Notas iniciais
OLÁ, INUMANOS! ♥ Tudo bem com vocês? Essa história terá um capítulo com POV* da Rose e outro com o POV do Robbie Reyes. Essa é a minha primeira tentativa em escrever com POVs e eu estou adorando. Rose conquistou o meu coração e entrar com tudo na cabeça de Robbie está sendo uma aventura sensacional. Nesse capítulo teremos o primeiro POV de Robbie, o reencontro dele com uma personagem muito querida de Agents of SHIELD e também uma revelação importante para a trama: de quem Rose é irmã? Eu espero que vocês curtam esse capítulo ♥ Um beijão! http://msbarbiebelcher.tumblr.com/



Você não é quem decidi quem merece morrer.

Cala a boca, murmurei para ele, retornando para dentro do carro e batendo a porta. Respirei fundo, lançando um olhar de ponta a ponta na estrada. Não havia ninguém, apenas o som de fogo queimando a distância. Fechei minhas mãos em torno do volante e decidi ir embora, ligando o carro. Não consegui prosseguir com o ordenado pelo Ghost. Isso não era novo, mas ainda era estranho e conflitante conseguir quebrar uma ordem dele. Era como ter comido uma sopa estragada e senti-la brincando com o seu estômago. O Ghost continuava a resmungar que, eu deveria ter prosseguido assim mesmo e ignorado a leitura no coração dela, mas ele sabia que eu não conseguiria. Eu tinha sede de vingança, mas a minha racionalidade, ainda tinha voz, mesmo que temesse perdê-la em algum momento. O Ghost tinha sede de vingança e desejava saciar nela, mas, se ela não fosse verdadeiramente culpada...

Mas ela é. O Ghost ressoou com frustração.

O meu não valia ainda mais do que o sim dele. Era uma luta, mas valia. E honestamente, eu não sabia o que teria acontecido se ela não tivesse sido engolida pela terra. Aquela foi uma imagem e tanto e eu já vi muita coisa perturbadora. Começando pelas chamas que saem da minha cabeça quando o Ghost me domina. Mas, aquilo que ela podia fazer com as sombras... Foi de assustador para impressionante em poucos segundos.

E ela era forte. Senti o ombro pegar por conta dos socos dela. O Ghost regenerava uma facada, mas esqueceu de dar uma aliviada para os socos dela.

É para você lembrar que ela lutou...

Outros lutaram. Outros imploraram. Muitos, até. E nenhum merecia. Ele até teve a experiência de ter alguém pedindo para ele matar. Acabaram se tornando amigos depois disso. Agora, essa Rose... ele encontrou pureza no coração dela, mesmo no meio do caos. Se ela era culpada pelo crime acusado pelo Ghost deveria existir crueldade em seu coração, escuridão. Não, ele viu escuridão e era muita, não tinha como existir bondade em seu coração após tudo aquilo. Ele viu nela dor e bondade, horror e bondade, ela tinha desejo de vingança e bondade, depressão e mais anseio por libertação, temor e bondade, tristeza e raiva, muita raiva e mesmo com tantos sentimentos dolorosos, a bondade nela se destacava como um daqueles letreiros das ruas de Los Angeles. Perguntas demais e resposta alguma. Pelo silêncio do Ghost, ele não saciara a sua sede de vingança, mas teve o bastante por aquela noite e ele também estava sem respostas para a situação da Rose. Ou eu poderia ter? Daisy. Ela buscava por inumanos, se eu não me enganava, essa era a sua missão prioritária na SHIELD. Se ela estivesse ocupada, ele teria que resolver isso sozinho, mas a avisaria mesmo assim. Quem sabe ela tinha alguma informação sobre ela ou talvez, nem soubesse da existência dessa inumana na área. Isso poderia ajudá-la.

— Ela controla sombras? — Daisy soou surpresa através da ligação. Eu já tinha chegado em casa e Gabe dormia e agora que ele sabia o que eu fazia, seu sono estava bem mais leve, quase como se vigiasse os meus passos. — Parece a sua praia.

Sombra e inferno. Ela não tinha ideia de como a sua ironia tinha um ponto de verdade.

— Não sei se é a minha praia, mas certamente é a dela — sussurrei, arqueando as sobrancelhas com o braço apoiado na parede, olhando para a vizinhança. Estava tudo calmo naquela noite. Isso era raro, mas quem era eu para reclamar de paz momentânea?

— Você teve problemas com ela? — ela soou preocupada, à distância, pude escutar o som das teclas digitais do sistema. — Ela causou algum caos nas ruas?

— Eu diria que foi o contrário... — uni as sobrancelhas, pensativo. — Ela não parecia nada perdida. — Ela sabia bem o que estava fazendo e não estava brincando, nem um pouco.

— Isso é novo — ela soltou uma exclamação de surpresa.

— Eu diria que sim. Ela demonstrou saber dominar o que fosse aquilo e apenas utilizou para se defender — estava aí, eu não me dei conta disso na hora, efeito do Ghost dominando a minha cabeça, mas ela desde o principio demonstrou não ser a pessoa que ele acreditava que ela era. Ela podia ter matado alguém. Ela podia ter matado todos aqueles homens (que vale dizer, não mereciam piedade), ela tinha domínio da situação. Bom, até eu chegar, boa parte da situação.

— Tudo bem. Então, ela deve ter se transformado a alguns meses e conseguiu controlar o básico dos seus dons... — Daisy racionalizou digitando rapidamente e o tec tec ecoou pela linha. — No sistema de busca do índice não encontrei nada conectando a uma inumana com controle das sombras. Há um tempo atrás conhecemos um inumano com dons de umbracinese, mas ele morreu. Seria improvável existir duas pessoas com o mesmo poder...

— Procura o nome Rose... — sugeri, tentando me lembrar do seu sobrenome, mas ela me interrompeu antes que eu conseguisse me recordar.

— Rose? — ela repetiu e eu concordei.

— Conhece alguém com esse nome?

— Não, quer dizer, conheci, antes de toda aquela bagunça da Aida, mas não pode ser a mesma Rose... — Aida. Bufei, a bagunça que ela fez nas nossas vidas, ainda era sentido por mim. Foram seis meses perdidos, para esconder aquele livro maldito. — Também não encontrei nada.

— Tudo bem — aceitei, batendo os nós dos dedos contra a parede. — Valeu à tentativa.

— Você conhece ela? — Daisy questionou e arrumei a cortina, fechando-a para cortar a pouca claridade da rua buscando entrar na sala.

— Não. É coisa do fantasma — não queria ter aquela conversa. Não agora. Estava cansado e se eu a conhecia bem, ela deveria estar sob alguma capital importante bebendo o terceiro energético da noite. — Depois a gente se fala.

— Sem problemas. Toma cuidado.

É o que eu tenho feito desde o dia 01.

Após o café da manhã e deixar Gabe na escola, prometendo buscá-lo no fim da sua aula de reforço de química, segui para o Canelo's Auto and Body. Canelo, como de costume estava em seu escritório, mexendo em algumas notas. Os funcionários trabalhavam com a rádio latina local tocando no rádio. Sem humor algum para estar acordado, segui para o vestuário, onde coloquei o uniforme e peguei minha caixa de ferramentas no armário. Precisava terminar de consertar uma caminhonete para o final do dia e eu queria sair mais cedo, mas quando vi Canelo me chamando com o indicador, sabia que não sairia cedo é muito provavelmente, não teria nem um fim de expediente.

— Tem uma garota com um SVU todo destruído lá na frente, esperando por você, para reparar... — concordei, por saber que se reclamasse ele provavelmente faria um discurso sobre a moleza dos jovens e me empurraria mais dois trabalhos para o fim desse dia. — Achei que era seu tipo de serviço — ele largou os papéis na mesa, me fitando. — Tentei convencê-la a ir a polícia, mas ela desconversou, disse que ela bateu o carro e ele foi alvejado durante a noite. Contanto que ela pague pelo serviço, eu acredito.

— Vou atende-la — assenti, seguindo para a saída.

— E tenta arrancar algo dela — olhei por sobre o ombro. — Não to afim de ter a polícia aqui perguntando sobre alguma fugitiva bonitona.

Era só o que me faltava.

Segui para a entrada carregando a maleta em uma mão e as luvas na outra. O SVU estava no encostamento. A dona estava encostada na lataria do veículo com um gorro vermelho, um óculos escuros e um lenço no pescoço. A lataria pintada de vermelha estava destroçada. Amassada, arranhada, com partes queimadas e dezenas de furos, de fuzil, pelo que parecia. Se ela bateu, os danos deveriam ser só na parte frontal, mas o carro contava outra história, os amassados e arranhados percorria, por toda a lateral e traseira do veículo. E os tiros também. Eu daria meu braço, mas se aquela mulher estava no carro, ela deveria estar morta agora.

Larguei a maleta aos pés dela e ela se afastou da capota.

— Bom dia. Pelo que eu vi, a lataria vai ter que ser mudada por completo, como também algumas bases de plástico queimados. Não vi o estado do interior, mas pelos buracos de tiros, suponho que não esteja melhor, agora vamos ver o motor... — Ergui os meus olhos e encontrei a dona do carro e lembra que eu disse que eu não teria fim naquele expediente. É, eu ia ter um fim. Ela tirou os óculos e me olhava estupefata, a dona era ninguém menos do que a mulher das sombras, Rose. E isso não podia ser uma coincidência. — O que você quer?

— O que eu quero é que você tire as mãos do meu carro — ela retrucou com a voz rouca, me fitando com os olhos arregalados. Afastei as mãos, erguendo no ar e ela fechou a tampa em um baque. — Você é ele, o cara de ontem à noite...

— Se você veio aqui por conta de ontem à noite... — eu comecei mirando os meus olhos nela.

— Eu posso estar com um alvo no meio da minha testa, mas isso não me faz uma suicida ao ponto de vir atrás de você — ela deu um passo até mim em desafio, cruzando os braços. — Você tentou me matar.

— Foi o Ghost, não eu. Ele voltou atrás nisso... — tentei explicar e ela comprimiu os lábios com o seu rosto contorcendo no que parecia incredulidade.

— Eu sei quem é o Ghost — ele murmurou, rude. — Eu não sou uma obtusa a ponto de não saber que você é o Justiceiro da California.

— Você mudaria de pensamento se conhecesse a origem dele — murmurei, olhando para a oficina em busca de algum colega fuxicando a discussão, mas não despertara a atenção de ninguém, então aquilo ainda podia ser empurrado para debaixo do tapete. O Ghost estava resmungando em minha cabeça não entender o porque dela seduzir sua sede de vinganca, mas isso ser reprimido quando ele via suas intenções. Bufei, revirando os olhos.

— Muito obrigada, prefiro que a história do acampamento de terror fique no acampamento de terror — ela apontou para atrás de mim com as sobrancelhas arqueadas e não vou negar, aquela energia dela me confundia.

— É melhor assim — retruquei, grosso. — Por isso, vai embora, antes que ele mude de ideia...

— Você está me ameacando? — ela empertigou, crispando os lábios, me olhando com o cenho enrugado. Ela não tinha valor à vida ou estava testando o meu limite? Só para avisar, ele é nulo.

— Eu estou te fazendo um convite amigável — precisei respirar fundo para não perder o que restava de paciência e a calma que me dominou não podia ser minha. A cara variou de incredulidade a análise. — Tem uma oficina a duas quadras daqui, eles atendem SVUs em estado de calamidade — ela arqueou as sobranchelas, inclinando a cabeça e honestamente não sei o que passou pela cabeça dela. — Diz que o Robbie, do Canelo’s te enviou e eles ainda te darão um desconto.

— Eu não preciso do seu desconto como piedade depois do que você fez ontem — ela acusou, dando um passo adiante, erguendo o rosto para ficar no meu nível. Se isso fosse a preview de uma luta de UFC ela seria o cara ruim e eu seria o cara que só quer ir para o hotel para dormir, depois de ganhar o cinturão.

— Se eu fiz o que fiz foi porque você em primeiro lugar matou alguém inocente — retruquei com frieza, travando o maxilar e encarando o seu desafio. Ela esperava por isso. Seus olhos brilharam e o sorriso que escapou dos seus lábios tinha algo de diabólico.

— Você consideraria um estuprador uma pessoa inocente, Robbie? — Ela bateu o indicador no meu crachá com algo entre deboche e frivolidade correndo em suas palavras. Estuprador? Ela disse isso na noite anterior. Então, se ela matou ele por acreditar que ele era um estuprador e o Ghost acredita que ele é inocente, um dos dois está errado, mas qual deles? Eu vou apostar no ser tocado pelo Diabo. E não, eu não estou falando dela. — E o senhor fantasma, também? — ela perguntou me mirando, como se buscasse algum sinal dele. — Ele está dormindo ou está dando uma voltinha pela cidade para pegar um bronze?

— Já chega. Você está testando a paciência dele — enruguei o cenho, abaixando o meu rosto. A paciência dele e a minha, vale lembrar e a minha não era lá tão curta quanto a dele.

— E eu não tenho isso — ela pontuou, dominada por seriedade. — Não veio no meu código de DNA — ela sustentou aquela a sua postura, com um tom de voz ameaçador. — Se você ousar tocar em um fio do meu cabelo sem a minha autorização, você vai fazer uma visita ao inferno sem retorno...

— Já fui lá — debochei, forçando um sorriso. — Não é tão ruim quanto dizem.

Ela parou de caminhar me olhando com uma incerteza quase cômica e um gesticular das mãos na defensiva.

— Eu sei o que você é — proferi, dando um passo até ela e pela primeira vez, a assisti deixar sua guarda cair.

— E eu também sei o que você é... — Ela rebateu comprimindo um sorriso forçado. — Maluco por estar a menos de um passo da mulher que pode sugar você para o centro da terra.

— Inumana, é como eles te chamam — ela me olhou com desgosto. Considerei isso um convite e prossegui. — O que você fez ontem à noite, poderia ter dado muito errado.

— Eu sei, mas se eu não fizesse morreria nas mãos deles ou nas suas — ela ponderou. Vagando os seus olhos na fachada. — Então, eu acho que eu e a população da California saimos no lucro.

Ela moveu os pés para trás, tencionando a ir embora.

— Por que os capangas do Los Bravos estavam atrás de você? — não custava nada tentar conseguir uma resposta do jeito fácil.

— Não é da sua conta — ela cuspiu as palavras com descaso.

De soslaio, assisti Carlos deixar a oficina, limpando as mãos sujas de graxas em um pano já imundo de graxas e acenou para mim. Não era uma boa hora para falar do time de futebol do bairro.

— Eu estou tentando te ajudar — revelei a ela e me dei conta de como deve ter sido frustrante para Daisy tentar conseguir me ajudar.

Carlos parou a poucos passos de nós, parecia incerto se devia interromper.

— E eu não preciso da ajuda do cara que na noite passada amarrou uma corrente no meu pescoço para me sufocar... — Fechei os olhos, comprimindo os lábios. Ela arqueou as sobrancelhas, parecendo não compreender o meu silêncio.

Então, olhei para Carlos.
Ela teve um AVC imaginário.

— Nossa, eu... — Carlos meneou negativamente com a mãos dando um passo para trás. — Eu ia pedir a chave de fendas, mas você está ocupado, então depois eu... — antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Carlos nos deixou com uma risada abafada.

E quando eu achava que não podia piorar...

— Eu... — foi então que eu vi, uma pessoa atrás de Rose aproximar—se e o seu rosto conhecido me garantiu que o que estivesse acontecendo ali com Rose tinha tudo para desandar para o pior.

Se era possível...

— Ei, Robbie — Daisy cumprimentou com um sorriso largo e estranho, parando a poucos passos de mim, percebendo a situação e parecendo buscar por qualquer sinal para interver. — Tudo bem por aqui?

— Tudo sim — confirmei e ela entendeu que eu não estava mentindo, deixando os seus olhos vagarem até Rose e foi aí que percebi, a chica das sombras estava olhando Daisy como se tivesse visto um fantasma e o mais estranho, Daisy parecia também sob o mesmo efeito.

— Skye? — Rose perguntou com uma comoção percorrendo o seu semblante.

— É, eu... — Daisy meneou a cabeça negativamente, atordoada. — Não escuto esse nome a muito tempo.

— Vocês se conhecem? — perguntei para Daisy apontando de uma a outra e ela meneou a cabeça em negativa e Rose concordou.

— Te explico depois — Daisy me disse me lançando um olhar cuidadoso.

— De qualquer modo, eu preciso ir, eu deixei meu telefone com o Canelo — por algum motivo, o tom e a postura desafiadora de Rose minguou. Antes ela parecia uma chica de três metros de altura e dona de um trono, agora ela parecia um filhote de coelho, procurando a sua toca perdida. — Quando tiverem o orçamento, sabe o que fazer...

Ela acelerou os passos, prosseguindo rua acima e Daisy a seguiu imediatamente.

— Ei, espere — ela obedeceu com retenção. — Rose...

— Você sabe o meu nome? — ela olhou Daisy com um olhar assombrado.

— Eu... — Daisy trocou um olhar comigo e cruzei os braços, olhando de uma a outra. — É difícil explicar.

— Eu não sabia que o meu irmão tinha falado de mim para você — Rose sussurrou com um olhar caído.

— E não falou — Rose assentiu, engolindo em seco. Por um instante pensei ter visto algumas lágrimas no canto dos seus olhos, mas isso logo desapareceu, quando ela arqueou uma sobrancelha, cruzando os braços.

— Então, como você sabe quem eu sou? — ela tinha um olhar investigativo sobre Daisy e dei um passo em direção a elas.

— Você lembra ele... — foram as palavras de Daisy e Rose deixou os ombros cairem.

Como uma criança assustada, ela deu alguns passos para trás com um olhar pesaroso e conflituoso e antes que qualquer um de nós pudesse dizer qualquer coisa, ela distanciou em passos rapidos.

— Eu preciso ir... — e ela atravessou a rua, acelerando os passos, até correr e desaparecer na esquina.

Estranho nem começa a explicar a situação.

— Se importa de explicar o que acabou de acontecer? — Questionei, despertando Daisy de seus pensamentos, aparentemente, melancolicos. — Eu pensava que você não tivesse encontrado nada da Rose...

— Ela é a irmã do Ward... — Daisy revelou com um embargo.

— Aquele Ward? — arqueei uma sobrancelha, me recordando da sua rapida introdução ao tal Ward: um traidor mesquinho que traiu a confiança do grupo. Aparentemente, não foi só isso.

— É — Daisy meneou a cabeça em negativa, passando os dedos nos cabelos. — Rose... Ela foi com quem você encontrou ontem à noite! — Bingo. — Isso não faz o menor sentido. Eu tenho procurado pela existência dela no sistema a meses desde o framework e estava achando que ela tinha mudado de nome ou pior...

— Ele nunca disse da existência dessa irmã?

— Sim, ele disse, mas como ele tinha uma relação difícil com a família, ele pouco falava sobre isso. O que é estranho é ele ter uma irmã inumana e nunca ter mencionado isso, nenhuma vez a ninguém... Pelo menos não para mim — Daisy arqueou uma sobrancelha e eu podia jurar que ela estava tentada a seguí—la. — Voces conversaram? Voce sabe alguma coisa dela?

— Além de que ela é uma ameaça de meio metro e desaforada? — curvei a boca em uma careta, tirando as luvas. — Não sei muito.

— Esse carro era dela? — Daisy apontou para o SVU com uma ruguinha no cenho.

— Era — duvidava muito que conseguiria salvar algo dali. — Eu ainda estou assimilando o que houve ontem — Daisy concentrou em mim, pensativa. — Eu a encontrei na avenida principal em conflito com alguns homens da gangue do Los Bravos.

— Sabe porquê?

— Não estava lá para fazer amizade — Daisy colocou as mãos na cintura, surpresa. — O Ghost me deu o nome dela.

— Ela matou alguém? — ela não parecia surpresa com isso.

— Sim, é de acordo com ela, ele era culpado, mas o Ghost insiste que ele era inocente... — enfiei as luvas nos bolsos do uniforme e Daisy crispou os lábios, retornando os seus olhos para a lataria destruída do veículo e para mim, deixando um sorriso cair nos lábios.

— Mas ela tá viva.

— Eu não pude fazer, ela não merecia morrer — era verdade, por mais que o Ghost odiasse isso, eu não conseguiria matá—la após ler seu coração.

— Eu preciso voltar para a nave — Daisy repousou a mão em meu ombro e assentiu em cumprimento. — Preciso falar com Coulson sobre isso tudo e levar um esporro. Se souber qualquer coisa sobre ela, me avise, ok?

— Eu duvido muito que ela retorne.

Eu estava enganado.
De novo.

Depois de pegar Gabe na escola e levá—lo para casa, retornei ao Canolo’s para fazer hora extra, para terminar a caminhonete. Seria noite dos tacos, então eu podia atrasar um pouco a janta. Canolo estava no escritório, ouvindo uma partida de futebol e fazendo as contas finais das despesas do mês, entre um xingamento e outro, ele comemorava um gol do seu time. O trabalho caminhava bem, só precisava reconectar alguns fios e garantir que as baterias suportariam as novas fiações. Foi quando eu percebi uma sombra me encobrindo, diminuindo a luz sobre mim. Eu senti um arrepio na nuca, levantei os meus olhos e ali estava Rose, recostada contra a lataria da caminhonete com uma mão apoiada no teto e outra na porta, me mirando alerta.

— Você perdeu o seu juízo em vir aqui — resmunguei, ela olhou para a oficina, o cenho enrugado e o lábios crispado. Ela sabia que eu tinha razão.

Retornei minha atenção a conectar os fios, sentindo os seus olhos sobre mim.

— Voce pode saber quem eu sou, mas você não me conhece. E nem sabe do que eu sou capaz.

— Eu conheço alguém que sabe — parei o que fazia e olhei—a com duvida e ela parecia ter envelhecido dois anos da manhã para a noite. — Coulson te lembra alguma coisa?

— Daisy mandou ele falar com você?

— Eu diria que foi uma consequência da bagunça que ela fez em me procurar no sistema — me empertiguei, assistindo ela entrar no carro, sentando no banco do carona. A Rose de algumas horas atrás até me encarou, mas se manteve na defensiva o processo inteiro, mas a Rose de agora tinha algo mais, algo sombrio escondido no seu olhar. — Ele disse que mesmo depois do que houve, eu devo confiar em você.

— E eu devo confiar em você por que? — fiquei de pé, limpando as mãos com o pano.

— Ah, por favor — ela abriu um sorriso debochado e gesticulou para si. — Olhe para mim, quem não confiaria em mim?

— Eu posso fazer uma lista — voltei a minha concentração em fechar o compartimento dos fios, com ela me assistindo atentamente. Aquilo estava me deixando seriamente incomodado. — O que você veio fazer aqui? — larguei o que fazia, olhando-a. — Depois da nossa conversa mais cedo, eu voltei para casa e pesquisei a sua carreira como Ghost Rider. É bem impressionante. Você acabou com muitas gangues, matou um nazista aqui, um pedofilo ali, estupradores e outros tantos que mereciam apodrecer na cadeia — franzi o cenho, mantendo os meus olhos grudados nele. — Uma parte de mim não aceita com os seus métodos, mas a caótica dentro de mim tem que concordar que para alguns casos é bem efetivo.

— E? — eu sabia onde isso estava indo.

— Você vire e mexe vai atrás dos membros dos Los Bravos — ela não cortou o nosso olhar, inclinando a cabeça.

— Eles tem pedido por isso — disse, olhando-a com atenção. — Eles estão no meio de uma guerra com outras gangues e ela implodiu nas ruas colocando a vida das pessoas em risco. Eu estou acabando com isso, um a um.

— Eu preciso chegar até Samuel, o braço direito do Bravo.

Ela quer vingança, o Ghost acordou em minha cabeça e ele estava contente, na realidade, ele estava vibrando. Pergunta do garoto.

— Por que você matou o garoto? — era uma curiosidade em comum.

— Ele estuprou minha amiga — o seu olhar caiu sobre as mãos. — Ele foi incriminado por ela e o caso levado a corte, mas o juri o inocentou por conta do passado dela. Ela tinha uma testemunha que daria credibilidade, mas ela não se apresentou na corte. O juiz deu como encerrado o caso e precisei lutar muito para conseguir colocá-lo no sistema como estuprador, mas quando eu o vi presenciando a morte da Laura... algo me dominou.

Ela não está mentindo

— Ele não podia sair impune daquilo também, eu só não esperava que isso... — suas mãos foram lentamente circundada por aquelas energia escura em particulas granuladas proveniente do interior da caminhonete. — Fosse capaz de matar alguém...

— Foi sem querer — conclui, cortando o nosso olhar.

— Eu queria que eles pagassem — ela disse crispando os lábios.

— Você queria que eles morressem? — minha pergunta levou ela a me olhar com a testa franzida.

— É mais complicado do que isso — ela sussurrou e meneou a cabeça em negativa, fechando os olhos e massageou a testa. — Você sabe onde posso encontrar o Samuel?

— Não. Ele nunca foi o meu foco — ela entortou os lábios, insatisfeita. — Eu quero o Bravo — revelei os planos do Ghost e ela moveu a cabeça me olhando com compreensão.

— Mas, para chegar nele não seria melhor pegar o braço direito dele? — ela pontuou, pensativa.

— E eu peguei, só que ele tinha um substituto a tira colo — ela assentiu, mordiscando o canto dos lábios rosados. Afastei os meus olhos dela, guardando as ferramentas na caixa. — Então, voltei a estaca zero.

— Samuel.

— O que você pretende fazer com ele?

— Nada dentro da lei — ela respondeu com um sorriso torto. — E você, ou melhor, o Ghost Rider? Uma seção de correntes elevadas em chamas seria interessante naquele cara.

— Eu não sei nem como te responder isso — fechei a porta do motorista e percebi ela sorrindo, deixando o banco do carona e fechando a porta.

— Eu sei que você não é o tipo de cara que faz parcerias...

— Primeira coisa sensata que você me disse até agora — murmurei interrompendo as suas palavras.

— Você quer o Bravo, eu quero o Samuel e não vou negar que é do meu interesse tirar o Bravo das ruas também — ela parou ao lado do capô, me assistindo terminar de conferir o motor. — Me ajuda a pegar o Samuel...

— Não — grunhi.

— Eu te ajudo a pegar o Bravo — ela não desistiu e fechei a tampa do capô, olhando-a sério.

— Eu não preciso de ajuda, chica.

— Mas eu preciso — ela confessou, me olhando com um olhar sincero. — E se você não precisasse também já teria pego o Bravo e Samuel não teria matado a Laura...

— Você está me culpando pela morte da sua amiga?

— Não, não estou, só estou dizendo que podemos nos beneficiar da ajuda um do outro, se você estiver aberto a isso — ela sugeriu com um sorriso convidativo.

— Não estou — não precisava pensar nisso. Estava fora de cogitação. Não com o Ghost com o nome dela ainda na lista.

— Então serei obrigada a convencê-lo — ela insistiu, cruzando os braços. Uni as sobrancelhas, esperando que ela titubeasse, mas ela estava decidida. Eu tinha um problema: eu atraia esse tipo de mulher teimosa e invocada.

— Eu não estou dizendo não a sua proposta, mas não a estar com você.

— Você tem algum problema comigo? — ela não parecia nem um pouco ofendida. Na realidade, ela parecia admirada.

— Eu poderia fazer uma lista, mas vou dar prioridade ao fato de que o Ghost ainda quer te matar.

— Ah, isso — ela arqueou as sobrancelhas, mordiscando o canto dos lábios. — Se resolvermos isso, você me ajuda?

— Como você pretende fazer isso?

— Tem um jeito, vou precisar quebrar algumas leis, mas... Eu estava pensando com os meus botões, se o Antônio não era culpado, isso quer dizer que alguém o incriminou — estava acompanhando o raciocínio dela. — E se alguém o incriminou, quer dizer que estão acobertando alguém... Tem um jeito de eu descobrir isso.

— Como?

— Preciso invadir o ambulatório do hospital, onde foi feito a coleta do abuso — cruzei os braços, seguindo sua linha de raciocinio. — Eu conheço uma pessoa lá, posso pedir por um novo teste...

— Você não precisa fazer isso.

— Preciso. Eu preciso ter a minha consciência tranquila — suas palavras pareciam sinceras. — Só vou conseguir fazendo isso e se só assim eu vou conseguir a sua ajuda, então, só reforça a necessidade de fazer isso.

— Você não vai desistir, não é? — eu estava exausto, mentalmente.

— Eu sei onde você trabalha, sua amiga é a Skye, Daisy, sei lá, não acompanhei essa mudança de identidade... Coulson disse que pegaria no seu pé se você torna-se tudo difícil para mim e o seu colega de trabalho acha que fizemos sexo sadomasoquista... — apontei o indicador a ela, fechando os olhos. Ela sorriu, convencida. — Eu tenho muito material a meu favor para tornar a sua vida um inferno.

— Isso é uma ameaça? — sorri com deboche. Ela precisava se colocar em dia.

— Um aviso amigável — ela repetiu as minhas palavras com uma jocosidade charmosa. — Vai, diz que sim. Dá uma pequena alegria a minha semana.

— Que semana ruim você teve... — comentei em tom amigável e ela riu, crispando uma careta.

— Está mais para uma vida.

— Tudo bem — aceitei, se não desse certo ela mesma perceberia isso e cada um seguiria por si. — Eu vou ver o que consigo descobrir do Samuel e te aviso.

— Serio? — ela não escondeu a sua surpresa.

— Eu posso voltar atrás a qualquer momento... — revelei meneando a cabeça em negativa, levantando a maleta de ferramentas e peguei ela de relance, sorrindo.

— Não, não. Eu vou te esperar — ela concordou com aquele sorriso indescritível, parando a minha frente. — Obrigada.

— Não agradeça — pedi, abaixando a cabeça com um menear lento, olha ela sobre a luz do poste da rua. — Depois que você pisar nisso não vai sair mais.

— Nisso o que? — ela inclinou a cabeça, encucada.

— No inferno.

Ela não fraquejou. Nem demonstrou temor ou surpresa com minhas palavras. Ela alargou o seu sorriso, arqueando uma sobrancelha, como se me desafiasse ou como se soubesse disso e torcesse para que isso acontecesse.
Ela era mais do que desaforada... Ela era uma chica loca.
Franzi o cenho, percebendo pela primeira vez que os olhos dela sob a luz eram tão avelãs com as pupilas levemente dilatadas de um jeito quase inumano. Ela deu aquele sorriso que me deixava sem respostas e eu segui para a oficina, passando lado a lado de seu ombro, sentindo o seu olhar me acompanhar como uma chama.

Notas finais
E aí, o que vocês acharam desse capítulo? Alguma teoria? Gostaram da participação especial da Daisy Johnson? Querem mais dela na história? E o que falar dessa parceria entre o Robbie e a Rose? Aí aí, o que virá disso, hein? Deixe o seu comentário, me diga o que está achando e o que você gostaria de ver por aqui.