Gimme More
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Capitulo dezesseis —
A boate estava linda. Havia muitas luzes coloridas, mas o ambiente continuava carregado em mistério como se não houvesse luzes. A música soava alta; as batidas provocantes instigavam meu corpo a dançar, mesmo que não fosse à hora. Sempre mantínhamos separadas as dançarinas das prostitutas de modo que só havia putas andando e as dançarinas (incluindo nós cinco) estávamos nos arrumando nos fundos da boate.
As moças usavam modelos fio dental bem coloridos. Elas quatro usavam modelitos pretos mais “comportados”: em si eram colans bem justinhos e provocativos. O meu se diferenciava por ser branco.
–Queridas – Adrian, o segundo na base de controle da boate – Trouxe a encomenda. – ele distribuiu uma caixinha para cada uma de nós. Eram lentes de contato. – Cada uma recebeu uma tonalidade diferente por conta da cor natural de vocês – ele explicou – Quando colocarem o tom de vocês será idêntico.
Ele saiu enquanto nós cinco colocávamos as lentes. Assim nossos olhos admitiam uma tonalidade linda de violeta. Nós não podíamos correr o risco de nos mostrar sem as lentes: meus olhos e os de Annabeth eram bem chamativos e muito facilmente associados as nossas famílias. Fizemos a maquiagem e colocamos máscaras também pretas (novamente, a minha branca), calçamos os sapatos e fomos em direção a nossa boate. O som dos saltos finos era música para mim.
Havia pequenos palcos circulares e individuais espalhados pelo ambiente com uma barra de metal no centro. Cinco deles tinham uma espécie de redoma de cristal em volta, proibindo o toque. Óbvio que eram os principais palcos, óbvio que eles eram nossos. Em raras vezes era permitido a um cliente dançar em uma redoma com a garota.
Voltei meu olhar para as meninas. Havia uma grande diversidade de raças, cores, personalidades. Passamos a tarde conversando com as meninas conhecendo-as melhor e combinando os horários dos próximos ensaios com o nosso maravilhoso coreógrafo. Sakura, uma japonesa de cabelos longos e um corpo até curvilíneo considerando sua descendência; Sabrina, a típica beleza brasileira: pele beijada pelo sol, adoráveis olhos castanhos e madeixas onduladas como as ondas do seu litoral; Ayala, árabe de olhos esmeraldas hipnotizantes. E muitas outras estavam ali já dançando conforme ensaiado.
Pelo corredor de entrada vi entrarem jovens homens estranhamente conhecidos. Soltei uma exclamação de surpresa quando reconheci aquele grupinho. Era a “elite” dos garotos do meu colégio. Segurei as meninas e apontei: reconheci Jackson pelos olhos, os cabelos do Castellan e pensei ter visto Chris Rodrigues, o garoto avançado em mecânica.
–Não falem, garotas. Todo o cuidado é pouco – Annie preveniu.
As luzes se apagaram. Era a nossa vez: íamos por uma entrada exclusiva no andar de cima, assim nós já descíamos dançando nos postes. Clarisse foi a primeira a descer quando as luzes focaram na sua jaula. Ela sempre ficava nervosa por isso sua dança individual durava menos. Rachel desceu e as luzes de Clarisse se apagavam enquanto as da ruiva se acendiam. Os aplausos e vivas aumentavam na velocidade em que fomos descendo. Depois de Rachel, Annabeth e logo Bianca; eu sempre ficava por último.
Enrosquei minha perna no cano prateado e desci sedutoramente. Era tão gostoso dançar dando meu melhor. Descendo, subindo e rebolando eu só ouvi assovios e aplausos, chamados grosseiros e excitados. Luke Castellan vinha caminhando até a minha redoma os olhos fixos em mim. Como na tarde com Will, meu desejo de provocar pareceu crescer. Enquanto ele se sentava no único assento disponível eu me mexia de forma esguia, esfregando minhas curvas na barra. Depois de quatro músicas inteiras sem nenhum de nós desviarmos o olhar, o impossível aconteceu: as portas das redomas se abriram.
–Agora, nós notamos que as nossas moças estavam interessadas em alguns homens específicos – comunicou o responsável pelo som – Então convidamos vocês cinco – ele apontou para cada garoto do meu colégio; Bianca ficou com Will Solace e Rachel ficou com Michel Yean: dois gatos – a entrarem na redoma com as suas damas especiais. Mas lembrando que são elas quem decidem o que vale ou não.
Droga! Droga, droga, droga. Luke conhecia meu toque. Isso só poderia acabar em merda.
Ele entrou devagar quase sem piscar. A porta se fechou e quando só havia a barra de metal entre nós, ela subiu em direção ao teto. Que ótimo. Bom, eu não podia ficar ali parada. Pus uma mão em seu ombro e me movimentei como quem dança tango com um inexperiente. Parei as suas costas lhe acariciando o interior da perna com o meu saltinho branco. Ele gemeu.
–Você parece um anjo – sua voz aveludada por desejo me fez sorrir. Continuei fazendo o possível para dançar sensualmente sem realmente tocá-lo... Mas não deu; eu sabia que só estava adiando o inevitável. Desabotoei o primeiro botão da sua camisa e passei a mão por seu pescoço. Vi seu olhar ficar confuso. Tentei não me estressar. Abri todos e Luke me puxou contra si como já havia feito muitas vezes antes. Seu nariz contornou a curva do meu pescoço como para sentir meu cheiro. Graças aos brilhantes cientistas da Máfia, havíamos passado pelo gás e passado um perfume desenvolvido especialmente para a boate. Não havia qualquer resquício do perfume de Thalia Grace.
–Eu te conheço? – prendi minha perna esquerda ao redor de sua cintura acariciando seu rosto... E sorri; eu não falaria ou confirmaria com um gesto de cabeça. Insatisfeito, ele desceu beijos do meu pescoço até o que o decote expunha dos meus seios. Seus olhos brilharam quando ele alcançou tal região. E não era exatamente por prazer.
Luke foi obrigado a sair quando a música acabou; ele me olhava de forma acusatória. Sai da redoma e comuniquei que não dançaria mais hoje. Andava para perto de Ramiro, que hoje estava tirando fotos das moças dançando para uma futura publicidade ou algo do gênero. Parei ao seu lado e recebi um drinque de pêssego. Luke caminhou até nós. Apertei o pulso de Ramiro indicando que ficasse esperto. Castellan se dirigiu ao fotógrafo.
–Permite que eu leve esta moça para um quarto; acho que temos assuntos para conversar.
–Se não incomodar a moça. – ele olhou para mim percebendo que eu estava em perigo – Tenha em mente que ela é filha do chefe deste lugar, rapaz. Qualquer errinho seu e diga adeus à vida. – com isso ele queria me dizer que avisaria Marcos de que algo havia dado errado.
Luke assentiu. Ergui uma sobrancelha por costume; peguei-o pela mão, sorrindo e levando-o até o melhor quarto. Expulsei dois seguranças com um aceno de mão e entrei no quarto luxuoso. Castellan me empurrou contra parede e trancou a porta.
–Vai me dizer seu nome? Ou eu tenho que dizer? – fiz cara de confusão – Vamos fale, Thalia!
Encolhi-me contra a parede e continuei com a expressão em meu rosto.
–Por que não responde?
Bati a mão na garganta duas vezes: eu sou muda; disse depois em linguagem de sinais. Ele recuou assustado.
–Vamos! Fale. Sei que é você... – ergui os ombros e caminhei até a cama. Ele tentou me agarrar, mas eu não era mais uma Grace ali, eu podia me defender: imobilizei-lhe o braço e o joguei sobre a cama me sentando sobre ele. – É você mesma... – dessa vez ele disse pasmo; droga! Não tinha mais como esconder.
Tirei lentamente a máscara de penas brancas e com cuidado tirei as lentes violeta. Luke me olhava encantado. Voltei a sorrir, me deitando sobre ele.
–Você é tão burro, Castellan...
–Seu pai é dono daqui? Como Zeus...
–Parece que você não prestou atenção nas minhas palavras – ele arfou quando minha boca chegou a seu pescoço – Sabe que Zeus não tem nada com esse lugar.
–Por que te sequestraram? Estão maltratando você? Está sendo forçada a isso? Espera! – ele gemeu enquanto eu descia os beijos por todo o seu peito. Encontrei o fecho de sua calça e comecei a abri-lo.
–Vou te explicar tudo, mas não posso fazer isso hoje. – apertei seu membro por cima da cueca enquanto sussurrei em seu ouvido.
–Não... Não faça isso... – ele gemia tentando parar minha mão que o masturbava subindo e descendo em seu pênis; era óbvio que ele queria conversar sério e era evidente que não conseguiria assim. Era perfeito – Ah, Thalia... Quantas vezes você têm que me torturar?
–Quantas forem preciso, Castellan.
Levantei puxando-o junto de mim até encurralá-lo contra uma parede. Ele segurou meus cabelos com força.
–Não, Thalia. Nós vamos conversar...
–Não é isso o que você quer desde que se lembrou da festa do Jackson? Não quer que eu termine o que comecei? – assoprei no seu pênis; Luke se contorcia.
–Não... Não podem...
Abocanhei seu membro enquanto ele gemia. Luke não conseguiu resistir nem nos primeiros dois minutos. Assim que viu que não podia lutar, ele agarrou meus cabelos me conduzindo na velocidade em que queria. Seus olhos rolavam de prazer; dessa vez eu permiti que ele chegasse ao orgasmo.
[...]
Eu observava Luke dormir com um braço algemado a cama. Estava esperando há duas horas a visita de Marcos; eu precisava de seus conselhos. A porta se abriu me dando a visão do Rei da Máfia.
–Por que está sem as lentes? — sua voz soava dura.
–Ele me reconheceu da escola.
–E os outros garotos?
–São tontos demais. Luke sempre foi mais esperto que eles, mais detalhista...
–E como você permitiu...? – dei o nome do DJ que nos colocou nessa situação e Marcos rabiscou alguma anotação no pulso. O homem com certeza seria punido.
Marcos suspirou.
–O que quer fazer? Sabe que o silêncio completo e verdadeiro só se é comprado com um bom tiro na testa.
Eu podia mirar um revolver em sua testa e meu segredo estaria salvo para todo o sempre, mas... Eu sentia que não conseguiria atirar nele. Cruzei os braços. Luke podia ser útil, mas ele não podia saber disso.
–Não posso matá-lo – respondi fitando aquele corpo adormecido. O peso dos olhos de Marcos estava me incomodando; meu adorado pai me olhava de uma forma estranha e diferente – O que foi?
–Nada, princesa – ele me beijou a testa, sorrindo de lado – Ainda não há nada com o que você precise se preocupar.
–Ainda?
[...]
Eu estava encolhida na poltrona com medo, lágrimas me escorriam pela face. Lá estava ele gritando e me ameaçando.
–Vadia, acho bom ele não mandar nenhum recado por você!
–Ele não vai. Eu juro! – minha voz soava trêmula; Adrian me olhava de uma forma que me fez encolher o corpo ainda mais.
–Acho bom mesmo. Você não vai sair daqui até que seu paizinho pague pelo resgate. – ele se aproximou e me puxou para perto de si, cheirando meu pescoço – até lá você vai me render muito dinheiro. – gemi em meio ao choro – Dê um jeito dele ir embora em silêncio... Ou eu dou.
–Não!
Ele saiu rindo maleficamente.
–Thalia?
–Luke? – eu enxuguei as lágrimas de forma apressada – Desde quando está acordado?
–Por que está fazendo isso? Eu preciso contar para... – corri em sua direção tapando-lhe a boca.
–Por favor, por favor, Luke! Não diga nada. Eu nem sei o que vão fazer comigo se você contar...
–Mas você...
–Vou ficar bem enquanto ninguém souber de nada. – ele me puxou para seu colo com a única mão livre; comecei a livrá-lo da algema.
–Não posso deixá-la aqui!
–Shii. Escute com atenção. – olhei ao redor e sussurrei em seu ouvido – Eles nunca me deixam duas vezes no mesmo lugar, amanhã serei transferida para algum cativeiro e de noite eles me deixam dançar para eu não ficar tão entediada.
–Entediada? Como eles podem se preocupar com isso? – estapeei seu ombro.
–Por que eu sou valiosa e meu bem estar é tudo para eles. Agora não interrompa. Nunca sei aonde vão me colocar, mas dentro de quatro dias eles vão me deixar nesse endereço – peguei uma caneta vermelha de ponta grossa e escrevi em seu peito – É nesse dia que meu irmão deve agir, entendeu? Não diga sobre esta boate ou que eu fui forçada a dançar. Luke? Você entende? Eles só podem ir nesse endereço dentro de quatro dias. Até lá eu sou uma prisioneira.
Ele me apertou contra ele. Agarrei seu pescoço.
–Não existe mais nada que eu possa fazer? Por favor, Thalia. Diga que tem algo mais.
Voltei a chorar em seu ombro.
–Vai embora. – disse enxugando mais uma vez minhas lágrimas – Eu vou ficar bem. Dê este endereço ao meu irmão apenas na noite anterior, ok? – ele assentiu; meu estômago se agitou no instante em que Luke passou pela porta.
–E então, meu bem? – Adrian entrou sorrindo e me encontrou com o olhar ainda vidrado na porta – Já está tudo preparado para quarta-feira? O menino vai cumprir com o planejado?
–Está. Ele vai cumprir sim. Ninguém consegue resistir a uma ordem direta minha – ele sorria maldosamente como eu.
[...]
...Não sei bem como descrever a agitação que me consumiu quando Castellan se afastou, passando pela porta. Ele é esperto o suficiente para fazer o que eu disse. Incomoda-me não saber como chamar essa sensação de desconforto. Interessante foi o fato das meninas escaparem dos pais com facilidade. A televisão não parava de falar em meu sequestro e muitos pais entrevistados proibiram a saída dos filhos. Elas são espertas demais para os velhos.
Logo a nossa diversão vai começar, mas vai acabar muito cedo para mim. Tenho certeza de que Ares vai me buscar no instante em que Luke entregar o recado. Vai ser engraçado testemunhar a reação deles, mas não quero deixar a Máfia; sei que quando deixar este lugar serei ainda mais protegida e guardada do que antes. Talvez não seja tão ruim. Posso subornar Zeus me fazendo de vítima e conseguir um cachorro.
Mas esses quatro dias serão divertidos... Muito divertidos!
Fechei o diário com um sorriso no rosto e rolei no colchão. Estava tudo maravilhoso.
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