Getsu
49 Conversa
Notas iniciais
Mais uns 2 ou 3 capitulo, porque são grandes, então estou dividindo ao meio.
bjs ♥
Mika
Estava nervosa, pedi uma das yukatas de minha irmã emprestada, com a desculpa de que precisaria me vestir como civil numa missão. Como era ANBU, nem mesmo meu pai sabia se estava mesmo em missão ou não. Já tinha mandado o bilhete, tinha um vilarejo próximo, coisa de duas horas. Era distante o suficiente para que ninguém me reconhecesse. Por via das dúvidas, disfarcei o byakugan.
Bem, foi estranho me arrumar para ele, eu queria enfeitiçá–lo, que não me dobrasse, mas que fosse eu a fazê–lo.
Queria que ele me achasse perfeita.
Takeo
Eu ate achei que ela fosse desistir, ou me fazer de bobo e rir da minha cara. Estava parecendo até um adolescente, que ridículo. Um homem da minha idade, com medo de uma mulher. Assim que recebi a mensagem, preparei o que tinha que fazer. Deixei Yume avisada que iria resolver um assunto pessoal, e na hora marcada estava na floresta à espera dela.
Pude sentir seu perfume de longe, só poderia ser ela se aproximando. Linda! Os cabelos soltos, maquiagem, o vestido. Até um sorriso novo no rosto.
– Vai chamar bastante atenção bonita desse jeito. – Era para ser um elogio, não uma recriminação como pareceu, no caminho falamos pouco. Ela me disse o que tinha no vilarejo e o que poderíamos fazer. Chegamos rápido. Caminhamos um pouco pelo local até achar a hospedaria com o restaurante que ela comentou. – Aqui é um bom lugar, gostei.
Sentamos numa mesa perto da janela, como eu imaginei, ela estava chamando mesmo atenção. De todo mundo.
Mika
Bem, pelo visto ele não gostou da minha roupa, devo ter exagerado, mas a minha irmã disse que eu estava bem. Agora vai rir de mim.
A hospedaria era vazia e discreta. O jantar demorou um pouco para chegar, nem conversamos direito. Takeo ficava sempre olhando por sobre o meu ombro, como se estivesse incomodado com alguma coisa. Aquilo já estava era me tirando do sério.
– Vim aqui para você ficar me evitando e olhando para todos os lugares? Poderia ter dito que não queria vir!
Takeo
– Me desculpe, eu só não gosto de ver pessoas olhando para a mulher que me acompanha. – Tinha um cara sentado ali perto e não tirava os olhos dela, já era buso demais. Sem contar o homem que nos serviu, vinha toda hora saber se tudo estava bem. Se não estivesse eu diria. – Não é nada com você, fique tranquila aqui. Só um minuto.
Eu não ia ficar sentado esperando que todos os homens olhassem Mika na minha frente. Me levantei e fui ate a mesa do indivíduo. Fui claro ao mandar que ele parasse de ser inconveniente. Quando voltei, Mika estava extremamente envergonhada.
– Sinto muito, mas já estava me incomodando todos eles te olhando dessa forma.
Mika
Pelo que eu achava, um homem gostava quando outros desejavam a sua, ao menos era isso que o... oh Kami–sama, ele não acabe aqui. Takeo estava realmente irritado e eu não sabia onde colocar minha cara, de tanta vergonha:
– Eu acho melhor pedirmos esse jantar no quarto, já que está demorando tanto... assim você não precisa se irritar com ninguém. É só besteira deles, com certeza não estão olhando para mim. Não precisa ameaçar ninguém de morte.
Ainda o vi distribuir mais alguns olhares que me fizeram gelar por dentro. O quarto era simples, mas contava com mesa para que jantássemos. Ele continuava sem falar comigo, agora não tinha mais desculpa.
– Takeo... eu preciso saber por que eu? Por que me tem como sua ambição atual?
Takeo
Finalmente no quarto seria mais pessoal, assim não teria nenhum homem olhando para ela. Coisa que sempre me irritou. Teria que ir com calma, ela pode estar me achando no mínimo louco. Ficar sozinho com ela me instigava a fazer com que aquela noite fosse repetida.
– Falando como se fosse meu troféu. Pode ate ser, depende do seu ponto de vista, mas prefiro acreditar que os opostos se atraem. – Peguei leve na escolha do saquê, não queria ser acusado de embebedá–la. – Desde que minha esposa morreu não tive interesse em nenhuma outra mulher. – Acho que fui rápido demais, despejando minha vida dessa forma. – Até conhecer você.
Mika
Eu lembrava que ele tinha sido casado, mas não sabia que ela tinha morrido.
– Lamento pela sua esposa... – Ele disse que não era hora para falar dela, mas eu achei que se ele tinha começado, eu poderia falar um pouco mais de mim. – Meu ex–marido me agredia e ameaçava minha família. Eu não confiei nos meus parentes, nem nos amigos. E por isso sofri ao lado dele por dois anos inteiros, que pareceram a eternidade no inferno.
Takeo
A história dela era mais ou menos conhecida, mas infelizmente ignorei quando Yume quis falar. Mas com certeza é melhor ela mesma me contar, mostrando mais confiança em mim.
– Ir contra os outros por amor, sendo ou não certo, é o que mais se faz. Sinto por isso, agora posso entender melhor o medo de perder Akemi. – Bateram na porta, era o jantar, a fome até pareceu ir embora. Depois que ajeitaram a mesa, pudemos ficar mais a vontade e conversar. – Quando me casei, os pais dela não gostavam muito de mim. Eu não era um exemplo mesmo, mas aprendi uma coisa, as pessoas tem o poder de nos mudar. E do mesmo jeito que podem nos dar alegria, tiram.
Mika
Mal tocamos na comida, falamos muito de nossas vidas, de tudo. Eu contei até mesmo que tinha perdido a virgindade com o Udon, ele ficou bem cismado por Yume, perguntou se ela sabia. Eu disse a verdade, que não, mas que os dois não estavam juntos e que não foi uma coisa de carne, mas de cumplicidade.
Ele me falou do passado mulherengo dele e do celibato que impôs a si mesmo desde que sua esposa faleceu.
– Então agora vai voltar a ser o que era? – Disse isso, porque ele disse que voltaria diferente para Suna. Quem sabe cansou–se de ser quieto e estava começando em Konoha a voltar a ser o perigo para as mulheres.
Takeo
– Espero que sim, tinha muita vontade de viver, sem medo das coisas, enfrentava tudo, mas sem qualquer respeito pelos outro. Agora não, eu quero diferente, quero ser melhor. Quero sentir novamente o que eu sentia quando Hana estava perto de mim. Como é quando eu to perto de você. Quero guardar isso para mim, poder levar pra Suna, o seu cheiro, sua voz, esse seu jeito teimoso.
Me levantei, segurando a mão dela, abraçando–a e sentindo seu corpo ali perto de mim. Mexendo nos cabelos dela, gostando a companhia.
Mika
– Eu não sou substituta para ninguém Takeo, muito menos para sua esposa! Você mesmo disse, vai embora em alguns dias. É injusto, com todo mundo.
Tinha sido um erro estar ali, desde o início. Ele estava se iludindo e me colocando naquela ilusão.
Takeo
– Eu não estou substituindo ninguém, eu já entendi que nada pode ficar no lugar de uma pessoa. Só não achei que pudesse haver alguém que me fizesse bem como já foi antes. Não estou te enganando, disse que vou para Suna, a única coisa que queria era poder estar com você. O que mais queria que eu dissesse? Quer ir para Suna comigo?
Estava indo tudo bem até ali, ela tinha que ser tão teimosa daquele jeito?
Mika
– Isso foi um erro grande Takeo. Eu não sou diversão de ninguém, não dá mais para ser isso para um homem. Até falando a verdade é sarcástico. Não sei o que pensar de você. Eu vou voltar para casa...
Levantei–me da cama de súbito e ele acompanhou, segurando meu braço com força, mas eu não me intimidei.
Takeo
– Eu não quero usar você, Mika! Presta atenção. O que vai fazer? Ir pra casa e viver uma vida sozinha? Porque não pensar em você. O que eu estou falando de errado, me diga? Não fui bom o bastante para você? Estou me abrindo aqui, mas parece que vai continuar sendo a mulher teimosa e chata que eu conhecia aquela vez. Eu devo ter me enganado. Você só é a mulher que pensei quando bebe.
Fiquei com raiva, falei mais do que devia. E ela claro que não gostou.
Mika
– Então era para isso que me queria, né? Interessante só quando estou bêbada e louca! – Enchi a mão para esbofeteá–lo, mas ele me segurou, perguntando se eu estava louca. – Claro que estou, olha onde eu tô! Com um ogro que não sabe tratar uma mulher, um mal educado, ignorante, egocêntrico...!
Takeo
Ela me xingava de coisas que nem eu mesmo chamais havia ouvido antes. Segurei–a, já calando sua boca num beijo. Parei em seguida, limpando minha boca, ela me esbofeteou, nervosa, ofegando.
– Posso te mostrar como eu trato mulheres loucas como você. – Segurei ela novamente prensando na parede. – Diz que sou um ogro agora, diz também que você tá toda excitada. – Esfregava meu corpo no dela, prendendo suas mãos na parede.
Mika
Ele tinha uma coisa voraz que me instigava sim, mas eu não me entregaria fácil, não quando estava consciente. Empurrei–o longe, com força.
– Fique longe Takeo, você não encosta um dedo em mim hoje, eu não sou uma conquista barata, você não me merece.
Takeo
Ela era forte, melhor assim, seria mano a mano. Sentei na cadeira e ri daquela situação.
– Está certo, eu não mereço você. – bati palmas pra ela. – Me diz o que devo fazer para conquistar a donzela? – ameaçou novamente ir embora. – Então vá embora! Volte pra sua vida. Volte a ser sozinha! Sem amor. Porque eu não vou mais ser assim.
Esfreguei a mão no rosto, antes que ela sumisse, sai do quarto atras dela no corredor.
– Eu... não queria, dizer aquilo. – Agora era minha vez de ouvir.
Mika
– Posso até precisar dos seus carinhos, mas não do seu sarcasmo! Já tive muito de um homem ruim, não quero nada disso de você. Amor? acha que me engano que me ama? Nem você, nem nenhum outro! Eu posso viver sem amor, sem carinhos. Eu posso!
Eu sentia as lágrimas saindo forçadas, mesmo que eu as quisesse conter. Era raiva e todas as palavras que dizia eram para me convencer, mesmo que o olhar magoado fosse para ele.
Takeo
As lagrimas dela me feriam, mais que um tapa.
– Não posso estar apaixonado por você. Eu não posso! Não dessa forma. – Me olhou secando as lágrimas, me achando mais louco ainda. – É mais fácil assim, não entende? É mais fácil não pensar em compromisso, mais fácil pensar que vou embora e que tudo ficará bem do que ter que admitir que não vai ser assim! Eu mal te conheço, porque tenho que me sentir tão culpado em te fazer chorar? Eu não quero sentir isso, a sua filha, o seu passado, eu não quero nada disso.
Mika
– Você não me faz chorar, eu faço isso porque sou imbecil, me aproximo de homens que não podem ser o que eu preciso. – Sequei as lágrimas com força, ainda mais frustrada pro tê–las libertado.
Voltei pro quarto, mas não para ficar com ele, queria apenas lavar o meu rosto, ter um pouco de dignidade, porque sei que o rosto estava manchado pela maquiagem estúpida que tinha colocado. Ao sair do banheiro, ele queria explicar–se mais uma vez, mas eu não tinha nada para pedir de reparação.
– Está certo Takeo. eu tenho um passado, uma filha. Eu não sou uma mulher para compromissos, mesmo que você quisesse. Você está certo em continuar lamentando sua viuvez. Ao menos você a amou.
Takeo
– Não vá embora agora, esta muito tarde. Fique, eu peço outro quarto para mim. Mika! Não me faz sentir pior, onegai. Eu fui muito idiota em pensar que isso seria viável. Achei que se fosse mesmo só uma atração, poderia ir embora tranquilo. Deixando claro para você que era somente isso. Diversão, porque não se divertir? Mas eu não acredito mais nisso que pensei. – Ela voltava para a porta, indo embora. – Eu amei mesmo uma mulher, mais do que qualquer outra, e a perdi, eu não achei que fosse encontrar novamente uma mulher que chegasse tão perto de um coração frio como você fez, mesmo com suas alfinetadas. Eu não queria ter que perder novamente e sofrer tudo de novo, por isso agi assim. Me perdoa. Fica, aqui, eu saio. Amanhã você vai embora descansada, está tarde para viajar.
Mika
– Eu não tô fazendo nada... – Ele segurava minha mão, pedindo para que eu não fosse embora – Tenho medo de tudo Takeo, até mesmo da minha própria sombra. Mesmo sendo forte, tenho medo de perder as poucas coisas que tenho. E quando eu acordei naquele dia, depois de passar a noite com você, senti que alguém finalmente me protegia. Mesmo que fosse só uma sensação, valeu por uma vida. Eu não vou me esquecer disso, você não precisa se preocupar comigo. Deve ser melhor mesmo não ter e não perder depois.
Takeo
Parecia que tudo o que ela mesma dizia ficava mais triste. Aquilo que eu tanto ansiava, não perde e não ter, era frio quando ela dizia.
– Se um dia eu merecesse ter algo, jamais deixaria de lado ou esqueceria. Se eu tivesse a oportunidade, poderia fazer com que nunca mais o medo fosse presente. Quem sabe se um dia alguém assim pudesse me ajudar também a não ficar mais sozinho. – Não soltava das mãos dela. – Eu quero um dia estar pronto pra não perder.
Mika
– Por que tá me dizendo isso tudo Takeo? Nós nem ao menos nos conheceríamos se você não tivesse vindo para Konoha com sua prima. E vai embora rápido. Então essa pessoa pode estar em Suna, que é o seu lar, assim como Konoha é o meu. E também... Suspirei, cansada daquilo tudo – Sou tão ou mais danificada que você. É Takeo... definitivamente não sou eu que pode te ensinar a não perder.
Takeo
– Eu não posso deixar você ir embora e eu ir pra suna sem dizer o que estou sentindo. Quero você! É isso. A verdade, mas não posso pedir nada pra você. Tem razão, não nos conhecemos. Ambos temos nossos corações sangrados. Não somos nem de perto um casal normal não é? Suna, Konoha, não combina... mas e se combinasse?
Era uma suposição insana no mínimo. Fechei a porta, pedindo pra ela entrar.
– Não vou fazer nada, prometo, só fique aqui comigo. Vamos nos conhecer, conversar. Só essa noite, pra não me sentir tão ridículo em ter feito algo tao idiota. Aos menos quando voltar pra Suna e tentar a achar a mulher ideal, quero que ela seja como você.
Mika
– Não tenho medo de você Takeo, já disse.– Sentei na cama, ao lado dele. – E não é porque seja corajosa, mas você me inspira confiança. É isso... eu não sei o motivo, mas confio em você e não consigo aceitar isso... E por favor, não procure alguém como eu, você pode ter alguém menos danificada, para te ajudar com seu coração machucado.
Takeo
– Quem melhor alguém como nós para poder valorizar coisas pequenas? – Deitei na cama com as mãos atras da cabeça. – A minha mãe sempre me dizia que eu iria ter uma mulher brava e que me colocasse na linha. Assim como ela fez com meu pai. Mas eu queria alguem que fuja das regras comigo.
Era uma noite bem diferente do que eu imaginei, ela deitou ao meu lado, falando mais de si, e da filha.
– Posso agora parecer louco, mas não quero só uma mulher igual você, quero também uma filha igual a sua. – Ela sorriu, dizendo que eu deveria fazer a minha. – Eu não posso ter filhos. Ao menos nunca tive sucesso nisso.
Mika
– Mesmo? Tem certeza? – Ele disse que não sabia ao certo, mas que não achava ser possível, já que ficaram anos tentando e não conseguiram. – Minha mãe sempre me disse que eu ficaria com um homem parecido com o meu pai, porque eu o amo muito, tenho como modelo. Mas Hyuuga Neji é um só... e às vezes eu acho meu otousan calado demais. Não me retruca quando reclamo... eu gosto um pouco de brigar...
– Mesmo? Nem tinha reparado... – Ele disse, com um risinho irônico.
– Ah, cala essa boca! – Tá vendo, me tirava do sério...
Takeo
Ela sorria, distraída. Já deveria ser bem tarde quando bocejou. O tempo também estava esfriando. Puxei a manta da cama e a cobri. Não tinha problema se dormisse, mas insistiu que não tinha sono.
As horas que ficamos acordados, valeram a pena, falamos sobre coisas pessoais, a infância. E principalmente discutimos muita coisa que não concordávamos, ela era dura na queda e não dava o braço a torcer quando defendia suas ideias.
– Foi bom conhecer você, um pouco mais, assim tira a impressão de mulher tagarela e brigona que eu tinha. – Era uma brincadeira, mas levei almofada na cara.
Mika
Bem, ele não era assim tão mal. Teve infância como eu, um puco menos severa. E ria mais quando não estava trabalhando. Eu já estava aconchegada nos braços dele, protegida, como se nunca tivesse saído de lá.
– Como sempre, consegue estragar tudo no final. Tem alguma coisa que você não consegue arruinar homem?
Takeo
– Tem, tem sim, e você sabe bem o que é. – Mesmo envergonhada, não parava de olhar para mim. – E se alguém for arruinar algo agora vai ser você. – acariciei seu rosto, esperando que me parasse, que dissesse algo que me afastasse dela. Mas seria impossível parar, eu queria beijá–la, amá–la. Fazer ao menos daquela noite uma tão especial quando a nossa primeira. – Me deixa cuidar de você...
Beijei seu rosto, fazendo carinho no seu pescoço, sentindo ela arrepiar.
Mika
– Acho bom você não fazer besteira... do contrário eu... – Ele começou a beijar meus lábios, como se quisesse me calar – Eu... me... vingo...
Takeo passou a mão pela minha cintura, puxando meu corpo já próximo para ir de encontro ao dele. Não tinha necessidade de permissões, e daquela vez era consciente. Tanto ele como eu sabíamos exatamente o que fazíamos.
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