Gimme More

13 Capítulo 13


Notas iniciais
~oi~

Capitulo treze —

Minha casa é grande demais para eu saber como denominar cada cômodo, então estávamos Clarisse, Rachel e eu em alguma sala com uma mesa mediana cheia de roupas: peças jeans, blusas de malha e muitos aviamentos. Teresa estava junto de nós nos ajudando a customizar peças de roupa. Rachel era a mais habilidosa.

A TV estava ligada no noticiário.

“-... O prejuízo foi de milhões de dólares e a policia ainda não sabe bem como os assaltantes chegaram a conseguir construir um túnel tão bem articulado..."

Parei de prestar atenção.

Nós riamos pregando botões, tachas e tingindo tecidos. Eu preferia roupas customizadas a roupas de marca, mas eu sou a "filha perfeita", "uma Grace", "a menina de Abelle". Nunca Zeus admitiria eu usar roupas assim o tempo inteiro. E por ordens, eu não podia confrontá-lo tanto.

Ainda não.

–Mas que bagunça é essa? — o timbre era tão fresco que instintivamente, franzi o nariz em desgosto.

–Pensei que você tinha cansado dessa família e ido embora — rosnei para Hera sem tirar os olhos das roupas em minhas mãos.

– Fedelha mimada! Fiz uma pergunta...

–Está pensando que é quem para exigir uma resposta minha? Você não é nada além de uma vadia mendigando por um amor que nunca terá. — falei normalmente, mas a ruiva e a morena tiveram ataques de riso; Teresa estava se escondendo no fundo da sala.

–Do que está falando?

–Que estou cansada de ver você tentando agir como Abelle. Você não é como ela, não é melhor do que ela e nunca será nem metade do que ela era. — lhe sorri docemente — Aceite que você é apenas mais uma vaca perdida e sozinha no mundo. Garanto que depois vai doer menos.

O rosto da mulher ficou tingido de vermelho. Os cabelos lisos e loiros estavam presos em um elegante coque e suas roupas eram mais formais. Deveria ter estado em algum lugar com fotógrafos em algum evento beneficente. Era muita falsidade para uma mesma pessoa.

Gosto da Máfia não apenas pela adrenalina de cada novo risco, mas porque somos como Robin Hood: tiramos dos ricos e dos que roubam para nada para distribuir a quem precisa. Lógico que ficamos com grande parte do dinheiro, mas não somos egoístas. Somos "donos", de uma forma indireta para não se levantar suspeitas, de quase todos os centros de ajuda de países subdesenvolvidos. ONGs também fazem parte do nosso sistema. Nosso mais recente projeto tem sido uma escola de arte aqui em NY para crianças e adultos que queiram se expressar sem censura. Óbvio que foi uma iniciativa da Rachel. Gosto de uma escola em particular em que todos os alunos sem qualquer excessão são diciplinados, têm aula o dia inteiro, mas saem de lá com um conhecimento profundo sobre o mundo, saem de lá já com vontade de fazer a diferença. Saem de lá como Mafiosos.

–Vai se arrepender por ter dito isso para mim...

–Ainda está aqui? — me surpreendi verdadeiramente. Era tão maravilhoso pensar na minha vida longe dos Grace que eu me perdia no tempo.

Hera foi embora.

"... — Foram entrevistados diversos pedestres da cidade perguntando sua opinião sobre o mais recente roubo:

– Senhor, o que acha dessa artimanha tramada pelos criminosos?

–Foi algo muito interessante de se ver. Eles certamente são bem mais espertos do que todos nós...

– Moça, o que você achou do mais recente roubo?

–Foi espetacular! Nunca se viu tamanha engenhosidade!

–As pessoas nas ruas estão cada vez mais maravilhadas com o roubo. Muitos concordaram que não foi um crime grave por não haver mortes ou feridos..."

Inconscientemente, sorrimos.

Era maravilhoso ser reconhecida... Mesmo indiretamente.

[...]

–Nossa, Katie! Você andou sumida. Por onde esteve? — perguntei me sentando a mesa junto dos meus irmãos; Hera e Zeus logo chegariam.

A menina ficou vermelha.

–Eu... Bom, andei saindo com um cara... — meu queixo caiu. Eu deveria ter suspeitado. Katie andava sumida e quando estava presente estava ausente de espírito.

–Não creio...

–Por favor, Thalia! Não conte nada a minha mãe... Ela... Ela nunca o aceitaria.

–Relaxa flor!

Era para ser um almoço agradável, mas não foi. Hera chegou colada a Zeus de uma forma repulsiva e vulgar. Meu paizinho também não estava confortável com isso. Escondi um riso de desdém.

Antes de nos servirem, um Zeus carrancudo jogou diversas revistas sobre a mesa. O som foi bastante incomodo. Ele começou a empurrá-las para mais perto de mim. Não olhei para o papel, encarei o homem a todo o segundo.

–Faça o favor de explicar o que foi isso.

Olhei para baixo. Todas as revistas envolviam na capa meu rosto em choque (ou medo) e dois homens brigando no chão. Os títulos eram bizarros para mim: “Rapazes disputam o amor de Grace" "Thalia Grace é surpreendida por briga em parque" " Atacada: até onde a menina perfeita de NY consegue suportar ataques de paparazzi?".

Tentei não sorrir.

–Eu acho que essas manchetes são bem claras. Não tenho nada a explicar.

–Como... — ignorei Zeus.

–Ares, você os encontrou? — fiz uma cara um pouco assustada — Ainda é desconfortável sair de casa quando penso neles. São repulsivos!

–Já. Não se preocupe, pai — ele desviou o olhar para Zeus — Esse moleques que atacaram a Lia já foram repreendidos.

Um silencio tenso preencheu meu ar.

–Você não vai mais sair de casa...

–O QUE?

–Você não vai mais sair sozinha...

–Você não pode me obrigar a ficar aqui trancada nesse inferno!

–Inferno? Como pode chamar a sua casa de inferno? Você perdeu o bom senso, menina?

–O bom senso? Esse lugar está sobrecarregado de pesadelos! Não vai me prender nessa casa mais tempo do que o necessário...

–Não se atreva a...

–A quê? A ir embora? Sair da mesa deixando-o frustrado?- levantei e vi de relance Hermes suspirar — A fazer o que quero? Você não me dá nada do que quero ou preciso, como espera que eu o obedeça?

–Como não dou nada do que você quer? Olhe tudo o que tem envolta...

–Porcarias!Nunca quis nada disso e você é burro demais para compreender.

Afastei-me da mesa, mas ouvi o grito de Zeus:

–Volte aqui, mocinha! Me diga o que você quer!

–MINHA MÃE! – meus olhos lacrimejaram.

Meu berro final mergulhou a casa em silêncio. Não um silêncio tenso, mas um triste e pesaroso. Eu nunca tive a chance de conhecer minha mãe. Todos sabiam disso. Zeus estava de pé com os olhos arregalados e tristes, o rosto pálido e com as mãos tremendo. Abelle era um assunto delicado para todos, principalmente para Zeus e para mim. Ele sabia que tinha culpa em sua morte... Mas não sabia que eu sabia.

Nunca tinha me dado conta disso, mas era verdade. Eu queria minha mãe ao meu lado. Ela compreendia como Zeus era, compreendia como doía esperar toda a noite por uma palavra doce ou um beijo na testa de "boa noite" e não receber nada além de vagos olhares e poucas palavras secas; sem a menor dúvida: ela não me julgaria como Maria DiAngelo julgou Bianca. Contudo, eu não consegui também manter um amor por Abelle. Como ela havia sido capaz de se afogar em álcool? Ela foi egoísta demais. Não pensou nos filhos, pensou apenas nela.

–Por que você não pensou no divórcio? Por que não pegou seus filhos e foi embora? – perguntei em voz alta, mas já isolada no meu quarto. Eu sabia que aquela estúpida palavra estava no meio. “Amor”. Os olhos banhados em lágrimas contraditórias e inúteis – Não vou chorar. Não vou chorar. Não vou – balancei a cabeça de um lado para o outro. Eu não a entendia. Não compreendia sua dor e ela não estava ali para compreender a minha. Palavrinha inútil!

–Thalia, abre a porta.

–Não.

–Abra já essa porta! Precisamos conversar...

–Vai embora! — era para o meu tom grosso ter sido raivoso, mas saiu trêmulo como o de uma garotinha tristonha qualquer que corta seus pulsos ou que abraça o urso de pelúcia com força. Puxei meus cabelos para longe do rosto; eu não sou assim, não sou. Minhas mãos tremiam e eu mal consegui segurar o celular; Zeus continuava batendo na porta.

–Me tira daqui — minha voz de choro não foi disfarçada assim que se dignaram a atender — Por favor! Me tira daqui.

Solucei.

Corri pelo quarto pegando as chaves escondidas e então puxei meu baú. Meus preciosos diários estavam lá. Cada um único e mais especial do que o outro. Era minha vida. Peguei o mais recente e uma caneta de plumas azuis e pretas; joguei-os em uma bolsa sem marca alguma. Parei em frente ao espelho do closet.

Minha imagem era tão estranha. Meus cabelos estavam bagunçados e um rabo mal feito, meus olhos estavam avermelhados por eu ainda estar segurando lágrimas e minhas roupas não era lá muito bonitas para sair... Ora, mas não estou querendo agradar Zeus! Short surrado, regata desbotada e chinelos. Sem qualquer acessório, qualquer maquiagem.

Era apenas Thalia.

Abri a porta tão rápido e de forma tão repentina que Zeus quase caiu; havia me esquecido da sua presença incomoda. Com a bolsa batendo na lateral do corpo desci correndo as escadas e atravessei a porta ouvindo gritos de Zeus e de todos os outros. Eu não suportava essa casa; não aguentava mais aquela prisão!

Na frente do portão um carro preto estava parado a minha espera. Os vidros cobertos por insufilme me impediam de ver quem dirigia. Entrei no carro antes que algum dos meus irmãos conseguisse me alcançar. O carro saiu cantando pneus e a mansão se perdeu bem longe da minha vista.

Não vi o motorista; podia ser qualquer homem que eu não me dei à importância de saber. Encolhida no banco de trás, não deixei nenhuma lágrima cair e reprimia os soluços a cada segundo. A sede da Máfia deveria ser visível, mas nada além de borrões fazia sentido. O motorista abriu a porta e me ajudou a descer; guiando-me pelo cotovelo com uma gentileza forçada meus olhos encontraram Marcos preocupado e impaciente na porta dos elevadores a minha espera.

Não pensei, apenas agi. Passei os braços ao redor de seu pescoço abraçando-o com força, como se eu fosse perdê-lo se me atrevesse a soltar. Ele envolveu-me com a mesma intensidade. Meu corpo se movia de forma involuntária pelos soluços quando Marcos me pegou no colo como se eu fosse apenas uma criancinha boba.

Estava começando a achar que eu era.

Não vi por onde passamos, por quais corredores ou se alguém me viu naquele estado tão lastimável. Chegamos a um quarto escuro; fui colocada gentilmente na cama, uma delicadeza que nunca se esperaria de alguém como ele. Deitado ao meu lado, Marcos puxou meu corpo para mais perto e meu rosto para seu peito. Suas mãos afagavam meu rosto, alisavam meus cabelos e desciam pelas minhas costas, mas meu rosto continuava seco.

– Ele... Ele... – um soluço me faz perder o fôlego – Ela...

–Eu sei, minha pequena. Eu sei... Chore; sei que quer chorar. Eles nunca serão dignos de lágrimas suas, então chore por você mesma... Não precisa ser forte o tempo todo.

Meu rosto antes seco agora estava úmido, mas continuei cega mesmo assim. Aninhei-me ainda mais a Marcos buscando carinho, proteção... Não havia como negar: para qualquer um que visse, Marcos era meu pai e Zeus apenas um estranho parecido.

–Eu te adoro, Marcos. – sussurrei depois de minutos infindáveis fechando os olhos.

–Eu também, minha filha. – seus lábios ásperos foram à última coisa que realmente senti.

[...]

Não fui para a escola no dia seguinte.

Marcos me surpreendeu com um simples café na cama e alguns livros sobre a escrivaninha no canto direito do quarto. Aquela era uma gentileza que o meu pai biológico nunca teria. Assim que saiu pude tomar um bom banho. Não podia parecer tão relaxada na Máfia, mas não era obrigada a vestir salto e blazer. Optei por algo mais “Thalia”: vesti uma meia arrastão, coturnos e um “vestido” que era curto o suficiente para parecer uma blusa. Graças aos deuses, meus olhos não estavam vermelhos ou inchados; passei a costumeira sombra preta e coloquei bastantes acessórios. A imagem na frente do espelho me surpreendeu de muitas formas. Era a primeira vez que eu me sentia totalmente Thalia. Não a Thalia dos Grace ou a Thalia da Máfia... Era apenas eu.

A manhã que eu perdi na escola foi inesquecível; foi muito mais produtiva do que teria sido normalmente. Fiquei sabendo que nosso sistema de túneis estava indo muito bem e que por volta do próximo semestre eles logo alcançariam o Texas. Meus professores de química e física me deram lições valiosas (testamos cada teoria de um jeito bem Máfia de ser). Marcos me deu as aulas de educação física: lutamos boxe e ele prometeu que alguém me levaria a um campo de tiro muito em breve.

Ocorreu-me algo que eu queria perguntar desde os doze anos de idade...

–Marcos, você nunca sai daqui?

Ele deu um sorriso estranho. Estávamos no seu escritório enquanto conversamos livremente sobre nossos feitos antigos, novas possibilidades de ONG´s ou algo assim.

–Faz anos que espero você me perguntar isso.

–Então...

–Você talvez seja muito nova para compreender, mas também é sabia demais para a idade que tem – ele completou devido a minha careta de desgosto – Sacrifício. Fiz uma escolha da qual não me arrependo, mesmo que ela me incomode até hoje.

Entendi antes que dissesse. Marcos não podia ser alguém sozinho. Ninguém é verdadeiramente sozinho por muito tempo.

–Sua família... – minha voz soou pesarosa e ele assentiu. Não era porque a minha família era uma droga que a dele também seria. Embora a grande maioria das pessoas que eu conhecia não tivesse uma família decente.

–Meu sobrinho, um garoto fraco de saúde, quase inútil, mas ainda era da família. Ele só tinha a mim... – Marcos fez uma pausa como que recordando as feições do parente para logo em seguida rever um episódio de dor – A policia nunca desiste fácil de nós, minha pequena, isso você com certeza já sabe. Mas até onde acha que oficiais como seu irmão Ares estão dispostos a ir?

Meu silencio foi tudo o que não me atrevi a dizer. Ares não teria qualquer problema em passar por cima de ninguém... Mesmo que para isso fosse necessário usar uma criança.

–Meu sobrinho foi colocado em risco. Eu era o homem mais perseguido no país e eu sabia que logo os países mais distantes conheceriam meu nome e minha história. A criança não tinha condições de viver essa vida comigo e a policia não hesitaria em matar o menino se fosse preciso. Forjei minha própria morte e sumi da vista dos tolos e ingênuos. A criança vive com uma família adotiva na Austrália.

Minha mão pousava delicadamente sobre meus lábios. Não, eu não compreendia verdadeiramente o sentimento que levava Marcos a abrir mão da vida, mas eu sabia que essa era uma atitude digna do amor de um pai ou de uma mãe. Nunca tive bons exemplos vindos desses lados, mas isso não quer dizer que eu não sinta a intensidade das palavras de Marcos.

–Admiro o que fez, Marcos. Duvido que alguém que eu conheça faça uma escolha como essa.

Ele sorriu, um sorriso tão somente meu.

–Muito lhe agradeço, pequena.

Inclinei a cabeça para o lado. Relembrei aquela conversa com Luke no motel quando eu revelara um temor meu, talvez uma angustia. Eu nunca seria capaz de amar alguém. Mas e se eu fosse? E se no mais fundo de mim ainda existe um sentimento puro e bom? Eu tinha certeza de que nunca daria certo.

–Sei o que deve estar pensando, Thalia. – a voz dele me trouxe de volta ao presente – Não nascemos para amar, não é? Pensei assim durante um tempo... Hoje eu discordo.

–Como podemos ser capazes de amar? Estaríamos colocando a vida da pessoa em perigo. Teríamos que fazer sacrifícios e... – Marcos sorria; suspirei – Pra que serve o amor? Esse sentimento bobo com que toda menina e garoto fútil sonham?

Sua sonora gargalhada me acalmou a alma.

–Para absolutamente nada, meu bem.

[...]

Não queria ir para casa. Realmente não queria.

E não fui.

Passei mais uma noite no meu quarto da Máfia, o sonho perturbado por pesadelos em que meus pais biológicos gritavam comigo, onde uma Hera me maltratava e eu não passava de uma garotinha boba de seis anos, assustada demais para reagir... E a boneca. A minha tão amada boneca sempre acabava em pedaços sobre o chão.

Não tive escolha senão ir para a escola. Durante todo o dia anterior meu celular permaneceu desligado e não me atrevi a ligá-lo hoje. Vesti o uniforme da escola (saia curta azul marinho, camisa social branca, meias até próximo aos joelhos e os saltos medianos delicadinhos) já que só era permitida a primeira semana sem eles.

Tive o prazer de ser transportada pelos gêmeos que me alegravam o longo caminho com piadas do cotidiano, dos roubos quando pequenos e das caretas da mãe quando os pegava no flagra. Cheguei ao pátio andando normalmente, mas recebendo alguns olhares estranhos. Fui empurrada contra um corredor vazio e sem uso aparente longe de olhares suspeitos. Era Luke.

–Meu deus! O que foi isso?

–O que aconteceu naquela festa do Jackson? – seu tom era profundo e rouco; ele parecia querer lembrar algo e não conseguir. Sorri maliciosamente para ele.

–Por quê?

–Deuses, Thalia! Não seja má. O que aconteceu naquela festa? – ele me prensou ainda mais contra a parede branca e fria. Sua respiração batia em meu rosto e eu quase podia sentir o seu acelerado coração pulsar.

–Você ficou bêbado. Todos ficaram bêbados. O que mais quer que eu diga? – continuei sorrindo sem me importar com o aperto em meus pulsos. Às vezes a dor era prazerosa.

–Sei que aconteceu alguma coisa. Eu tenho sonhos e... Nós dois... – continuei sorrindo devido a sua frustração – Droga! Por que está me fazendo passar por isso? Por que é tão má?

–A culpa não é minha se você tomou todas e já não se lembra de porra nenhuma. Não vou dizer nada, primeiro porque não quero e segundo porque não há nada a ser dito.

Livrei-me do aperto, mas me aproximei dele por conta própria, fazendo cada palavra fria bater em sua face inclinada para mim. Ele ficou com os olhos cerrados brilhando em contradição.

–Não é culpa minha.

–Eu vou me lembrar do que aconteceu naquela noite.

–Claro que vai – disse com desdém; era muito difícil alguém conseguir se lembrar de uma noite inteira depois de ter bebido muito mais do que poderia ter bebido. Além do fato de já ter passado muito tempo...

–Não desdenhe, princesa – contrai os lábios na hora; ele havia feito de propósito – Vou lembrar sim. Vou lembrar e se possível fazer você lembrar dela também.

Suas palavras foram firmes, mas ásperas. Voltei a colidir com a parede; suas palavras me atingiram bem mais do que sei dizer. Cruzei os braços sobre o peito e semicerrei os olhos, contraindo os lábios. Não gostava de ser desafiada.

–Ótimo. Quero ver o quanto você terá de revirar esse cérebro para conseguir a resposta. Mas vai. Pode voltar correndo para a Kelli. Sei que a vadia ainda te espera. Como naquele dia no motel.

E esperava mesmo. Os chamados estridentes da menina eram irritantes. Saí rindo enquanto um Castellan vermelho de vergonha e raiva ficava para trás, mas confuso sobre o restante da frase. Castellan havia me deixado no motel sozinha para ir foder a vadia na casa dela. Como eu sei? Por favor! Sou Thalia Grace, a queridinha da Máfia.

–Como... Como você...?

–Eu disse que sabia bem mais do que você esperava. – continuei rindo.

Ele ainda não tinha aprendido que a última palavra é minha. Sempre minha.

Notas finais
Gente! Como eu amo as discussões pai/filha... Até ;)