Get Mad, Ear.

16 Capítulo 16


Notas iniciais
É tão legal como a turma A é tipo uma família. Laços são forjados pelas experiências, e eles já se foderam muito juntos. Eles são tão preciosos e tão fofinhos, eu quero amarrá-los juntos e guardar num potinho com formaldeído pra perservar.

Isso era tão embaraçoso. Depois de duas semanas oficialmente namorando Bakugou, Jirou aprendeu que, em momentos de reuniões públicas, a melhor opção era ficar próxima de Yaomomo ou Katsuki. Seus amigos tinham um belo prazer em fazê-la corar, não importa quantas vezes os ameaçasse ou realmente os agredisse. Os únicos que conseguiam fazê-los ignorarem o assunto era Bakugou, por realmente cumprir suas ameaças de morte, e Yaomomo, porque ninguém consegue resistir a um pedido da garota.

Ao menos os garotos tinham a decência de não incomodá-los nas aulas e treinos. Era quando Kyouka ficava ainda mais desconfortável com as provocações. Katsuki não admitia, mas também corava um pouco, embora as explosões e gritos mascarassem seu rubor como raiva.

O loiro estava aprimorando suas explosões para utilizá-las em outros lugares do corpo que não fossem suas mãos. Desde que Jirou mencionou as microexplosões pelo corpo do rapaz, ele tentou descobrir como ativá-las conscientemente. Ao que parece, sua individualidade era mias forte nas palmas das mãos porque ali haviam mais glândulas oxidativas, a glicerina espalhada pelo resto do seu corpo oxidava naturalmente, como ferro e outras ligas expostas ao vento. Agora, se ele conseguisse oxidá-las em grande escala, talvez ele pudesse gerar uma explosão tão grande quando as suas granadas sem precisar destruir seus braços.

O problema era que, mesmo seu corpo tendo uma grande resistência, gerar explosões diretas de seu peito podia ser doloroso, então o garoto começou a treiná-las para fortalecer sua pele e assim suportar explosões maiores.

Jirou estava treinando com Uraraka. Nos últimos dias ela veio tentando usar suas explosões para parar quedas ou gerar impulso. Era um pouco mais complicado do que ela esperava. Havia diferença de intensidades para criar impulso dependendo do ponto de partida. Por exemplo, para alcançar a mesma altura saindo de uma superfície arenosa. Era preciso quase o triplo de força comparado com uma superfície de concreto.

Kyouka agradeceu aos céus pela matemática reger as leis do universo. Com apenas alguns dias ela percebeu que havia uma constante resultante da relação inversamente proporcional do seu som e a rigidez do solo (Momo e suas aulas de matemática seriam sua dívida eterna por isso), em outras palavras, quanto mais duro o chão, mais alto teria que ser suas explosões. Jirou podia não saber muito de cálculos, mas ela entendia de música, tons e semitons, escalas e progressões. Tudo o que ela precisou fazer foi imaginar uma escala de rigidez do solo e associá-las com a intensidade de suas explosões.

As quedas que eram mais complicadas. Para fazer um pouso decente, Jirou precisava reduzir constantemente suas explosões para retardar sua queda. Isso exigia um esforço e concentração enormes. Foi por isso que ela pediu a ajuda de Uraraka. A garota da gravidade zero estava elevando Jirou a curtas alturas e soltando-a para treinar seus pousos. Elas fizeram isso por aproximadamente uma hora e meia. Uraraka ao mesmo tempo treinando seus movimentos no ar.

Um pouco antes de o treino acabar, Uraraka precisou parar. Ela já havia excedido seus limites e, se não desse uma pausa, não conseguiria colocar nada no estômago pelo resto do dia. Jirou alongou o corpo por alguns minutos, esperando sua amiga voltar, o que não aconteceu. Ela ainda tinha tempo, e seu corpo ainda aguentava mais alguns minutos de explosão. Talvez fosse a hora de tentar algo mais alto.

Tem tantos prédios no Ground Beta que não poderia ser tão difícil assim achar um que fosse alto o suficiente para ela alcançar e baixo o bastante para que ela pudesse pular e retardar sua queda bem o suficiente para não se machucar.

Kyouka afastou-se um pouco de sua área de treino, aproveitando para treinar seu impulso com as explosões enquanto percorria a campo de treino atrás de um prédio confiável a seus olhos. Depois de alguns saltos de longa distância, ela entrou em uma zona urbana e subiu em um dos prédios. Incrivelmente não havia ninguém nessa área. Talvez porque parecesse que um furacão passou por ali.

Ignorando esse ponto, Jirou subiu em um prédio de seis andares. Seria bom o suficiente para cair e seu salto mais alto era um pouco mais baixo que isso, fazendo-a melhorar ainda mais seu impulso. Depois de quatro tentativas, Kyouka conseguiu subir no prédio. Foi preciso um pouco de esforço, já que ela não alcançou toda a altura necessária e precisou se erguer com os braços do parapeito do telhado antes de realmente ficar na cobertura do prédio.

Ela olhou para baixo. Não era exatamente a mesma coisa que flutuar lentamente até uma certa altura e esperar Uraraka soltá-la. Era desconfortavelmente alto, não parecia nada divertido se jogar dali. Até porque, bem, ela ainda era muito ruim nisso. Todos os seus pousos eram truncados e estranhos. Jirou precisava criar uma escala de intensidade muito mais sutil e linear do que a que tinha até agora. No momento, era como se ela conseguisse mudar de marcha, porém sempre desse um solavanco.

Antes que Jirou pudesse tomar uma decisão, algo verde passou tão rápido por ela que gerou uma forte ventania, lançando-a do prédio, mais alto e mais longe do ponto inicial em que estava.

Kyouka não conseguiu lembrar que se tratava de Midoriya, ou mesmo lembrar que ela deveria retardar sua queda lançando sua explosão sônica no sentido contrário do ponto de impacto. Seu cérebro ficou em branco com o medo e tudo o que ela conseguiu pensar foi em gritar.

Um pouco distante dali, Aizawa ouviu sua aluna e virou-se tentando encontrá-la. Seus olhos secos não esquadrinharam o terreno rápido o suficiente, mas os de Bakugou sim. O garoto percebeu a mancha preta e vermelha no céu e sabia que era Jirou. Imaginando todos os possíveis motivos para Jirou estar caindo e não vibrando, Bakugou levou apenas um milésimo de segundo para gerar uma grande explosão com suas mãos e voar na direção da garota.

Kyouka estava caindo rápido demais, ela estaria caindo entre dois prédios em poucos segundos. Da direção que vinha Katsuki, havia outra construção à sua frente antes de chegar à garota. Bakugou pousou rapidamente no topo do prédio e correu para a ponta, ele planejava aparar Jirou e colocá-la sã e salva no prédio seguinte, porém a garota estava em uma velocidade maior do que a calculada pelo loiro e ele precisou inclinar o tronco no parapeito para alcança-la, segurando-a pelo tornozelo direito.

A parada brusca fez Jirou soltar o ar de seus pulmões em um ruído abafado. Bakugou relaxou os ombros no segundo que percebeu que conseguiu. Por um momento ele imaginou que ela passaria direto para a morte certa, então ele se permitiu um suspiro de alívio. Assim que Jirou percebeu que estava bem, porém de cabeça para baixo e com sua blusa caída, deixando de fora seu torso, ela rapidamente empurrou as duas mãos contra o tecido, segurando-o no lugar, e corou furiosamente.

— Você tá brincando comigo?! É com isso que você está preocupada?! – Bakugou sibilou ao perceber que a garota ficou com vergonha de ter sua pele exposta. Essa idiota quase morreu! – Por que caralho você não parou sua queda com suas explosões?!

— Eu entrei em pânico! – Ela se defendeu irritada – Eu estava caindo, droga!

— E toda aquela merda de treinamento?! – Ele retrucou puxando-a para a cobertura do prédio.

— Oh, cala a boca! Eu só tenho essa coisa por quatro meses agora, então pare de ser tão chato – Ela cruzou os braços e desviou o rosto com o nariz torcido.

— Jirou-san, você está bem?! – Midoriya perguntou pousando na cobertura – Eu estava esperando lá embaixo para pegá-la quando Kachan segurou você. – Ele aproximou-se preocupado e fazendo uma leve curvatura – Me desculpe por ter jogado você, Aizawa-sensei disse que não teria ninguém por aqui. Me desculpe!

— Essa merda foi você, Deku? – Bakugou rosnou com um olhar altivo e ameaçador.

— Foi minha culpa – Jirou segurou-o pelo braço – Eu invadi a zona de treino dele. Eu que peço desculpas, Midoriya.

— Por que você fez uma idiotice dessas, Orelha?! – Ele ladrou irritado.

— Eu não sabia, ok?! – Jirou revirou os olhos e cruzou os braços – Não tinha nenhuma placa avisando “Cuidado, brócolis violento” por perto.

Midoriya ganiu envergonhado ao ouvir o pequeno deboche de Kyouka. Já Bakugou, esfregou o rosto e rosnou irritado.

— Só não morre nessa porra, ok? – Ele pediu segurando-a pelos ombros e sacudindo-a um par de vezes.

— Tá – Ela balbuciou olhando para o lado com os olhos inexpressivos, porém com um rubor no rosto.

Bakugou estalou um ruído antes de aproximar-se para tentar beijá-la. Contudo, Jirou encolheu-se e arregalou-os olhos com vergonha antes de olhar rapidamente Midoriya com o canto dos olhos. Katsuki aprendeu rápido que sua namorada ficava tímida quando tinham outras pessoas por perto. Então ele decidiu se livrar do incômodo, isso a deixava mais... participativa.

— Dá o fora, Deku – Bakugou ordenou simplesmente.

— Hm? – Midoriya não entendeu muito bem, geralmente Kacchan não tinha motivos para expulsá-lo de algum lugar, então ele já estava acostumado a ignorar alguns comandos automáticos do loiro.

— Chispa daqui, porra – Bakugou gesticulou com a mão para que Deku saísse.

— Bakugou! – Jirou repreendeu baixinho puxando-o pela manga do uniforme. O loiro bufou.

— Dê alguma privacidade aqui, nerd de merda – Ele revirou os olhos impaciente e esticando os braços na direção de Jirou.

Midoriya compreendeu e cobriu o rosto com as mãos gaguejando uma desculpa antes de sair dizendo que avisaria a Aizawa-sensei que estava tudo bem. Bakugou aproximou-se de Jirou novamente.

— Eu sei que eu vou arruinar o momento, mas – Jirou sorriu debochada – A coisa de morrer? Agora você sabe como eu me senti quando você se explodiu semana retrasada.

— Você não vai deixar essa merda para trás?! – Ele reclamou – Eu pelo menos sabia que não ia morrer! Você não usou a única merda que podia para se salvar sozinha!

— Só cala a boca e me beija – Ela revirou os olhos e puxou-o para um beijo.

Midoriya encontrou Shota na metade do caminho para o local onde Jirou estava caindo. O garoto de cabelos verdes explicou para o Sensei que Bakugou havia a alcançado antes que Jirou tivesse algum dano sério, embora Midoriya também estivesse pronto para o resgate.

O garoto corou quando perguntaram onde estavam Jirou e Bakugou, fazendo Aizawa erguer uma sobrancelha ao ouvir as risadinhas de algumas meninas. A turma A sabia sobre os dois, porém era um assunto interno da turma. Até porque, tecnicamente não era permitido.

Como ainda faltavam 20 minutos de aula, todos voltaram aos seus treinos assim que ouviram as explosões de Bakugou e Jirou. O loiro fez questão de garantir que Kyouka soubesse logo como pousar com sua própria individualidade e a estava treinando com seu jeito Bakugou de ser.