Gimme More

36 Capítulo 29


Notas iniciais
Peço perdão pela demora; agora essa semana será a última de aula então poderei me dedicar mais a fanfic (graças a Deus!); espero que curtam esse cap :D

Capítulo vinte e nove –

Eu não me lembrava de alguma vez ter visto a boate tão magnífica. Não que as outras decorações desapontassem ou algo assim. Mas havíamos nos superado dessa vez. Aquela uma semana foi intensamente trabalhada com as dançarinas, estilistas e o pessoal responsável pela decoração. Como um conjunto, estava tudo perfeito. Na área restrita aos homens divãs, almofadas, tapetes. O ambiente decorado com inúmeros véus, nem colorido demais, nem desprovido de cores, estava tudo em sincronia.

Antes mesmo das 18h00min já havia diversos clientes, embora não houvesse dançarinas, moças já circulavam. O grande segredo da nossa “prostituição” era que as putas propriamente ditas, não entravam por necessidade de dinheiro; faziam aquilo por prazer, pois gostavam, sabiam ser gostosas, e honestamente, por que não tirar proveito disso? Claro que todas assinavam que o contrato envolvia um sigilo absoluto, caso houvesse a quebra dessa norma o resultado era o sepulcro, mas isso nunca aconteceu. Também tem a questão da idade avançada, não? Mas a Máfia cobria o restante da vida delas depois dos 35 e ainda oferecia “empregos” em outros departamentos da nossa causa.

Então eu, as princesas e as outras ficamos nos arrumando pelo que poderia ser tempo demais para alguns, mas o vestuário indiano era uma arte completa; Rachel estava encantada com os detalhes, a minúcia. Deu muito mais trabalho do viemos admitir a escolha do figurino, pelas vestimentas mais comportadas ficava um tanto contraditório, mas talvez o mostrar pouco fosse o que mais instigava e isso convenceu a grande maioria. Ficou assim: peças curtinhas, pés descalços e poucas joias fizeram a vestimenta das meninas de programa; as dançarinas ficaram mais como as típicas dançarinas: a blusa curta mostrando a barriga frente única e cheia de brilhantes “pendurados”, aquelas calças cheias de babados e sapatilhas nos pés, pulseiras em ambos os braços e véus translúcidos que não escondiam totalmente os cabelos; nós cinco estávamos bem diferente das outras: Rachel havia passado dois dias inteiro nos ensinando a fazer as pinturas típicas, então desde as 17h30min estávamos desenhando nos pés, tornozelos, mãos e pulsos aquelas linhas finas, os desenhos tão abstratos e significativos, logo então a saia longa de um branco inacreditavelmente imaculado tinha uma fenda lateral bem discreta, afinal a intenção era cobrir as pernas, tinha ainda o que eu definia como uma corrente ao redor da cintura simulando um cinto que deixava pequenas pedrinhas de brilhante “caindo”, então o top colorido igualmente ornamentado de brilhantes, nos pés um salto finíssimo não muito alto, era tão delicado que quase não se podia vê-lo, os olhos cheios de delineador, as lentes violeta, e apenas duas mechas de cabelo presas em um pequeno nó. Estávamos lindas nos diferenciando pelas cores do top apenas: Clarisse estava linda naquele tom de laranja, nem claro ou forte demais; Rachel parecia em chamas devido o contraste dos cabelos alaranjados com o tom amarelo; Annie estava delicada em um tom de verde claro, suspeitava que a escolha do verde tivesse vindo devido um amante, mas não disse nada; Bianca não passava pelas cores claras: um rosa forte que me fazia lembrar a decoração do seu quarto, estava exuberante; eu por fim me sentia incrível naquele lindo tom de índigo, entre o azul e o violeta.

Claro que quando entramos roubamos a atenção. Naquela ocasião não tínhamos os postes de pole dance; eram desnecessários e apenas atrapalhariam. A música era envolvente e a dança bem detalhada, coreografada com esmero sem qualquer erro... Deus só podia estar curtindo com a minha cara! Mais uma vez vinha ele sem pressa, os olhos cravados na minha redoma particular... Luke na melhor das hipóteses cobraria outra explicação, na pior... Eu sabia que ele era esperto, mas não esperava tanto dele a ponto de descobrir o que era aquela filiação e o que eu representava para ela. Deixei o que poderia ser medo de lado e continuei a dançar: a música era tão envolvente... Ele deu seu jeito de expulsar um velho gordo do divã a minha frente e ficou ali, mais uma vez, admirando meu corpo esguio como uma serpente. Não é segredo que essa dança é bem sensual, de qualquer forma, levávamos aquilo a um nível diferente, tão ousado quanto inocente, um paradoxo atraente e perigoso. Quando nossos olhos se encontraram por uma fração de segundos ele ergueu a sobrancelha fazendo uma pergunta muda; respondi ainda em meio a dança, transformando o gesto em parte da coreografia, em sedução levei o dedo indicador as lábios pedindo silencio então deslizei o mesmo dedo pelo queixo, acariciando-me até a curva dos seios sobre o que o decote expunha. Não sei se foi impressão minha, mas vislumbrei-o estremecer.

Tocaram longas e incontáveis músicas, cada uma mais dançante que a outra. Não recordo o momento em que uma moça sentou-se no colo dele oferecendo a ele uma bebida. Eu dava voltas, virando-me para que todos que me cercassem me vissem de frente e de costas. Recordo do instante em que um homem de trinta e poucos anos já bastante embriagado atirou-se contra meu vidro: as mãos sobre a superfície, os olhos cravados em mim. Seu corpo deslizou até que estivesse sentado no chão, as mãos ainda na superfície da redoma, os olhos fixos em mim. Não me abalei, fiz minha parte: transformei mais uma vez o passo de dança, como uma cobra rebolei lentamente até o chão erguendo assim a barra da saia branca expondo minha perna até a altura do joelho, a sandália quase invisível e as tatuagens temporárias, pisquei para ele em sinal de cumplicidade. Ele quase babou, enquanto eu voltava a me erguer em plena dança foi levado por dois seguranças. Luke dispensou a menina depois que recebeu outra bebida. Uma última dança, um último detalhe com os dedos, uma última expressão de mistério e saí.

Clarisse já tinha saído há meia hora e conversava com Adrian, interessante o fato de que os poucos homens nossos na boate também se vestiam tipicamente; ele estava um gato daquele jeito. Bianca e Annabeth sempre eram as últimas: amavam dançar. Segui para o bar e comuniquei meu pedido, não recordo o nome da bebida, mas sei que era feita com vodka e sucos de cranberry e limão. Sempre que uma princesa deixava sua redoma e seguia para o bar ou para uma área onde simplesmente ficávamos deitadas em divãs sendo servidas como os clientes, apareciam de dois a dez seguranças para cada uma de nós; dependia muito do dia. Hoje não era diferente: quando três homens tentaram se aproximar foram barrados pelos cinco seguranças; quando vi Luke se aproximar comuniquei que ele podia passar, logo em seguida aquela barreira humana se fechou outra vez.

–Essa é a segunda vez que nos encontramos aqui, querida – sussurrou ele em meu ouvido, já sentado ao meu lado – Preciso de uma explicação.

Levei a bebida aos lábios tentando esconder meu sorriso.

–E porque precisaria de uma?

–Porque estou imaginando diversas possibilidades; cada uma mais chocante do que a outra... – ela se aproximou e o sussurro extremamente baixo, me arrepiou até a raiz dos cabelos – Eu não sei se aguento ver você dançar desse jeito para outros.

–E desde quando adquiriu sentimentos tão possessivos para com a minha pessoa? – outro gole, dessa vez deixei uma gota escorrer dos lábios, ao queixo e Castellan acompanhou todo o caminho que aquela gotinha vermelha seguiu até que sumiu entre meus seios. – Se eu dizer que somos amigos, acredite, isso é um passo enorme.

–Goste ou não você é minha, Th...

–Não ouse dizer meu nome – sussurrei agressivamente e ele recuou chocado; então graciosamente passei a mão nos cabelos – O certo, querido, é que você é meu para que eu faça o que quiser, mas eu... Ah, ingênuo, eu não posso ser de ninguém.

Levantei depois de um último gole caminhando em direção a um dos quartos. Parei e virei segurando a saia.

–Você vem? – perguntei ao rapaz que ainda me olhava pasmo; Luke levantou-se e seguiu comigo. No meio do caminho encontrei Ramiro vestido como um bom indiano; sorri para ele.

–Encerrou sua noite, princesa? – Luke notou a submissão na palavra princesa, provavelmente também percebeu minha satisfação.

–Vou voltar a dançar daqui a pouco. Tenho alguns assuntos para resolver antes. – dei por encerrada a conversa e guiei Luke pela mão até o melhor quarto, o mais afastado de toda aquela bagunça; o que eu mais amava é que o lugar, independente do quarto, não fedia a sexo. Quando Luke entrou, passei a chave na porta – Seja breve. – disse deitando-me na cama e tirando as sandálias para que meus pés descansassem.

–Você disse que... Não. Todos pensam que você foi sequestrada e, no entanto, te encontrei aqui durante o seu “cativeiro” e messes depois te encontro aqui de novo.

–Seja direto, Castellan. Não tenho a noite toda – disse deixando a lente sobre uma caixinha apropriada já cheia de soro fisiológico.

–Você mentiu para mim – acusou cruzando os braços e me olhando com os olhos cerrados. Gargalhei.

–Talvez. Não diga que nunca mentiu, querido, não combina com o momento muito menos com sua personalidade.

–Você não sabe nada sobre minha personalidade.

–Tem certeza? – ergui a sobrancelha; ele fraquejou. – Ninguém é capaz de conhecer plenamente outro que não a si mesmo, Castellan. Aprenda isso. Agora formule a pergunta que eu realmente quero e devo responder para encerrarmos nossa conversa.

Ele ficou mudo pensando em minhas palavras, entendendo-as, desmanchando-as e absorvendo cada palavra uma por uma. Logo perguntou:

–Se mentiu antes, digo, o sequestro... O que você faz aqui?

Fiquei quieta. Olhando para o tom branco da saia em contraste com a tinta escura da tatuagem do meu tornozelo. Meu coração batia rápido, talvez pela mentira que contaria... Bom, era incomodo, insistente, eu consegui ouvir meu sangue circulando até pelas orelhas; maldito nervosismo.

–Se lembra quando – hesitei – Quando saímos da minha casa para fazer um piquenique em um parque? – ergui o rosto olhando-o nos olhos, joguei um cacho de cabelo por sobre o ombro e passei a brincar com ele; Luke me olhava sem outra expressão que não a ansiedade.

–Quando me mostrou a adega do seu irmão e seus túneis?

–É, mas ainda quando estávamos no parque. Você me perguntou por que não me importava que roubasse.

–Sua resposta foi evasiva.

–Eu danço. Você já notou que não me dou bem com meu pai e irmãos. Tenho muito da minha mãe e preciso da arte em todas as formas e Zeus não aceita – ergui o ombro – Você rouba para se refugiar e eu danço em uma boate.

–Mas o sequestro... Não passou de uma armação?

–Zeus tinha entrado numa fase de proteção absurda na qual eu não podia respirar sem que ele soubesse; tivemos que agir de forma exasperada.

–Tivemos?

–Você com toda a certeza notou que eu sou, ah, a atração principal. Eles precisam de mim e eu preciso deles. É uma parceria.

–Você está escondendo algo de mim – ele se aproximou perigosamente da cama; minha pose de diva não se alterou, mesmo meu coração tendo errado um pulo.

–E quantas coisas você esconde de mim? – ergui-me de repente estando bem próxima de seu peito – Não pense que acreditei no “achei bonitinho” quando viu aquele estúpido desenho – abruptamente ele foi de pálido a corado; não me abalei – Seus olhos não reluzem por frases feitas, Luke. Vai dizer o que foi aquilo?

–Eu... – ele engasgou – Você não sabe? Como... – passou a mão nos cabelos – Como foi aquele sonho estranho? O que tinha nele?

–Por que isso te importa? – inexplicavelmente senti vontade de chorar; não derramaria nenhuma lágrima – Foi só mais um estúpido pesadelo do qual não me livrei ainda.

–Pesadelo? – perguntou a meia-voz; ele deu uma passo para trás – Olha só. Ta claro que nós dois não vamos conseguir esclarecer as coisas hoje.

–Que bom que entendeu. Não se atreva a contar o que viu aqui – ameacei-o com os olhos.

–Não sou o canalha que você acha que sou – retrucou grosso.

–Você não está assim tão bem na minha lista de homens adequados.

–E posso saber por quê? – sua aspereza estava me surpreendendo, mas não era nada que eu não pudesse fazer melhor.

–Deixe me ver – me fiz de pensativa – Talvez porque mesmo tendo uma namorada linda e fútil como todo garoto sonha, você a trai comigo. Isso é um motivo excelente para te jogar no fundo do poço.

–Pensei que traições não te incomodassem. – mas ele estava visivelmente abalado.

–Você não acreditaria em quantas vezes eu já fui a “outra” em algum relacionamento – afirmei sorrindo maldosamente – Mas depende muito do casal.

–Talvez eu só esteja com a Kelli porque...

–Para! – levei a mão às têmporas; estava me sentindo exausta – Não estou com animo para falar de vadias fúteis e desalmadas. Não me importa se estão ou não juntos ou se você a trai.

–Pensei que se importasse com a condição dela de chifruda.

–E você acha que não é um chifrudo também? – perguntei já sorrindo desdenhosamente da expressão surpresa – Ai, inocentes... – suspirei e voltei a colocar as lentes e calçar as sandálias – Vamos deixar uma coisa bem clara: eu não sei por qual motivo você entrou na minha vida esse ano, mas está fazendo muito mais bagunça do que eu esperava. Acho bom que pare com isso. – já novamente caracterizada, sorri jogando um cacho sedoso para minhas costas nuas – Espero que tenha uma noite agradável, senhor – abaixei ligeiramente a cabeça, absorvendo a surpresa dele ao perceber minha mudança na postura, comportamento, até da voz.

Deixei-o no quarto com a porta aberta e voltei para minha redoma. Fui a última a voltar para casa; dancei pelo menos até o sol aparecer como um risco no horizonte.

[...]

O inverno na escola era uma questão complicada: as meninas como um todo abusavam de meia-calças e casacos, suéteres e jaquetas coloridas; dos meninos não se tem muito o que falar. Como a escola tinha um bom aquecedor e eu ia e voltava de carro, usava meias 7/8 cada uma mais diferente do que a outra para variar, mas parecia ser regra todas usarem cores mais fortes e alegres. Eram as últimas semanas antes das tempestades de neve piorar, então lá estavam as provas. Naquele último dia eu usava uma meia branca com três listras pretas.

Era comum no ensino médio misturar as classes, montando todo um planejamento novo para encaixar os alunos; diziam que era para garantir que ninguém colasse, mas eu não confiava na eficácia daquele sistema. No fim Clarisse e eu ficamos na mesma sala, as outras não sei dizer, Luke teve a felicidade de não ficar comigo, mas notei bem a intensidade do olhar de Chris sobre uma Clarisse desavisada.

A facilidade com que fazia as provas era desgastante. Enrolava um pouco apenas, depois tinha que esperar o horário mínimo para poder sair da sala de aula.

–Celulares sobre a mesa – pediu uma professora baixinha e gordinha de cabelos bem cacheados; achei adorável aquele cabelo. Enquanto deixávamos nossos celulares sobre a mesa dela o diretor apareceu à porta.

–Com licença, professora Agate – disse com a voz filtrada – Alguns alunos estavam socializando muito entre si durante a prova, então vamos mudar um pouquinho o planejamento.

–Ah sim. Mas é claro, diretor – disse afobadamente – Todos já para os seus lugares para que tenhamos uma melhor visão de todos vocês. – rapidamente me dirigi a minha carteira; era a penúltima na fileira da parede próxima a porta. Eles discutiram um pouco em voz baixa depois falaram mais alto conversando com os alunos, falando sobre a conduta deles. Apoiei meus cotovelos sobre a mesa e logo estava esfregando as têmporas numa tentativa de afastar o sono e me manter lúcida.

–Ótimo. Senhorita Hyka, por favor, me acompanhe – a moça do segundo que sentava logo trás de mim levantou-se e – Senhor Castellan, por favor, queira ocupar lugar da jovem.

Mais que ótimo!

Foi sorteado um aluno de cada classe para entregar as provas; fui a escolhida da minha. Enquanto distribuía as provas sentia o olhar dele fixo em cada passo meu, prevendo meus movimentos, analisando cada um e todos os movimentos. Não consegui erguer os olhos para ele nem uma única vez. Não sabia o que veria e, honestamente, tinha medo do que poderia encontrar ali naqueles olhos.

Durante a prova foi a mesma inquietação. Nos meus primeiros anos de treinamento com a Máfia tive de fazer diversos testes de conhecimento, força, rigidez... Era capaz de ficar imóvel por longas horas, era ainda, mesmo não aparentando, tão forte quanto alguns homens, mais até julgando alguns que conheço. Mas aquilo, aquela sensação era tão incomodamente angustiante que não consegui me concentrar na folha de papel a minha frente. Foi preciso ler cada exercício três vezes pelo menos, e o conteúdo era tão simples! Eu conseguia sentir o rastro do olhar como pequenas aranhas deslizando sobre minhas costas... Apoiei o rosto nas mãos e nesse instante de agonia a borracha sobre a mesa caiu. Quando virei para trás ele já estendia o material em minha direção, estiquei a mão e logo senti o peso insignificante da borracha e... Aquele toque por menor que fosse, aquele simples encostar dos dedos dele nos meus... Meu coração estava quase na boca. Foi quando ergui os olhos para ele: Luke não parecia bem. Claro que eu tinha o evitado depois da boate, mas evitado mesmo: rejeitava ligações, comuniquei meu pai e irmãos que Luke não deveria aparecer para estudar e na escola passava reto, me livrava dos suaves apertos quando estávamos no mesmo recinto. Seus olhos estavam reluzindo em carência, abandono, em dor, olheiras bem marcadas, um rosto pálido... Puxei a mão rápido demais chamando atenção para nós dois.

–Algum problema ai no fundo?

–Não professora – virei-me sorrindo voltando logo a escrever o necessário para poder passar naquela prova. Nem dois minutos depois eu entregava a prova para logo o sinal bater e eu sair daquele cubículo confinado...

Em casa o clima estava bem leve contrariando meu sufoco de instantes atrás. Meus irmãos estavam todos reunidos na sala rindo... Rindo!

–Aconteceu alguma coisa? – perguntei estranhando o comportamento.

–Férias, cara Lia – comunicou Hermes.

–Viagem em família – informou Hefesto.

Ergui a sobrancelha esperando algo mais; foi Apolo quem respondeu.

–Tem sido um semestre bem desgastante para todos nós, principalmente para você. Papai organizou tudo. Iremos para a Austrália amanha cedo.

–Austrália? – perguntei já sorrindo. Existem tantos mafiosos lá...

–O pai acha que precisamos de um pouco de sol – disse Dionísio.

–Principalmente você, Thals – agora era Ares – Não gosto do inverno; te deixa ainda mais pálida.

Gargalhei e subi para arrumar as mala e informar o meu pessoal. Cheguei ao quarto e mal fechei a porta já tinha o celular em mãos. Enquanto chamava eu entrava no closet e ligava o Mackbook: tinha que saber o clima para o resto da semana no mínimo, e não era apenas por questões de moda.

–Querida, aconteceu algo? – a voz de Marcos para qualquer outra era insensível, mas eu sentia a preocupação escorrendo como a lava de um vulcão: quente e constante.

–Sim. Viagem em família para a Austrália. O que consegue para mim?

Ele gargalhou do outro lado, claramente aliviado em muitos sentidos.

–Princesa, você vai ficar encarregada de um grande esquema. Vou mandar alguém encontrá-la na... Em que cidade vai ficar?

–Ao que tudo indica, vai ser um tuor completo.

–Sim. Sidney, talvez? Conseguiria ir até a Tasmânia?

–Se eu não for a Tasmânia, farei um escândalo.

–Então escute com atenção...

Notas finais
... E então??? O que esperar disso?