Getsu
32 Conflitos em família
Gaara
Nos últimos anos eu tenho feito o possível para não decepcionar minha filha em Konoha. A cada mês eu prometia à ela que ao menos um dia teria uma folga para visitá-la, caso não estivesse se sentindo bem. Porque francamente eu me sentia muito melhor se Yume viesse até mim. Mas como estava doente, achei bom não fazer essa viagem longe, além do mais eu precisava me encontrar com Naruto e resolver certos assuntos burocrático entre vilas.
Talvez a parte menos interessante era ter que olhar para aquele homem. Não vejo porque tanta preocupação numa visita de pai para a filha. Não havia necessidade de se manter como um cão de guarda como muitas vezes o Uchiha ficava. Por outro lado, pouco falava com Ino, mas já não tínhamos nada o que dizer. A não ser sobre nossa filha! E eu fazia questão de deixar isso muito bem claro na frente daquele homem. Que mesmo cuidando da minha menina como faz, eu ainda não me satisfazia nunca, principalmente sobre o seu treinamento. Logo estaria vindo de mudanças para Suna, e daí tudo seria diferente. Com Yume mais velha, seria mais fácil lidar com ela, porque confesso que quando era apenas um bebê, uma menininha, eu não tinha muitas habilidades, mas ela era especial, não esquecia-se de mim, e sempre que eu a visitava ou ela ia ficar comigo em Suna, nós nos divertíamos. É até estranho uma palavra como essa, para um homem como eu. Mas Yume me fez mudar. Para melhor.
A comitiva chegou em Konoha e segui diretamente para a residência onde Yume mora. Não era tão grande como a minha, mas ela dizia gostar. Principalmente por estar sempre cheia, suas irmãs e amigos. Pedi para que me deixasse sozinho e fossem para o hotel, eu não precisava de seguranças em plena Konoha.
Esperei alguns minutos para abrirem a porta, impaciente já, quem abriu fora a jovem mais nova que Yume, a menina Kaoro. Ela gritou na porta mesmo que o Kazekage havia chegado. Me deixou entrar e eu esperei por minha filha na saleta. Quem sabe se ela estivesse bem eu não a levaria para o hotel ao invés de ficar tendo que vir nessa casa. Como imaginei, ela vinha, mas na companhia de Uchiha Sasuke.
Ela se aproximou de mim, um pouco receosa, mas me abraçou daquela maneira carinhosa de sempre.
– Se soubesse antes que estava doente teria vindo na outra semana mesmo. – Sentamos e os dois Uchiha nos olhavam. Ele sério e a pequena ao seu lado pedindo pela atenção do pai.
Yume
Eu implorei pro papai me deixar falar com o meu pai sozinha, mas era como pedir para parar de respirar!
Dei um abraço apertado nele, ainda bem que veio sozinho. E deixou Matsuri em Suna. Ela ainda deveria se lamentar porque não tinha filhos com o Kazekage e eu era a única herdeira de Suna. Eu não me importava com isso, mas tinha vezes que eu fazia questão de dizer isso em alto e bom tom.
O papai estava com uma cara horrível, ele ficava muito sentido quando meu outro pai vinha, era ter que me dividir com ele. Ciúmes de pai. Era uma situação constrangedora. Como eu diria que amava os dois da mesma forma? Ficariam em pé de guerra. Mais do que aqueles olhares sérios significavam.
– Vamos dar uma volta em Konoha? – Me levantei, dei um beijo no rosto daquele Uchiha ranzinza com o cenho enrrugado, eu brincava com ele que se continuasse fazendo aquelas caras feias ia acabar ficando mais velho com rugas. Ele apenas murmurou alguma coisa, ignorando os pedidos de Kaoro, que a cada dia parecia mais impossível de lidar. Não consigo mais conviver com minha irmã em paz. Ela definitivamente tinha alguma coisa contra a minha relação com o nosso pai.
Gaara
Yume me levou para alguns lugares onde não era tão interessante alguém como eu frequentar. Mas a segui sem reclamar e quando terminamos com o rámen, o sorvete e as atrações daquela vila, a convidei para vir até o hotel. Mas antes Yume precisava pedir para o outro pai. Não tinha motivos para isso, mas eu admirava aquele respeito que ela tinha por todos, não somente pelo Uchiha, mas ela era assim com todas as pessoas.
Não haveria então problemas para que minha filha passasse o final de semana comigo no hotel. Foi cedo para pensar nisso.
Yume entrou na casa chamando pela mãe, quando cheguei ela não estava lá, mas agora, pude vê-la. Tão bonita como sempre, e grávida.
Yume já estava indo para o quarto pegar algumas roupas, mas foi impedida, pela voz de Sasuke que não achou bom ela ir doente para o hotel. Ino ouviu um choro infantil e pediu licença. E agora a voz não era de Sasuke, mas a própria irmã que a ordenou ir e não voltar mais. Dali em diante eu não imaginei ver uma briga de irmãs.
Yume
A Kaoro adorava dar shows e tinha escolhido uma péssima hora para começar!
– Deixe de ser atrevida, você não sabe nem o que está falando. – Ela puxou uma blusa da minha mão, por bobagem nossas discussões passam de besteiras para ofensas gratuitas. Kaoro queria sempre falar mais alto. Chamar a atenção, me deixando nervosa e sem saber o que fazer.
– Não mexe nas minhas coisas. – Eu sequer toquei em algo dela. – Cansei de você, toda se fazendo de boazinha e inocente na frente de todo mundo só pra eu ouvir depois do otousan que preciso ser como você. – Ela apontou para mim, irritada, olhando para o nosso pai. – Eu não sou como ela! E nunca vou ser uma chata igual a ela. Eu sou uma Uchiha e quero ser tratada como tal, deixe Yume ir embora com o Kazekage.
– Somos irmãs, você querendo ou não! Filhas da mesma mãe, que nos ama por igual – Ela deu uma gargalhada debochada, dizendo que sabia não ser assim. Nossa mãe veio com Mikoto do quarto, preocupada com a gritaria. – Você deveria pensar mais nos outros do que só em você, Kaoro.
Ela fez muxoxo, dizendo que egoísta era eu, por querer os dois pais para ela. Eu nunca pedi isso!
– Ele é seu pai Kaoro! Embora me ame como filha, você é a filha dele, não desconfie tanto dos sentimentos dele, ele não merece isso! Mas se você está feliz, em três anos vou embora de uma vez, então nunca mais você vai se preocupar comigo.
Eu vi o olhar decepcionado dos meus pais, não queria ser grosseira.
Gaara
Aquele momento não era oportuno para manter mais diálogo. No lugar do Uchiha eu me sentiria envergonhado pela cena, assim como pareciam estar todos. Mesmo que eu a quisesse comigo, deveria ter uma reunião em alguns minutos com Naruto, por isso era melhor que Yume fosse me ver pela manhã no hotel se assim ela desejasse ainda.
Sussurrei somente para ela ouvir que eu sentia muito orgulho de tê-la como minha substituta, seria uma ótima líder um dia. Sem mais nada para fazer ali, saí. Esperando ansioso que ela fosse me procurar logo pela manhã, quem sabe sua mudança para Suna não fosse mais rápida após aquele lamentável incidente.
Sasuke
Já era penoso ter que ver a minha filha empolgada com seu pai. Mas ainda ver minhas duas filhas mais velhas brigarem por algo ridículo na minha frente e na frente do Kazekage. Não que eu deva algo para ele, mas aquilo era vergonhoso, que tipo de educação pensará que dou para essas jovens?
Não me importo com o que o homem de Suna pensa, mas no que ele pode fazer Yume pensar, e depois desse lamentável incidente dom Kaoro, haverá mais certezas dele acreditar que Yume deve partir de uma vez para Suna.
Sim, eu acho que posso ser um pouco responsável pelo ciúmes excessivo pela parte da irmã mais nova com a mais velha, mas Kaoro deve entender que é diferente com Yume, que ela precisa de proteção, por justamente não ter nosso sangue Uchiha.
– Nada do que Kaoro disse pode ser levado em consideração, mas o que ouvi você falar, me pareceu muito sério.
Yume
Eu respeitava meu pai por tudo o que ele fez por mim, por minha mãe, nossa família, pela história dele. Mas as vezes, só as vezes, eu achava mesmo tudo aquilo exacerbado. Mas ão tinha meios de se dizer isso à Uchiha Sasuke.
– Desculpe, eu só falei a verdade, em pouco tempo esse tipo de conflito não existirá mais. Não terá mais diferença entre minhas irmãs e eu. Kaoro-chan diz o que sente, pode ser bobo, mas não consigo deixar de pensar que estar fora de Konoha seja o melhor para essa família.
Eu vi mamãe se enfurecer com minhas palavras e o papai pediu para que nos deixasse a sós. Nunca vi meus pais discutirem, mas ali me pareceu que ela estava pronta para brigar. Ainda assim, saiu.
Sasuke
– Você pode ter um destino desde que nasceu! Mas isso não quer dizer que precise segui-lo se não desejar. Mas se faz tanta questão em ir mesmo embora, eu respeitarei sua decisão. Mas não admito que fale em alto e bom som que não a queremos aqui nessa casa. Sua mãe não merece esse desgosto. Tem ideia de como foi desejada? E esperada, até o dia de seu nascimento? Pois então faça por onde for. Mas até o dia em que fizer vinte e um anos, está sobre a guarda de sua mãe, aqui em Konoha, e eu sendo o marido dela, tenho total direito de cuidar de sua segurança. Você não irá para o hotel, ficará aqui, não tem condições para sair de noite.
Eu não queria ser severo, ainda mais com Yume que é uma excelente filha, mas foi necessário. A próxima seria Kaoro, essa eu deveria ser mais rígido, ela me lembra demais a mim quando mais novo.
Yume
– Isso não é justo, você não pode mandar em mim dessa forma. – Ouvi um pigarrear, Udon entrava sem graça parado na porta, certamente eu a deixei aberta quando meu pai saiu. – Udon, entra.
Papai disse que o assunto estava encerrado e que eu poderia falar com meu companheiro de time. Pedi para Udon se poderíamos ir lá pro quintal dos fundos, não queria ficar ali, respirando aquele ar complicado. Eu só queria que tudo fosse mais simples para mim, para todos. Essa tensão não era exatamente o que esperava,mas era sempre o que acontecia quando o assunto da minha partida inciava. Eles sempre jogavam com as fichas certas, me deixando mais depressiva.
Udon
Imaginei que havia chegado numa hora totalmente errada. Sasuke-sama emanava uma força estranha, confusa e enraivecida. Já não era um bom sinal para o que eu queria.
Cheguei de missão tem dois dias e estava ansioso para vê-la, mas antes precisava me manter um pouco afastado, as vezes o nome de Mika vinha na minha mente, mas a Yume a cobria.
Fomos para o quintal e ela parecia um pouco chateada, me contou por cima o que aconteceu, e eu constatei que não era mesmo o melhor momento para uma declaração. Pois era isso que eu queria fazer!
– Eu volto depois então! Só vim saber como você estava, não quero atrapalhar nada. – Estava de saída quando ela segurou meu braço pedindo para eu ficar. Yume chamou com uma voz triste, queria abraçá-la e dizer o quando eu gostava dela, de como queria protegê-la de tudo. – Yume, eu... eu... queria falar uma coisa para você. Mas acho que não é o momento para isso.
Yume
Eu já tinha esquecido a cena de segundos atrás. O Udon estava para fazer o que eu achava que estava fazendo?
– Udon-kun... está tudo bem, você pode me dizer o que veio dizer. – Eu me coloquei nos braços dele ainda tímida, segurando meu choro, que eu sabia ser o suficiente para colocar culpa no Udon, mas eu não queria pressioná-lo. Ele ia dizer que gostava de mim! Ou era isso que eu desejava tanto, que minha mente já imaginava coisas.
Udon
Ela se aconchegou nos meus braços, apoiando a cabeça no meu peito, pedindo para eu falar. Aí que eu não ia conseguir mesmo falar coisa alguma. Dava para ver pela janela um olhar que eu já imaginava ser o problema de tudo.
– Yume, eu não posso falar nada, não de conversar com seu pai! – Ela ficou um minuto calada e depois me puxou pelo braço levando-me para dentro de casa. Sasuke-sama já estava lá, meu padrinho que sempre foi bom demais comigo e eu não queria decepcionar. – Eu... eu queria falar uma coisa importante. Sentia a presença somente dos dois e alguns grunhidos ou choro vindo dos quarto. Realmente não era uma boa hora mas Yume me incentivava a continuar. – Yume e eu, somos muito ligados desde pequenos. Mas com o tempo eu comecei a sentir algo maior que dois irmãos podem sentir. Sinto muito se não é o momento mais oportuno, eu só queria pedir... Pedir autorização para... – Respirei fundo, senão a frase não ia sair. – Que-quero poder ter autorização para na-mo-rar... com ela.
Não foi tão mal. Poderia ser melhor, o único problema era o silêncio vindo deles. Mas assim que sentir a mão de Yume apertar forte a minha, eu fiquei mais tranquilo.
Notas finais
Beijos amores.
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