Getsu
34 O inicio de uma vingança
Hatori
A família principal ainda era servida pela secundária. Embora a nossa líder Hinata-sama houvesse modificado algumas coisas. E por trás dela havia um homem o qual eu desejava enfrentar um dia. Alguém que destruiu a minha família. Ora essa, no caso, a dele também. Pois nós do Clã Hyuuga, não éramos todos uma grande família?
Ela estava mexendo na água da fonte bem de frente à uma das casas principais. Jogando os cabelos para o lado quando dava, olhando para o céu, olhar vago. Talvez estivesse pensando em algo, ou alguém.
Seu nome, Hyuuga Mika. O que ela fez? Provavelmente nada, não que eu saiba, ainda. Mas ela teve o azar de ser filha de Hyuuga Neji. O que precisava dela era apenas confiança. Me aproximar e o caminho ficaria livre. Eles sentiram a mesma dor que eu senti.
Caminhei devagar até ela, e fiz um reverência.
– Mika-sama. – A filha de Hyuuga Neji, um dos homens mais fortes do nosso clã. O homem que abandonou meu pai. Deixando-o para a morte. – Vi que estava sozinha, não quero ser atrevido, mas posso me juntar a você? – Aos poucos... eu pegaria a confiança da jovem. Ela era mais nova que eu poucos anos, talvez, aquele ar dócil escondesse quem ela realmente era. O que eu já sabia. Uma vantagem era que Mika gostava de se sentir livre, e buscava isso. Talvez isso seria de grande ajuda.
Sentei-me ao lado dela, observando o dia passar lentamente. Era assim, tudo muito calmo no Distrito Hyuuga. Um dia, não seria mais.
Mika
Tédio.
Puro tédio.
Eu sei que incentivei o Udon a procurar Yume naquela noite que bebemos, fiquei feliz quando ela me disse que os dois estavam namorando, mas se eu soubesse que isso significaria passar meus dias sozinhas dali em diante, teria repensado seriamente.
Certo, não teria repensado nada, estava tudo como deveria estar. Mas que eu ficava um pouco chateada, isso ficava. Éramos sempre nós três, mas um casal era composto por dois, não três. E eu estava oficialmente de fora.
O distrito Hyuuga parecia AINDA mais chato, se é que era possível. Meu pai estava atrasado pro treino, certamente o vovô estava passando alguma instrução importante, que nem mesmo Hinata-sama poderia saber. Minha mãe e minha irmã tinham saído para comprar ervas, a muito contragosto o papai aceitou o fato de que ela trabalharia fora do clã e que ensinaria Saka o mesmo caminho médico que ela seguia, já que eu tinha nível zero em habilidades médicas. Não importa.
O rapaz que me chamou a atenção não era um rapaz, por assim dizer. Era um homem já, Hatori. Ele era da família principal, portanto não ostentava o mesmo selo que eu. Mesmo com a reunificação do clã, ainda era diferente esse contato quase "casual".
– Hatori-san... – Eu não sabia o que ele queria comigo, mas ultimamente estava em todos os lugares que eu ia. Com uma Vila com carência de homens, como era o caso de Konoha, isso seria envaidecedor para qualquer mulher, menos pra mim. Eu não tinha muita vontade de namorar. Não qualquer um. Estava preocupada mesmo era com a seleção ANBU em alguns meses.
Hatori
– Atrapalho os seus pensamentos? – Ela sorriu, como se eu não soubesse que estava atrapalhando sim, mas mantive meu interesse em ficar próximo, já era hora de começar. – Hoje não tenho muita coisa para fazer no Clã. Decidi então caminhar. Gostaria de vir comigo? Seria de certa forma uma honra passear na companhia de uma jovem tão bonita.
Ela era exibicionista! Estava sempre se mostrando com decotes, claro que nas costas do pai. Mas mesmo assim sempre gostava de desafiar um clã inteiro deixando sua beleza exposta. Sempre com o olhar atento e o queixo erguido.
Mika se levantou, estendi a mão para ela, como um bom cavalheiro, segurei-a com o braço e saímos caminhando pelo Clã. Pouco falávamos, apenas sobre algumas missões, nos últimos anos eu decidi viver longe de Konoha, e o retorno veio apenas quando eu me senti mais forte.
– Deseja então ir para a ANBU? É um trabalho árduo, imagino que será uma experiência boa para você. Acredito no poder feminino. – Como se uma mulher fosse mais forte e importante que um homem, mas se ela quer ser iludida. – Torço para que consiga.
Mika
Ele não parecia pedante como os poucos rapazes da família principal, que se achavam os mais fortes e únicos, e ainda era bem calminho, um gato, voz grossa, mas mansa. Ah, já estou parecendo uma adolescente iludida. Mas se ele veio até mim, é porque está interessado! Mas não é normal isso acontecer. Principalmente porque mais da metade ali teria medo somente por saber de quem sou filha.
– Mas... não tenho medo de trabalho duro. Quero deixar meu pai orgulhoso e também o clã. E você, Hatori-san? Ficou tantos anos fora da Vila, o que o fez voltar?
Hatori
– Eu vivi muitas coisas tristes! Eu vi muitas coisas ruins, filhos perdendo pai, família por coisas tão estúpidas. Quando fecho os olhos ainda consigo ouvir pessoas pedindo ajuda, guerra e sofrimento é algo que nos mexe com a alma. Daí eu vi que o único lugar onde consigo dormir bem e ter paz é aqui. Por isso voltei. Também quero orgulhar meu pai, falecido há anos, você era muito menina quando isso aconteceu, não vai se recordar. Mas não quero falar de coisas tristes. Se não for muita ousadia da minha parte, será que posso convidar a jovem Hyuuga para um passeio mais longo? Quem sabe um dia podemos sair.
Mika
Ele estava mesmo interessado! Sim, eu sabia disso. Minha mãe tinha me dito que só um homem muito interessado ou muito louco para falar comigo assim, sabendo o pai que eu tenho. Realmente não estava interessada em namorados, mas quem sabe? Infelizmente eu tinha que casar mesmo, então bem que podia ser com alguém assim, como o Hatori-san. Mas nossas famílias, bem, ele não deveria se interessar por uma mulher da segunda família.
– Está me convidando pra sair? – Ele confirmou, sorrindo. E que sorriso bonito! – Não acha inconveniente? Digo, por eu ser...
Hatori
– Eu sabia que iria dizer isso. – Segurei suas mãos, parando a caminhada. – O que isso importa? No fim somos todos Hyuuga. Sempre achei essa divisão um tanto triste. O clã não deixaria de ser tão poderoso se fizessem uma unificação. Creio que mesmo sem selos, poderíamos um ajudar o outro, não acha? Eu não faço distinção de ninguém. Mika-chan... somos seres humanos iguais.
Beijei sua mão, pedindo mais uma vez para sair comigo, e que se preciso eu iria pessoalmente falar com seu pai, e pedir formalmente que eu a levasse num passeio para que não parecesse desonroso de minha parte acompanhar a filha mais velha de Hyuuga Neji. Ela sorriu com minhas palavras, os olhos pareciam brilhar mais... eu estava conseguindo.
Mika
Bem, se ele queria, para que negar? Eu não poderia me mostrar tão boba. Mas era estranho, talvez utópico.
– Não precisa, é apenas um passeio, meu pai não precisa se preocupar com isso. Quando pretende me chamar para passear? – Ele perguntou se no dia seguinte tinha algum problema e eu segurei o entusiamos para o "Claro que não!".
Combinamos de sair no dia seguinte, para um piquenique. Ele me disse que conhecia lugares calmos e isolados em Konoha que eram seus tesouros. E também que os partilharia comigo.
Não é preciso dizer que voltei para casa pisando em nuvens e nem mesmo escutei a bronca do papai quando ele reclamou que não estava esperando por ele no local marcado. Ah! É mesmo, nós iríamos treinar. Mas... mas nem consegui prestar atenção, o que resultou em mais bronca.
Hatori
Um bom começo, agora é só fazer a menina sonhar que nós dois somos iguais, que eu acredito mesmo nessa palhaçada de unificação. Eles já tem muita gratidão por deixarmos que vivam por aqui. Meu pai ensinou-me muita coisa, e eu manterei sua vontade. Só sinto por ter que dividir certas coisas com uma inferior a mim. Mas tudo será justificado, e otousan me perdoará por isso.
No outro dia procurei por alguém que fizesse uma cesta de piquenique. Com dinheiro na mão nada era difícil. Como marcado, Mika estava me esperando para que fossemos ao tal passeio.
Mostrei para ela a cesta que eu mesmo havia preparado de noite. Ela sorriu, dizendo que era melhor mesmo, pois a mãe não havia feito muitas coisas gostosas como tinha ali. E eu sabia o seu gosto, fiz questão de pesquisar para ter ali tudo o que ela mais gostava de comer.
Levei-a para uma parte da floresta da morte. Ela arregalou os olhos quando passamos a cerca. Perguntei se não tinha coragem para vir, ela frisou o cenho e me seguiu, segurando mais forte minha mão.
– Confie em mim. – Passamos por alguns lugares, havia um rio e enfim chegamos próximo à uma rocha que parecia fechar o lugar. Escalamos ela e chegamos, era a nascente daquele rio. Ela adorou.
Mika
Não fiquei com medo, afinal de contas para o byakugan aquela floresta não tinha tantos segredos. E o lugar era mesmo lindo, tão fresco, isolado. Quem diria que uma coisa assim se escondia no interior da floresta da morte!
Estava tudo muito gostoso, eu fiquei envergonhada por não ter ajudado a okaasan a caprichar mais, só que ele não estava preocupado com isso.
– Hatori... – Eu estava prestes a chamá-lo pelo sufixo de respeito, quando ele me corrigiu com o olhar, pela quarta vez. – Hatori-kun, por que me trouxe aqui? Existem outras moças no clã, na Vila, que estão mais de acordo com o seu nível. Eu sei que sou de uma família importante, mas não pode esquecer que sou de lá. Odiaria saber que me toma por fácil apenas porque somos de níveis diferentes.
Hatori
– Jamais pensaria algo tão rude como isso que me falou. Me aproximei de você sim, mas com medo que achasse que eu desejava fazer brincadeira ou essas bobagens que já vi pelo nosso Clã. Não interprete mal meu jeito. Eu vejo todas as mulheres da vila como elas são. Mulheres fortes e especiais. Há muitas mulheres bonitas, inteligentes, mas nenhuma com um sorriso tão encantador como o seu, Mika-chan. – Toquei em seu queixo levemente, a fazendo corar. – Vamos fazer um trato? Quando estivermos sozinhos, você é somente Mika e eu Hatori. Sem famílias, sem dúvidas e sem mentiras. Quero somente poder conhecer melhor uma jovem que Kami-sama fez iluminar na minha vida.
Deixei minha mão, em seu queixo, e passei a alisar seus cabelos. A patinha tava caindo.
Mika
Será que era assim que a Yume fica quando o Udon fala coisas bonitas pra ela? Porque eu tinha vontade de estar abraçada com ele e queimava o rosto com os toques dele.
Ele foi se aproximando devagar, pedindo licença pra me beijar, que gracinha! Ele estava mesmo tentando mostrar que não queria brincar comigo e eu não tinha receio disso agora, ele me lembrava o otousan, a maneira como ele tratava a okaasan... Claro, que não era na nossa frente, mas eu sempre os flagrava no fim da tarde caminhando no jardim, juntos. Sempre acreditei que um dia poderia encontrar alguém assim para mim, ali mesmo no clã. Mas era tão difícil, ou quase impossível.
Pelo visto, não era.
Hatori
Segurei seu rosto, declarando minha fascinação pela beleza dela, pedindo espaço para que me deixasse entrar na sua vida e que a beijasse naquele momento. Seus olhos se fecharam e eu tomei seus lábios.
A garota tinha uma boca gostosinha demais, toda mole nas minhas mãos, eu só me comportei, segurei sua cintura a abraçando, fazendo o beijo avançar, mas nunca demais, diminuir mas sem parar.
Dali até o final do pique nique ela não se interessou muito pela comida do que foi com os beijos, e eu ainda pedia para ela me desculpar se estava sendo muito avançado. Estava até divertido, quero ver a cara de Hyuuga Neji quando souber que sua filha preciosa esta apaixonada por Hyuuga Hatori! Creio que ele vai se lembrar desse nome por ser igual ao do meu pai.
– Mika! Sinto muito eu me empolguei. – Estava com as mãos acariciando sua barriga, tirando dela uns suspiros mais abafados. Estava toda excitada, deve ser uma delicia essa garota.
Mika
Eu tinha sim ficado excitada com o Udon, demais, mas não fizemos nada. Eu me sentiria péssima com Yume depois. Mas ao lado do Hatori eu sentia algo verdadeiro, eram carícias de uma pessoa que queria a mim, por completo. Sem pensar em outra pessoa. Ou era isso que eu acreditava. As palavras dele e os beijos me levavam para longe, mas eu não queria me iludir demais.
– Tudo bem... assim não tem problema, não está sendo desrespeitoso. – Ele sorriu e eu tive certeza de que não seria uma coisa passageira na minha vida, pela modo que me segurava. Já estávamos ali há horas. – Eu acho que tenho que ir, papai não gosta quando chego tarde sem avisar. Deve imaginar como é isso, né? Digo, você conhece o meu pai.
Hatori
– Deixe-me levar você até sua casa? – Mika sorriu ainda mais, dava para ver a felicidade nos lábios dela. Fácil fazer uma mulher confiar em suas boas intenções.
Arrumamos tudo e seguimos para casa. No meio do caminho eu segurei sua mão mais apertado. Sussurrei para ela que se desejasse, eu fala com seu pai naquele momento mesmo. Seria até mesmo uma felicidade para mim. As palavras sumiram de sua boca, e quando chegamos em sua casa, estavam lá os pais dela aguardando, como cães raivosos em cima de sua cria. Ora essa. Tanta proteção não servirá de nada.
– Boa noite! – Reverenciei-me, ainda segurando a mão dela. – Essa tarde eu levei a sua filha para uma passeio, Neji-sama! Sinto por não ter avisado antes, eu mesmo perguntei à ela que viria pessoalmente pedir consentimento. – Não era agradável ter que encará-lo com olhos de boa fé. Aquele homem de braços cruzados cuspia arrogância pelos olhos. E ainda vendo sua filha ao lado de mim, o que deveria estar pensando? Como imaginei, ele ordenou Mika entrar para dentro da casa, soltei sua mão e falei para ela não contraria as vontades do pai. – Não queria desrespeitar Mika. Mas eu desejo fazer um pedido e se não se opor eu ficarei extremamente feliz.
Ao lado dele estava a esposa, quando pedi permissão para namorar Mika, ela sorriu, e ele fechou a cara. De qualquer forma, para um dia eu ganhei muita coisa. Disse que não queria ser inconveniente pelo horário e me retirei, no outro dia poderia voltar um pouco mais cedo se me permitirem.
Vi Mika pela fresta da porta, sorrindo. E parti para ver o que eles decidiriam, com certeza, geniosa como é, ela ficará firme contra o pai. É o que espero.
Mika
Pela cara do otousan, eu sabia que não teria conversa amigável. Ele era mesmo muito retrógrado pra essas coisas! Mas eu ouvi, o Hatori pediu para namorar comigo, encarou a fera Hyuuga. Fez isso por mim! Ele gosta mesmo de mim! E se voltou para a Vila por minha causa? Será que ele me ama há muitos anos e só teve coragem de se confessar agora, como o Udon fez com a Yume?
Pois bem, se preciso fosse eu encararia o otousan, como ela fez com o Sasuke-sama.
Neji
– Não. – Foi a primeira coisa que falei quando entrei em casa e vi Mika de olhos brilhando, escondida atrás da porta. Megumi havia me pedido para pensar, ainda la fora. Mas não tinha muito o que se pensar naquele momento. Era não e pronto! – Ele não é da família principal. Não é somente por isso. Mas Mika é jovem demais para namorar. Isso pode acarretar problemas no seu futuro como kunoichi.
Falava com Megumi, ignorando a presença de Mika, não haveria conversa, eu não iria permitir aquilo. Com certeza esse rapaz quer se divertir como muitos outros faziam, mas não com minha filha.
Megumi me rebateu com suas palavras, não acreditava que aquele rapaz me fazia ter uma discussão com minhas esposa. O pior, é que Mika pareceu criar coragem para me enfrentar.
– Sei o que é bom para você. E esse rapaz está querendo o que os outros também querem, não irá conseguir. – Era incisivo na minha resposta. Mas não era o suficiente para aquelas duas.
Mika
– Como assim "não"? Otousan! Eu fiz tudo que me mandou desde o primeiro dia de vida! Agora, a única coisa que eu peço você me nega? Não basta ser perfeita em tudo, ainda quer que eu seja sozinha?
Avancei um passo, pouca coisa, mas era muito, se comparado à minha obediência cega de anos. O que os pais de Konoha tem? Todos eles estão drogados por alguma erva maldita do ciumes de suas filhas? Não é possível. E eu ainda ri de Yume que tinha o pai mais bravo e inflexível da Vila. To vendo que me inclui na lista também. Porque mesmo sério, não achei que ele ficasse contra algo que eu pedisse.
– O Hatori pode ter qualquer mulher do clã, mas escolheu a mim e veio falar com você! Ele não quer fazer nada errado, conhece as tradições da família e não se importa pelo fato de eu ser quem sou. Não basta isso? Eu passei uma tarde como uma mulher normal, não uma máquina de matar! Se você quer um robô, sem sentimento, não tenha mais filhos. Fabrique.
Neji
– Você não é uma máquina, e sim tem muitas responsabilidades. Ser shinobi é algo que requer anos de treinamento e dedicação profunda. Não será agora que vai me desobedecer. Mika! Estou protegendo você. Não é a primeira vez que um se diz interessado por uma joem como você, no final eles somente querem se aproveitar. – Não terminei de falar porque aquele assunto era para a mãe dela cuidar, e não um homem! Pedi para que fosse dormir, Megumi disse não e mandou eu conversar com a filha. – Yare! Vocês duas devem se falar telepaticamente. Escute minha filha! Não vou permitir que um rapaz venha ate minha casa para se aproveitar da minha filha. Se diz que ele gosta tanto de você, então quero ver se aceitará um compromisso sério, selado! Assinado se preciso com uma pena grave se desistir.
Parece rude ou antigo. Mas com minhas filhas eu seria muito mais cauteloso do que com minha própria vida.
Mika
Procurei abrigo no olhar de minha mãe, mas dessa vez ela concordava com ele. Merda! Pela primeira vez eu estava encurralada em casa, sem ter a quem pedir ajuda.
– Nos conhecemos há alguns dias! O senhor sabe que ele não vai aceitar isso! É injusto otousan, muito injusto e o senhor sabe disso!
Ele retrucou, dizendo que não discutiria comigo, que não era para eu me espelhar nas atitudes de Yume, porque ele não era como o Sasuke-sama. Eu quis gritar, mas só fiz chorar, na frente dele mesmo. Que visse o quanto me fazia sofrer!
Fui para o quarto arrastando tudo que via e nem liguei pra Saka, que queria saber o que tinha acontecido. Fechei a porta de correr, num estrondo que abalou as paredes e gritei que ninguém entrava ali, que ao menos a maldita privacidade mantivessem.
Neji
Eu sabia que aquela rebeldia passaria no outro dia, minha filha não sairia de casa sem minhas ordens. Que fique em seu quarto. No outro dia, Mika nem quis sair para tomar café. Pedi para Megumi deixar ela pensar. Caso desejasse comer, ela que viesse buscar.
Já era tarde quando retornei para casa, Mika ainda estava no quarto sem comer, e nada do tal jovem interessado aparecer, como era de se esperar.
Mas para minha surpresa, ele veio. Hatori! O rapaz era jovem quando saiu de Konoha, logo após a morte de seu pai, um homem muito difícil de se lidar. Extremista e mais rigoroso que qualquer outra pessoa que conheci nesse Clã. Esse assunto era já muito complicado de desencavar totalmente. Não digo que o rapaz seja como o homem do passado. Mas deveríamos nos manter cada um em seu devido lugar.
– A minha filha não sairá dessa casa para namorar, e sim para casar. – Deixei bem claro para ele as condições, extremas! E já estava imaginando vê-lo partir. Mas novamente ele me surpreendeu.
De fato aquela situação não era nem de longe algo que eu acreditei acontecer na minha frente. Mas o jovem veio mesmo, aceitou minhas condições, que criei justamente para ouvir um não. Era inacreditável ele aceitar. Ou estava mesmo apaixonado pela minha filha, ou era um lunático.
– Não acredito que seja necessário ditar as regras. – Ao menos ele era um Hyuuga.
Hatori
– Neji-sama! Eu aceito. Se preciso eu casarei com sua filha. Seria uma honra. – Aquela reverência que eu lhe prestava tinha um gostinho de vitória. A primeira! Imagino que ele acreditou mesmo que eu era um aproveitador e que jamais aceitaria me casar com ela. Eu o vi assustar-se com minhas palavras. Hyuuga Neji estava perdendo sua filha! – Eu assino qualquer papel se não confiar na minha palavras. Mas não acredito que qualquer um que desejasse fazer mal a jovem Mika fosse vir encará-lo.
Ele me olhou sério, foi aí que Mika apareceu na sala, sorridente.
No dia em que desejei retornar para Konoha, não imaginei que seria tão fácil iniciar minha vingança.
Ele nos deixou naquela sala, pedindo para a irmã mais nova dela ficar ali. Mesmo que Mika mandasse a irmã sair, eu achei bom que ela ficasse. Conversamos, nós três e a menina já estava também sorridente comigo.
Notas finais
Eu não sei muito bem o que vocês esperam dessa historia, mas vou avisando. No começo, assim como a fc Descobertas, essa historia foi escrita de madrugada para passar o tempo. A gente não pensava em postar, ou se as pessoas iam ler.
Mas eu acabei postando. E essa historia ja tem um ano que ta escrita. E eu preciso ler e corrigir varias coisas, e ainda deixo passar outras, to sem beta e isso complica mais.
A historia em si terminaria antes dos filhos crescerem. Como a Lila e eu estavamos mesmo sem nada para fazer (rs) continuamos escrevendo. Então, se por acaso vocês sentirem que ta tudo desandando ou que a historia perdeu a graça ou algo do tipo, culpe as madrugadas mal dormidas e a cerveja que eu bebi enquanto escrevia, ahhahahaha
Perguntas, mandei nos reviews.
Beijos, e obrigada aos meus leitores corajosos.
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