Gimme More

39 Capítulo 31


Notas iniciais
Este é um cap diferente... Eu já tinha avisado nos coments de algumas mafiosas que contaria o que aconteceu com a Vaca da fanfic. Enfim consegui terminar o cap: *Não é narrado pela Lia

Capítulo trinta e um – Traída!

Havia voltado para casa; a reunião não fora tão agradável quanto pensara que seria. Um monte de ricos falando sobre a bolsa de valores. Claro que ela se envolvera no debate; não era tola, mas não se interessara como ela própria esperava.

Na casa de Reia, uma amiga muito próximo que cuidava dela como se fosse sua mãe, ela agora estava hospedada. Seu quarto era bonito e confortável, luxuoso como seu antigo. Pelo menos nesse não há nenhum dos filhos dele! Pensou amargurada. Deitou-se na cama sem tirar o vestido de cor creme, livrou-se dos sapatos, mas esqueceu de desfazer o elegante coque. Abriu a primeira gaveta do criado mudo, de lá tirou uma caixinha trancada com uma chave que levava no pescoço. Destrancando-a encontrou ali o anel de compromisso que ele lhe dera. Tola. Ingênua. Estúpida. Sua mente não compreendia porquê ela insistia num erro absurdo. Girou o anel de ouro nos dedos enquanto os olhos enchiam-se de lágrimas mais uma vez.

Voltava ao passado com frequência, estando acordada ou não, a tortura era a mesma. Sempre conseguia visualizar três rostos distintos e sempre lágrimas rolavam em dor e fúria. Lembrou dos carinhos, cada um mais intenso do que o outro, os suspiros que soltava, dos olhos dele...

–Você vai mesmo deixá-la? – perguntou a mulher sorrindo, entre os beijos infinitamente quentes que ele dava – Vai mesmo ser meu e somente meu?

–Claro que sim – dizia Zeus. Mesmo naquela época Hera estava completamente enfeitiçada por aquele homem poderosíssimo e não se incomodava tanto assim de seus cinco filhos; não era culpa dele que ela tivesse aparecido tão tardiamente na vida de Zeus Grace – Você é única, meu amor... Não quero mais ninguém.

Estúpida! Pensou novamente. Recordava-se com clareza que nem dois dias depois a perfeita Abelle anunciara a sexta gravidez. Aquilo fora um forte tapa na cara da principal amante do bilionário. Afinal, Zeus estava com ela a mais de um ano e mesmo assim... Não, sua mente teimava em inocentá-lo – ele é casado, não pode simplesmente negar totalmente a esposa – tudo para não admitir o próprio erro. Claro que ele tentara se explicar e mais óbvio foi que a tola Hera acreditou.

Você é a única mulher que me importa – confidenciou ele antes de beijá-la. Pouco tempo depois o casal anunciava, com sorrisos estampados nas faces, a chegada da primeira Grace. A única menina da família.

Não é culpa dele.

O anel girava em seu dedo, vez ou outra ela se surpreendia ao ver que depois de horas brincando com a joia o anel acabava em seu anelar esquerdo onde sempre estivera. Já fazia meses que ela partira da mansão Grace e ainda assim não estava conformada. Devi saber que ele me trairia; fui a outra durante seu primeiro casamento, por que não haveria outras durante o segundo? Apertou as unhas contra o fofo travesseiro, rasgando a fronha em vergonha, em raiva de si mesma. Fechou os olhos e sonhou...

O parque não estava tão movimentado quanto ela pensara. Ela rapidamente identificou os meninos dele, já estavam bastante grandinhos para aceitarem-na como uma substituta da mãe. Ela ainda não havia achado seu homem, mas foi paciente; ela sempre fora paciente. Esperara quatro anos depois da morte da maldita Abelle podia esperar mais alguns segundos para finalmente assumir sua relação com Zeus... Foi quando a viu correr.

Ela é mais forte.

O vestido era claro estampado com pequenas flores roxas, as botas de mesma cor e um lindo laçinho prendiam delicadamente seus cabelos perfeitos. Hera odiou-a no mesmo instante. Era a cópia dele, a cópia feminina dele e ainda havia algo a mais que ela não soube identificar a primeira vista, algo que não estava tão claro e que ela levaria anos para reconhecer: ela era o complemento de Abelle, o complemento de Zeus. Naqueles olhos elétricos identificou uma força descomunal que uma menininha de seis anos não deveria ter. Foi quando reconheceu: ela jamais poderia ser a única na vida de Zeus Grace. Aquela nojentinha sempre ocuparia seu lugar, o lugar de maior importância. Como os tablóides diziam aquela criança era a princesinha de Zeus: a maior lembrança de Abelle na vida de Grace.

Ela é mais bela.

Anos à frente Hera observava uma adolescente belíssima descer as escadas. Não vestia mais do que um conjunto de calcinha e camisete, os cabelos escuros caindo com displicência e sedução sobre um dos ombros... Maldita menina. Maldita Thalia. Ela era jovem, bonita e ocupava o centro das atenções do homem que deveria ser exclusivamente dela!

Ela é a única mulher na vida dele.

Com um sobressalto incompreensível no reino dos sonhos, na verdade um soluço, fez as imagens mudarem. O rosto de Thalia sumia e então... Ela subia as escadas com raiva ainda da fedelha mimada; ela tinha que parar de se intrometer nos seus planos. Os últimos fotógrafos que mandara para seguirem-na e acabar com sua boa imagem acabaram voltando surrados e machucados, desistiam de segui-la sem sequer explicarem como acabaram machucados. Mal abriu a porta do quarto e diversas fotos caiam descolando do teto. Houve um momento em branco quando a confusão a tomou. Foi quando a primeira imagem entrou em foco. O coração errou o compasso, o rosado das faces sumiu, a respiração era irregular, as lágrimas caiam rapidamente, sem qualquer controle da parte dela.

O quarto estava cheio de fotos de todos os tamanhos, todas datadas, vinham de muitos anos passados, anos recentes, dos dias atuais... Um ganido escapou-lhe dos lábios enquanto a dor sufocava-a. Não queria acreditar, não podia acreditar...! Virou o corpo rapidamente, olhando para todas as paredes, para todos os móveis, para cada fotografia cuidadosamente colada; tropeçou e caiu no chão, sem conseguir respirar, o choro se tornando mais alto e compulsivo. O chão forrado de mais fotos: todas dele com outras, várias meninas, mulheres, em todas as posições possíveis... Uma foto grudou-lhe na mão e com desespero Hera tentava livrar-se daquela prova indiscutível de que fora traída da pior forma possível. Então mais duas caíram forçando-a a olhar para cima para o lustre de onde pendiam milhares de outras fotos...

Ela se remexia sobre a cama de forma nervosa, o sonho perturbava-a. Hera rolava sobre o colchão, o peito subindo e descendo rapidamente, os punhos cerrados...

O som dos gemidos, das juras de amor dele para milhares de outras parecia não fazer sentido, palavras desconexas... Zeus chegara segundos depois de ela soltar um grito angustiado e raivoso. Ele tentara explicar-se, negar, mas estava tão chocado, tão pálido quanto ela.

–NÃO ENCOSTE EM MIM! – gritara Hera depois das inúmeras tentativas de aproximação falhas exercidas por Zeus. Jogou aquela “barulheira infernal” na direção do ex-amante, mas ele desviou-se a janela foi quebrada. Tudo o que via que estivesse ao alcance da mão para jogar nele, para machucá-lo ela jogava. As caixas de joias, o celular, tudo. Quando se cansou de chorar, madrugada já adentro começou a jogar suas roupas dentro da primeira mala que achou, Zeus tentava rodeá-la com os braços, aos gritos impedindo-a de continuar, levou duas cotoveladas nos olhos e a soltou perante a dor, ele não queria deixá-la partir e ela não suportava mais a voz, a pele, o cheiro dele...

Levantou abruptamente, o corpo tremendo, o rosto úmido de lágrimas. Soltou os cabelos e respirou bem fundo. Seu celular tocava. Rejeitou a ligação sem nem olhar para saber quem era. Desceu para a cozinha descalça sentindo o frio subindo pela sola dos pés e arrepiar-lhe a pele. Encheu um copo de suco agradecendo por Reia não voltar cedo para casa. Não queria ser vista como vítima novamente. Por mais que doesse Hera não era mais uma jovenzinha; era uma mulher embora já na meia-idade ainda bastante bela e... A quem queria enganar? Ainda o amava. Mas não suportava nada que o envolvesse.

Nevava do lado de fora. Estava frio do lado de dentro mesmo o aquecedor estando ligado. Ela procurava de todas as formas se livrar daquele homem, se livrar do gosto amargo que permanecia em sua boca por ter beijado tantas vezes um homem que mesmo não aparentando era indomável. A última palavra fez lembrar novamente da menina dele; uma tarde de sol quando a família se reunira para tomar chá no jardim, a menina Thalia de apenas sete anos aparecia segurando firmemente a mão de Apolo, vestia uma saia tule em tom lilás e uma perfeita e delicada blusa branca cravejada de pedrinhas, os cabelos delicadamente presos. Naquela idade ela já mostrava ódio pela madrasta, mas o mantinha para si já que o restante da família a aceitava muito bem. Foi naquela tarde a primeira vez que Hera recordava-se de ter visto. A menina sentada na toalha sobre a grama com as pernas recolhidas á seu lado, tomava seu chá na xícara como se fosse a mais fina das damas, com perfeita classe e postura e mesmo assim quando Hera olhava naqueles olhos encontrava algo selvagem, indomável, livre.

–Maldita... – sussurrou inconformada; parecia que conseguiria facilmente livrar-se da memória daquela família, mas Thalia estava impregnada em sua pele em suas lembranças – Menininha nojenta! Vagabunda!

Antes que notasse estava com o isqueiro nas mãos: a chama aparecia e sumia, aparecia e sumia, aparecia e sumia, um ciclo vicioso ao qual ela criava para distrair-se sem sucesso: lembrou-se das marcas nos braços da menina deixadas por cigarros nunca tragados. Os gritos dela, os pedidos de que parasse e uma boneca quebrada no chão aos seus pés. Isso a fez sorrir. Um riso escapou de seus lábios, primeiro baixinho depois aumentando até tornar-se uma gargalhada gostosa e forte como a messes ela não dava.

O som da campainha despertou de seus pensamentos perturbados e de sofrimento; ainda com o isqueiro na mão, naquele mesmo ciclo, o sorriso ainda estampado no rosto dirigiu-se a porta. Mal abriu fechou os olhos e estremeceu devido o vento gelado que jogou seus cabelos para trás.

–Hera – abriu os olhos surpresa, pasma. Zeus estava ali na sua porta, o cabelo escuro salpicado de flocos de neve. Parecia ter tanto frio quanto ela, mesmo assim a pele estava aparentemente bronzeada...

–Não foram suficientes os milhares de flores que já mandou? – perguntou; o rosto transformado na máscara de inverno: frio e impiedoso.

–Você não aceitou nenhuma – sua voz era quebradiça – Hera, eu...

–Vá embora e não volte mais. Já tive o desprazer de sua companhia por muitíssimos anos. – ela deu-lhe as costas e fechou a porta. Ou tentou, pois o homem do lado de fora colocou o pé entre o batente, impedindo que ela se fechasse. Entrou e só então permitiu que o frio ficasse do lado de fora.

–Não vou sair daqui até que eu me explique, até que aceite me perdoar...

–Perdeu o juízo? Eu jamais o perdoarei, o que você me fez não tem perdão, não existe desculpa alguma capaz de justificar o que me fez durante anos!

–Hera, por favor... – tentou segurá-la, mas ela se desvencilhou do toque, olhando enojada para o homem a sua frente.

–E ainda se atreve a invadir uma propriedade privada. Devo chamar Ares?

Os olhos azuis encheram-se de água, reluziam a fraca luz do corredor deixando-o com cara de infeliz, ela jamais poderia dizer doente, pois aquele bronzeado era digno de férias no exterior. Ela apostava o próprio sangue que ele se divertira muito com mulheres estrangeiras e... Os próprios olhos encheram-se d’água.

–Ao menos aceite as flores – o buque era realmente lindo não eram apenas rosas, havia lírios e outras flores aos quais ela não sabia o nome, brincavam em tons de rosa e roxo, realmente adorável – Aceite, por favor! – sussurrou.

Ela pegou as flores com receio e foi tomada por outra lembrança. O casal havia saído para a casa de campo de Poseidon. Como Thalia era muito jovem e Perseu estaria lá, Zeus e Hera concordaram em levar a menina. Hera conseguia vislumbrar o vestido cor de creme por entre as poucas flores silvestres crescendo no prado, a mocinha e o menininho corriam para perseguir as poucas borboletas no jardim enquanto os pais conversavam... Hera não pensou, não completamente, pois as flores em suas mãos agora queimavam. Ela não conseguia ver o horror no rosto do homem, também não conseguia ouvir os gritos dele, estava hipnotizada vendo o colorido transformar-se em negro e cinzas, antes o vermelho das chamas consumindo tudo. De repente sua mente perturbada a conduziu de volta para a lembrança com Thalia, mas excluindo o menino Perseu. Ela viu as flores ao redor da criança arderem em vermelho e dourado, os gritos de dor e desespero da menina ecoando e...

Os braços que a rodearam por trás eram fortes e ela ainda estava atormentada demais para reagir. O antigo buque agora eram cinzas e brasas se apagando no chão. Seu corpo então percebeu que o forte aperto vinha de Zeus e isso a fez lutar contra os braços que a rodeavam. Ele resistia firme, não queria soltá-la... Hera perdeu o equilíbrio e quando achou que cairia no chão ele a segurou, mantendo a mão nas costas e o rosto próximo. Ela inconscientemente se apoiava a ele fascinada pelos olhos, entregue aos toques, então quando a boca dele desceu para a dela, não se importou e correspondeu. Sentia tanto a falta dele e... Como quando mais jovens ele ergueu-a nos braços subindo as escadas cegamente, parando apenas para que ela indicasse o quarto. Deixando a na cama e deitando sobre ela, a mulher perguntou-se quantas vezes ele conseguiria dobrá-la daquela forma. Não era justo!

Ele beijou mais vezes até que ela perdeu a conta de quantos beijos de quantas carícias trocaram. Estava farta da saudade que a consumia, mas ainda...

–Não se cansou de me machucar, não é? – perguntou tentando não demonstrar toda a dor que a corroia por dentro.

–Eu não posso viver sem você. Não consigo, não suporto...

–Eu duvido de suas palavras, duvido de seus carinhos, de seus beijos... Eu não confio mais em nada que o envolva, Zeus. Seu nome e tudo que o envolve é veneno para mim.

Ele levou isso como um tapa na cara; no rosto dela uma lágrima desceu dos olhos e escondeu-se nos lisos cabelos. Ele levou a mão ao rosto dela traçando o mesmo caminho que aquela gota e tentou outra vez.

–Você é a única mulher na minha vida!

–Não. A única mulher na sua vida o despreza, te odeia como você ainda não percebeu.

–Você não pode sentir tudo isso por mim.

–Não estava falando de mim.

Ele ficou um tempo em silêncio remoendo as palavras.

–Thalia é jovem. Está apenas...

–Está apenas cansada da ausência do pai – Hera suspirou – Eu não posso culpá-la por isso. Afinal, quantas vezes você me deixou só, quantas vezes prometeu me recompensar pelo tempo perdido da mesma forma que fez com ela? Aposto meu sangue que Abelle sentia o mesmo em relação a você. E as outras? Disse algo assim para todas aquelas prostitutas ou...

–Pare. Já chega dessa conversa.

–Você não está na sua casa, Grace. Aqui você é um invasor, não dá qualquer ordem. – outra lágrima caiu daqueles olhos – Vá embora. Volte para aquela sua rotina ridícula na qual não lhe resta tempo para a família, mas sobra para mulheres desesperadas. – o rancor na voz dela o machucava.

–Por favor... – suplicava ele.

–Não sei por que insiste nisso. Você me machuca, me salva e logo depois despedaça meu coração de novo – a voz dela saía morta, em um sussurro angustiado, fiapos de dor que penetravam na alma de Zeus como agulhas – Eu sempre vou amar você – confessou; ele notou o movimento suave dos lábios ao pronunciar as palavras – Com toda a minha alma, com todas as forças... Mas não é o bastante. Você jamais vai me amar metade do que eu te amei e muito menos do que vou amar.

–Não – ele apertou-a com força, pressionou-a mais com seu corpo aproximando seu rosto do dela, acariciando seu pescoço – Eu não sei demonstrar o que sinto, sempre vou falhar nisso com você e com todos, mas eu te amo como jamais vou amar qualquer ser vivo ou morto!

–Você não sabe amar. Nunca soube!

–Então me ensine. Por favor, me ensine, me ensine a amar você – suspirou no pescoço dela enquanto a mulher brincava com seu cabelo – me ensine a não perdê-la mais, não suportarei...

Mais uma vez naquela noite, Zeus beijou-a como se o mundo dependesse daquilo... Mais uma vez, Hera acreditou no que sentia, desmanchando-se nos braços dele.

Notas finais
Só eu ou vocês sentiram a obsessão pela Thalia? O.o Me deu medo...