Gift Of Love
6 Preto
Notas iniciais
“ A tempestade que pertence aos seus olhos”
“Ethan observava Rosália pelo canto de seus olhos enquanto ambos acompanhavam suas famílias até a entrada da igreja principal da cidade, a garota parecia alheia a seu admirador.
Ele sabia que a garota pertencia a uma família íntegra e decente, mas com um status muito inferior a sua, mas estranhamente toda vez que via o sorriso largo no rosto da garota seu coração se aquecia um pouco.
Era um sentimento viciante, nunca sentiu aquilo em sua vida. Seu pai sempre fora rígido com ele sempre visando um homem de negócios, para ele, amor era algo que enfraquecia a alma de um homem de pulso firme.
Seu filho pensava de forma semelhante por influência direta de seu pai em sua educação desde sua infância. Mas estranhamente seus olhos sempre pareciam serem atraídos para a garota que era sua vizinha de propriedade. Ele só não esperava que com um sopro do vento a garota virasse sua face corada pelo sol em sua direção retribuindo o olhar...”
Já fazia um bom tempo que estava sentado em uma das mesas da biblioteca lendo aquele livro velho, constantemente levantava os olhos para frente vigiando Anna-Ester, a garota parecia extremamente entediada enquanto esperava seu turno acabar. Quando ela deu um sorriso largo e se levantou da cadeira praticamente em um pulo, fechei o livro marcando a página mentalmente e segui a garota de cabelos castanhos dourado até a saída.
Anna-Ester foi direto para a sua casa, eu esperava que ela se encontrasse com algum de seus amigos mas sem demonstrar hesitação seguiu o caminho até sua residência.
Logo depois entendi o motivo, Lise e Eloise provavelmente estavam nesse momento fazendo uma ligação direta no carro do reitor, Angely estava preste a atualizar sua obra e Anna-Ester estava buscando comida por sua cozinha como se tivesse que alimentar um monstro.
Por final ela apenas montou um sanduíche com algum doce, fiquei olhando para o processo de produção de seu lanche, que tipo de comida eu devia gostar na outra vida? Mas ignorei minhas próprias perguntas seguindo Anna até seu quarto. A garota se sentou no chão ligando seu notebook, dando mais uma mordida em seu lanche.
Me sentei atrás da garota em uma cadeira, peguei novamente o livro e li mais um trecho:
“Rosália me esperava embaixo de um carvalho, havia ansiedade em seus olhos olhando para as grossas nuvens de chuva que se aproximavam. Ela tinha consciência dos perigos que corria, que sua reputação corria...
Mas bastou apenas visualizar os cabelos negros como a noite de Ethan aparecerem pelo caminha que ela havia percorrido a poucos minutos atrás para todas as suas dúvidas irem embora em um instante.”
Continuei lendo distraído enquanto Anna-Ester conversava alegremente com uma de suas tias, mas resolvi deixar o livro de lado quando notei uma mudança na conversa de Anna.
— Alan! Vem dar um “oi “ para a sua prima – A mulher de cabelos pretos gritou do outro lado da tela.
Vi sobre o ombro de Anna, um garoto com a mesma textura de pêssego da pele de Anna aparecer na tela.
— Eu sinceramente não entendo o porque vocês fazem ligações de vídeo, se a gente mora tipo em cidades vizinhas – Alan reclamou de forma carinhosa – Se minha mãe estiver te incomodando eu escondo o carregador do notebook e falo que não sei de nada.
— Não fale assim da tia Amis, eu sempre me divirto nas suas ligações – Anna falou de forma carinhosa para o garoto.
Nesse momento a mulher de cabelos pretos voltou para perto do filho.
— Alan, sua prima mora sozinha naquele apartamento. – afirmou, então continuou: – Nossas ligações são para fazer companhia – concluiu dando um tapa fraco no ombro do filho.
O garoto pareceu querer contestar sua mãe, mas no mesmo momento o barulho de uma campainha tocou e novamente a mulher de cabelos pretos saiu da imagem, provavelmente indo atender a porta.
Alan pareceu olhar para mim, eu sabia que o garoto não poderia me ver mas suas sobrancelhas se abaixaram em concentração. E de repente ele levantou uma de suas mãos apontando em minha direção.
— Quem é o rapaz atrás de você? É um amigo ou um namorado? – falou levantando as sobrancelhas e fazendo uma cara insinuativa.
No mesmo momento me paralisei sobre a cadeira, Anna-Ester virou seu rosto para trás em minha direção aparentemente não conseguiu me ver, então se virou novamente para seu primo e com ironia presente em sua voz falou:
— “Há, Há” Alan, muito engraçadinho da sua parte, mas eu não vou me assustar achando que tem alguém atrás de mim – falou insinuando uma risada – Pensei que você já tinha desistido de pregar esse tipo de peça em mim.
— Mas eu não estou...
Mas sua fala não foi escutada já que a mãe do garoto voltou cobrindo sua fala com uma pergunta sobre o dia de sua sobrinha.
Seu filho permaneceu do lado da mãe, mas em vez de olhar para sua prima, o garoto continuava me encarando. Me senti desconfortável ele provavelmente não tinha brincado com Anna, ele realmente conseguia me ver.
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