Ghosts
4 Golden Hair
Tudo parecia ficar cada vez pior, haviam se passado uma semana desde que Chloe tinha sumido, Pearl e Fleur quando questionadas sobre o desaparecimento repentino diziam que tudo aconteceu em um piscar de olhos e que por um momento tinham visto Joanne e outros segurando ela e depois sumiram sem elas terem tempo de interferir.
James insistia em dizer que isso era invenção delas, sendo que ele mesmo já tinha visto Joanne e Ray sendo morto diante de nossos olhos e mesmo assim ele dizia que isso não passava de uma alucinação.
Para ser sincero, acho que ele estava negando tudo aquilo para não enxergar a realidade que estávamos enfrentando e que corríamos um grande perigo.
Naquele dia, todos estavam quietos, ninguém se atrevia a dizer nada porque tudo estava dando errado, parecia que a nossa angustia não teria um fim, Chloe tinha sumido e não tínhamos ideia de onde ela poderia estar, ela poderia ter sido assassinada e esse seria o nosso destino também?
Em apenas uma única semana nossas vidas tinham se transformado por completo, tudo era diferente, fomos forçados a ser diferentes, o medo se tornava pior, a paz era inexistente, fugíamos e se por uma pequena diferença de horas, minutos ou até segundos, bem poderíamos ser pegos e estava tudo acabado.
— Pearl, você disse que ouviu algo sobre um lugar chamado "Deserto de Blido"? — Perguntou Zach olhando curioso para Pearl e Fleur, e se me permitem dizer estavam mais tristes do que nunca, as duas haviam se isolado e diziam que era tudo culpa delas e repetiam isso sempre.
— Não, se chama Deserto de Błędów! — Disse Fleur, irritada. — Já repetimos isso umas mil vezes.
— Onde será que isso fica, na África? — Questionou Nolan.
— Não seja burro, Larcher, isso nem parece ser africano. — Falou Louise sem olhar para nenhum de nós, ela estava assistindo o noticiário.
Poucas vezes conseguíamos fazer isso, pelo grau de destruição de algumas cidades, era difícil achar alguma casa que tivesse uma televisão com sinal, estávamos em Lausanne, uma cidade pouco distante de Genebra, não havia ninguém ali e quando tínhamos o azar de avistar alguém, era apenas um corpo frio e sem vida.
"A China presenciou cenas horríveis esta madrugada, um grande terremoto acompanhado de um tsunami no sudeste do país, ainda não há registro de sobreviventes, equipes foram enviadas para tentar encontrar corpos no meio da destruição, e...", a imagem do apresentador do noticiário simplesmente desapareceu e foi substituída por um rosto diferente e nada humano. "Nós temos um comunicado extremamente importante-" dizia uma voz com um sotaque francês horrível. "Realmente precisamos fazer isso, viajamos de muito longe e agora precisamos de um lar, esperemos que não estejam muito apegados a este mundo horrível, iremos recomeçar do zero, e não precisamos de você, e esta é a melhor parte deste anúncio para nós-" O que parecia uma mulher de cabelos dourados abriu um grande e irônico sorriso e completou. "Iremos eliminar toda esta raça imunda de vocês, não adianta fugir, encontraremos todos vocês, até que não reste ninguém, restarão apenas fantasmas e estaremos aptos a apagar eles." E assim a imagem sumiu e nenhum apresentador voltou a aparecer.
— O que foi isso? — Ofegou Fleur, correndo diretamente para os meus braços, estaria mentindo ao dizer que gostei daquilo, mas bem no fundo tinha uma parte que gostava dela mais do que eu queria admitir.
—Uma ameaça de morte, é claro. — Disse Charlie, surgindo no meio da sala, devo confessar que nunca sabíamos onde ele estava, já que o mesmo ficava se escondendo pelos cantos.
— Está vendo? Ele sempre quer meter medo na gente! — Dizia James, toda vez que Charlie falava umas verdades para nós.
— Medo? James pare de ser dramático, todos nós entendemos perfeitamente o que o comunicado quis dizer, olha a Fleur, toda encolhida, ela entendeu e você não quer aceitar a verdade. — Contra-atacou Charlie.
— Não estou encolhida! — Choramingou Fleur.
— Ótimo, temos dois dramáticos no nosso grupo, não iremos durar uma semana nesse ritmo. — Manifestou-se Louise.
— Seria muito melhor se parássemos de discutir e pudéssemos nos concentrar num plano de fuga, já que toda a raça humana foi ameaçada de morte, eu não quero deixar ninguém com medo, — Zach olhou subitamente para James. — mas isso inclui a gente e já que vocês querem morrer, poderiam poupar o trabalho deles e se atirar na frente de um ônibus, ah, me esqueci não tem ônibus nenhum andando pelas ruas porque todo mundo fugiu, porém estamos aqui discutindo quantos dramáticos temos no grupo. — Desabafou Zach e posso jurar que vi Louise lançar para ele um olhar cheio de ódio.
Todos ficaram em silêncio, tudo que dava para ouvir eram os soluços de Fleur, levantei e a deixei soluçando sozinha em cima do sofá, acenei para Louise e a mesma veio me seguindo até um dos diversos quartos que aquela casa estranha tinha.
— Você mudou de ideia? — Questionou Louise.
— Mudei de ideia? Sobre o quê? — Perguntei confuso.
— Eu e você, sair, deixar todos apodrecerem aqui enquanto tentamos nos salvar. — Disse ela olhando curiosamente para mim.
— Já te disse que não! — Exclamei, um pouco nervoso.
— Fala mais baixo, — Avisou Louise fechando a porta que tínhamos deixado aberta, se aproximou ligeiramente de mim. — sabe, podíamos fazer tanta coisa juntos, é só você vir comigo, eles são um peso pra gente e você sabe disso. — Completou.
— Mas... — Então ela me interrompeu sem hesitar.
— Sabe, eu realmente não sei o que aconteceu com você, fica se esgueirando com a Fleur e todo mundo sabe que você não gosta dela. — Afirmou Louise.
— Todo mundo? Não tem como "todo mundo" saber o que eu realmente sinto. — Reclamei.
— Todo mundo não, mas eu sei muito bem e posso te provar isso, porque é a mais pura verdade. — Ela acariciava levemente o meu rosto, mas o quê eu sentia era muito diferente, eu não sabia o que era, tudo parecia explodir em lindos fogos de artifício na minha cabeça, então me afastei rapidamente.
— Está vendo? Você ainda sente algo por mim. — Disse ela com um grande sorriso.
Você deve estar se perguntando o quê ela quis dizer com "ainda", bem, é uma história complicada, mas acho que posso te contar...
Dois anos atrás...
— Dormindo aqui de novo, Joseph? — Disse Anna, irmã de Louise, com uma voz seca acompanhada de risinhos.
Louise se mexeu rigidamente e acordou rapidamente conseguindo ouvir o comentário nada discreto de Anna, então levantou da cama e gritou:
— Saia daqui, Anna, vá procurar alguns livrinhos de colorir e nos deixe em paz.
— Não tem porquê ficar brava nesta hora da manhã, Louise. — Falei, aproximando-me dela.
— Claro que não. — Respondeu ela sorrindo, e se me permitem dizer aquilo era a oitava maravilha do mundo. — Tenho muitos planos para nós hoje e é lá na sua casa. — Disse ela levantando-se.
— Na minha casa? — Perguntei um pouco contrariado.
— Sim, na sua casa e espero que não tenha nenhum problema. — Disse ela, beijando-me carinhosamente.
— Não tem nenhum problema. — Falei, me afastando dela e então comecei a procurar as minhas roupas.
— Acho que devem estar debaixo da cama. — Avisou ela, indo em direção ao banheiro, me deixando sozinho.
Após achar todas as minhas roupas comecei a me vestir e ao terminar, olhei ao redor e me deparei com pensamentos confusos sobre o quê eu estava fazendo com Louise, eu realmente gostava dela? Era tudo muito estranho.
— Louise, acho que já estou indo, te vejo mais tarde. — Gritei.
Ao descer me deparei novamente com Anna e a mesma me disse:
— Você tem sorte de papai estar viajando e mamãe estar visitando a vovó, se eles soubessem o quê vocês ficam fazendo todo dia.
Vasculhei o meu bolso e dei uma boa quantia em dinheiro para ela ficar calada.
— Demorou bastante, já é a, calma, eu perdi a conta de quantos você e a Louise viraram a noite estudando. — Disse James descendo as escadas enrolado em um grande roupão. — Você tem sorte de a mamãe ainda estar dormindo.
Não demorou muito e então mamãe desceu as escadas e perguntou ainda com muito sono:
— Estudou muito, Joseph?
— Sim, só espero que a senhora não tenha se importado, eu cheguei um pouco tarde ontem e a senhora já estava dormindo.
—Não tem problema, gosto da Louise, acho ela uma ótima garota.
James tossiu falsamente do outro lado da sala.
Ninguém falou mais nada, e aquele dia foi mais um dia comum, fiquei dentro do meu quarto, porque não tinha aula, era feriado, de quê? Eu não sei, o importante era não ter aulas.
— Louise chegou, ela está lá em baixo te esperando e por algum motivo, não queria que eu viesse te avisar agora.
Não entendi o porquê e desci confuso pelas escadas e ela não estava mais lá, então subi novamente e fui ao quarto de James para perguntar se ele sabia onde ela estava, ao me aproximar do quarto, ouvi alguns suspiros e um pequeno gemido, e a porta estava um pouco aberta, o que será que James estava aprontando?
Ao abrir a porta, eu não conseguia acreditar no que eu estava vendo, eu senti algo estranho eu poderia facilmente descrever aquilo para "dor", James segurava Louise pela cintura e ela o beijava descontroladamente, foi quando ele começou a beijar o pescoço dela e a mesma soltava suspiros agudos e então ele me viu e a soltou rapidamente e os dois me olharam envergonhados sem dizer uma palavra sequer.
Presente...
— Sabe Louise, todos esses anos e eu ainda lembro daquela manhã. — Ela me olhou envergonhada exatamente como naquele dia. — Mas sabe acho que podemos abrir uma exceção. — E então a puxei para perto de mim.
Estávamos nós beijando como se fosse a primeira vez, todo sentimento que havia se perdido no meio do caminho nesses dois anos, eles ameaçavam voltar e meu coração batia cada vez mais forte foi quando alguém atrapalhou tudo, Nolan abriu a porta e ao perceber o que tinha presenciado, tentou sair rapidamente pensando que não havia sido notado, me separei de Louise e o chamei para dentro.
— Olha James me mandou vir perguntar porque vocês estavam demorando tanto porque ninguém está aguentando os soluços da Fleur. — Disse ele rapidamente.
— Não tem problema, mas você não pode contar o que viu para absolutamente ninguém, principalmente para James e Fleur. — Falei receoso.
— Para ninguém mesmo. — Completou Louise.
— Sim, porque se James descobrir vai ficar arrasado, Louise e Fleur vai soluçar muito mais, vocês não deviam fazer isso com eles. — Aconselhou Nolan.
Todos permaneceram em silêncio então Louise deixou o quarto e Nolan disse:
— O que você tem com a Fleur é realmente sério?
— Não sei, ando muito confuso ultimamente.
— Joseph, isso não te dá motivos para ficar se esgueirando por aí com Louise, pensa o quanto você pode machucar a Fleur.
— Eu entendo, Nolan.
— Parece que não entende, olha eu aprendi muito como uma mulher reage a diversas situações quando namorei a Chloe. — Ao dizer isso, seus olhos se encheram de lágrimas e uma pingou no chão.
— Iremos achar ela. — Tentar consolar ele, mas parecia impossível, ele não disse mais nada e saiu do quarto.
Estava anoitecendo e fazia um pouco de frio onde estávamos, havia poucas camas e todos tinham que dividir elas sem discussão, foi quando me aproximei de Fleur que estava com os olhos um pouco inchados, então eu perguntei:
— Você não se importaria se dormíssemos juntos esta noite?
— Claro que não. — Ao responder, ela abriu um enorme sorriso e se levantou e me abraçou, era tudo que eu precisava naquele momento.
Segurei sua mão e a levei para um dos quartos onde já estavam Zach e Sophie que dormiam profundamente, nos deitamos numa pequena cama perto deles, ela me abraçou fortemente e sussurrou:
— Me sinto mais segura aqui, sabia?
Não respondi nada, apenas retribui o abraço, nada tirava da minha cabeça o que havia acontecido no quarto ao lado, eu estava tão confuso, não sabia o que fazer,
Passado uns 30 minutos, Fleur já estava dormindo, e foi naquele momento que escutei uma pequena explosão e uma grande claridade iluminou a casa.
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