Getsu

52 Uma nova vida


Notas iniciais
Acho que agora é a minha despedida. Eu fico triste por não ter alcançado as expectativas dos meus leitores.
A Lila está ausente do site já ha algum tempo, e eu não tenho pique para continuar essa fica, as ideias era a maioria dela, hehe
Sem minha parceira não tem graça trabalhar :(
Mas foi muito divertido escrever essa historia, e você que esta lendo isso aqui, agradeço por nos acompanhar.
Beijosss ♥

Mika

Nosso casamento em Konoha foi discreto, mas algumas pessoas não poderiam deixar de ser convidadas, então o "pequeno" foi algo com cem pessoas... se eu me lembro bem quando me casei com o monstro, foram mais de quatrocentas pessoas... a maioria Hyuugas. Dessa vez chamei apenas amigos e parentes íntimos. Eu seria libreada do clã e agora trabalharia externamente para ajudar a consolidar a força de nossa família. Só doía por Akemi ter que se separar de mim todos os verões... mas meus pais cuidariam dela e vez ou outra eu poderia vir visitá–la.

Okaasan comprou–me um traje lindo para os dois cerimoniais. Era bem dinâmico, pois poderia ser usado na totalidade ou não, como em Suna era muito quente, era apenas necessário retirar o forro que fazia o traje parecer mais cheio. Mas como eu sou uma mulher "cheia" isso podia ser até descartado.

O Takeo estava bem satisfeito, eu via isso nos olhos dele. Depois de oficializado em Konoha, ficamos no hotel e a lua–de–mel me cansou tanto que eu fui bocejando de Konoha à Suna, os três dias. Até brincar com Akemi foi difícil, mas fizemos tudo muito

corrido mesmo.

Meus pais vieram conosco e o outro casamento seria duas semanas depois. Mesmo já casados o Takeo fazia questão de que dormíssemos separados, pois meus pais estavam lá. Essa coisa dele de ser tradicionalista era fofa e ganhava muitos pontos com o otousan.

Yume veio conosco também. Ah, que feliz eu estava por ela e o Udon terem se acertado! Fiquei mais feliz por ter certeza que meu amigo não aguentaria a saudade e viria logo para cá, ficar com a mulher que ama e assim eu teria meus dois amigos perto de mim.

– Oh droga, esse negócio encolheu quando lavou... – Minha mãe dizia que eu não tomava conta do peso e era verdade, mas ele não tá todo apertado, só algumas partes. Eu honestamente tentei usar com o forro, mas o aperto e o calor eram insuportáveis, eu quase tive uma vertigem quando a Yume apertou o Obi!

– Dá para pegar mais leve amiga? Isso tá apertado...

– Ué... mas não tava quando você casou... não tá gastando energia suficiente com o meu primo... é isso que dá! – Ela riu, afrouxando para eu tirar o forro.

– Tá, me chama de gorda à vontade... mas eu não vou deixar ele reclamar, vou começar um regime agora e... – Oh droga, ela apertou tanto que eu fiquei mesmo tonta, tive que me segurar para não cair – Yume! Por que apertou tanto? Tá me dando até falta de ar.

Ela foi pegar um copo com água gelada cheio de gelo e eu tirei a roupa rápido, colocando uma yukata de algodão e bem fresca, prendendo os cabelos no alto.

Takeo

Aquela manhã estava mais do que calorenta, até mesmo eu que já passei muitos anos em missão no deserto estava me sentindo desconfortável.

Achei então que a demora de Mika para cerimonia era por esse motivo. Mas quando Yume apareceu discretamente na sala da mansão de meu tio Gaara, sussurrando para eu ir com ela, achei que havia mais coisas acontecendo.

Fui para o segundo andar, um quarto cedido para ela se arrumar, Mika estava lá. Sentada na cama, e muito pálida. Sentei–me ao seu lado e segurei as suas mãos fria. Ela iria falar algo para mim, mas saiu desesperada para o banheiro.

Pedi para que me deixasse entrar, mas ela gritou nervosa pedindo para eu ir embora.

– Mika! Eu quero ajudá–la, se não me deixa fazer isso terei que forçar a porta. Sabe que eu arrombaria sem piedade. – Com certeza o calor a pegou de jeito. Estranho é que Akemi estava se sentindo normal, se adaptou fácil. – Me deixe entrar, é o último aviso.

Mika

Coloquei tudo que tinha comido no jantar para fora, eu jurei que só comeria frutas antes do casamento, mas caí na lábia da Yume de provar a comida daqui. lavei o rosto, nem me importei da maquiagem sair. Não estava com o traje nem nada, só com a yukata. Disse pro Takeo esperar lá embaixo, porque era o calor. Nem que eu tivesse que tomar outro banho para me refrescar.

Ele relutou e foi. Fiquei de pé rápido para não demorar mais e falseei. Um segundo, foi o tempo que levou para eu entender que não passava mal por causa do calor.

– Kami–sama... eu estou esperando um filho...

Falei baixinho, como se fosse um segredo. Como se fosse não, era um segredo. O Takeo tinha sido categórico ao dizer que não queria filhos agora, ele nem achava que podia ser pai, dizia que era estéril. Pode até mesmo desconfiar de mim... ah! Isso eu não vou suportar. Ensaiei a história e seguraria as pontas até quando desse...

– Acho que a minha pressão baixou Yume... mas por que foi chamar o Takeo? Só o deixou mais preocupado!

Eu mal conseguia me arrumar, estava distraída e preocupada.

Takeo

Pedi para os convidados se refrescarem na outra sala onde era mais arejado, ate que Mika se sentisse melhor. A mãe dela subiu para saber o que estava acontecendo e eu fiquei recepcionando as pessoas.

Foram duas horas de atraso, e quando me avisaram que a noiva estava pronta, convidei todos a retornarem, pedindo desculpas com a demora. Mas todos estavam cochichando. Pessoas convidadas somente por educação, por mim seria apenas a familia. Mas Gaara–sama tinha muitos contatos e uma data como essa, era vantagem para ele fazer tratados.

Quando Mika chegou, já não parecia tao pálida como antes, acreditei entao que era mesmo o calor. Assim como todos.

Minha mulher estava linda. Perfeita.

A cerimonia seria um pouco mais demorada que fora em Konoha, mas Mika manteve–se da mesma forma. Só que sua mão estava tão gelada que eu não imaginei outra coisa, senão ela ainda estar se sentindo mal.

– Se quiser, posso pedir para adiantar as coisas. – Sussurrei, querendo ter certeza de que ela estava bem. – Já esta acabando, nos já estamos casados, agora só falta uma benção.

Mika

A vida em Suna era complicada, porque as pessoas ainda me vigiavam, não por eu ser importante, mas pelo Takeo ser. Conheci os antigos sogros dele e foram muito carinhosos comigo, boas pessoas que infelizmente perderam a filha cedo demais.

Takeo trabalhava muito, tinha dias que não nos víamos e eu não reclamava. Quando estava em casa ficava dividido entre Akemi e eu e não fazia questão, porque assim eu conseguia manter meu segredo enquanto ainda não tinha forças para contar...

Sim, ainda não tinha dito que estava grávida... nem ao médico fui e sabia omo estava sendo negligente. Mas eu tinha medo! O Takeo dizia sempre que estava feliz com Akemi e para ele já estava ótimo. Era um homem experiente e sabia o que queria. Eu não podia simplesmente... ah, eu tinha que ter me cuidado, mas confesso que simplesmente confiei no que ele disse, de ser estéril.

E agora eu já estava bem mais cheia, ele até já tinha comentado, mas eu disse que ele estava vendo coisas, ainda me fiz de ofendida, como se ele tivesse me chamando a atenção por engordar. Isso me proporcionou um conjunto de brincos de

esmeralda e uma semana dele jantando em casa. Pronto, fiquei com mais culpa na consciência.

Estava supervisionando algumas coisas no jardim de casa quando senti aquele calorão fazendo efeito em mim mais uma vez. Já estava pronta para entrar, mas vi Yume na porta. Não deu para rir muito porque eu estava bem mal, estava com náuseas e não conseguia disfarçar bem...

– Yo Yume.... onegai, vamos entrar que eu não estou me sentindo bem...

Yume

– Você esta bem? – Mika estava caseira demais, não queria ir comigo nas fontes pra se refrescar do calor. Disse pra ela que ninguém nos vigiaria. Poderíamos ficar bem a vontade. Mas ela não aceitou novamente. – Ta certo... você esta muito estranha amiga.

Ela caminhou um pouco cambaleante, fui ajudá–la. Busquei água e perguntei novamente o que estava acontecendo.

Mika

– É o calor Mika... – Ela disse que não entendia, já que Konoha não era tão mais fresco que Suna e estávamos quase no inverno. Dei uma afrouxada na yukata e acho que quando fiz isso acabei marcando a barriga que tava já formando, discreta, mas estava lá. A Yume arregalou os olhos e eu tratei de disfarçar. – O Udon mandou notícias? Seus pais? Conta alguma novidade de Konoha!

Yume

– Estão todos bem, ate minha irmã parece ter tomado jeito. – Mas aquela cena da Mika não estava me convencendo. Eu sei que ela escondia algo, estava totalmente diferente. A Mika que cresceu comigo estaria passeando e curiosa com a cidade, estaríamos nos divertindo e ela dando um trabalhão para meu primo. – Qual é? Você é péssima atriz, por isso é kunoichi.

Não adiantava eu ficar perguntando o que acontecia, se ela quisesse iria falar. Mas se não fosse sincera eu teria que falar com Takeo.

Mika

Realmente eu precisava me abrir com alguém e não existia ninguém melhor que a Yume. Ela me ajudaria... quem sabe eu não podia arrumar uma maneira mais calma de contar... ou como lidar, não sei...

– Yume eu... eu tô grávida. – Ela abriu um sorriso, me dando parabéns e eu não conseguia ficar tão feliz como ela – Não é assim... o Takeo... ele não quer filhos. Ele acha que nem pode ser pai. E eu já tô com quase três meses Yume... eu... tenho escondido dele desde que vim para cá... ah, ele vai ficar furioso!

Yume

– Você esta escondendo há três meses? Mas como? Você não dormem juntos? Ele não percebeu que você está diferente? – Aí ela me contou das esmeraldas. – Mika! Meu primo vai ficar bravo se você esconder, não se contar. Ele acha que é estéril porque tentou e não conseguiu ter um filho com a primeira esposa.

Ela estava fazendo algo muito arriscado, não somente pela mentira, mas pelo bebê. Precisa de acompanhamento.

– Você precisa ter confiança no amor dele. Tem que contar. Takeo vai ficar feliz com um filho. Eu sei que vai. Ele só disse isso porque você estão iniciando uma vida juntos.

Mas não quer dizer que ele não queira.

Mika

– Yume... ele disse que não queria. Sério. Inclusive me disse para não pensar no assunto. eu conheço meu marido também e o tom que ele usou foi bem determinista. Mas eu tenho que contar... só não sei como... tô com medo dele me rejeitar...

O meu filho crescia com uma rejeição, eu não queria isso. Não outra vez.

Yume

– Você está causando um mal enorme para a criança. Já não basta a gravidez da Akemi ter sido difícil. Pensa bem. Precisa conversar calma com o Takeo. Ele não vai ficar bravo com você, digo, somente ficará magoado por ter escondido por três meses. É muito tempo.

Eu sei que não estava ajudando, deixava ela com mais medo. A abracei e pedi para que fosse sincera, isso era a coisa mais sensata a ser feita.

– Quem sabe uma noite romântica, você faz um clima gostoso e conta depois. – Era uma ideia até que boa. Se o Takeo não se sentisse mal. Mas isso eu não falei pra Mika.

Mika

– Hai, eu vou tentar hoje... tentar não, vou fazer! Preciso pensar nessa criança, tenho que tirar força dele.

Yume ainda conversou comigo mais um pouco e ficou de procurar informações sobre médicos. Eu não cozinhava muito bem, então pedi comida fora e fiz uma coisa bem cheia de cheiros e velas... Akemi ficou com Yume, ela disse que seria melhor assim. Aquela casa grande sem minha filha ficava assustadora... ah, mas tinha um crescendo aqui dentro e eu queria tanto que ele não fosse rechaçado pelo pai...

Takeo chegou cedo e ficou surpreso de ver a casa toda arrumada, nem ele ou eu éramos românticos...

– Só para variar um pouco... o que achou?

Takeo

Mika me surpreendeu com aquela decoração toda na casa. As velas, o aroma. Além da mesa posta pro jantar. Eu sabia que ela não cozinhava nada, até mesmo eu sabia fazer mais coisas na cozinha que ela. Só que estava tudo tão bem feito. Acreditei que havia esquecido algo.

Aniversário, comemoração, festas, Akemi... Nada que vinha na minha cabeça havia sentido.

– Então estamos sozinhos em casa? – Eu a abracei, acariciando os cabelos dela. – Faz tempo que não ficamos sozinhos. – Acho que estava entendendo o que ela queria. Ou não. Mika se desvencilhou dos meus braços tirando o meu casaco e preparando para o jantar. – Esta tudo perfeito querida.

Ela falava bastante, me perguntando sobre o dia, o trabalho, tudo. O jantar estava perfeito e fomos pra sala, e lá vinha Mika com uma torta para a sobremesa.

– Essa noite tem algum propósito, ou você somente acordou carente do seu marido?

Mika

O Takeo já entrou em casa desconfiado e eu tentei disfarçar, mas ele estava tão afiado que lia meus movimentos. Quando me deu o xeque, parecia mais um xeque–mate. Sentei e larguei a torta na mesinha, não tinha fome. MExi nas barras da yukata, sem saber como começar.

– Eu... eu não sei como te contar uma coisa – suspirei, tentando tomar coragem – Eu menti para você Takeo...

Takeo

– Mentiu? – Me afastei um pouco, olhando–a mais sério. Em uma de nossas conversas fui claro de que não gostava de mentiras no relacionamento. – O que você fez para mentir pra mim Mika?

Ela estremeceu, apertando as mãos na yukata. Segurei suas mãos tão frias. Foi uma tortura pra mim, porque eu sempre confiei em Mika, e queria continuar assim.

Mika

– Eu... eu... – Nossa, mais uma palavra e eu não seria forte para não chorar – Você me disse que não queria que acontecesse uma coisa, foi bem enfático e eu... eu não prestei atenção e então a coisa aconteceu e eu não contei que aconteceu e agora eu não sei mais como esconder e tenho medo de você ficar com raiva de mim e pedir o divórcio e então Akemi ficaria sem o pai e eu sem o homem que amo tudo porque não soube evitar uma coisa que você já me disse que não queria e eu sei que não sou nenhuma menina e que fui irresponsável, eu não sei como pedir desculpas...

Falei tão rápido que precisei pegar fôlego no final, os olhos embargados, sem nem conseguir olhar para ele.

Takeo

Mika falou, falou demais, nervosa e pronta para chorar. Era inútil querer acalmá–la. Estava totalmente desesperada e com medo de mim.

– Por favor, você não pode nunca achar que eu faria algo de mal a você e a Akemi, por mais que seja algo grave o que não imagino que seja. Jamais farei mal. Me diga o que houve, estou nervoso já. – Ela não deixou que eu a abraçasse, disse que não era merecedora mais do meu carinho. – Mika! Você é minha mulher, tudo o que acontecer com você eu irei ajudá–la. E nunca machucá–la.

Mika

Eu não estava acostumada com isso, minha vida conjugal tinha sido um inferno, onde mentiras de minha parte eram severamente castigadas. Eu sabia que o Takeo não ia me bater ou agredir de qualquer forma, mas ele podia simplesmente ir embora. Eu tinha medo, mas era melhor falar de uma vez porque eu só estou aumentando a ansiedade dele e piorando a reação:

– Eu engravidei... eu tô grávida... descobri no dia da cerimônia aqui... eu sei que você não quer filhos, mas eu não tô fazendo isso para te prender, achei que você realmente não podia ter filhos então não me precavi, não é desculpa, mas eu não pensei que podia acontecer... me desculpa... – Abaixei a cabeça e o tom de voz, engolindo o choro e pronta para ouvir o que ele tivesse para me dizer.

Takeo

Ela de cabeça baixa, esperava que eu fizesse algo. Segurei–a no queixo e a fiz olha para mim. Seus olhos vermelhos, quase deixando as lágrimas caírem. Acariciei seu rosto, deixando–a mais relaxada. E falei calmo:

– Você vai me dar um filho? Eu nunca achei que fosse ter um filho meu, achei mesmo que fosse estéril. Bem, você sabe porque. – Ela crispou os lábios, quase que tremiam. – Eu não sei o que falar. Estou sentindo algo aqui no meu peito que não consigo definir. Mas eu amo tanto você, Akemi, e agora o nosso filho.

Ela já estava chorando, a abracei, trazendo para o meu colo, acariciando agora a barriga dela. Sabia que tava mais cheia que antes.

Mika

Fiquei uns bons cinco minutos só chorando de alívio e também de arrependimento, por não ter contado antes. Ele era tão diferente e ainda me surpreendia a cada dia. Ele tentava em vão me consolar, porque eu não conseguia parar de chorar e soluçar.

– Me perdoa meu amor eu.... eu fiquei com medo.... – Mas era tão importante, tão importante sentir que ele me amava e me compreendia, e finalmente eu sentia realmente o que era ser a mulher de um homem.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.