Ghost Prey: Here by Choice

3 #LadyShadow feat #GhostRider


Notas iniciais
OLÁ, MATES! Tudo bem com vocês? Capítulo fresquinho para vocês! Nesse capítulo saberemos mais sobre o passado de Rose, inclusive com um membro da equipe da SHIELD. Um tal de FILHO DA VACA? SACARAM, SACARAM? AH, para quem lê quadrinhos tem algumas referências PESADAS a uma equipe recentemente formada por novos inumanos e a menção (e futura participação) de um personagem beeeem diabólico. ANTENINHAS ATENTAS, sombrinhas! E é claro, teremos MUITO ROBBIE e ROSE. Tem ação, tem revelação, tem comédia, tem romance e esse capítulo tem um final... EU MAL POSSO ESPERAR PARA O PRÓXIMO! Se você tiver um tumblr, me acompanhe por lá - http://msbarbiebelcher.tumblr.com/ Costumo postar muitas coisas sobre o Universo Marvel e as minhas fanfictions, essa e Born to Die ♥ Um beijão, pessoal!



Virei outro gole da cerveja fitando o meu reflexo no espelho. Do lado de fora, os carros buzinavam na hora de rush. Quem entrava no bar estava buscando pelo prato feito do almoço e quem estava no balcão ou estava alimentando um vicio ou se deixando ser consumido por ele. Bati meus dedos no balcão e levantei o indicador, pedindo por mais uma garrafa para o barman, tentando não atrair a atenção de Jo.

— Não, não – Falei miseravelmente. Jolene veio trotando do outro lado do bar. Minha vizinha e amiga californiana de olhos grandes e cabelos castanhos presos por um lenço vermelho em tiara largou o paninho sobre mim, meneando a cabeça em negativa. — Você está indo para a terceira cerveja em menos de meia hora!

— Jo, eu conheço os meus limites — resmunguei, empertigando a minha postura. Péssima ideia, fiquei perigosamente tonta, mas disfarcei bem (eu acho!), agarrando as mãos na beira do balcão.

— Você não tem limites, Rose — ela secou o balcão diante de mim e largou o pano de prato sobre o ombro, se debruçando. — Não são nem duas da tarde e você já bebeu duas dessas e quer mais... — ela gesticulou para prosseguir, empurrando uma garrafa geladinha para mim. — Vai, desabafa.

— Eu vou precisar de mais bebida do que essa e um divã — debochei, arqueando as sobrancelhas.

— Sua sorte do dia: ser psicólogo é uma das funções de uma barman e eu estou terminando minha faculdade de psicologia — Jo sorriu, repousando os antebraços no balcão, assim tornando a nossa conversa privada.

Como seria a melhor forma de contar a ela o que estava acontecendo, sem de fato, contar alguma coisa?

— Você já foi assombrada pelos erros da sua família? — ótima escolha, Rose, indo na fonte dos meus problemas desde 1988.

— Eu sou o primeiro erro da família Chiaro — ela gesticulou para si sacudindo a cabeça e eu a olhei incrédula, sem compreender. — Querida, no natal de 1997 meu pai disse que eu só estava viva por que minha mãe não sabia como vestir uma camisinha e pelo visto, depois do casamento deles, ela não aprendeu com os seus erros, porque meu irmão nasceu nove meses depois.

— Os erros da minha família são um pouco mais complicados do que uma camisinha mal colocada — disse, entortando os meus lábios bebericando a cerveja.

— Eu lembro dos noticiários falando sobre o assassinato dos seus pais — arqueei as sobrancelhas, quem não ouviu? Prestigiosa família é assassina pelo primogenito que após o homicidio, comete suicidio. Isso rodou a televisão americana por dias. — Foi o seu irmão, não é? — uni as sobrancelhas, era impossível não sentir aquele embargo ao pensar em Grant e nas suas ações. E o embargo se tornava acido quando eu sabia toda a mentira por trás da dura verdade serpenteando a família Grant. — O senador. Eu lembro dos jornais com a foto dele...

— É — não sustentei muito aquilo, bebericando novamente a cerveja.

— Lembro que a mídia fez um estardalhaço disso, deve ter sido uma merda — era um jeito de colocar. — Perder a família e ainda tem que lidar com esses babacas da mídia endemonizando a sua família com aquelas histórias de abuso e o seu irmão ser um traidor do país... — ela revirou os olhos, saturada. Então, um sorriso escorregou no canto dos lábios. — Ele é bonitão.

— Era — corrigi, repousando a garrafa na bancada. Grant puxou a beleza italiana do nosso pai, eu puxei o veneno de nossa mãe. Jo arregalou os olhos, desconfortável.

— Nossa, eu estava esperando algo como, minha mãe é controladora e meu pai é ausente, mas isso é...

— É bem pior? — completei as suas palavras franzindo a testa. Ela não tinha ideia. — Jo, você não tem ideia.

— Quer conversar sobre o que houve?

Eu encontrei com a ex do meu irmão morto, incompreendido, possuído por sei lá o que dos inumanos e abandonado. Como colocar em palavras o que houve naqueles breves segundos?

— Eu vi um fantasma da vida do Grant e ele estava acompanhado do meu fantasma — eu deveria escrever um livro de poesias góticas.

— Eles trabalham em dupla? — Jo questionou com as sobrancelhas unidas. Fiquei um pouco confusa e honestamente, dei de ombros.

— Na minha sorte, sim.

— Conseguiu levar o carro no Canelo? — pisquei os olhos, precisando de alguns segundos para compreender a sua questão.

— Sim, sem problemas — levantei o polegar, comprimindo um sorriso. — Ele fez algumas perguntas, mas como você disse, ele é preguiçoso demais para ir a fundo da história.

— Você precisa tomar cuidado, Rosie — Jo proferiu com um bico. — Talvez, andar com um spray de pimenta seja uma boa para você.

O que eu faria com um spray de pimenta? Temperaria a minha pele para ser cozida com a polvora das balas deles?

— Eu que bebo e você me vem com essa? — debochei, entortando os lábios. Sussurrei as próximas palavras. — Os caras tinham metralhadoras e fuzis. Meu spray de pimenta só serviria para fazer cosquinhas neles.

— Mas ao menos você teria algo... — eu tinha algo, Jo. Um poder, ao qual pouco sabia sobre, mas tinha um enorme apreço.

— Para a cena do crime — completei, virando mais um gole só para dar drama na situação. Notei o olhar de Jo, preocupado, conflituoso, pesaroso e respirei fundo, abandonando a garrafa vazia no balcão. — Por mais que eu aprecie a sua preocupação, eu sei como me cuidar.

— Eu percebi isso depois que vi o estado do seu carro — olha só, deboche. Sorri um pouquinho mais largo. — Voce até tem cara de quem sobreviveu a um desastre, mas preciso confessar, eu esperava que você estivesse pior... — ela me fitou de cima abaixo, como se buscasse algum arranhão escondido por baixo de uma base ou corretivo.

— Eu tive ajuda — disse, em um piscar de olhos.

— De quem? — ela impertigou, curiosa. — Algum daqueles inumamos bizarros, brincando de super herói?

— Sabe que eu não sei... — ai estava uma boa questão. Diziam que o Ghost Rider tinha o diabo em seu corpo, mas... eu estava racionalizando a probabilidade dele realmente ser possuido pelo capeta. Eu, a garota meio et. Grunhi, abaixando a cabeça sobre o balcão.

— Ele era bizarro? — ela questionou, com incerteza.

— Era normalzinho em comparação ao que eu estou acostumada — respondi, crispando os lábios. Mexi em meu bolso, tirando algumas notas para fechar o valor e uma boa gorjeta. — Toma, fica com o troco — arrumei a gola de meu casaco, levantando da banqueta sentindo o mundo pesar e girar, mas logo voltar para o seu lugar. — Preciso resolver algumas coisas antes do anoitecer.

Segui para a saída e senti os olhos de Jo me acompanhando, com o dinheiro enrolado entre os seus dedos.

— Hoje é noite do karaokê, acha que consegue dar um pulo aqui? — ela questionou animada.

Ah, noite de Karaoke. Bebida pela metade do preço e música dos anos 80 liberadas para ser cantadas a pleno pulmões por uma Rose bebada. Eu teria que passar essa...

— Vou ver se consigo encaixar entre o meu treino de Krav Maga e a minha caçada a um criminoso em série — girei os calcanhares, caminhando de costas lançando uma piscadela para ela.

— Garota atarefada — ela brincou com um sorriso frouxo e dei de ombros, batendo continência a ela e partindo.

O sol bateu em meus olhos e grunhi. Ficar duas horas dentro de um bar com luz baixa bebendo cervejas vagabundas era um pedido certo para se tornar uma vampira passiva.

Sem carro e meio bebada, comprei uma mini barca de batatas fritas com muito ketchup e maionese. Para matar o álcool, retornei para casa a pé, comendo batatinha por batatinha sentindo um comichão em meu estômago. Eu estava nervosa, ansiosa. Não ter controle do que aconteceria a seguir era como esperar pelo soco do adversário, você antecipa tanto que acaba levando uma rasteira e desmaiando por conta de uma concussão, antes do famigerado soco acontecer. Foi assim que me senti ao ver o conversível vermelho de capota avantajada. Lola. O seu dono, um cinquentão careca de óculos escuros e um terno azul aguardava ao lado do veículo. Coulson. Quando os seus olhos me encontraram, ele comprimiu um sorriso, tirando os seus óculos. Grunhi. Amassei a mini barca de papelão gordurosa e joguei no lixo, chupando os dedos sujos de sal. Pelo visto, o dia ia piorar mais antes de melhorar.

— Deixa adivinhar, a Skye contou que me encontrou? — murmurei com ranço.

— Agora o nome dela é Daisy... — ele corrigiu unindo as mãos à frente do corpo com aquele sorriso comprimido, revirei os olhos pouco me importando.

— Não ligo – rugi, olhando para Phil inexpressiva.

— Precisamos conversar, Rose.

— Imaginei... — segui para a portaria do meu prédio sacando a chave do meu bolso e ele me seguiu, entendendo nas entrelinhas.

Ninguém cruzou o nosso caminho. O meu andar estava tão silêncio que podia ser confundido com uma capela. Abri a porta em um estalo e dei espaço para ele entrar, investigando a sua postura com desconfiança. Fechei a porta passando a tranca e as duas fechaduras.

— Desconfiada demais?

— Alguns costumes não se perdem... — lavei as mãos na pia e sequei no pano de prato. Prossegui e abri a geladeira. — Posso te oferecer algo? Tenho cerveja, água, energético, mais água, tem um resto de um vinho barato e olha... Um iogurte vencido — joguei ele fora na lixeira com uma careta. Coulson tinha o cenho enrugado. — Eu juro que é a primeira vez.

Ele não acreditou em mim.
Nem eu acreditaria.

— A Daisy tem procurado por você nos últimos meses.

— Por que? — eu tinha uma interrogação em meu semblante, muito bem compreendido por ele. Por que diabos ela estava me procurando? Em primeira estância não deveria nem saber da minha existência. E em segunda, o que?

— Tivemos uma situação envolvendo uma viagem a uma realidade paralela criada por conta de um livro diabólica e controlada por um andróide e lá ela reencontrou o seu irmão, Grant, como também conheceu você... — pisquei os olhos com os lábios entreabertos. Que merda era essa, a porcaria de um episódio de Doctor Who só que sem o Doctor?

— Ok, eu vou ignorar o fato de que uma realidade paralela é real e ir direto ao elefante na sala: o que eu estava fazendo lá se eu estou aqui? — cruzei os meus braços com uma ruga no meu cenho.

— Como disse é uma realidade paralela e de acordo com o Fitz, pode se existir várias versões nossas em cada uma dessas realidades e em muitas delas, podem ser diferentes de quem somos, depende apenas das decisões tomadas por elas ou é claro, de quem os domina nessa dimensão... — a tranquilidade desse homem me assombrava. Eu não duraria um dia nesse emprego, sem me dopar de rivotril e dez horas de terapia intensiva.

— Nossa, tá — primeiro, o Fitz era o engenheiro, não é? E segundo, várias dimensões? Pessoas controlando elas? Várias Roses danificadas por aí nessas dimensões? E terceiro: eu posso ser ruiva em uma delas? — Eu vou precisar daquela cerveja...

Peguei uma das cervejas e bati a tampa na quina da ilha metálica, assistindo a fumaça gélida abandonar o gargalo. Bebi sem olhar para Coulson, obviamente, me julgando.

— Resumindo, quem estava por trás dessa realidade paralela conhecia a história do seu irmão, antes da HIDRA, antes do Hive e naturalmente, isso levou ela a conhecer você também — assenti, repousando a garrafa na bancada. — De acordo com a Daisy, nessa dimensão, você chegava de uma viagem de Nova York para ficar com o seu irmão por alguns dias e vocês eram muito próximos, como melhores amigos.

— E? — gesticulei, apoiando os cotovelos na ilha, assistindo Coulson inspecionar o meu apartamento pequeno e organizado. — O que mais aconteceu?

— Bom, resolvemos esse problema, mas Daisy saiu de lá decidida em reencontrá-la — arqueei as sobrancelhas, surpresa. Mas, por que? Eu nem era eu lá? Ou era? Confuso. — Não me disse muito sobre, mas algo aconteceu lá, entre vocês que a deixou com esse senso de responsabilidade e desde então, eu precisei barrar várias tentativas de descriptografar os seus arquivos do sistema.

— Ok, vamos focar no que ela sabe sobre mim — repousei a garrafa no balcão. Se eu tomasse mais um gole, meus neuronios desistiriam de compreender toda aquela trama recém saída de algum filme de ficção.

— Agora, tudo graças a sua demonstração pública de heroísmo, eu estou precisando conter os danos, fugindo das ligações do Fury e a Daisy sabe o suficiente para fazer perguntas as pessoas certas — esse era Phil, me dando uma bronca as duas da tarde sem de fato, me dar uma bronca.

— Eu não estava bancando a heroína — retruquei com os lábios crispados. O conceito de super heroina para mim era tão abstrato quanto Picasso. — Eu estava salvando a minha bunda.

— Bom, os comentários das últimas 24 horas no Twitter dizem o contrário. #LadyShadowLA está entre os tópicos mais comentados de Los Angeles e outros 13 estados do país — ele sentou na banqueta da ilha metálica, próximo a mim. Cortei o nosso olhar por puro costume. Phil tinha um poder de me fazer sentir culpada por ter comido um biscoito antes do jantar. — Nessa hora deve ter umas uma dezena de fanfictions sua com o Ghost.

— Yup! — arquei as sobrancelhas, inexpressiva. Adoraria tirar uma selfie com o Capitão. Será que ele sabia o que era uma selfie? Empolgante.

— É, Yup! — ele exclamou sem emoção alguma em sua voz. — Você deveria ter me informado que estava aqui... — ele soou agora preocupado e amoleci.

— Estou a trabalho, é passageiro — é, essa decisão parecia ter sido tomada a uma eternidade.

— O tão passageiro? — ele questionou e arquei as sobrancelhas. Um passageiro bem longo.

Contei a ele como vim parar aqui. Como o caso de Grace desenrolou e acabei por me encontrar na cena de homicidio de Laura. Até chegar a ultima consequencia das minhas ações que me levaram em rota de colisão com o Ghost Rider.

— Foi através dele que a Daisy descobriu sobre você — ele comentou, compreendendo e ao mesmo tempo, me revelando a minha duvida. — Ele comunicou a atividade de uma inumana nas ruas dele e pediu para Daisy ajudar você.

Rua dele? Aquele Mashmallow em chamas não era só rude, como prepotente e fofoqueiro.

— Contra ele mesmo — completei, revirando os olhos.

— O que você quer dizer? — Phil uniu as sobrancelhas, curioso.

Ah, então o fofoquito não contou sobre a tentativa de homicidio do Ghost contra mim? Justamente a parte mais interessante de toda essa desventura. Só que não...

— Não se preocupe, se ele parou é porque o Ghost viu que há algo bom em você — ele comprimiu um sorriso e eu virei outro gole da cerveja, semicerrando os olhos.

Isso deveria ser bom? Eu deveria acender fogos de artificio e dar champagne de graça a quem passasse na rua?

— Yay, eu não sou tão podre quanto o esperado de um Ward — comemorei, debochada. Ele comprimiu um sorriso e de algum modo, achei que ele estava se divertindo com aquilo. — E aí, o que você contou a Daisy? Falou para ela do ultra secreto projeto dos Protetores?

— Não. Isso é confidencial.

— Claro. Até porque, nós preferiamos ser chamados de Monstros a solta! — se Daimon Hellstrom estivesse aqui, ele estaria gargalhando. Phil não. Privilégios de ter colegas de equipe com bom humor ácido e diabólico. A cada dia que passava ele ficava mais parecido com o Fury. Só faltava o tapa olho e o ar de quem pode te esmagar com o dedo mindinho. A tranquilidade de Coulson me revelava mais do que ele queria demonstrar e comprimi um sorriso.

— Tirando o projeto, eu contei tudo. Como cheguei até você, o porque, o que fizemos até então... — abaixei o meu olhar, arrancando o esmalte do meu polegar. Phil estava com aquele olhar de novo, agora eu sentia que tinha comido a última fatia de bolo de chocolate da geladeira. — Nós temos um código na SHIELD. Não mentimos para a nossa família — era um código bom se colocado em prática. Minha vida teria sido muito diferente se meu irmão tivesse seguido esse código. — Eu guardei você como um segredo por muito tempo.

Ele parecia sentido.

— Como ela reagiu a tudo? — não era como se a minha história se resumisse a terrigenesis e uns poderes malucos. Tinha muito por trás disso.

— Ela vai compreender eventualmente, como os outros.

— Outros? — empertiguei, arregalando os olhos. Eu sai do armário da SHIELD?

— O resto da equipe — Coulson explicou com um sorriso convicto. — Simmons está muito curiosa em conhecê-la. Algo sobre desmitificar a dimensão dos seus poderes.

— Eu pensava que eu fosse o elemento surpresa da SHIELD — eu, Daimon, Kamie, Kei... Se eu sair do armário da SHIELD, o que isso significava para a minha equipe? — E a minha equipe? Eles continuam...

— Em segredo. Mas, agora você não — não gostava mesmo nada desse papo. Eu sabia que quando assinei aquele acordo, eu acabaria com um alvo na minha cabeça, só não queria levar ninguém mais comigo. — O que fizemos ao longo desses anos foi o melhor. Nós sabíamos o que o Hive queria de você, nós sabíamos o que a HIDRA poderia fazer com você e nós sabemos o que você significa para o nosso mundo. Quando a Daisy retornou da terrigenesis, ela estava confusa, sozinha. Eu não pude fazer muito por ela, eu não pude fazer nada para ser honesto. Nem por ela, nem pela Elena, Joe... Os nosso métodos não funcionaram. Treinar, montar um grupo, usar os seus poderes para o bem de todos. O mundo não estava pronto para eles e nem eles prontos para o mundo. Eu não podia cometer o mesmo erro com você, não duas vezes.

— Você nunca errou comigo. Muito pelo contrário — proferi em respeito e comoção. — Depois de tudo, eu esperava apenas desprezo de qualquer um que o Grant tivesse cruzado o caminho, mas você foi diferente e eu aprecio isso. — Gentileza era algo raro em minha vida. Repousei minha mão em seu ombro, comprimindo um sorriso.

— Protegê-la desses erros foi a minha prioridade e eu acredito que fizemos um bom trabalho, até aqui...

— Eu diria isso — entortei um sorriso, deixando o meu olhar cair pensativa.

— O seu projeto foi criado pelo Fury. Ele viu potencial em você e nos outros, e Fury não é de acolher qualquer um.

— Ainda mais na minha circunstância... — sussurrei, inclinando a cabeça ponderando.

— Não se deprecie. Você não é o seu irmão — ele repousou sua mão sobre a minha, atraindo a minha atenção para ele. — Todo esse tempo que você passou nas sombras teve um proposito. Não era para te fazer uma heroina, uma vigilante, uma agente da SHIELD, mas para te preparar para o que você pode ser...

— Eu odeio quando você fala em códigos, eu sinto que não sei de nada ou menos do que nada, se é possível... — virei o resto da cerveja, meneando a cabeça em negativa. Phil estava orgulhoso.

— Aprendi no trabalho que tudo é possível em nosso mundo — de novo, ele falando em códigos.

— Deve ser um saco não ser surpreendido com a imprevisibilidade — arquei uma sobrancelha, entortando um sorriso.

— É bem o contrário. Eu me surpreendo muito, só disfarço bem — ele me olhou semicerrando levemente os olhos e calando as suas palavras, deixando subentendido as suas palavras. — Você precisa de ajuda nesse caso?

— Do que, ajuda da SHIELD? Não, eu acho que vocês tem coisas mais importantes para deter do que o braço direito de um líder de uma gangue local — brinquei, mas falava bem sério. — Além do mais, eu posso me virar com isso. Meu treinamento me preparou para o pior e isso é razoavelmente dificinho.

— O Robbie pode te ajudar nisso — a sua sugestão soou meio empolgada? Só eu percebi isso? Pisquei meus olhos, olhando-o com o cenho enrugado.

— Espera aí, você não vai tentar me enfiar dentro do armário dos inumanos? — eu estava chocada. — Isso está acontecendo mesmo? Você está concordando com isso?

— Não concordo, mas também não tenho porque discordar. Você está pronta. Não era esse o motivo principal por trás dos Protetores? Você se encontrar além do seu sobrenome. É esse o momento — suas palavras me inspiraram. Não a pegar um collant azul com vermelho e sair por aí, lutando contra o crime a lá Capitã America, mas certamente, suas palavras me ajudaram a enxergar o que ele via ao me olhar. Sorri, timida. — Eu acho que não tem como te colocar dentro do armário dos inumanos depois de ontem e do que você fez naquele beco... — aí está o Phil lógico de volta, senhoras e senhores. — É, eu vi — ele firmou os seus olhos em mim, meneando a cabeça em negativa. — Você sabe o que eu acho de vigilantes...

— Maneiros? — brinquei e ri, por conta da sua seriedade comedida. — Sei... Imprudentes, inresponsáveis, voláteis, impulsivos, egocêntricos...

— E você também sabe o que eu acho da justiça, ela precisa ser feita não importando os meios — ergui minha cabeça, encontrando o meu reflexo distorcido no armário de laminado da cozinha. — A SHIELD pode fazer muito pelas pessoas, mas as vezes, eu preciso de pessoas como você e o Ghost para fazer o que é incapacitado das minhas mãos.

Como diria o Daimon, fazer o trabalho de seu pai que pode envolver um pouco de sangue, tortura e gritos. Não exatamente nessa ordem.

— É para isso que você está me preparando, para ser a sombra da SHIELD? — levantei uma sobrancelha, maliciosa.

— Não só da SHIELD — uni as sobrancelhas, confusa. — Robbie com o Ghost tem eliminado ao longo dos anos membros perigosos de várias gangues de Los Angeles. A extinção dos Los Locos foi por conta dele.

— É, eu li... — era impressionante, mas não demonstrei. Ainda estava bem desgostosa com o palito de fosforo.

— Robbie não é do tipo que trabalha em dupla, mas eu aconselharia você tentar conciliar uma com ele — olhei para Phil, pensando seriamente que era mais fácil fazer uma parceria com um tigre faminto.

— Não sei se ele vai querer ter algo mais comigo após o nosso encontro quente da noite passada — comentei, jocosa. Phil negou com a mão. Sorri satisfeita.

— Isso soou tão errado, mas ao mesmo tempo, muito estimulante — ele via algo ali que novamente, estava turvo aos meus olhos.

— Eu posso me virar... — meneei a cabeça em positivo, levantando para jogar a garrafa no lixo.

— Eu acredito que você e o Robbie se dariam bem juntos — ele comprimiu aquele seu sorriso misterioso e eu crispei os lábios duvidando mortalmente daquilo. Era mais fácil eu me dar bem com a Skye, Daisy, quem sabe o nome dela daqui a cinco minutos...

— Eu só preciso botar as mãos no Samuel — disse, decidida, recostando na ilha metálica apoiando as minhas mãos na beirada.

— É aí fará o que?

— Já tentaram fazer o que ele merece por lei, então, eu vou por outro caminho, algo menos dentro das normas — proferi, pensativa. Talvez um pouco de tortura. É, eu estava passando muito tempo com Daimon.

— Se pudesse te aconselhar, pediria que não o fizesse, mas por ter estado repetidamente no seu lugar, posso apenas pedir que tome cuidado — Phil levantou, arrumando o seu paletô e prendendo um botão.

— Você acha que a Daisy vai vir atrás de mim? — mordi o canto dos meus lábios, cruzando os braços.

— Provavelmente — isso não parecia convidativo. — Quando ela coloca algo na cabeça, dificilmente esquece.

Isso me lembra muito o Grant – e um pouco de mim.

— Você sabe o que ela quer comigo?

— Fechamento — ele não parecia certo disso, mas aceitei as suas palavras.

Era algo que o meu irmão dizia, ele não podia seguir em frente, se havia pontas soltas no seu passado.

— De uma chance a ela — ele sugeriu, me mirando pensativo.

— Acho que não sou eu quem está na posição de decidir isso — ele ponderou, mas não concordou.

— Quero um relatório dos seus próximos passos daqui a dois dias — argh, trabalho! Mais um ponto a menos para o palito de fosforo que me colocou nessa. Fofoquito endiabrado! Phil começou a seguir para a saída. — Continua seguindo o módulo de treinamento?

— Todos os dias. Treino duas horas por dia e tenho tido bons resultados — expliquei acompanhando ele com tranquilidade, para saída do meu apartamento. — Estou conseguindo me teletransportar de um ponto a outro só com o meu pensamento — proferi, orgulhosa. — Uma palavra para ser mais exata.

— Interessante — ele parecia empolgado. — Para onde você foi?

— Do meu quarto para a sala, da cozinha para o térreo — apontei, demonstrando a distância e abri um sorriso animado. — Do meio do confronto da morte com o Ghost para o cemitério...

— Prático e isso explica a sua calça suja de lama — ele apontou para as minhas pernas e xinguei percebendo pela primeira vez as minhas pernas imunda de lama e grama. Merda, por isso aquele gatinho na banca de jornal estava me olhando. Não era paquera, era horror. Bufei, abrindo a porta. — Mantemos contato.

Phil sorriu, saudoso.

— É, é — gesticulei, desgostosa, acenando para ele e soltando a porta, para ela fechar sozinha, enquanto eu seguia para dentro de casa.

— É Rose, é bom te ver bem — ele proferiu sorrindo e colocando os seus óculos aviador, lancei um olhar sobre o ombro e correspondi o seu aceno e a porta fechou num baque suave.

Coulson partiu, me deixando algumas instruções e me deu um smartwatch exclusivo da SHIELD. Se eu precisasse de reforços era só chamar através dele e ele poderia me contatar por ele também. Coloquei o relógio e me senti uma Power Ranger, esperando o Zord me chamando para proteger a Cidade dos Anjos. Era para ser irônico, acabou sendo real demais. Entrei em confronto comigo mesma por conta do conselho de Coulson. Ele conhecia o Robbie e mostrou confiar nele, ao menos apreciar a sua índole, mesmo com ele tendo tentado me matar. Sua opinião valia como diamante para mim, até porque Coulson não era um homem de confiar em qualquer um só por conta dos seus poderes legais. Eu precisava de ajuda e se Robbie era a pessoa indicada para me ajudar a conseguir o que eu queria, eu precisava formular um bom caso para conquistar, ao menos a sua atenção, quisa, com sorte, o seu interesse.

Como conquistar a atenção de um cara possuído pelo demônio, pesquisar no Goggle.

Apareceu a foto de um gatinho gritando.

Eu me sentia exatamente assim.

Preparei um espaguete com frango picadinho ao molho de tomate e cebola, devorei tudo com uma taça de vinho, pesquisando no meu notebook sobre o Ghost Rider e tudo o que ele fizera na cidade de Los Angeles nos últimos cinco anos. Muita coisa. Imprimi algumas notícias, algumas postagens de pessoas que o presenciaram em ação e anotei algumas informações. Me sentia montando a base de um caso, só que a defesa seria a meu favor.

Um pouco bitolada por tanto ler e precisando dar uma esticada em minhas pernas, enfiei meu gorro vermelho e vesti meu casaco de couro e sai, sem ter um rumo. Eu pensava em tudo que descobri sobre o Robbie, o Ghost, na noite anterior, na conversa com Coulson e no que queria fazer, e acima de tudo, me peguei pensando no que eu precisava fazer. Levantei os meus olhos da calçada e me encontrei sem palavras. Ali estava a minha resposta. Podia ser uma coincidência brutal ou o destino mexendo os seus pauzinhos para me ajudar a encontrar a minha resposta, mas ali estava um um grafite no muro de um dos bairros latinos, uma enorme representação do Ghost Rider, com alguns carros ao fundo é muita cor. Ossos cruzados marcavam a contagem de corpos feitas por ele. Era um grafite bonito, mesmo com uma ideia perturbadora por trás dela, eu não podia negar estar seduzida pelo conceito. Deixei um sorriso escapar, em resposta a quem estava por trás daquele ato. De todas as ruas, eu justamente me levei até ali. Era engenhoso. Bom, engenhoso ou não, eu tinha a minha resposta e agora, eu precisa descobrir a dele.

Fiquei de tocaia na saída do Canelo. O carro de Robbie não estava na garagem e um a um os funcionários iam embora para as suas vidas. Eu esperava uma chance para falar com Canelo, tentar descobrir onde poderia encontrar Robbie, quando o seu carro virou a esquina e eu me escondi atrás de um carro estacionado na rua. Eu achava que ele não tinha me visto. Fiquei à espreita, até que discretamente segui para dentro do estabelecimento e contemplei ele consertando uma caminhonete com uma atenção admirável. Conversamos, recebi ameaças e lancei algumas. Confessei precisar da sua ajuda e por algum motivo, além do descobrir se Antônio era inocente ou não, ele quis me ajudar. Coulson tinha razão. Ele não gostava de parcerias, mas tinha uma índole boa.

Na manhã seguinte prossegui em minha missão de retornar no ambulatório onde o exame de corpo e delito de Grace fora feito. Eu precisava descobrir a verdadeira história por trás disso é por isso ser parte do meu acordo com Robbie, o quanto antes eu tivesse essa resposta, melhor para a nossa parceria. Consegui falar com o cara que eu conhecia e ofereci algumas notas de cem dólares para ele refazer o teste. O resultado sairia em três dias, ele me ligaria e me entregaria o resultado na clínica. Por mais ansiosa que eu estivesse por esse resultado, eu aguentaria à espera. Aproveitei o tempo livre para protocolar os arquivos do caso da Grace, encaixotando tudo para enviar para a firma da Jerri em Nova York, é claro, com a solução do caso verdadeira, mas para isso, eu ainda precisava colocar as minhas mãos em Samuel e pegar a sua confissão. É isso ficaria mais perto no dia seguinte. Robbie me ligou. Com aquele mal humor que parecia parte da sua simpatia natural, ele disse que tinha conseguido algo e perguntou se eu podia me encontrará uma hora. Eu podia me encontrar agora mesmo. Peguei a touca vermelha, meu casaco de couro vermelha e enfiei o que precisaria nos bolsos, partindo para pegar o próximo metrô para o bairro da loja do Canelo, onde Robbie me esperaria.

— Você está atrasada! – conferi o relógio: cinco minutos. Só cinco minutos de atraso. Bufei, revirando os olhos. — Eu não tenho a tarde toda a disposição da princesa de Nova York — seu sotaque espanhol tinha um q de charmoso irritável que me levou a revirar os olhos novamente. Era um recorde.

— Desculpa, se o meu carro está destruído e eu precisei usar o metrô como um ser humano normal — debochei, cruzando os meus braços. A tensão entre nós era tão consistente que um estranho poderia tocar no ar. — Eu teria chegado mais cedo, se eu pudesse usar as sombras, mas não acho que os seus colegas estariam aqui amanhã se me vissem brotar do asfalto — apontei com a cabeça para a oficina, percebendo os empregados assistindo a nossa interação com curiosidade, inclusive o cara de alguns dias atrás, tinha um sorriso enorme e malicioso para Robbie. Ele meneou a cabeça em negativa, E eu sorri, era bom vê-lo cair do pedestal de ignorância, ali tão desconfortável dentro da própria pele. — O que você conseguiu?

— Um endereço e um nome — ele não demonstrou emoção, fitando-me discretamente. — Topa ir lá agora?

Ele não estava me fitando, Robbie estava analisando se eu estava vestida apropriadamente para isso. Isso explicava o olhar duvidoso dele para a minha bota dourada.

— Sem sombra de dúvidas — sombra... entendeu? Entendeu a minha piadinha? Ele olhou para o alto, girando os calcanhares. Após três passos, eu compreendi: era para eu seguí-lo. Apertei os passos, antes que ele queimasse a cabeça de fosforo! Ele entrou na oficina e caminhava decidido (se estivesse tocando Lemonade ao fundo, eu juraria que ele ia quebrar um carro) ignorando os olhares dos colegas. Ele parou na porta do motorista de um carro preto, tirando as chaves do bolso e sacudindo-as. — Nós vamos... Nisso?

— Não fala assim da baby — ele resmungou, abrindo a porta e indicando com a cabeça para eu entrar também. — Essa é uma charge de 1981. É uma relíquia.

— Ok — sentei no banco de couro, estranhamente macia. Não entrei no mérito, só assentindo para não atiçar a criança inocente. — Ela anda, certo? — debochei comprimindo um sorriso.

— Você pode estar acostumada com a sua SVU do ano passado, mas a minha charge anda e alcança velocidade o suficiente para fazê-la parar de debochar da minha obra de arte... — ele resmungou, ligando o veículo que ronronou meio cansado, mas ele não partiu. Olhei para ele, pontuando o fato ao qual, eu estava claramente correta. Ele retribuiu o olhar, crispando os lábios e os seus olhos brilharam.

— Ok — levantei as mãos em defesa. — Falar do carro é assunto delicado, anotado — passei um ziper imaginário nos lábios, retornando minha atenção ao horizonte. — Não está mais aqui quem falou.

Ele colocou o cinto e eu apoiei meu cotovelo na janela e escutei o motor morrer lentamente. Olhei para ele, não entendendo o motivo para isso e porque diabos Reyes me olhava como se eu tivesse vomitado no couro do seu carro como a garota do Exorcista.

— O que eu posso já ter feito de errado? — resmunguei, incrédula.


— O cinto — Ele rosnou. Enruguei o cenho e ele segurou o próprio cinto. — Coloca.


— Ah, por favor — Resmunguei, revirando os olhos. — Vamos embora.

— Não, esse carro não sai daqui até que a señorita coloque o cinto... — ele insistiu apontando para o cinto e acomodando-se na sua poltrona.

— Você é o Ghost Rider — ele levantou as sobrancelhas, como se precisasse de tradução. — Eu vi você pilotando esse carro em chamas, Robbie — Tem alguns vídeos bem expositivos no youtube. Ele cortou o nosso olhar, meneando a cabeça em negativa. — Eu só estaria com melhor motorista se fosse com aquele cara do conduzindo Miss Daisy.

Daisy... Curvei os lábios em desgosto.

Ele bufou e meneou a cabeça em negativa, xingando em espanhol que eu era uma teimosa sem escrúpulos e irritante. Irredutível, não mexi um músculo, sorrindo. Eu estava brincando com fogo. Literalmente.

Ah. Outra piadinha. Ele bateu a base da mão no volante, tirou o cinto num estalo e cortou o espaço entre nós, praticamente subindo sobre o meu corpo pegando o cinto e colocando em mim, mesmo sob os meus protestos.

— Jesus, Roberto. — ralhei e ele me ignorou, recolocando o cinto e ligando o motor do carro. — Se você queria ficar em cima de mim, era só pedir...


— Era? — ele rebateu a pergunta com o que parecia ser um sorriso.

— O que posso dizer eu gosto de um cara com a cabeça quente — abri um sorriso largo e assisti Robbie me fitar sombrio. — Ahn, entendeu? Entendeu?


— Se você continuar com essas piadinhas, eu te abandono no deserto — ele proferiu com aquela carranca que o deixava adorável. De lado para ele, sorri quando ele me olhou, ainda mantendo aquele ar nefasto.

— Uh, não se preocupe... Eu sou resistente ao calor, deve ser algo que a gente tem em comum, já que você é praticamente feito disso — Gargalhei. Ele ficou sério e entortei os lábios, sem graça. — Desculpa, não planejei essa.


— Não tem graça — Ele partiu com o carro, atento à avenida.


— Tem sim — Ele não respondeu. — Só um pouquinho, vai? Até porque estou fazendo isso com a única e benevolente intenção de tentar arrancar um sorriso de você e estou falhando

miseravelmente... — fiz beicinho e ele me olhou de soslaio.

— Sua benevolência não vai te levar a lugar nenhum se você não aprender a ser engraçada, é assim que você faz as pessoas rirem, Chica.

— Hm. Talvez eu que te abandone no deserto — ele abafou uma risada e fechei a cara para ele, cutucando seu ombro em represália. — Não teve graça.


— Teve sim e não incomode o motorista... — suspirei, voltando meu olhar no horizonte. — E você está no meu carro e nós temos regras aqui: Nada de comida. Eu escolho a música. Pés fora do painel — ele apontou para os meus pés confortavelmente descansando no painel. Tirei entortando um sorriso. — Eu dirijo.

— Cadê a mascara e a arma? — ele uniu as sobrancelhas, acelerando o carro em uma curva. — Para quando formos roubar um banco?

— Não questione a minha direção, eu sei o que estou fazendo... — sim, ele estava tentando nos matar.

— Eu ainda posso respirar? — questionei, fingindo sufocar.

— Se for necessário... — ele resmungou evitando me olhar.

— Jesus... Você precisa relaxar — e eu achando que eu era a problemática.

Entediada abri o porta luvas, fuxicando o que tinha ali.

— Ei, o que você está fazendo? — como ele não deu um tapa na minha mão, prossegui.


— Te roubando, assim o seu fantasminha camarada tem um motivo verdadeiro para querer me matar — debochei e ele crispou os lábios, abri uma bolsinha com cds, passando um por um. — Você sabia que existe uma coisa chamada Spotify e ele comporta uma boa parte desses cds, não é?

— São relíquias — ele retrucou, desgostoso.

— Percebi, pela poeira — assoprei, fingindo distanciar a poeira inexistente. — Esse CD do bon jovi tem quase a minha idade.

— Eu bem que suspeitei que você era velha, por conta de todo esse resmungo — o crispar dos seus lábios tornou-se um sorriso.

— Falou o delinquente do parquinho, mais mal humorado que um ex- militar com reumatismo — rebati, cheia de mim.

— Só o fato de você saber o que reumatismo dá crédito à minha afirmação — ele rebateu minhas palavras cheio de si.

— Cala boca, Robbie — retruquei e pelo canto dos olhos percebi que ele sorriu e abaixei meu rosto, escondendo um sorriso. Virei outra página e encontrei um CD interessante, era uma banda indie. Coloquei no aparelho, sob o olhar curioso dele e sua pergunta entregou a sua inquietude com a minha confortabilidade no seu carro. — City e Colour.

— Deve ser do Gabe. — Ele disse, dando de ombro.

— É bom — A primeira música começou a tocar e voltei a inspecionar o porta luvas, encontrando uma foto. Meu estômago afundou com o que eu poderia encontrar ali, mas acalmou quando a imagem se revelou como Robbie abraçado a um rapaz, ambos sorrindo na imagem e parecia ter alguns anos. — Gabe, é ele na foto?

— É, ele faz dezesseis mês que vem — ele olhou com curiosidade para a imagem.

— Legal — admirei a foto mais uma vez, com um sorriso torto. — Como ele é? É emburrado feito você? — ele entortou os lábios, mas deixou essa passar.

— Não, ele é um bom garoto — ele comprimiu um sorriso e aos meus olhos, aquela era a primeira vez que o via tão leve. Bom garoto, senti Robbie amolecer comigo ao revelar isso. Então o diabinho tinha um coração? Bom saber.

— Você também não é de todo ruim — disse, afastando o meu olhar dele. — Claro que a primeira impressão fica, mas... — assisti ele revirar os olhos, travando o maxilar. — Você entendeu.

— É você, tem irmãos? — Ele questionou escapando de uma fila de carros e cortando caminho por uma rua residencial. Arregalei os olhos, surpresa com a questão. Foi como levar um soco no estômago.

— Não mais — ele me olhou e parecia arrependido pela questão. — Éramos quatro irmãos, dois mortos e Thomas, ele vive em Boston e é o único beneficiado com o gene da normalidade na família — Puxei as mangas da minha jaqueta para cobrir a bainha da camisa, mordiscando o canto das minhas bochechas.

— Um deles era o Grant... — seu cérebro parecia maquinar em compreensão.

— É — eu concordei, sentindo um nó acido em minha garganta. — Ele foi o que eu tive mais perto de uma família e ela era bem disfuncional.

— Seus pais ainda estão vivos...? — Robbie Reyes estava fazendo conversa comigo. Não era um treinamento. REPITO: NÃO ERA UM TREINAMENTO. E ele justamente queria conversar sobre tudo no mundo que eu não gostaria de falar, com ninguém.

— Não, eles morreram em um acidente de carro — as minhas palavras escaparam antes que eu pudesse ponderar e senti os seus olhos pesarem em mim. Eu era ótima mentindo, era natural para mim, mas por algum motivo, eu senti um peso sobre os meus ombros ao dizer isso a Robbie.

— Eu sinto muito — ele soou sincero e infelizmente, isso não tornou os meus sentimentos menos abrasivos. Ele não tinha ideia.

— Não sinta — a dureza em minhas palavras dominou o meu semblante. — Eles mereciam pior.

— Você lidou com tudo isso sozinha?

— Em parte. Eu tive ajuda do Grant, para entender o que estava acontecendo comigo, o que aconteceria se eu exposse os meus poderes, o que eu podia fazer, se eu perdesse o controle, essas coisas... — entortei um sorriso, olhando-o de soslaio e o encontrando com uma ruguinha que me lembrava incerteza. — Me sinto como o Capitão só que bem menos graciosa, idosa e patriótica.

— Não falei disso... — ele olhou para as minhas mãos. Voltou sua atenção para a estrada e me olhou de soslaio, refletindo. — Falei dos seus pais — Ele disse suave, parando o carro no sinal e me olhando com mais atenção e eu podia jurar que seu semblante cairá em pesar. — Família é importante, mas esse tipo, o tipo ruim... Eu conheço esse tipo e você está melhor longe deles — ele mexeu na marcha e voltou a dirigir, concentrando seus olhos no horizonte e eu não consegui deixar de olhá-los. — Eles é quem perdem.

— Cuidado, quem te ouvir falando assim pode pensar que você gosta de mim... — comentei com um sorrisinho jocoso.

Ele me olhou, e eu não sabia dizer o que se passou por trás daquele olhar. Curiosidade ou ele esperava ouvir uma resposta. Eu estava muda. Ele voltou sua atenção para o horizonte e me mexi na poltrona, sentindo minha barriga revirar e voltei a futucar o porta luvas, por algum motivo, me senti incapaz de falar o que sentia quando ele conhecia o que os meus pais achavam de mim e ele tinha visto o que eu podia fazer.

— Mesmo com você revirando as minhas coisas... Você tem lá sua simpatia.

— O que posso fazer... Eu estou tentando desvendar o homem por trás do fantasma — brinquei, pegando um pacotinho de chicletes. — Hm, ele gosta de menta.

— Você tem três anos de idade... — ele resmungou, dando uma curva, o que me fez deixar a bala escorregar da minha mão e cair no carpete. Opa! — E é bom isso não grudar.

—Ou eu sou uma idosa ou eu tenho três anos — peguei o chiclete, enrolando no papel e jogando no lixinho. — Assim não dá para seguir sua linha de raciocínio...

— Você é uma idosa de três anos — ele proferiu e curvei meus lábios, assentindo e aceitando a sua análise. Ele olhou para uma placa no alto e fez uma nova curva, acelerando um pouco mais ao ver a rua deserta. — O que você está pensando em fazer ao chegar lá?

Estava aí a pergunta de um milhão de dólares.

— Não pensei nisso ainda... — Robbie xingou em espanhol e dessa vez, eu prefiro não traduzir. Ele entrou em uma vaga abruptamente o que sacudiu os meus órgãos — eu esperava que era isso — ele prendeu a marcha e desligou o motor. — Jesus.

— É bom chamar por ele — ele grunhiu, virando o seu corpo para mim. — Você precisa dele. Você não tem um plano — eu pensava que tivesse sido clara.

— Eu não tenho nem um plan...

— Vamos voltar — ele se moveu para religar o veículo e segurei a sua mão e ele olhou da minha mão, para mim. Distanciei meu toque, sentindo ter invadido um campo proibido.

— Não. Por favor. Eu sei que não sou a companhia mais esperta e certamente você ia preferir estar com a sua amiga agente dos super inumanos do que comigo, mas eu preciso fazer isso e por incrível que pareça, você é a única pessoa em quem confio para me ajudar.

— Obrigado? — ele tinha uma interrogação delimitando o seu semblante.

— Eles tentaram me matar e não vão parar até conseguir. Se eu matei um garoto inocente, como você diz, eu preciso saber — ele fechou os olhos e crispei os meus lábios.

— Faz alguma diferença?

— Para mim faz — respondi imediatamente. Como não poderia ser importante saber se aquele garoto era culpado ou não? Se eu matei ele por acidente ou não, a minha consciência pesaria sem uma resposta. Além do mais, Samuel estava livre, minha vida e a de Grace ainda estava na roleta russa. Robbie apoiou as mãos no volante tomando alguns segundos para pensar, e eu estava pronta para saltar do carro, então ele me fitou e unindo as sobrancelhas. — E para você também. Você mesmo disse, o fantasma diz que eu sou culpada, mas você acredita em mim e quer descobrir a verdade.

— Nós vamos até esse clube, bebemos algo, damos uma investigada no lugar e se acharmos um furo, tentamos conseguir alguma resposta... — assenti, concordando com as diretrizes sem conseguir esconder o meu sorriso. Ele estava comigo. Ele botou o carro na rua, novamente.

— Para quem tem o Diabo no corpo você é muito prudente — comentei com um sorriso sapeca.

— É para quem está na lista do Diabo, você é muito imprudente — ele rebateu com um sorriso que adornava bem com o seu grunhido em forma de conversa.

— O que posso dizer, eu gosto de viver perigosamente. — enfiei a mão no porta luva só para azucrinar ele, peguei uma revista. Isso ia ser bom. E foi. Estava pronta para implicar com ele quando vi os desenhos coloridos na capa, os traços e o título. Aquilo era ouro. — Eu estava esperando por tudo, mas menos por isso... Capitão América? — mostrei a capa. — Você?

— É do Gabe — Comecei a rir, meneando a cabeça em negativa. Ele usava Gabe como subterfúgio? Virei a capa e gargalhei, apontando para uma etiqueta com o nome e endereço de Robbie.

— Tem seu nome aqui, Capitão Roberto — ele pegou a revista da minha mão e tacou no banco traseiro. — Ah, não desconta no Cap — ele trincou o maxilar e eu abafei um riso.

— Isso vai ter volta, chica — ele murmurou sacudindo o indicador para mim.

— disse Roberto, pensando em seu amor pelo Capitão América nas mãos da maquiavélica, porém bela Rose — proferi dramaticamente e Robbie meneou a cabeça em negativa.

— Você vai ser minha morte.

— Você não tem essa sorte, Robbie — arquei as sobrancelhas, admirando o horizonte e o que poderia nos reservar naquele clube.

Robbie estacionou o carro no meio fio, puxando o freio que soltou um estalo. Lancei um olhar para a fachada encontrando o letreiro do bar do Joe's.

— Não sabia que você era capaz de ler mentes... Eu poderia beber um drinque ou cinco — olhei para Robbie que se libertava do cinto com aquela ruguinha de mal humor em seu cenho. — Eu acho que você poderia beber o bar todo.

— Não estamos aqui para beber...

— Estraga prazeres — resmunguei crispando os meus lábios.

— Tem um cara no bar, Eddie... — concentrei minha atenção nele, pensativa. — Ele costuma ficar aqui nesse horário para marcar hora com os clientes.

— Marcar hora?

— Algumas pessoas não compram só algumas gramas, se você me entende... — Traficantes e freelancer. Era um bom lugar para disfarçar as negociações. — Sem contar que os Los Bravos também traficam eletrônicos, passam informações entre as gangues e até tem mercenarios.

— Que pessoal bacana! — Exclamei, investigando a postura de Robbie e soltei o meu cinto. — Como você ficou sabendo disso tudo?

— Ele me ajudou a encontrar o paradeiro do antigo braço direito do Bravo. Vamos dizer que ele disse tudo...

— Quem não diria? — murmurei, deixando o carro e ele seguiu os meus passos. — Como você quer fazer isso, do jeito fácil ou do jeito difícil?

— Como seria do jeito fácil? — ele franziu a testa, mostrando curiosidade.

— Eu precisaria levar ele para o banheiro — imediatamente Robbie semicerrou os olhos, espantado. — Para usar os meus poderes! — corrigi com uma careta nos lábios. — Jesus, você tem um mente podre.

— Eu não disse nada, você que está supondo e vamos pelo jeito difícil... — ele tirou a chave da ignição, negando com a cabeça. — Eu ainda tenho que voltar para o trabalho, não tenho tempo para fugir da polícia hoje.

Ele abriu a porta, apontando com a cabeça para entrar na sua frente. Ele lançou um olhar preocupado sobre o ombro e entrou atrás de mim. No bar tinha dois homens bebendo em pontos distintos. Só havia um barman secando uma caneca de vidro, agora, nos mirando com desconfiança. Tinha um cara almoçando em uma mesa, conferindo o celular. Tinha um idoso com a cabeça abaixada na mesa. Troquei um olhar com Robbie e ele arqueou as sobrancelhas, indicando para a última mesa onde um rapaz latino estava sentado conferindo notas de dinheiro. Seguimos lado a lado até chegarmos à altura da mesa. Eddie levantou seus olhos para nós e moveu o palito de dentes nos lábios, tomando alguns segundos a mais para me fitar.

— Olá — foi uma saudação longa demais. — O que posso fazer por vocês?

— Precisamos marcar um encontro com Samuel para hoje — a marra de Robbie não era só comigo, era algo universal e caiu como uma luva para a situação.

— Samuel? Não conheço ninguém com esse nome — o garoto se fez de idiota, uma tática para despistar e Robbie trocou um olhar impaciente comigo. Tomei a frente, antes que tomasse a cara de Eddie e enfiasse contra a mesa.

— Olha, Eddie... — ele me olhou curioso ou com malícia. Não soube diferenciar e nem me importava. — Nós sabemos o que você faz aqui, ok? — Me aproximei dele com um sorrisinho no canto dos lábios. — Marca hora com os seu chefe para vender os produtos de primeira linha dos seus patrões. Nós temos interesse em algo que eles têm e sabemos que Samuel lida diretamente com isso.

— É isso seria? — Eddie se levantou, passando a mão no rosto me mirando com malícia. Revirei os olhos. Homens eram todos iguais só mudava de cara mesmo.

— Tem uma vadia que roubou o meu ponto, no clube dele, lá pela calle cinco... — disse com um pouco de marra, tentando me adequar um pouco a situação. Senti os olhos de Robbie sobre mim e torcia para ele estar incorporado na minha interpretação.

— Antigo ponto dos Los Locos — Eddie disse, negando com a cabeça olhando de mim a Robbie. É, ele caiu na minha teia. — Não me meto com essa gente. E nem o meu chefe.

— Por que não? — proferi fingindo inocencia. Troquei um olhar com Robbie, curvando um sorriso torto. — Medo de ver um fantasma?

— O que você sabe sobre isso? — Eddie ficou movido na defensiva, olhando de mim a Robbie. Ele só precisou dar um passo em minha direção para Robbie enfiar a mão contra o seu peito, delimitando não apenas o espaço entre nós, me protegendo de qualquer investida dele, mas também impondo autoridade.

— E o que você sabe?

— Eu... — Eddie encarou Robbie e ele titubeou quando os seus olhos encontraram a jaqueta dele. — Eu conheço essa jaqueta. Ele usava ela — Robbie não fraquejou e olhou de soslaio para mim. Entendi. Ele estava ficando puto. — O Ghost Rider tinha uma igual.

— Liquidação de verão? — O rapaz tinha os olhos arregalados para Robbie, distanciando com horror. — Jeito fácil? — sussurrei para Robbie.

— Jeito fácil — ele concordou em um grunhido e abri um sorriso satisfeito.

Olhei Eddie e ele parecia prestes a desmaiar. Deve ter sido as minhas pupilas dilatadas em preto ou o fato de que a parede atrás dele brotou mãos e ele foi tragado para dentro dela.

— Que? — Robbie questionou em assombro.

Ele não foi único a demonstrar assombro. O bar tomou uma comoção, inclusive iniciou uma onda de insultos ao fato de eu ser uma inumana. Como se eu já não tivesse escutado pior! Apontei para o banheiro e arquei uma sobrancelha para o barman.

— Isso só vai levar alguns segundos...

— Eu vou ligar para a polícia — o barman ameaçou pegando o telefone.

— Eu não faria isso se fosse você... — a voz de Robbie ressoou grossa e sombria acompanhada da voz do Ghost e os olhos dele brilharam em vermelho.

— É o Ghost Rider! — o barman gritou, largando o telefone e caminhando para trás com terror em seu semblante,

— Eu vou cair fora daqui — disse, um dos clientes no balcão.

E foi assim que tivemos o bar só para nós.

— Isso que é jeito de fazer uma entrada — debochei, girando os meus calcanhares adentrando no banheiro masculino imundo e fedido. — Eu acho que agora podemos ter mais do que alguns segundos..

— Isso se ele não tiver fugido pelo basculante — ele rosnou, me seguindo.

— Não, ele não tem para onde ir — sorri com o meu feito. As mãos feitas de sombra seguravam Eddie firme pelos braços e pernas. É uma camada fina tapava os seus lábios, enquanto seus olhos estavam arregalados em terror. — Eddie, eu só vou perguntar uma vez: onde eu encontro o Samuel.

Liberei os lábios dele apenas para ele começar a gritar por ajuda.

— Ninguém vai vir te salvar — Robbie disse pareçendo se divertir com o horror dele. — Responda a pergunta da Chica antes que ela perca a paciência e eu te leve para dar uma voltinha sem retorno no meu carro.

Os seus olhos brilharam em vermelho ameaçadoramente. Ghost tinha uma fama e Robbie a precedia com sucesso.

O rapaz engoliu em seco, olhando de mim a Robbie.

— Ele vai me matar... — ele choramingou tentando se soltar das mãos e apenas arquei as sobrancelhas, era um esforço gasto em vão da parte dele. — Se ele souber que eu disse onde ele vai estar para uma inumana e você... — ele cuspiu as palavras, esbaforido.

— Ele não vai saber que estivemos aqui... — prometi, Robbie do meu lado enrijeceu o corpo, fechando os punhos. — Você pode sair dessa, só precisa responder a minha pergunta.

— Ele sabe de tudo... — ele grunhiu me mirando com incredulidade. — Isso aqui vai chegar nos ouvidos dele e todos nós morreremos.

— Não se matarmos ele antes — Eddie pensou nas palavras de Robbie. Não era uma promessa dele, era uma promessa do Ghost.

— Ele vai estar na casa branca, na rua sete, depois das dez... — Eddie sussurrou com os lábios trêmulos. Robbie deu um passo para partirmos, mas não me movi, o que atraiu a atenção de Robbie para mim.

— Com quantos seguranças? — questionei, mantendo Eddie ainda preso.

— Com a guarda dele — ele precisou de alguns segundos para me responder. Robbie olhou de mim a ele, e eu acho que ele estava entendendo onde eu queria chegar. Eddie olhou para mim. — Depois do que você fez ontem com os homens dele, hoje ele deve estar com o dobro atrás dele

— Certo — assenti semicerrando os meus olhos para Eddie. Não havia muito mais do que ele poderia fazer por nós. — Valeu pela sua colaboração — sorri.

Movi os dedos e as sombras desapareceram, Eddie derrapou, caindo de joelhos no chão. Ele levantou o rosto e Robbie acertou um soco na cara dele. O pau mandado de Samuel desmaiou naquele banheiro imundo. Entortei os lábios e deixei o lugar, inspecionando o bar ainda vazio. Ninguém retornara. Encontrei duas câmeras e fiz questão de manifestar duas sombras humanoides para quebralas e corroer a fiação. Isso causaria um dano no que estivesse gravado de nós.

Robbie vinha nos meus encalços, mas deixei ele passar na minha frente por conta de uma ideia que me passou na mente. Uma ideia bem maliciosa.

— Quando retornei para o carro, Robbie estava ligando o motor e uniu as sobrancelhas quando os seus olhos encontraram o que eu voltei para pegar. Ele tinha duas expressões: mau humor e hoje não. Acabei descobrindo que ele tinha uma terceira, a expressão de: vou consumir sua alma com apenas um olhar.

— Você não é loca de beber isso aqui — ele misturou o seu inglês com o espanhol e curvei os lábios. Ele apontou para a garrafa de vodka em minhas mãos já semi aberta. Ele não parou o carro, então isso não era um ultimato, certo?

— Na sua extensa lista do que não fazer no carro não tinha nada sobre beber bebidas, então... — virei um gole generoso, enquanto colocava o cinto de segurança e ele virou uma curva. Eu era multi tarefas. — Quer um pouco?

— Eu vou trabalhar... — ele grunhiu com sua atenção na avenida. Bebi mais um pouco.

— Uma pena, porque está ótimo — instiguei, fechando a tampa e guardando no bolso interno do meu casaco. — Até que nós saímos bem contra todas as probabilidades.

— Vode sabe o que é essa Casa branca? — ele retrucou olhando-me de soslaio, me encontrando assentindo com um sorriso de canto de lábios.

— É literalmente um casarão branco no meio da rua sete. Eu acho que o nome é uma ironia... Há um tempo atrás essa era uma rua residencial, mas após a chegada dos Bravos os moradores foram convidados a se retirar... — Robbie prestava atenção em minha explicação. — Bravo queria a rua só para ele, para vender, fazer festas, para as prostitutas terem um ponto... E ele conseguiu.

— É você não pensou que ele estaria lá? — ele arqueou uma sobrancelha e meneei a cabeça.

— Não, porque o Bravo fechou o funcionamento da rua após a polícia interver, a dois anos — acho que li isso em um dos documentos do caso. — Até me contarem em um dos meus interrogatórios para o caso que ele acabou por perder o ponto para uma gangue concorrente, em crescimento.

— Pelo visto, te enganaram — ele ponderou trincando o maxilar.

— Ou estão enganando Bravo — retruquei, estalando os meus dedos.

— Só tem um jeito de descobrir — Robbie sugeriu arqueando as sobrancelhas e eu não consegui conter um sorriso.

— Isso é um convite?

— Eu te disse que ia te ajudar e você disse que ia conseguir o resultado daquele exame...

— Isso está providenciado — revelei, correndo os meus olhos pela paisagem. — Eu acho que esse é um caso para o Ghost Rider e a Lady Shadow.

Robbie grunhiu sacudindo a cabeça em negação.

— Nunca mais repita isso.

— Me impeça! — desafiei, rindo ao me dar conta dos seus lábios crispando no que parecia ser um sorriso ou era só uma careta né?

Robbie retornou para o trabalho. Estacionou o carro dentro da oficina de Canelo e lá, sob os olhares curiosos dos seus colegas, marcamos de nos reencontrar as oito horas, no meu apartamento. Passei o meu telefone para ele e parti, olhando para os colegas dele com o meu melhor sorriso de 1.001 possibilidades. Ele ia ter uma tarde cheia para explicar aquele sorriso.

Quando as oitos horas chegaram eu estava bisbilhotando na janela, ansiosa. Nenhum sinal de Robbie. A senhora do primeiro andar passeara com seu pincher. O meu vizinho de cima chegou com a sua nova namorada. A terceira nessa semana. É o rapaz da pizza veio entregar para alguém, mas não foi recebido. Lançou um olhar para cima e foi embora bem descontente. Conferi o meu celular e guardei no meu bolso. Já passava das oito. E nada do Robbie. Um SVU preto parou embaixo da minha janela e dois homens saíram seguindo para a entrada do meu prédio, entrando. Não conhecia eles. Mas conhecia o entregador de pizza que retornou com a mesma caixa em mão e lançando um olhar para cima. Não, não foi para o alto, foi para a minha janela.

Estranhei aquilo e sai da janela, fechando a cortina. Apaguei a luz central e acendi os abajures. Isso aumentava a predominância das sombras na sala. Respirei fundo. Eu estava exagerando. Depois do que aconteceu na rua, eu estava desconfiando de qualquer som, qualquer piscar de luz, mexer de maçaneta... Mexer de maçaneta? Olhei para a porra da entrada sentindo meu coração acelerar dolorosamente. Em dois empurrões estrondosos, a porta veio abaixo e os tiros ecoaram por cada milímetro da minha sala. É o meu corpo desabou no chão.

Notas finais
O QUE EU POSSO DIZER APÓS O FINAL DESSE CAPÍTULO? #SAVEROSE PROJETO PROTETORES? O que Coulson está escondendo embaixo da manga? Se tem Fury envolvido, deve ser GRANDE. Qual será a história entre Rose e Daimon? EU MAL POSSO ESPERAR PARA VER ESSES DOIS JUNTOS! O filho do Capeta e a Rainha das Sombras? SINTO PALPITAÇÕES! E o que falar desse Robbie mal humorado, mas cheio dos interesses com a Menina Ward? Nós estamos de olho! E A CENA DO BANHEIRO? AAAAAAAAAA O que vocês acharam? ♥