Getsu

42 Irmão mais novo é assim


Notas iniciais
Olá, vida movimentada, nao tenho tempo pra quase nada, fora que eu achei ter perdido essa fic =X
Bem, muitas coisas aqui mudaram, digo, na minha vida e na da Lila também, acho que devem ter percebido pela nossa ausencia.
Peço desculpas. As vezes temos que dar prioridades a certas coisas.
Mas sinto falta de todos, queria saber como vocês estão.
Beijos

Udon

Desde que Yume viajou para Suna, eu me meti em missões atrás de missões para poder esquecer um pouco a distancia que estávamos. Mas sempre que voltava para Konoha, me recordava dela, de ir visitá-la. Sentia falta da minha noiva. Passei na casa dela, indo ver o bebê que nascera. Tio Sasuke estava mais do que orgulhoso com o filho Kyosuke. Toquei no bebe e senti como ele parecia ser forte, grande mesmo. Parabenizei ele e no final ainda perguntei se tinham notícias de Yume. Falar no nome dela deveria trazer alegria, mas sempre vinha com tristeza.

Me despedi e voltei pra casa. Lá a okaasan estava ansiosa pra falar comigo, ela me mostrou um pergaminho, com o selo do Kazekage. Ela abri correndo, era Yume. Notícias dela. Fiquei nervoso. A okaasan leu somente o começo, perguntando se eu queria que continuasse.

– Claro okaasan, lê logo! Eu estou curioso. – daí eu pensei se a Yume dizia algo pessoal demais, só que já era tarde, okaasan já lia a carta. Se ela mandou escrita, sabia que outra pessoa ia ler e não eu. Fiquei meio envergonhado com o começo, ela dizendo que me amava e sentia falta dos meus beijos. E a okaasan não ajudava muito fazendo uns barulhos com a boca, toda feliz com o que lia. – Assim vou pedir pro otousan ler. – Não, seria até pior.

Sakura

Ah, meu fillho estava todo bobo com notícias da noiva, esses dois faziam um casal tão lindo! Eu ficava mesmo toda boba, um filho lindo que nem o meu e uma menina linda como a Yume, ah, já pensava nos meus netos! Não, netos não, eu sou muito nova e a Ino também, deixa netos para bem depois. A carta estava bem grande.


– Sinto saudades de todos, mas em especial de você. Não deu tempo de escrever a carta em braile, porque a insuportável da Matsuri quebrou a máquina de propósito! Ah, eu juro que ainda apronto com essa bandida. Mas deixa pra lá. Estou tentando me dar melhor com o Takeo, lembra daquele meu primo? Eu fiquei sabendo que ele perdeu a esposa há alguns meses e isso deve ser muito triste, não sei o que seria de mim sem você, então penso que ele deve estar mesmo arrasado. A Tia Temari fica dizendo que ele pode ter qualquer mulher da Vila, além de poder, tem dinheiro e é lindo (é mesmo Udon, um pedaço, se tirasse aquela cara de poucos amigos ficaria ainda mais!). Eu vou ter que terminar a carta aqui, tenho uma rotina chata de visitar agora à tarde com ele. Beijos meu amor, amo muito você e assim que tiver uma folga, aviso para vir me visitar. Muitos beijos, beijos para Tia Sakura também, que deve ler pra você. Yume.


O Udon chorava, ah, esse meu filho, tão emotivo como eu. Abracei meu menino, pra mim ele sempre seria um menino. Balancei no colo, como quando era pequeno.


– Ei, por que isso? Ela está lá só há três semanas, vocês já ficaram separados mais tempo, não?


Udon

Ficamos mais tempo separados, mas eu sempre voltava, e mesmo que ainda não éramos namorados, eu poderia ficar pertinho dela, sentir o seu cheiro. Mas agora quem ta lá, sentindo isso, é esse tal de Takeo. Como a Yume tem coragem de falar do primo numa carta pra mim, e ainda dizer que ele é bonito, o que eu tenho haver com isso?

Reclamei sobre o assunto para okaasan e ela somente riu, gargalhou mesmo. Me senti até um otário por isso.

– É ciúmes mesmo e daí? A senhora também tem ciumes da Keiko com o otousan no escritório, não é? – Ela não gostava desse assunto. – Desculpa, okaasan, mas é que a Yume tá lá, longe de mim. Vai saber o que esse primo dela pode fazer? Não gostei, pra que falar que ele é bonito? E eu? Não sou?

Sakura

– Claro que é meu filho! Você é o mais lindo dessa Vila toda, que o seu irmão não me escute. É exatamente igual ao seu pai quando tinha a sua idade, só que mais alto, mais forte, mais lindo, mais educado, mais tudo! E juro que não é sua mãe quem está falando, mas sim uma opinião neutra. A Yume sempre foi apaixonada por você meu filho, dá uma chance dela provar isso. Se está falando tão abertamente do primo, é porque não se importa da maneira que você está se importando, pense assim. Confia nela, viu?

Ele ainda reclamava, mas queria o que? Sabia que seria assim desde que assumiu esse namoro com uma filha de Suna... sim, porque mesmo que eu apoiasse a Ino, Yume tinha o destino bem traçado em Suna, infelizmente.



Udon

– Eu confio nela okaasan, mas tem vezes, que eu me sinto limitado. Se ela cansar de mim? Eu já dou trabalho pra ela, para você, precisa ler uma carta. Poderia estar cuidando de outra coisa, e a Yume não precisava brigar com a Matsuri-san pela máquina. Eu acabo dando mais trabalho, e lá ela pode conhecer alguém sem deficiência. Alguém que não precisa de ajuda pra saber se a camisa é da cor certa.

Bati com força no sofá. Pedi desculpa novamente para ela, eu não perdia meu controle assim, mas só de maginar a Yume cansada de mim, já me sentia fraco, e sem chance.

– Eu nunca reclamei da minha condição, okaasan. Mas parece que as coisas sempre são mais complicadas pra mim.

Sakura

O Udon dificilmente deixava transparecer insatisfação por ser cego, mas eu que sou mãe, sei bem como meu menino se sente. Fiz carinho nele, não me esquecia que era um homem, mas deixe-me estragá-lo o quanto eu puder.

– Querido, pare com isso, as coisas são complicadas pra você desde sempre e nunca se deu por vencido. Você conquistou a Yume pelo que é, pelo bom homem que é. E não tem nada a ver com o fato de enxergar ou não. Confie mais no amor de vocês. Eu bem sei que você enxerga muito mais que qualquer um, vê com os olhos do coração e lá no fundo sabe bem que a Yume jamais faria isso com você, né?



Udon

– Eu quero acreditar que ela não faria nada assim. Porque eu não quero também fazer isso. Sempre a amei okaasan, sempre! Eu não me sinto completo longe dela. É mais forte que eu.

A abracei, forte, alisando seus cabelos enormes. A okaasan tinha cheiro de flores, de casa, de família, me sentia seguro com ela, era bom tê-la por perto. Aliás, estava tudo bom até o Tenkaro aparecer, ele é meu irmão mais novo, mas tem a alegria de ver problema em tudo. Riu alto, falando que aquilo era coisa de fresco. Okaasan deve ter feito algo pra ele parar de rir subitamente, me deu um beijo no rosto, falou algo pro Tenkaro bem baixo e saiu para fazer o jantar.

Já subia para meu quarto e o moleque veio atrás de mim. Não sei como podermos ser tão diferentes assim.



– O que você quer? – Ele pegou o pergaminho de Yume das minhas mãos e começou a ler. – Se não quiser rolar escada abaixo é melhor parar de imitar ela. – Fui pro quarto, mas ele veio junto.

Tenkaro

A okaasan me fazia gelar todos os ossos do corpo, eu morria de medo da Dona Sakura e isso não era segredo pra ninguém. Mas já deu uma olhada na potência do soco da minha mãe? E ela ainda diz que me colocou no mundo e Kami-sama dá a ela todo o direito de me tirar dele! Cruzes, isso é coisa de mãe pensar? Justo com um filho tão legal como eu.

Ah, mas o fresco do Udon estava pedindo, achou que a noivinha ficaria numa boa em Suna chorando por ele, como ele estava aqui? Ah, fala sério!


– Irmãozão, odeio ser portador de más notícias, mas isso aqui na minha língua quer dizer: PREPARE-SE PARA TOMAR UM PAR DE CHIFRES... e até mesmo você que não enxerga vai conseguir ver esses...



Udon

A minha paciência era testada nas conversas com o Tenkaro. Ou ele vinha me perguntar se eu era viado, ou vinha querer saber se eu já tinha transado com as duas do meu time ao mesmo tempo, e isso nunca mudava. Mas depois que acertei com Yume, ele começou a ser menos, inconveniente. Mas ainda assim era um babaca.

– Eu confio na Yume. – Ele riu. – Ela me ama. – Ele até caiu no chão rindo. – Yume não vai me trair porque ela tem caráter, é diferente de você e da Kaoro. Dois palhaço que nem saíram das fraudas e já acham que sabem muito. – Me deitei na cama, com o travesseiro na cara.

Tenkaro

– Olha, posso não saber muito, mas sei mais que você, com certeza. Qual é, acha que experiência com a Yume é alguma coisa? Uma bobinha que não sabe nada de nada? Você tem é que pegar uma gostosa experiente, tipo a Reika! A Reika cara, que te dá molinho. Só precisa estalar os dedos que ela vem correndo, se você aguentar uma noite com ela, aí eu mudo a minha opinião sobre você.

Udon

– Eu não preciso te provar nada. E não fale de uma mulher como se ela fosse somente um pedaço de carne, tenha mais respeito. – Era impossível mesmo acreditar que a okaasan e o otousan fizeram essa criatura. – A Reika é uma pessoa legal, não esta interessada em mim, ela somente é assim porque … deve ser porque os pais dela são amigos dos nossos. Ah! Não quero falar disso com você. Se esta interessado vai la e fala com ela, ao invés de seduzir menores de idade. Um dia você apanha feio por isso.



Tenkaro

– Aff, você é mesmo um viadinho Udon, duvido até mesmo que comeu a Yume! Existem mulheres e mulheres, até agora eu só conheci as que querem liberar e se divertir. Cara, nosso pai é Hokage! Tem noção? Isso é chamariz de gatinha. Eu só não pego mais velhas porque tenho um irmão empaca foda mais velho que não come ninguém e as outras ficam disputando... agora a Reika... cara, só sendo muito imbecil pra deixar passar. Ela é toda cheia de curvas, você e esse seu tato aguçado ficariam doidos com ela.

Ai, meus pais fizeram uma biba, pior que eu convivia com ele e ainda queimava meu filme!

Udon

– Aprende a não falar mais da Yume! Respeito com minha noiva, seu ero-moleque. O nosso pai é Hokage, e não cafetão. Para de agir assim, será que só pensa em sexo? Há outras coisas na vida que não seja... – Daí ele me tirou do sério quando me chamou de novo de viado. – Kuso! Você quer apanhar né?



Segurei seu braço, melhor ele não falar alto porque se a okaasan vem, aí tudo piora. Só queria que ele retirasse o que havia falado, mas ainda tinha a cara de pau em dizer que só ia acreditar em mim se eu saísse com ele essa noite, e sentisse a Reika de pertinho.

– O que a Reika ia estar fazendo de noite na rua? – As risadas dele me ferviam o sangue querendo dar só uns tapas. – Eu não vou trair a Yume, porque ela não está fazendo nada de errado, em Suna.

Soltei o meu irmão, e parei pra pensar melhor nisso. Nesse momento ela deveria era estar saindo de novo com o tal primo dela, enquanto eu aqui ouvindo as gracinhas do Tenkaro.