Getsu
45 Desconfiança
Notas iniciais
Mas como eu digo, posso sumir, mas apareço, rs
Beijos ♥
(As configurações nao me pertencem)
Takeo
Aquela viagem fora totalmente cansativa. Mesmo que estivesse preparado para percorrer longas distâncias, o que incomodava era mesmo sair de Suna para Konoha, não era exatamente um lugar que eu gostava de visitar. Mas não seria bom deixar Yume vir para cá sozinha. Estava ali somente para acompanhá-la. Faria disso uma missão.
Só que era impossível permanecer no distrito Uchiha. Não tenho nada contra a família dela. Mas achei melhor ir para um hotel. Seria mais apropriado o sobrinho do Kazekage manter-se afastado.
O hotel era confortável, mas estava já entendiado naquele quarto, precisava de ar, um pouco de ar puro.
Saí do hotel, deixando um recado anotado caso Yume-san quisesse falar comigo. Caminhei algum tempo, pessoas me olhavam sorridentes, talvez pelo meu emblema do país do vento. Talvez por serem hospitaleiros, mas a verdade era que eu não me importava com nada daquilo. Segui até um praça aberta, onde havia um parque. Algumas crianças brincando ali.
Sentei-me num banco, observando-as. Foi impossível não lembrar de minha esposa, ela queria tanto ter filhos. Sonhava com uma menina. Eu desejava e sonhava junto com ela, que fosse igual a ela.
Olhei para o balanço, onde uma menininha se segurava com força para não cair. Ela sorria, e mexia o corpo pequeno tentando movimentar o brinquedo. Mas não era o suficiente para isso. Algo naquela garotinha me fez recordar de minha esposa...
Me levantei e cheguei até ela, abaixado na sua frente.
– Posso te empurra? – Ela parecia desconfiada, tão pequena mas já com um olhar sério. Mal deu tempo em empurrar o balanço e eu já ouvia a voz de alguma mulher escandalosa tomar conta de todo o parque.
Mika
A primeira coisa que fazia ao chegar de missão era procurar pela minha princesinha. Cheguei em casa e descobri que ela estava no parquinho, com a babá que cuidava dela durante minha ausência. Sim, Minha filha era uma souke, ao menos isso ela teve do monstro do pai, o selo que eu carregava não era extensivo à ela.
Os anos longe do monstro foram bons para mim e minha filha. Com a ajuda do meu pai e da minha mãe, consegui formar uma rotina para passar tempo com minha menina e também a organizar os bens que meu ex-marido deixou no clã. Claro, todos eram agora de minha filha, mesmo não sendo muita coisa, era o suficiente para me ajudar a criá-la. E eu voltei para a ANBU, dessa vez com ainda mais frieza e seriedade. Udon me acompanhava e mesmo sendo cego entendia que eu não brilhava como antes, assim como ele. Viver sem a Yume era muito triste para todos nós, principalmente para ele. Ainda preciso me segurar para não socar a cara da safada da Reika!
Ao chegar no parque, não vi Akemi nos brinquedinhos para crianças menores e só isso já era suficiente para fazer meu coração gelar.
Existia sim a possibilidade dele voltar e me assombrar e fazer mal para minha menina, isso eu não deixaria! Iria até o inferno para matá-lo com requintes de crueldade!
Nem foi preciso ativar o byakugan, reconheci a voz de Akemi, agradecendo pelos empurrões que recebia de um total estranho! Ora essa, para que servia a babá?!?
Adiantei-me, tirando minha filha do balanço e colocando-me de frente para aquele desconhecido, que impunha o emblema da Areia... Areia... Yume!
– Minha filha, a mamãe não disse que não é para falar com estranhos? – A bronca era com a menina sim, mas o olhar de morte era para o estranho.
Takeo
Ela falava com amor pra filha, mas com arrogância escorrendo que nem veneno. O porque daquele olhar direcionado a mim não entendia. Ela que deveria cuidar melhor da filha.
A pequena sorriu para mim, estendendo a mão, dizendo algo para a mãe. Mas achei melhor nada fazer, até a tal mulher abrir a boca e falar mais do que devia.
– Senhora! Sendo ou não estranho, acho que uma criança sozinha num parque não é o melhor jeito de viver, antes de dar sermão nela, veja quem aqui está mais errado. – Dei meia volta e já seguia para o hotel. Mas a voz da mulher ainda soava como trombeta nos meus ouvidos. – Não quero ensinar ninguém a criar um filho, não tenho intensão disso. Mas se você não sabe fazer isso, peça então para que o pai dela dê um jeito.
O olhar de ódio direcionado a mim foi intenso, eu senti um chakra moldar o ambiente após dizer isso. Mas não era uma mulher de Konoha que iria me intimidar. Mantive o contato visual, enquanto ela parecia se segurar somente em segurança da filha nos braços.
Mika
Nem sabia quem era aquele homem, mas já nutria por ele uma antipatia latente! Além de se meter com Akemi, ele ainda insinuava que eu não sabia cuidar dela e que o pai dela faria melhor! Ah, apenas pelo tratado da Folha com a Areia, apenas por isso aquele imbecil não estava voando a sopapos!
– Tanto por saber criá-la, vim defendê-la de um estranho que se aproximava sem ao menos ter a educação de observar onde estava a mãe ou a pessoa responsável.
Takeo
– A minha intenção não era fazer algo ruim. Somente quis ajudar a menina que não conseguia se balançar. Mas só estou dizendo isso por ela, pois não tenho porque lhe dar satisfação de algo. Se já disse tudo o que queria, vou ir embora, não estou interessado em continuar essa conversa que não vai dar em lugar nenhum. – Eu ia sair naquele instante quando a menina me chamou de tio. Virei-me para ela, ignorando a mãe falante. – Menina linda! O tio precisa ir agora, quem sabe um dia nos vemos de novo. Vê se não desobedece mais a mamãe, pois é pro seu próprio bem.
Não estava mesmo interessado em continuar a falar com aquela mulher, mesmo que a filha dela tenha um olhar duro e pedinte de atenção. Era como se pedisse amor sem falar nada. Antes de eu sair, ouvi falar no nome de Yume, se eu a conhecia. Virei-me mais uma vez, já estava cansativo aquele vai e vem.
– Yume-san, a futura Kazekage de Suna, conheço sim, tanto que sou seu primo.
Mika
Ah, mas só podia ser o primo mala sem alça da Yume! E se ele estava ali, ela estaria também! Minha amiga, quanta saudade!
Ignorando a presença do antipático, ajoelhei-me na frente de Akemi:
– Hime, a sua madrinha está em Konoha! O que acha de irmos em casa, colocarmos uma roupa bem bonita e depois ir lá no distrito Uchiha para visitá-la?
Ela brilhava de felicidade, Akemi tinha pouco contato com o mundo fora do distrito, eu tinha medo de expor a pequena demais aos perigos potenciais. Peguei minha filha no colo, agradecendo entredentes a informação e me retirei. A babá incompetente seria sumariamente despedida, nem ao menos se deu conta da minha presença ali!
Takeo
Larguei de ser gentil. Saí logo dali, e fui para o hotel. Lá havia um recado de Yume, levei o papel para abrir no quarto. Acabei deixando em cima da cama e indo tomar um banho.
A voz daquela tagarela não saia da minha mente, parecia ter fixado e voltava sempre como um disco arranhado.
Saí do banho enrolado numa toalha e caí na cama, poderia passar o resto da tarde e a noite ali sem falar com mais ninguém. Olhei o bilhete ao meu lado e abri. Era um convite para jantar no Distrito Uchiha, e ela assinava embaixo com um pedido, quase que uma ordem de eu não recusar.
Automaticamente lembrei-me que uma outra pessoa estaria também lá, pois ela havia dito para a filha que iria. Voltei a me deitar, eu não iria no jantar.
Era já quase o horário marcado no bilhete, e eu estava pronto. Sei que decidi não ir, mas acabei desistindo. Yume poderia precisar de mim, e é claro que eu só ia nesse jantar por ela. Deixei o hotel e segui para lá.
Fui recebido por sua mãe, que me levou até ela. E la estava também a outra.
– Yume, vim apenas para saber se precisa falar algo comigo. – A menininha veio até mim, sorridente, me chamando de tio novamente. – Olá pequena.
Fale com o autor