Ghost Town
2 Ninguém estava preparado para isso
Notas iniciais
Jack não pensou duas vezes assim que ouviu o primeiro grito de ajuda e correu para abrir os portões. Os moradores estavam com muito medo, então ninguém queria que ele abrisse, mas abriu mesmo assim. Como eu disse, ele ajuda os outros e se sente bem com isso. Quando abriu o portão duas pessoas entraram, estavam com uma expressão de pavor e cheias de sangue.
–Espere – falou a menina que entrou – ainda faltam três dos nossos.
–Se eles demorem muito, terei que fechar. Sinto muito.
Meu pai falou isso, mesmo contrariado, pois mesmo querendo ajudar ele precisava garantir que nenhuma daquelas coisas entrasse e acabasse mordendo alguém ali. Então quando estava prestes a fechar, dois caras entraram correndo com uma garota magricela no colo. Ela parecia ter machucado a perna.
–Leila! – grita o cara que entrou primeiro.
Eles pareciam exaustos, não só por terem corrido tanto, mas também por estarem tanto tempo lá fora fugindo do mundo. O cara que estava carregando a tal Leila no colo a deixou nas mãos do que parecia ser namorado dela e então foi se apresentar para meu pai.
–Muito obrigado por nos ajudar! – ele faz uma expressão de alívio e gratidão, então estende a mão para Jack – Meu nome é Jason. Esse é meu grupo. Aquela com a perna machucada é Leila...
Meu pai o interrompeu por um instante.
–Lídia, leve-a para a enfermaria e faça curativos nela.
O namorado de Leila a acompanhou. Jason continuou a apresentação.
–Aquele que está com ela é Jeff.
–Não tenho como agradecer ao senhor pela ajuda! – diz Jeff apertando a mão de meu pai.
–Essa é Chloe.
Ela apenas inclinou a cabeça para baixou, como um gesto de gratidão.
–Este é Cooper.
Cooper olhou para meu pai e agradeceu, assim como os outros fizeram.
–Bom, agora que já estão bem vou tentar encontrar uma casa para vocês para descansarem e tomarem um belo banho. Amanhã cedo conversamos.
Jason aceitou sem fazer nenhuma pergunta nem desconfiar de nada, e nem tinha do que desconfiar. Afinal, meu pai os ajudou e se fossemos fazer mal a eles, já teríamos feito.
–Venham, vou lhes mostrar onde ficarão. – Disse John, e pelo que parece ele foi providenciar isso antes mesmo do meu pai pensar.
Parece que a casa que John arrumou era do lado a minha. Quando aquele desconhecido grupo, que provavelmente se tornaria conhecido, foi se aproximando da casa logo notei Jason e fui notando, a cada aproximação dele, suas características físicas – que são lindas por sinal.
Ele parece ser um pouco mais velho que eu – não mais que 23 anos – e aparentemente é um pouco menor que Cameron. Jason tem cabelos castanhos e estavam tão bagunçados que até parecia proposital como os de Cameron. Foi então que minha concentração foi interrompida pela voz do meu pai.
–Pequena Jay, preciso que entre e fique aí até que eu diga que pode sair.
–Oi???? Como assim? Eu quero ajudar a eliminar aquelas coisas do portão, você sabe que eu atiro muito bem.
–Não discuta comigo, Pearl. Entra agora e fecha a porta. Não preciso de mais problemas. Cameron, você pode dormir aqui em casa hoje? Só por segurança.
–Claro que poss...
–Não preciso de babá, Jack. Sei me cuidar.
–Não pedi sua opinião, Pearl. Entre agora e só saia quando eu mandar.
Não vejo meu pai daquele jeito faz dois anos, desde que o último acidente ocorreu. Não queria discutir com ele então obedeci mesmo contrariada e entrei junto com Cameron.
–Muito obrigado, Pearl. Então quer dizer que sou um inútil pra você?
–Não tire palavras da minha boca, Cameron. Eu estou chateada, só isso. Você não é inútil e sabe muito bem disso.
Dei um beijo na bochecha dele e o abracei forte. Percebi que ele ficou com raiva, e a última coisa que eu queria era o Cameron com cara fechada pra mim.
–Olha, Pearl. Eu sei que você é uma garota independente e blábláblá, mas eu não saio do seu lado até saber que você está segura aqui nessa cidade. E agora com esse povo morando do seu lado, não vou sair da sua casa nem tão cedo.
–Fala sério! Não preciso de um segurança, preciso de um amigo agora. Confesso que eu estou meio desconfiada desse pessoal.
–Eu também, mas comigo aqui nada vai te acontecer!
–Poxa, agora me sinto beeem mais segura – fiz uma voz de ironia e uma cara de deboche –. Se não fosse você, príncipe encantado, o que seria de mim? Uma pobre e delicada donzela.
Comecei a imitar aquelas meninas dos filmes de contos de fada.
–Cala a boca, Pearl! – ele falou isso me empurrando no sofá – Me trate com o respeito que um príncipe deve ser tratado!
–Melhor pararmos com essa cena patética antes que eu vomite no meu tapete e Jack me mate!
–Mas então, o que você acha desse pessoal que chegou? Ainda não entendi como eles conseguiram achar aqui sem nem mesmo uma sinalização. Você sabe como esse lugar é complicado de achar desse jeito.
–É, eu sei. Mas não são os primeiros que conseguem chegar aqui sem informação nenhuma. O que me preocupa é essa tranquilidade deles e a naturalidade com que escutaram a frase “vou tentar arrumar uma casa para vocês”. Na situação deles eu ficaria no mínimo assustada com tudo isso.
–Vou ficar atento a esse pessoal. Acho melhor não dormir agora, não sei do que eles são capazes de fazer a filhinha do papai chefe! – eu entendi o tom sarcástico que ele fez.
–Acho melhor eu vigiar, por que se alguma coisa acontecer pelo menos eu vou conseguir atirar neles. Acho que eu consigo acertar um alvo GRANDE E NÍTIDO BEM NA MINHA FRENTE!!
Falei isso por causa do treino de tiro que acontece toda semana. Há um tempo, uma daquelas coisas conseguiu encontrar o campo de treino e foi em direção à Cameron. Ele quase descarregou a arma dele, mas não conseguiu o acertar. Foi uma cena bem engraçada, não sou má nem nada do tipo.
– Pearl!!!! Isso tem muito tempo que aconteceu, não começa com essa história!
–HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!! Me perdoa, Cameron. Mas foi engraçado!
–Não foi... – ele se segurou por cinco segundos e começou a rir.
Pelo menos aquela história quebrou a tensão que estava rolando em casa. Passamos o resto da noite conversando e falando sobre histórias engraçadas que aconteceram no condomínio. Preciso confessar que isso me deixou mais tranquila e com menos medo da situação. Tem um bom tempo que não preciso lidar com isso, mas o lado positivo é que consegui perceber que não posso ficar totalmente tranquila vivendo aqui dentro sem ficar ligada com o que acontece fora desses portões.
Fale com o autor