Notas iniciais
Enjoy :)

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Sofia é minha vida. E eu não ia desistir dela tão cedo.


Passei dois dias estranhamente bem. Pela primeira vez eu não me via perturbado e rancoroso quando via algo num jornal sobre o estado clínico de Sofia, eu não sentia ódio de mim mesmo quando ia visitá-la, não senti vontade de chorar quando conversei com Mandy Teefey e contei que estava apaixonado pela filha dela, quando ela me perguntou sobre o anel com J gravado que deixei na mão esquerda de Sofia. Com J gravado, só podia ser meu mesmo, eu sou um dos poucos amigos dela cujo nome começava com J.

De certa forma, todo o progresso que fiz naqueles dois dias para não me condenar por Sofia foi por terra quando ela teve uma parada cardíaca. Eu estava no quarto dela, eu falava baixinho com ela como se ela fosse me ouvir, e eu ouvi os avisos do eletrocardiograma. Foi muito apavorante ver os médicos usarem um desfibrilador de alta voltagem, enquanto eu tentava chegar perto e um médico me segurava pelos braços. Seu coração voltou a bater depois de três choques fortes, e eu simplesmente fui conduzido para fora do quarto. Só então notei que eu tremia.

Naquela noite, eu não dormi. Eu imaginava que Sofia, se estivesse acordada no momento dos choques, estaria gritando de dor. Chorando. A imagem que se formou na minha cabeça me apavorou. Eu passei a noite em claro, encolhido debaixo das cobertas, por mais que não estivesse frio, mas meu corpo estava gelado, e eu tremia demais. Quando meus olhos se fecharam, eu tive outro pesadelo com Sofia. Eu sonhei que ela estava sozinha, caída no chão, com o traje roxo. Ela sangrava no chão escuro, e respirava pesadamente. Parecia me ver.

- Jason... – Ela sussurrava. – Jason, eu te amo... Não me deixe morrer...

Eu queria ajudá-la, queria correr até ela como fiz no palco, mas meus pés estavam presos no chão, e meu corpo estava travado. Eu via Sofia agonizar, só que por horas, não tão rápido quanto aconteceu de fato. Isso tudo para me apavorar. Comecei a tentar controlar meus sonhos. Eu conseguia as vezes controlar meus sonhos. E consegui. Logo a imagem do meu desespero de dissolveu e eu me vi no meu banheiro. Eu estava vestido com pijamas. Na verdade, eu estava só com a calça azul de moletom de um dos meus pijamas que eu quase não uso.

Olhei para meu reflexo no espelho, confuso, mas logo ouvi uma voz me chamando:

- Amor... Darling, volta pra cá...

Aquela voz fina e doce. Ah, não. Ela me chamava de um jeito tão suave que até parecia real, eu senti meu coração chegar à boca, e caminhei para meu quarto. Abri a boca. Acho que fiquei até pálido. Vi Sofia enrolada nas cobertas, com certa cara de quem acaba de acordar, uma parte de seu busto aparecia, e eu notei que ela estava só de sutiã.

Ela notou minha surpresa.

- Jas, está tudo bem? Como dormiu? – Ela perguntou. Sua voz me deixou mais entorpecido. Sofia se ergueu na cama. – Por que a surpresa?

Não respondi. Mas ela conseguiu me seduzir como na minha alucinação. Eu logo deitei sobre seu corpo na cama, beijando-a, rindo, acariciando seu corpo magro e saudável, e nós transamos. Aquela foi a melhor transa de toda minha curta vida sexual imaginária. Não foi radical, foi... leve e prazeroso, e bom para uma primeira tentativa. Ouvi-la gemer enquanto eu entrava em seu corpo e me unia a ela enquanto ela arranhava minhas costas de leve era... não tinha preço. Ela não brincou com meu tamanho, estávamos totalmente rendidos um ao outro. Eu cheguei lá em questão de... Sei lá, um pouco mais de um minuto. Aí sim ela brincou. Disse que eu sou muito excitável. Eu ri, depois de ter me jogado ao lado dela e dela ter me puxado para perto. Eu ofegava.

- Você que é muito excitante. – Rebati. Sofia riu, e me beijou.

Se bem que aquilo foi um sonho, e logo eu acordei. Acordei com os meus lençóis molhados, como se eu tivesse feito número um enquanto dormia (como se tivesse dois anos de novo). Mas não. Daquela vez eu sabia o que era. Fruto da minha transa em sonho. Por mais tenso que fosse, eu não duvidava que estivesse louco, totalmente louco, tendo fantasias sexuais e sonhos eróticos com minha crush, apesar da última professora de Biologia que tive dizer que isso era totalmente normal quando os hormônios masculinos estão se normalizando, e tal. Eu não achava normal. Eu achava uma bela loucura.

Eu comecei a agir estranho naquele dia mesmo. Primeiro, eu olhei para todos os lados enquanto estava no meu quarto, depois de ter trocado de roupa depois de acordar, bla, bla, bla. Depois, eu desci para a cozinha. Não tinha ninguém lá, então eu peguei uma tigela no armário e comecei a colocar meu café. Suco e cereal, coisa normal (rimou). Eu enfiei a colher com vontade na tigela e comecei a comer normalmente (fazendo lambança. Marquem aí: eu vou levar bronca da minha mãe para sempre por sempre fazer sujeira comendo cereal). Ouvi um barulho de passos fracos vindo em minha direção.

Arregalei os olhos, enrijeci-me e travei por alguns segundos. Não, não. De novo não. Os passos foram ficando mais próximos, e eu fiquei cada vez mais... Eu estou louco. Comecei a falar sozinho: Eu não estou louco. Você não está vendo isso. Não está. Quando eu me virei, gritando para minha loucura, esperando realmente não ver nada vindo em minha direção, eu percebi que além de louco eu estava paranóico.

Era minha mãe.

Minha mãe me viu com cara de obsessivo sujo de cereal gritando Eu não sou louco. Ela até se assustou.

- Tem certeza disso? – Ela perguntou. Meus músculos perderam rigidez. Virei para a mesa de novo, e coloquei a mão na cabeça.

- Não, não tenho. – Respondi. Ela se permitiu rir. Se sentou ao meu lado e perguntou o que estava acontecendo que estava fazendo pensar aquilo, num tom acolhedor. Contei dos meus pesadelos e sonhos e da alucinação que tive (escondendo alguns detalhes, tipo as cenas quentes e o fato de eu ter molhado o banheiro e os lençóis com meu gozo). Eu reforcei que estava ficando louco. Que eu estava vendo coisas, ouvindo coisas.

- Me interna numa clínica psiquiátrica. – Essa foi a última coisa que disse, afogando meu rosto em meus braços. Ouvi um suspiro fraco de minha mãe, e interpretei como Coitado, será que ele vai sentir muito ódio se eu colocá-lo numa camisa de força?. Por um segundo me imaginei num manicômio. Eu tinha a certeza que minha mãe iria me levar para um rapidamente.

- Claro que não vou fazer isso. – Minha mãe me fez esquecer tudo o qual eu tinha certeza. – Eu nunca faria essa crueldade com você, meu querido.

Eu sabia por que ela falava aquilo. Minha mãe já ficou em uma clínica. Ela foi taxada como louca quando tinha 16 anos e tentou suicídio. Ela havia sido estuprada com 15 anos, e a vida dela perdeu o sentido depois daquilo, ela fugiu de casa, como ela mesma diz, começou a beber e compensar o estupro que sofrera com mais sexo. Ela ficou quase um ano naquele manicômio, sendo maltratada e sedada o dia inteiro. Quando saiu dele, ela voltou à fazer o que fazia. Quer dizer, sem querer mais suicídio. Com 17 anos e alguns quebrados, ela engravidou de mim. E mudou de vida por mim.

Esqueci o passado da minha mãe para me imaginar na fase da vida dela que ela foi internada. Sendo sedado e maltratado. Eu tinha certo desespero daquilo, não sei como minha mãe agüentou aquilo. Ela afagava meu cabelo. Ergui a cabeça.

- Mas... mas loucos ficam em clínicas. – Rebati. – Eu estou louco!

- Sim, você está louco. – Ela concordou. – Louco, louco, maluco!

Olhei para a mesa, me sentindo mal pela minha própria mãe estar dizendo aquilo de mim.

- Sabe? – Ela me perguntou, fazendo olhar para ela. – As melhores pessoas são assim.

Ela sorriu para mim, um sorriso confortador. Me senti mais à vontade pouco a pouco. Primeiro, abracei minha mãe. Depois, senti as lágrimas escorrerem naturalmente enquanto eu estava afogado em seus braços.

- Está me matando por dentro... – Murmurei. Ela não respondeu de imediato. – Por que você não me interna logo?

- Porque vai passar, meu bebê... – Ela disse, em meio aos meus soluços. – Porque isso é só um momento ruim da sua vida... Ainda vão ter muitos outros momentos. Bons, ruins, eu não sei... Mas tudo ruim uma hora termina. E dá o lugar a uma coisa boa. A um sentimento bom...


Notas finais
Gostaram do gif? Meio nadaver com o lugar onde eu coloquei ele, mas... Hahaha, enfim, comentem!
>>>>PARA OS LEITORES ANTIGOS<
Antes eu estava com uma crise de inferioridade e tals, queria deixar a história assim mesmo pra ser deletada, mas aí eu postei um capítulo novo depois de muito tempo e vocês continuaram comigo, e eu amei isso e quis continuar, por isso tive de mudar os nomes da Sel, Jus & cia para esses nomes! Amo vocês :)