Notas iniciais
Só mais 1
:(

Takeo

Estava em meu escritório em Suna, lendo o último pergaminho enviado por Mika. Estávamos a muito tempo sem nos ver. Eu precisei vir para Suna resolver problemas pessoais e também dar satisfações ao meu tio pela viagem deixando Yume em Konoha.

Lendo novamente o que Mika me mandou, decidir largar tudo para ir buscá–la. Faltava ainda duas semanas para o combinado. Mas eu poderia esperar esses dias ao lado dela.

Comuniquei a minha saída da Vila, Matsuri não gostou da ideia, ao contrario de minha tia Temari, que reformou toda a casa para a nova visita, afinal, há muitos anos não tinham crianças na mansão.

A volta pra Konoha seria surpresa. Eu apenas mandei um aviso para o senhor Hyuuga. Passei numa loja, e comprei algo para Akemi, para Mika eu já havia comprando uma outra coisa, mais importante.

Quando cheguei, eu me surpreendi com a menina correndo em minha direção. Não só porque ela estava bem maior do que antes, mas por ela me chamar de pai. Correu pros meus braços e não quis descer mais. Mika veio logo atrás.

Mika

Akemi estava treinando com o otousan quando largou tudo e foi correndo para fora. Os dois treinavam golpes com byakugan ativo, ela parecia ser tão boa quanto eu naquela idade. E acho que ela se enganou, porque disse que era o Takeo vindo. Ah, ainda tinha aquilo... depois da última visita do Takeo ela tinha me "comunicado" que o Takeo agora seria o pai dela.

Não sei como ele vai lidar com isso, uma coisa é me ajudar a criar a Akemi, outra é assumir uma responsabilidade assim. Vou entender se ele não se sentir À vontade, porque isso é coisa de criança e depois converso com Akemi. Aliás, fui atrás dela dar uma bronca por largar o avô, mas ele nem parecia se importar: em alguns pontos ele era menos rigoroso que com minha irmã e eu.

Mas quando saí, chamando por ela eu o vi. Ah, era ele mesmo! Mas o que estava fazendo em Konoha? Ainda esperaria duas semanas para irmos até Suna. Akemi parecia bem acomodada no colo dele, então eu vi que não teria espaço se não o conquistasse.

– Takeo... que surpresa... aconteceu alguma coisa? – Eu não podia me esquecer que ele era o comandante tático de Suna e que Yume ainda estava na Folha. Pode ter vindo a trabalho, mas era muito bom que estivesse aqui.

Takeo

– Aconteceu sim. Eu não aguento mais ficar longe de vocês duas.

Akemi não me largou, então tentei improvisar um abraço em Mika, beijo não deu, não na frente da menina. Fomos para a casa dela. Havia caixas para todos os lados. Akemi muito agitada no meu colo, falando as novidades e o seu progresso com o treino. Quando ela terminou de falar, correu mais uma vez, indo atrás dos avós e contar a novidade.

– Você não precisa levar tudo. Nossa casa já tem tudo que você vai precisar. – Agora sim, a sós com ela poderia abraçá–la como eu desejava. Beijei–a, acariciando seus cabelos maiores que da última vez que vira. – A casa só precisa de você e de Akemi.

Mika

Ele tinha ido por nós? Ah... o Takeo conseguia ser mais que gentil às vezes...

– A maioria das coisas são de Akemi... não quero que ela se sinta mais sozinha por estar longe de casa então acho que as coisas dela são necessárias. Eu mal tenho duas caixas e mais material shinobi. Fiquei feliz por não ser desligada da Folha... ao menos trabalhar em Suna vai me fazer ser útil para a Vila. Ah... – Abradei–o ainda mais, aqueles meses só me fizeram ter mais certeza do quanto eu o amava, embora ainda não tivéssemos nos declarado um para o outro. – Senti tanto sua falta...

Takeo

Eu estava esperando aquele carinho dela. O seu corpo quente, o perfume, a voz. Mika fazia muita falta para mim, e eu não conseguia mais me ver sem ela.

– Eu também senti a sua falta. Quando recebi seu pergaminho, pensei no porque de não estar ao seu lado. – Acariciei o rosto dela, um sorriso lindo nos lábios. – Eu amo você Mika, mais do que imaginei que amava. – Tirei do bolso um anel, e lhe mostrei. – Achei que nunca faria isso na minha vida... Mas eu quero que seja minha mulher para sempre.

Mika

– Takeo...! – Eu confesso que me senti pega desprevenida, mesmo sabendo que estava indo embora do meu lar para viver com ele, casar. Só que não falamos em votos, anel, nada. Era como se fosse um acordo entre nós. Eu sentia o carinho dele, o cuidado, as palavras. Mas não achava que a palavra com "a" seria dita assim... – Eu sei que eu tenho que dizer sim, eu quero dizer sim... mas você me deixou sem palavras... – sorri, segurando um choro bobo de felicidade, ele ia me achar uma imbecil que chora por qualquer coisa. Nem ele nem eu éramos bobos, ou iludidos e eu tinha certeza que ele pensou muito antes de me dizer isso. – E eu quero estar ao seu lado todos os dias... porque eu também te amo. E é por isso que não estou sofrendo por largar tudo aqui... eu sei... ah, eu não tenho como explicar, mas dentro de mim eu tenho certeza de que você está na minha vida em definitivo...

Takeo

– Então isso é um sim? – Ela ficou envergonhada. Coloquei o anel em seu dedo, um dia no passado eu havia prometido a minha falecida esposa que ela era a única, mas como eu iria negar meu amor por Mika? – Eu amo você e vamos ser felizes... Você prefere casar aqui ou em Suna?

Com certeza seria ali, com sua família, mesmo com a tia Temari planejando uma festa de casamento, nos poderíamos fazer isso duas vezes.

Mika

– Aqui e lá. Eu sei que é importante para você, por sua posição. Então como acho que lá as coisas serão mais pomposas, aqui vamos fazer tudo muito simples. Tudo bem?

Abracei-o–o com força ele me passava todas as coisas boas da vida. Olhei–o com sorriso maroto.

– Dois casamentos dão trabalho... mas assim teremos duas luas–de–mel... o que acha?

É bem verdade que com a vigilância do otousan as coisas ficavam bem complicadas... como se eu ainda tivesse alguma coisa para proteger, mas pai é pai...

Takeo

– Essa lua de mel esta sendo mais esperada por mim. – Apertei sua cintura, mas não deu tempo de nada. Akemi apareceu nos surpreendendo. Mika saiu do meu colo rapidamente.

Passamos a tarde os três, ajudei ela a embalar algumas coisas que achou importante levar. Akemi me emocionava a cada vez que chamava a mim de pai, era mesmo um sonho, uma menina linda como ela, me aceitando tão bem.

De noite jantamos na casa dos pais de Mika. Mal terminou o jantar e Akemi sentia sono, a hiperatividade dela era incrível e não demorou para a menina dormir. E dessa vez eu fiz questão de colocá–la na cama. Alisei seus cabelos, olhando–a dormir bem calma. Mika estava na porta, cobri Akemi e fomos para a sala.

Mika

Mal tivemos tempo para conversar sobe a Akemi, mas eu entendi que ele tinha aceitado... cada vez que ela o chamava de otousan o Takeo sorria mais, ficava mais feliz. Meu pai também percebeu isso e fez questão de me dizer que estava de acordo com o casamento e só pediu para que a neta não ficasse tão longe. Seria uma história parecida com a de Yume... Akemi passaria todas as férias escolares em Konoha, seria difícil abrir mão dela por tanto tempo, mas apenas prometendo que ela teria algum treinamento Hyuuga foi que conseguimos a liberação dela.

Daquela vez Takeo estava hospedado no hotel e não com meus pais, visto o casamento. Então eu pensei que... bem, que nós... Ah, a última vez que ele veio não tivemos nada, então já contava aí dois meses e eu sempre me via pensativa sobre como ele poderia ser assediado em Suna, já que eu não conhecia a vida dele lá.

Só que em minha casa a gente nunca mais fez nada, por Akemi e pelos meus pais. O casamento seria em quatro dias, o suficiente para avisar às pessoas e fazer alguns arranjos simples. Eu poderia esperar mais quatro dias... não?

Takeo

Tomei um banho e me enrolei numa toalha. O calor de Konoha era bem diferente de Suna. Preparei algo para beber e me sentei no sofá. Dessa vez não aceitei ficar na casa dos Hyuuga, não era muito certo, nem seria bom. Tão perto mas ao mesmo tempo longe de Mika. Depois desse tempo todo longe dela.

Mais um pouco de saquê, algo que não costumava fazer sempre, mas naquela noite tava difícil. Muito mesmo. Eu estava louco de saudade e ainda devia esperar um pouco, e já não tinha mais graça fazer isso sozinho.

Já ia me servir novamente quando bateram na porta, deveria ser a outra garrafa que havia pedido uma hora atrás.

– Mika? – Abri a porta e me surpreendi. Segurei a toalha, e a enrolei direito. Eu realmente imaginava que Mika ficaria envergonhada. – Entra, vou vestir algo.

Mika

Minha irmã caiu do céu lá em casa. Aliás, não foi ela quem caiu do céu, mas sim a okaasan, que enviou a caçula para ficar com a neta e assim eu poderia procurar o Takeo. Nossa, era estranho isso, mas a minha mãe sabia bem como uma mulher se sente e não queria que eu ficasse sozinha com meu noivo tão perto. No clã não ia rolar nada mesmo, então eu tinha que ir atrás dele. Ganhei algumas roupas novas da minha mãe e da Yume, que insistia em me mostrar coisas mais frescas, pois ela falava vezes e vezes que as roupas de Konoha faziam–na morrer de calor. Escolhi uma yukata preta, que era até boa pois me ajudava a disfarçar durante a noite. Ninguém me viu entrar, ao menos para isso é bom ser shinobi. Bati à porta e ele atendeu, até parece que estava prevendo meus atos...

– Takeo... eu... – Esse negócio de "vou vestir algo” foi broxante. Ele tinha que me pegar de jeito e essas coisas, como era no começo. Hum... será que esse negócio de esperar deu uma desculpa para ele se engraçar com alguma em Suna? Ele não estaria assim tão calminho... ah, tinha isso também, agora eu descobri que era ciumenta...

Takeo

Mika ficou parada na porta, séria, me olhando como um ar diferente. Não dava para compreender até eu convidá–la pra sentar, ela viu o saquê, e logo perguntou se eu estava mesmo bebendo sozinho.

– Sim, não tem mais ninguém aqui. – Falei descontraído pegando algo pra vestir sobre a cama, mas o interrogatório não acabou. – Mika... não conheci nenhuma mulher em Suna, aliás, as mulheres lá tem até medo de mim. Você ta com ciúmes?

Deixei a camisa de lado, e fui pra perto dela. Não imaginei que aquele ciumes bobo iria me deixar bem mais excitado.

Mika

A cara dele de inocente só o fazia mais culpado. Eu não era idiota.

– Tá pensando o que Sabaku no Takeo? Eu não sou estúpida e se desconfiar, pela ínfima possibilidade que você está arrastando qualquer parte para algumazinha em Suna, Konoha ou qualquer que seja o lugar, considere–se um homem morto, ouviu bem? Primeiro eu vou lá dar uma surra na vadia, por mexer com o que é meu, depois eu acabo com a sua raça!

Parece que meu tom de ameaça não adiantou nada, porque ele só ficava rindo – Eu não tô brincando, é sério! Você fica lá meses sozinho e quer mesmo que eu acredite que tá nessa calma toda?

Takeo

– Sabe, agora que você comentou, acho que havia algumas garotas em Suna sim... – Levei um belo soco no braço, ela é bem forte como eu imaginava. – As mulheres de Suna são bem ardilosas, você vai se dar bem lá.

Mika ciumenta, brava, confessor que me diverti atiçando aquela mulher. Ela já não queria mais meus carinhos e já estava cogitando a possibilidade de ir embora.

– Nem pensar. Se produziu tanto para vir aqui, para depois ir? Pensa que não reparei? Até passou maquiagem. – Puxei–a pela mão e abracei sua cintura com força. – Minha mulher além de forte é ciumenta, o que mais posso esperar?

Mika

– Eu me produzi para nada, já que você tá com essa pose de garanhão! E me deixa em paz, ou eu te dou outro soco e dessa vez na cara, para tirar esse sorrisinho besta!

Certo, agora eu me descontrolei, ele fez mais força e me jogou na cama, o que me irritou muito e me fez passar rápido por cima dele e dentar me desvencilhar a todo custo.

– Me solta! Me solta! Não vim aqui me oferecer assim para você ficar me dizendo que fica olhando para outras mulheres e fazendo sabe–se lá o que!

Takeo

– Sabe o que é mais engraçado nisso? Você acredita nessas besteiras que eu disse. – Eu tentei segurá–la novamente mas soltei, sentando na cama. – Eu não tenho muita habilidade em ficar olhando para as mulheres que não me atraem, e no momento só uma consegue isso.

Ela ainda emburrada, com os braços cruzados. Manhosa como uma menina. Chamei ela pra cama, vendo um bico crescer. Eu ri, tentando não aborrecê–la mais.

– Você pode ficar aí parada, ou vir aqui. Senão vou ter que fazer tudo sozinho. – Puxei a toalha e joguei de lado. – Só não vai ter a mesma graça sem você.

Mika

Eu odiava quando ele me tratava assim, como se eu fosse uma bonequinha dele. Eu simplesmente odiava! Ele me deixava ir e pronto, era isso? Assim, ele faria de qualquer maneira, comigo lá ou não? Ah, mas não mesmo! Ele veria que comigo era diferente e muito, muito melhor! Eu ia me vingar dele agora, mas ia mesmo!

Se ele sabe ser fingido, eu também sei. Sentei bem atrás dele na cama, massageando as costas dele e pedindo desculpas por ser tão malvada. E de cara eu vi o homem amolecer com meus beijos e a voz baixinha, mas não seria agora que eu daria o troco.

Takeo

Ela não parava de me surpreender, já estava imaginando ter que correr atrás de Mika pelo corredor nu. Mas recebi uma boa massagem, beijos, carícias. Fiquei excitado e duro.

– Isso é gostoso, pode fazer mais... – Deitei na cama, e Mika subiu em cima de mim, massageando minhas costas. – Que delicia, desse jeito vou ficar mal acostumado. – Virei, trocando de lugar com ela, me encaixando entre suas pernas, levantando o vestido. – E agora? Ta mais calma?

Puxei a alça do vestido, beijando a pele macia dela.

– Não faz isso.. eu sou ciumenta mesmo... eu não era, mas fiquei com você... eu te amo e confio em você, mas a minha imaginação é meio... fértil...

– Um pouco fértil? Eu diria que muito. Só de entrar no apartamento, achou que eu estava com alguém. – Eu sorri, vendo aquele bico aparecer nos lábios dela. – Mas não há motivos para ciúmes, eu não me interesso por nenhuma outra mulher. Se fosse o caso, não viria até Konoha arrumar uma turrona... – Jogou água em mim, voltando a ficar brava. – Ah! Faz isso só pra me deixar excitado...

– Não... eu tenho medo, só isso... que um dia você me ache jovem ou boba demais... que se canse de mim e da Akemi e parta.

– Acha que eu não tenho medo também? – Segurei seu queixo e a fiz olhar para mim. – Eu tenho medo de acordar e ver que tudo foi um sonho. Tenho medo de perder mais uma vez a minha família. Isso seria torturante, seria como morrer novamente. Não teria forças para me erguer novamente. Você é a minha última, e única esperança. Por isso a amo demais.

Beijei suas mãos molhadas. Agradecendo por tê–la ao meu lado. Na verdade, depois deveria agradecer a Yume por ter sido o cupido.

Mika

– Então a gente não se perde um do outro e eu vou tentar ser menos paranoica, tentar! – Ele me abraçou e aquilo estava tão bom. – Takeo, você me disse que achava que não podia ter filhos, lembra? Isso era uma suspeita ou você chegou a ter certeza? – Ele estranhou, perguntando por que eu perguntava isso – Akemi está me pedindo uma irmãzinha, e eu pensei que antes de dizer sim ou não eu queria conversar com você, saber o que pensa a respeito.

Takeo

Eu não sabia o que dizer. Era um sonho antigo ter um filho, e eu desisti disso quando... bem, eu não achei que poderia tentar com outra mulher, e ter o mesmo destino.

– Mika, eu não sei. Foram anos, e não tive nenhum filho com... eu não sei se o problema era mesmo meu. Imagino que sim. Mas não acha isso precipitado? Tem Akemi, ela é nova. Vamos mudar, temos tanta coisa. – Eu estava mesmo era com medo de não conseguir ter um filho e ser culpado por isso. – Desculpa, podemos tentar, claro.

Mika

Sabia que ele poderia se sentir culpado, mas não era isso.

– Takeo, quero te dar a chance de ter o seu filho, se isso for possível. Se não for, tudo bem. Eu sei, aqui dentro de mim, que você vai amar a Akemi da mesma maneira. Mas ela não é pequena, tem três anos, é uma idade boa para ganhar um irmão ou irmã. Você faria isso por nós? Se quiser claro, eu não sei se quer ter mesmo filhos, só tô especulando.

Takeo

– Eu disse que sim. Fui sincero. Nós podemos tenta outro filho. Podemos fazer isso sempre. Só que antes vamos aproveitar nossa lua de mel, quero ter minha mulher todo dia disposta para mim.

Aos poucos aquele medo de perder quem amo passaria, e um filho seria completar aquele sonho.

Mika

– Certo... certo... a gente deixa para depois então...

O assunto terminou como começou e eu não liguei muito para isso, porque as coisas dessa vez aconteceriam quando tivessem que acontecer.