Getsu
31 Apenas amigos?
Udon
Aquela semana passou bem rápida, aproveitei que estava de folga e fiquei a maior parte do tempo no meu quarto. Nessas horas eu tinha uma vida normal, digo, eu era um ninja da Folha, fazia missões complicadas. Mas quando estava ali sozinho, era somente Udon. Sem muitas emoções na vida.
Yume melhorou rápido, como prometi a levei para passear no campo de treinamento. Ela começou com exercícios fracos apenas para alongar o corpo. A Mika parecia ocupada com alguma coisa no Clã dela, então não nos acompanhou.
Ficar sozinho com Yume era sempre bom, mas o silêncio as vezes incomodava, ainda bem que ela era tão falante. Senão iríamos morrer de tédio. Mas eu sentia no timbre da voz dela que era nervosismo. Sempre quando falava demais, sua voz transmitia mais nervoso do que o de costume.
Levei Yume para casa, aproveitando para falar com Sasuke-sama, ele sempre parecia um pouco sério quando chegava o dia de visita do Kazekage, mas eu entendia o porque.
Na volta pra casa eu tive até uma surpresa, não imaginava encontrá-la por ali. Chakra impossível de não reconhecer. Era enérgico, vibrante. Como ela era.
– Mika! Você não estava ocupada? – Senti o seu perfume, adocicado, um pouco mentolado. Hmmm, ainda não consegui decifrar o que seria. Ela deu uma risadinha baixa, me puxando para detrás de uma árvore. – Aconteceu, alguma co-coisa? – O cheiro dos cabelos dela lembrava a baunilha. Estava tão perto, que eu conseguia sentir sua respiração.
Mika
Só assim pra encurralá-lo.
Depois de ter me sentido um lixo por ter sido rejeitada, eu entendi que o Udon estava era morrendo de medo. Ele nem precisava me contar, eu sabia que ele era inexperiente também e por isso que escolhi ele. Seria um aprendizado para os dois. Mas o medroso deixaria passar se eu não colocasse pressão no assunto. Então deixa ele sentir como é bom ficar beijando, sentindo o outro, quem sabe assim ele não toma coragem?
Resolvi fazer no susto mesmo. Ele já ia começar a gaguejar outra vez... agora não!
– Fica quieto e usa essa boca pra outra coisa! – E tasquei-lhe um beijão. – Ao menos eu acho que foi um.
Udon
Eu não sabia onde por a mão, o que fazer, ou o que falar. Não dava nem para dizer algo. Mika me pegou totalmente desprevenido. Colando o seu corpo contra o meu na árvore. Mas eu não tinha como afastá-la, nem queria. Eu a abracei mais forte e deixei que nossas línguas fizessem o que faziam, como se cada um quisesse entrar mais na boca do outro. No fim eu estava quase sem ar e ela num sorriso encantador, senti tocando seu rosto quente.
– Desculpe, Mika. – Me desculpei por ter me aproveitado, digo, não sei bem o que aconteceu ali, mas ela ainda ria. Já estava pronto para pergunta o porque daquilo, mas era óbvio, aquela era a Mika, e nunca gostava de ouvir não como resposta. Fiquei um tempo pensando no que dizer. – Você... você é doce Mika-chan! Masnós precisamos co-conversar sobre isso. É errado eu estar aqui com você, enquanto desejo estar com outra pessoa. Me desculpe. Eu amo a Yume! Só que eu não sei se sou bom o suficiente para ela, tenho medo, não é só timidez. E eu não quero te enganar.
O silêncio dela não era nada bom. Mika, calada. Era algo de botar medo.
Mika
– Hum... então quer dizer que eu balancei você, Uzumaki Udon? – Ele piorou a gagueira, homens são todos iguais, mas o Udon é fofinho. – Deixa, eu nunca me enganei que você gostava de mim e antes que você fique se achando, provavelmente eu sou a única mulher nessa Vila que não quer casar contigo. Então calma, eu só queria poder ficar com alguém sem ter medo. Você conhece meu pai, se depender, ele vai arrumar um marido para mim quando eu tiver idade para casar. Pode deixar que eu não vou contar nada pra Yume. Se você conseguir um dia falar com ela, eu vou continuar calada. Seria nosso segredo.
Será possível que ele não estava entendendo o que eu queria dizer com tudo aquilo? Se for para esperar o Udon entender de verdade, ficaremos assim para o resto da vida. E até ele ou a Yume ter coragem de dizer algo...
Udon
Essa semana eu estava mesmo com um pensamento maior na Mika, ela realmente me balançou e eu fiquei com vergonha disso. Porque era impossível não lembrar dela e ficar sabe... relaxado.
– Não fa-fala assim Mika! Será que isso é certo? Fazer isso nas costas de todo mundo? – Ela gargalhou e aí eu me senti muito, mas muito ingênuo. E burro. Como é que eu, um homem naquela idade tava com medo de uma mulher mais nova? Tava errado isso, e comecei a lembrar dos conselhos do otousan, no fim será que ele tava certo? Haviam coisas pra falar as mulheres e coisas para não falar. – Se... se eu … se a gente fizer isso? Eu não posso te levar em ca-casa. E depois co-como ia ser?
Mika
– Me levar em casa Udon? Ah, a gente não vai namorar não seu bobo. Quer dizer. Eu não quero namorar. Udon! – Eu me afastei um pouco, segurando a mão dele. Olhei para os lados somente para ter certeza de que não havia ninguém por perto. – Você não esta entendendo o que eu quero, mas a gente pode resolver isso depois. Temos uma missão para fazer. Né? – ele torceu o rosto, como se tivesse pensando melhor. Mas como o conhecia muito bem, não ia dar em quase nada. Ah! Udon é tao bom como ninja. Ele perdeu muito tempo treinando o corpo e a mente para se superar. Não o condeno por isso.
Udon
Senti as mãos de Mika tocarem meu peito, me abraçando, beijando meu queixo. Onde é que ela tinha aprendido a fazer essas coisas?
– Semana que vem. Tem uma mi-missão! Ela é tranquila, e a Yume não poderá ir, porque o Kazekage-sama vai vir para Konoha, então... então... Sabe! Po-podemos sair pra beber um suco. – Eu senti meu estômago virar. As mãos suarem e meu corpo arder em brasa. Não acredito que estou fazendo isso.
Mika
Hum, não dava vontade de tirar as mãos dele. Dava pra ver o corpo todo musculoso, trabalhado desde pequeno pelo otousan durante os treinos. Os cabelos loiros bagunçados, com aqueles fios despontados caindo sobre a testa dele. Os olhos azuis, bem claro. Como se tivesse uma nuvem branca impedindo que a cor se destacasse. E o sorriso, quando ele sorria. Era tão... Ah! Sacudi a cabeça, não era pra me animar tanto. Udon não deixaria de amar Yume da noite para o dia, e nem era exatamente isso que eu queria. Digo, não sei. Eu não sei.
– Está mais que marcado, mas suco! Udon você pode comprar bebida de gente grande. Já tem idade pra isso. – Dei um último beijinho nele. Eu tinha que voltar para casa e conversar com a mamãe. Nunca escondi nada dela, então, queria que fosse a primeira a saber o que aconteceu. E talvez ela me ajudasse a desvendar como fazer o Udon entender melhor o que nosso passeio pra tomar suco significava.
Udon
Mal terminamos de nos beijar e ela saiu, me deixando ali, sozinho com meus pensamentos. Esperei uns minutos, até sentir o chakra dela diminuir conforme se afastava, então fui para casa.
Até pensei em contar para o otousan, mas como iríamos antes numa missão ele com certeza não iria gostar. Então achei melhor omitir essa informação, afinal, ele que me ensinou isso. Mas não seria nenhum problema sair depois da missão para beber alguma coisa.
Visitei a Yume mais umas duas vezes, só que eu não me sentia tão a vontade com ela, pensando na Mika.
Eu estava tão nervoso e ansioso que acabei fazendo a missão muito mais rápido do que o normal. No final, uma tempestade adiou os planos de sair, ou voltar para Konoha mais cedo. Paramos em uma estalagem para esperar a chuva passar.
A chuva me deixava sempre atento. O barulho, o cheio da terra molhada. O vento. Tudo era motivo para chamar minha atenção.
Sentei-me no chão amadeirado da varanda do quarto, ouvindo o barulho da chuva. Mika se trancou no banheiro, foi tomar um banho e se trocar já que pegamos um pedaço da chuva e chegamos molhados.
Enquanto ela estava lá, deu tempo de eu me secar, me trocar e sentar ali. Quando ela abriu a porta do banheiro, senti o cheiro de baunilha tomar conta do quarto até ali a varanda onde eu estava. Ela sentou ao meu lado, e o perfume parecia impregnar-se em tudo.
Mika
Demorei mais tempo que o necessário no banheiro, na verdade eu estava era tomando coragem de sair de lá e falar com Udon. Claro, eu tomei a iniciativa nas dias vezes, mas só eu sei a força que acumulei para isso. Não me arrependo, porque temos uma relação de amizade tem tempos. Mas mesmo com essa intimidade, um passo maior era um passo maior. Poderia melhorar ou piorar nosso relacionamento, e foi isso que minha mãe me falou. Por mais que Udon seja um rapaz bom e cheio de boas intenções, ele ainda é um homem. Esse alerta não precisava ter dado, porque eu tinha plena certeza disso.
Sentei-me ao lado dele, abraçando minhas pernas. Udon moveu-se um pouco, deixando o kimono mais frouxo. Ok! Respira, respira.
– Udon? – ele moveu a cabeça, na minha direção. – Como você sabe que ama a Yume? – ele demorou um pouco para responder. Talvez não soubesse bem como falar sobre o assunto. – Já que você nunca saiu com outra mulher.
Udon
– Eu não enxergo, e mesmo assim sei quando é dia e quando é noite. Quando minha mãe está triste, quando meu irmão chega tarde e bêbado. Quando meu pai esta mentindo para a minha mãe sobre a secretária. É assim com o amor, eu posso nunca ter visto ou sentido antes o amor. Mas meu coração me diz que eu amo.
Ela se aproximou mais de mim, e encostou a cabeça no meu ombro. Passei meu braço em volta de seu pescoço e a abracei, ventou mais forte e ficou um pouco frio.
– E você? Você nunca sentiu isso por alguém? – Era mais fácil falar sobre o assunto quando ela estava mais tranquila. Confesso que estava nervoso em ficar ali durante aquela tempestade, mas era besteira.
Mika
O que eu diria a ele? Sim, eu amei você dos onze aos dezesseis anos? Porque foi mais ou menos isso. Até eu encontrar alguém que conseguiu me fazer esquecer esse amor infantil. Mas não deu em nada. Voltei a admirar ainda mais o Udon, porque ele sim era um rapaz que agrupava qualidades quase que impossíveis de se achar em um homem.
– Não. Eu não amei ninguém ainda. – Menti, mas era melhor assim. Já havia me exposto mais do que devia. – Eu invejo a Yume por ter você. Mas é uma inveja boa sabe? Um dia quero encontrar alguém que me faça feliz também. Só não demore em dizer a Yume que a ama. Porque pode vir alguém, e fazer isso antes de você. – Eu ri, estava apenas debochando mesmo. – Daí vai vir implorando para eu ficar com você.
Udon me soltou, achei que ele não havia gostado da brincadeira. Já ia pedir desculpa. Mas ele foi mais rápido e se levantou, perguntando se eu não queria ir beber alguma coisa.
Eu não acreditei muito naquilo, a gente nunca saiu antes para beber. Mesmo porque meu pai não admitiria isso. Mas aqui... estamos sozinhos. E... Ah! Que se dane.
A única coisa que me recordo daquele dia era que o bar estava agitado. A chuva estava muito forte. E no outro dia acordei com muita ressaca, abraçada no Udon.
...
Notas finais
Então, acho que sabem que a titia Kori tem um bebê pra cuidar, casa pra arrumar, marido pra agradar ;D
Além de trabalhar. Uffa. Ainda sou moderadora! Eu não paro, durmo pouco e caço sempre um tempo pra me dedicar as minhas histórias que são meu passa-tempo.
Só que fazer tudo isso ao mesmo tempo é bem cansativo.
Então infelizmente algumas fics minha estão em 'hiatus'
Essa aqui, Getsu, embora esteja escrita, eu ainda leio e edito algumas coisas. E ainda tem coisa errada pra arruma. Então desculpe os erros, ja comentaram comigo, eu não tenho mais beta pra me ajudar e acabo deixando passar coisas bestas mesmo.
Enfim, demoro pra responder review tb, mas não é por mal meus amores. Obrigada aí a paciência. Beijão ;*
Ah! No proximo capitulo o Gaara aparece. Familia Uchiha x Sabaku
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