Ghosts
3 Bury me in the sand
Tudo ficou escuro, mas eu não sentia nenhuma dor, nada havia me atingido, foi quando eu percebi que minhas mãos estavam sujas de sangue, mas o sangue não era meu, quando abri meus olhos percebi que Ray estava caído na minha frente e Louise ainda apontava a arma em direção a cabeça dele.
Joanne se assustou com a atitude repentina e gritou:
— Vocês estão marcados agora.
Depois encarou todos e desapareceu como se nunca estivesse ali, Louise guardou a arma e foi soltar os outros, enquanto isso eu observei o corpo e peguei a arma que ele ainda segurava, era algo esquisito, algo que eu nunca tinha visto em nenhum lugar e as marcas de seu corpo pareciam coisa de outro mundo.
— Como eles apareceram aqui? — Perguntava Louise enquanto desamarrava James.
— Nós estávamos aqui, recolhendo suplementos para a viagem e eles apareceram do nada e nos amarraram e começaram a falar alguma coisa sobre exterminar, provavelmente. — Respondeu James friamente.
— Aquela mulher disse que estamos marcados agora, mas o quê exatamente eles são? — Perguntou Emily assustada.
— Eu acho que devíamos sair daqui agora, porque estamos marcados para morrer agora. — Falou Charlie se pondo de pé.
— Acho que não devíamos escutar ele, está na cara que ele quer nos assustar. — Indagou James.
— Assustar? Eu acho que todo mundo já está assustado o suficiente, primeiro tremores atingiram Genebra depois de 10 anos e ninguém sabe explicar a causa disso, depois duas pessoas, se é que podemos chamar aquilo de pessoas, bem eles vieram para nos matar sem nenhum motivo aparente e depois ela desaparece, porém diz que estamos marcados, acho que não preciso tentar assustar ninguém. — Murmurou Charlie.
— Ele está certo. — Falei e todos os olhos se viraram para mim. — Não sabemos o que eles são e não podemos arriscar mais nenhum segundo aqui, ela pode voltar e não sozinha. — Completei.
Ninguém discordou e todos se apressaram e voltaram para a van, então Zach nos encarou e disse:
— Não temos mais gasolina.
Todos desceram e começaram a caminhar em rumo ao desconhecido porém Fleur exclamou:
— E se nos procurarmos uns carros por aqui e assim nos dividimos?
— Parece que finalmente alguém colocou o cérebro para funcionar. — Sussurrou James para Louise e os dois riram.
— Sem risadas, vamos nos dividir em duplas e procurar. — Ordenei.
— Mas estamos num número impar. — Esclareceu Nolan.
— Fácil, nos dividimos em quatro duplas e um trio. — Falou Pearl. — Eu vou com Chloe e Fleur.
— Eu vou com James. — Disse Louise, abraçando-o.
— Irei com Emily. — Falou Sophie.
— Iremos eu e Nolan. — Disse Charlie de má vontade.
— Então, eu vou com Zach. — Falei e assim todos se espalharam.
Eu e Zach fomos andando e achamos outras casas não muito longe da onde estávamos, eu não disse nada e ele também não se pronunciou, assim que entramos dentro de uma casa amarela com uma situação não muito diferente da casa onde Ray tinha morrido.
Havia muitas coisas quebradas e como antes, muitas coisas abandonadas, então começamos a procurar uma entrada para a garagem porque por fora estava trancada.
— Eu vi como você olha pra ela. — Disse Zach e sua voz ecoava do outro cômodo.
— Ela? — Perguntei confuso.
— Você sabe muito bem de quem eu estou falando.
Meus pensamentos foram invadidos por perguntas mais uma vez, eu não sabia de quem ele estava falando, ou será que bem lá no fundo eu sabia exatamente quem eu realmente amava? Depois todos os meus pensamentos se voltaram para a minha mãe e que eu não tive a chance de dizer adeus para ela, por fora eu queria negar toda a dor que eu estava sentindo, mas por dentro, eu estava morto.
James fazia o mesmo, desde pequenos nos escondíamos nossos sentimentos mais profundos para não preocupar nossa mãe, porque desde a morte do nosso pai ela nunca mais foi a mesma e sempre vivia preocupada com tudo e não queríamos dar algo nova para ela se preocupar.
10 anos atrás (2006)...
— Querido, você quer ir mesmo passar as férias em Zurique? Lá não é muito perigoso para crianças pequenas como Joseph e James? — Indagava minha mãe, enquanto eu e James brincávamos no quintal.
— Claro que é seguro, querida. — Respondia o meu pai.
Não demorou muito e chegamos em Zurique, sempre ficávamos na casa da minha vó paterna e ela adorava nos paparicar com docinhos e vários tipos de bolo.
— Assim eles vão se acostumar mal, mamãe. — Dizia o meu pai.
— Mas vocês vem aqui uma vez por ano, não faz mal algum. — Ela sempre falava isso.
Sempre perguntava para o meu pai se ele podia nos levar a praia e ele sempre respondia um enorme "não", mas nunca nos explicava o porquê, mas nesse dia foi diferente, ele concordou em nos levar.
O dia estava quente e mamãe insistia em nos melecar de protetor solar, o que nos incomodava muito, James achava engraçado, eu não contei para vocês ainda, mas ele era o engraçadinho da família, sempre fazendo piada com tudo e com todos.
Depois que mamãe terminou de passar protetor solar em James e eu, ela ordenou delicadamente:
— Vocês não podem entrar na água agora, o protetor precisa secar, porque vocês podem se queimar feio se isso não acontecer.
Não entendi uma palavra da qual mamãe tinha dito, porém ela disse que podíamos brincar perto enquanto o protetor secava, decidi enterrar James na areia, mas acho que isso era contra as ordens de mamãe.
— Me enterre de uma forma que eu fique lindo com toda essa areia, Joseph. — Disse James.
— James, só temos 8 anos, porque devemos nos preocupar com a nossa aparência? — Perguntei inocentemente.
— Eu não quero ficar solteiro para sempre. — Falou James sorrindo.
— Mas só temos 8.....— Antes que eu pudesse terminar de falar, uma menina apareceu, ela tinha cabelos escuros na altura dos ombros, ela nos observava com seus grandes olhos azuis e nas mãos carregava uma pequena pá de plástico nas mãos.
— Você poderia me enterrar na areia igual esse garoto? — Perguntou ela, deitando na areia.
— Quem é você? — Indagou James, um pouco constrangido.
— É muito feio se dirigir a uma dama desta maneira, mas eu me chamo Louise. — Respondeu ela, corando.
Eu fiquei a observando por algum tempo e então ela gritou:
— Você não está me ouvindo?
— Estou sim.
— Então por que ainda não começou a me enterrar?
— Ah sim...
Rapidamente a enterrei ao lado de James e assim os dois começaram a conversar e James sempre a fazia rir descontroladamente, não demorou muito e mamãe nos encontrou e disse:
— Temos que ir agora, James e Joseph.
Comecei a desenterrar James e quando terminei, nos despedimos de Louise que correu para perto de seus pais, segundos depois.
— Mamãe, temos que ir agora, queria poder ficar mais algum tempo, quem sabe outra hora. — Disse o meu pai, abraçando a vovó.
Assim nos despedimos da vovó e prometemos voltar no próximo ano e ela nós entregou mais doces para comermos na viagem, ao entrarmos no carro, não demorou muito e chegamos em Genebra, se você ainda não sabe, Genebra é onde nascemos e ainda estávamos crescendo, era um lugar muito agradável a proposito.
— Mãe! James não quer dividir os doces comigo. — Gritei.
— James, não coma tudo sozinho, divida com seu irmão!
— Pai, por que o carro está balançando? — Perguntei assustado.
O carro balançava cada vez mais e eu sentia tudo tremer, então em questão de segundos o carro saiu da pista e bateu na frente de duas arvores, eu olhei para James e ele estava olhando para mamãe que não parecia ferida, e ela olhava diretamente para o meu pai, e observava muito sangue escorrer de sua cabeça.
— Pai? Papai? P-Pai!?!!? — Gritou James.
Presente...
— Joseph??? Você está bem??? — Zach me perguntava me chacoalhando.
— Estou sim, por que? — Perguntei abrindo os olhos, tudo estava muito confuso.
— Eu consegui achar a garagem e tem um carro lá, nos precisamos avisar os outros, mas você não parece estar bem.
— Não se preocupe.
Zach me levou em direção ao carro e ele dirigiu rapidamente até o lugar aonde tínhamos deixado os outros, todos já estavam lá, exceto Pearl, Chloe e Fleur.
Desci do carro e perguntei:
— Quantos carros vocês acharam?
— Só mais um. — Respondeu Louise, apontando para outro carro do outro lado da rua.
— Vocês viram a Pearl, Chloe e Fleur por aí? — Perguntou Nolan.
— Não vimos, mas enquanto elas não vem, devemos dividir todos nos dois carros. — Falei, olhando para todos. — No primeiro carro irão Zach, Sophie, Emily, Nolan, Pearl e Chloe e no segundo carro irão eu, James, Louise, Fleur e Charlie, está bem?
Ninguém concordou, porém ninguém discordou, depois todos se sentaram para esperar as outras voltarem, então Emily disse:
— Nossas vidas estão completamente diferente desde aquela noite.
— Você falando assim parece que estamos fora há um ano, só faz dois dias. — Debochou Louise e James riu.
Todos pararam de falar quando ouviram um grito vindo de uma casa próxima, não tardou muito e vimos Pearl e Fleur correndo em nossas direção gritando as seguintes palavras:
— Eles a levaram.
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