem e sua esposa de cabelos ruivos se surpreenderam com a invasão.
–Katie, minha querida – ouvi a voz suave e maliciosa do homem; Travies e eu estávamos esperando do lado de fora, meu querido amigo tinha o corpo rijo, tenso, ele estava louco para entrar e meter bala – Não esperava sua visita.
Não deixei mais aquilo acontecer. Katie fora a vítima por anos e ainda guardava um traço de inocência em seu coração. Entrei em passos lentos, os olhos azuis faiscando; Travies entrou logo depois. Parecia coisa de filme: Katie no meio e os comparsas, a liga de justiceiros logo ao lado. Eu amava aquilo: era a mafiosa exercendo seu poder; o jeito como me olhavam, o modo como o medo os invadia...
–O que significa isso? – perguntou a mulher com a voz nervosa.
–É a minha vez de brincar – senti o sorriso na voz de Katie – Thalia, o que você acha se eu castrar ele?
Gargalhei.
–Que ideia excelente, priminha – o medo era tudo nos olhos deles dois – Por que não deixamos a mulher para depois? Travies pode deixá-la bem confortável enquanto Lee se diverte um pouco. Travies é bom em torturar. – Katie sorriu e o homem louro a minha frente tentou fugir, atirei em seu pé e ouvi seu rugido de dor como se fosse uma nova batida eletrônica numa boate bombada.
–Quem te deu permissão para se mexer? – perguntou rispidamente o moreno – Será que não ouviu o que Katie disse? É ela quem dá as ordens hoje.
Katie não se mexia. Não piscava e mal parecia respirar.
–Então, Katie? – instiguei já ligeiramente impaciente, apoiando a mão livre na cintura – O que quer fazer?
–Travies, meu amor, porque não leva essa senhora lá para fora e a apresenta ao Connor – o menino gargalhou – Mas não se divirtam muito. Quanto a você – esperou Travies sair e só então continuou – Você é meu.
Já estando ferido foi fácil para a minha pessoa prendê-lo numa posição comprometedora e despi-lo. Katie fez um bom trabalho, olhava para mim pedindo instruções hora ou outra, mas também tinha suas próprias ideias. Para o horror do homem, ela decidiu por esfolamento: com uma faca de nosso arsenal lentamente arrancava a pele daquele pênis com uma longa história de abusos. Lee gritava e gemia, e minha amada priminha tinha um sorriso bárbaro no rosto. Fiquei sentada no sofá apenas observando ela, confirmando a frieza no fundo de sua alma. Ele clamava por misericórdia e chorava como criancinha. Mas isso apenas irritou Katie: Fletcher foi devidamente castrado e teve o próprio membro enterrado na boca para sufocar seus gritos.
Eu não me contive. Ri demais daquela cena, mas era a felicidade de Katie que me chocava, suas gargalhadas diabólicas como as de vilões em filmes bons. Era possível ouvir pela janela os gritos da ruiva e os sons da violência contra ela.
No fim do dia, voltamos para o carro satisfeitos: os três vingados. Gardner levava um olhar insano, um sorriso macabro e as mãos sujas de uma cor rubra.
–Se divertiu, meu amor? – Travies perguntou sorrindo para a namorada. Katie ergueu os olhos para ele, então em um movimento lento e suave levou a mão ensanguentada a altura do rosto e maliciosamente lambeu seu dedo mindinho.
Eu ri satisfeita.
Minha família não era de todo ruim. Ainda bem que existia Katie Gardner para salvar nosso sangue.
[...]
Moonbean crescera bastante, parecia um lobinho selvagem. Como fora treinado nas bases mafiosas ele sabia perfeitamente como me proteger, como atacar, como matar. Meu cãozinho era muito obediente. Mas isso não adiantou de nada. Mesmo a casa sendo enorme, Zeus não permitiu mais que meu amiguinho ficasse dentro da mansão. Para me agradar conversou com Hefesto que mandou construir uma casinha espaçosa e quentinha para os dias mais frios.
Mas eu ainda era Thalia Grace. Ainda estava irritada com meu pai. Então nada mais lógico do que quebrar uma regra ridícula para me agradar e provocá-lo ao mesmo tempo. Soltei acorrente que prendia meu cachorro, naquela casinha bonita e desnecessária; Moonbean saiu em disparada pela neve, correndo e saltando para esticar as pernas, finalmente livre e feliz, me fazendo rir: queria eu gozar desse prazer, dessa liberdade. Mas eu sabia me alegrar com a felicidade dos outros.
Depois de esperá-lo brincar, dando todo o tempo que ele quisesse, corremos os dois para a porta da frente. Não tinha qualquer intenção de esconder meu cachorro. Quando fechei a porta enorme de madeira, ele sacudiu-se livrando seu pelo claro da neve gelada. Subimos as escadas, sem notar ninguém e entramos juntos em meu quarto. Ajeitei um cantinho confortável e quentinho para ele ao meu lado e ficamos nós dois ali, desfrutando da companhia silenciosa que tínhamos a oferecer.
Os pelos eriçados e os olhos alertas foram o primeiro indício de que algo estava profundamente errado... A porta se abriu sem que ninguém se anunciasse ou mesmo se incomodasse com o que eu fazia ali dentro.
–Você e eu teremos uma conversa séria – o tom de voz de Zeus era ameaçador, frio, baixo. Foi uma surpresa porque eu sempre o escutei aos berros. De qualquer forma, eu não olhava para ele, olhava para as cortinas abertas, observando através das portas de vidro da sacada o espetáculo de pequenos flocos caírem suavemente – Não vai adiantar nada você me ignorar, Thalia, assim será pior para você.
Continuei tranquila, pacífica. Não estava preocupada de forma alguma. Meus últimos dias tinham sido espetaculares e logo o assunto Nico/Bianca também estaria encerrado de uma forma extraordinária.
–Você deveria aprender a bater na porta – disse agora brincando com um cacho de cabelo, enrolando no dedo, desenrolando e tudo de novo – Tenho certeza de que seus pais te deram uma boa educação. Não deveria deixar dúvidas quanto a isso.
–Cuidado com o que fala, mocinha. Essa casa é minha e eu entro onde eu quiser.
–Já tivemos essa conversa. Não perderei meu tempo discutindo o que já foi discutido. Por favor, tenha o bom senso de retirar-se de um cômodo onde não é bem vindo.
Minhas palavras eram tão suaves, tão calmas, tão desinteressadas contrastando com a frieza dele que o irritei mais. Eu sabia que ele viera esperando uma boa briga na qual ele “ganharia”. Coitado. Lá estava eu rejeitando-o até para discutir; devia ser o cúmulo para ele. Segurei a vontade de gargalhar.
–Você precisa parar com essas atitudes. É mesmo uma menininha mimada como Hera já disse inúmeras vezes...
–Então por que você não vai foder sua esposa e depois no meio da noite escapa de casa para conversar com suas prostitutas? Aposto que elas também... – Abelle que me perdoasse; minha atuação era impecável, se era culpa dos genes, ou mesmo um talento natural, mas era chocante: Zeus tinha o rosto vermelho de vergonha, de raiva, os olhos faiscavam e minha calma continuava inabalável. Já estava imaginando como relatar o ocorrido em meu diário.
–CHEGA! – ele explodiu e eu ri; deixei escapar um risinho, mas a gargalhada foi contida pela minha mão em minha boca – Não tolerarei mais isso. De ninguém! Muito menos que minha filha ria de mim!
–Francamente, sua burrice me cansa! – disse ainda sorrindo, ainda mexendo no cabelo – Ainda não entendeu, depois de eu tanto te explicar, que você não tem uma filha.
Ele respirou fundo.
–Sua indiferença comigo não tem qualquer base racional...
–Então me poupe de seus discursos ridículos! – perdi a paciência, a raiva brilhava tanto em meus olhos quanto nos dele, a diferença era que eu ainda mantinha boa parte da pose de desinteressada – Volte para sua esposa igualmente sonsa e me deixe em paz!
–Filha...
–Você não tem uma filha, Zeus – rosnei; a expressão mais fria do que o lado exterior da mansão.
–Você e Hera precisam aprender a conviver juntas...
–Pois eu corto meus pulsos antes de aceitá-la e digo a todos os jornalistas, fotógrafos e amadores que isso é culpa sua e de sua esposinha ridícula!
–Você não pode fazer isso!
–Invento uma história comovente o suficiente e te deixo na ruína! Você não vai me dobrar jamais. Não tem condições para isso – desdenhei voltando a sorrir.
Zeus ficou tremendo por vários segundos, minutos talvez. Então se sentou na poltrona de frente a minha cama olhando em meus olhos, entrelaçou os dedos, fechou os olhos ao respirar fundo e soltou:
–Hera me recomendou um internato para meninas na Europa. – mantive minha expressão neutra, impassível, não ia de maneira alguma demonstrar meu ódio, controlei minha respiração de forma a ele não perceber que estava correndo perigo de vida; deixei que continuasse a falar – Existem diversas opções para se escolher, digo, os países e as cidades nas quais você residiria. Ela sugeriu Paris, mas existem diversas cidades italianas como Florença, Roma, Veneza. Talvez seja bom para você. Não pense que não me dói a separação. Assim se formará e quando regressar...
–Zeus – cortei suas expectativas com a voz calma, quase doce – Se eu for, para qualquer lugar que seja, eu não vou voltar.
–Como? Não diga bobagens!
–No instante em que a maioridade cair sobre meus ombros me esqueça – sorri de forma angelical como se contasse ao meu pai de flores coloridas – Não vou mais permanecer nessa casa como os cinco parasitas que eu chamo de irmãos. Esqueça que um dia teve uma filha porque já faz anos que eu não te considero meu pai.
–Não permitirei que me diga essas barbaridades. – ele se levantou – Você é minha filha e não vai sair de perto de mim!
–Diga isso a Hera – desafiei.
Aquilo foi a gota d’água para Zeus. Ele se curvou sobre a cama me ameaçando a princípio apenas com sua postura. Moonbean rosnou ainda no chão, os olhos dourados do animal gritavam selvageria.
–O que ele faz aqui dentro?
–Me faz companhia nessa casa cheia de hipócritas como, por exemplo, uma mulher vagabunda que namora meu pai.
–Olhe aqui garota, você está esgotando toda a minha paciência! Hera é uma mulher descente...
–Tanto quanto você. – endireitei as costas igualmente mantendo uma postura ameaçadora assim como ele; meu cachorro estava terrivelmente alerta aos nossos movimentos – Estou cansada de ser a menininha iludida com a história da Madrasta Má. Hera me torturou por um ano inteiro e ao invés de acreditar na sua filha, no seu sangue, você e toda a casa decidiram acreditar em suposições absurdas!
–Minha filha...
–Mas claro que ela ainda foi te afastando de mim aos poucos e depois você mesmo se encarregou de nos separar definitivamente. Estou farta desse ciúme absurdo que Hera sente de mim!– eu não sabia como interpretar os sentimentos dele; aqueles olhos azuis eram tão enigmáticos quanto os meus – Não pense que acredito um só segundo que te dói a minha possível ausência. Você é cínico, você traí a todos aqueles que um dia te amaram, só não vai morrer sozinho porque existem vagabundas tão cegas quanto Hera.
Ele não aguentou. Minha visão treinada pela Máfia me mostrava tudo com lentidão: Zeus vindo para cima de mim em um “ataque” que fosse um tapa ou mesmo um aperto forte em meu pulso; sem qualquer sucesso. Ele pulou para trás no mesmo instante em que Moonbean pulou em minha cama, os caninos a mostra em um rosnado ameaçador, na posição de ataque. O medo nos olhos de Zeus era impagável.
–Thalia, controle seu animal! Ele quase me atacou!
–Você também quase me atacou – a frieza em minha voz era cortante; eu mesma senti como se navalhas cortasse a pele exposta de meus dedos – Ele não vai permitir que me machuquem, papai – disse com desprezo – Ele sentiu minha raiva e sentiu a sua. Não pense que vou detê-lo se Moonbean decidir te atacar.
O animal rosnou de novo.
–Controle já seu cachorro ou eu mando sacrificá-lo.
–Faço isso e verá o inferno nas mãos da sua preciosa filhinha. – levantei-me e acariciei a cabeça do cachorro que saiu da posição de ataque, continuando alerta á meus movimentos – Você já avisou dessa sugestão ridícula, agora eu vou te avisar. Mantenha Hera bem longe de mim e certifique-se de que ela cuide da própria vida. Não é culpa minha que ela não tenha filhos para cuidar, mas não permitirei que haja como se fosse uma substituta a minha mãe. O casalzinho vai tratar de me deixar em paz, pois não tomarei parte nessa farsa que é a reconciliação de vocês dois nem nessa suposta família perfeita. Não posso prometer não incomodá-los com meu desprezo– fiquei bem próxima á meu paizinho deixando-o ver a honestidade em meus olhos, em meu rosto, em minha alma – E quando eu fizer 18, antes mesmo do pôr do sol, você não me verá mais. E isso não é um pedido.
–Então o que é? – sussurrou chocado.
–É uma ameaça. E acredite em minhas palavras, Zeus: eu vou cumpri-las. Todas elas.
[...]
O lugar, ou melhor dizendo, o quarto era bem escuro, mas não acendemos as luzes. Não era como se não pudéssemos enxergar, víamos o suficiente naquela agradável penumbra. Nico tinha os pulsos e tornozelos acorrentados na parede enquanto no colchão daquela cama enorme Bianca e eu conversávamos normalmente esperando que o menino recobrasse a consciência.
–O que...? – gemeu ele abrindo os olhos.
–Oi Nico – disse de forma, envolvente e suave; Bianca prendeu o riso.
–Thalia? Mas...
–Sua irmã me contou que foram caçar gatos algumas semanas atrás. Você gostou?
–Sim – respondeu depois de gaguejar como um louco – Foi, foi bem... Bem diferente e...
–Prazeroso? – perguntou Bianca tirando a jaqueta.
–Bia? – ele arregalou os olhos – Mas que droga está acontecendo aqui? O que vocês estão... O que aconteceu comigo? – disse olhando para as correntes.
–Nada demais – respondeu a irmã com um sorriso pervertido. Nico estava um pouco assustado, não posso culpá-lo, estava preso no fim das contas. Mas a imagem da irmã se livrando da jaqueta e deixando exposto o decote da camiseta... Ela se sentou na cama ao meu lado já sem os sapatos e as meias, também tratei de me livrar deles – Então Lia, como eu estava dizendo – ela ignorou completamente o irmão – Não foi uma ficada muito boa, entende? Ele babava mais do que beijava – eu ri – e eu não acho que ele tenha um pênis – eu gargalhava – Sério! Foi patético! A Rachel falou para você do menininho de 11 anos? Então, ele tem mais bolas do que meu ex ficante.
–Meu Deus! – ri; Nico resmungou várias vezes o previsível: que não queria ouvir conversas lascivas envolvendo sua irmã e homens alheios, o coitado foi ignorado – Bia, ele nem sabia beijar?
Disse de forma suave e sensual, delicadamente pontuada de meiguice. Minha amiga sorriu toda mimosa e soltou um sussurrou alto:
–Conheço outros que beijam melhor.
–Mesmo? – me aproximei sorrindo e escutando a respiração ofegante de Nico.
–Mesmo – então lá estávamos nós duas, as tentações de um Di Angelo. Os lábios dela tinham um gosto artificial de morango devido ao batom que ela passara mais cedo, assim como os meus deveriam ter o gosto de cereja. De qualquer forma, ela puxou meu rosto e eu levei minha mão aos seus cabelos brincando com eles enquanto nossas línguas dançavam. Era como um beijo qualquer ao mesmo tempo em que era especial. Mordisquei seu lábio e ouvi seu suspiro suave antes de sentir seu sorriso.
Separamo-nos enquanto nos duas nos livrávamos da minha jaqueta. Retomamos aquele beijo lento e suave com um pouco mais de força, mas ainda delicado. Nós só podíamos ouvir os sons desconexos que saíam da boca de Nico e isso nos motivava mais. Outra parada estratégica: Bia tirou minha camiseta e eu tirei a dela. O menino ofegava. De joelhos no colchão, uma de frente para a outra, os olhos reluzindo em perversão em diversão, nos “atacamos” em um beijo feroz que nos levou a rolar sobre o colchão alternando o comando. Bia distribuía beijos em meu pescoço e descia para a curva dos seios ainda escondidos, eu apertava seus peitos ainda sobre o tecido do sutiã para fazê-la gemer ligeiramente alto. Nico não aguentava aquilo. Retiramos as duas as calças jeans e votamos aquele momento tão sensual e tão prazeroso de beijos, beliscões, apertos...
Não era a primeira vez que fazíamos isso. Claro que todo pré-adolescente sente aquela vontade de “experimentar” seja drogas, seja a sexualidade. E na Máfia não passamos vontade. Tenho certeza de que foi lá que não apenas eu, mas todas as cinco perdemos a virgindade. Mais que isso, brincávamos as cinco de descobrir nossos prazeres, nossos fetiches e preferências. Eram, normalmente, aquelas festinhas de pijama as quais a maioria dos meninos idealiza. Tenho certeza de que isso nos tornou bem mais experientes do que meninas de 12-13 anos deveriam ser. De qualquer forma, Nico ficou louco no instante em que, já completamente nuas, nos revezávamos nas carícias picantes, sem pudores ou restrições: desde mordidas nos mamilos até um bom e inesquecível sexo oral. Sincera e honestamente, muitas vezes Bianca e eu preferíamos as nossas relações a outros rapazes. Acho que isso se deve mais ao fato de termos descoberto tudo juntas e sermos do mesmo sexo: entendíamos nossos maiores pontos de prazer e os explorávamos ao máximo.
–Meu Deus... Meu Deus...
Nico estava quase histérico, não sei se o culpo por isso. Era, tipo, um filme pornô ao vivo e a cores na frente de seus olhos!
–Thalia! – Bianca gritou no instante em que gozava; deixei que aquele líquido lhe molhasse a coxa para só então lambê-lo enlouquecendo-a mais uma vez.
Deitei ao seu lado, as duas com os cabelos grudando na face devido o suor, o corpo reluzente devido o mesmo, eu não conseguia me lembrar de ver minha amiga mais bonita: sexo deixava qualquer um mais bonito, tenho quase certeza desse fato. Sorriamos uma para a outra como se compartilhássemos um segredo obscuro e delicioso. Sim, eu amava aqueles momentos e eu sabia que Bianca também. Esperamos nossas respirações se acalmarem para só então nos levantarmos ficando de frente a uma Di Angelo de corpo fraco devido ao desejo. Ali, paradas em toda nossa gloriosa nudez, não havia muito que fazer ou dizer. Seus olhos, seu corpo o denunciavam. Lentamente o soltamos das correntes que o prendiam. Nico só caiu no chão de joelhos e ficou lá alterando seus olhos entre o corpo da irmã e o meu. Mas também, o que ele poderia fazer? Era mais que evidente que ele não saberia e nem queria escolher entre uma de nós.
Peguei seu braço esquerdo e Bia o direito, levantamos o nosso boy-magia e o despimos antes de conduzi-lo até a cama e deixá-lo deitado ainda ofegante. Encarreguei-me de pegar a camisinha. A cena era mais ou menos a seguinte: Bianca estava de joelhos, as pernas ao lado da cabeça do irmão enquanto esse chupava freneticamente sua intimidade; eu me movia com força sobre seu pau (agora, talvez fosse impressão, maior do que alguns meses atrás) arranhando sua barriga lisa; meus movimentos sincronizados com os dela para assim, enquanto o menino nos satisfazia, travarmos mais um beijo sedento.
[...]
Bianca havia ido embora, deixando-me com seu irmão, aparentemente tinha que resolver algum assunto relacionado à boate ou algo do gênero. Nico enrolou mais prolongando seus minutos comigo. Vestia apenas a calcinha e a camiseta ainda deitada na cama mexendo displicentemente nos fios embaraçados do meu cabelo.
–Por que vocês são assim?
–Assim como?
–Distantes; quase frias e indiferentes... São assim só comigo ou com outros tipos de caras...?
Sentei-me olhando-o com intensidade.
–Nico, só existem dois tipos de caras: os que aguentam comigo e os que tem medo de mim. Em qual deles você se encaixa?
Ele ficou mudo por longos segundos, apenas seus olhos escuros lhe davam sinal de vida. Ele estava bem sexy a camisa abotoada errada, e mesmo assim parte do peito ainda exposto, ainda para fora do jeans. Porém em seus olhos havia algo como uma expressão de filósofo...
–Tenho medo. Medo das duas. Principalmente de você.
Uma parte de mim sempre esperaria por essa resposta, mas outra não podia deixar de ficar em choque. Não demonstrei; eu nunca demonstro minhas emoções ao menos que esteja em um momento de grande fraqueza.
–Posso perguntar o porquê?
–É como se... Vocês não... – ele parecia der dificuldade em se expressar, passava as mãos na frente dos olhos a toda hora – Principalmente você...
–Fale apenas de mim se isso facilitar.
–Você não é humana.
–Não sou? – ergui a sobrancelha já começando a achar graça na situação.
–Para mim, ser humano inclui a capacidade de amar – eu senti aquilo como um soco bem dado no estômago: perdi todo o ar – E isso, você em especial não tem. Você não é tudo isso que pensa que é. Vocês cinco não são!
–Nico... – coloquei apenas a ponta dos dedos no chão e ele instintivamente deu um passo para trás como se eu fosse o pior monstro que ele já vira.
–Não! Vocês não são perfeitas e não podem ser... – então ele explodiu de um modo que eu sabia que em algum momento da vida dele ocorreria – Se... Se você – ele tomou fôlego e nem tentou disfarçar as lágrimas em seus olhos – Se você não tem a capacidade de amar, não faça sofrer quem te ama.
Deu as costas e saiu fechando a porta e me deixando ali.
Foi só então que suas palavras me atingiram com força. Porque Nico tocara, sem saber, no meu maior ponto fraco: amor. E o que doeu mais nisso tudo foi a comparação implícita que ele me deixou... E o pior é que ele não estava errado.
Não saber amar... Machucar aqueles que te amam...
Eu era muito filha de Zeus. Muito mais do que gostaria de admitir... Afinal – imagens de Abelle, Hera e cada um dos meus irmãos, até minha tia rodavam minha mente. E então seguidas de perto por Nico, Will, Perseu, Luke... – Éramos iguais.
–PORRA! – joguei meu corpo de volta no colchão com força sentindo inclusive uma dor momentânea nas costas. Uma lágrima traiçoeira escapou do meu olho; encolhi-me abraçando meus joelhos em posição fetal.
Eu não tenho moral nenhuma.
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