Get Mad, Ear.
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Bakugou estava inquieto. Esse era o primeiro dia completamente livre da semana desde que ele começou os estágios. Katsuki havia optado por fazer os estágios pela tarde, assim ele poderia fazer toda a sua rotina de exercícios matinal e ensinar o burro do Cabelo de Merda alguma coisa antes do almoço.
O lado ruim era que seu estágio acabava mais tarde por isso, ele sempre voltava morto para o dormitório e quase sempre atrasado para o jantar. Agora ele estava livre. Isso era estranho. Todo esse tempo de folga. O pior ainda era o motivo dessa folga. Os heróis profissionais os liberaram de seus estágios porque houve algo grande, tão grande que precisou de um conselho para discutir o que aconteceu. E eles não quiseram contar para os estagiários, pelo menos não por agora.
Katsuki discutiu furiosamente sobre essa exclusão, contudo, quando seu sensei mostrou a ele que essa atitude infantil só dificultava a confiança dos heróis na sua atuação, ele se acalmou e decidiu esperar pelo próximo passo. Eles não podiam contar a ninguém sobre isso, mesmo o pouco que sabiam. Deku parecia no modo automático. Bakugou sabia que isso significava que o garoto estava usando todo aquele cérebro de nerd para bolar alguma coisa.
Bakugou bufou irritado e levantou-se do sofá, assustando Kaminari e Kirishima que estavam ao seu lado. O loiro explosivo estava calado desde o almoço, então essa reação súbita ativou alguns alertas de perigo nos dois.
— Aonde você vai, Bro? – Krishima perguntou.
— Arranjar alguma coisa útil para fazer – Ele resmungou caminhando para o elevador do lado feminino do prédio.
Só tinha um motivo para Bakugou ir naquela direção: Jirou. Então Kirishima e Kaminari apenas encolheram os ombros e voltaram a conversar. Fazia algum tempo que Katsuki não tocava bateria com a garota. Eles andaram ocupados com tantas aulas e treinos. Isso não quer dizer que eles se viam pouco. Eles sentavam lado a lado na sala, e Bakugou tinha uma noite da semana reservada para humilhá-la na academia. Os dois jogavam vídeo game quando tinham tempo, mas sempre era menos de uma hora juntos, e sempre com os outros garotos.
Parando para pensar agora, a última vez que Bakugou realmente passou algum tempo com Kyouka foi há quase uma semana, durante o treino. Não tinha graça tocar por pouco tempo, e eles não tinham mais do que alguns quartos de hora livre por dia.
Talvez esse tempo livre não tenha sido tão inútil assim. Bakugou entrou no quarto de Jirou só para vê-lo vazio. Ele ergueu uma sobrancelha. Se ela não estava no quarto e nem no salão comum, só tinham duas opções óbvias: Pikachu e Rabo de Cavalo. Como o primeiro estava no sofá com Cabelo de Merda, só sobrou a Rabo de Cavalo.
Com um bufo impaciente, Katsuki fechou a porta e subiu um andar para bater na porta de Yaoyorozu. Invadir o quarto de Jirou era uma coisa, eles tinham um certo nível de intimidade, agora ele sabia que a garota punk iria chiar se ele não mantivesse alguma etiqueta com a riquinha. Orelha tinha uma coisa irritantemente protetora com a Rabo de Cavalo, então Bakugou só decidiu não gastar energia com isso.
— Bakugou? – Momo abriu a porta e inclinou a cabeça em confusão.
— A Orelha tá aí? – Ele perguntou enfiando as mãos nos bolsos da calça.
— Sim – Jirou respondeu de dentro do quarto.
Yaoyorozu deu espaço para que ele entrasse e voltou para a cama com Jirou. Momo sentou-se a lado da amiga, que estava recostada na cabeceira da cama, meio deitada, meio sentada, com as pernas cruzadas e com uma xícara na mão.
— Eu pensei que fosse Tsui-chan ou outra das garotas – Momo disse, também pegando uma xícara de chá – Mas se quiser se servir, fique a vontade Bakugou-san.
— Tch. Não, eu quero tocar bateria – Ele recusou o mais educado que conseguiu.
— Oh, meu quarto está destrancado. Sinta-se à vontade – Jirou fez uma falsa reverência e sorriu brincalhona.
Bakugou piscou. Ela não estava vindo? Por que não?
— Eu sei disso – Ele fez uma careta ofendida – Por que você acha que eu vim aqui no quarto da Rabo de Cavalo?
— Bem, o que foi então? – Jirou perguntou com uma sobrancelha erguida.
— Levanta essa bunda daí e volta para o seu quarto – Bakugou revirou os olhos com impaciência.
Não tem graça tocar bateria sozinho. A melhor parte é ter alguém que o acompanhe, seja no baixo ou na guitarra. Katsuki não sabia disso (e mesmo que soubesse não iria admitir), mas ele meio que sentia falta da garota.
— Desculpa, Bakugou, mas eu e Momo estamos um pouco ocupadas agora – Jirou esfregou a nuca. As duas estavam no meio de uma conversa privada, e o assunto simplesmente chegou.
— Tch, eu não estou dizendo para você ir tocar, Orelha – Bakugou corou levemente e desviou o olhar. Ele foi basicamente trocado pela Rabo de Cavalo, seu orgulho não gostou disso. Nem um pouco – Tem alguma coisa errada na bateria. Eu não sei o que é, mas o som não é o mesmo. Você tem que ir lá consertar.
Ok, essa foi uma desculpa decente. Talvez, se ele conseguisse não demonstrar o desapontamento ele pudesse até convencer a ambas.
— Bakugou, se importa em esperar até terminamos o chá? – Momo perguntou com uma risadinha, parece que ele não convenceu afinal – Eu sei que você quer a companhia da Kyouka-chan, mas eu prometo que não vai demorar.
— Eu não quero a companhia de ninguém! – Bakugou negou mais alto do que gostaria – Hmff. É a bateria dela, ela que tem que ajeitar – Ele virou-se de costas e caminhou para a porta. Em parte porque ele precisava ir, e em parte porque sabia que seu rosto estava vermelho, e ele não deixaria nenhuma das duas saber disso. – Beba a porcaria do chá, eu vou esperar lá embaixo.
Quando Bakugou saiu, ele percebeu que a desculpa que deu era muito idiota. Não havia nada de errado com a bateria! Como ele ia resolver isso?! Com um pouco de pressa, ele desceu para o quarto de Kyouka e encarou a bateria por alguns segundos, circulando ao redor dela e tentando pensar em algo que pudesse ser facilmente consertado. Ele não queria quebrar a única bateria em um raio de quilômetros.
Com um sorriso satisfeito, Bakugou afrouxou dois parafusos que seguravam a batedeira de um dos tambores e testou com as baquetas. O som saiu desarmônico, e isso foi perfeito. Não demorou para Jirou aparecer. Ela entrou no quarto com as mãos enfiadas nos bolsos do casaco gigante que a escondia e perguntou o que tinha de errado.
Katsuki batucou um pouco e Kyouka fez uma careta ao ouvir o som distorcido que o instrumento liberou.
— Argh, bata mais devagar. Você afrouxou os parafusos do surdo – Ela reclamou agachando-se para encontrar o problema.
Seus fones se esticaram até uma gaveta, abrindo-a e tirando uma pequena chave dali, trazendo-a até as mãos de Jirou. Ela segurou a chave com a mão direita e encaixou no parafuso. Bakugou estreitou os olhos ao ver que suas mãos estavam tremendo.
— Você não está alongando – Ele rosnou segurando-a bruscamente pelo pulso e encarando seus dedos trêmulos.
— Eu estou sim! – Ela defendeu-se choramingando e puxando o braço para soltar-se.
— Porra nenhuma. Sua mão parece vara verde – Ele apoiou as mãos na cintura com uma posição altiva – Eu disse que é pior se você não esticar direito.
— Mas eu alongo!
— Não o suficiente – ele resmungou puxando o braço da garota para trás e empurrando-a nas costas em um alongamento nada delicado.
— Ai! Isso doí!
— Aguenta, se seu músculo romper, não vai poder fazer nada por semanas – Ele rosnou erguendo o braço dela com um movimento mais sutil.
— Droga, Bakugou, minhas costas! – Ela se encolheu e choramingou com dor.
— Tch, merda, você já está machucada. – Ele bufou soltando-a – Espera aqui.
— Idiota – Ela resmungou sentando-se na cama.
Bakugou deixou Kyouka se lamuriando e esfregando suas costas e simplesmente saiu do quarto. Seja lá onde foi que ele acertou, Jirou viu estrelas quando a dor fisgou seu músculo tão profundo. Ela precisou de alguns minutos para se recuperar antes de voltar para o quarto de Yaomomo. Entretanto, antes que Jirou realmente pudesse ir, Bakugou voltou.
— Vire-se – Ele ordenou com um pote verde na mão, sem nenhuma identificação.
— Quê? – Kyouka piscou confusa.
Bakugou não respondeu, ele apenas revirou os olhos, destampou o pote, retirou um creme amarelo de dentro dela, puxou Kyouka bruscamente, deixando-a de costas para ele, enfiou a mão por debaixo da blusa da garota e espalhou o creme em suas costas.
Jirou enrijeceu surpresa. Ela ia protestar contra essa atitude, porém havia uma sensação morninha e calmante atingindo suas costas por onde Katsuki deixava a loção. Seja lá o que for isso, parecia estar desfazendo todos os nós, dores e desastres que tinham acontecido em suas costas. Por isso Kyouka limitou-se a corar furiosamente por ter a mão de um garoto em suas costas. E não qualquer garoto, Bakugou! Se você voltar aproximadamente 700 palavras, você vai lembrar que o loiro explosivo era o tópico da conversa de Jirou e Yaoyorozu, um tópico levantado por Kyouka.
— Isso vai resolver por agora – Bakugou disse calmamente, ainda massageando um músculo particularmente rígido – Mas se você não se alongar direito, não vai adiantar nada, Orelha.
— Obrigada – Ela agradeceu timidamente.
— Tanto faz – Katsuki murmurou deixando o pote de lado e usando as duas mãos para espalhar o creme nas costas de Jirou.
A garota assobiou aliviada quando um nó particularmente grande foi desfeito. Bakugou sorriu levemente ao ver os ombros de Kyouka relaxar. Ele conhecia bem essa sensação, suas explosões era um pé no saco quando ele excedia seus limites. Esse creme era uma fabricação caseira que sua mãe o havia ensinado a fazer. Pressionando os pontos certos, não havia dor que resistisse.
Ele avaliou as costas de Jirou com as mãos, procurando por outros pontos rígidos e não encontrou nenhum, ele continuou mesmo assim. Com um pouco mais de calma, ele apenas percorreu as costas da garota sem nenhum motivo específico. Bakugou olhou para a pele de Jirou, a sua geralmente ficavam com arranhões e queimaduras quando descobriu sua individualidade. Se esse fosse o caso de Kyouka, ele teria que lhe entregar um creme diferente.
Bem, parece que não. A pele de Jirou estava completamente íntegra, um pouco vermelha, mas provavelmente é da massagem. Parece que explosão sônica tenha essa vantagem, em compensação, todos os músculos são afetados, ao contrário de Bakugou, que sofrer basicamente nos braços. Aprofundando um pouco mais os polegares na base da coluna da garota, Katsuki se pegou checando mais do que a pele de sua amiga.
Ele parou imediatamente e retesou a coluna. Ele encarou novamente suas mãos na garota e percebeu que não tinha nenhum motivo para elas ainda estarem lá. Como se Kaminari o tivesse eletrocutado, Bakugou retirou as mãos de Kyouka e seu rosto acendeu como luzes de natal.
Jirou nem sequer conseguiu ver Bakugou saindo do quarto. Ela só realmente percebeu que o garoto tinha ido embora quando ouviu a porta bater. Kyouka piscou e olhou ao redor em busca de alguma explicação. O pote verde continuava aberto em sua cômoda e suas costas ainda estavam aquecidas com o creme. Porém Katsuki já estava tão longe que Kyouka quase não ouviu os passos dele pela escada.
Como era costume de Bakugou sair sem dar explicação, Jirou realmente não se importou. Ela Ateve-se em revirar os olhos e voltar para o quarto de Yaoyorozu.
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