Get Mad, Ear.

17 Capítulo 17


Notas iniciais
Bem, o drama está de volta, aquelas merdas psicológicas que eu avisei que teríamos em mais alto padrão por aqui.

Kyouka andava tão ocupada tentando evoluir que acabou perdendo o desenvolvimento de alguns dos seus colegas de classe. Isso não seria tão problemático se não fosse assustador encontrar uma chama azul cintilando a alguns metros de si.

Reagindo em choque, Jirou parou de prestar atenção no que Yaoyorozu estava dizendo e fixou o olhar no ponto azul que aumentava e diminuía, fazendo Kyouka tremer. As duas garotas estavam bebendo um pouco de água em um intervalo de treino. Jirou havia sentido seus músculos e precisou de uma pausa. Aparentemente a escala decrescente e linear que ela finalmente conseguiu fazer depois de treinar com Bakugou na semana passada exigia muito de seu corpo.

— Impressionante, não é? – Momo sorriu olhando para a chama azul que sua amiga encarava de olhos arregalados. A voz de Yaoyorozu tirou Jirou de seu transe e a garota percebeu que estava prendendo a respiração – Todoroki-kun tornou suas chamas mais produtivas, por isso ficam azuis. Agora seu fogo queima mais rápido e mais forte porque ele conseguiu reduzir o desperdício de energia para o ambiente durante a combustão. Isso foi muito útil naquela técnica que ele vem aprimorando de acumular calor dentro de si e liberá-lo de uma só vez – Momo suspirou sentando-se no banco e tocando delicamente no braço de Kyouka para que a garota sentasse com ela – Você está gelada, Kyouk-achan, está tudo bem?

Jirou engoliu em seco e olhou para Yaoyorozu com uma expressão mais séria do que a que pretendia. Ela não podia evitar. Querendo ou não, algumas merdas psicológicas ficaram gravadas depois do ataque de vilões no acampamento. Não foi tão problemático durante a invasão na escola, era dia, eles conseguiram ver os vilões, Jirou tinha seus amigos ao seu lado e eles saíram praticamente ilesos.

Agora no acampamento? Aquilo foi horrível, toda a tensão de não saber onde estavam os outros, a escuridão deixando-a cega e o farfalhar de folhas por todos os lados a deixando surda, perdida e sem a menor noção do que acontecia ao seu redor. E depois teve aquele gás, que lentamente a deixou inconsciente, assustada com a incerteza e vulnerabilidade e antes de tudo apagar, aquela chama azul, a qual Kyouka só podia esperar o pior.

— Sim, sim. É só... – Jirou sentou-se ao lado da amiga. Por um segundo ela pensou em voltar a olhar o ponto azul e julgou não ser uma boa ideia – São só meus músculos, talvez seja melhor eu parar por hoje – Ela balbuciou olhando para o chão.

— Oh, se é assim, você quer que eu te ajude a alongar? – Momo se ofereceu – Ou você acha melhor ir ver a Recovery Girl?

— Não, não. Não precisa, eu ahn... – Jirou mordeu um lábio pensando a melhor maneira de ficar sozinha sem preocupar sua amiga – Você pode avisar o Sensei? Eu vou me alongar no vestiário.

— Tudo bem então – Yaoyorozu concordou levantando-se calmamente.

Kyouka suspirou tentando se acalmar, tanto tempo empurrando isso para baixo e agora tudo voltando com força total. Por alguns segundos Jirou pensou que ela estivesse de volta ao acampamento e sentiu todas as emoções novamente. Fechando os olhos e apoiando-se no banco para forçar seu corpo a parar de tremer, Kyouka lembrou a si mesma de que era apenas Todoroki, que agora o garoto também tinha as chamas azuis. Pode ter sido uma surpresa nada agradável, e seria muito fácil digeri-la se houvesse um preparo psicológico prévio. Mas isso não tinha nada a ver com aquele vilão, era apenas Todoroki, e unicamente Todoroki.

Foi um pouco mais fácil digerir a informação no vestiário. Ela estava sozinha e pôde falar tudo em voz alta, facilitando a absorção. Jirou conseguiu agir normalmente durante o almoço e até mesmo durante aula. Embora ela não conseguisse evitar encarar Todoroki com outros olhos por um par de segundos antes de começar a procurar semelhanças entre ele e o vilão Dabi. Kyouka já havia passado dessa fase, ela parou de encarar os cartazes de procurados do vilão semanas depois do incidente. Era uma autoflagelação olhar para as cicatrizes e suturas no rosto de Dabi, e Jirou não faria isso de novo.

Depois do jantar, Jirou se despediu dos amigos e foi para o quarto. Ela usou a desculpa de ter exagerado muito nos treinos e precisar de um longo descanso. Kyouka ficou um pouco inquieta ao reparar que o olho esquerdo do Meio a Meio possuía um azul desconfortavelmente similar ao de Dabi.

Jirou sabia que isso era estúpido. Não havia motivos para temer Todoroki. O garoto era um herói em treinamento, filho do herói número um, com um currículo impecável e um dos alunos mais brilhantes da sala. Além do mais, Todoroki nunca sequer fez uma ameaça à Jirou, ao contrario de Bakugou, que consegue ser assustador até quando quer ser gentil. E aqui estava ela, namorando o garoto literalmente mais explosivo da escola e temendo o mais centrado de todos eles.

Talvez fosse essa personalidade fria de Todoroki que acabou aumentando o desconforto de Jirou. Katsuki estava sempre gritando aos quatro ventos suas ameaças, enquanto o Meio a Meio continuava estoico, sem nenhuma dica do que poderia fazer. Quem garante que ele não é algum tipo de vilão?

— Ok, chega! – Ela ordenou a si mesma cobrindo o rosto com um travesseiro.

Kyouka estava deitada no seu quarto a pouco mais de 15 minutos. E todo o tempo que esteve ali, sua mente sempre voltava para esse tópico desconfortável. Jirou continuava com o seu mau hábito de obcecar-se em um assunto. Acaba fazendo tudo no automático, ela se lembrava apenas vagamente de ter trocado de roupa.

— É melhor estar vestida, eu estou entrando. – Jirou ouviu a voz de Bakugou batendo em sua porta antes do loiro entrar.

Kyouka sentou-se na cama com um suspiro, deixando o travesseiro sobre as pernas cruzadas.

— O que foi?

— Rabo de Cavalo disse que seus músculos estão fodidos – Bakugou respondeu sentando-se ao seu lado e calmamente descruzando suas pernas para alonga-la.

— Nah, eu estou bem, sério, acabei de alongar – Jirou mentiu. Mas tudo bem, ela tinha mentido sobre as dores também.

— Alonga de novo – Ele encolheu os ombros puxando Kyouka pelas pernas fazendo-a perder o equilíbrio e precisar apoiar-se nos cotovelos para não cair.

— Você podia ser um pouco mais gentil? – Ela bufou franzindo o cenho.

Bakugou não respondeu, nem se mexeu também. Então Jirou tentou descobrir porque seu namorado estava olhando para a parede ao lado da cama antes de perceber que ele estava sentado entre suas pernas, seus joelhos roçando nas coxas de Kyouka.

O rosto de Jirou acendeu como uma sirene vermelha e a garota recolheu as pernas rapidamente, sem nenhuma objeção de Bakugou.

— Você trocou suas roupas com uma mendiga, Orelha? – Ele resmungou olhando-a de lado, o rosto corado para não encarar Jirou em seus trapos de dormir.

—Cala a boca, idiota – Ela jogo o travesseiro nele – É minha roupa de dormir, imbecil.

— E você não tem nada mais decente para vestir? – Ele devolveu o travesseiro no rosto dela.

— Ei! É uma roupa confortável, ok? – Ela bateu nele com o travesseiro e Bakugou o segurou – Eu não pretendia ver mais ninguém além da minha cama – Ela tentou puxar o travesseiro, porém Katsuki não deixou, iniciando uma disputa pelo objeto.

— Isso é roupa? – Ele debochou com um puxão no travesseiro, fazendo Jirou dar um solavanco – Achei que fosse algum trapo velho que você achou no lixo.

— Pelo menos não tem uma estampa infantil e idiota de um bebê All Might – Ela satirizou com um sorriso venenoso e usando as pernas para empurrar Katsuki para longe do travesseiro.

— Claro que não, nem cabe a estampa de um bebê nesse short, orelha – Bakugou brincou finalmente conseguindo arrancar o travesseiro das mãos de Jirou, fazendo a garota bater em seu tronco com uma careta. – Ganhei! – Ele exclamou vitorioso.

— É, é, é, grande coisa, você roubou um travesseiro de uma garota com metade do seu peso e duas cabeças mais baixa que você – Jirou revirou os olhos e se acomodou melhor para ficar com o rosto bem próximo do de Bakugou – Grande vitória para você.

— Ei, você é só uma cabeça mais baixa que eu – Bakugou argumentou largando o travesseiro e passando os braços na cintura de Jirou – E uma vitória é uma vitória. Eu mereço meu prêmio – Ele sorriu maliciosamente antes de beijá-la.

Eles continuaram assim por um bom tempo. Kyouka resistiu à tentação de se encaixar-se no colo de Katsuki quando sentiu seu corpo esquentar. Eles estavam em sua cama afinal, todo o cuidado era pouco. Os dois aprenderam que ceder o mínimo que seja abre espaço para continuar cedendo. E quando perceberem, já estariam passando dos limites e teriam um momento constrangedor antes de parar.

E no momento Jirou não queria parar. Era reconfortante estar com Bakugou no momento. Talvez o beijo possa ter uma participação especial nesse conforto, mas havia algo mais, uma tranquilidade relaxante.

— Bem, agora que você não está mais tensa como uma corda, vai me dizer que porra que aconteceu? – Bakugou interrompeu o beijo e segurou-a com as duas mãos no rosto.

Jirou fitou-o surpresa e um tanto desconcertada antes de corar e desviar o olhar.

— Eu não sou burro, Kyouka, aconteceu alguma coisa no treino da manhã que cagou o seu dia inteiro, o que foi?

— Nada de mais – Ela balbuciou abraçando-o, mais para confortá-lo do que em busca de conforto.

Katsuki usou seu primeiro nome, o que significava que ele estava um pouco preocupado. Ás vezes era um pouco irritante o quão observador ele era. Desta vez Jirou ficou grata por ele ter percebido.

— E eu sou o Bozo – Ele estalou revirando os olhos – Não precisa dizer, se não quiser. Mas me avisa se eu tiver algum motivo para quebrar a cara de alguém.

— Não é nada — Ela riu ao ouvir as palavras do namorado – Eu só... é estúpido, eu tenho certeza que amanhã eu já vou ter esquecido.

Jirou não queria incomodar ninguém com a sua paranoia irracional. Para início de conversa, até mesmo sua cisma com Dabi era infundada, Kyouka desmaiou antes mesmo de conseguir ver o rosto do vilão, se ele quisesse matá-la ali mesmo, não teria nada que o impedisse. Todo esse medo e desconforto foram gerados por um conjunto de fatores que acabaram impressionando seu cérebro e fazendo-o acreditar que aquelas chamas azuis ainda iriam ser a causa de sua morte.

— Você que sabe – Bakugou soltou-a e beijou-a rapidamente – Eu vou estar no meu quarto se você mudar de ideia.

— Você já vai? – Ela choramingou segurando-o pelo braço quando ele levantou.

— Eu deixei o Pikachu fritando o cérebro para terminar o trabalho de Física. Mas ele pode ir chorar para o Cabelo de Merda, então – Katsuki encolheu os ombros e sentou-se novamente, puxando Jirou para si novamente – Você quer conversar ou dar uns amassos?

— Bakugou! – Ela o repreendeu corando.

— A gente pode tocar também – Katsuki sugeriu roçando o rosto no cabelo de Kyouka – Mas você sabe qual escolha eu prefiro.

Eles ficaram juntos por mais um quarto de hora até que Ashido bateu na porta de Jirou. Eles já esperavam por isso. Iida mantinha uma vigilância velada sobre os dois, sempre garantindo que eles não ficassem muito tempo sozinhos, especialmente nos quartos.

Já eram oito da noite, então Bakugou decidiu ir dormir. Kyouka tentou, contudo não foi tão fácil assim. Ela não estava com sono, e agora que Katsuki saiu, seu cérebro voltou a atenção para as chamas azuis de Todoroki.

Jirou ponderou se devia incomodar Yaoyorozu. Depois da situação horrível do isolamento, Momo havia dado passe livre para Kyouka invadir seu quarto e compartilhar sua cama. A garota punk usou essa liberdade duas vezes depois disso. O melhor de tudo era que Jirou só precisava das palavras “silencioso demais” e Yaomomo aceitava como explicação.

Entretanto, era pouco provável que isso fosse o suficiente hoje. Yaoyorozu era a garota mais esperta da classe, ela saberia que tinha alguma coisa diferente. E Jirou não queria ter explicar algo tão estúpido quando isso.

Rolando mais alguns minutos na cama, tocando um pouco de guitarra e voltando a deitar. Jirou decidiu aceitar a oferta de Bakugou e procurá-lo em seu quarto. Nem um pouco interessada em ser incomodada pelos seus amigos, Jirou caminhou discretamente para o quarto do namorado, ela usou seus fones para encontrar o caminho mais livre e conseguiu passar pelo salão comum sem ser vista por ninguém.

Ela se sentiu um pouco culpada por isso. Mas honestamente, se ela tivesse que contar algo tão idiota para Bakugou, ela esperava que mais ninguém soubesse. Kyouka nem sequer bateu na porta de Katsuki, mesmo sabendo que Kirishima estava no salão principal, outro morador do andar de Katsuki tinha a audição muito aguçada quando queria. Felizmente Shoji só podia ouvir longas distâncias quando queria, diferente de Jirou, que não tinha a opção de desligar sua audição.

— E toda aquela merda sobre bater na porta?! – Bakugou pulou da cama ao ver Jirou entrar. Ele estava lendo um livro e deitado na cama.

— Para de gritar. Ninguém sabe que eu estou aqui – ela sibilou sentando na ponta da cama.

— Então você está dizendo – Bakugou ergueu uma sobrancelha – Que você está aqui, no meu quarto – Ele sentou-se ao lado dela na cama estreitando os olhos – E não quer que ninguém saiba?

— Não para isso, seu pervertido – Ela resmungou encostando as costas na parede e abraçando suas pernas, um rubor subindo no rosto – Eu só... eu sei lá, continua lendo seu livro, eu vou só ficar aqui no canto – Kyouka balbuciou envergonhada.

— Você não vai me dizer que merda que aconteceu, não é? – Ele suspirou entediado.

Jirou encolheu os ombros. O plano inicial era contar, agora ela voltou a pensar o quão desnecessário isso era. Talvez só ficar aqui, com Bakugou, até o sono chegar seja o suficiente. Katsuki pegou seu livro novamente e recostou-se ao lado de Kyouka, passando um braço ao redor dela e voltando a ler tranquilamente.

Eles continuaram assim por um bom tempo. Kyouka se aninhou no garoto e se concentrou no som “de pipoca” que ele possuía. Era uma posição realmente confortável. E nenhum dos dois é do tipo que conversa, então só a companhia já era o suficiente.

Bakugou foi quem quebrou o silêncio depois de quase meia hora.

— Eu não estou expulsando você, Orelha – Ele fechou o livro e o colocou na mesa próxima à cama – Mas são nove da noite. Você vai falar ou não?

— Desculpa – Ela esticou as pernas – Você já vai dormir, certo? Eu vou indo.

— Eu disse que não estava te expulsando – Ele a impediu de sair, então a fez recostar-se na parede novamente, esticar as pernas e deitou com a cabeça nas coxas da garota – Eu vou dormir, me acorde quando for sair ou resolver parar com essa frescura de guardar suas merdas para si – Ele bocejou e virou-se de lado, enfiando um dos braços por debaixo das pernas de Jirou e o outro por cima, garantindo que a garota não iria sair dali sem avisá-lo.

— Idiota – A garota bufou colocando as mãos no rosto dele.

Kyouka ficou ali mais alguns minutos antes de ficar entediada. Ela cutucou Bakugou e percebeu que ele já estava dormindo. Sentindo-se um pouco culpada por atrasar seu sono, ela decidiu esperar mais um pouco para garantir que ele não acordaria quando ela saísse de fininho. Por isso Jirou pegou o livro que Katsuki havia deixado na mesa ao lado e começou a lê-lo.

Ele era tão nerd. Kyouka revirou os olhos ao perceber que seu namorado lia as leituras complementares que os professores indicavam para aprender mais sobre história. O livro era menos interessante do que ela esperava. Contudo, não era uma leitura ruim depois dos três primeiros capítulos.

Talvez ela conseguisse ler ao menos um terço do livro antes de dormir se Bakugou não começasse a se remexer em seu colo. Inicialmente Kyouka pensou que o teria acordado, até perceber que o garoto ainda estava dormindo.

Ele se remexeu com o rosto franzido e a respiração profunda, Katsuki estava rosnando em alerta e suas mãos começaram a fumegar. Porra, Bakugou estava tendo um pesadelo.

— Bakugou, Bakugou – Ela sacudiu-o nos ombros – Katsuki! – Ela chamou-o cutucando-o com seus fones.

— Morre! – Ele gritou antes de abrir os olhos.

— Bakugou, o que foi isso? Você tá legal? – Ela o fez virar para ela ainda em seu colo e acariciou o rosto do garoto com os polegares.

Katsuki corou ao perceber o que tinha acontecido. Ótimo, entre todas as noites que Bakugou poderia ter um pesadelo, tinha que ser justo quando ele tinha visitas. Ele levantou-se sem dizer uma palavra e sentou-se ao lado de Jirou sem olhá-la, porém sentindo os olhos dela sobre si.

— Não é nada – Ele rosnou incomodado – É estúpido.

Kyouka permaneceu quieta por um tempo, então ela encolheu-se novamente e aninhou-se nele, puxando os braços do garoto por trás de si e abraçando as próprias pernas antes de decidir falar.

— Não é estúpido. É uma droga – Ela balbuciou recostando a cabeça no ombro dele – você quer falar sobre isso?

— Não – Ele respondeu mais rápido do que gostaria, fazendo Jirou enrijecer um pouco.

Bakugou suspirou e enlaçou o braço livre na garota, para demonstrar que não estava irritado por ela ter feito perguntas.

— Eu tenho alguns também – Ela confessou desconfortável – Sabe, eu também achei que fosse estúpido, quer dizer, é só um sonho idiota. Mas... parece tão real – Ela se viu apertando-o com força – O pior deles é do acampamento de verão. Eu vi um vilão antes de desmaiar com o gás, não vi exatamente, só as chamas azuis dele. – Jirou ofegou tomando coragem, falar isso em voz alta estava sendo um pouco mais difícil do que ela imaginava – Ás vezes, ele me alcança, às vezes ele chega muito perto, às vezes é só como eu vi no acampamento, só as chamas azuis. E agora Todoroki tem aquelas malditas chamas azuis – Ela grunhiu apertando as mãos na camisa de Bakugou até seus dedos ficarem brancos.

Eles ficaram em silêncio novamente, o ar lentamente ficando mais leve e as respirações se equilibrando novamente.

— Eu era a porra de um vilão – Bakugou declarou irritado. Jirou moveu a cabeça para encará-lo – E todos vocês estavam tentando me parar. – Ele a apertou e encostou o queixo no topo da cabeça dela – Eu matei todos vocês...

— Bakugou...

— Não. – Ele a impediu de continuar o discurso de pena que ele pensou que ela daria – Só... só... Sh... – Ele a apertou ainda mais e esfregou as bochechas pelo cabelo dela.

Eles ficaram assim por tanto tempo que nem sequer se lembram de quando exatamente eles dormiram. Mas tudo bem, porque, mesmo eles tendo acordado com algumas dores estranhas no dia seguinte, foi uma ótima noite de sono.

Notas finais
Ninguém me tira da cabeça de que Dabi não é um Todoroki. Certeza que ele é o irmão mais velho do Shoto. Além do mais, Bakugou provavelmente ainda guarda muita merda da queda do All Might, da convite dos vilões e tudo mais. Ele é do tipo que guarda na memória e fica remoendo, pelo menos foi o que vimos no mangá, então nada mais natural que o subconsciente dele se manifestar pelos sonhos.