Getsu

10 Quando tudo parece estar calmo


Notas iniciais
É quando tudo começa a agitar.

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Getsu

Naruto


Percorri a Vila desanimado, com a jaqueta nas costas. Quando dei por mim estava em cima da rocha, nos rostos dos Hokages. Meu lugar para meditar, pensar e tomar decisões.
Não havia muito o que pensar, eu só estava ali mesmo era para falar com meu otousan. Contar sobre o Udon.

– Acho que eu fiz besteira por ter brigado com a Sakura-chan, otousan. Ela tem mais experiência do que eu nessas coisas em tratar as pessoas, e eu fui lá querendo falar mais alto. Eu sou uma baka, burro mesmo, ela ta certo ao me chamar de cabeça oca. Nem ouvi o que ela tinha para me falar e já fui brigando. Mas otousan, eu não consigo imaginar meu filho lá precisando de ajuda, chorando e eu não podendo fazer nada. O que.. o que o senhor faria? – To ficando louco, só pode. – Mas ao menos não é uma raposa né? – Ironia com os mortos não funcionava.

Fui para casa. Não estava sendo um homem de verdade. Precisava falar com Sakura. Mas quando eu cheguei, tava tudo escuro. Achei que a luz tivesse acabado, mas não era isso. Fui acendendo todas as luzes de casa, chegando ao quarto, nem sinal de Sakura, no quarto de Udon, nada. Ela me deixou!

Abri os armários e faltava roupas. Para onde ela foi?
Saí de casa novamente em busca de Sakura, tirei a obaa-chan do seu sono, dormindo mais uma vez em cima dos papéis em seu escritório. Ela nada sabia sobre Sakura, também disse que não poderia colocar a ANBU atrás dela.

– Como não? E se aconteceu alguma coisa com os dois? Obaa-chan!!!!

– Naruto! Se Sakura saiu de casa é porque você fez alguma besteria. – Sai daquela sala batendo a porta, eu não precisava ouvir aquilo, não dela.

Procurei por toda a vila e nada. Voltei para casa, já era tarde, começava a ficar frio demais para esses dois na rua. Busquei no quarto um dos brinquedos de Udon, o carrinho que havia comprado, e comecei a girar as rodas. Lembrando-me do pouco tempo que estive com ele. Saí novamente, dessa vez eu tinha um caminho certo para procura.

Sakura

Já estava bem frio no apartamento, o Udon estava quentinho. Só queria ficar ali quietinha na cama, pensando nas mudanças da minha vida. Eu estava triste sim, mas não me deixaria abater, o Udon não merecia isso de mim. Eu devia o meu melhor prá ele!

Senti o chakra dele alterado, transtornado. E eu não queria brigar outra vez, se preciso for eu alugo um lugar, daí ele não pode entrar tempestuosamente, como fez agora.


– Naruto! Onegai, não acorde o Udon.

Naruto


Eu só pensava em levá-los para casa, sem questionamento, sem reclamação, esperava que Sakura não fizesse drama ou desse uma de difícil.

– Com que direito sai de casa, nesse frio com o nosso filho? Depois eu que tenho a cabeça oca. Vamos, pegue Udon e voltaremos para casa, amanhã eu pego as coisas que você trouxe. – Ela ficou parada me olhando. – Sakura! O que aconteceu? Porque saiu de casa? Eu só queria um tempo para pensar, ao invés de brigar com você. Vamos embora, tá frio, você esta tremendo.

Tirei a minha jaqueta e coloquei nos ombros dela.

Sakura

Eu agradeci a jaqueta, mas devolvi. Não gostei nenhum pouco do tom que ele usou comigo.

– Arigatou, demo eu não quero voltar para aquela vida, se for prá ser daquela maneira sempre. Não posso mudar a maneira de cuidar do Udon. Você nem me deu uma chance de dizer que eu estou assim porque já pesquisei alguma coisa. Vai ser sempre assim, eu te conheço! Então eu não vou diminuir o seu papel de pai, mas não vou me apagar como mãe.



Naruto

– Porque está tornando as coisas desse jeito? Eu vim buscar a minha família para ficar em casa, onde é o lugar de vocês, eu não quero que se apague como mãe, não quero que acabemos assim por brigas eu errei em não te ouvir mas eu estou aqui. Se alguém tiver que sair, saio eu. Aquela casa eu construí para você e nosso filho, não é justo tirar o conforto que eu quero dar a vocês por uma briga. Se quer que eu fique longe do nosso filho, se acha que eu não saberei cuidar dele, então eu deixo nossa casa. Mas Sakura! Volte, leve-o, lá é mais seguro e quente. Eu fico aqui. Não vou atrapalhar a educação que você quer dar ao Udon.

Fiquei na porta segurando a jaqueta na mão, com uma vontade de ir ver meu menino quando ele resmungou num choro baixinho.

Sakura

O que seria para o Naruto voltar a morar naquele apartamento? Seria voltar à estaca zero, não? Perder tudo que ele dizia ter conseguido, eu acho que fui muito exagerada.

Vi quando ele se segurou prá não ir acudir o filho, era lindo aquilo nele, será que conseguiria aprender a deixá-lo errar? O amava exatamente por isso, por esquecer-se dele prá se doar pros outros. Jamais conseguiria viver longe dele, como me enganei com isso?

Caminhei devagar, até abraçá-lo, acolhendo-me nos braços dele, sem medo de ser repelida.


– Gomen, eu fui muito impulsiva, mas não sabia como agir. Fiquei com medo de você voltar e nós brigarmos e acabarmos nos odiando por isso. Sei que você quer o bem do Udon, assim como eu. Acho que se a gente tentar, conseguiremos juntos ajudá-lo, não?



Naruto

Ela me abraçou, e eu a cobri com a jaqueta, segurando o corpo trêmulo, acariciando seus cabelos.

– Acho que tudo isso num dia só foi muita informação pra mim, eu não estava preparado para tanta coisa e talvez não tenha sido como você imaginou. Vai ver tava esperando um homem mais inteligente para lidar com a situação. Mas eu vou fazer o que puder Sakura-chan. Nosso filho merece, né? – E o chorinho dele aumentava, junto com a minha angustia. – Ele ta bem? Não ta com frio? Fome ou a fralda suja?

Iria demorar para me acostumar com aquela situação, não por meu filho ser cego, mas por ela ou ele mesmo achar que tudo o que faço é justamente por esse motivo. Sendo ou não uma criança com deficiência, eu iria paparicar e agradar de qualquer jeito.



Sakura

– Deve estar com fome. – Sentei numa cadeira, já sentia o peito cheio de tanto leite. Se passasse um pouquinho da hora dele mamar, incomodava. O Udon tinha um apetite e tanto. Dessa vez ele já puxou de uma vez, usando as mãos prá se orientar.


– Viu? Ele não vê, mas sabe usar as mãos. Vai aprender a se expressar Naruto, mas você e eu precisamos entender o que ele quer dizer. Eu acho que pela hora nós temos que ficar aqui, não quero o bebê no sereno, você pode ir em casa e buscar um bom cobertor prá ele?



Naruto

Sai pela porta dizendo que já voltava. Em casa fiz uma pausa, o que a gente poderia precisar? Peguei dois cobertores, fui no quarto do Udon peguei uns brinquedinhos, na cozinha peguei um estoque de chá e rámen.
Voltei para o apartamento. Eu não me desfiz dele porque nem desejava fazer isso, era parte da minha vida e ficaria lá.

Sakura achou tudo o que eu trouxe exagerado demais. Também, depois eu fiz um chá e o rámen, ela também não reclamou, era só esquentar a água mesmo, por isso gosto de rámen. Sentei abraçando ela no quentinho.

– É uma pena que ele não poderá ver como a mãe é bonita!

Sakura

Eu já tinha me arrependido da besteira de sair de casa, mesmo antes dele vir atrás da gente. Mas depois de vê-lo tão solícito, não tinha o que pensar.

– O Udon não precisa saber se a mãe dele é feia ou bonita, só precisa saber que ela o ama muito. – Enrodilhei meu corpo ao dele, o frio estava aumentando e aquele apartamento não tinha qualquer aquecimento.



Naruto

Ela se aconchegou mais no meu corpo, me abraçando, esquentando nossas peles embaixo da coberta, o frio era grande agora, mas o Udon dormia todo tranquilo num berço que Sakura improvisou bem.

– Ah! Nosso filho vai enxergar de uma maneira diferente: com o coração. E eu espero que ele seja tão feliz quanto eu sou. Sakura, você promete nunca mais me deixar assim? Meu coração quase parou quando vi aquela casa vazia, eu não sou nada sem vocês dois. – Beijei os cabelos dela, sentindo o cheiro gostoso que emanava dos fios rosados. A abracei mais forte, trançando nossas pernas, um no outro. Bem juntos.

Sakura

– Gomensai, não era prá ter feito isso! Eu poderia ter esperado você voltar sim, agi muito prematuramente, me desculpa Naruto. – Engraçado que essa briga não parecia ter razão de ser, porque no final nós dois queríamos a mesma coisa, que é o bem do Udon.

Já fazia era tempo que nós não nos abraçávamos assim, tão juntos. Antes disso tinha o Udon no meio. Era bom senti-lo daquela maneira e me permitir ser acariciada pelo meu marido, retribuindo-o com o mesmo carinho.



Naruto

Nos últimos meses nossa atenção era toda para o Udon, quando ele nasceu, isso dobrou. Não havia mais tempo para nós dois, e eu sentia falta de tê-la para mim, nos meus braços e ganhando carinhos.
Aproveitei aquele momento, eu só queria sentir mais a minha mulher, a puxei um pouco mais pra cima, beijando seu rosto, até tocar seus lábios, ainda era tão doce quanto os últimos beijos mais afoitos que dávamos.

– Amanha mesmo eu vou procurar alguma coisa, que possa ajudar, sabe? Um livro, ou alguma pessoa que tenha passado por isso. Né?

Sakura

– Sim, eu tenho alguma coisa em casa e encomendei muita coisa em outras vilas, deve chegar por esses dias. Vou falar com a shishou para fazermos um censo de quantas pessoas em Konoha tem algum tipo de deficiência. Com base nesses dados, quem sabe não montamos um centro ou coisa assim?

Eu sabia que o Naruto sentia minha falta, como mulher. E eu sentia dele, muita, muita falta.



Naruto

Eu a abordava com outras perguntas, relacionado aquilo mesmo, não me lembro de ter visto ou falado com alguém que tinha deficiência visual, não no meu convívio ninja.
E ela ali nos meus braços, alisando a abertura da minha camisa com o rosto quente. Eu estava ficando já sem assunto, e pior, sem sono também. Nos últimos meses que não pudemos ficar juntos, eu tentava me aliviar de qualquer jeito. Ah! Mas era tortura dormir ao lado de uma mulher como ela e não poder fazer nada.

– Sakura, vira mais aqui pro lado, meu braço já ta cansado. – Mentira, descarada e sem vergonha, eu queria era que ela se mexesse mais um pouco.

Sakura

Dormimos e no dia seguinte, bem cedo, fomos para casa de onde eu nunca deveria ter saído com o nosso filho. Naruto tirou o dia prá ficar com a gente, o frio em Konoha estava grande, estranho, com uma neblina que não passava.

A campainha tocou e ele disse que iria atender. Eu estava no quarto com o Udon e escutei os gritos do Naruto. Assustada, agarrei o menino e tentei reconhecer o chakra de quem estava à nossa porta, mas a minha mente estava muito confusa, só podia ser! Aquela pessoa não existia mais!



Naruto

Não é possível. Eu abri a porta e imaginei caindo em algum daqueles truques baratos de genjutsu.

Não! Não era um genjutsu. Kotetsu segurava no braço aquele que eu imaginei estar morto por anos. Eu não conseguia me mexer.

– Naruto-san, ajuda que ele esta pesado. – O ninja me acordou das lembranças do meu passado. O que eu deveria fazer? Mas Kotetsu parecia estar mais ligado que eu. – Encontram ele na porta do seu antigo apartamento, chamando pelo seu nome e o de Sakura. Fui chamado e achei melhor trazê-lo para cá. Veja, parece desorientado.

Deitamos ele no sofá e Kotetsu saiu, provavelmente iria comunicar a Hokage. Sakura descia as escadas com Udon no colo, e eu sentado no outro sofá somente olhando, olhando para o meu irmão desacordado.

Sakura

Era ele mesmo! Sasuke, não um fantasma, ou uma brincadeira de mal gosto. Eu pensei cuidadosamente nas minhas ações, para não ofender o Naruto, mas o Sasuke estava precisando de cuidados médicos e eu tinha obrigação de ajudá-lo. Entreguei nosso filho pro Naruto e ele não reclamou.

Voltei-me para o homem desidratado e com algumas escoriações. Não era nada grave, apenas precisava de repouso e uma boa alimentação, além de muita água. Quando terminei, ele parecia até mais corado. Só então eu me permiti reparar no rosto dele, muito mais duro que o do Naruto, os cabelos grandes e emaranhados e tão negros como eu me lembrava.

Sasuke estava de volta à Konoha, às nossas vidas.

Alguma coisa em mim era estranha, porque essa não foi a ideia que tive para o dia do retorno dele. E há anos eu acreditava ser impossível, porque o considerava morto. Mas ali não tinha mais a Sakura-chan de antes, eu era esposa e mãe. E aqueles laços também eram importantes. Peguei meu filho dos braços do Naruto, deixando um carinho e um beijo em seu rosto, para que ele soubesse onde estavam meus sentimentos.

– É melhor levá-lo para o quarto que está sobrando Naruto, é provável que durma até amanhã.

Naruto

Aquela sensação de que algo iria acontecer não passava, pelo contrário, estava aumentando e mudando para aquilo que eu sentia quando mais jovem, algo que achei estar adormecido ou esquecido.

Era ciúmes. Eu sentia o mais terrível dos sentimentos, principalmente quando vi Sakura alisar os cabelos do Sasuke quando fez os primeiros curativos. Não saí da sala, não virei o rosto, eu queria ver, com meus próprios olhos o que estava acontecendo.

Udon no meu colo estava um pouco agitado, ela percebeu isso.

Levei Sasuke para o segundo quarto. Lá havia somente um futon no chão e algumas prateleiras onde Sakura organizava seus livros, e vários brinquedos de Udon.
A tarde passou tão lenta, fiquei todo o momento ao lado dele, observando as feições que mudara, parecia dormir profundo e ter pesadelos. Muito agitado, sofrimento no rosto. Aquele não era o mesmo Sasuke de antes, mesmo com aquela ideia louca de vingança, ele não tinha essa cara de maluco de agora.

De noite, Sakura me chamou para jantar mas eu não quis. Continuei lá, só mais tarde fui para o quarto. Ela estava silenciosa na cama.

– Esta se sentindo bem? – Eu precisava saber o que ela sentia. Sakura sempre o esperou. Sempre. E agora...

Sakura

Naruto estava estranho, quieto. Isso era uma coisa que ele nunca ficava e eu sabia o motivo de estar daquela maneira. O Sasuke sempre foi o que nos manteve afastados, mesmo quando achávamos que ele estava morto. Para ele, era um irmão. E para mim... ah, para mim foi uma grande decepção no final, mas antes disso, nutri um sentimento muito grande por ele, que não parecia ter fim. E confesso que quando soube da morte dele eu chorei, como uma menininha e agora me segurava para não chorar, mas não sabia o motivo. A única coisa que fazia sentido para mim é que nada valia fazer o Naruto ficar triste, então eu tratei de agir exatamente ao contrário do que meus instintos antigos me diziam para fazer. E agora estava acolhida nos braços dele que me tomavam possessivamente, ele podia sentir isso?


– Eu não sei como estou me sentindo Naruto, ainda não entendi como o Sasuke apareceu em Konoha, ainda não entendo como ele está vivo. Eu não sei mais nada.

Notas finais
Tava tudo muito calmo né? Agora vamos animar a história.
Alguém aposta no que isso vai dar?

Pra quem conhece a Lila e eu sabe que tudo é possível, rs

Beijos amores, espero que gostem do capitulo.
O próximo vai ser bem divertido. Imagina aIno encontrando-se com o Sasuke, rs.

Kori e Lila