Notas iniciais
Espero que gostem da história :D

O vento uivava dentre as folhas maltratadas e pisoteadas da grama da campina. As duas luas iluminavam o céu roxo e lilás com um tenebroso tom de verde e azul. Várias e várias estrelas brilhavam em conjunto, cada constelação brilhava toda em alguma hora, formando um harmonioso ritmo. Folhas secas das árvores eram levadas preguiçosamente pelo vento até repousarem no chão, já preparadas para voarem novamente, o Outono estava por vir e esse prometia ser difícil.

Vultos esgueiravam-se pelas sombras, aparecendo à luz da lua apenas para avançar até outra das sombras. Suas patas faziam barulho ao pisar nas folhas secas do chão enquanto elas se estilhaçavam. Eles pareciam apressados e atentos, preparados para um ataque surpresa.

Um pequeno filhote de dragão saiu de um arbusto, ele mal parecia ter saído do ovo, suas pernas ainda eram fracas e ainda tinha uma enorme cabeça em proporção ao minúsculo corpo; ele cheirava o ar seguindo algo, parecia uma pequena frutinha que estava a alguns metros dele. Um dragão vermelho, surgindo também de trás do arbusto, apressadamente puxou o filhote com os dentes pelo pescoço o trazendo novamente para dentro da moita.

De repente um dragão prateado que sobrevoava o local ferozmente desceu em um mergulho mirando o arbusto, com as garras afiadas apostas e com a boca aberta, mostrando os poderosos dentes amarelados que estraçalhariam o pescoço de um inimigo sem muito esforço. Ao alcançar a moita, uma nuvem de folhas foi levado ao alto, e o dragão permaneceu imóvel, com algo sob as patas.

Era o filhote, que gritava e chorava tentando se soltar. Seus olhos brilhavam de medo, enfrentando seu possível destino enquanto mordia, inutilmente, as patas dianteiras do dragão prateado que o prendia no chão. Até as almas mais impuras ficariam com pena do pequeno e teriam compaixão. Contudo, não foi isso que o enorme dragão teve. Ele, em um movimento rápido, mordeu a cabeça do filhote, a arrancando em segundos, fazendo o corpo parar de se debater.

O dragão prateado levantou a cabeça rosnando, com os olhos envoltos por uma aura verde, sua língua áspera e cortada no meio saboreando o sangue de sua boca.

Então se levantou e correu entre a densa vegetação da floresta. Suas asas, mesmo encolhidas, batiam contra as árvores, já que corria com velocidade para seu alvo. Pulou em cima do dragão vermelho, que mordeu seu pescoço. Rolaram nas folhas secas, se debatendo entre mordidas e unhadas. O dragão prateado sangrava da boca, quase indistinto porque ela já estava manchada de sangue do filhote.

Ambos rosnavam encarando um ao outro, preparados para atacar como lobos selvagens. Suas caudas balançavam e chicoteavam o ar, um desafiando o outro.

O dragão prateado saltou em cima de seu oponente, enquanto o vermelho esquivou-se, mordendo o pescoço prateado do inimigo, que bateu suas asas, acertando o rosto do dragão cor de sangue, fazendo-o recuar. Em uma fração de segundo, o prateado voou para cima do outro, o derrubando de lado, fazendo o dragão rubro bater fortemente contra o chão, com tamanha força que o fez ser arrastado ate que batesse em uma árvore, deixando o rastro por onde foi arrastado.

O dragão mordeu enfurecido o pescoço do outro que estava atordoado. Ao sentir o odor e gosto do sangue, seus olhos brilharam de verde vivo novamente. Ele afundou suas garras no lombo do dragão vermelho, que agonizava no chão, se debatendo, até que desistiu de lutar pela sua vida. Os olhos âmbar do dragão vermelho foram perdendo a cor, sua vida estava sendo roubada. Morto cruelmente. Aprisionado nesse mundo para sempre. Paz? Essa palavra não tem definição por aqui.

O dragão soltou um último grunhido com um longo suspiro. Sannue escorria, até as patas do dragão prateado, que ficava imóvel, rosnando para o nada, ofegando.

Gewin e Arys, a lua verde e a azul respectivamente, brilhavam no céu lilás horas depois, o dia já estava quase amanhecendo, isso não tiraria a maldição das luas, elas ainda brilhariam no céu, zombando dos dragões ainda vivos e rindo dos que morreram. Uma dragonesa amarela chorava em frente ao corpo de seu companheiro e seu filhote. Em soluços, ela encostou a cabeça na cabeça de seu companheiro, cuja pele estava gélida.

Algumas lágrimas se misturaram ao sangue seco. Deitou-se debaixo da asa dele, lambendo uma de suas bochechas.

A guerra. A guerra nunca acaba. Ela acaba com as criaturas, ela dita as regras. E a sua atual regra é que o sangue seja derramado, a todo custo.

Notas finais
No geral, acho que sai outro capítulo rápido, não sei.