Getsu

14 Migalhas de você


Notas iniciais
Aviso: Esse capitulo está bem hot, hohoho. Só leia se aguentar. PAra a alegria de alguns ou não o Gaara vai aparecer. E a Ino também. E Advinhem? Sasuke claro. Spoiler antecipado, ele vai fazer merda. =X

Sasuke

Mais uma noite de pesadelos e sonhos inalcançáveis, que eu consegui sobreviver. Pesadelos devido as lembranças mais difíceis que Ino-san liberou da minha mente, eu não imaginava que teria feito tantas coisas. Muito menos que após tudo o que fiz, Naruto e Sakura ainda me tratam como amigo, ou melhor, como um irmão. Lembro-me plenamente de nossas lutas, encontros e desencontros, mas preferi manter algumas recordações somente para mim. Coisas que vi e preferia não me recordar. Assim como a luta com meu irmão ou com Orochimaru, esse que eu não conseguia me recordar totalmente. Não sei se é uma boa ideia mexer nessas lembranças, o pouco que vi sobre ele já foi o suficiente pra assustar Ino e a mim próprio.

Quanto ao sonho inalcançável: ela fazia parte desse mundo que eu abandonei. Já estava consciente de que não teria qualquer chance com UzumakiSakura. Mesmo que ainda de noite eu ouço os gemidos dela, imaginando que fossem por mim. A cada noite aquilo parecia uma sessão de tortura. Eu me masturbava, ouvindo ela gemer e gritar, mas não era o meu nome. Sentia um desejo absurdo de ouvir somente uma vez ela dizer que me queria. Sentir a pele dela, o toque e os lábios.

Passava a maior parte do tempo longe da casa, geralmente chegava apenas de noite, quando Naruto já estava lá. Mas um dia eu cheguei mais cedo. Ino precisou sair em missão.
Cheguei na casa dos Uzumaki, eu precisava encontrar um lar para mim, aquele parecia não era meu lugar.
Estava tudo silencioso, queria um banho, mas ouvi o barulho do chuveiro. Dei dois passos para trás, mas voltei. Não me contive, provavelmente Naruto estava em casa, mas ao entrar no quarto da criança, vi o menino dormir, não havia bagunça ou alguém falando alto, típico de Naruto, apenas ouvi uma voz fina, melodiosa.
Sakura estava no banho. Como eu sabia? Entrei no quarto dela e a ouvi cantar alguma coisa com o barulho do chuveiro, a porta estava fechada. Fiquei alguns minutos segurando a maçaneta.

“ – Vá embora Sasuke! Não continue...” – Mas ouvindo a voz dela, o cheiro do sabonete que vinha por debaixo da porta, eu não resisti. Abri bem devagar a porta e deixei apenas uma fresta, e a vi.

Os cabelos molhados, longos, lindos! A pele ensaboada e o corpo perfeito, assim como era em meus sonhos de noite. Não deu para me controlar, eu queria aquela mulher, mas se eu entrasse ali... Morreria, ou pelas mãos dela, ou nas de Naruto.
O chuveiro foi desligado, mas antes que eu conseguisse sair do quarto ela abriu a porta me encarando assustada.

Sakura

Estava atrasada com o jantar, logo Naruto chegaria e se o jantar não estivesse pronto, era capaz dele comer ramén fora. Então aproveitei o sono providencial do Udon depois de uma sessão de exercícios e fui tomar um bom banho, prá recuperar as energias. Ser mãe, dona de casa e esposa dá mais trabalho que ser médica.

Tomava meu banho calmamente, gostava da água quente em contato com o meu corpo. Ao desligar o chuveiro eu senti. E não era a primeira vez que sentia aquilo. Ah, não pode ser! Eu não quero acreditar que o Sasuke está fazendo isso!

Tratei de ser rápida ao me enrolar na toalha e então eu o vi, querendo sair sorrateiramente do meu quarto. A confusão em minha mente era grande, não se espiona a mulher de outro, muito menos daquele que você chama de irmão.


– Que diabo você estava fazendo Sasuke?!?

Sasuke

– Sakura eu não queria... Eu não estava... – A quem eu estava enganando? Ela me pegou ali no quarto, tentei até disfarçar o volume na calça mas era visível. – Ouvi a sua voz, e não consegui me conter. Queria... ver você. Não sabe como é torturante me recordar de certas coisas que perdi e ter que aceitar que tudo mudou. Eu vejo você nos meus sonhos Sakura.

Me aproximei, mas ela recuou. Segurando a toalha no corpo. Disse o quanto me sentia um canalha por tudo o que fiz, mas que naquele momento poderia fazer diferente, não queria roubá-la do Naruto, mas eu queria desabafar, dizer que a confusão na minha cabeça era muita, mas a única coisa que eu conseguia ver com clareza eram os olhos verdes dela.

– Sakura... não me culpe. Mas eu não consigo guardar isso mais... no momento em que te vi, mesmo não me recordando de quem era eu senti algo forte em meu coração. Me deixa... me dá somente uma lembrança viva. Onegai! – Avancei até ela, segurando-a contra a parede, sem me dar conta de tamanha a força que usava ali, as vezes meu corpo agia mais do que a mente. – Diz que não sente nada que eu vou embora... – Sussurrei no seu ouvido, beijando o seu pescoço, sentindo o corpo dela amolecer e o pedido de sair do quarto cessar. Toquei seus lábios, e pude sentir o gosto deles.

Sakura

Fraca... eu era uma fraca! Covarde, traidora!

Não consegui nem sentir o gosto que tinha aquele beijo, um beijo que eu sonhei por muitos anos, mas que não queria mais. Era curiosidade ou eu estava caindo no charme do Sasuke? De qualquer maneira, não podia continuar com aquilo, o Sasuke já se sentia dono do meu corpo, querendo me mostrar o quanto me desejava. Eu não podia aceitar aquilo, eu amava o Naruto e o único cheiro que eu queria ter no meu corpo era o dele.


– Iie, me solta! – Se ele conseguia ser forte comigo, naquele momento descobriu o quão mais forte eu conseguia ser. – Saia do meu quarto e fique feliz por eu não contar isso para o Naruto! Você seria um homem morto, Uchiha Sasuke... mas eu não vou deixar você trair o Naruto mais uma vez, não na casa dele! Trate de procurar um lugar para viver, não quero saber onde, mas tem até o final da semana para deixar a minha casa, do contrário, o Naruto vai saber o que aconteceu aqui! Nem que para isso eu tenha que perdê-lo, mas não vou enganá-lo!



Sasuke

Ela me empurrou com uma força descomunal, atravessei o quarto, se não parasse iria bater na parede e aí sim tudo ficaria pior se fizesse uma rachadura ali. Não havia perdão ou qualquer pedido de desculpas, eu estava desfazendo de toda a hospitalidade e o carinho que aqueles dois tinham comigo. Minha cabeça se confundiu ainda mais. Eu não sabia o que dizer, pedi desculpas para Sakura, arrumei minhas coisas, não poderia mais viver naquele lugar, não poderia mais ficar perto de pessoas que me ajudam, mas que eu quero no fundo magoar. Porque creio eu que Naruto não merece ter um irmão canalha.
Terminei de arrumar o pouco que havia acumulado naqueles meses e saí do quarto.

Ela estava na cozinha com Udon no colo, eu gostava de ver e falar com o menino, seria uma pena não poder acompanhar seu crescimento.

– Sakura, sinto muito pelo que fiz. Eu vou embora! Não me verá mais, e não irá precisar se preocupar comigo, me manterei afastado dessa vila. É o mínimo que posso fazer. Mas eu não vou esquecer de tudo novamente. E faço questão de me recordar, me perdoe, mas eu somente preciso de uma lembrança como essa. Eu não sei o que é todo esse amor que vocês sentem, invejo a sua família.

Já estava de saída na porta, eu não iria voltar mais para aquele lugar.

Sakura

– Você vai fugir outra vez Sasuke? É sempre assim, quando não pode ter o que quer, você foge, né? Só que dessa vez eu não vou te segurar, ou deixar o Naruto ir atrás de você! Se for embora, é prá sempre! – O Udon começou a chorar e eu senti o Naruto se aproximar de nós, desconfiado, querendo saber o que tinha acontecido. – Simples: o seu irmão está seguindo a Natureza egoísta dele e indo embora, ele não precisa de nós.



Naruto

Eu tava animado voltando para casa, mas quando me aproximei e sentir algo estranho no ar, corri para dentro. Sakura falava alto, Sasuke na porta com uma bolsa nas costas e meu filho chorando.

– Embora? Mas porque? O que aconteceu pra querer ir embora? Eu fiz alguma coisa? A Sakura brigou com você? Ta cansado das sessões com a Ino? Porque tem que ir embora justamente agora que tudo estava se encaixando e você se recordando de quem era.

Talvez então seja por isso mesmo. Ele se lembrava de quem era e queria ir embora como da outra vez. Como a Sakura disse: Egoísta era a Natureza de um Uchiha. Eu fiquei bravo. Mandei que ela subisse para que o Udon não presenciasse aquilo.

– Mais uma vez Sasuke? O que te faz pensar que poder ir e vir assim sem mais nem menos? Não há mais nada na sua cabeça? Será que a amnésia foi curada e agora que sabe quem é não precisa mais de nós? Da sua família? Se você não esta satisfeito morando aqui com a gente eu posso dar um jeito. Podemos ver outro lugar.



Sasuke

Eu queria poder dizer a ele que estava saindo por ser um egoísta, porque era dessa maneira que me sentia mesmo, mas não consegui.


– Naruto, eu já me aproveitei demais da sua hospitalidade. Konoha não é meu lar há muitos anos, se eu estou fora por tanto tempo, um motivo existe e acho que quando me recordar dele, não quero que as únicas pessoas que se importaram comigo estejam por perto. – E daí que eu mentia? Acho que magoá-lo ainda mais me faria mais hipócrita ainda.



Naruto

– O nosso lar é aquele lugar onde as pessoas lembram-se de nós... Eu aprendi isso com meu mestre, Jiraya. Ele apesar de viver rodando por aí, sempre voltava. Assim como muitos outros, e pode ser com você também Sasuke. Em todo lugar que for, irão saber quem é Uchiha Sasuke. Mas somente aqui, em Konoha, que haverá pessoas que conhecem o Sasuke, não o Uchiha que salvou pessoas, matou gente forte e honrou o clã, mas sim o homem que você é. Se sair daqui nada vai mudar. Mas se ficar... sua vida pode ser melhor. Você nunca sonhou em ter sua família de volta? Pois bem, não podemos ter isso, eu queria meus pais vivos também, mas o que tenho hoje é minha mulher, meu filho e o meu irmão... E se for embora, você será sozinho...

Sasuke

Era difícil acreditar, mas o Dobe estava falando alguma cosia que prestava. E estava certo. Por um momento eu parei de pensar no quanto estava sendo injusto com eles. Me acusavam de só pensar em mim, mas talvez aquela fosse uma das poucas vezes em que eu não pensava apenas em mim.


– Me ofereceram uma posição como professor substituto na academia, se conseguir me graduar no exame chuunin, conseguindo o emprego, tenho como me sustentar, mas agora não posso ficar aqui. Não é certo abusar da hospitalidade de vocês. Vou procurar algum quarto para alugar, acho que posso fazer algumas missões como gennin e então conseguir o dinheiro para um mês de aluguel.

Eu sabia que estava me menosprezando demais, mas depois de ter feito o que tinha feito, era o mínimo que poderia fazer. Ainda que o Naruto nunca viesse a saber a verdade.



Naruto

– Nem pensar. – Ele já estava pronto para reclamar, mas eu fui mais rápido. – Vem comigo Sasuke.

Saí de casa, ele me seguiu sem dizer nada, acho que meu discurso foi o suficiente. Atravessamos o bairro residencial e chegamos ao centro da Vila, aquele lugar onde eu me lembro desde que as primeiras e mais antigas lembranças estão na minha cabeça. Passamos pelo Ichiraku, eu tava morrendo de fome e pedi quatro rámen pra viajem, dois de porco e dois de peixe.
Sasuke ainda estava calado. Chegamos ao meu antigo apartamento. Abri a porta e entrei, ele ficou parado sem saber o que dizer, tirei do meu chaveiro duas chaves e o entreguei.

– Aqui! As chaves do meu apartamento. Eu nunca consegui me desfazer desse lugar, cresci aqui, mas não posso deixá-lo abandonado, acho que pode ficar aqui até quando quiser.

Sasuke

Era um teto. E um lugar onde eu não teria os gemidos da Sakura a me perseguir pela noite. Recordava-me daquele lugar, como um lugar envolto em bagunça, mas agora parecia limpo e organizado.

– Arigatou. Assim que tiver estiver trabalhando, faço questão de pagar aluguel. – Ele me disse que o aluguel era eu não sair da Vila, mas estava claro que eu devia a ele muito mais que dinheiro. – Gomenasai Naruto.

Ele me perguntou de que me desculpava, mas acho que no fundo ele sabia.


– Por tudo.

Ele sorriu e me abraçou, me desejando sorte ali. Para ele era tão fácil perdoar... será que era porque ele não sabia ao certo do que estava falando?



Ino

Aiiii que vida difícil eu levo. Já não basta ter que cuidar do Uchiha sofredor com lembranças tenebrosas, tenho que substituir a testuda no hospital, ainda tenho um namorado poderoso que só vejo uma vez por mês.
Mês passado consegui ficar uma semana toda em Suna, acreditei que teria algo do tipo, apresentar a noiva dele. Mas Gaara fugiu do assunto, disse que haviam problemas naquela semana e não poderia falar para outras pessoas sobre nosso relacionamento. Como se ninguém soubesse.

Mas hoje recebi um pergaminho de Suna, como sempre ele foi muito polido e sério, eu tenho uma sorte com homens assim, tirando o Kiba que foi algo muito rápido. Aquele cachorro! Mas eu precisava era contar para a Sakura. Fui atrás dela na hora. E lá estava já o Naruto babando no filho, e sem Sasuke por perto, nem comentei nada na hora.

– Sakura! Adivinha!!! – Sentei no chão com ela quando o Naruto saiu. – Eu recebi o meu intimato. – Ela não entendeu nada. – O pergaminho de Gaara, ele assinou o nome dele em vez de Kazekage... Sabe o que isso significa? Intimidade a vista. Ele está começando a aceitar nosso relacionamento. E eu vou pra Suna amanhã mesmo.

Sakura

Ah, a porquinha era uma coisa mesmo! Estava totalmente apaixonada pelo Kazekage e isso já tinha alguns anos.

– E aí, você vai continuar tentando encomendar um Sabaku mirim? Menina, acho que você é a mulher mais difícil de engravidar da face da Terra! Cinco anos e nada!

Ela me olhou de lado, mas isso era verdade. Desde a primeira vez deles, foi sem proteção, ate hoje nada.



Ino

– Gaara vai ser tachado para sempre, mas com ou sem filho... Eu o amo. Não sei explicar, mas aquele homem todo sério e rígido... me deixa louca. Claro que quando estamos a sós ele vira mesmo um monstro, gostoso e safado. Só que até lá eu me derreto toda com ele mandando e desmandando naquele povo todo. Fico excitada só com o olhar sério dele... Ah! Acho que gosto mesmo é dos malvados...


Nada contra o gosto da minha amiga, o Naruto é um gatão, mas ele é vetado pra meus olhos, prefiro os sério, machos e mais rudes, que pega mesmo e segura forte. Quando falava isso a Sakura ria muito lembrando dos meus namoros furados.

Sakura

– Mulher você é maluca, mas eu espero sinceramente que essa sua maluquice dê certo e que você possa viver feliz ao lado do homem que ama, seja ele quem for. Não que seu lugar é em Suna, você não quer estar lá, mas sabe que não pode ser esposa do Kazekage e morar em outra Vila, né? Está preparada prá ele te pedir prá ficar?

Era esse o temor dela, ter que ficar em suna e abandonar toda a família.



Ino

– Vou com meu coração apertado pelo meu pai, por vocês, mas eu vou. Eu não quero deixar passar a única oportunidade de ser feliz sabe? Passei tanto tempo correndo atrás dele, querendo mais do que só noites de sexo, eu quero mais. Quero ser amada e mesmo que ele seja mais sério, Gaara tem um sentimento por mim. Eu sinto isso, e Suna vai virar meu lar. Mas também, Konoha sempre será a minha casa. Me deseja sorte porque eu estou jogando tudo o que tenho para o alto. Vou para Suna livre de tudo, já falei com a Shishou e ela me apoiou, disse que sou nova e preciso viver também. To com medo mas é um medo sabendo que será para um bem. Um filho... já pensou?
Era um sonho ter uma família, grande! O meu clã era bem menor que os outros, já não tinha mãe e meu pai sempre me protegendo, na verdade éramos nós dois praticamente.

Sakura

– Ah, uma menina porquinha! Eu te vejo mãe de uma menina, prá enfeitar de lacinhos e mimar bastante, prá ser tão vaidosa quanto você. Vai em paz Ino e olha, estarei aqui torcendo muito, mas muito por você.

Nos despedimos e ela foi se despedir do Udon, tinha um toque de despedida definitiva, mas nós aprenderíamos a passar sem ela, se a Ino estivesse feliz em outro lugar. A felicidade dela era o mais importante para a gente!



Ino

Eu abracei tao forte meu afilhado, com uma dor no peito, e se eu demorasse muito para vê-lo? Ai que saco isso. Pra conseguir algo preciso perder também?
Saí com o coração partido daquela casa, fui pra minha e arrumei umas coisas, nada muito exagerado.

Otousan estava na porta, ele me fez chorar. O único homem que conseguia essa façanha. Limpou minhas lágrimas e mandou eu ser feliz. Desse jeito eu chegaria em Suna em menos de três dias com certeza.
No meio do caminho me deparei com Sasuke. Ele estava comprando coisas para a casa, pelo jeito tava dando certo o trabalho na academia, não nos falamos muito mas eu disse que talvez não poderia mais ajudá-lo nas lembranças. Se ele ficou triste ou não eu vou ficar curiosa, porque o homem me olhou com cara de qualquer coisa. Mesmo querendo ser gentil comigo. Ele tinha olhos frios, mas no fundo, era um homem bom.

Dois dias e meio, foi o que precisei pra chegar na Vila da Areia, lá estava Kankurou pra me recepcionar. Ele me levou até a mansão da família, estava meio calado, não sei porque, mas pediu pra eu me preparar para o jantar. Perfeito! Parece que tudo estava indo bem.
De noite eu desci até a sala de jantar, mais que conhecida minha e ele estava lá, sozinho a minha espera.

– Gaara...

Gaara

Estar em Suna era como viver um sonho. E eu não me considerava digno dele, não ainda. Levaria quem sabe, uma vida para pagar aqueles que confiaram suas vidas a mim, mesmo depois de todos os meus erros do passado.

Eu tinha a chance de fazer a diferença para todo um povo e com isso eu me sentia bem abrindo mão de algumas coisas. A única que me incomodava era não ter a disponibilidade que ela merecia de minha parte. Mas era muita coisa para um único homem.


– Espero que tenha feito boa viagem. – Enquanto eu me mantinha cortês, ela se apresentava afobada e efusiva, pulando em meu colo, acariciando meu rosto, distribuindo beijos, até que o meu susto passasse e eu pudesse colocá-la em segurança no chão e assim permanecer. – Ino... já conversamos sobre isso.



Ino

Conversamos sim até demais, mas eu nunca me atrevi a tratá-lo com intimidade na frende dos outros, nem mesmo dos irmãos.

– Gaara, estamos sozinhos, qual o problema? – Sentei-me na cadeira que ele puxou e o observei voltar ao seu lugar. – Não precisa ser assim tão distante comigo, já disse, estamos a sós, esse não era o trato? Vamos amor... Estou com tanta saudades de você, podemos pular o jantar e ir para seu quarto, posso cuidar do meu gatinho mais cedo. – Ele ficava todo sem jeito quando eu falava dessa forma.

Eu já estava me levantando quando entrou alguém e começou a nos servir. A pessoa ficou parada ao lado dele e eu dei um pigarro pra ver se ela saía, e nada. Só quando o Gaara disse que estava tudo certo, a tal mulher metida num uniforme saiu. Não gostei da cara que ela fez pra mim.

Gaara

A minha vida era formal e Ino sabia disso. Sentia sim algo muito especial por ela e esperava com uma quase ansiedade que ela conseguisse se adaptar à vida em Suna, mas parecia que toda aquela aristocracia em nada a afetava, ao menos não positivamente. Ela fazia questão de deixar bem claro que não gostava de nada daquilo.

Terminamos o jantar e finalmente fomos nos recolher. Até hoje ainda tinha dificuldades para dormir, então era fácil esperar a bela kunoichi aprontar-se toda no banheiro.



Ino

Para uma ocasião especial, eu caprichei mesmo, ele valia por tudo. Amor é uma coisa muito estranha. A gente só consegue sentir mesmo.
Me perfumei, do jeito que ele gosta e vesti uma camisola nova, vermelha e transparente, o homem hoje me faz um filho nem que tenhamos que passar horas fazendo amor. E isso não era difícil.

Soltei o cabelo e saí do banheiro, ele estava na cama, olhando para o céu azul que era Suna, de noite até que ventava gostoso naquele quarto quente. Ele me olhou e deu um pequeno sorriso, mas que eu consegui captar.
Caminhei até a cama, subindo nela, engatinhando até ele, tocando no seu peito quando cheguei. Gaara somente com uma calça preta e sem camisa, só para me deixar ainda mais excitada. Os cabelos ruivos bagunçados. AH! Que homem Kami-sama.

– Faz amor comigo Kazekage... – Beijei-o com desejo.

Gaara

A Ino era a única mulher capaz de passar não pela minha armadura de areia, mas a minha própria distância com relação às pessoas, ainda mais em se tratando de uma mulher. Era o calor dela, tão forte, tão contagiante, que me fazia perder a noção das coisas.

E o que dizer daquele corpo voluptuoso, que se insinuava para mim e que povoava os poucos sonhos que conseguia ter? Todos eles eram a mesma coisa: o corpo da loira de Konoha sob o meu, contorcendo-se em gemidos de prazer. Era a minha realização como homem. Um dos poucos prazeres aos quais eu me permitia de uma maneira um tanto egoísta.

Ela estava estonteante naquele traje vermelho, os cabelos longos, volumoso, de cheiro doce, como toda ela, que cheirava a flores. Mesmo com meu rosto aparentando calma, eu já estava em polvorosa para tê-la. Retribuí o beijo com a volúpia que ela despertava em mim e fui prontamente correspondido. Queria que ela me sentisse já pronto para possuí-la, isso a deixaria mais atiçada e receptiva aos meus toques possessivos. Quando ela estava comigo eu me fartava com o ciúme e o sentimento de servidão.
Eu queria aquele corpo todo para mim.



Ino

Gaara relaxou mais na cama, deixando eu brincar como quisesse. Só levantou minha camisola, deixando-me mais exposta para ele, alisando meu corpo, apertando meus seios, beijei seu beijo, descendo pelo abdome, definido, musculoso, gostoso. Tirei a calça dele, o membro já duro na minha mão.


– Kazekage... você é tão grande. – Abocanhei todo o pênis dele, chupando-o rápido, roçando meu corpo nas pernas dele, meu sexo já molhado, totalmente excitada querendo senti-lo dentro de mim, mas eu gostava de fazê-lo enlouquecer com minha boca, minhas investidas, o meu tesão todo ao chupá-lo. Ele gozou, apertando meus braços e me fazendo sentar no seu colo. Sentido o membro dele preencher meu corpo, devagar, até o fundo. – Gaara... Uhm! Que delicia. – Segurava em seu peito, rebolando no seu colo, com as mãos dele marcando minhas coxas. – Tá gostoso Kazekage-sama? Hein? Eu quero que você me coma todo dia … sempre... Ah!!

Gaara

Que mulher mais fogosa e pronta prá se libertar sem medo! A Ino me fazia perder os sentidos, o pudor. eu a queria mais intensa e não sossegaria enquanto ela não se libertasse por completo. Deixei minhas mãos alisarem as coxas dela e depois conduzirem os movimentos pelo quadril, até que o orgasmo me indicou que a noite estava apenas começando. Foi só o tempo de se jogar ao lado da cama e eu avancei nos seios fartos com a minha boca e língua sedentas.

A urgência dela me dava paz e me fazia desejá-la ainda mais. Eu queria aquela mulher toda para mim. Desci o corpo dela, relembrando de cada curva, querendo e tendo cada pedaço, ouvindo os gemidos dela, as palavras dela. Eu nunca fui de muitas palavras e durante o sexo era menos ainda, mas todas as que Ino dizia tinham um efeito ainda mais forte em mim, atiçavam todos os meus instintos, ao ponto de me deixar cego pelo prazer.



Ino

–
Gaara! Ai... – A boca dele era voraz, lambia meus seios e mordia como queria. Ele somente respirava mais forte, mas eu sabia, ou imaginava as palavras que ele usaria para me possuir, para me enlouquecer com aquele corpo perfeito. – Eu quero sentir... sua língua... me chupa gostoso vai?

Abri minhas pernas, levando a mão dele para meu sexo, friccionando o clítoris com o dedo indicador dele.
Gaara me penetrou direto com o dedo e depois com a língua, daí eu delirei, gemi alto e nem liguei se alguém escutasse, acho que não dava para ouvir, senão ele já teria pedido para eu gemer mais baixo, e que graça tem isso?

– Chupa amor... vai... ah! – abria mais minha perna e ele enfiava mais a língua dentro de mim. – Eu vou.. ah! – Eu gozei, e ele me lambeu, mas com a boca não se tem gravidez. – Não para...eu to molhadinha ainda, e doida pra sentir você bem fundo. Mete.

Ergueu a minha perna e numa estocada só já me tirou do sério novamente.

Gaara

Fiz movimentos mais ousados, mais intuitivos. Era uma sensação sem igual a de penetrar aquela carne e a cavidade escorregadia. Eu me controlava para não chegar tão rápido ao meu ápice, mas era um esforço imenso. Eu tinha uma mulher incrivelmente deliciosa em meus braços e às vezes até mesmo o controle se fazia pouco.

Ainda mais quando ela gritava já, tendo gozado mais uma vez, quase me implorando para despejar-me todo nela. Eu queria sentir também e o fiz, mais algumas estocadas e as minhas únicas manifestações durante o sexo foram urros contidos, despejando com fúria todo meu prazer no corpo já mole de Ino.



Ino

– Isso... isso amor.. que gostoso. – ele gozou me preenchendo, com seu gozo, com seu suor, de esperanças e muito amor. Deitou ao meu lado me abraçando, cansado e ofegante. Eu aninhei o meu corpo no dele, estava perfeito, Gaara me fazia esquecer de qualquer coisa, do medo e da solidão. Ficamos alguns minutos em silêncio, e eu sabia que ele não dormia, não tão fácil e também não puxava assunto. Se houvesse conversa entre nós seria eu a puxá-lo. – Amor? Estou tão feliz... vou sentir falta de Konoha, mas ficar ao seu lado é o meu sonho.

Virei-me e deitei em seu peito, ouvindo as batidas do coração. Ele me perguntou sobre o que eu falava. Olhei-o séria, e sorrir, Gaara nunca fez uma piada e começou logo com uma sem graça e de mal gosto. Pedi pra ele não fazer isso, mas ele manteve-se sério me olhando, com aqueles verdes frios... não! Não estavam frios, mas apenas sérios demais pra alguém que contava uma piada.

– Como assim Gaara? Ficar com você aqui é o meu sonho, eu troco Konoha por Suna, não pensaria nem duas vezes para ficar com você.

Gaara

Ela nunca me disse tais palavras e ainda assim me sentia culpado por ouví-las.

– Ino... eu não pedi que largasse sua vida em Konoha.

Não sei se foi uma escolha inapropriada de palavras, mas ela endureceu o sorriso, o rosto leve. O que eu diria? A verdade, sempre ela.

– Há muito tempo que eu compreendi que você não conseguiria viver feliz em Suna e eu não tenho condições de abandonar meu povo, muitas pessoas dependem de mim aqui. Eu pensei que você estivesse satisfeita com a nossa situação, não?



Ino

Levantei-me, saindo dos braços dele. Eu tentei me controlar, Gaara sabe como posso ser explosiva, possessiva e louca se preciso, mas naquele momento eu mal conseguia pensar direito.

– A nossa situação? Você acha que eu ficaria satisfeita com migalhas? Gaara eu sou vista aqui como uma concubina ou prostituta do Kazekage, como você quiser definir. Uma vez por mês acha que é isso que uma mulher sonha? Não claro que não sabe, porque você só pensa no seu povo. E eu fico com o que resta de você. Não me diz o que não sabe viu? Eu poderia muito bem me adaptar em um lugar pelo homem que eu amo, mas começo a duvidar se é isso mesmo que ele sente por mim.

Gaara

– Ino, não seja tão sentimental. Você sabe muito bem das minhas obrigações e que por causa delas tenho que conviver diferente, mas eu não me sinto infeliz quando estamos junto. Você aquieta minhas incertezas, mas não sei se posso fazer o mesmo por você. Se em Konoha é mais feliz, me contento em vê-la uma vez ao mês. – Tentei tocá-la, mas ela fugiu de mim. O que eu fazia de errado?

Ino

– Você se contenta com pouco.

Comecei a me vestir e ele pediu para eu voltar pra cama, para ele. Voltar para onde? Pra aquela mentira toda? Procurei minhas roupas e me vesti, segurando o choro, me sentindo uma estúpida, porque eu acreditei que teria mais que isso. Como sou burra, acreditei no meu sonho sem saber o que ele queria, que se contenta em me ver só uma vez?
Já estava na porta de saída, nem pra se mexer e me impedir ele fez. Como posso ainda acreditar que ele vai mudar?

– Eu vim de Konoha pra ficar com você. Porque eu não me contento com pouco, eu quero mais. Posso ser sentimental, posso colocar o homem que amo em primeiro lugar, eu só não posso acreditar que fui tão tola ao sonhar com você. Ta colocando culpa em mim por você mesmo não ter coragem de assumir um compromisso.

Gaara

Levantei-me, alcançando-a antes que fosse embora. Eu sabia que se partisse, não teria mais volta. Conhecia muito bem a teimosia de minha... eu não sabia distinguir o que Ino era para mim...

– Não vá. Diga-me o que não está do seu agrado e se estiver ao meu alcance, será feito.

Ino


Ele segurou minha cintura, me fazendo olhar nos verdes dele, mais intensos, para mim.

– O que eu quero você já respondeu. Esta satisfeito em me ver uma vez por mês, não se importa se suas criadas me olham como seu eu fosse uma qualquer, você só quer mesmo alguém para esquentar sua cama, porque se quisesse mesmo ter a minha presença ao seu lado, não teria deixado eu ir embora daqui no dia em que me entreguei de corpo e alma para você. – Eu já não conseguia mais controlar minhas lágrimas, e queria muito poder entender o olhar misterioso dele sobre o meu. – O que eu quero é inalcançável para o poderoso Kazekage, e você sabe o que é.



Gaara

Eu sabia o que ela queria. Mas eu pertencia ao meu povo, não a uma única mulher, mesmo que ela fosse única para mim.

– Não vá embora Ino, eu não a vejo como uma qualquer e você sabe disso. Não basta a minha opinião? Você é a única que alcança Sabaku no Gaara, o Kazekage de Sunakagure no Sato.

Em meu íntimo eu achava que minhas palavras a tocariam, porque eram sinceras.

Ino

– A sua opinião faz toda a diferença Gaara. Você que decide, se eu ficarei aqui, como sua mulher, ou se voltarei aqui somente por obrigação em missão. – Ele me olhou sério, e fez o que eu não queria. Soltou suas mãos da minha cintura devagar, sem tirar os olhos de mim. Então ele tinha a resposta. – Adeus.

Abri a porta e saí. Passei por aqueles corredores frios, correndo, precisava sair daquele lugar o quanto antes, chorando e me sentindo péssima. O coração já estava quebrado demais para pensar como seria o dia seguinte. Acho que voltei para Konoha mais rápido do que qualquer outra viajem que fiz. Eu não tinha mais lágrimas para chorar. O Kazekage tinha seu dever e fez sua escolha, e eu não me enquadrava então no seu futuro. Ganhei olheiras horríveis, e lembranças que me entristecem.


Notas finais
E aí pessoas? Quero muitos reviews tendo chilique ou qualquer outra reação
Beijos amores ;*

Kori Hime