Sorte, seria essa a palavra certa? Eu diria que estávamos a procura de um milagre, todos pareciam estar possuídos por um desespero sem fim, onde não houvesse mais esperança no mundo, como se tudo fosse acabar diante dos nossos olhos. Ninguém sabia o quê estava acontecendo ou o porquê. Parecíamos estar num mar sem respostas onde morreríamos afogados pelas diversas duvidas.

Eu olhava para todos os lados, e não encontrava as respostas corretas para as minhas perguntas, tudo parecia estar acabando e nos iriamos ter o mesmo fim? Por que nos importamos mais em tentar nos salvar do que tentar salvar também os outros? A nossa morte estava concretizada pelo nosso egoísmo?

— Vocês acham mesmo que vamos conseguir escapar dessa? — Perguntou Emily, encolhida no chão da van.

— Acho que não tem como prever isso. — Respondeu Nolan, tentando conforta-la.

"Urgente! Tremores atingiram o norte de Genebra há alguns minutos atrás, aparentemente, especialistas ainda não sabem explicar o quê aconteceu até o momento, não há nada a ser esclarecido.", noticiava-se alguma estação de rádio próxima a cidade.

— Se os tremores foram há alguns minutos atrás, por que eu ainda sinto tudo balançando? — Perguntou Pearl, olhando para fora.

— É porque os tremores não pararam!!! —Gritou Louise em resposta.

— Calma, não precisa gritar com ninguém, todos estamos desesperados e não vai resolver nada ficar se esgoelando. — Falou James, como se nada estivesse acontecendo.

— Cala a boca, ou eu te jogo por uma dessas janelas e assim iremos andar mais rápido pelo peso. — Disse Louise.

— Se for pra jogar alguém pra fora, então vamos jogar o Charlie, porque ninguém gosta dele mesmo. — Retrucou James.

— Ninguém vai ser jogado de lugar nenhum, vamos manter a calma, eu acho q os tremores estão diminuindo. — Disse Zach nervoso, e assim ele seguiu aumentando a velocidade.

Ninguém falou mais nada, não sabíamos para onde estávamos indo, porque depois de tudo aquilo não poderíamos arriscar e voltar para tudo que quase custou as nossas vidas.

Depois de horas na estrada, chegamos em um lugar deserto, parecia que tudo havia abandonado numa situação de desespero, o dia já estava quase amanhecendo e nenhum sinal dos tremores.

— Vocês acham que é seguro descer? — Perguntou Fleur tirando as mãos do rosto.

— Uma hora teremos que descer. — Falei, olhando para fora.

— Não me diga que você ficou o tempo inteiro com os olhos tampados! — Disse James, rindo e finalmente abrindo a porta e assim desceu.

Todos fizeram o mesmo, mas Fleur hesitou e então a encarei curiosamente e ela me fitou e perguntou:

— Você acha que está tudo bem com as nossas famílias?

— Você quer uma resposta sincera? — Ela me observou com os olhos cheios de lagrimas e concordou com a cabeça. — Eu realmente não sei, eles podem ter sobrevivido ou... — Quando a primeira lagrima caiu, eu não sabia mais o que dizer. — Calma, ainda não sabemos que tamanho foi o estrago. — Completei.

Finalmente ela desceu e a deixei seguir sozinha junto com os outros, e observei tudo ao meu redor, tudo parecia vazio e havia poucas casas no local, tudo era muito silencioso, você poderia ver vários objetos aleatórios abandonados pelo chão, eu ainda não entendia o porquê de tudo aquilo, tudo parecia apenas um fruto da minha imaginação.

Fui andando lentamente e vi todos entrando dentro de uma casa enorme que estava com janelas e portas abertas, corri rapidamente e ao entrar dentro da casa, tudo estava sobre o chão, porta retratos, cadeiras, sofás, uma família tinha perdido tudo ali.

Chamei James para me ajudar a levantar o sofá, quando a luz da sala acendeu e vimos Sophie mexendo no interruptor e então disse:

— Ainda tem energia aqui, tentem ligar a tv.

Rapidamente achei o controle no meio dos destroços e ao ligar podíamos apenas escutar a voz de um possível jornalista, e depois de alguns segundos conseguimos observar com algumas interrupções, uma cidade totalmente destruída.

"— Tremores atingiram o norte de Genebra no fim da noite de ontem, os meteorologistas já sabem a razão disso, George?

— Até agora, há muitas perguntas para poucas respostas, os tremores causados no norte e em parte do leste da cidade, é algo preocupante porque não há registros de tremores nestas regiões desde 2006.

— Há registros de feridos e mortos até o momento? — Perguntava um homem de cabelos brancos de dentro do estúdio de um aclamado programa jornalístico do sul de Genebra, e então o repórter respondeu:

— Há números desanimadores para a população até agora foram registrados mais de 1.000 feridos e 100 mortos, mas há muito a ser esclarecido e as buscas por possíveis corpos continuarão." E assim a televisão desligou rapidamente e Sophie falou com os olhos marejados de lagrimas:

— Será que o nosso bairro também foi atingido dessa maneira? Alguém da escola conseguiu escapar além de nós? Nossas famílias estão a salv....

Ela não tinha terminado de completar a pergunta quando o meu celular toca e atendo rapidamente sem sequer olhar quem estava ligando.

— Alô?

— Bom dia, eu gostaria de falar com alguém próximo a Michelle Vigouroux?

— Bom dia, você está falando com o filho dela, o que aconteceu?

— Não sei se o senhor estava na cidade de Genebra ontem, mas provavelmente deve saber dos tremores que atingiram o norte da cidade ontem a noite, certo?

— Sim, eu estou sabendo.

— Então iremos direto ao assunto, nessa altura você já deve saber que houve muitas mortes e muitos feridos por causa do ocorrido.

— Ela está ferida?

— Não senhor, ela faleceu ontem a noite a caminho do hospital após ser encontrada no meio dos escombros.

— M-morta??? — Perguntei com a voz extremamente tremula.

— Sim, o corpo já está liberado para o velório, porém se o senhor estiver fora da cidade não conseguirá entrar nela durante um bom tempo, as vias de entradas estão fechadas e até mesmo quem está aqui corre sérios riscos, os tremores foram fortes em alguns pontos da cidade causando uma fissura que pode se abrir e engolir toda a cidade junto, você quer arriscar vir até aqui ou podemos cremar o corpo dela, qual é a sua decisão? — Respondeu uma voz masculina.

— Pode cremar o corpo." E assim desliguei rapidamente o celular.

Nunca senti um vazio tão grande quanto o que estava sentindo naquele momento, era impossível imaginar que em apenas em uma noite eu havia perdido tanta coisa em uma única noite, eu não via esperança e nenhuma luz parecia acender no fim do túnel.

Sophie e James me observavam confusos, eu não havia dito nada depois de desligar o celular, nada mais tinha sentido.

— Quem te ligou? E quem morreu? — Perguntou James me fitando tristemente.

— Nossa mãe, James. — Respondi com a voz falhando e dando espaço para lagrimas que escorriam sem parar.

James me observou na esperança de eu lhe dizer que tudo aquilo era uma grande mentira e que nada daquilo havia acontecido e então quando ele percebeu que não era mentira, então ele me abraçou e assim choramos porque tudo tinha acabado para nós.

Quando eu comecei a me acalmar e me afastei de James, observei ao redor e vi que todos estavam quietos nos observando e então Charlie perguntou:

— O que aconteceu? Vocês também receberam uma ligação?

— Sim, recebemos, nossa mãe morreu, o que disseram para você? — Indaguei.

— Eu sinto muito, me avisaram que minha família continua desaparecida e não há nenhuma certeza de que irão encontra-los vivos.

Depois todos disseram que haviam recebido uma ligação semelhante, apenas Fleur e Louise ficaram em silencio e não disseram nada.

— Você recebeu alguma ligação, Fleur? — Perguntei limpando as lagrimas do rosto.

— Não recebi, não sei o quê pode ter acontecido com a minha familia. — Disse ela, chorando.

— E você, Louise? — Perguntou James observando-a.

— Prefiro não falar sobre isso. — Respondeu ela secamente. — Devíamos ver se achamos alguma coisa para cada um vestir, como vocês pretendem sobreviver com roupa de festa?

E assim todos saíram a procura de roupas abandonadas para se trocarem e após uma hora todos voltaram de roupas trocadas, cada um com algo completamente diferente e James me trouxe uma sacola com uma muda de roupa e disse: — É melhor você se trocar.

Louise trazia consigo uma mala preta e continuava sem dizer nada, então fui me juntar aos outros sem perguntar a ela o que tinha dentro daquela mala, os outros estavam juntando comida para o caminho, pois não sabíamos quando iriamos voltar para Genebra.

Depois que tudo estava pronto, Louise se aproximou de mim e me puxou para outro quarto próximo a cozinha e olhei ao redor e vi vários suportes para armas e um lugar reservado para encaixar uma maleta que curiosamente tinha o mesmo tamanho da maleta de Louise.

— O que é tudo isso? — Falei.

— Fala mais baixo, você está vendo todos esses suportes vazios? Eu guardei todas essas armas e munições dentro dessa maleta. — Explicou ela, colocando a maleta sobre a mesa e abrindo-a e logo eu me vi na frente de diversas armas de vários formatos e tamanhos. — Com a quantidade de comida que eles estão juntando e com o pouco de gasolina que ainda resta na van, nós podemos fugir. — Completou ela e seus olhos brilharam.

— E os outros?

— Os outros? — Ela riu. — Não acredito que você quer levar todos eles, nós devemos matar todos eles. — Sussurrou e se aproximou de mim rapidamente. — Não tem espaço para todos eles, só para nós. — E assim acariciou levemente o meu rosto.

Fui tomado por diversos pensamentos e nem todos eram pensamentos bons, eu não me reconhecia mais, lentamente fui voltando para a realidade e me afastei dela.

— Eu não te reconheço, sabia? Não acredito que você imaginou por um único momento que eu iria matar 9 pessoas para fugir junto com você e assim eu perderia meu irmão e o amor da....

— Não acredito que você chama aquela idiota disso. — Murmurou ela furiosamente. — Você não entende que com eles juntos, não vamos sobreviver.

— Sobreviver? Do que você está falando, não há nada o que temer, os tremores atingiram o norte de Genebra e estamos muito longe de lá. — Respondi confuso.

— Eu não acredito que tenha sido, só isso.

— Não me importo com o quê você acredita, Louise.

Puxei uma cortina que dividia o quarto e comecei a trocar de roupas rapidamente, ao puxar a cortina novamente, me deparei com Louise colocando munição em uma pequena pistola, eu a observei por alguns instantes e ela disse sem olhar para mim:

— Você não fugir mesmo, não é? Você sabe que vai se arrepender disso depois.

— Acredite em mim, eu não irei me arrepender.

Quando ela abriu a boca para responder, escutamos um barulho enorme vindo da cozinha, Louise segurou a pistola firmemente e me entregou uma parecida.

— Pra quê precisamos disso? — Sussurrei.

— É o que vamos descobrir agora, agora esconda a arma! — Ordenou ela.

Ao abrir a porta nos deparamos com Chloe, Sophie, Zach, Nolan, Charlie, Emily, James, Fleur e Pearl amarrados uns aos outros, totalmente amordaçados, quando os mesmos nos viram se agitaram em busca de ajuda, e quando pensei no que fazer apareceu duas pessoas, uma mulher alta, com os cabelos brancos e trançados, mas ela ainda era jovem e ao lado dela havia um homem, um pouco mais baixo que ela e seus cabelos eram brancos e ambos tinham marcas no rosto e nos braços eram marcas estranhas e nas mãos seguravam armas diferentes, algo totalmente diferente do que eu já tinha visto.

— Não acredito, Ray, você disse que tinha vasculhado a casa inteira, há mais dois deles bem ali. — Disse a mulher alta, apontando para nós.

— Eu tinha vasculhado a casa inteira, Joanne.

— Eu acho que não, amarre eles logo antes que eles fujam! — Ordenou Joanne.

Surgiram novas perguntas na minha cabeça, tudo parecia ficar mais confuso do que estava e nada havia sido respondido, quem eram eles e o que queriam? Tudo foi interrompido e o som de um tiro sendo disparado invadiu a casa.

Notas finais
O que vocês estão achando da fanfic??? (Me falem por favor, a opinião de vocês é extremamente importante!)